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Comentário: Quanto tempo é tempo suficiente?

Aparentemente, ninguém sabe quantos anos Mohammed Jawad tinha quando foi pego pelas forças afegãs em Cabul, há seis anos e meio, e acabou se tornando prisioneiro dos EUA. Algumas informações dizem que ele tinha 14. Outras dizem 16. O governo afegão acredita que ele tinha 12 anos.

O que não está em discussão é se ele não era mais do que um adolescente, e que desde sua captura ele foi torturado, se não, passou por um inferno de coisas. A evidência contra ele foi desacreditada. Ele tentou cometer suicídio. Mas os EUA não o libertou.

O tratamento do jovem capturado foi tão rude que o um oficial do exército cheio de medalhas assinou o documento para processá-lo – um homem cheio de entusiasmo para conseguir a condenação do acusado, que ele acreditava ter cometido um grave crime contra o exército dos EUA – acabou saindo do caso e declarando que não poderia mais “em boa consciência” participar das comissões militares para julgar acusados de terrorismo.

Jawad foi acusado de lançar uma granada em um veículo ocupado por dois soldados americanos e seu intérprete afegão, em dezembro de 2002. Todos os três ocupantes do veículo foram gravemente feridos.

O coronel Darrel Vandeveld do Exército Reserva dos EUA, receptor de uma medalha de bronze, entre outras condecorações, foi nomeado promotor do caso, em 2007. Naquela época, Jawad já estava preso há quase cinco anos. Vandeveld supôs que o caso seria simples e que a condenação seria facilmente garantida.

Jawad confessou o ataque e, de acordo com as acusações contra ele, que agiu como integrante do grupo insurgente chamado Hezb-e-Islami Gulbuddin.

Enquanto Vandeveld começava um esforço diligente para reunir o que ele considerava a evidência que condenaria Jawad, o promotor começou a ficar cada vez mais angustiado e consternado. Como mais tarde um juiz militar determinou, os captores afegãos de Jawad conseguiram sua confissão torturando-o. Então o garoto foi levado por autoridades americanas a Base de Bagram, instalação militar dos EUA no Afeganistão, onde ele foi mantido antes de finalmente ser transferido para a Baía de Guantánamo, em Cuba.

Vandeveld – “por acaso do destino”, como ele próprio colocou – encontrou um resumo escrito de uma entrevista com Jawad feita por um agente especial da Divisão de Investigação Criminal do Exército. O resumo, que era parte de um registro oficial de um caso totalmente diferente em Bagram, detalhava abusos extensos que o detento dizia ter sofrido em Bagram.

Em um depoimento sob juramento, Vandeveld disse, “O abuso inclui bater na cara de Jawad enquanto sua cabeça estava coberta por um capuz, como também empurrá-lo escada abaixo, encapuzado e acorrentado.

As considerações de Jawad tinham um tom de verdade. Enquanto Vandeveld falava sob juramento, o interrogador “mais tarde declarou de acordo com uma testemunha da defesa... que o relato de Jawad era completamente consistente com os relatos de outros prisioneiros mantidos em Bagram na mesma época e, mais importante ainda, que doze guardas haviam admitido ter abusado de prisioneiros da maneira exata como Jawad descreveu”.

Jawad também reclamou de ser maltratado em Guantánamo, dizendo que foi mudado com uma frequência absurda de cela em cela – a ideia era privá-lo de dormir. Um controle do oficial da prisão mostrava que Jawad havia, de fato, sido transferido de cela 112 vezes, sem explicação, em um período de duas semanas – uma média de oito mudanças por dia durante 14 dias.

Vandeveld disse em seu depoimento: “Após investigações mais profundas, pudemos determinar que Jawad havia sido sujeitado a um programa de privação de sono, popularmente, chamado de “programa de viajante frequente”. O coronel disse que faltou palavras para “expressar o pesar” que sentiu quando entendeu completamente a maneira como o detento havia sido tratado por soldados americanos.

Em 25 de dezembro de 2003, Jawad tentou se matar batendo repetidamente sua cabeça contra a parede da cela.

Não há evidências críveis contra ele, e sua confissão induzida por tortura foi corretamente determinada inadmissível por um juiz militar. Mas a administração de Obama não sente que ele sofreu o suficiente. Os advogados do governo não apenas se opôs aos esforços da defesa em garantir a liberdade de Jawad, como também estão usando, como base primária de sua oposição, os frutos da confissão obtida sob tortura, que já foi considerada inaceitável – sem mérito, sem valor.

Vandeveld não está mais com dever ativo e se juntou ao esforço dos advogados de defesa militares e à União Americana das Liberdades Civis para garantir a liberdade do acusado. De acordo com ele, seis anos de um verdadeiro confinamento solitário é o suficiente para alguém que não era muito mais velho que uma criança quando foi colocado na prisão.


