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BBC


Micheletti pede que população vote e critica Chávez

O presidente interno de Honduras, Roberto Micheletti, atualmente afastado do cargo para a realização das eleições presidenciais, criticou neste sábado o líder venezuelano, Hugo Chávez, e pediu para que a população compareça às urnas no domingo. "Ele (Chávez) continuará boicotando o direito dos hondurenhos de sermos livres", disse ele à rádio HRN.Este boicote, segundo Micheletti "continuará por meio de qualquer outro estadista da América do Sul que estiver sob sua esfera de influência", disse ele.

"Diante disso, digo aos hondurenhos, vamos votar em massa, eleger um novo presidente, mas também apoiá-lo porque vão existir influências enormes boicotando o novo mandato", completou.

Apesar de a maioria da comunidade internacional não reconhecer o pleito hondurenho, Micheletti afirmou que estas vão ser "as mais supervisionadas" eleições.

Ele disse ainda que as Forças Armadas e a polícia estão preparadas para evitar qualquer ato de violência.

Micheletti afirmou esperar que "os fascínoras que explodem artefatos" não consigam matar ninguém.

Bombas
Neste sábado a polícia hondurenha disse ter descoberto material explosivo próximo de Tegucigalpa.

Além de dinamite e instruções para o preparo de bombas, foram apreendidas uma motocicleta e um carro, usados supostamente para arremessar explosivos nos ataques à bomba da semana passada, inclusive contra a Rádio América, pró-governo. Apenas uma mulher ficou ferida nas explosões.

No domingo, cerca de 4,6 milhões de hondurenhos votarão para presidente, prefeito e parlamentares.

O candidato favorito para vencer é o conservador Porfírio 'Pepe' Lobo.

Crise
A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país, e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.

Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

28/11/2009 09:03 PM

Polícia sueca inocenta marido e diz que alce matou mulher

Um homem que foi preso na Suécia sob suspeita de ter matado a própria esposa foi inocentado depois que a polícia decidiu que ela provavelmente foi morta por um alce. Ingemar Westlund, de 68 anos, encontrou o corpo de sua esposa Agneta, de 63 anos, em uma lago próximo à vila de Lofthammer, em setembro do ano passado.Ele foi preso no mesmo dia e mantido sob custódia por dez dias. Por várias semanas, ele foi considerado o principal suspeito do crime.

Mas o caso contra Westlund foi abandonado depois que análises forenses detectaram pelos e saliva de um alce nas roupas da mulher.

"Minha família e eu fomos arrastados para este pesadelo", disse ele ao jornal sueco Expressen.

A última vez que Agneta havia sido vista foi levando o cachorro da família para passear na floresta. Westlund disse que ela sumiu e que foi procurá-la.

As acusações contra o sueco foram abandonadas há cinco meses, mas o caso só foi revelado publicamente nesta semana. A polícia de Lofthammer pretende dar uma entrevista coletiva à imprensa nos próximos dias para esclarecer o caso.

Os alces mais comuns na Suécia, em geral, têm medo de pessoas e fogem ao avistarem humanos. Mas, segundo relatos da imprensa sueca, os animais podem se tornar agressivos, especialmente os que se alimentam de maçãs caídas em jardins, que ficam fermentadas com o tempo.

28/11/2009 07:27 PM

Mais de 70 morrem em naufrágios no Congo

A Cruz Vermelha afirmou neste sábado que pelo menos 73 pessoas morreram na República Democrática do Congo em naufrágios ocorridos esta semana no país. O incidente ocorreu no lago Mai-Ndombe.Segundo relatos da imprensa local, duas embarcações navegavam juntas no lago, amarradas por uma corda, e as duas naufragaram.

Uma delas era uma embarcação de carregamento de madeira, que não tinha permissão para transportar passageiros, afundou na quarta-feira devido ao mau tempo.

O presidente da Cruz Vermelha no país, Dominique Lutula, disse, em entrevista a uma rádio local, que 270 pessoas sobreviveram, mas que ainda há desaparecidos.

