Os desafios e oportunidades da pecuária orgânica na busca pela sustentabilidade sociambiental e econômica. Esses foram os destaques do painel Pecuária Orgânica e Sustentável, apresentado nesta quarta-feira, na Biofach/Exposustentat, a maior feira de orgânicos da América Latina, que começou nesta quarta-feira (28/10) e continua até sexta-feira (30) no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
O painel teve por objetivo discutir o desenvolvimento da cadeia da pecuária no Brasil com enfoque em sistemas sustentáveis de produção. Participaram como debatedores, o coordenador do Programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil, Michael Becker, o presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO), Leonardo Leite de Barros e o gerente de Agronegócios do SEBRAE do Mato Grosso do Sul, Marcus Faria.
Em sua apresentação, Michael Becker destacou a importância do trabalho desenvolvido no Pantanal com a pecuária orgânica certificada na busca pela sustentabilidade ambiental. ?A experiência com nossos parceiros no Pantanal vem mostrando que a produção de carne orgânica é uma alternativa real e viável?, ressaltou.
Desde 2003, o WWF-Brasil vem apoiando o projeto de pecuária orgânica certificada no Pantanal. A atuação com esse segmento é fundamental para as ações de conservação no Pantanal, uma vez que a pecuária é a principal atividade econômica da região.
O trabalho envolve o apoio à pecuária orgânica certificada e estímulo a práticas que aliem produção e conservação dos recursos naturais e é feito em parceria com associações de produtores orgânicos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Responsabilidade compartilhada -Os pecuaristas do Pantanal são pioneiros nessa iniciativa que, graças a um maior envolvimento do público consumidor, tende a crescer. ?Embora a carne orgânica ainda seja um nicho de mercado, a atividade é promissora, principalmente porque haverá uma cobrança cada vez maior por parte dos consumidores quanto aos critérios sociambientais do produto que está comprando?, disse Becker.
Para ele, no entanto, para que o projeto se amplie, é fundamental envolver todos os segmentos da cadeia produtiva da carne. O trabalho deve ser feito com planejamento e em longo prazo e exige o comprometimento de todos os envolvidos, com o que ele chamou de ?responsabilidade compartilhada?.
Becker citou como exemplo a realização de contratos de longo prazo por parte dos frigoríficos para dar mais segurança ao produtor e também o estímulo ao consumo responsável por esse segmento, junto ao setor varejista. Outro elo importante da cadeia produtiva é o consumidor, que tem um papel fundamental neste processo. ?É importante que o consumidor valorize os produtos de qualidade e certificados, cobrem mais informações, questionem sua origem?, afirmou Becker.
O sistema de produção orgânico visa o desenvolvimento econômico e produtivo que não polua, não degrade e nem destrua o meio ambiente e, que, ao mesmo tempo valorize o homem como principal integrante do processo.
De acordo com Leonardo Barros, presidente da Associação de Pecuária Orgânica (ABPO), o Pantanal tem uma vocação natural para a produção sustentável, principalmente devido às condições geográficas, históricas e ambientais. A planície pantaneira, onde existem grandes áreas que ficam alagadas por um longo período, favorece a formação de pastagens naturais. ?Devido a essa abundância de pastagens, não foi necessário derrubar árvores para alimentar os animais?, disse.
No entanto, de acordo com ele, esse sistema tradicional que faz parte da cultura pantaneira vem mudando. Principalmente devido à chegada de pessoas de fora que não conhecem a realidade pantaneira e acabam usando práticas produtivas que não condizem com o tipo de solo do Pantanal e são danosas para o meio ambiente, como a introdução de pastagens.
O presidente da ABPO ressaltou que é importante ter mais políticas públicas para dar mais visibilidade ao segmento da pecuária orgânica e valorizar os produtores que estão comprometidos com a sustentabilidade. ?Mais que punir, é preciso premiar com incentivos fiscais as iniciativas sustentáveis?, enfatizou. Para ele, o consumidor também tem um papel importante nesse aspecto. ?Ao eleger um produto de origem certificada estará contribuindo para a sustentabilidade ambiental do país?.
Novas parcerias - Com o objetivo de ampliar o número de fazendas certificadas, o WWF-Brasil e a ABPO vem articulando o apoio de outros parceiros. Em 2008, foi iniciado um projeto junto ao SEBRAE voltado para a capacitação técnica de produtores da região para adequarem suas propriedades aos critérios exigidos pela certificação.
Esse projeto foi apresentado pelo gerente de Agronegócios do SEBRAE do Mato Grosso do Sul, Marcus Faria, que também participou do painel. ?Nosso objetivo é contribuir para que as propriedades tradicionais possam, através da certificação, abrir novos, e agregar valor ao produto?, disse Faria.
GT da pecuária sustentável
Além do apoio à pecuária orgânica no Pantanal, o WWF-Brasil também atua no estímulo a boas práticas produtivas para o segmento da pecuária. Esse trabalho é feito por meio das discussões e participação no GT da pecuária sustentável, que envolve representantes dos diversos elos que compõem a cadeia produtiva da carne - produtores rurais, frigoríficos, empresas certificadores, bancos, empresas de exportação e comércio varejista.
O resultado dessas discussões foi a aprovação pelos integrantes do GT de um plano trabalho para os próximos três anos, tendo como um dos pontos principais o desmatamento zero nas atividades do segmento em todo o Brasil. O plano propõe um conjunto de ações e estratégias a serem desenvolvidas visando a sustentabilidade ambiental da atividade.
Alunos de várias escolas de Brasília fizeram hoje (28/10) uma manifestação em frente ao Congresso Nacional para demonstrar sua preocupação com o clima do planeta.
O movimento foi organizado pela instituição 350.org, pelos estudantes e embaixadores do clima João Pedro Barbosa, 15 anos, e Sofia Martins Carvalho, 16 anos, e apoiado pela campanha Tictactictac, que é composta por diversas entidades, entre elas o WWF-Brasil.
