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New York Times


Posição dos EUA sobre Irã difere de período anterior à guerra no Iraque

WASHINGTON - Para muitos americanos, o discurso feito pelo secretário de Estado Colin Powell à ONU em 2003 a respeito das armas não convencionais do Iraque foi persuasivo.

A apresentação foi marcante, contendo imagens feitas por satélites e interceptações das comunicações iraquianas, além de ter sido realizada por uma das figuras mais confiáveis da esfera pública.

Então teve início uma longa e cara guerra e a América descobriu que as afirmações de que o Iraque possuía armas ilícitas não tinham fundamento.

Agora o confronto dos Estados Unidos com o Irã a respeito de seu programa nuclear está esquentando, com a revelação na semana passada de que o governo iraniano está construindo um segundo complexo de enriquecimento de urânio não previamente divulgado.

A questão é se o tumulto em torno da instalação secreta perto de Qom não passa de mais julgamento apressado, baseado em evidências ambíguas, impulsionado pelo desejo de endurecer em relação a um regime odiado?

Será que os Estados Unidos estão repetindo os erros de 2002?

Ativistas antiguerra, com a desconfiança de quem já foi enganado uma vez, observam a disputa a respeito de Qom com uma alarmada sensação de déjà vu. Além disso, alguns especialistas em controle de armas e no Irã pedem mais evidências e alertam contra conclusões apressadas.

Mas ainda que as similaridades entre 2002, quando aconteceram as avaliações incorretas de dados de inteligência, e 2009 sejam inconfundíveis, as diferenças são profundas.

Desta vez, não há uma marcha à guerra liderada pela Casa Branca.

O secretário de Defesa, Robert Gates, disse que uma ação militar apenas adiaria a fabricação de armas nucleares iranianas entre um e três anos, e não há evidência de que o presidente Barack Obama queira acrescentar uma terceira guerra às suas responsabilidades.

Desta vez, a disputa a respeito dos fatos é mais limitada.

O Irã admitiu a existência das instalações nucleares de enriquecimento e na terça-feira reconheceu que está construindo uma instalação subterrânea, ao lado de uma base militar, para sua proteção.

Ainda assim, o Irã contesta as alegações americanas de que isso faz parte de um programa de armas nucleares.

Autoridades de inteligência americanas dizem ter aprendido uma lição traumática com o problema das armas iraquianas, e que a avaliação do programa nuclear do Irã será feita cuidadosamente e não será influenciada por considerações políticas.

"Nós desapontamos o país e queremos ter certeza que isso não voltará a acontecer", disse Thomas Fingar, que antes da guerra no Iraque coordenava a agência de inteligência do Departamento de Estado, que discordou das alegações equivocadas a respeito do programa nuclear do Iraque.

Outros discordam. Glenn Greenwald, um blogueiro de esquerda do website Salon, qualificou as comparações com a acusação de que o Iraque tinha as chamadas armas de destruição em massa em  2002 de "perturbadoras".

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30/09/2009 02:09 PM

Disputa por água desacelera projetos de energia solar nos EUA

AMARGOSA VALLEY, Nevada - Em uma região rural de Nevada prejudicada pela recessão, a salvação parecia estar perto no ano passado.

A companhia alemã Solar Millenium anunciou planos para construir duas grandes fazendas para absorver a energia solar e gerar eletricidade, criando centenas de empregos.

Mas a companhia revelou que seu método preferido para o esfriamento das usinas consumia 1,3 bilhão de galões de água por ano, aproximadamente 20% da água disponível neste deserto.

Agora a Solar Millenium se encontra em meio a uma versão new-age da guerra por água no Oeste.

O público está dividido, com algumas pessoas que esperam vender água e lucrar algum dinheiro ficando contra aquelas preocupadas com o impacto do projeto na comunidade e no meio-ambiente.

Energia renovável pode exigir uma enorme quantidade de água. Muitas das soluções propostas para os problemas de energia dos Estados Unidos, de certos tipos de fazendas solares a refinarias de biocombustível e usinas de carvão mais limpas, poderiam consumir bilhões de galões de água todos os anos.

Conflitos a respeito da água podem moldar o futuro de muitas tecnologias de energia. As tecnologias renováveis mais eficientes em relação à água não são necessariamente as mais econômicas, mas a escassez de água pode lhes dar vantagem competitiva.

Na Califórnia, desenvolvedores de energia solar já foram forçados a usar tecnologias que consomem menos água quando as autoridades locais se recusarem a abrir a torneira.

Outros projetos solares estão envoltos em grandes disputas com reguladores estatais a respeito do consumo de água.

No sudoeste dos EUA, dezenas de usinas multibilionárias foram planejadas para milhares de acres de deserto. Enquanto a maioria das formas de produção de energia consome água, sua disponibilidade é especialmente limitada nas áreas ensolaradas que são melhores para fazendas solares.

Muitos projetos envolvem a construção de usinas térmicas solares que usam tecnologia mais barata do que os painéis solares frequentemente vistos em telhados. Em tais usinas, espelhos aquecem um líquido para criar vapor que movimenta uma turbina gerando eletricidade. Aquele vapor deve ser condensado para voltar à forma líquida e ser reutilizado.

O método convencional é conhecido como resfriamento molhado. Água quente flui por uma torre refrescante onde o excesso de calor evapora junto com parte da água, que deve ser então completada.

Uma alternativa, o esfriamento seco, usa ventiladores e trocadores de calor, como o radiador de um carro. Muito menos água é consumida, mas o processo aumenta as despesas e reduz a eficiência - e os lucros.

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30/09/2009 02:05 PM

Orgulho chinês ao alcance de um celular

PEQUIM - Caso os chineses da capital não se sintam suficientemente nacionalistas perto do Dia Nacional, a operadora de celular estatal mudou o toque de chamada de seus clientes para músicas patrióticas.

 

"É um presente", disse um representante do atendimento ao consumidor da China Mobile quando questionado a respeito da mudança feita da segunda-feira.

O toque de chamada é aquele ouvido depois que um número é discado mas antes da outra pessoa atender a ligação. O tom padrão é um toque repetitivo.

Mas alguns usuários de celulares personalizam o toque de chamada - assim como fazem com seus ringtones - com músicas favoritas.

Muitos clientes de Pequim que usam o tom padrão descobriram na segunda-feira que a China Mobile tinha uma surpresa para eles: os usuários ouviram "Guojia", ou "País" - uma melodia patriótica cantada pelo ator Jackie Chan acompanhado de uma cantora local.

As letras incluem as seguintes frases: "Um país se levanta diante do mundo", "Apenas quando temos um país forte podemos ter uma família próspera" e "País é perseverança gloriosa".

Uma apresentação desta música está marcada para o 60º aniversário da fundação da República Popular da China.

O representante da companhia disse que qualquer cliente que não gostasse da melodia poderia trocar para qualquer outra sem  nenhum custo adicional seguindo orientações disponíveis no website da operadora.

