New York Times
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Disney espera que o filme "Os fantasmas de Scrooge" faça jus ao seu marketing
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LOS ANGELES – A maioria dos marqueteiros de Hollywood ficaria frustrada em anunciar um filme de inverno no auge do verão. Mas não a Walt Disney Pictures, que chegou a New Orleans em agosto, para promover sua nova versão 3-D de “A Christmas Carol” (“Um Cântico de Natal”, conto clássico de Charles Dickens), filme cujo nome em português é “Os fantasmas de Scrooge”.
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Trem usado em campanha de marketing para anunciar o novo filme da Disney |
A cena com certeza foi Dickensiana. Encharcadas de suor, centenas de pessoas esperavam em um campo cheio de lama por horas, para passear em um trem cheio de exibições sobre o filme. “Isso vai além da miséria”, disse Kimberly Serpas, enquanto uma porção de libélulas voava em volta de seu filho de dois anos.
Ainda assim, o evento cumpriu seu dever. “Iremos vê-lo”, disse Serpas. “Finalmente as exibições fizeram o filme parecer interessante. Agora ele me deixou curioso”.
O que é necessário para convencer o mundo de que ainda é preciso mais uma adaptação de “Um Cântico de Natal”? Aparentemente, toda uma gama de atrações. Sob a pressão de ter de lançar um grande sucesso após ter uma queda em sua receita no último trimestre, os Studios Disney está dando suporte para o lançamento do filme no dia 6 de novembro com uma das campanhas de marketing mais elaboradas e custosas de sua história, ao menos para um filme de “live-action” (termo usado para designar técnica de animação feita com atores reais).
Turnê
Quando o primeiro trem com cinco comboios chegar ao Grand Central Terminal em Nova York, na sexta-feira, ele terá visitado 40 cidades, somando quase um milhão de visitantes e gerando uma imensa cobertura midiática. Cantores fantasiados apresentaram sequências no Festival Internacional de filmes de Cannes, em maio. Neve falsa cairá na estreia de Londres, um evento que acomodará quatro mil convidados.
O estúdio também está aproveitando todos os tipos de mídia possíveis. Há uma aplicação no iPhone chamada Scrooge, um quiz no Faceboook “naughty or nice” (mau ou bom, em tradução livre) e um jogo de videogame do tema no Disney.com.
Foi lançado na semana passada um website onde as pessoas do mundo todo podem criar enfeites virtuais e decorar uma árvore coletiva online. Some a isso uma televisão onipresente, letreiros de anúncios, além de uma miríade de relações de merchandising e, quando o filme for lançado, a Disney já terá bombardeado a maioria das almas frequentadoras de cinema do mundo com sua mensagem.
“O sucesso é muito importante para a empresa”, disse Mark Zoradi, presidente da Walt Disney Studios Motion Pictures Group.
Está em jogo mais do que as fortunas de um filme imensamente caro. A gigante da mídia está apostando que o filme, “Os fantasmas de Scrooge da Disney”, cujo gasto estimado da produção foi de US$ 175 milhões, consiga se tornar um investimento anual.
Se as pessoas gostarem do filme, que é estrelado por Jim Carrey em sete encarnações e dirigido por Robert Zemeckis, a Disney poderia relançá-lo todo ano, gerando um fluxo constante de vendas de DVDs e merchandising impulsionado pelas férias. Para pensar ainda mais além em seu ciclo de vida, a televisão anual poderia gerar uma receita significativa.
Erros e acertos
“O Expresso Polar”, dirigido por Zemeckis para a Warner Bros. Em 2004, é um exemplo. A companhia relança o filme todo ano, em novembro, e obtém resultados sólidos, arrecadando mais de US$ 300 milhões em bilheteria. O DVD se tornou um dos best-sellers do estúdio, mais de nove milhões de cópias foram vendidas somente na América do Norte, de acordo com uma pesquisa da companhia SNL Kagan.
A Disney era bem-sucedida em um nicho nesta área, com o “The Nightmare Before Christimas” (“O Estranho Mundo de Jack”, no título em português), um filme com o tema de Halloween, criado por TIM Burton e dirigido por Henry Selick em 1993. Mas sua versão de “Os fantasmas de Stooge” leva um risco significativo.
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Parte interna do trem promocional do filme "Os Fantasmas de Scrooge" |
Para os iniciantes, talvez esse seja um re-investimento na obra de propriedade intelectual mais investida da história. O romance de 1843 sobre um rabugento ganancioso que é visitado por três aparições na véspera de Natal é antigo o suficiente para ser de domínio público, e já foi adaptado para teatro, televisão e filme mais de 50 vezes nas últimas décadas, incluindo uma versão em que os personagens são cachorros.
“Ele nunca foi feito com a tecnologia moderna e com a talentosa atuação de Jim Carrey”, disse Zoradi, somado a um estilo visual “muito novo e muito distinto. É uma viagem em 3-D cheia de emoção do começo ao fim”.
Carrey interpreta Ebenezer Scrooge (em vários momentos de sua vida) e os três espíritos. Gary Oldman estrela como Bob Cratchit, Marley e Pequeno Tim. Zemeckis disse que esse filme sombrio é uma “versão graphic novel” desse conto clássico.
Carrey tem uma trajetória forte em temas de feriado – seu filme “O Grinch”, de 2000, foi um sucesso mundial – mas seu poder de atração no geral enfraqueceu nos últimos anos. As tentativas de ir além das palhaçadas (“Número 23”) já mostraram que não terão futuro e mesmo em filmes com temas mais familiares (“Desventuras em Série”) foram piores do que o esperado.
Zemeckis, que ganhou o Oscar por “Forrest Gump” e foi responsável pela trilogia “De Volta para o Futuro”, certamente sabe como lançar um sucesso de bilheteria. Mas sua recriação de “Cânticos de Natal” envolve um estilo de produção cinematográfica – o “motion capture”, ou mocap (captura de movimento) – com o qual as plateias ainda estão se adaptando.
