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Prejudicados pela economia, cirurgiões plásticos veem esperança em novos produtos

LAS VEGAS - Eles podem erguer seios e firmar coxas, mas os cirurgiões plásticos do país admitem não ter poder contra a atual situação da economia.

Ainda assim, a esperança está em alta, com o primeiro concorrente do Botox aprovado na semana passada e possivelmente novos revolucionários tratamentos no horizonte, incluindo injeções de célula tronco e cremes que removem linhas de expressão indesejadas.

NYT
Homem mostra agulhas de lipoaspiração em congresso nos EUA

Homem mostra agulhas de lipoaspiração em congresso nos EUA

"Os negócios não estão muito bons", disse o Dr. Brian Kinney, cirurgião de Los Angeles, durante o encontro da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, que acaba nesta quinta-feira.

"Eu lembro de uma mulher que, em outubro, queria um lift e me disse:  'bem, eu preciso vender uma casa, para garantir minha segurança primeiro'. Em março ela me contou que ainda estava esperando, o mercado imobiliário está em baixa".

O número de procedimentos cosméticos nos Estados Unidos no ano passado caiu 12.3% em relação a 2007, chegando a apenas 10.2 milhões, de acordo com a organização. Este é um imprevisto para um negócio que vem crescendo desde 1997, quando cerca de 2 milhões de procedimentos foram realizados.

A área de maior crescimento tem sido procedimentos não cirúrgicos, cujo sucesso se deve principalmente ao Botox, uma toxina botulínica que funciona ao amortecer e relaxar músculos faciais que criam rugas. Mas a companhia responsável pelo produto se prepara para concorrência com a aprovação do Dysport, produzido pela francesa Ipsen Biopharm.

"Todos estão ansiosos porque se trata do primeiro concorrente do Botox em sete anos", disse o Dr. Z. Paul Lorenc, que tem consultório em Manhattan e que acredita que o Dysport age mais rápido, dura mais e é uma opção mais barata. "Além disso, o visual dele é mais suave".

Os médicos na conferência buscavam passar a ideia de que estão longe dos predadores que se aproveitam das inseguranças de seus clientes. Eles ressentem representações como a de um episódio de "Sex and the City" no qual Samantha Jones, interpretada por Kim Cattrall, se preocupa com a idade e quer uma pequena operação mas o médico lhe diz que ela deve considerar outros procedimentos também. Ela opta por não entrar na faca.

A respeito do comportamento dos médicos de ficção, Dr. Robert Singer de San Diego disse, "Eu geralmente direciono a pergunta para outro lado quando uma paciente me pergunta o que eu acho que ela deve fazer. Não importa o que eu diga. Importa o que você pensa".

Singer disse que parte do desafio é lidar com as expectativas das pacientes. "O público quer algo que não demore, que demonstre melhorias absolutas, que não seja invasivo, que não cause desconforto e que não custe caro", disse Singer. "Eles querem mágica, mas essa pílula não existe".

Leia mais sobre cirurgia plástica

07/05/2009 10:21 AM

Prejudicados pela economia, cirurgiões plásticos veem esperança em novos produtos

LAS VEGAS - Eles podem erguer seios e firmar coxas, mas os cirurgiões plásticos do país admitem não ter poder contra a atual situação da economia.

Ainda assim, a esperança está em alta, com o primeiro concorrente do Botox aprovado na semana passada e possivelmente novos revolucionários tratamentos no horizonte, incluindo injeções de célula tronco e cremes que removem linhas de expressão indesejadas.

NYT
Homem mostra agulhas de lipoaspiração em congresso nos EUA

Homem mostra agulhas de lipoaspiração em congresso nos EUA

"Os negócios não estão muito bons", disse o Dr. Brian Kinney, cirurgião de Los Angeles, durante o encontro da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica Estética, que acaba nesta quinta-feira.