Ele disse não saber por quanto tempo a música será usado caso o usuário não a desabilite.

A operadora de celulares, a maior da China, não está sozinha na tentativa de acrescentar seu próprio adorno à comemoração dos 60 anos do regime comunista.

Muitas companhias mudaram as cores de fundo de websites locais para o vermelho e amarelo, as cores da bandeira chinesa.

Mas Hu Xingdou, professor de economia favorável à reforma, do Instituto de Tecnologia de Pequim, disse que a China Mobile foi longe demais ao alterar os telefones de seus clientes.

"Os esforços atuais para implementar a ideologia me fazem pensar que as autoridades consideram os chineses comuns não patriotas ou com problemas mentais", ele disse. "Por isso eles forçam esta educação patriótica às pessoas."

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30/09/2009 01:39 PM

Editorial: O caso Roman Polanski

Roman Polanski foi preso no sábado no aeroporto de Zurique com um mandato americano. Mas ao ouvir os protestos dos franceses, poloneses e outros europeus, você poderia pensar que o cineasta foi apreendido por algum regime totalitário por ter falado a verdade.

 

"Linchamento judicial", disse Jack Lang, ex-ministro de cultura francês.

"Absolutamente horrível", ecoou o atual ministro da cultura, Frederic Mitterrand.

"Provocação!" gritou Andrzej Wajda e outros cineastas poloneses.

Por toda a Europa, quase 100 representantes da indústria do entretenimento, inclusive Pedro Almodóvar e Wim Wenders, assinaram uma petição se declararando "surpresos" com a prisão, especialmente por ela ter acontecido no Festival de Cinema de Zurique.

Mas espere um momento. Depois de ter sido acusado em 1977, Polanski, agora com 76 anos, não confessou ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos depois de tê-la manipulado fazendo uso de Quaaludes e champagne?

Ele não fugiu dos Estados Unidos quando um pedido de acordo parecia improvável de ser aceito, gerando a perspectiva de prisão?

Não existe um mandato para sua prisão?

Há algo estranho a respeito dos suíços decidirem prendê-lo agora, depois de deixá-lo circular livremente pelo país durante três décadas.

E o documentário "Roman Polanski: Wanted and Desired" (Roman Polanski: Procurado e Desejado, em tradução literal) de 2008, da diretora Marina Zenovich, levantou algumas dúvidas sobre a forma preocupante com a qual Laurence Rittenband, um estranho juiz faminto por celebridades da Califórnia, lidou com o caso.

Mesmo assim, onde está a injustiça em se levar à Justiça alguém que se declarou culpado de estupro estatutário e depois fugiu, não importa quão talentoso ele seja?

Na Europa, o humor prevalecente - pelo menos entre aqueles com acesso à mídia - parece ser de que Polanski "já pagou pelos pecados de sua juventude", como disse Jacek Bromski, chefe da Associação de Cineastas Poloneses.

Nós discordamos e ficamos felizes em ver outros europeus proeminentes afirmarem que o caso não tem nada a ver com o trabalho ou a idade de Polanski.

É a respeito de um adulto que atacou uma criança. Polanski se declarou culpado deste crime e tem que responder por ele.

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30/09/2009 09:47 AM

Comentário: a próxima cultura de guerra

Há séculos, historiadores surgiram com uma teoria clássica para explicar a ascensão e o declínio de nações. A teoria era de que grandes nações começaram com uma mente rigorosa e enérgica. A dureza e a energia geravam riqueza e poder. A riqueza e o poder levavam à abundância e à ostentação. E abundância e ostentação conduziam à decadência, corrupção e declínio.

“A natureza humana, em nenhuma de suas formas, poderia suportar a prosperidade”, escreveu John Adams em uma carta a Thomas Jefferson, advertindo sobre a futura corrupção de seu país.

Apesar de sua riqueza inacraditável, os EUA sempre permaneceram imunes a esse ciclo. Os americanos viviam em padrões superiores aos europeus já em 1740. Mas no país, a abundância não levou à indulgência e ao declínio.

Isso porque, apesar do notório materialismo do país, há sempre a compensação de um fluxo de valores econômicos. Os primeiros colonos acreditavam na repressão calvinista. Os pioneiros voluntariaram-se ao sofrimento durante as viagens ao oeste. Ondas de pais de imigrantes trabalharam arduamente e praticavam abnegação para que seus filhos sucedessem. O governo era limitado e não protegia as pessoas das consequências de suas ações, além de impor disciplina e repressão.

Qundo os valores econômicos foram corroídos, o estabelecimento regulador tentou restaurar o equilíbrio. Após a Era Dourada, Theodore Roosevelt (que se arriscou no oeste para contrapor a suavidade de sua educação) conduziu uma ofensiva contra a auto-indulgência financeira. O estabelecimento protestante tinha muitas falhas, mas não era decadente. Os velhos protestantes anglo-saxônicos brancos, chamados WASPs, eram notoriamente baratos, mandavam suas crianças a escolas de currículos espartanos e insistiam na sobriedade financeira.

No entanto, nos últimos anos, houve claramente uma erosão nos valores financeiros do país. Essa erosão aconteceu em uma época que controladores culturais do país estavam ocupados demais com outros assuntos. Eles estavam ausentes, lutando contra a cultura de guerra sobre o ensino eclesiástico, o “Piss Christ” e a teoria da evolução. Eles argumentavam sobre a sexualidade e a separação entre Igreja e Estado, esquecendo-se do grande rombo dos valores econômicos que ocorria sob seus pés.

A evidência dessa mudança nos valores está em todo lugar. Alguns dos sinais parecem inofensivos. Os Estados do país começaram a financiar loterias: jogos de azar aprovados pelo governo que extraíam enormes quantias dos pobres. Executivos e gerentes de fundos de investimento começaram se gabar sobre os pacotes de compensação, que seriam considerados vergonhosos poucas décadas antes. Cadeias de restaurantes adotaram um modelo expansionista, oferecendo porções gigantes que, na geração anterior, seriam consideradas socialmente inaceitáveis.

Outros sinais são maiores. Como apontou William Galston da Brookings Institution, nas três décadas entre 1950 e 1980, o consumo pessoal estava incrivelmente estável, com montantes de cerca de 62% do PIB. Nas próximas três décadas, ele deu um salto atingindo 70% em 2008.

Durante esse período, a dívida se intensificou. Em 1960, a dívida pessoal dos americanos chegava a cerca de 55% da receita nacional. Até 2007, ela passou a representar 133% da receita do país.

Nos últimos meses, esses níveis de dívida começaram a baixar. Mas isso não significa que os padrões de repressão pessoal serão restabelecidos. Os americanos simplesmente mudaram da dívida privada para a dívida pública. Até 2019, o débito federal chegara a surpreendentes 83% do PIB (sem contar os custos da reforma na saúde e tudo o mais). Até esse período, só os juros dos pagamentos da dívida federal custará US$ 803 bilhões.