O lago fica a 400 quilômetros da capital Kinshasa, na província de Bandundu.

28/11/2009 05:45 PM

Enchentes isolam e deixam brasileiros sem trabalho na Irlanda

As chuvas torrenciais que deixaram cidades inteiras da Irlanda alagadas, nas últimas semanas, também prejudicaram os moradores do "Pequeno Brasil", como ficou conhecida a cidade de Gort, no oeste do país, por sua grande comunidade brasileira. Já afetados pela falta de trabalho provocada pela atual crise econômica mundial, os brasileiros de Gort se viram ainda mais prejudicados por causa das enchentes na cidade, que chegou a ficar praticamente isolada durante a semana passada."Os patrões que vêm buscar a gente de carro para o serviço não vêm mais porque não tem acesso", disse à BBC Brasil o desempregado Angelo Miguel que, assim como os demais brasileiros, sai todo dia de manhã cedo para a "pedra" - em uma esquina de Gort, eles esperam ser recrutados pelos próprios empregadores para o dia de trabalho.

"A maioria das fazendas onde trabalhamos está alagada. Os galpões onde eles põem as vacas, o gado... Não temos condições de trabalhar", constata.

Crise
Com o mês de novembro mais chuvoso da história da Irlanda e com a previsão de novos temporais, os brasileiros também estão tendo que se preocupar com o nível das águas, que ainda cresce na região oeste do país, segundo o Instituto de Meteorologia Irlandês.

"Eu já pensei em ir embora por medo, nós estamos muito preocupados", disse à BBC Brasil Zélia Rosa de Jesus, que conseguiu conter a proximidade da água colocando sacos de areia em sua porta. "Mas se continuar a chover, eles não vão conseguir mais conter a água."
Gort, que fica no oeste da Irlanda, é uma pequena cidade que cresceu com a vinda dos brasileiros, a maior parte deles de Anápolis (GO).

No auge do boom econômico local, os brasileiros chegaram a representar 60% dos moradores da localidade, que na época tinha pouco mais de 3 mil habitantes.

Mas, desde o início da crise em 2008, a estimativa é de que mais de 800 deles já tenham voltado para o Brasil.

A construção civil, área onde muitos dos brasileiros trabalhavam, praticamente parou na Irlanda. Agora, o que resta são alguns serviços com pintura, em fazendas ou na construção dos tradicionais muros de pedra.

Otimismo
Mas apesar dos prejuízos e da falta de trabalho causados pela chuva, há quem acredite que o mau tempo ainda vai beneficiar os brasileiros a médio prazo.

Frank Murray, autor de uma pesquisa da ONG Combate à Pobreza e da Universidade de Dublin sobre as causas e os efeitos da pobreza entre os brasileiros sem documentação, acredita que com a recuperação das áreas atingidas, a oferta de trabalho para os imigrantes vai crescer.

"Os brasileiros são bem disponíveis para este tipo de trabalho. Será um processo que precisa de muita mão-de-obra, e os brasileiros têm ótima reputação, são muito conhecidos", ressalta Murray.

Apesar do desânimo trazido pela chuva, alguns brasileiros também já pensam nesta possibilidade. "Os pisos vão estar destruídos, as fazendas vão precisar de limpeza, vai ter muito serviço", diz Lauricio Alvez da Silvia.

28/11/2009 04:25 PM

Bomba caseira é encontrada no local de acidente com trem na Rússia

O diretor do serviço de inteligência doméstico da Rússia, Alexander Bortnikov, anunciou que o descarrilamento de um trem com quase 700 pessoas a bordo, na noite de sexta-feira, foi provocado por uma bomba. Bortnikov disse que foi encontrado artefato de fabricação caseira com o equivalente a cerca de 7 kg de explosivos.Pelo menos 26 pessoas morreram e quase cem ficaram feridas no incidente, que ocorreu em uma área rural quando o trem viajava de Moscou a São Petersburgo, uma das rotas mais movimentadas do país.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou, Richard Galpin, outras 18 pessoas continuam desaparecidas.