Apesar de os freqüentadores de cinema terem reagido de uma boa forma em relação ao “Expresso Polar”, que serviu como um debute da tecnologia, eles rejeitaram amplamente esse estilo em “A Lenda de Beowulf”, dirigido por Zemeckis para a Paramount, em 2007, rendendo-lhes resultados fracos. Os cinéfilos reclamam que a tecnologia, que transformar os atores reais em figuras de animação computadorizada, pode acabar resultando em um efeito assustador de “olhos sem vida”.
Zemeckis disse várias vezes em entrevistas que a tecnologia evoluiu tanto que essas críticas se tornaram discutíveis. “Nós arrumamos os olhos”, disse ele ao website “Ain´t It Cool News”, feito por fãs, em julho.
Divergências
“O Cântico de Natal da Disney” se encontra em uma situação peculiar por chegar aos cinemas sem seu principal chefe: Dick Cook, que saiu da presidência do estúdio no mês passado após conflitos com Robert A. Iger, chefe-executivo da Disney. Sua abordagem no marketing – isto é, o passeio de trem interativo – piorou a relação.
Iger foi firme em impulsionar o estúdio a cortar custos de marketing e se preocupou com que o trem fosse um gasto grande demais para os recursos da empresa. Apesar de o passeio de 26 mil quilômetros e com duração de seis meses ter sido patrocinado pela Amtrak e a Hewlett-Packard, entre outras empresas, foi necessário um comprometimento pessoal muito forte no planejamento e administração, em favor dos interesses da Disney.
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Jim Carrey, no papel do protagonista Ebenezer Scrooge |
Um ônibus lotado de integrantes da equipe seguiu o trem em toda a rota, incluindo o Grand Canyon, Whitefish, em Montana, e Charleston, na Carolina do Sul. Os executivos da Disneylândia foram consultados sobre o controle das multidões e as unidades de ar-condicionado foram instaladas para as paradas em regiões de pleno verão. O próprio Cook demorou a aparecer no lançamento do trem em Los Angeles e também em Chicago, mas ele planeja estar em Nova York para a conclusão do passeio.
No que diz respeito às preocupações do estúdio, o trem tem sido um sucesso estrondoso, trazendo evidência à comunicação 3-D e gerando uma atenção profunda no público. Cerca de 40 mil pessoas foram para Los Angeles nos três dias e, em algumas cidades, as pessoas se fantasiavam de Papai Noel. A porta-voz disse que a experiência em New Orleans foi uma consequência infeliz do mal tempo e não um modelo das outras paradas.
“O Twitter se mostrou uma boa ferramenta para o trem”, disse Zoradi, comparando o artifício do marketing a um circo chegando à cidade. “As pessoas estão falando muito sobre ele”.
Por BROOKS BARNES
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26/10/2009 07:46 PM
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Lei para promover saúde reprodutiva divide filipinos
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MANILA, Filipinas - Gina Judilla já tinha três filhos quando tentou terminar uma gravidez. "Eu pulei escada abaixo, esperando que isso me fizesse abortar", ela disse. O feto sobreviveu e hoje é um menino de 8 anos de idade. Três anos depois, grávida novamente, ela bebeu uma mistura de ervas que supostamente induziria ao aborto. Também falhou.
Três anos atrás, em outra tentativa malsucedida de terminar uma gravidez ela tomou Cytotec, um remédio para o tratamento de úlceras gástricas amplamente conhecido nas Filipinas como a "pílula do aborto".
O que levou Judilla, uma manicure de 37 anos, a recorrer a tais medidas extremas é uma história pessoal de tormento familiar para muitas mulheres filipinas. Ela e seu marido desempregado são muito pobres - sem capacidade nem mesmo de comprar vitaminas para seu filho mais novo, muito menos enviar as duas crianças mais velhos à escola.
O aborto é ilegal nas Filipinas. O controle de natalidade e serviços de saúde relacionados estão há muito tempo disponíveis a quem pode pagar por eles no sistema médico privado, mas 70% da população é pobre demais e depende de cuidados subsidiados.
Em 1991, a responsabilidade em oferecer serviços de saúde passou das mãos do governo central às autoridades locais que decidem quais serviços serão oferecidos ao público.
Muitas comunidades responderam indisponibilizando o controle de natalidade.
Recentemente, no entanto, defensores do controle de natalidade têm feito progresso na sua campanha em mudar isso. Uma lei que espera aprovação do Congresso filipino, conhecida como Ato de Saúde Reprodutiva e Desenvolvimento Populacional, exigiria que os governos locais oferecessem serviços de saúde sexual gratuitamente, incluindo preservativos, pílulas de controle de natalidade e operações.
Também exigiria a educação sexual em todas as escolas, públicas e privadas, da quinta séria ao ensino médio.
Defensores da lei citam necessidades de saúde pública urgentes. Uma pesquisa governamental de 2006 com cerca de 46 mil mulheres descobriu que entre 2000 e 2006, apenas metade das mulheres filipinas em idade reprodutiva usaram algum tipo de controle de natalidade.
De acordo com o Instituto Guttmacher, uma organização sem fins lucrativos nos Estados Unidos que pesquisa políticas de saúde reprodutiva, 54% das 3,4 milhões de gestações em 2008 nas Filipinas não foram intencionais.
A maioria destas gestações não intencionais (92%) resultou da falta do uso de um controle de natalidade, afirma o instituto, e o resto de táticas de controle que não funcionaram.
Tentativas de ampliar os serviços de controle de natalidade encontraram resistência, conduzindo à derrota de vários projetos de lei no Congresso durante a última década.
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26/10/2009 10:55 AM
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Recessão leva mais adolescentes às ruas dos EUA
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MEDFORD, Oregon - Vestindo pijamas verdes encharcados, Betty Snyder, 14, caminhava sob um frio chuvisco no parque da cidade enquanto vários meninos mais velhos decidiam o que fazer com ela. Betty contou ter fugido de casa uma semana antes depois de uma violenta discussão com sua mãe.
Tremendo e de mal-humor, ela jurou que não voltaria a dormir sozinha atrás de cercas vivas no centro da cidade, onde os sem-teto mais velhos e os viciados em metanfetamina poderiam encontrá-la.