Cerca de 200 estudantes formaram o número 350 no gramado do Congresso Nacional, em alusão ao número 350 partes por milhão de CO2, que é o montante total do gás que deve estar na atmosfera para que o planeta não aqueça mais de 2o C, em relação aos níveis de 1990. Durante a manifestação, os alunos gritavam juntos: ?Nosso clima, nosso futuro, nossa voz?.
O deputado José Sarney Filho, presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, desceu no gramado e recebeu dos alunos uma carta assinada por várias organizações e endereçada ao presidente Lula, pedindo que o Brasil assuma a liderança nas negociações sobre o acordo de clima que deve ser assinado em Copenhague em dezembro de 2009.
A pedido dos estudantes, o deputado assinou o abaixo-assinado da campanha Tictactictac, que pede aos líderes mundiais se empenhem em frear as mudanças climáticas e amenizar seus efeitos.
Sarney Filho lembrou que ontem foi votada a Política Nacional de Mudanças Climáticas na Câmara dos Deputados e que em breve será a vez do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas.
?É importante que os estudantes mostrem que estão preocupados com a questão, pois são eles que viverão no planeta na era da economia de baixo carbono?, afirmou.
Mas ainda há muita incoerência no governo e no próprio Congresso Nacional sobre o tema. Hoje (28/10) houve uma tentativa de votação na Comissão de Meio Ambiente da Câmara do Projeto de Lei 6424, que altera o Código Florestal. A votação foi adiada para a próxima semana.
?Se esse projeto for aprovado, vai aumentar o desmatamento e, consequentemente, o número de emissões brasileiras de gases de efeito estufa?, aponta o coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, Carlos Rittl.
A pecuária orgânica certificada, iniciativa apoiada pelo WWF-Brasil no Pantanal, será apresentada no dia 28 de outubro no painel Pecuária Orgânica e Sustentável. A conferência integra a programação da Biofach América Latina/ ExpoSustentat, feira de produtos orgânicos e sustentáveis que acontece no Transamérica Expo Center, em são Paulo, de 28 a 30 de outubro.
O painel tem por objetivo discutir o desenvolvimento da cadeia da pecuária no Brasil com enfoque em sistemas sustentáveis de produção. O tema pecuária orgânica será apresentado pelo coordenador do Programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil, Michael Becker, e pelo presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO), Leonardo Leite de Barros.
Pegada Ecológica
Com o objetivo de divulgar projetos de produção sustentável do Pantanal, entre eles a pecuária orgânica, o WWF-Brasil também terá um estande na Biofach/ExpoSustentat, durante os três dias da feira. Quem visitar o estande poderá ainda fazer o teste interativo da pegada ecológica.
A pegada ecológica é uma metodologia que permite calcular, com base em um questionário, o rastro que cada pessoa deixa no meio ambiente em razão do seu padrão de consumo e de vida. O objetivo é estimular as pessoas a reverem seus hábitos de consumo e fazer mudanças que possam ajudar a reduzir esses impactos no planeta.
Pecuária orgânica certificada
O WWF-Brasil vem atuando com o segmento da pecuária no Pantanal, desde 2003. O trabalho envolve o apoio à pecuária orgânica certificada e estímulo a práticas que aliem produção e conservação dos recursos naturais. O trabalho é feito em parceria com associações de produtores orgânicos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A atuação com o segmento da pecuária é fundamental para as ações de conservação no Pantanal. Principal atividade econômica da região, a pecuária estabelece o padrão de ocupação do espaço geográfico no Pantanal, gerando muitos impactos ambientais. A produção orgânica é uma alternativa para reduzir esses impactos.
O sistema de produção orgânico visa o desenvolvimento econômico e produtivo que não polua, não degrade e nem destrua o meio ambiente e, que, ao mesmo tempo valorize o homem como principal integrante do processo.
GT da pecuária sustentável
Além do apoio à pecuária orgânica no Pantanal, o WWF-Brasil também atua no estímulo a boas práticas produtivas para o segmento da pecuária. Esse trabalho é feito por meio das discussões e participação no GT da pecuária sustentável, que envolve representantes dos diversos elos que compõem a cadeia produtiva da carne - produtores rurais, frigoríficos, empresas certificadores, bancos, empresas de exportação e comércio varejista.
O resultado dessas discussões foi a aprovação pelos integrantes do GT de um plano trabalho para os próximos três anos, tendo como um dos pontos principais o desmatamento zero nas atividades do segmento em todo o Brasil. O plano propõe um conjunto de ações e estratégias a serem desenvolvidas visando a sustentabilidade ambiental da atividade.
Curso organizado por IFT e WWF-Brasil no Pará capacitou técnicos, engenheiros e agentes de governo a construir estradas em áreas de floresta minimizando impactos ao meio ambiente
Bruno Taitson, de Paragominas (PA)
Para que o manejo florestal seja praticado, garantindo o uso racional dos recursos naturais e a renda das famílias locais, é necessária a abertura de estradas. Porém, a sustentabilidade da atividade demanda que as vias de acesso gerem o menor impacto possível aos ecossistemas. De acordo com um levantamento do Instituto Floresta Tropical (IFT), obras de infraestrutura como estradas e pátios podem impactar diretamente até 10% da área onde se pratica o manejo florestal, dificultando a regeneração e a conservação da floresta em longo prazo.
O curso Planejamento e Construção de Estradas Florestais, realizado a partir de parceria entre IFT, WWF-Brasil e Serviço Florestal dos Estados Unidos (USFS), capacitou técnicos, engenheiros e agentes de governo na construção sustentável de estradas florestais. O treinamento, de caráter teórico e prático, foi realizado na Fazenda Cauaxi, município paraense de Paragominas, entre 19 e 23 de setembro, em tempo integral.