Explosão e fumaça
As supeitas de bomba surgiram quando uma cratera foi encontrada perto dos trilhos no local onde pelo menos três vagões descarrilaram.

Em uma chamada telefônica ao serviço de emergência retransmitida pela mídia russa, o condutor do trem avisa ter havido uma explosão embaixo do veículo e que estava vendo muita fumaça.

O governo russo ainda não se pronunciou sobre possíveis suspeitos por trás do incidente.

Centenas de pessoas estão trabalhando desde a madrugada deste sábado para ajudar a resgatar as vítimas.

Em 2007, uma bomba na mesma linha de trem, uma das mais movimentadas da Rússia, deixou aproximadamente 30 passageiros feridos.

28/11/2009 01:19 PM

Eleição coloca em xeque posição brasileira sobre Honduras

A realização de eleições em Honduras, sem que o presidente deposto, Manuel Zelaya, tenha sido restituído ao cargo, colocará o governo brasileiro diante de uma discussão delicada: como levar adiante a promessa de não reconhecer o novo presidente, especialmente se os hondurenhos comparecerem em massa às urnas. A posição pública do Palácio do Planalto é de que o reconhecimento da eleição, neste domingo, significa "legitimar o golpe", que em junho forçou a saída de Zelaya do poder e do país.A promessa do governo brasileiro, se colocada em prática, poderá resultar no congelamento das relações diplomáticas entre os dois países. Entre as consequências práticas, estão o fechamento da embaixada e a suspensão de acordos.

Segundo um diplomata brasileiro, existem ainda implicações políticas. "Estaremos isolando um país pequeno e que pode ter, neste domingo, uma eleição democrática, com um comparecimento significativo. O Brasil tem uma discussão difícil pela frente", disse ele à BBC Brasil.

De acordo com a mesma fonte, oficialmente o governo não tem um "Plano B" para Honduras. "Não antecipamos cenários. As avaliações têm sido feitas com base em fatos concretos. E ainda há muito o que acontecer nos próximos dias", afirmou.

Congresso
Além das eleições, neste domingo os negociadores estarão atentos à decisão do Congresso Nacional de Honduras sobre a restituição ou não de Zelaya ao poder.

Na quinta-feira, a Suprema Corte de Justiça deu seu parecer sobre a questão, aconselhando os parlamentares a rechaçar a restituição do mandatário eleito.

Com a recomendação da Corte, reduziu-se ainda mais a possibilidade do retorno de Zelaya ao poder. Na avaliação do governo brasileiro, uma saída seria o presidente eleito convencer sua bancada no Congresso a aprovar a restituição de Zelaya.

"Ainda que o eleito seja Pepe Lobo (oposição a Zelaya), ele também tem interesse em ver seu governo legitimado pela comunidade internacional", diz uma fonte do Palácio do Planalto.

Apesar de a possibilidade existir, ela é "pequena", segundo essa mesma fonte. No governo brasileiro, a realização da eleição sem Zelaya é tida como "fato consumado".

Alguns países, entre eles os Estados Unidos, já declararam que vão reconhecer o novo presidente de Honduras desde que o pleito ocorra com transparência e liberdade de expressão.

Recado
A principal preocupação do governo brasileiro é com o recado que será dado aos países da região.

"Nossa preocupação é que introduzam a tese do golpe preventivo na América Latina", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na avaliação do Itamaraty, a região tem um histórico de instabilidade política e que é preciso "combater qualquer estímulo nesse sentido".

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, diz que o novo regime não deve ser aceito e que a "tendência é Honduras ser expulsa da OEA".

No dia 4 de dezembro, os 24 países-membros da OEA se reúnem para avaliar as eleições em Honduras e, possivelmente, o futuro do país na organização.

Tratamento
Questionado pela BBC Brasil, o Itamaraty disse que não comentaria, neste momento, que tratamento será dado a Honduras caso o Brasil não reconheça o novo presidente.

Uma fonte diplomática, que acompanha de perto o assunto no Ministério, diz que essa discussão "ainda não aconteceu". "Até o dia 27 de janeiro, o presidente é o Zelaya. Mas após essa data, não sei com quem falaremos em Honduras ou mesmo se falaremos com alguém", diz.