 Betty Snyder, de 14 anos, vive em um parque em Medford, Oregon / NYT
Os meninos também eram fugitivos. Mas ao contrário deles, Betty disse que foi descrita à polícia como desaparecida. Isto significa que se os meninos a deixassem passar a noite no seu acampamento escondido pela auto-estrada, eles arriscariam ser presos por abrigar uma fugitiva.
"Nós sempre nos deparamos com isso", disse um dos meninos, Clinton Anchors, 18.
No ano passado, segundo ele, ele e cinco outros adolescentes que vivem juntos pelas ruas ajudaram mais de 20 outros - alguns mais jovens, de até 12 anos - e os ensinaram a evitar predadores e a polícia, a sobreviver ao frio e encontrar comida.
"Nós sempre tentamos mandá-los para casa primeiro", disse Clinton, que fugiu de casa aos 12 anos. "Mas muitas vezes eles simplesmente não querem voltar, porque lá as coisas são muito ruins. Então nós nos tornamos sua nova família".
Nos últimos dois anos, oficiais do governo e especialistas viram um número cada vez maior de crianças abandonar suas casas em troca da vida nas ruas, incluindo muitos com menos de 13 anos.
Execuções hipotecárias, demissões, aumento no preço dos alimentos e do combustível, além da oferta inadequada de moradia barata levaram muitas famílias a situações extremas e a pressão chegou aos adolescentes e pré-adolescentes.
Estudos federais e especialistas neste campo estimam que pelo menos 1,6 milhão de jovens fogem ou são expulsos de casa por ano nos Estados Unidos.
Mas a maioria destes volta para casa em uma semana e o governo não realiza uma contagem ampla ou atualizada dos dados.
A melhor medida do problema pode ser o número de contatos com fugitivos realizados por programas financiados federalmente, que aumentou de 550 mil em 2002 para 761 mil em 2008, quando os métodos atuais de contagem foram iniciados. O número caiu em 2007, mas aumentou novamente no ano passado, e o número de programas federais de auxílio permaneceu o mesmo neste período.
Jovens demais para se hospedar em um hotel, assinar um contrato de aluguel ou até mesmo consegui um emprego, os jovens fugitivos geralmente sobrevivem vendendo drogas, mendigando ou se prostituindo, de acordo com o Painel Nacional de Fugitivos, a linha direta de crise nacional financiada pelo governo federal e criada em 1974.
Emprego legítimo foi difícil de encontrar no verão de 2009. O Departamento do Trabalho disse menos de 30% dos adolescentes conseguiram trabalho.
Em mais de 50 entrevistas durante 11 meses, adolescentes que se mantêm sozinhos em oito Estados contaram as histórias de sua horrível existência, que em muitos casos incluem dormir em prédios abandonados, ficar no sofá da casa de amigos e parentes, ou acampar em margens de rios e parques, depois de fugir ou serem expulsos de casa por famílias em crise financeira.
 Jovens montam acampamento em parques e margens de rio / NYT
Os jovens fugitivos gastam a maior parte de seu tempo evitando as autoridades, porque assumem que seriam enviados de volta para casa.
Mas frequentemente a polícia não está buscando por eles em casos de pessoas desaparecidas, e sim respondendo a reclamações de vadiagem ou ameaças.
Na verdade, dados federais indicam que normalmente ninguém procura pelos fugitivos, seja porque os pais não informaram seu desaparecimento ou a polícia lidou de maneira incorreta com os relatórios.
Em Adrian, Michigan, perto de Detroit, um menino de 16 anos vivia secretamente sozinho no apartamento de sua mãe, apesar de todas as utilidades terem sido desligadas depois que ela foi presa por violar sua liberdade condicional ao emitir um cheque sem fundos a um supermercado.
Em Huntington, West Virgínia, Steven White, 15, disse que depois de andar por um Wal-Mart 24 horas para ver que horas cada equipe de limpeza noturna terminava seu trabalho, ele começou a dormir em um sanitário público da loja.
"Você está basicamente livre e sozinho", disse Steven que fugiu de casa por causa do abuso físico que aumentou depois que seu pai perdeu o emprego no ano passado. "Mas você é uma criança, então é difícil de se esconder."
- IAN URBINA
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26/10/2009 10:25 AM
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Editorial: Gestão Obama precisa abandonar passos de Bush para garantir transparência
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A gestão de Obama se agarrou por tanto tempo às alegações da gestão Bush a respeito da segurança nacional e do poder executivo que corre o risco de transformar a prática do presidente George W. Bush de esconder informações em nome do combate ao terrorismo em uma tática adotada pela nova administração. Recentemente nós tivemos sinais claros do abandono das apaixonadas promessas de campanha de Obama em romper com os abusos de poder de Bush, uma mudança que nega justiça às vítimas de políticas voluntariosas do governo e protege as autoridades de serem responsabilizadas. Na Grã-Bretanha, no começo do mês, um painel da Alta Corte composto por dois juízes rejeitou argumentos feitos primeiramente pela equipe de Bush e agora pela de Obama e decidiu divulgar sete parágrafos redigidos em documentos de inteligência americanos em relação à tortura de um antigo prisioneiro detido em Guantánamo. O prisioneiro, Binyam Mohamed, um etíope de cidadania britânica, diz que foi torturado no Paquistão, Marrocos e em uma prisão da CIA perto de Cabul antes de ser transferido para Guantánamo. Ele foi libertado em fevereiro. Para impedir a divulgação destes parágrafos, a gestão Bush ameaçou cortar seu compartilhamento de inteligência com a Grã-Bretanha, uma ameaça imprópria que a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton repetiu. Mas o tribunal concluiu que o risco verdadeiro ao compartilhamento de inteligência era mínimo, dado o estreito relacionamento entre os dois países. O tribunal também encontrou "interesse público que impulsionou" a divulgação dos dados e disse que nada nos sete parágrafos - um resumo de evidências relacionadas ao envolvimento da segurança britânica na história de Mohamed - tinha relação com "inteligência secreta". A gestão Obama expressou descontentamento com a decisão e o governo britânico planeja apelar. Mas a corte estava claramente correta em reconhecer a importância de divulgação "por motivo de responsabilidade democrática e a imposição da lei". Nos Estados Unidos, a gestão Obama está em processo de apelação de uma correta decisão judicial