Os instrutores foram o engenheiro geotécnico Gordon Keller e o engenheiro geológico Jonathan Berry, ambos do Serviço Florestal dos Estados Unidos. Gordon Keller salientou que, quando as estradas não são bem construídas, podem gerar enormes impactos na fauna, flora e cursos d?água. ?Para se fazer uma boa estrada é essencial que planejamento, localização, projeto e manutenção sejam bons?, resumiu o engenheiro.
Ele destacou durante o curso que estradas são indispensáveis para o desenvolvimento da maioria das regiões, por permitir transporte de pessoas e escoamento da produção. Porém, podem também provocar prejuízos aos recursos naturais e a comunidades, afetando qualidade da água, atividade pesqueira, migração e deslocamento de espécies, ocasionando ainda fragmentação de hábitats, desmatamento, erosão do solo, atividade madeireira e caça ilegais.
Gordon Keller, que tem mais de 30 anos de experiência com estradas florestais, classificou como positivos os resultados do curso e lembrou que o Serviço Florestal dos EUA tem como um de seus objetivos disseminar boas práticas florestais no mundo. ?É importante que haja pessoas e organizações interessadas em conservar e manejar florestas na Amazônia. Esses conceitos de sustentabilidade precisam se espalhar?, observou.
Uma das participantes, a engenheira florestal Camila Caruso, destacou que o curso abordou questões da engenharia de construção aliadas a aspectos ambientais. A engenheira trabalha no Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran), com supervisão ambiental na BR-230 (Rodovia Transamazônica). Ela acredita que conseguirá aplicar os conhecimentos adquiridos. ?Além de impactos ambientais, podemos diminuir custos de construção e manutenção. O ideal é executar bem a obra, para fazer apenas uma vez?, concluiu.
O técnico César Ferreira, que coordena o setor de infraestrutura do manejo florestal na Secretaria Estadual de Florestas do Acre, também participou do curso. Ele entende que a principal mensagem passada foi a necessidade de fazer obras pensando no longo prazo. ?No Acre, as áreas onde há planos de manejo ficam distantes das principais rodovias. Por isso, é preciso qualificar o processo de construção e manutenção das vias abertas na floresta?, disse.
Segundo o diretor-adjunto do IFT, Marco Lentini, que coordenou a capacitação, há uma grande carência de mão-de-obra no Brasil para trabalhar com manejo florestal na Amazônia. Um estudo do IFT demonstra que seriam necessárias ao menos 15 mil pessoas treinadas na área para que a meta do governo de implantar o manejo em 13 milhões de hectares até 2016 seja atingida.
Marco Lentini ressaltou a importância da parceria entre IFT, WWF-Brasil e Serviço Florestal dos EUA para a capacitação realizada no Pará, salientando o caráter teórico-prático do treinamento. ?Curso de manejo florestal não pode acontecer em sala climatizada, tem que ser feito na floresta?, avaliou.
O engenheiro florestal Maximiliano Roncoletta, representante do WWF-Brasil no curso, classificou de estratégico o treinamento, dirigido a tomadores de decisão que atuam diretamente em regiões de manejo na Amazônia. ?Costuma-se enxergar como infraestrutura que impacta a região amazônica apenas as grandes obras, como rodovias e barragens. Não podemos nos esquecer das estradas rurais, que em escala de área impactam muito mais e são abertas com extrema rapidez?, afirmou.
Declarações recentes de importantes líderes mundiais, dentre eles representantes da União Européia e Estados Unidos, sinalizam que o acordo climático que deverá ser fechado este ano, em Copenhague, está em risco.
Os países industrializados estão tentando diminuir as expectativas sobre Copenhague enquanto continuam a se esquivar de decisões importantes como redução de emissões e a transição para uma economia de baixo carbono.
Somente um acordo onde as partes sejam obrigadas a responder legalmente pelo que se comprometeram a fazer poderá deter o aquecimento global.
É hora de agir!
Peça ao Presidente da República e seus Ministros que declarem publicamente sua preocupação com a relutância dos países desenvolvidos de assumirem sua responsabilidade em relação às mudanças climáticas.
Envie uma mensagem formal ao Presidente. Para isso, acesse o site da Presidência da República ou escreva para supar@planalto.gov.br.
Em seguida, copie e cole o texto abaixo no formulário:
Exmo. Presidente da República,
Sr. Luiz Inácio Lula da Silva
O acordo climático está em risco. Declarações recentes de importantes líderes mundiais sugerem que em Copenhague se discuta o futuro da humanidade de forma meramente voluntária. Segundo tais declarações, há poucas chances de chegar-se a um acordo forte, ambicioso e com força legal, capaz de manter o aumento de temperatura do planeta inferior a 2ºC.
O fracasso em Copenhague representa um alto risco de instabilidade que implicará em custos sociais, ambientais e econômicos para todos os países. Cabe aos líderes mundiais impedir que isso aconteça. O seu apoio como líder global é fundamental para que o acordo de clima não se restrinja a uma carta de boas intenções e seja realmente um compromisso com força de lei internacional.
Como cidadão brasileiro, peço que Vossa Excelência reforce publicamente a declaração feita em seu discurso na última Assembléia Geral das Nações Unidas, de profunda preocupação com a relutância dos países desenvolvidos de assumirem sua responsabilidade quando se trata de combater as mudanças climáticas, e que diga aos Chefes de Estado que é absolutamente inaceitável adiar as decisões que devem ser tomadas em Copenhagen.
Esperamos que em nome do Brasil e da segurança e bem-estar do povo Brasileiro, o Sr. e seus Ministros conclamem os demais líderes mundiais para um esforço mundial pelo único resultado aceitável em Copenhagen: um acordo ambicioso, justo e com força de lei.