O especialista em Relações Internacionais e professor aposentado da Universidade de Brasília Amado Luiz Cervo diz que a postura brasileira, se mantida, levará a uma situação "no mínimo, curiosa".

"A tradição brasileira é a de reconhecer mesmo as eleições mais polêmicas", diz. "Temos um exemplo recente, que foi a eleição de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã", acrescenta.

Para ele, o Brasil está adotando uma postura "radical" no caso de Honduras, ao condenar uma eleição que "ainda nem aconteceu e que pode resultar no congelamento das relações diplomáticas com aquele país".

"O Brasil tem relações com regimes questionáveis, como o da Coreia do Norte e do Zimbábue. Será no mínimo curioso não termos com Honduras", diz o especialista.

28/11/2009 11:52 AM

Mídia hondurenha retrata pleito como 'festa' ou 'massacre'

A grande polarização que Honduras vive em meio sua crise política é refletida nos cenários bastante díspares que a mídia vem retratando às vésperas das eleições presidenciais de domingo. Jornais, propagandas e programas de TV do governo interino vêm se referindo frequentemente ao pleito como "a grande festa eleitoral".Estes veículos ressaltam números superlativos, como a quantidade de candidatos, incluindo independentes, e de jornalistas estrangeiros credenciados para cobrir o evento.

"Nunca o mundo todo prestou tanta atenção às eleições hondurenhas", dizem jornais que apoiam o governo interino.

Violência
Já a imprensa oposicionista, que pede o boicote ao pleito, afirma que existem indícios sólidos de que grupos armados planejam o "massacre de mais de mil pessoas no dia das eleições", segundo reportagem publicada no jornal El Libertador.

De acordo com o diário, a denúncia é feita pelo presidente do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos de Honduras, Andrés Pavón, que afirma que o objetivo da violência é reconduzir os militares ao poder.

Pavón diz ainda que a organização já se prepara para cuidar das vítimas.

"É perigoso votar!", diz o título da reportagem.

Ceticismo
A disparidade nos relatos parece estar estimulando o ceticismo em muitos eleitores.

"Não acredito em ninguém, nada que se lê ou vê na televisão é verdade, é tudo propaganda", disse à BBC Brasil o eletricista Danilo.

"O governo fala que muitos jornalistas estrangeiros estão aqui, mas não diz que é, em boa parte, porque os golpistas fizeram algo errado que chamou a atenção mundial", diz ele, que afirma não preferir nem Zelaya nem Micheletti.

"Não os suporto... na verdade nem acho eles muito diferentes. Eram do mesmo partido, não?"
Apesar do ceticismo de Danilo e de outros, a reportagem da BBC Brasil também encontrou hondurenhos que se dizem temerosos de sair de casa no domingo.

Talvez para tentar conter os boatos, o governo de fato emitiu na sexta-feira um comunicado dizendo que a segurança dos eleitores será garantida.

Tanto oposição como situação parecem concordar que o índice de comparecimento eleitoral no domingo pode ser uma arma política interessante.

Um grande número de votantes daria legitimidade às eleições, ao passo que um comparecimento menor do que os 55% registrados no último pleito agradaria os partidários do presidente deposto, Manuel Zelaya.

O fato de Zelaya seguir refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa divide a opinião pública internacional, com países, inclusive o Brasil, dizendo que por isso não reconhecerão o pleito, e outros, como os EUA, que afirmam que consideram o processo eleitoral legítimo, apesar da situação do líder eleito.

Crise
A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país, e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.

Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

28/11/2009 11:20 AM

Brasil deve tentar complementar EUA na América Latina, diz Enrique Iglesias

O secretário-geral da Cúpula Ibero-Americana, o uruguaio Enrique Iglesias disse, em entrevista exclusiva à BBC Brasil, que o Brasil não deve tentar ser um contraponto aos Estados Unidos no protagonismo político na América Latina, mas sim ser complementar ao país norte-americano. "O Brasil é uma grande potência no mundo inteiro, particularmente na América Latina.Portanto, precisamos de todo o mundo, precisamos da cooperação com os Estados Unidos, com o Brasil, com a Europa. Portanto, temos de ver o Brasil não como contraponto, mas como complemento", afirmou Iglesias em Lisboa, onde dirige a 19ª Cúpula Ibero-Americana, a partir deste domingo.