tomada em abril em um processo civil movido por Mohamed e quatro outros homens. Todos foram vítimas do programa de extradição extraordinária do governo, sob o qual foram sequestrados e levados a países estrangeiros para interrogatórios e tortura. Naquele caso, a gestão Obama repetiu os descrentes argumentos da era Bush de que o braço executivo pode encerrar ações judiciais sempre que houver necessidade, em nome da segurança nacional. A decisão rejeitou este argumento e notou que a teoria do governo iria "efetivamente manter todas as ações secretas do governo fora do escrutínio judicial, imunizando a CIA e seus membros das exigências e limites da lei". A gestão Obama tem buscado agressivamente tal imunidade em numerosos outros casos além dos que envolvem Mohamed. Nós não levamos a sério a alegação do governo de que está tentando proteger dados de inteligência ou evitar danos à segurança nacional. As vítimas das "técnicas de interrogatório aprimoradas" da gestão Bush, inclusive Mohamed, já falaram em detalhes sobre seus maus tratos. O objetivo é evitar confirmação oficial de que erros foram cometidos, o que poderia levar a ações judiciais contra oficiais governamentais e contratados e ajudar criar um clamor público pela condenação dos responsáveis. Obama diz que isso é um exercício distrativo de se "olhar para trás". Mas na verdade, isto é justiça. Em uma medida semelhante, Obama mudou de posição em maio e decidiu resistir as ordens de dois tribunais federais para divulgar fotografias de soldados que abusaram de prisioneiros no Afeganistão e Iraque. Nas semana passada, a tempo de evitar uma possível revisão da Suprema Corte a respeito do assunto, o Congresso criou uma exceção ao Ato da Liberdade de Informação que deu ao Ministro de Defesa Robert Gates autoridade para reter as fotografias. Nós compartilhamos temores sobre inflamar sentimentos antiamericanos e prejudicar os soldados em combate, mas a melhor maneira de se evitar isso é demonstrar que esta nação virou a página das vergonhosas políticas de Bush. Esconder a dolorosa verdade mostra o oposto. Como a insistência em revindicações de segredo amplas demais, esta postura também evita o importante passo da prestação de contas, que é a única forma de garantir que os abusos dos anos de Bush não se irão se repetir. Nós pedimos que Gates use sua discrição para divulgar as fotografias, poupando os americanos de mais segredos. Leia mais sobre segredos de Estado
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26/10/2009 09:58 AM
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Hillary Clinton diz a Obama que ganhos no Oriente Médio são razoáveis
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WASHINGTON – No dia 22 de setembro, o presidente Barack Obama se reuniu com os líderes de Israel e da Autoridade Palestina em um importante encontro de três lados, no Waldorf-Astoria Hotel em Nova York. Na reunião, ele declarou, “já passou da hora de começarem as negociações, é hora de avançar”.Para esse fim, ele pediu a ambos os lados para mandarem diplomatas a Washington para um diálogo intensivo e deu instruções à secretária de Estado Hillary Rodham Clinton para reportá-lo sobre em ponto estava a questão em um mês.
Esse prazo chegou ao final na quinta-feira, e Clinton foi à Casa Branca com um relatório considerado escasso por diversas autoridades da administração: eles disseram que foi feito um pequeno progresso, mas em alguns aspectos o clima para o diálogo está, na verdade, pior agora do que estava há um mês.
“A secretária advertiu ao presidente de que os desafios permanecem conforme os EUA continuam a trabalhar com ambos os lados para relançar as negociações em um clima que propicie o sucesso”, disse a Casa Branca em um relatório sobre o encontro, que foi entregue a jornalistas.
O relatório repete, quase textualmente, os sinais de progresso que Obama citou em suas observações há um mês, em Nova York.
Israel expressou seu desejo em reduzir o número de construção de assentamentos, apesar de não ter concordado em fazer uma parada total, como Obama havia pedido.
A Autoridade Palestina reforçou suas segurança e instituições, mas não tanto o quanto a administração acha que seria certo.
O enviado especial de Obama, George J. Mitchell, ex-líder da maioria no Senado, fez separadamente um trabalho árduo em questões como a configuração das fronteiras de Israel, que poderia minar as negociações de paz mesmo antes de começarem.
Mas seu trabalho foi dificultado pelo furor sobre um relatório detalhando os crimes de guerra em Gaza, durante o 2008 e começo de 2009.
Israel criticou duramente o documento, conhecido como relatório Goldstone, que foi aprovado pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que promover o documento colocaria fim em qualquer chance de diálogo de paz.
A emissão do relatório também enfraqueceu politicamente o presidente da autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, porque inicialmente ele havia se submetido à pressão norte-americana para aceitar o adiamento do envio do documento para o Conselho de Segurança, antes de fazer o oposto. A forte reação entre os palestinos impulsionou a reviravoltade Abbas. Em seu encontro com Obama, Hillary Clinton afirmou que Mitchell cuidaria do assunto.
“Este é um relatório sem consistência”, disse Aaron David Miller, ex-negociador na questão do Oriente Médio.
“Assim que ele der um jeito na reforma da saúde e revisar o que já foi feito no Afeganistão”, disse Miller, “Obama poderá se concentrar nesse assunto”.
Por MARK LANDLER
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23/10/2009 09:23 PM
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Aceleração no crescimento econômico da China gera preocupações
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PEQUIM – O crescimento da economia chinesa, que já é uma das que mais crescem no mundo, acelerou ainda mais durante o terceiro trimestre deste ano, alimentando um debate sobre se, e quando, as autoridades chinesas começarão a controlar as medidas de estímulo. Impulsionada por um vasto crescimento dos empréstimos bancários, pelo generoso apoio governamental às exportações e um pacote de estímulo de US$ 585 bilhões, que está incentivando uma variedade enorme de projetos de construções, a economia chinesa cresceu 8,9% de julho a setembro, mais do que no mesmo período no ano anterior, de acordo com os números do governo divulgados na quinta-feira.