Mande também uma cópia da mensagem acima para os seguintes endereços eletrônico:
O acordo climático que deverá ser fechado este ano está em risco. Declarações recentes de importantes líderes mundiais, dentre eles da União Européia e Estados Unidos, sugerem que em Copenhague se discuta o futuro da humanidade de forma meramente voluntária.
O WWF-Brasil, através de carta enviada nesta tarde, urge que o Presidente Lula e seus Ministros conclamem os demais líderes mundiais para um esforço global pelo único resultado aceitável em Copenhague: um acordo ambicioso, justo e com força de lei. O fracasso em Copenhague representa um alto risco de instabilidade que implicará em custos sociais, ambientais e econômicos para todos os países.
?Consideramos que o apoio do Presidente Lula como líder global é fundamental para que o acordo de clima não se restrinja a uma carta de boas intenções e seja realmente um compromisso com força de lei internacional?, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
?O crescente pessimismo entre líderes das nações mais ricas, principalmente nos últimos dias, não pode tomar conta das negociações. O que o mundo necessita agora é de vontade política para a tomada das decisões necessárias?, completa.
O Brasil tem se mostrado colaborativo nesse processo, rejeitando a possibilidade de não haver um acordo forte em Copenhague. ?Precisamos desse tipo de movimentação política e de ações fortes de países em desenvolvimento como China, Índia e Brasil para pressionar cada vez mais os países desenvolvidos a trabalharem por um acordo com força de lei, com reduções drásticas de suas emissões e financiamento do desenvolvimento de baixo carbono?, contextualiza Carlos Rittl, coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.
Resgate das declarações otimistas
Na última Cúpula de Clima em setembro, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, resumiu comentários de mais de 100 chefes de Estado como ?um desejo vivo por todos os líderes de contribuir para o êxito das negociações em Copenhague?.
Ainda de acordo com o secretário-geral, ?Eles [os chefes de Estado] também manifestaram a disponibilidade para comprometer suas nações para alcançar um acordo eficaz que seja colocado em prática por todos.?
?Pelo menos dois terços das nações mundiais, empresas e novos mercados estão ?prontos e esperando? pelas certezas que trará um acordo com força de lei a ser assinado em Copenhague?, afirma Kim Carstensen, líder da Iniciativa Global de Clima da Rede WWF.
?Passamos quase dois anos para criar todas as bases para o novo acordo e obtermos um resultado inovador em Copenhague. O que precisamos agora é de vontade política e determinação, não de sinais confusos como os que estão sendo enviados por alguns líderes?, explica Carstensen.
Nos próximos meses haverá uma série de uma série de reuniões de chefes de Estado e serão ótimas oportunidades para repetirem o compromisso que fizeram na ONU.
Os líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) estão reunidos hoje e neste fim de semana. Chefes de Estado europeus se reúnem na próxima semana para acordar uma posição sobre financiamento de ações sobre mudanças climáticas. Um encontro da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) está marcado para novembro. Além dessas, outras reuniões bilaterais também estão previstas até o fim de novembro.
"Esperamos que os líderes coloquem as negociações de volta nos trilhos da responsabilidade", afirma Carstensen.
Rede WWF alerta que é preciso serenidade política para que o novo acordo global de clima em Copenhague seja assinado.
?O mundo não quer que Copenhague se transforme numa rodada de Doha,? compara Kim Carstensen, líder da Iniciativa Global de Clima da Rede WWF.
?Rumores na mídia e manobras diplomáticas nos bastidores são um reflexo de que os países industrializados estão tentando diminuir as expectativas sobre Copenhague enquanto continuam a se esquivar de decisões importantes como redução de emissões e a transição para uma economia de baixo carbono?, afirma.
O mundo precisa de lideranças. Mas, em vez de demonstrar força e vontade, os líderes já estão começando a dar desculpas para não assinar um tratado justo, eficiente e ambicioso.?
A Rede WWF e o WWF-Brasil têm acompanhado os rumores de uma campanha diplomática está sendo feita na surdina e que costura um plano sobre clima que exclui um acordo com força de lei em Copenhague. Somente um acordo onde as partes sejam obrigadas a responder legalmente pelo que se comprometeram a fazer poderá deter o aquecimento global.
?Só existem o plano A e o plano F. O F é aquele em que falhamos?, afirma Carstensen.
?O clima não espera pelas manobras políticas e diplomáticas. Os líderes não podem adiar a tomada de decisões difíceis agora porque elas só vão se tornar cada vez mais difíceis.
?Muitos países no mundo em desenvolvimento já estão agindo e sinalizando que podem avançar ainda mais como Índia, China e Brasil. Mas, para isso, é preciso que haja a certeza legal de que as nações industrializadas vão fazer sua parte?, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
?Setores empresariais também já estão começando a se mobilizar no Brasil e no mundo para que haja um acordo ambicioso em Copenhague como o que estava sendo planejado. O mercado e seus investidores precisam dessa demonstração de solidez para realmente começar a mudar para uma economia de baixo carbono?, explica Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.
A Rede WWF acredita que o surgimento de propostas de cancelar o acordo a apenas uma semana da última da última rodada de negociações não é coincidência. Os delegados se reúnem novamente em Barcelona de 2 a 6 de novembro para discutir o acordo de Copenhague.
?Esse é um jogo perigoso e pode tirar a atenção do que é realmente importante durante a próxima rodada de negociações. Se isso acontecer, o acordo justo, ambicioso e eficiente de que o mundo precisa estará em grande risco?, afirma Carstensen.
?Todos os ingredientes necessários para o acordo de Copenhague estão disponíveis. Os países tiveram dois anos para negociar datas e prazos, têm todas as informações que a ciência oferece, todas as opções de textos e palavras de que precisam e todos os argumentos morais e econômicos de que necessitam para se convencer de que a hora é agora e Copenhague é o lugar para assinar o acordo. Só falta vontade política?, analisa Carstensen.