"Eu lembro de uma mulher que, em outubro, queria um lift e me disse:  'bem, eu preciso vender uma casa, para garantir minha segurança primeiro'. Em março ela me contou que ainda estava esperando, o mercado imobiliário está em baixa".

O número de procedimentos cosméticos nos Estados Unidos no ano passado caiu 12.3% em relação a 2007, chegando a apenas 10.2 milhões, de acordo com a organização. Este é um imprevisto para um negócio que vem crescendo desde 1997, quando cerca de 2 milhões de procedimentos foram realizados.

A área de maior crescimento tem sido procedimentos não cirúrgicos, cujo sucesso se deve principalmente ao Botox, uma toxina botulínica que funciona ao amortecer e relaxar músculos faciais que criam rugas. Mas a companhia responsável pelo produto se prepara para concorrência com a aprovação do Dysport, produzido pela francesa Ipsen Biopharm.

"Todos estão ansiosos porque se trata do primeiro concorrente do Botox em sete anos", disse o Dr. Z. Paul Lorenc, que tem consultório em Manhattan e que acredita que o Dysport age mais rápido, dura mais e é uma opção mais barata. "Além disso, o visual dele é mais suave".

Os médicos na conferência buscavam passar a ideia de que estão longe dos predadores que se aproveitam das inseguranças de seus clientes. Eles ressentem representações como a de um episódio de "Sex and the City" no qual Samantha Jones, interpretada por Kim Cattrall, se preocupa com a idade e quer uma pequena operação mas o médico lhe diz que ela deve considerar outros procedimentos também. Ela opta por não entrar na faca.

A respeito do comportamento dos médicos de ficção, Dr. Robert Singer de San Diego disse, "Eu geralmente direciono a pergunta para outro lado quando uma paciente me pergunta o que eu acho que ela deve fazer. Não importa o que eu diga. Importa o que você pensa".

Singer disse que parte do desafio é lidar com as expectativas das pacientes. "O público quer algo que não demore, que demonstre melhorias absolutas, que não seja invasivo, que não cause desconforto e que não custe caro", disse Singer. "Eles querem mágica, mas essa pílula não existe".

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07/05/2009 10:21 AM

Editorial: quem irá proteger as florestas americanas?


Durante sua campanha presidencial, Barack Obama apoiou uma regulação criada perto do final da era Clinton que proibia a atividade comercial e a construção de estradas em quase 25 milhões de hectares de florestas nacionais.

Ansioso para abrir estas florestas para a exploração por companhias de madeira e petróleo, a gestão Bush passou oito anos tentando prejudicar o projeto. Ele continua um risco e o presidente Barack Obama deve intervir agora para recuperar a lei e as florestas que ela protege.

O presidente ou Tom Vilsack, cujo dever como secretário da agricultura inclui coordenar o Serviço Florestal, precisam primeiro emitir uma diretiva que ordene que o órgão não aprove ou proponha qualquer ação inconsistente com a lei.

Tradicionalmente, oficiais locais e regionais têm amplo poder em determinar as políticas aplicadas nas florestas. Vilsack deve reservar para si qualquer grande decisão até que a lei esteja mais firmemente estabelecida.

A segunda prioridade de Obama é fazer com que todos em sua gestão estejam na mesma página. Em um infeliz resquício da era Bush, advogados do Departamento de Justiça estão desafiando a lei na corte apesar do apoio do presidente a ela.
 
Além disso, ainda que a Casa Branca tenha mudado de mãos, o Serviço Florestal não mudou. Seu principal oficial, Gail Kimbell, foi indicado por Bush. Vilsack e Obama precisam colocar sua própria pessoa no comando do órgão. 

Finalmente, tendo pedido "tempo" e posicionado seus advogados e o Serviço Florestal no lado certo desta questão, Obama precisará usar todo o poder da Casa Branca para aprovar o código que transformaria o projeto para florestas sem estradas em lei. Como senador, Obama co-patrocinou exatamente este projeto. 