Relatórios econômicos independentes também mostraram, nesta quinta-feira, que as vendas no varejo e a produção industrial cresceram de forma marcante em setembro, ajudando a compensar a queda nas exportações, carro-chefe da economia chinesa, que permanece inabalável há 11 meses.
A taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) saltou de 7,9% no segundo trimestre, colocando a nação mais perto de alcançar um crescimento de 8%, nível que os economistas chineses dizem ser necessário para manter a estabilidade social e uma taxa de emprego saudável.
Apesar das boas notícias para as legiões de trabalhadores que perderam o emprego neste ano, a recuperação da China começou a gerar preocupação com o crescimento do mercado de ações e do preço dos imóveis, por ser potencialmente insustentável ou causar uma possível inflação.
“O governo está muito cauteloso para não começar outra bolha”, disse Alistair Chan, economista do site da Moody, Economy.com.
O sistema bancário estatal distribuiu um recorde de US$ 1,27 trilhão em novos empréstimos neste ano, e alguns analistas advertiram de que muito desse dinheiro acabaria em ações ou bens imobiliários.
O valor das propriedades na China continental subiu 73% neste ano. E o mercado de ações do país aumentou 80% durante os primeiros sete meses de 2009, antes de declinar com o recuo dos empréstimos bancários para níveis mais normais e com a ajuda de uma corrente de ofertas da iniciativa pública para saciar a sede por investimentos. O mercado de ações de Xangai ainda representa quase 67% do total neste ano.
Apesar do surgimento de possíveis bolhas no mercado de ações e de imóveis, algumas autoridades chinesas ainda advertem que a economia chinesa permanece em condições precárias e que, por enquanto, suas políticas expansionistas permanecerão estáveis.
“A economia chinesa está em um momento vital de recuperação e estabilização”, disse Li Xiaochao, porta-voz da Agência Nacional de Estatísticas, a jornalistas em Pequim, de acordo com a agência de notícias Reuters. “As bases da recuperação ainda não estão sólidas, a pressão da demanda externa ainda é grave e expandir nossa demanda interna, além de ajustar a estrutura de nossa economia ainda são tarefas árduas para nós”.
Os exportadores são importantes condutores da economia. Apesar de terem se recuperado um pouco, eles estão muito abaixo dos níveis de anos anteriores quando a economia Ocidental começava a emergir da recessão.
Como resultado, os economistas não esperam um passo muito grande na política monetária e econômica, como um aumento nas taxas de juros.
“Eles darão passos pequenos e administrativos”, disse Chan. Os analistas dizem que isso poderia incluir um aumento no montante de dinheiro que os bancos guardam como reserva ou o corte de empréstimos bancários.
No começo deste mês, a Austrália foi a primeira economia importante a aumentar as taxas de juros, revertendo alguns cortes agressivos que havia feito quando a recessão começou, no ano passado, em várias partes do mundo.
O aumento modesto da taxa no dia 6 de outubro foi de um quarto de ponto percentual e deixou a taxa principal baixa. Mas os números mostraram que algumas das economias mais flexíveis já estão prontas para começar a desenrolar medidas políticas extraordinárias que foram instituídas no auge da crise mundial.
As economias europeia, japonesa e norte-americana permanecem muito mais fracas do que a da China, ou mesmo que a da Austrália. A economia dos EUA encolheu 0,7% durante o segundo trimestre e espera-se que os números do terceiro trimestre, a serem divulgados na próxima semana, mostrem uma taxa de expansão anual de 3,1%.
Mesmo em economias menos dinâmicas, está havendo um debate político sobre se já é o momento propício para retirar os auxílios da economia, ou se recuar com as medidas emergenciais de estímulo prejudicaria a base da recuperação.
Além disso, as autoridades chinesas enfrentam o desafio de estabilizar a economia no longo prazo. Muitos economistas argumentam que o país precisa se desabituar da sua dependência das exportações e que a demanda interna precisa ser fomentada com o desenvolvimento nos sistemas de segurança social, na educação e no sistema de saúde – todos considerados cruciais para incentivar os cidadãos chineses comuns a economizar menos e gastar mais.
A crise no crédito causou um colapso na demanda da Europa e dos EUA no fim do ano passado, resultando em um sério declínio na exportação de bens provenientes da Ásia.
Apesar de o ritmo da queda ter se estabilizado, as exportações permanecem bem abaixo do nível do ano anterior. O Japão, por exemplo, divulgou na quinta-feira que as exportações de setembro foram 30,7% menores do que os números de setembro de 2008.
Chan disse que os dados da quinta-feira mostram que a China “se restabeleceu em relação a seu problema inicial, mas no final das contas, a economia ainda depende das exportações para os EUA”.
Por ANDREW JACOBS Leia mais sobre economia chinesa
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23/10/2009 07:56 PM
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Medo e desconfiança em relação à "gripe suína" fecham escolas no Iraque
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BAGDÁ – O medo do vírus da “gripe suína” (rebatizada de gripe A H1N1 pela OMS) resultou no fechamento de 2.500 escolas em todo o Iraque, o que de acordo com as autoridades de saúde é uma reação exagerada e de pânico. Muitos pais estão mantendo seus filhos em casa, sem deixá-los ir à escola ou fazendo-os usar máscaras cirúrgicas, enquanto outros reclamam que o Ministério da Saúde não fornece informações suficientes sobre a doença.
| NYT |
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Meninas com máscara de proteção voltam para casa após a aula, na escola para garotas de Al Shaheed, em Bagdá |
“Esse é um dos efeitos colaterais da democracia”, disse Dr. Jaleel Al Shimari, gerente-geral do Diretório de Saúde de Bagdá na seção de Karkh, acrescentando que a maioria das escolas fecharam sem autorização.
Desde agosto, quando 51 casos de “gripe suína” foram identificados entre as tropas dos EUA que estavam no Iraque, autoridades no país expressaram preocupações de que o vírus pudesse se espalhar entre os iraquianos.