"O senado norte-americano precisa aprovar a lei dos EUA sobre clima e mostrar liderança, como Obama prometeu. Não queremos que outros países industrializados usem como desculpa o que acham que o senado norte-americano irá fazer?, finaliza.
A Rede WWF afirma que é necessário que o Protocolo de Quioto seja mantido para os países ricos e que também seja assinado um novo protocolo em Copenhague, capaz de exigir legalmente que seus assinantes cumpram o que prometeram.
O acordo deve conter, entre outros temas, metas ambiciosas de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países industrializados, reconhecimento e apoio para ações em países em desenvolvimento, compromisso de aumentar o financiamento especialmente para adaptação e um novo arranjo institucional e de governança sob a liderança das Nações Unidas.
O governo do Acre e o WWF-Brasil criarão incentivos para conservar a floresta
A Sky Reino Unido lançou na quarta-feira (21/10), em Londres, uma campanha com duração de três anos em parceria com o WWF para ajudar a salvar um bilhão de árvores na Amazônia. A campanha, intitulada Salve a Floresta (Sky Rainforest Rescue), tem o objetivo de proteger uma área de três milhões de hectares da floresta no estado do Acre, para ajudar a combater as mudanças climáticas e preservar o habitat e espécies da Amazônia por meio de incentivos às populações que ajudam a proteger a floresta.
O desmatamento está causando mais emissões de gases de efeito estufa do que a soma das emissões dos aviões, trens, navios e carros do mundo. A perda das florestas tropicais também está ameaçando o habitat de mais de 50% das espécies do planeta e o bem-estar de populações que vivem na florestas.
A floresta amazônica é essencial para evitar o perigo de mudanças climáticas, além de abrigar a riqueza da biodiversidade biológica e cultural.
A Sky e o WWF vão mobilizar a população britânica para ajudar a conter essa destruição. As organizações estão incentivando doações por meio do site www.sky.com/rainforestrescue, onde cada £10 (cerca de R$30) ajudam a salvar o equivalente a 500 árvores.
Para dar início ao projeto, para cada libra doada, a Sky irá contribuir com outra libra, até a meta conjunta de £4 milhões (cerca de R$ 12 milhões). O WWF e a Sky também estão mantendo diálogos com agências de financiamento para garantir mais apoio financeiro ao projeto.
Os recursos obtidos da campanha contribuirão para um projeto maior do governo do Acre e WWF-Brasil para conservar 3 milhões de hectares de floresta, que contem aproximadamente 1 bilhão de árvores.
O projeto vai possibilitar mais recursos para vigilância contra ameaças, entre elas o corte ilegal de madeira, e também para o desenvolvimento comunitário por meio do fortalecimento de cadeias produtivas florestais.
A fase inicial será composta pela pesquisa e consulta a comunidades locais, antes do lançamento de um projeto piloto no início de 2010, que será ampliado posteriormente.
Na opinião de Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil, alianças entre ONGs, governos, empresas e cidadãos comprometidos é fundamental para a conservação da Amazônia. ?Essa parceria é inovadora e poderá ser um exemplo de modelo para mitigar os efeitos das mudanças climáticas?, afirmou.
Binho Marques, governador do Acre, comentou que 88% do estado estão cobertos por florestas. ?Temos sob nossa responsabilidade um precioso recurso global. Nosso objetivo é assegurar o desenvolvimento de um modelo sustentável para a conservação que atenda às necessidades de nossas comunidades tradicionais. A campanha é determinante para podermos alcançar essa meta?, concluiu.
Empresas e meio ambiente
O projeto faz parte de um novo conjunto de compromissos da Sky no Reino Unido para ajudar a enfrentar as mudanças climáticas, incluindo um orçamento geral para reduzir suas emissões de CO2 em 25% em toda a empresa até 2020.
Além disso, a empresa planeja aumentar a eficiência energética de seus edifícios em 20% e obter 20% da energia consumida em todos os seus prédios em fontes renováveis locais dentro do mesmo horizonte de tempo. Até 2012, a Sky irá reduzir as emissões de carbono de sua frota de vans em 25% (por van) e as emissões geradas pelas viagens dos funcionários a trabalho em mais 20% (por ETI).
A Sky também assumiu o compromisso de cortar o consumo total de energia das caixas do Sky+HD recém-instaladas em 30% até 2012, e irá se articular com 50 de seus fornecedores que mais geram emissões de carbono para ajudá-los a medir sua pegada de carbono e reduzir ainda mais as emissões.
O Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) ¬aprovou plano de trabalho para os próximos três anos, tendo como um dos pontos principais o desmatamento zero nas atividades do segmento em todo o Brasil. O plano propõe um conjunto de ações e estratégias a serem desenvolvidas até 2010, visando a sustentabilidade ambiental da atividade.
O GTPS é um fórum composto por representantes de diferentes segmentos que integram a cadeia produtiva da carne bovina no Brasil e de ONGs, entre elas o WWF-Brasil. Participam do grupo, representantes das indústrias e de organizações do setor, associações de pecuaristas, varejistas, bancos, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e universidades.
O objetivo do fórum é definir, de maneira transparente e participativa, princípios e padrões comuns a serem adotados pelo setor, que garantam o desenvolvimento de uma pecuária sustentável, socialmente justa, ambientalmente correta e economicamente viável.
Entre os pontos centrais do plano está o monitoramento do desmatamento na Amazônia em decorrência das atividades da pecuária e definição de princípios e critérios socioambientais para produção e comercialização de produtos da pecuária bovina. O grupo também se propõe a criar um sistema de rastreamento de produtos e disseminar boas práticas produtivas para o segmento.
Boas práticas produtivas
A transformação de mercados, como o da pecuária, integra a estratégia global da Rede WWF para reduzir impactos da atividade produtiva no meio ambiente. O objetivo é estimular boas práticas em todas as etapas da cadeia produtiva, desde o pecuarista até a comercialização do produto.