Por BOB HERBERT


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30/06/2009 07:31 PM

A linha aérea não tem nada para esconder, mesmo

HONG KONG – As instruções do novo vídeo de segurança dos voos da Air New Zealand são dadas por funcionários nus, exceto por pinturas no corpo e cintos de segurança colocados em lugares estratégicos.

NYT

Em um comercial da Air New Zealand funcionários
usam pinturas de corpo como uniforme

Os passageiros do vídeo de um voo, desta segunda-feira – das 7 da manhã, de Auckland para Wellington, ilha no norte da Nova Zelândia –, nunca devem ter prestado tanta atenção à frase “retire o cinto levantando a aba de metal”.

O vídeo – e um anúncio publicitário relacionado – possui raros momentos de leveza de uma indústria que teve grandes quedas no número de viagens de passageiros e voos de carga. Linhas aéreas ao redor do mundo, incluindo a Air New Zeland, tiveram que cortar voos, funcionários e planos de investimento.

O objetivo do vídeo de segurança de 3 minutos e meio e do comercial de 45 segundos que começou a passar no último mês é muito diferente dos vídeos de outras linhas. Cada vez mais as empresas acrescentam cobranças de taxas ocultas, em um esforço para aumentar a baixa receita, mas a Air New Zealand não tem nada a esconder.

“É por isso que o preço que você paga inclui tudo – abertamente”, diz a frase do anúncio.

O vídeo e o comercial não revelam tanto quanto você imagina (ou, talvez, espere, dados os corpos esculturais dos funcionários). A realista pintura de corpo faz parecer como se eles – comissários de bordo, carregadores de bagagens e o piloto - estivessem vestindo uniformes. A única pessoa que não é mostrada fazendo seu trabalho verdadeiro é o chefe-executivo da companhia, Rob Fyfe, vestindo amarelo claro, que interpreta um carregador de bagagens.

A Air New Zealand sofreu tanto quanto outras companhias aéreas com a crise mundial: grandes viagens de transporte caíram agressivamente e novos concorrentes domésticos apareceram, como o Jetstar e o Pacific Blue, apesar de a companhia ainda ter uma participação de mercado de mais de 80%, disse Rob Mercer, analista da Forsyth Barr em Wellington.

Mas Mercer disse que diferente das outras empresas, a Air New Zealand “nunca parou de inovar e se superar”.

No ano passado, a linha aérea pagou pessoas para raspar suas cabeças e fazer tatuagens temporárias que diziam, “Precisa de uma mudança? Venha para a Nova Zelândia”.

Neste ano, a campanha publicitária e o vídeo de segurança são ousados, “Revelando o essencial para a segurança”, atraiu muita atenção à Air New Zealand, o que se espera que traga muitos traseiros para seus assentos.

O comercial, “Nada a esconder”, foi visto quase duas milhões de vezes no YouTube – o clipe mais visto proveniente da Nova Zelândia, disse por telefone Steve Bayliss, gerente de marketing da companhia, na segunda-feira.

Cada vídeo levou um dia para ser gravado e custou cerca de 10% a 15% do custo de um comercial de uma grande marca, de acordo com as estimativas de Bayliss. Isso porque não foi necessário pagar atores. Os integrantes da equipe da Air New Zealand não receberam pagamento extra, apenas aumentaram sua exposição.

Por BETTINA WASSENER


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30/06/2009 05:36 PM

Lei estadual americana obriga reciclagem de eletrônicos antiquados

Em meados de junho, Edward Reilly, 35, finalmente abandonou a televisão que tinha desde os tempos da faculdade. Apesar do aparelho Mitsubishi já estar ultrapassado, Edward evitou colocá-lo no lixo de sua casa em Portland, Maine, por muitos anos, simplesmente porque conhecia os perigos ambientais que isso representava.

NYT

Pilha de circuitos eletrônicos deixados na Total Reclaim, 
local para descartar eletrônicos, em Seattle

"Todo mundo sabe que se o aparelho for parar no lixão ele irá contaminar o lençol d'água", ele disse. "Seus químicos poluem". Mas no dia seguinte à conversão nacional para a televisão digital, no dia 12 de junho, Reilly decidiu fazer uso de uma série de leis do Maine que exige que os fabricantes dos aparelhos reciclem seus produtos gratuitamente.

Ele entregou sua televisão em um ponto de coleta de lixo eletrônico perto de sua casa e imediatamente conquistou sua "paz de espírito".
Ao longo do dia, outros 700 moradores de Portland fizeram o mesmo.
Desde 2004, 18 Estados e a cidade de Nova York aprovaram leis que obrigam os fabricantes de eletrônicos a reciclarem seus produtos e outras regras similares foram introduzidas em outras 13 Estados neste ano.