Até agora, o Iraque tem apenas 121 casos confirmados de “gripe suína”, e três mortes, sem contar os militares americanos, de acordo com o Ministério da Saúde. Ainda assim, o medo no país tomou seu próprio curso, alimentado em muitos casos pela falta de comunicação ou desconfiança pública.
O Dr. Ihsan Jaafar, diretor-geral do Diretório de Saúde Pública no Ministério da Saúde, disse que o número de casos era insignificante, especialmente comparado a países vizinhos, onde as taxas de infecção foram muito maiores. Ele descreveu o fechamento das escolas fora de Bagdá como ilegais e culpou “anúncios irresponsáveis” de confundir as pessoas e criar pânico.
Shimari, do Diretório de Saúde de Bagdá, disse que o ministro instalou scanners térmicos no aeroporto para detectar as pessoas com febre que entrassem no país, mas uma pesquisa recente revelou que o equipamento não mostrou resultados. “Isso porque eles não paravam as pessoas que não tinham febre”, disse ele.
As escolas do Iraque fornecem um ambiente propício para a doença, com superlotações, falta de médicos e enfermeiras e más condições sanitárias. “A maioria das escolas não fornece serviços de saúde”, disse Safaa Nasif Dawod, diretor de um colégio para meninos, na vizinhança de Amiria, que foi a um encontro para escolas oficiais em Bagdá, na quinta-feira. Nesta semana, sua escola mandou para casa 17 garotos com sintomas da “gripe suína”.
“O maior problema é que não há funcionários de serviço ou limpeza suficientes”, disse Dawod. “A maioria das escolas precisa de uma reforma ou reconstrução em seus banheiros”. Lavar as mãos com frequência é uma forma de limitar a expansão da doença.
Veja as diferenças entre a "gripe suína" e a gripe comum:
Por JOHN LELAND
Leia mais sobre gripe suína
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23/10/2009 05:44 PM
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Rótulos de alimentos suecos passam a incluir dados sobre emissão de carbono
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ESTOCOLMO - Comprando mingau de aveia, Helena Bergstrom, 37, reconheceu ter ficado confusa com o rótulo que encontrou na caixa azul, "Clima declarado: .87 kg de CO2 por kg de produto". "Neste exato momento eu não sei o que isto significa", disse Bergstrom.
| NYT |
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Na Suíça, rótulos têm dados sobre emissões na
produção de alimentos |
Mas se um novo experimento local funcionar, ela e milhões de outros
suecos logo irão descobrir do que se trata. Os novos rótulos, que listam a
emissão de dióxido de carbono associada à produção do alimento, do macarrão de
trigo a hambúrgueres de fast food, já são usados em alguns artigos de
supermercado e cardápios de restaurantes de todo o país.
As pessoas que adoram comer podem achar isto uma bobagem. Mas os
especialistas acreditam que mudar a dieta de acordo com a emissão de carbono
pode ser tão eficiente em reduzir as emissões de gases causadores da mudança
climática quanto mudar o carro que se dirige ou não usar secadora de
roupas.
Algumas das novas diretrizes podem surpreender os não iniciados. Elas
recomendam cenouras ao invés de pepinos e tomates - porque os últimos dois
alimentos precisam ser cultivados em estufas no país, consumindo energia em
excesso.
Um pouco menos surpreendente é o fato dos suecos serem aconselhados a
substituir por feijão ou frango a carne vermelha, por causa das emissões de
gases causadores do efeito estufa associadas à criação de gado.
Muitos restaurantes suecos dizem que as exigências são exageradas. Ainda
assim, se as novas diretrizes alimentares fossem cumpridas religiosamente,
segundo alguns especialistas, a Suécia poderia cortar suas emissões na produção
de alimentos em um índice de 20% a 50%.
Estima-se que cerca de 25% das emissões produzidas por pessoas em nações
industrializadas podem ser rastreadas aos alimentos que elas comem, de acordo
com uma pesquisa local. E as emissões da produção variam muito de acordo com o
alimento.
Os consumidores que prestarem atenção poderão aprender que as emissões
geradas no cultivando do grão mais popular da Suécia, o arroz, é de duas a três
maior do que as da cevada, por exemplo.
Alguns produtores alegam que o novo programa é complexo demais e ameaça os
lucros. As recomendações para a dieta, que foram apresentadas não apenas na
Suécia mas na União Europeia como um todo, foram atacadas pela indústria de
produtores de carne do Continente, fazendeiros de salmão noruegueses e
cultivadores de óleo de palma malásios, para citar alguns
- ELISABETH ROSENTHAL
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23/10/2009 03:51 PM
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Objetivos da Nasa devem mudar, sugere relatório
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Preparando uma ampla reforma do programa de voos espaciais tripulados, um painel anunciou na quinta-feira que a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos) deve abandonar o projeto de um foguete que vem desenvolvendo para substituir os ônibus espaciais e esquecer pousos na Lua, por enquanto.Em um relatório de 157 páginas intitulado "Seeking a Human Spaceflight Program Worthy of a Great Nation" (Em Busca de um Programa Espacial à Altura de uma Grande Nação, em tradução livre) a maioria das propostas sugerida pelo painel de 10 membros sugere o envolvimento de companhias privadas para proporcionar aos astronautas uma visita à baixa órbita terrestre e substituir as aterrissagens na Lua por um "caminho mais flexível" - o sobrevoo da Lua e de Marte, além de visitas a asteróides e locais mais remotos, mas que não envolvam o desenvolvimento de uma aterrissagem complicada.
O relatório do painel não oferece muitas surpresas, além do que foi discutido em uma série de audiências ao longo do verão e divulgado em um resumo executivo no mês passado, mas explica os argumentos do painel em maiores detalhes.
O documento também concluiu que a Nasa não seria capaz de ir além da baixa órbita terrestre sem receber um aumento em seu orçamento de US$ 3 bilhões por ano. A agência passa por um "momento difícil", afirma o relatório, "principalmente devido a uma desigualdade de metas e recursos".
"Fundos adicionais precisam ser disponibilizados", o relatório continua, "ou um programa mais modesto que envolve pouca ou nenhuma exploração precisa ser adotado".