Para a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, fóruns como este da pecuária sustentável contribuem para os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação ambiental. ?Somente por meio do diálogo, é possível encontrar soluções que proporcionem o desenvolvimento associado à sustentabilidade ambiental?.
Para Hamú, o compromisso assumido pelo GT de alcançar a meta de desmatamento zero representa um passo importante e uma conquista desse diálogo. ?Esperamos, no entanto, que essas metas e monitoramento das atividades sejam aplicadas não só na Amazônia mas também nos outros biomas brasileiros, como o Pantanal e o Cerrado?, enfatizou.
Desde 2003, o WWF-Brasil vem atuando com esse segmento produtivo, por meio do apoio à pecuária orgânica certificada no Pantanal e estímulo a boas práticas produtivas na região.
O Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável foi criado oficialmente em junho de 2009 após um longo processo de amadurecimento que começou no final de 2007 e se consolidou em 2008. O WWF-Brasil participou do processo de discussão em todas as suas etapas, contribuindo com propostas baseadas na experiência da pecuária orgânica no Pantanal e critérios ambientais.
O coordenador do programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil, Michael Becker, afirma que a participação no GT tem por objetivo ampliar as discussões sobre os critérios de desenvolvimento da atividade, não só no âmbito da pecuária orgânica certificada, mas em todos os elos que compõem a cadeia. ?A pecuária orgânica é um nicho de mercado e, por isso, o GT nos dá a oportunidade de dialogar e influenciar um público mais amplo?, explica.
O GTPS é formado por 18 instituições e outras 22 que atuam como observadoras. São participantes: Bancos: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ? BNDES, Bradesco, International Finance Corporation (IFC), Rabobank Brasil e Santander. ONGs: WWF ? Brasil, The Nature Conservancy (TNC) e Aliança da Terra.
Indústrias (Frigoríficos): Frigol, Marfrig e JBS - Bertin. Varejo: Wal Mart, Grupo CBD - Pão de Açúcar e Grupo Carrefour.
Setor Produtivo: Associação dos Criadores do Mato Grosso ? Acrimat, Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) e Associação Brasileira de Produtores de Animais Orgânicos (Aspranor).
Profissionais que atuam em unidades de conservação (UCs) da Amazônia terão duas novas oportunidades para ampliar seus conhecimentos de gestão. Durante o mês de novembro, serão realizadas duas edições do Curso Introdutório de Gestão de Unidades de Conservação, uma em Manaus e outra em Brasília.
O curso, realizado pelo WWF-Brasil e pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), é um dos vários esforços que vêm sendo feitos no Brasil para consolidar as unidades de conservação criadas ou apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).
A capacitação do pessoal torna-se imprescindível num contexto de criação de novas áreas protegidas, de ampliação das ameaças e desafios a essas áreas e, principalmente, de renovação do corpo técnico dos órgãos federais e estaduais de gestão de unidades de conservação.
Durante o curso, os participantes conhecerão noções básicas e orientações práticas para a gestão das unidades de conservação, baseadas em uma visão integradora das questões sociais, naturais e ambientais relacionadas à paisagem e aos diferentes contextos regionais em que as UCs estão inseridas.
Podem participar do curso gestores de UCs do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), dos órgãos estaduais de meio ambiente e de organizações não governamentais que tenham convênio de cooperação com órgãos gestores de UCs. Todas as despesas de transporte, estadia e alimentação serão cobertas pelos realizadores do curso.
Também podem se inscrever pessoas indicadas por instituições parceiras do Arpa que desempenham funções relacionadas ao planejamento, implantação e monitoramento dos programas de gestão de UCs.
Para mais informações sobre o Curso Introdutório de Gestão de Unidades de Conservação, clique aqui.
Serviço:
Curso Introdutório de Gestão de Unidades de Conservação
Manaus: de 2 a 11 de novembro de 2009
Brasília: de 16 a 25 de novembro de 2009
Carga horária: 80 horas
Inscrições: solicitar formulário pelo e-mail cbbc@ipe.org.br
A Rede WWF vai participar do XIII Congresso Florestal Mundial, que será realizado entre 18 e 23 de outubro, em Buenos Aires (Argentina), para destacar a urgência de um compromisso entre os líderes mundiais com a meta de desmatamento zero até 2020.
Essa meta abrange tanto o problema de mudanças climáticas quanto o alarmante declínio na diversidade biológica. A meta demanda ação urgente para a redução das emissões de gases de efeito estufa geradas por desmatamento e também para salvar a riqueza natural representada pelas florestas que ainda restam no mundo. Apesar de todos os esforços direcionados à conservação, o desmatamento continua num ritmo assustador. Esse processo gera quase 20% das emissões globais de gases de efeito estufa.
?O WWF está propondo ?Desmatamento zero até 2020? para estabelecer um referencial global que pode ser usado para aferir o progresso na redução de perdas de florestas? disse Rodney Taylor, diretor do programa Florestas do WWF-Internacional, que realizará palestra sobre esse tema em evento paralelo durante o congresso. ?O mundo tem que alcançar essa meta para evitar mudanças climáticas fora de controle e uma diminuição catastrófica da biodiversidade?.
Conforme Taylor, o WWF pretende convidar os participantes do congresso, particularmente aqueles que são membros da Collaborative Partnership on Forests (Parceria Colaborativa em Assuntos Florestais), a endossarem a meta de desmatamento zero até o ano 2020 e a meta complementar referente às emissões, que reforça a necessidade de um novo acordo global sobre o clima, oferecendo incentivos à Redução de Emissões por Desmatamento e pela Degradação florestal (REDD).
?Estamos chamando os líderes dos setores florestais e ambientais para apoiarem essa meta global e trabalharem juntos num esforço para coibir o desmatamento e deter as mudanças climáticas,? disse Taylor.