A lei foi uma das conquistas ambientais do presidente Bill Clinton. Graças a ela (e ao protesto de cidadãos e esforços legais de grupos ambientalistas) poucos quilômetros de novas estradas foram construídos em áreas protegidas desde 2001.

Mas a contínua confusão legal (desde que a lei foi suspensa pelo 9º Circuito e abatida na corte distrital de Wyoming) permitiu que as florestas regionais pudessem ser exploradas por projetos de extração de madeira em Idaho, Colorado, Oregon e na região de White Mountains, em New Hampshire.

Obama deve garantir que estas e outras ameaças às florestas nacionais sejam impedidas até que proteções mais permanentes sejam postas em prática.

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07/05/2009 10:10 AM

Obama é pressionado a se posicionar sobre direitos da comunidade gay


WASHINGTON - O presidente Barack Obama manteve um perceptível silêncio no mês passado, quando a Corte Suprema de Iowa reverteu a proibição estadual ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Mas agora, Obama (que disse se opor ao casamento gay como cristão, mas descreveu a si mesmo como um "defensor da igualdade" para homens e mulheres homossexuais) está sob pressão para que se posicione em inúmeros assuntos relacionados a essa comunidade diante de uma série de mudanças sociais, políticas e legislativas.

Dois possíveis indicados de Obama à Suprema Corte são abertamente homossexuais, mas alguns ativistas reclamam que não haja nenhum gay em seu gabinete e começam a preparar uma campanha para influenciar sua escolha para substituir o juiz David H. Souter, que deve se aposentar em breve. O casamento entre pessoas do mesmo sexo avança em inúmeros Estados (o último a permitir a prática é o Maine) e uma nova série de conflitos no Distrito de Colúmbia pode colocar a controvérsia nas mãos do presidente.

A nova iniciativa de saúde global de Obama irritou os ativistas que afirmam que ele não concedeu aos programas de combate à Aids financiamento suficiente. Além disso, ainda que o presidente tenha pedido que o Congresso aprove um projeto de lei contra crimes de ódio, uma prioridade dos grupos homossexuais, ele atrasou ações em uma de suas promessas de campanha, que rejeitaria a regra militar "não pergunte, não diga".

Uma vez que questões sociais como o casamento entre pessoas do mesmo sexo trazem consigo uma mistura de princípios há muito mantidos e ações políticas, muitos ativistas, cientes que Obama também está lidando com enormes desafios domésticos e internacionais, pedem paciência.

Mas alguns estão abalados pelo que consideram uma postura cautelosa por parte do presidente. Nas palavras do escritor David Mixner, os gays estão começando a questionar: "por quanto tempo devemos dar a ele o benefício da dúvida?"

Se Obama fosse abraçar o casamento gay, ele teria que reverter uma posição de campanha e alienar alguns eleitores moderados e religiosos. E caso ele indique um homossexual à Suprema Corte, ele será visto pelos conservadores sociais (que incluem religiosos negros, outro grupo importante de seu eleitorado) como tendo colocado um voto a favor do casamento gay na corte de mais alto escalão do país.

"Este seria o primeiro passo para abrir o portão para o outro lado", disse o bispo Harry J. Jackson Jr. da Igreja da Esperança Cristã de Beltsville, Md., que  está organizando protestos em Washington, onde o Conselho Municipal aprovou o reconhecimento do casamento homossexual realizado em outros Estados.

Tobias Wolff, professor de Direito da Universidade da Pensilvânia que foi o principal conselheiro de Obama a respeito de direitos homossexuais durante a campanha presidencial, afirmou que o presidente precisa de tempo para criar um consenso.

"Eu acho que ele tem sabe genuinamente que para seguir adiante com certas questões terá que conseguir mais espaço", disse Wolff.

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07/05/2009 09:59 AM

Americanos debatem autocontágio pela "gripe suína"

Pegar a "gripe suína" deliberadamente? O que parece um absurdo (procurar pelo contágio ao invés de evitá-lo) está no centro do debate entre especialistas em gripe e em sites sobre o assunto.