Pelo menos 18 dos 22 chefes de Estado da região confirmaram sua presença. Ficam faltando Honduras - porque o governo golpista não é aceito -, além de Uruguai e Bolívia, por estarem em processos eleitorais. Seguindo a tradição adotada por Fidel Castro, o presidente cubano Raúl Castro não confirmou sua presença, mas tampouco afirmou que não vem, e poderá aparecer na última hora.

A reunião vai ocorrer em meio a vários conflitos na América Latina: a questão presidencial em Honduras, a tensão entre Colômbia e Venezuela por causa das bases norte-americanas em território colombiano e as acusações de espionagem do Peru ao Chile, que fez com que a delegação peruana abandonasse a reunião do Grupo de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec).

Iglesias acredita que a reunião em Portugal, especialmente os encontros bilaterais que normalmente ocorrem em paralelo, poderão resolver esses conflitos.

"Acredito que prevalecerá a capacidade de diálogo. A presença dos chefes de Estado é muito importante para facilitar as conversações. Esta seria a maior contribuição que podemos dar para a resolução desses conflitos. A verdade é que a América Latina tem uma grande capacidade de diálogo e solução de conflitos e acho que vai resolver estes também de uma forma pacífica."
Segundo Iglesias, na reunião a portas fechadas, os presidentes deverão discutir uma posição para a Conferência sobre o Clima, que vai ocorrer em Copenhague, na Dinamarca, de 7 a 18 de dezembro.

"Seguramente, no encontro fechado dos chefes de Estado isso vai fazer parte das discussões e é possível que alguma resolução ligada ao tema do clima apareça nos textos finais da conferência. Os países devem tomar a posição de defender o compromisso dos grandes países poluidores, os Estados Unidos e a China, com a redução das emissões de carbono e também compromissos dos próprios países latino-americanos."
Democracia
Em relação a Honduras, a Cúpula Ibero-Americana tomou uma posição dura de defesa da legitimidade democrática do presidente Manuel Zelaya, afirmando que não aceitaria na reunião a presença de representantes do governo de Roberto Micheletti.

"Temos que procurar meios de facilitar a aplicação dos princípios fundamentais aprovados nos acordos de San José e Tegucigalpa. Acho que seria muito importante cumprir esses princípios, com o retorno do presidente Zelaya ao poder e dessa forma, com as novas eleições, começar a avançar no processo."
No entanto, a posição a respeito da democracia em Cuba não é tão firme.

"Esse tema em geral não aparece na pauta das nossas reuniões. Normalmente, os países têm sido respeitados nas suas questões internas. Essas questões são consideradas de foro interno. No caso de Honduras, aconteceu um golpe de Estado e foi uma reação."
Inovação
O tema escolhido para a cúpula é a inovação. Segundo Iglesias - que foi presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento - este é o grande desafio da América Latina para sair do atraso em relação às economias mais desenvolvidas. Uma das resoluções deverá ser a aprovação de um programa de cooperação entre empresas e Estados para ampliar o processo de inovação.

"Tem de haver uma aliança estratégica entre Estados, empresas e conhecimento, o que quer dizer centros de pesquisas e universidades. As empresas latino-americanas têm que ter apoio decisivo do governo, mecanismos de crédito, incluindo compartilhar riscos por parte do setor público ou facilitar crédito que permita verdadeiramente favorecer os investimentos nessa área."
Ele considera que o Brasil está na frente dos outros países latino-americanos na inovação tecnológica.