Além de descontentamento com a atual posição da Nasa, a gestão Obama deu pouca indicação a respeito de qual opção poderá escolher, ou se irá apoiar o aumento do orçamento para a agência ou mesmo quando isso será decidido.
De acordo com os planos atuais da Nasa, desenvolvidos depois da perda do ônibus Columbia em 2003, os três ônibus espaciais restantes serão aposentados no próximo ano depois da conclusão da Estação Espacial Internacional.
Uma nova série de foguetes deveria levar os astronautas novamente à Lua em 2020. Para que a Nasa continue a operar a estação espacial até 2020 (cinco anos mais do que atualmente planejado) e ainda chegar à Lua, o programa atual precisaria de US$ 159 bilhões entre 2010 e 2020, calculou o painel, muito mais do que os US$ 100 bilhões delineados pela gestão Obama para o orçamento atual permitem.
O painel disse que US$ 100 bilhões não serão suficientes para qualquer tentativa de se deixar a órbita terrestre, mas que pode haver outras possibilidades se US$ 128 bilhões em investimentos forem arrecadados na próxima década de fontes privadas.
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23/10/2009 01:06 PM
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Insurgentes compartilham nome, mas têm objetivos diferentes
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WASHINGTON - Em busca de uma nova política para o Afeganistão, a gestão Obama enfrenta um complexo quebra-cabeça geopolítico: dois governos cercados por inimigos, no Afeganistão e Paquistão; numerosas milícias alinhadas com facções islâmicas que se sobrepõe; e escondido no meio das facções, o inimigo que trouxe os Estados Unidos à região oito anos atrás, a Al-Qaeda.
| Reuters |
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Soldados afegãos montam guarda em Cabul |
Mas no centro da confusão estão os dois movimentos Taleban, o afegão e o paquistanês. Eles compartilham uma ideologia e uma etnia predominantemente Pashtun, mas têm histórias, estruturas e metas diferentes que seu nome em comum pode ocultar e não explicar, dizem alguns especialistas regionais.
"O fato deles terem o mesmo nome gera todo tipo de confusão", disse Gilles Dorronsoro, francês estudioso do Sul da Ásia atualmente no instituto de pesquisas Dom para Paz Internacional em Washington.
Embora ambos os grupos ameacem interesses americanos, o Taleban afegão - a palavra Taleban significa "estudantes religiosos" - é o inimigo primário do país, realizando ataques diariamente contra as 68 mil tropas americanas no Afeganistão.
O maior medo de Washington é que se o Taleban afegão tomar conta do país, o grupo pode tirar os líderes da Al-Qaeda de seu esconderijo paquistanês e aceitá-los de volta no Afeganistão.
Os recentes ataques do Taleban paquistanês contra o governo do Paquistão podem ter prejudicado as relações com o Taleban afegão, disse Richard Barrett, ex-oficial de inteligência britânico que localiza células da Al-Qaeda e do Taleban para as Nações Unidas.
O Taleban afegão sempre teve uma relação íntima com as agências de inteligência paquistanesas, disse Barrett recentemente. "Eles não gostam do modo como o Taleban do Paquistão tem combatido o governo do país e causado inúmeros problemas no país", ele explica.
O Taleban afegão, cujo grupo é sem dúvida o mais antigo dos dois, é conduzido pelo Mulá Muhammad Omar desde que ele fundou o movimento em 1994.
Em comparação, segundo Dorronsoro, o Taleban paquistanês era uma coalizão muito mais dispersa, unida apenas por sua inimizade ao governo paquistanês. Ele emergiu formalmente em 2007, como uma força separada.
Para os Estados Unidos, segundo especialistas regionais, o desafio a longo prazo é criar políticas que tirem tantos militantes quanto possível de ambas as forças do Taleban, isolando a Al-Qaeda e outras entidades linha dura e fortalecendo os governos do Paquistão e Afeganistão.
Mas para os Estados Unidos, uma superpotência não-muçulmana, amplamente ressentida na região, a tarefa pode ser difícil.
"No momento o terreno não está muito bem preparado para se dividir os grupos militantes", disse Stephen Biddle, estudioso do Conselho de Relações Estrangeiras, que passou um mês no Afeganistão. "As tendências de segurança estão a favor deles".
Por SCOTT SHANE
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23/10/2009 12:46 PM
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Filme sobre golfinhos causa revolta no Japão
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TÓQUIO - Durante anos, a caça aos golfinhos no litoral da cidade de Taiji, que torna as águas do mar vermelhas por causa do sangue derramado a cada inverno, atraiu a raiva de ativistas ocidentais. Mas poucas pessoas entre o público japonês pareciam se importar, ou até mesmo saber, a respeito da matança.Isso pode mudar com as primeiras exibições públicas de "The Cove" (A Angra", em tradução literal), um documentário americano que usou câmeras escondidas para filmar as caças de golfinho anuais em Taiji.
Na quarta-feira, os frequentadores de cinemas japoneses vislumbraram as cenas pela primeira vez no Festival de Cinema de Tóquio, realizado esta semana na cidade.
Taiji não é a única comunidade que caça golfinhos, milhares dos quais são mortos em todo o mundo intencionalmente ou por ficarem presos nas redes de pescadores. Mas os pescadores de Taiji são caçadores notórios, batendo em metais para agrupar golfinhos apavorados em uma angra e depois os atacando com lanças até sua morte, no que os manifestantes descrevem como uma atividade desumana.
 Fotografia sem data mostra pescadores em Taiji batendo contra metais para agrupar golfinhos apavorados em uma angra / NYT
O Japão matou aproximadamente 13 mil golfinhos em águas litorais em 2007, de acordo com a agência de pescas do país, dos quais aproximadamente 1.750 foram foram abatidos em Taiji. O Japão também caça baleias usando uma brecha na moratória de 1986 à atividade, que permite matar baleias para pesquisa - apesar das presas para pesquisa acabarem nos supermercados japoneses.