Os números podem parecer escassos, principalmente para os sabichões do orçamento. Mas eles são um sinal do rumo tomado pelas mudanças de valores. E se deve haver uma correção desse rumo, será necessário um movimento moral e cultural.

As atuais políticas culturais foram organizadas pela obsoleta cultura de guerra, que colocou liberais seculares de um lado e os conservadores religiosos do outro. Mas o deslize na moralidade econômica afligiu tanto os democratas quanto os republicanos.

Se for necessário haver um movimento para restaurar os valores econômicos, ele terá de atravessar as atuais taxonomias. Seus objetivos serão fazer dos EUA novamente uma economia produtiva e não uma economia de consumo. Ele irá defender uma volta à abnegação financeira, em grande ou pequena escala.

O movimento terá de tomar dar um jeito nos chamados gênios lobistas – a convicção justa, de que todos os grupos são responsáveis por quaisquer possíveis apropriações ou negligência dos grandes gastos públicos, deve ser mantida por todos desde a associação de aposentados até o agronegócio. Ele terá de se assumir a demanda da auto-indulgência popular por baixos impostos e altos gastos.

Uma cruzada pela auto-repressão econômica deveria rearranjar as alianças atuais e envolver políticas como o corte nos impostos sobre energia e sobre os gastos, que agora são considerados impossíveis politicamente. Mas esse tipo de restauranção é o que o país realmente precisa.

Por DAVID BROOKS


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29/09/2009 09:11 PM

Socialistas da Europa sofrem mesmo com maus tempos do capitalismo

PARIS – Um espectro está assombrando a Europa – o fantasma do lento colapso do socialismo.

Mesmo em meio a um dos maiores desafios do capitalismo em 75 anos, envolvendo uma crise no sistema financeiro devido à “exuberância irracional”, à ganância e à fraqueza dos sistemas reguladores, os partidos socialistas europeus ou com tendências esquerdistas não encontraram uma reação convincente da população e muito menos formas de tirar vantagem dos fracassos da direita.

Os eleitores alemães acabaram com o Partido Social Democrata no domingo, deixando a ele 23% dos votos, seu pior desempenho desde a Segunda Guerra Mundial.

Eles também puniram os candidatos com tendências esquerdistas nas eleições do Parlamento Europeu, no meio deste ano, e nocauteou os socialistas franceses em 2007. Quando a esquerda detém o poder, como na Espanha e na Grã-Bretanha, ela fica sob ataque. Nos países em que ela está na oposição do governo, como na França, na Itália e agora na Alemanha, ela fica dividida e apática.

Alguns conservadores dos EUA demonizaram o estímulo fiscal e a reforma na saúde propostos pelo presidente Barack Obama considerando-os uma virada perigosa em direção ao socialismo do estilo europeu – mas é a direita europeia, e não a esquerda, que está determinando sua agenda política.

Os partidos europeus de centro-direita abraçaram muitas ideias da esquerda: os generosos benefícios do bem-estar social, a nacionalização do sistema de saúde, as rigorosas restrições nas emissões de carbono e ceder, em partes, à soberania da União Europeia. Mas eles ganharam votos com promessas de agir mais eficientemente do que a esquerda, ao mesmo tempo em que trabalham para baixar os impostos, melhorar a regulamentação financeira e lidar com o envelhecimento da população.

Michel Winock, historiador do Paris Institut d´Etudes Politiques, disse que os europeus conservadores “se adaptaram à modernidade”. Quando Nicolas Sarkozy da França e Angela Merkel da Alemanha condenam os excessos do “modelo anglo-saxão” do capitalismo enquanto louvam o poder protetor do Estado, eles estão usando ideias socialistas que se tornaram populares, explica.

Não é que a esquerda seja irrelevante – ela frequentemente representa a única oposição viável ao estabelecimento do governo, e também de seus benefícios, como nos EUA, no ciclo normal na política eleitoral.

Em Portugal, os socialistas governantes se reelegeram no domingo, mas perderam a maioria absoluta no parlamento. Na Espanha, os socialistas ainda têm crédito por se oporem tanto a Franco como a guerra no Iraque. Na Alemanha, a esquerda ampla, incluindo os Verdes, tem uma maioria estrutural no parlamento, mas na crise pós-eleitoral os social-democratas devem considerar uma aliança com a esquerda extrema, Die Linke, que tem raízes no antigo Partido Comunista da Alemanha Oriental.

Parte do problema é a “barreira psicológica” entre os alemães orientais e os ocidentais. Enquanto os democrata-cristãos se inclinaram levemente para o lado oriental, os social-democratas do lado oriental nunca se uniram aos Comunistas. “As duas Alemanhas, uma socialista, outra comunista – duas almas – nunca realmente emergiu”, disse Giovanni Sartori, professor emérito da Columbia University. “Isso explica por que o SPD, que sempre foi um partido majoritariamente socialista na Europa, não cresceu realmente unido”,

A situação na França é até pior para a esquerda. Ao ser questionado há alguns meses se o partido estava definhando, Bernard-Henri Levy, socialista emblemático, respondeu: “não – já está morto. Ninguém ou quase ninguém ousa dizê-lo. Mas todos ou quase todos o sabem”.

Ao mesmo tempo em que foi acusado de estar exagerando, dado que o partido é o maior na oposição e continua sendo popular em governos locais, suas palavras atingiram o ponto fraco da questão.

O Partido Socialista francês “está preso em uma contradição incorrigível”, disse Tony Judt, diretor do Remarque Institute na New York University. Ele expõe uma plataforma radical que não é cabível e acaba deixando espaço para partidos à sua esquerda que conseguirem 15% dos votos.

A discordância fatal na França e em qualquer outro lugar faz pouco para posicionar os partidos socialistas em uma resposta para a questão do momento: como preservar o Estado de bem-estar social em meio à desaceleração do crescimento e o aumento dos déficits. Nesse contexto, os socialistas se tornaram conservadores, lutando para preservar sistemas que os eleitores consideram precisar de melhoras, embora não tenha de ser abandonado.

“Os socialistas não se adaptam à perda de seu eleitorado básico, e com a globalização, o Estado de bem-estar social não existe da mesma forma”, disse Sartori.

Enrico Letta, 43, é uma das esperanças da esquerda italiana, atualmente em desarranjo em face o populismo nacionalista de Silvio Berlusconi. “Temos que entender que o socialismo é uma resposta ao século passado”, disse Letta. “Precisamos construir uma centro-esquerda pragmática, que forneça uma alternativa atraente, e não apenas uma oposição”.

Letta argumenta que as políticas socialistas terão de ser transmutadas em uma forma mais fluida que permita uma aliança com partidos de centro, liberais ou verdes que não sejam chamados de “socialista”.

“Eu penso que a esquerda e o socialismo na Europa ainda têm trabalho a fazer, eles têm uma razão de ser e terão de se sustentar em assuntos mais ambientais”. Segundo ele, ao combinar esforços contínuos para reduzir a desigualdade social, e ter uma visão “mais verde”, pode dar mais vida à esquerda.