"A região tem uma média de investimento de 0,5% e o Brasil encontra-se acima de 1%, o que quer dizer que no país isso já foi assumido como um valor fundamental. Agora, é na área das pequenas e médias empresas que precisamos aumentar isso. As grandes empresas são conscientes, sabem muito bem da importância da inovação. São as pequenas empresas que tem que competir no mercado mundial e para isso precisam aumentar os investimentos em inovação."
Uma das características da reunião é que a América Latina conseguiu ter uma melhor resposta à crise mundial do que a maior parte do mundo. E Iglesias explica a razão.

"Os países da América Latina estavam muito melhor preparados no que diz respeito à gestão da macroeconomia. Nos últimos anos, esses países tiveram experiências muitas vezes dramáticas e hoje sabem muito melhor do que antes como administrar a política econômica. Em segundo, os bancos latino-americanos estavam e estão muito fortes, não entraram nas áreas especulativas, como os bancos americanos e europeus."
"E, finalmente, os países abaixo do Panamá estão mais ligados ao ciclo asiático, o que fez a grande diferença. Os países mais ligados ao ciclo americano, como o México e os países do Caribe, tiveram um impacto muito maior da crise, mas os países do sul foram favorecidos pela dinâmica asiática."

28/11/2009 10:26 AM

Casal de penetras se encontrou com Obama, admite Casa Branca

A Casa Branca admitiu que o casal que entrou de "penetra" em um jantar oficial, na última terça-feira, conseguiu se aproximar e cumprimentar o presidente Barack Obama, divulgando inclusive uma foto do encontro. Na sexta-feira, o Serviço Secreto americano reconheceu que os procedimentos de segurança corretos não foram seguidos, o que resultou na entrada, sem convite, do socialite Tareq Salahi e sua mulher, Michaele, no evento em homenagem ao primeiro-inistro da Índia, Manmohan Singh.

AP
Barack Obama cumprimenta Michaele

"Estamos profundamente preocupados e constrangidos", disse Mark Sullivan, diretor do Serviço Secreto.

Para chegar até o local da festa, o casal - assim como os convidados - teve de passar por várias revistas de segurança.

Segundo Sullivan, uma investigação interna determinou que o problema começou ainda no primeiro controle de segurança, quando não foi verificado que os dois não estavam na lista de convidados.

"Apesar de esses indivíduos terem sido revistados com magnetômetros e outros aparelhos de segurança, eles deveriam ter sido inteiramente proibidos de entrar no evento", afirmou. "O erro foi nosso."
Após o incidente, um porta-voz da Casa Branca disse que o Serviço Secreto "conta com o total voto de confiança do presidente dos Estados Unidos".

Televisão

Segundo o ocrrespondente da BBC em Washington Stuart Buckman, os Salahis pareciam "completamente à vontade, sorrindo para as câmeras e conversando com celebridades e outras autoridades americanas".

Após a festa, eles colocaram fotos em sua página no site de relacionamentos Facebook.

O jornal Washington Post descreveu o casal como sendo "socialites do mundo do pólo", vindos do Estado da Virgínia, e "aspirantes a participantes do reality show Real Housewives of Washington".

Um amigo de Tareq e Michaele Salahi disse ainda que eles pretendem contar o que aconteceu no jantar na Casa Branca em um programa de entrevistas da TV americana.

O banquete para Manmohan Singh foi o primeiro jantar de Estado oferecido por Barack Obama desde que assumiu a Presidência.

Mais de 300 pessoas foram convidadas.

Leia mais sobre Casa Branca

28/11/2009 09:15 AM

Acidente com trem na Rússia pode ter sido atentado, dizem autoridades

Autoridades da Rússia anunciaram que estão investigando como possível ato de terrorismo um acidente com um trem expresso e que deixou pelo menos 25 mortos, na noite de sexta-feira. Uma cratera foi encontrada perto dos trilhos no local onde pelo menos três vagões descarrilaram, no interior do país, levantando suspeitas de que tenha sido colocada uma bomba.Além dos mortos, mais de 90 pessoas ficaram feridas. Equipes de resgate trabalharam durante toda a madrugada deste sábado, e há relatos de que ainda restam passageiros presos entre os escombros e que o número de mortos pode aumentar.