Especialistas em doenças contagiosas dizem entender a lógica: sobreviver ao vírus atual e aparentemente mediano pode servir como proteção contra a nova gripe que deve atingir o mundo no outono. Mas eles geralmente se posicionam contra a medida.

A Dr. Anne Moscona, especialista em gripe da Faculdade de Medicina Weill da Universidade de Cornell, disse ter recebido o telefonema de uma repórter de uma revista feminina "questionando se as mães devem fazer festas da 'gripe suína', como fazem com a catapora".

Festas da catapora, nas quais crianças se reúnem para que sejam contaminadas por uma que tenha a doença, geralmente são realizadas por pais que desconfiam das vacinas contra a catapora ou querem que seus filhos tenham um sistema imunológico mais forte que advém de sobreviver a infecções completas e estão dispostos aos riscos de possíveis complicações.

"Eu acho que isso é uma loucura", disse Moscona. "Eu não acredito que as pessoas realmente pensem em fazer algo parecido. Eu entendo o raciocínio, mas temo que não sabemos o suficiente sobre como este vírus reage em cada indivíduo. Esta ideia parece da Idade Média, quando as pessoas pegavam varíola de propósito. É praticamente uma vacina de guerrilha - ou tomar a imunização nas próprias mãos".

Reuters
Usando máscara, homem limpa sala de aula vazia no Texas

Usando máscara, homem limpa sala de aula vazia no Texas

A ideia surgiu da história da Gripe Espanhola de 1918. Uma epidemia leve da doença na primavera foi seguida de duas ondas mortais no começo e final do inverno de 1918-1919. Alguns acreditam, apesar de haver pouca evidência além de relatos em jornais da época, que aqueles que ficaram doentes inicialmente tiverem menor propensão ao vírus mais forte.

Quem brinca com esta ideia de autocontágio pelo atual vírus H1N1 da "gripe suína" que circula pelo mundo duvida que haverá vacina o suficiente para parar a disseminação caso ele retorne, especialmente se misturar material genético com o vírus H5N1 ou conseguir resistência ao remédio Tamiflu.

O Dr. Andrew T. Pavia, líder da força tarefa contra a pandemia de influenza da Sociedade de Doenças Contagiosas da América, se opõe ao autocontágio.

"Há vinte anos, pode ser que fizesse algum sentido", ele disse, "e ser infectado pelo vírus da primavera de 1918 provavelmente teria sido uma forma de proteção". Mas ao ser deliberadamente infectado "na verdade você entra em território desconhecido", ele disse.

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"Gripe suína" no Brasil


Entenda a "gripe suína"

 

07/05/2009 09:07 AM

Michelle Obama anuncia novo fundo para ajudar organizações sem fins lucrativos

NOVA YORK - A primeira dama, Michelle Obama, se aventurou publicamente em novos territórios ao anunciar na terça-feira que a gestão Obama planeja criar um "fundo de inovação social" de US$ 50 milhões para ajudar a financiar e ampliar organizações sem fins lucrativos promissoras.

O fundo ofereceria apoio financeiro a organizações sem fins lucrativos e grupos comunitários que se concentram na educação, saúde e mobilidade econômica, entre outras questões, afirmaram os oficiais. A gestão planeja encorajar fundações, filantropos e corporações a contribuírem com o programa.
 
"A ideia do fundo é simples: encontrar os programas mais eficazes e oferecer a eles o capital que precisam para aumentar seu sucesso em comunidades de todo o país", disse Michelle na terça-feira em Nova York, onde foi homenageada no baile da revista "Time" por sua edição "100 Pessoas Mais Influentes".
 
O anúncio revelou uma nova postura da primeira dama, que criou cuidadosamente uma imagem doméstica durante os primeiros meses de Casa Branca, enfatizando seu foco na maternidade e estabelecendo sua família na Casa Branca.