"Eu fiquei chocado. As imagens do mar ficando vermelho são especialmente chocantes", disse Yukiko Ishizawa, 18, estudante universitário de Tóquio que viu o filme na quarta-feira.
Apesar da recepção entusiasmada ao filme no festival - muitos aplausos foram concedidos ao final da exibição - ainda não se sabe se ele irá levar a um debate público mais amplo.
A caça de baleias e golfinhos é considerada uma parte importante do sustento tradicional do Japão e de sua cultura culinária, uma prática a ser defendida contra interferência estrangeira. (Embora apenas uma minoria de japoneses coma carne de baleia, e menos ainda comem golfinhos).
Também há um tabu forte na mídia japonesa contra qualquer crítica aos fazendeiros e pescadores do país, geralmente descritos como defensores heróicos de um modo de vida que está desaparecendo rapidamente. A cobertura a respeito do filme tem sido escassa e seus produtores ainda não encontraram um distribuidor no país.
O Festival de Cinema inicialmente rejeitou "The Cove" por ser muito controverso, mas mudou sua decisão no último minuto depois do apoio de nomes importantes de Hollywood, como Ben Stiller, que se interessou pessoalmente pelo assunto. Porém, o festival divulgou uma declaração dizendo não ter nenhum envolvimento com a produção do filme.
“A sensação aqui é que precisamos respeitar as diferenças culturais", disse Testsu Sato, professor de gerenciamento ambiental da Universidade de Nagano. “Por que deveria haver um debate sobre o assunto?”
A cooperativa de pesca de Taiji exigiu que o festival não exibisse “The Cove”, acusando os produtores de invasão de propriedade para conseguir as imagens e de fazer acusações falsas.
A cidade contratou um advogado e se prepara para uma ação judicial, afirmou um oficial na quarta-feira. O advogado, Shozaburo Ishida, não quis comentar o assunto.
Enquanto isso, a caça aos golfinhos irá continuar conforme o planejado durante a temporada que vai se setembro até fevereiro, disse a agência de pesca do Japão.
Em sua caça em setembro, pescadores de Taiji capturaram 10 golfinhos de um grupo de 100 para vender a aquários, enquanto 50 baleias foram mortas e enviadas aos mercados.
- HIROKO TABUCHI
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23/10/2009 11:04 AM
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Editorial: Contagem regressiva pra retirada do Iraque não resolve impasse eleitoral
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O principal diplomata americano no Iraque, Christopher Hill, e o comandante americano no país, o general Ray Odierno, têm debatido há muitos meses a respeito do envolvimento dos Estados Unidos na política iraquiana. Hill, aparentemente, quer dar aos iraquianos espaço para que tomem suas próprias decisões. Odierno - de olho na contagem regressiva para a retirada das tropas - argumenta por uma postura mais prática.
O impasse a respeito da lei eleitoral do Iraque deveria resolver este debate de uma vez por todas.
Os líderes políticos do Iraque precisam de um empurrão, se há ser qualquer esperança de se retirar as tropas americanas dentro do prazo e garantir que o país que elas deixarão para trás não volte a enfrentar conflitos armados.
A constituição do Iraque afirma que eleições nacionais devem ser realizadas antes do dia 31 de janeiro de 2010. Quando o presidente Barack Obama prometeu retirar as tropas de combate até o final de agosto, estava subentendido que haveria um novo governo sólido no país.
Cada semana de atraso dificulta que isto se torne realidade. Sem uma lei, não pode haver eleição, um novo governo e progresso real nas questões que continuam a atingir a dividida sociedade iraquiana, incluindo uma adiada lei para a paridade dos lucros do petróleo e uma decisão sobre quem - curdos ou árabes - controlará a disputada cidade de Kirkuk.
Depois da brutal ditadura de Saddam Hussein e os recentes anos de uma quase guerra civil, é um alívio ver iraquianos xiitas, sunitas e curdos resolverem seus conflitos no Parlamento, e não nas ruas. Mas a situação ainda é frágil e as forças ansiosas em reacender a violência ainda não desistiram. As eleições e as reformas políticas têm que avançar.
A disputa a respeito da lei eleitoral se concentra na questão dos eleitores poderem votar em partidos ou indivíduos. O voto em indivíduos é preferível porque oferece uma conexão mais direta entre os políticos e seu eleitorado e ajuda a debilitar partidos de base étnica.
A segunda, e mais difícil questão, é a de quem poderia votar em Kirkuk. Saddam expulsou os curdos da região. Agora os árabes alegam que o governo regional curdo está enchendo a cidade de curdos para sustentar suas reivindicações territoriais.
O problema de Kirkuk pode levar anos para ser solucionado. Para acabar com o impasse, apenas os eleitores na lista atual de votantes deveriam ser considerados - nenhum eleitor legítimo seria privado de seus direitos - sabendo que isso não prejudicará a decisão a respeito do futuro de Kirkuk.
O prazo final para a lei eleitoral era dia 15 de outubro e os planejadores dizem que serão precisos vários meses para se organizar um pleito. Políticos iraquianos precisam levar a sério a necessidade de um acordo. Autoridades americanas de todos os cargos, até Obama, precisam usar todos os seus recursos para pressioná-los a chegar a este acordo.
Estamos surpresos que o primeiro-ministro Nouri Kamal Al-Maliki tenha optado por estar em Washington para uma conferência de investimento esta semana. O Iraque precisa desesperadamente de investimento estrangeiro, mas sem eleições e a esperança de estabilidade, ninguém vai investir.
A Casa Branca precisou usar de muita persuasão para conseguir que o presidente Hamid Karzai do Afeganistão consentisse em um novo pleito esta semana. Diplomatas americanos em Bagdá buscam um acordo a respeito da lei eleitoral, mas não há sinal da mesma atenção e envolvimento.
Quando esboçou sua estratégia para o Iraque em fevereiro, Obama prometeu que mesmo conforme a América se preparasse para partir, o país seria um "mediador honesto na busca por acordos duradouros em questões que dividem os líderes iraquianos". O Iraque vive um momento crítico. Claramente, o país precisa de um mediador honesto - e muito mais.
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23/10/2009 10:54 AM
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