Judt argumenta que os socialistas europeus precisam de uma nova mensagem – como reformar o capitalismo, “reconhecendo a centralização do proveito econômico enquanto afasta seu trono como a única forma de falar sobre política”.

Os socialistas europeus precisam “pensar muito mais sobre o que o Estado pode e não pode fazer no século 21”, disse.

Não é um projeto fácil. Mas sem esse tipo de reforma, “eu não acho que o socialismo na Europa terá futuro, e dado que isso é uma parte essencial constitutiva do consenso democrático europeu, isso é uma má notícia”.


Por STEVEN ERLANGER
 

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29/09/2009 07:28 PM

Prisão de Polanski traz questão à tona: por que agora?

LOS ANGELES – A ação repentina das autoridades suíças para prender Roman Polanski em busca de uma possível extradição para os EUA após 31 anos como fugitivo – e diversas visitas à Suíça nesse meio tempo – chamou a atenção de diplomatas, ofendeu admiradores do diretor de cinema e deixou muitas pessoas se perguntando a mesma questão: por que agora?

AFP

Preso na Suíça: Roman Polasnki abana para o público no Festival de Cannes de 2007

Oficiais que executam as leis no país afirmam que era uma simples questão de oportunidade. “Ele apareceu em um lugar e em um momento que nós sabíamos ser oportuno”, diz Sandi Gibbons, porta-voz de Stephen L. Cooley, procurador do distrito do Condado de Los Angeles, na segunda-feira.

Mas admiradores de Polanski alegam que houve muitas oportunidades desde que ele saiu dos EUA em 1978, para escapar da sentença de crimes sexuais envolvendo uma garota de 13 anos.

“Ele viajou abertamente e de forma transparente”, declara Jeff Berg, presidente da International Creative Management e agente de Polanski. O diretor é dono de uma casa na Suíça e frequentemente visita o país.

Aborrecido com as reclamações de que não perseguiu Polanski no passado, o escritório da procuradoria do distrito colocou em circulação uma lista de ações e consultas pelas quais monitorou as viagens do diretor em ao menos 10 países, incluindo o que parecia ser uma falha na captura, quando oficiais pediram informações para Israel de uma visita em 2007. “Polanski deixou Israel e não foi preso” porque a informação não chegou a tempo, mostrava a consulta.

Os advogados de Polanski relatam em um formulário de apelação à corte de agosto que o representante do distrito teria evitado tentativas de extradição que poderiam resultar em audiências nas quais surgiria o caso de má conduta judicial.

Uma decisão da corte de apelação feita em julho abriu portas para uma rodada de argumentos potencialmente voláteis que podem acontecer logo no mês que vem, sobre se os advogados de Polanski teriam permissão para, mesmo sem a presença do réu no tribunal, mostrar que o caso contra ele foi manipulado.

A questão surge, em parte, por causa de um documentário sobre o caso divulgado no ano passado, no qual um procurador-adjunto do distrito descreve como teria manipulado o já falecido juiz para dar a sentença de Polanski.

Por três décadas, os procuradores de Los Angeles argumentaram que o diretor teria perdido seus direitos ao fugir e de que ele não teria posição para desafiar o tratamento recebido a menos que retornasse. Os representantes de Polanski disseram que a necessidade de remediar a justiça corrupta de Los Angeles substitui qualquer exigência de volta.

Como, precisamente, Polanski foi detido pouco antes da importante audiência permanece obscuro. Gibbons disse que a decisão da corte de apelação não tinha nada a ver com a exigência de extradição, a qual, segundo ela, foi feita por David Walgren, procurador-adjunto do distrito que foi atribuído ao caso de Polanski.

AP

Adesivos em que se lê "Libertem Polanski" fazem sucesso entre no Festival de Zurique

Douglas Dalton e Chad Hummel, que representaram o diretor em sua apelação, recusaram-se a discutir o pedido de extradição para o qual ele precisará de uma nova equipe jurídica com base na Europa e talvez em Washington.

Enquanto o diretor viveu uma vida razoavelmente aberta, ele evitou visitas à Grã-Bretanha, onde seria mais facilmente extraditado. Enquanto dirigia seu último filme na Alemanha, “The Ghost” (O Fantasma, em tradução livre), Polanski ocasionalmente evitava o set de filmagem, dirigindo por meio de um equipamento de comunicação à distância e levando alguns integrantes do elenco e da produção a acreditar que ele tentava dificultar sua apreensão, de acordo com uma pessoa que participou de cenas e falou em condição de anonimato.

Herve Temime, advogado de Polanski em Paris, disse à rádio France Info que “não há razão, seja por lei ou por fatos, nem no terreno da justiça mais elementar, para se manter Roman Polanski na prisão por um dia que seja”. Devido às “extravagantes circunstâncias” da prisão do diretor ao chegar, no sábado à noite, ao aeroporto de Zurique a caminho de receber um prêmio em um festival de cinema local, Temime pediu a libertação do acusado e disse que pretendia lutar contra a extradição.

Bernard Kouchner, ministro do Exterior francês, descreveu a prisão de Polanski como “meio sinistra” e disse que ele e o ministro do Exterior da Polônia, Radoslaw Sikorski, escreveram em conjunto uma carta expressando a preocupação à Secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton.

Quase 100 profissionais da indústria de entretenimento, incluindo os diretores de filmes Pedro Almodóvar, Wong Kar Wai e Wim Wenders, pediram a libertação de Polanski em uma petição que dizia: “diretores na França, na Europa, nos EUA e em todo o mundo estão consternados com essa decisão”.

Ronald Harwood, que ganhou um Oscar pelo roteiro de “O Pianista”, dirigido por Polanski, declarou: “é vergonhoso. Tantos os americanos como os suíços erraram”.

Jack Lang, ex-ministro da Cultura francês, disse que para os europeus o desenvolvimento do caso mostrou que o sistema de justiça americano está enlouquecendo. “Às vezes, o sistema de justiça americano mostra um excesso de formalismo”, disse Lang, “como uma máquina infernal que avança inexorável e cegamente”.

Polanski, 76, foi levado em custódia por um mandado de prisão temporário após as autoridades suíças receberem uma exigência oficial do Departamento de Justiça dos EUA, que agia a pedido da procuradoria do distrito de Los Angeles. Ele era acusado originalmente de seis crimes, incluindo estupro e sodomia, envolvendo um incidente com uma garota de 13 anos.

Ao final do julgamento, ele foi considerado culpado por apenas uma acusação, ter relações sexuais com uma menor, e passou 42 dias em uma prisão do Estado sob avaliação psiquiátrica, e fugiu na véspera de receber sua sentença após ficar convencido de que o juiz recuaria do plano de não sentenciá-lo a uma pena maior.

A vítima no caso, Samantha Geimer, se identificou publicamente há muito tempo e expressou ter perdoado Polanski.