Mas Michelle, advogada formada em Harvard e ex-executiva hospitalar, continua comprometida com a política pública. E ela concentrou sua atenção no aumento do voluntariado através do Ato Sirva a América do senador Edward M. Kennedy, posto em prática em abril.
 
O Congresso ainda terá que autorizar os US$50 milhões que o presidente planeja alocar ao fundo. Mas Michelle deixou claro na terça-feira que ela e os oficiais da gestão acreditam que o fundo terá um impacto crucial "em um momento no qual nossa nação enfrenta desafios sem precedentes"

Por RACHEL L. SWARNS

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06/05/2009 10:13 AM

Um ano depois do terremoto: nascimentos, antigas feridas e intransigência governamental

MIANZHU, China - Com apenas 45 dias de existência, Sang Ruifeng já tem um propósito na vida: trazer justiça aos responsáveis pela morte de seu irmão de 11 anos.

NYT
Sang mostra foto do filho de 11 anos que morreu no terremoto; sua mulher, Liu, carrega o filho de 45 dias

Sang mostra foto do filho de 11 anos que morreu no terremoto;
sua mulher, Liu, carrega o filho de 45 dias

Ruifeng terá que garantir, afirma seu pai, que o governo chinês preste contas pelos motivos pelos quais milhares de estudantes morreram no desabamento de escolas durante o terremoto que devastou o sudeste da China há um ano. O irmão que Ruifeng não conheceu estava entre os 126 esmagados nos destroços da Escola Primária 2 em Fuxin.

"Eu não estou nem um pouco feliz", disse Sang Jun, sobre o nascimento de seu novo filho, enquanto sua mulher balançava o bebê no colo, na casa de um vizinho. "Eu disse isso para minha mulher hoje: se não conseguirmos justiça, nosso filho terá que lutar por nós. Este será o fardo desta criança".

Um ano depois do terremoto que abalou a província de Sichuan e matou cerca de 70 mil pessoas, deixando 18 mil desaparecidos, mães de toda a região estão grávidas ou tiveram outros filhos, com a ajuda do governo e equipes médicas que ofereceram conselhos sobre fertilidade e reverteram processos de esterilização.

Por causa da política da China que limita o número de filhos da maioria das famílias em um, os estudantes que morreram geralmente eram os únicos filhos de seus pais. Os oficiais dizem ter esperança que uma onda de nascimentos ajude a diminuir a raiva a respeito do desmoronamento de tantas escolas no dia 12 de maio de 2008, enquanto prédios das redondezas continuaram de pé.

Mas as feridas estão abertas, em parte por causa do governo chinês, que não aceita desafios a sua postura autoritária, que abafou os pais e impediu debates públicos sobre a construção ruim das escolas.

Conforme a atenção se volta novamente a Sichuan para a marca de um ano do terremoto, o governo intensifica sua campanha para silenciar os pais e a mídia, adotando táticas agressivas da polícia e a ameaça de prisão.

"O governo diz: 'Você teve seu segundo filho, então por que está questionando isso?'", disse Sang, ex-operário que foi preso pela polícia em janeiro quando tentou pegar um trem para Pequim para dar entrada em uma reclamação formal. "Nós dizemos ao governo: 'Isso é sua responsabilidade, sua culpa. Então por que não deveríamos questionar?'"

O governo chinês se recusou a revelar o número de estudantes mortos e seus nomes. Mas um relatório oficial logo após o terremoto estimava que até 10 mil crianças morreram no desmoronamento de mais de 7 mil salas de aula e dormitórios.

No ano passado, oficiais do governo central anunciaram que iriam realizar uma investigação sobre o desmoronamento das escola, mas nada foi divulgado. Em março, um oficial da província de Sichuan disse aos repórteres em Pequim que a força do terremoto, e não a construção ruim, levou aos desmoronamentos.

No dia 4 de abril, o Dia de Varrer Túmulos no qual os chineses honram seus mortos, grupos de pais tentaram se reunir nos locais onde antes eram as escolas. Mas policiais à paisana rapidamente impediram qualquer manifestação.