O trem levava mais de 600 passageiros e fazia o trajeto entre Moscou e São Petersburgo.

Segundo a agência de notícias estatal Itar-Tass, pelo menos três vagões do trem descarrilaram.

Ainda de acordo com a imprensa russa, algumas testemunhas teriam ouvido um estrondo antes disso.

Em 2007, uma bomba na mesma linha de trem, uma das mais movimentadas da Rússia, deixou aproximadamente 30 passageiros feridos.

28/11/2009 08:06 AM

Acidente de trem deixa mais de 20 mortos na Rússia

Pelo menos 25 pessoas morreram e outras 87 ficaram feridas em um acidente com um trem que seguia de Moscou para São Petersburgo nesta sexta-feira, informaram as autoridades russas. O acidente ocorreu por volta 21h30, horário local (16h30, em Brasília), nas proximidades da cidade de Bologoye, de acordo com a agência de notícias russa Interfax.Segundo a agência de notícias estatal Itar-Tass, pelo menos três vagões do trem descarrilaram.

Uma autoridade citada pela agência informou que uma pequena cratera teria sido encontrada no local do acidente, o que levantou suspeitas de que possa ter ocorrido um atentado.

"Diversas versões estão sendo consideradas. Pode ser só um buraco que alguém cavou ou a cratera deixada por uma explosão", disse a fonte.

Segundo a imprensa russa, algumas testemunhas teriam ouvido um estrondo antes que o trem descarrilasse.

Em 2007, uma bomba na mesma linha de trem, uma das mais movimentadas da Rússia, deixou aproximadamente 30 passageiros feridos.

28/11/2009 02:14 AM

Favorito nas eleições de Honduras diz que pedirá apoio do Brasil

O candidato que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de Honduras, marcadas para o próximo domingo, afirmou nesta sexta-feira que, caso eleito, irá buscar o apoio do governo do Brasil, que já declarou que não irá reconhecer o resultado do pleito.

 

Em uma entrevista coletiva em Tegucigalpa nesta sexta-feira, Porfírio 'Pepe' Lobo, do Partido Nacional, que tinha 42% das intenções de votos em uma pesquisa CID-Gallup realizada em julho, afirmou que, se vencer as eleições, irá "bater à porta" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para restabelecer relações.

"Nós estamos muito interessados em relações internacionais com todos os países. No caso do Brasil, bem, é um país que admiramos e respeitamos", disse Lobo, que ainda afirmou estar interessado em programas sociais do governo brasileiro, como o Bolsa Família.

"Nós bateremos à porta do presidente Lula para que ele nos receba e (para que) restabeleçamos relações", disse Lobo.

Reconhecimento

O governo brasileiro, por outro lado, tem reiterado que não irá reconhecer o resultado das eleições do próximo domingo em Honduras por entender que isto seria "legitimar um golpe de Estado", nas palavras do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Já os Estados Unidos defendem que as eleições são legítimas, desde que o processo aconteça sob "princípios democráticos", com transparência e liberdade de expressão.

Também nesta sexta-feira, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que desempenhou um importante papel ao tentar mediar a crise no país centro-americano, afirmou que seu governo irá reconhecer o resultado das eleições em Honduras e pediu para que os outros países façam o mesmo.

"Se as eleições do próximo domingo forem transparentes, sem acusações de fraude, se os observadores não encontrarem irregularidades, eu peço que os países ibero-americanos reconheçam o futuro governo durante a cúpula em Portugal (que tem início na segunda-feira)", disse Arias durante visita a Israel.

Crise

A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, em uma medida que recebeu apoio do Congresso e da Suprema Corte do país.

Zelaya foi acusado de violar a Constituição do país e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato, em 27 de janeiro.

Na última quinta-feira, a Suprema Corte de Justiça deu seu parecer sobre a questão, aconselhando os parlamentares a rechaçar a restituição do mandatário eleito.

Muitos países consideravam a volta de Zelaya ao poder como requisito para a legitimidade das eleições do próximo domingo.

Na última quarta-feira, Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

Leia mais sobre Honduras

28/11/2009 01:13 AM
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