(Reportagem de Michael Cieply e David Jolly)

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29/09/2009 04:53 PM

Surfista reabilitado busca inspirar colegas de ondas

SANTA CRUZ, Califórnia - Na primeira vez que Darryl Virostko surfou ondas altas como um prédio de três andares em Mavericks, a lendária praia surfista, ele havia usado ácido. Esta não era a única droga que Virostko, 37, tomava durante sua carreira no surfe.

Mas ao ganhar a reputação como um dos surfistas mais destemidos do mundo - conquistando o primeiro lugar na competição de Mavericks, a principal das disputas em ondas gigantescas, três vezes na sequência - ele também estava se tornando um alcoólatra e viciado em metanfetaminas, dependências que o impulsionaram ao sucesso no surfe, mas eventualmente o destruíram.


Darryl Virostko, surfista reabilitado / NYT

"Com a metanfetamina, você se move a milhões de quilômetros por minuto", disse Virostko, cujo apelido é Flea. "Você se sente capaz de pegar qualquer onda que aparecer".

Em 2005, durante o auge do uso da substância no condado de Santa Cruz, mais da metade das prisões relacionadas a drogas feitas pelo gabinete do xerife envolviam a metanfetamina.

Em uma pesquisa com 500 condados de todo o país realizada em 2005, 87% informaram aumento nas prisões relacionadas à metanfetamina nos três anos anteriores. Condados da Califórnia relataram um aumento de 100%.

"Metanfetamina era algo gigantesco", disse Josh Pomer, 36, cineasta de filmes de surfe de Santa Cruz que conhece Virostko desde a escola primária. "Todo mundo tinha feridas pelo rosto".

Virostko está sóbrio há um ano e neste mês ele começou um programa chamado FleaHab em colaboração com um centro de reabilitação de drogas local.

Ele ensinará surfe e outros esportes a pacientes que passam pela reabilitação do vício em álcool e outras drogas.

Virostko espera que o FleaHab seja sua âncora no seco terreno da sobriedade. Viciados do programa substituirão o barato das drogas pela endorfina de atividades físicas extenuantes, ele diz.

Ele recentemente assumiu um grupo de alunos de surfe para ver como seria a experiência de ensinar.

"É como se eu estivesse aprendendo a surfar novamente", ele disse. "Vê-los tão excitados me lembra de quando eu comecei".

Neste inverno Virostko irá competir pela primeira vez sem o uso de drogas. Enquanto muitos viciados passam por programas de 12 passos ou optam pela ajuda de Deus, Virostko diz que escolheu o oceano.

"Todas as vez que eu surfei Mavericks, quando entrei dentro de uma onda eu disse, 'Por favor, me deixe sair'", Virostko disse. "Eu tenho falado com o oceano minha vida inteira. É maior e muito mais poderoso do que eu".

Leia mais sobre surfe

29/09/2009 10:09 AM

Disney lança website de livros digitais

LOS ANGELES - A Walt Disney Co. espera que um ambicioso novo serviço digital que planeja divulgar nesta terça-feira transformará a forma como as crianças leem seus livros de contos de fadas.

A editora Disney irá apresentar o website para assinatura: DisneyDigitalBooks.com. Nele, por US$ 79,95 ao ano, famílias podem acessar réplicas eletrônicas de centenas de livros, de "O Ursinho Puff" a "Hannah Montana".

O serviço, voltado a crianças com idades entre 3 e 12 anos, é organizado por nível de leitura.


Livro digital da Disney / NYT

Na seção "ver e escutar" para leitores iniciantes, os livros serão lidos em voz alta com música, com cada palavra realçada na tela conforme for falada.

Outra área será dedicada a crianças que leem sozinhas. Encontrou uma palavra pouco conhecida? Clique sobre ela e para que seja lida em voz alta.

Capítulos de livros para adolescentes e jogos de pergunta e resposta completam o serviço.

"Para os pais, este projeto não irá substituir o aconchego do momento de ler um livro de contos de fadas para seus filhos", disse Yves Saada, vice-presidente de mídia digitais da Disney. "Nós acreditamos que é possível haver a coexistência de formatos de leitura diferentes".

As editoras, claro, têm experimentado com livros eletrônicos para o mercado infantil há anos. Aproximadamente mil títulos para crianças agora estão digitalmente disponíveis na livraria HarperCollins.

A livraria Scholastic tem o BookFlix, um serviço de assinatura para escolas e bibliotecas que combina um vídeo de contos de fadas com um livro digital de não ficção relacionado.  Mas alguns analistas estão impressionados com a medida da Disney.

"Não há nada como o produto da Disney no mercado", disse Sarah Rotman Epps, analista de mídia da companhia de pesquisa Forrester que analisou o website antes de seu lançamento. "Eles são o primeiro a dizer, nós estamos colocando todo nosso catálogo online neste lugar e estamos vendendo isto diretamente aos pais".

Ao seguir o modelo de assinatura, ao contrário de se concentrar no download e na venda para aparelhos como o leitor digital Kindle, a Disney aposta no direcionamento do mercado, pelo menos para os próximos três ou cinco anos.

A medida pode sacudir o mercado editorial, mesmo se apenas pelo tamanho da Disney, que vende 250 milhões de livros infantis por ano.

A Disney tem aspirações digitais para celulares e outros aparelhos no futuro, disse Saada, mas por enquanto se concentrará no website.

"A companhia sente que os dispositivos de leitura digital ainda não oferecem uma experiência ao nível da Disney para crianças e suas famílias", disse Epps, "e eu concordo".

Leia mais sobre livros online

29/09/2009 09:51 AM

Após eleição, novo político emerge ao lado de chanceler alemã

BERLIM - O político mais falado na capital alemã na manhã seguinte à eleição nacional não era a chanceler Angela Merkel, cujo partido conseguiu mais votos, mas sim o líder de um pequeno partido que busca solidificar o poder da chanceler. E logo, o resto do mundo conhecerá a nova figura central da política alemã, Guido Westerwelle, do Partido Democrata Liberal.

Se as antigas tradições alemãs se mantiverem, Westerwelle será indicado ao cargo de vice-chanceler e ministro do Exterior no novo governo, sua recompensa por ter levado seu partido pró-comércio e livre mercado ao melhor resultado até então em uma eleição federal.

O papel de estadista é um para o qual Westerwelle, 47, passou os últimos anos se preparando.

Ele trabalhou muito para transformar sua imagem de um amoroso príncipe engraçadinho da política que chegou a participar da versão alemã do programa "Big Brother", em um político sério.

Os Democratas Liberais de Westerwelle emergiram como os grandes vencedores da eleição, vendo sua parcela dos votos aumentar mais do que qualquer outro partido, para 14,6%, um aumento de 4,7 pontos percentuais em relação à eleição de 2005.

O partido cresceu até mesmo quando o bloco conservador de Merkel perdeu ligeiramente terreno com os eleitores, conseguindo apenas um terço dos votos.