Para tanto o WWF promoverá evento paralelo onde os governos da Argentina, do Brasil e do Paraguai anunciarão acordo de colaboração para coibir o desmatamento da Mata Atlântica nos três países.
O WWF também acredita que o setor privado precisará realizar um esforço coordenado e mostrará como está apoiando as empresas na promoção do manejo florestal sustentável por meio de programas como a Rede Global de Floresta e Comércio (WWF ? GFTN), e o projeto New Generation Plantations (Plantações de Nova Geração).
Taylor vai liderar a delegação WWF no Congresso Florestal Mundial, que é realizado de seis em seis anos, e reúne governos, setor privado e gerentes florestais, para apresentar um panorama da situação atual das florestas e das atividades florestais e assim identificar tendências, ajustar políticas e promover a conscientização sobre a importância da manutenção das florestas.
A Rede WWF está clamando por uma política de desmatamento zero até 2020 por que:
O desmatamento traz consequências nefastas para a biodiversidade, o clima e as pessoas;
A meta vai potencializar os esforços internacionais e os processos associados à conservação da biodiversidade, à mitigação das mudanças climática, e à proteção e manejo sustentáveis das florestas;
Para prevenir contra mudanças climáticas totalmente fora de controle, as emissões de gases de efeito estufa têm que parar de aumentar antes de 2020 e diminuir até 2050 para um nível 80% mais baixo do que o nível aferido em 1990;
Se houver uma redução anual de 10% no atual índice de desmatamento, a meta de desmatamento zero poderá ser alcançada até o ano 2020;
É previsto que a entrada em operação do mecanismo de Redução de Emissões do Desmatamento e pela Degradação florestal (REDD) coincidirá com o início da segunda fase de compromisso do Protocolo de Quioto em 2013. Assim haverá um período de oito anos nos quais eles contribuirão para o alcance da meta estabelecida para 2020.
Meta no Brasil é até 2015
As metas são mais ambiciosas para o Brasil, considerando a representação das emissões de gases do efeito estufa no país ? 75% oriundos do desmatamento ?, e a situação crítica de perda de biodiversidade na Mata Atlântica. ?Estamos defendendo desmatamento zero até 2015 em todo Brasil e já em 2010 para a Mata Atlântica?, afirma Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.?
Signatário da Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas, o país assumiu o compromisso de redução significativa das atuais taxas de perda da biodiversidade até 2010. ?No caso da Mata Atlântica sobrou tão pouco que se adotarmos os 7% remanescentes para cumprimos os objetivos médios internacionais, deveríamos ter 10% do bioma protegido, ou seja teríamos que recuperar outros 3%?.
Conforme Maretti, o objetivo é apoiar o governo federal na definição dos mecanismos para que a meta seja alcançada a exemplo das medidas que constam nos plano de prevenção e combate ao desmatamento para a Amazônia e, agora, ao Cerrado, como a criação de áreas protegidas, aumento da fiscalização, o fomento às atividades de uso sustentável e a restrição do crédito para agronegócio em situação irregular.
Os técnicos Mauro Armelin, coordenador do programa de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, e Luciana Simões, coordenadora do programa Mata Atlântica do WWF-Brasil fazem parte da delegação da Rede WWF no Congresso Mundial Florestal.
Mata Atlântica ? Um emblema de mudança
Para as áreas de Mata Atlântica, o alcance da meta de desmatamento zero representará a extinção de uma ameaça severa a essa floresta altamente fragmentada. A Mata Atlântica é o lar de uma variedade extraordinária de plantas e animais. Abriga mais de 20.000 espécies de plantas ? das quais 8.000 não são encontradas em nenhum outro lugar ? 1.000 espécies de aves, 372 de anfíbios, 350 tipos de peixe, 197 de répteis a 270 espécies de mamíferos.
Originalmente, a extensão da Ecorregião do Alto Paraná abrangia 500.000 quilômetros quadrados, distribuídos entre Brasil, Paraguai e Argentina. Hoje mantém apenas 7,4%, ou seja, em torno de 35.000 quilômetros quadrados. No Brasil, a Ecorregião da Serra do Mar, por sua vez, perdeu mais da metade de sua área de 127.411 quilômetros quadrados, restando atualmente 56.356 quilômetros quadrados. Essas são duas das quinze ecorregiões que formam o bioma Mata Atlântica, uma das florestas subtropicais mais ameaçadas do mundo.
A expansão da agricultura, o crescimento das cidades, obras de infraestrutura e a exploração insustentável da floresta resultaram no desmatamento em vasta escala da Mata Atlântica.
O que é o mecanismo REDD?
Redução de Emissões do Desmatamento e pela Degradação florestal (REDD) é um mecanismo para provisão de incentivos, em escala global, à conservação das florestas em lugar de sua conversão. Além de ajudar diretamente na abordagem do problema de como conseguir uma redução de 20% nas emissões de gases de efeito estufa, criadas pela derrubada de florestas tropicais, a implementação do REDD pode trazer benefícios enormes para os governos nacionais de países em desenvolvimento e suas comunidades locais, dependentes das florestas, e ao mesmo tempo, conduzir à conservação florestal.
Sob a influência do REDD o sistema de avaliação de florestas atualmente em vigor no mercado seria transformado para levar em consideração a quantidade de carbono armazenada por estas florestas. Essa transformação constituiria uma nova base para o desenvolvimento econômico pela qual as florestas valeriam muito mais vivas do que mortas.
A redução de emissões originadas do desmatamento e da degradação de florestas poderá ser compensada pelo pagamento de créditos de carbono. A provisão de incentivos financeiros para o carbono florestal oferece a possibilidade de tornar a conservação de florestas mais viável economicamente. Potencialmente, o REDD poderá se tornar uma das primeiras manifestações em grande escala de mecanismos para o pagamento de serviços ambientais.