Oficiais de propaganda recentemente ordenaram que as organizações de notícias chinesas reportassem apesar histórias positivas sobre o terremoto e o governo de Sichuan explicitamente proibiu a mídia de escrever sobre os abortos de mulheres alojadas temporariamente em assentamentos locais. Alguns sobreviventes dizem temer que os abortos sejam causados pelo alto nível de formol presente nas casas pré-fabricadas.

"Tantas mulheres abortaram", disse Ren, uma mulher do acampamento de Dujiangyan que informou apenas seu sobrenome, por medo de represálias. Seu neto estava entre os mortos da Escola Primária de Xinjian. Sua nora engravidou novamente no ano passado, mas sofreu um aborto. "O quarto do Hospital do Povo de Dujiangyan estava cheio de mulheres com  o mesmo problema", disse Ren.

O governo central enviou especialistas em fertilidade à região no ano passado. O jornal oficial "Sichuan Daily" relatou, no dia 29 de fevereiro, que quase mil mulheres da região engravidaram, citando a Comissão de Planejamento Familiar de Sichuan. Oficiais de planejamento familiar de Chengdu, capital de Sichuan, recusaram pedidos de entrevista.

Uma das grávidas é Liu Li, que disse ter tido "sentimentos complicados" quando descobriu que estava grávida. "Eu fiquei nervosa e feliz, mas também me senti culpada porque foi tão rápido depois da morte de nosso primeiro filho", disse Liu, 35, ao encher de água uma bacia no acampamento Dujiangyan.

NYT
Li e seu marido, Bi Kaiwei, posam em frente à foto da filha morta no terremoto

Li e seu marido posam em frente à foto da filha morta no terremoto

Como muitos pais cujos filhos morreram, Liu aceitou um pagamento de cerca de US$ 8.800 do governo local e a garantia de uma pensão em troca de seu silêncio. Mas muitos pais, mesmo os que esperam outras crianças, se recusaram a aceitar o silêncio.

Aqui em Mianzhu, mulheres de mais da metade dos 126 lares que perderam seus filhos na Escola Primária 2 em Fuxin estão grávidas ou tiveram bebês recentemente. Um pai, Bi Kaiwei, elogiou o atendimento médico que o governo ofereceu a sua mulher, agora grávida de quatro meses. Mas a gravidez não substitui a justiça, ele disse.

Todos os dias, os dois visitam o túmulo de sua filha. Eles guardaram todos seus pertences, incluindo um cachorro de pelúcia branco e uma manta que estão sobre a cama do casal. Fotografias da menina estão por toda a casa, que fica a poucos metros da antiga escola.

"Eu sinto que este será o retorno da nossa filha", disse Liu Xiaoying ao tocar a barriga. "Mas mesmo que me conforte com isso, ainda não me sinto feliz. Estou muito deprimida".

Liu esteve entre os pais que viajaram secretamente a Pequim em janeiro para entrar com uma petição no governo central. Oficiais da capital disseram que eles deveriam fazer isso em Sichuan.

Mas os oficiais de Sichuan estão tentando convencer os pais. Sang, o pai do bebê de 45 dias, disse que a polícia ameaçou de voltar a prendê-lo. Um homem que atendeu o telefone na delegacia de Mianzhu se recusou a comentar.

Perto de uma plantação de trigo, Sang construiu uma nova casa para substituir a que desmoronou durante o terremoto. No canto está um quarto para seu filho morto, Xingpeng. Lá dentro estão fotos do menino e seus pertences - uma vara de pescar, sapatos de dança, um aquário.
O novo filho não irá dormir ali. "Nós manteremos este quarto assim para sempre", disse Sang.

Por EDWARD WONG


Leia mais sobre terremoto na China

06/05/2009 10:09 AM

Editorial: Obama, Zardari e Karzai

Nós suspeitamos que o encontro desta quarta-feira entre os presidentes Barack Obama, Asif Ali Zardari do Paquistão e Hamid Karzai do Afeganistão será repleto de momentos estranhos.