Westerwelle se encontrou com Merkel na segunda-feira como parte das negociações para formar o esperado novo governo de centro-direita, uma parceria que a chanceler disse aos eleitores ser necessária para reparar a economia do país.

Westerwelle, que é homossexual, se expôs em 2004 ao levar seu parceiro para o partido de Merkel, quando ela ainda estava na oposição, um ano antes de se tornar chanceler.

Merkel disse esperar que as negociações sejam rápidas e que ela quer que o novo governo esteja em vigor antes do dia 9 de novembro, o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim, quando chefes de Estado de todo o mundo estarão presentes para a comemoração.

Durante muitos anos no pós-guerra os Democratas Liberais representaram um voto oscilante em um Parlamento dominado pelos dois maiores partidos do país, os Democratas Cristãos e os Democratas Sociais.

Mas conforme os Democratas Liberais ficaram fora do poder nos últimos 11 anos, eles conseguiram uma extensão na oposição que permitiu que o partido definisse sua posição a respeito de impostos menores e contra a formalidade burocrática.

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29/09/2009 09:48 AM

Aborto entra para o debate sobre a reforma do sistema de saúde nos EUA

WASHINGTON - O debate a respeito da reforma do sistema de saúde no Congresso dos Estados Unidos está se tornando um campo de batalha da disputa sobre a prática do aborto.

Os oponentes do aborto na Câmara e no Senado estão buscando impedir que as milhões de pessoas de baixa e média renda que usarão subsídios federais para comprar assistências médicas consigam usar o dinheiro em planos que cobrem a prática do aborto.

Estes oponentes do aborto estão conseguindo apoio suficiente entre os democratas moderados para que qualquer lado saiba qual será a decisão final.

Os oponentes do aborto citam como precedente uma proibição de 30 anos implementada sobre o uso do dinheiro dos contribuintes para pagar por abortos eletivos.

Os defensores do direito ao aborto dizem que tal restrição elimininaria os planos particulares que cobrem o procedimento, forçando as mulheres que têm estas coberturas a renunciar a ajuda governamental.

A questão é um teste da promessa de campanha do presidente Barack Obama em apoiar o direito ao aborto mas buscar um meio termo com aqueles que não o fazem.

Obama prometeu durante meses que a reforma do Sistema de Saúde não proveria dinheiro federal para pagar por abortos eletivos, mas oficiais da Casa Branca se recusaram a explicar o que ele quis dizer com isso.

Líderes congressistas democratas dizem que as últimas versões dos projetos de reforma da Câmara e do Senado preservam o espírito da atual proibição do financiamento federal do aborto exigindo que os planos de saúde segreguem seus subsídios públicos em contas separadas de prêmios individuais e co-pagamentos.

Os planos de saúde só poderiam usar o dinheiro de fontes privadas para pagar por abortos.

Mas os oponentes dizem que isto não é suficiente, porque os subsídios ainda ajudariam as pessoas a pagar por planos de saúde que cobrem a prática do aborto.

Pelo menos 31 democratas da Câmara assinaram várias cartas recentes à oradora, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, pedindo que ela permita uma votação a respeito de uma medida para restringir o uso dos subsídios no pagamento por abortos, incluindo 25 que se uniram a mais de 100 republicanos em uma carta entregue na segunda-feira.

Os representantes Bart Stupak de Michigan, um dos principais democratas oponentes ao aborto, disse ter o comprometimento de outros 40 democratas para bloquear o projeto do sistema de saúde a menos que tenham a chance de incluir as restrições.

O Comitê de Finanças do Senado deve votar esta semana em uma emenda proposta pelo senador Orrin G. Hatch, republicano de Utah, sobre a restrição do uso de subsídios federais.

Defensores de ambos os lados do Senado dizem que se o comitê não adotar a emenda eles esperam uma disputa muito acirrada sobre o assunto quando o projeto for votado.

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29/09/2009 09:04 AM

Editorial: Gestão Obama terá que fazer muito mais para corrigir abuso de segredos de Estado

Uma das maneiras com as quais a gestão Bush tentou evitar responsabilidade por seu grave comportamento impróprio em nome da luta contra o terrorismo foi abusar de uma regra conhecida como "privilégio de segredos de Estado". A gestão Obama essencialmente abraçou a postura de Bush em casos existentes, tentando abandonar importantes processos judiciais que questionam o sequestro, a tortura e o grampo ilegal de telefones sem apresentar qualquer evidência.

Outro dia, o Procurador General Eric Holder emitiu novas diretrizes para se invocar segredos de Estado no futuro. Elas foram um positivo passo à frente no papel, mas não fizeram o suficiente. O antecipado plano de reforma de Holder não incluía nenhuma mudança na exigência da gestão Obama por segredo em casos pendentes. Tampouco inclui apoio a uma legislação essencial para designar uma revisão judicial de reivindicações de segredo de Estado feitas pelo braço executivo.

As regras, que substituem um procedimento menos formal usado durante os anos Bush, estabelecem um processo de revisão no Departamento de Justiça antes que o privilégio possa ser reivindicado em um tribunal. Agências executivas terão que persuadir um comitê do Departamento de Justiça que a revelação das informações arriscariam "dano significativo" à segurança nacional.

As novas regras instruem o Departmento de Justiça a procurar formas de evitar fechar um processo inteiro e rejeitar pedidos de privilégio motivados pelo desejo de "esconder violações da lei, a ineficiência ou algum erro administrativo" ou "prevenir embaraço". As regras corretamente dão ao Procurador Geral a responsabilidade de assinar por todas as reivindicações de segredo de Estado.

Ainda não se sabe se, e até que ponto, o novo regime terá sucesso em evitar reivindicações insubstanciais de segredo. Muito depende de como as regras serão interpretadas e implementadas, e a vontade do Departmento de Justiça de se posicionar contra insistentes exigências das agências de segurança.

Um alerta: desde que assumiu o cargo, Holder tem revisto a posição da gestão em casos em andamento e manteve amplamente o sigilo do tipo que o presidente Barack Obama criticou quando era candidato à presidência. Se casos legítimos são aprovados como resultado, Holder deveria garantir que as alegações de erros do governo sejam referenciadas a uma agência de inspeção, como exige seu novo plano.

Em todo caso, ainda que o auto-policiamento mais rígido das reivindicações de segredo do braço executivo seja bem-vindo, não é uma solução completa. O senador Russ Feingold, democrata de Wisconsin, notou que sem um mandato claro e permanente para uma revisão por um tribunal independente das decisões desta gestão, a política de Holder "ainda representa uma postura do 'apenas confie em nós'".

Se a equipe de Obama é sincera a respeito de querer acabar com os abusos dos segredos de Estado, irá apoiar o Ato de Proteção de Segredos de Estado patrocinado no Senado por Patrick Leahy, presidente do Comitê Judiciário, e na Câmara pelo representante Jerrold Nadler, democrata de Nova York.