REDD é um componente essencial para o alcance da meta de desmatamento zero até 2020. A proposta foi feita pela primeira vez pela Coalition of Rainforest Nations (Coalizão das Nações com Florestas Tropicais) encabeçada por Costa Rica e Papua Nova Guiné, em 2005, e recebeu apoio em Bali ,em 2007. Se o REDD for adotado na Cúpula de Copenhague sobre Clima, em dezembro, poderá mobilizar o financiamento internacional para pagar os países para reduzir e por fim à perda de florestas.
Temos apenas cinco anos para iniciar uma revolução industrial de baixo carbono antes que as mudanças climáticas entrem num ciclo de aumento retroalimentado e não possam mais ser contidas. Esse é o resultado do novo estudo da Rede WWF: Soluções Climáticas 2. A boa notícia é que é isso possível e, a longo prazo, há grandes benefícios para a humanidade.
Pela primeira vez um relatório sugere cronogramas para as transformações industriais necessárias para limitar as emissões globais de gases de efeito estufa para que o aumento médio da temperatura do planeta se limite a 2 ? C, se comparado a temperatura do período pré-industrial. Esse é o patamar considerado seguro pelos cientistas que estudam o aquecimento global.
O relatório da Rede WWF foi elaborado pela empresa Climate Risk, conhecida pelo seu trabalho na área de mudanças climáticas para seguradoras e construtoras da área de infraestrutura.
O estudo concluiu que para os países que possuem economia de mercado, depois de 2014, o crescimento industrial desordenado tornará impossível o cumprimento das metas de redução necessárias para manter o aquecimento global abaixo de 2 ° C. O relatório também revela que as medidas de mercado por si só não serão suficientes para obter reduções de emissões na escala necessária e que atrasos no início dessa mudança econômica irá requerer níveis cada vez mais e diretos de intervenção na economia.
"A transformação vai exigir um crescimento de indústrias limpas e eficientes acima de 20% ao ano durante um período de décadas?, afirma Kim Carstensen, líder da Iniciativa Global da Rede WWF sobre Clima. "As modelagens do relatório Soluções Climáticas 2 mostram como podemos sustentar essas taxas de crescimento, mas também deixa claro que será a revolução industrial mais rápida que a humanidade já testemunhou?, aponta.
"O resultado deste relatório é, na verdade, um aviso pragmático, sério e urgente aos líderes mundiais de que há uma chance para deter o aquecimento global, mas temos de agarrá-la rapidamente", analisa Carstensen.
O caminho a seguir, de acordo com o relatório, é a ação simultânea de redução das emissões de gases de efeito estufa em todos os setores, com as medidas de mercado apoiadas por várias políticas como estabelecimento de padrões de eficiência energética, atribuição de tarifas diferenciadas para energias renováveis e o fim dos subsídios para a utilização de combustíveis fósseis.
Os modelos e dados históricos mostram que o desenvolvimento seqüencial das indústrias, que resultaria da confiança indevida em um único mecanismo, como o aumento do preço do carbono, tornará impossível o cumprimento das metas de redução de emissões a tempo. Indústrias que tentarem se adequar ao sistema depois terão de crescer mais rápido e serão mais duramente afetadas pelas de recursos disponíveis e especialização técnica.
"Esta análise mostra que podemos vencer a luta contra as mudanças climáticas perigosas se transformarmos todos os setores da nossa economia ao mesmo tempo, com foco em setores-chave e criação de ambientes de investimento estáveis a longo prazo que não busquem retorno dos investimentos no curto prazo", afirma Stephan Singer, líder da Iniciativa Global de Energia da Rede WWF.
Os setores que vão liderar essa transformação são geração de energia renovável, eficiência energética, agricultura sustentável de baixo carbono, políticas florestais sustentáveis e captura e armazenamento de carbono. Esta análise mostra que o Brasil deve se preparar hoje para um futuro de baixo carbono, atento a novas oportunidades e mantendo seu crescimento econômico competitivo e limpo.
Com a revolução industrial limpa em curso e apoiada por uma estrutura política forte, todas as fontes de energias renováveis se tornarão competitivas em comparação aos combustíveis fósseis entre 2013 e 2025. Essa é uma estimativa muito conservadora que se baseia em aumentos anuais de preços da ordem de 2% para os combustíveis fósseis e nenhuma elevação no preço do carbono.
"O vento, o mar e o sol vão custar o mesmo hoje, amanhã e no futuro, ao contrário do carvão", aponta Singer. "Esses elementos podem ser a base para um mundo mais limpo, onde o abastecimento de energia é mais seguro e temos mais chance de evitar o superaquecimento do planeta. Dessa forma, não estarão em risco nossas cidades, a produção de alimentos e o meio ambiente."
O Soluções Climáticas 2 calcula que o investimento extra a nível mundial deverá ser de 17 trilhões de dólares até 2050, ou 10 vezes o PIB brasileiro em 2008. Estima-se que o valor injetado volte aos bolsos dos investidores em 2027 e, em alguns casos, até mesmo antes.
Na área de tecnologias renováveis, o investimento acumulado em todo o mundo até 2050 totalizará 7 trilhões de dólares. Porém, espera-se que os investidores recebam de volta de cerca de seis vezes mais que o valor inicial.
"O relatório estabelece um limite que não podemos ultrapassar", diz Castensen. "Ele reforça que estamos num momento crucial de nossa história em que o que fizermos agora determinará o futuro da humanidade.?
"A base para essa transformação tem de ser estabelecida em Copenhague em dezembro, com a assinatura de um acordo global de clima justo, eficiente e ambicioso".
19/10/2009 12:00 AM
Não confunda o Original com cópias. Aqui seu anúncio é tratado com seriedade.
Site 100% Compativel com o Google Chrome - Versão Oficial 1583 v0.2.149.27 ou superior, Firefox 1.5 ou Superior e Safari 3 ou Superior.