Os oficiais americanos não têm muita confiança em nenhum dos dois líderes (algo que não tentam esconder). A maioria dos afegãos e paquistaneses compartilha suas dúvidas. Mas se há qualquer esperança de derrotar o Taleban, Obama terá que encontrar um jeito de trabalhar com ambos os homens (e encontrar a combinação certa de apoio e pressão para que eles façam o necessário para salvar seus países).

Para que isso aconteça, Obama também precisa do apoio do Congresso, onde membros de seu partido se tornaram cada vez mais impacientes. O representante David Obey, presidente do Comitê de Apropriações da Câmara, afirma que irá dar à Casa Branca um ano para mostrar resultados.

Nós concordamos que o presidente George W. Bush gastou tempo e dinheiro demais autorizando o antigo presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e em escala menor Karzai. Deve haver alguma prestação de contas. Mas Obama também precisa ter a chance de testar seu plano em lidar com os dois países como um problema regional integrado.

O Congresso precisa agir rapidamente a respeito dos dois pacotes de ajuda. Um pedido de financiamento complementar para as guerras no Iraque e Afeganistão inclui US$ 400 milhões em ajuda militar e US$ 500 milhões em ajuda econômica ao Paquistão, mais US$ 980 milhões para encorajar o desenvolvimento no Afeganistão.

O segundo pedido ofereceria US$ 7.5 bilhões, ao longo de cinco anos, ao Paquistão. Sob o comando de Bush, a ajuda ao Paquistão foi direcionada em larga escala ao uso militar. A proposta bipartidária dos senadores John Kerry e Richard Lugar deve almejar melhorias na vida de paquistaneses comuns (e conquistar seu apoio no combate aos extremistas) investindo em escolas, hospitais e projetos sanitários.

Ele impõe condições razoáveis para garantir que a ajuda militar seja direcionada ao combate dos insurgentes (e não da Índia). O compromisso de cinco anos também deve persuadir os líderes paquistaneses de que, caso estejam dispostos a confrontar o Taleban, Washington estará a seu lado.

Há muito tememos que o Paquistão veja esta luta como sendo dos Estados Unidos e não deles. Mas o Congresso precisa entender que esta também é uma luta americana. O Afeganistão não pode ser cedido ao Taleban e a Al-Qaeda. Tampouco o Paquistão - suas regiões fronteiriças desgovernadas ou suas dezenas de bombas nucleares.

Na semana passada, os militantes chegaram a 97 km de Islamabade antes que o exército paquistanês começasse a reagir. Um acordo de paz fracassado, no qual o exército cedeu o Vale de Swat ao Taleban, agora ruiu de vez, e os líderes paquistaneses dizem estar preparando uma nova ofensiva. Uma das principais tarefas de Obama será persuadir Zardari e o chefe militar do Paquistão, o general Ashfaq Parvez Kayani, a manter seu compromisso e sustentar suas operações.

Obama irá enviar outros 20 mil soldados para combater o Taleban. Outros desafios também exigem atenção imediata. Os afegãos estão cansados da corrupção que assola o governo de Karzai e seu fracasso em promover serviços básicos. Além disso, um plano é necessário para encerrar a indústria do ópio que é a principal fonte de dinheiro do Taleban.

Obama precisará ajudar Zardari e Karzai a finalmente entenderem que sua única esperança está no trabalho conjunto e com as forças da Otan (compartilhando inteligência e coordenando operações militares em ambos os lados da fronteira). O Paquistão precisa proteger seu arsenal nuclear.

A gestão Obama buscou construir elos com o líder da oposição do Paquistão, Nawaz Sharif. Agora o presidente precisa encorajar Zardari a encontrar formas de trabalhar com seu rival. Para combater o Taleban, Zardari precisará de todo apoio político que conseguir.