A medida contém garantias para assegurar a proteção de segredos legítimos. Mas antes de decidir a respeito de uma reivindicação de segredo, e provavelmente o abandono de um processo judicial, os juízes teriam que revisar os documentos ou evidência em questão ao invés de apenas aceitar as afirmações de depoimentos juramentados do governo.

A necessidade para tais proteções não é teórica. Até mesmo conforme Holder tenta reassegurar os americanos com novas regras escritas, o Departmento de Justiça buscava o abandono de um significativo processo contra o programa de rendição extraordinária da gestão Bush com base em uma reivindicação geral de segurança nacional feita pelo General Michael Hayden, ex-diretor da CIA.

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29/09/2009 08:55 AM

Serviço de informação por celular ajuda ugandenses sem acesso à internet

KAMPALA – O homem do outro lado da linha estava frustrado. Uma nova peste estava comendo sua recém-plantada safra de café, e ele queria saber o que fazer. Tyssa Muhima anotava enquanto a pessoa falava e prometia que ligaria de volta em 10 minutos com uma resposta.

NYT

Protazio Byamugisha (esq.) trabalha para o Question Box, em Bushenyi, Uganda 

A cada dia, Muhima e duas outras jovens mulheres em um pequeno call center na periferia da capital de Uganda respondem cerca de 40 ligações. Elas são operadoras da Question Box, uma linha telefônica gratuita e não lucrativa que visa passar informações para pessoas em áreas remotas, que não têm acesso a computadores.

A premissa por trás do Question Box é que muitas barreiras priva a maior parte do mundo em desenvolvimento de aproveitar as vantagens do rico conhecimento disponível nas ferramentas de busca da internet, diz Rose Shuman, criadora do serviço. Isso poderia ser um entrave no desenvolvimento econômico.

“Então eu pensei: por que não levar informação de uma forma mais conveniente e útil a eles?” indaga Shuman, que mora em Santa Mônica, na Califórnia.

Ao invés de eles mesmos buscarem informação, as pessoas em duas comunidades rurais de Uganda contam com 40 pessoas do Question Box que têm celulares.

Os funcionários ligam para o call Center e fazem as perguntas de acordo com as dúvidas dos locais ou colocam a ligação no modo viva-voz para que os próprios moradores possam fazer a pergunta. Então, os operadores buscam a informação requerida em um arquivo de dados e transmitem aos funcionários, que por sua vez passam para os aldeões. Os funcionários são compensados pelo tempo de ligação do celular.

O serviço é uma união de forças da Open Mind, grupo sem fins lucrativos fundado por Shuman, e da Grameen Foundation, que é mais conhecida por fornecer pequenos empréstimos a pessoas pobres. Além disso, recebe apoio financeiro da Fundação Bill e Melinda Gates.

NYT

Question Box liga operadores como Phiona Joyo Tee, Lydia Apio e Charlene
Rwemereza Abireebe a pessoas de Kampala que buscam informações

O serviço do Question Box foi primeiramente introduzido em vilas remotas na Índia, há dois anos, e chegou a Uganda em abril. A versão ugandense tem a vantagem da intensa popularidade de celulares na África. O uso de celulares mais do que triplicou nos últimos anos, e aproximadamente 300 milhões de africanos têm um aparelho.

A região rural, habitada por aldeões, já foi isolada dos centros urbanos, mas os celulares possibilitaram uma ponte, fornecendo acesso a bancos, notícias e oportunidades de negócio.

Esse é um grande avanço tecnológico, mas para a maioria dos africanos o acesso à internet ainda é muito caro e lento. O Question Box foi concebido como uma forma de superar tanto o gasto quanto a escassez de conexão à internet. Em breve, esse serviço permitirá que fazendeiros e outras pessoas usem a linha a partir de seus próprios celulares ou por meio de mensagens de texto.

Em junho, o Google introduziu um serviço parecido em Uganda, que também envolvia a Grameen Foundation, permitindo que as pessoas encontrassem informação por tópicos, como saúde ou agricultura, via mensagem de texto.

Nathan Eagle, jovem do Instituto Santa Fé, no Novo México, que fez pesquisa sobre celulares e desenvolvimento na África, diz que ao mesmo tempo em que serviços como esses são úteis, eles também devem preencher as necessidades de seus usuários.

“Não podemos sentar em nossos escritórios nos EUA e decidir o que é útil para as pessoas e o que é importante para suas vidas”, afirma Eagle, que também dirige um negócio de celulares no Quênia. “Os serviços só acrescentam valor se não são limitados”.

Shuman diz que esse é o objetivo do Question Box. Segundo ela, o serviço é a primeira e melhor ferramenta para o desenvolvimento econômico. O setor agrícola de Uganda emprega 80% da força de trabalho do país, por isso receber informações oportunas sobre preços da colheita ou as técnicas mais atuais de plantação são cruciais.

“Dessa forma, estamos ajudando fazendeiros a tomar decisões com base em onde vender, o que plantar e a melhor forma de tomar conta de suas safras”, declara Shuman. “É uma questão de dar às comunidades capacidade para ajudarem a si mesmas”.

Por RON NIXON
 
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28/09/2009 08:58 PM

Quando os empregados saem de férias, os patrões têm de se virar

JACARTA – Todos os anos no fim do Ramadã, milhões de empregados, babás e motoristas partem na peregrinação anual a suas cidades natais na Indonésia, deixando seus mimados patrões por conta própria.

Alguns daqueles deixados para trás contratam empregados temporários a salários exorbitantes. Outros vão para o exterior. E ainda tem aqueles que vão para hotéis próximos de suas próprias casas.

No porão de um luxuoso hotel, que foi transformado em parquinho, Djoni e Lianny Kamaruddin, que optam por um hotel em Jacarta todo ano, se sentaram para almoçar com seu casal de filhos.

“Consideramos isso apenas como um feriado”, disse Djoni Kamaruddin, 37, alegremente. Mas um minuto depois, seu rosto se fechou para seu filho de 8 anos que fazia birra, o garoto de óculos se virou e seu rosto se encheu de raiva. Por ser feriado, o menino queria comer sua lasanha e seu arroz com frango frito com uma colher e não um garfo.

O pai explicou, bajulou, implorou e, depois que o garfo saiu voando pelo chão do hotel, chacoalhou seu filho. Os pais contaram rapidamente que suas duas empregadas que haviam partido de Jacarta uma semana antes, voltariam no dia seguinte.

“Elas ligaram ontem dizendo que voltavam amanhã”, disse Lianny Kamaruddin, 35. “Estou aliviada”.

Em um dos maiores êxodos anuais do mundo, toneladas de milhões de indonésios deixam Jacarta e outras cidades para comemorarem o Eid al-Fitr, feriado muçulmano no fim do Ramadã, com seus parentes em vilas e cidades da parte rural do país. Estima-se que mais de 27 milhões viajaram para casa neste ano, de acordo com autoridades.

O êxodo transforma Jacarta da noite para o dia. Ele dilui a poluição que envolve os arranha-céus no centro da cidade. Silencia os guindastes das construções. Esvazia
Ruas lotadas de ojeks, moto táxis que parecem kamikazes se entrelaçando pelo tráfego e fazendo atalhos pela calçada. Os negócios ganham um descanso.

Ele também causa estragos em famílias ricas ou de classe-média – dado o aparentemente eterno abastecimento de mão-de-obra barata no país de 237 milhões de habitantes, majoritariamente pobres – que dependem de serviçais domésticos. Neste ano, a ocupação em hotéis na cidade cresceu 70% durante o feriado, de acordo com a agência de turismo de Jacarta. Enquanto 35% dos hóspedes são visitantes de fora da capital, todo o resto era residente de Jacarta.

No Hotel Mulia Senayan, no sul da capital, a maioria dos hóspedes em dias úteis é de executivos estrangeiros, de acordo com o porta-voz do hotel, Adeza Hamzah. Mas na manhã da terça-feira passada, ao invés de executivos em ternos ou batiques, o hall do hotel estava cheio de jovens famílias. Um pai de shorts e sapatos de plástico mantinha os olhos em sua filha, cujos tênis fazia barulho no chão de mármore do hall. Mães empurravam carrinhos de bebê, sem a companhia de babás vestidas em uniformes de uma cor só.

Para muitos, um componente do estresse do feriado é o medo comum de que seus empregados – após receberem o bônus de Eid al-Fitr - ficassem em suas vilas ou procurassem por empregos melhores em outro lugar.

“Está ficando mais difícil encontrar pessoas que querem trabalhar como ajudantes domésticos em Jacarta”, disse Sugito, 54, que dirige uma agência de trabalhadores domésticos e, como muitos indonésios, usam apenas um nome. “Eles preferem trabalhar como trabalhadores migrantes, porque o salário é melhor”.

Sugito também consegue trabalhadores temporários para os moradores de Jacarta, serviço pelo qual cobra US$ 55. Segundo ele, empregados temporários ganham US$ 5 a US$ 8 por dia, o equivalente ao que muitos ganham em uma semana em épocas normais.

“No ano passado, eu ganhei o salário de dois meses em apenas 10 dias de trabalho”, disse Zubaedah, 34, que vem do leste de Java com sua filha de 17 anos para buscar emprego temporário. De acordo com ela, seu marido ganha US$ 1 por dia vendendo sorvete.

“É difícil não comemorar com meus filhos e minha família”, disse Zubaedah, “mas precisamos do dinheiro para as crianças irem à escola”.

Por NORIMITSU ONISHI
 
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28/09/2009 07:29 PM

Vazamento de petróleo na costa da Austrália preocupa ambientalistas

SIDNEY – Visitantes que esperam conhecer a exótica vida marinha da Austrália quase sempre pensam na Grande Barreira de Coral. Mas ambientalistas dizem que um ambiente marinho, igualmente impressionante, porém menos conhecido, está sob a ameaça da intensa exploração de petróleo e gás próximo aos corais e atóis presentes no nordeste da costa australiana.

NYT

Vazamento de petróleo e de gás em um poço no Mar de Timor

Um poço de óleo danificado está jorrando na região milhares de galões de petróleo no Mar de Timor desde 21 de agosto, quando um acidente forçou a evacuação de todos os 69 trabalhadores da plataforma. Tripulações de emergência estão trabalhando para conter o derrame, mas oficiais dizem que pode levar mais três semanas para tapar o vazamento.

A plataforma fica acima da reserva natural de Montara, cerca de 250 quilômetros a nordeste da Base Aérea de Mungalalu Truscott, na região remota de Kimberley, no país. O poço com vazamento é da companhia nacional de petróleo da Tailândia, a PTT Exploration and Production, uma das muitas empresas de energia que montaram operações no extremo oeste da Austrália para alimentar o apetite asiático por crescimento com o comércio de petróleo e gás.

Na primeira metade deste ano, mais de 50 poços foram perfurados nas águas tropicais do oeste australiano, além de centenas de outros projetos recentes. No mês passado, o governo deu permissão para a Chevron expandir a exploração da enorme reserva de gás Gordon, um projeto de US$ 40 bilhões, ao qual ambientalistas se opuseram devido ao potencial impacto que poderia causar no meio ambiente.

Os economistas dão crédito ao intenso comércio de combustíveis naturais por ajudar a Austrália a escapar das consequências da crise mundial, mas ambientalistas dizem que essa prosperidade terá um preço. Eles afirmam que o derramamento de petróleo em Montara é apenas um sinal do que pode acontecer, a menos que sejam estendidas maiores proteções às vastas extensões de barreiras de corais tropicais no noroeste da Austrália.

“É um conflito clássico entre o desenvolvimento e os valores ecológicos da região”, disse John Carey, gerente do Programa de Preservação de Kimberley com o Grupo Ambiental Pew. “Precisamos conseguir um equilíbrio. Mas, no momento, o balanço é de que menos de 1% dessa área de importância global está sob nenhuma forma de proteção”.

A companhia de petróleo tailandesa disse que ainda está investigando a causa do derrame. Para parar o vazamento, a companhia contratou um equipamento especial para perfurar até 2.500 quilômetros abaixo do solo oceânico e preencher a área com uma lama densa.

Mas esse equipamento altamente especializado não é fácil conseguir. Levou três semanas para rebocá-lo desde Cingapura.

A companhia se recusou a estimar o quanto de combustível foi jorrado no mar, dizendo que é muito arriscado conseguir medidas exatas de uma fonte danificada. Funcionários da corporação e da marinha australiana, que estão ajudando a limpar o vazamento, diz que a área atingida é de cerca de 40 quilômetros de largura e 136 de comprimento, mas que o vazamento parece estar diminuindo.

O ministro do meio ambiente, Peter Garrett, disse neste mês que o governo acreditava que de 300 a 400 barris de petróleo estão sendo jorrados no mar a cada dia. Isso significa um vazamento de mais de 450 mil galões, e quantidades desconhecidas de gás condensado, desde que o derramamento começou. De acordo com essa contagem, o rombo de Montara é relativamente pequeno. Em comparação, a Exxon Valdez despejou 11 milhões de galões quando encalhou na costa do Alasca, em 1989.

O jorro de petróleo não atingiu nenhuma margem da costa, em parte graças ao clima calmo e aos esforços do governo australiano de dispersar o derramamento com um químico próprio para isso. Mas os ambientalistas se preocupam com que o vazamento tenha um preço alto em relação aos animais marinhos que se alimentam e viajam na superfície do oceano ou próximo a ela.

“Precisamos acabar com o mito de que um vazamento de petróleo é apenas um problema quando chega às praias”, disse Gilly Llewellyn, administrador do programa de preservação com a WWF australiana.

Por MERAIAH FOLEY


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28/09/2009 05:38 PM





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