Leia mais sobre Paquistão - Afeganistão

 

06/05/2009 09:48 AM

Bank of America precisa de US$ 34 bilhões, afirma jornal

O governo afirmou que o Bank of America precisa de US$34 bilhões em capital para aguentar qualquer piora na situação econômica, de acordo com um executivo do banco.

Se o banco for incapaz de conseguir o capital necessário com a venda de investimentos ou ações, precisará depender do governo, que já ofereceu US$45 bilhões em capital através Programa de Alívio a Investimentos Ruins.

O banco poderia satisfazer as exigências dos  reguladores convertendo as ações não opinativas que cedeu ao governo em troca do capital, em ações comuns.

Mas com isso o governo se tornaria um dos maiores acionistas do banco.

Executivos da instituição, uma das maiores a passar pela análise, questionaram o valor anunciado pelo governo, que é maior do que os executivos acreditam ser necessário.

Mas J. Steele Alphin, oficial administrativo do banco, disse que o Bank of America terá opções para gerar o capital por si só antes que tenha que converter o dinheiro do contribuinte em ações comuns.

"Não estamos felizes com isso, porque ainda é um número alto", disse Alphin. "Nós achamos que deveria ser menor".

A determinação do governo de que o Bank of America não precisa de tanto capital quanto recebeu dos contribuintes é uma indicação de que alguns dos bancos em dificuldades maiores podem precisar de mais dinheiro do governo do que receberam.

O Departamento do Tesouro se recusou a comentar o assunto na terça-feira. A gestão Obama planeja divulgar todos os resultados do teste de estresse na quinta-feira.

Leia mais sobre: Bank of America

06/05/2009 07:33 AM

Autoridades americanas começam a reduzir alertas sobre "gripe suína"

Fechar escolas depois que um estudante apresentar sintomas da "gripe suína" já pode não valer o sacrifício dos alunos e de suas famílias, porque a doença em breve estará em todo o país e poucos casos foram graves, disseram as autoridades envolvidas na questão na segunda-feira.


Reuters
Usando máscara, homem limpa sala de aula vazia no Texas

Usando máscara, homem limpa sala de aula vazia no Texas

"Fechar escolas não é eficiente" para impedir a disseminação do vírus, disse Richard Besser, atual diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

O novo conselho é parte de uma gradativa redução dos alertas contra a "gripe suína". Enquanto a doença continha a se espalhar pelos Estados Unidos e por todo o mundo, percebe-se que ela é menos mortal do que se temia. Além disso, no México, onde a epidemia começou, novos casos pararam de aparecer.

O CCPD alertou autoridades locais para que considerem o fechamento de escolas por duas semanas depois que um estudante seja confirmado com a gripe suína e centenas de escolas no Texas, Arizona, Novo México, Nova York e outros Estados adotaram a prática como resultado disso. Fort Worth fechou todo seu sistema educacional até o dia 11 de maio e quase 300 mil estudantes do Texas foram forçados a ficar em casa por causa de fechamentos relacionados à "gripe suína".

Os fechamentos deveriam proteger os alunos e desacelerar a disseminação do vírus. Mas na segunda-feira, o centro de doenças divulgou 279 casos confirmados em 36 Estados (de 226 em 30 Estados no domingo) e mais de 700 possíveis casos em 44 Estados.

Com o vírus em quase todo o país, o fechamento de escolas não deve ter tanto efeito. Apenas 35 foram hospitalizadas com o vírus.

No México, as autoridades afirmaram na segunda-feira que irão diminuir o alerta público contra o vírus e permitir que a maioria dos estabelecimentos da nação reabra esta semana.

O ministro da saúde mexicano, José Angel Cordova, disse que este novo vírus da influenza A (H1N1) parece ser apenas um pouco mais contagioso do que a gripe comum. O número de casos novos no México está em declínio, ele afirmou, e nenhuma morte foi registrada desde o dia 29 de abril.

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05/05/2009 02:30 PM

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