As leis devem prevenir que uma série de equipamentos eletrônicos antiquados (televisões, computadores, monitores, impressoras, máquinas de fax) chegue aos lixões onde podem vazar químicos que atingiriam os lençóis e possivelmente prejudicariam a água potável.
A agência estima que  99.1 milhões de televisores estão guardados em salas e porões de todo o país sem utilidade. A resposta do consumidor à reciclagem destes bens em Estados que aprovaram a nova lei tem sido enorme.


NYT

Pilha de fios elétricos no local de descarte, Total Reclaim, em Seattle

Os legisladores  estaduais afirmam que não podiam esperar uma lei federal. Com a atualização constante das tecnologias, os fabricantes criam a obsolência em muito de suas criações, fazendo com que eletrônicos antiquados sejam despejados no sistema de coleta de lixo.
A Agência de Proteção Ambiental  estima que 2.6 milhões de toneladas de lixo eletrônico foram despejadas nos aterros sanitários em 2007, o último ano que registrou a informação. Depois de enterrado, o lixo vaza venenos como solventes de cloro e metais pesados no solo e no lençol freático.

Os programas de reciclagem não lidam com o problema dos eletrônicos que já vazam químicos nos aterros. Tampouco impede o envio de embalagens plásticas com retardadores de incêndio ao exterior, para países pobres e em desenvolvimento, onde geralmente são incinerados e poluem o ar com seus químicos.
 

Por  LESLIE KAUFMAN


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30/06/2009 03:47 PM

Novos aviões terão airbags e assentos mais resistentes

WASHINGTON - A certa altura, a segurança aeroviária se resumia a uma coisa: evitar a queda. Mas inspetores de segurança agora tentam se concentrar na sobrevivência a um possível acidente.

A partir do outono deste ano, todos os novos aviões terão que ter assentos resistentes que permaneçam no local mesmo quando sujeitos a uma pressão de até 16 vezes a força da gravidade. As poltronas de agora aguentam apenas nove vezes esta força. Além disso, em uma medida de segurança emprestada dos automóveis, alguns assentos terão que ser equipados com airbags.

A combinação de assentos resistentes e airbags significa que se um avião tocar o solo ou derrapar e atingir um obstáculo, "Você estará consciente e será capaz de sobreviver", disse Bill Hagan, presidente da AmSafe, responsável pelos airbags.

Em alguns acidentes aéreos, a força dos assentos é irrelevante porque a queda não é uma à qual os engenheiros qualificariam de "passível de sobrevivência". Em outros acidentes, ainda que violentos mas não tanto quanto uma explosão ou a queda livre, a sobrevivência dos passageiros depende deles sofrerem poucos ferimentos na primeira fase do acidente, para que possam deixar a aeronave rapidamente.

As novas regras serão aplicadas gradualmente. Aviões de modelos introduzidos depois de 1988 já tinham que ter novos assentos, aconhecidos como poltronas "16g". Então aviões como o Boeing 777 e outros jatos regionais já estão equipados. Mas modelos mais antigos que ainda estão em produção não precisam ter este tipo de assento.

A partir do dia 27 de outubro, no entanto, novos aviões de modelos certificados antes de 1988 também terão que cumprir a determinação.  Na prática, os fabricantes de aeronaves já entregam muitos aviões que cumprem a nova regra há algum tempo. Portanto o prazo é mais um marco do que um momento de real mudança.

As novas regras não afetam aviões mais antigos com poltronas antiquadas. Mas estas aeronaves deixarão de ser utilizadas.

Os inspetores de segurança decidiram impor as novas regras depois que descobriram que os passageiros podem sobreviver a uma queda caso não sejam esmagados quando os assentos se soltam do chão.

O padrão de 16g foi escolhido porque é a desaceleração mais severa à qual se pode sobreviver. A força equivalente à 16 vezes a gravidade é o mesmo que uma mudança de velocidade de 15 metros por segundo quase instantaneamente.

 

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30/06/2009 03:34 PM

Golpe em Honduras ressalta passado de influência americana na região

WASHINGTON - O presidente Barack Obama condenou na segunda-feira o golpe que derrubou o presidente de Honduras como um ato ilegal que marca um "terrível precedente"  para a região, conforme o novo governo do país desafiava pedidos internacionais de que devolva o poder ao presidente eleito e reprimia milhares de manifestantes que saíram às ruas.

 

"Nós não queremos voltar um passado sombrio", disse Obama, "no qual golpes militares sobrepujaram eleições". "Queremos sempre defender a democracia", ele acrescentou.

A crise em Honduras, na qual membros das forças militares abruptamente acordaram o presidente Manuel Zelaya no domingo e o forçaram a deixar o país de pijamas, coloca diante de Obama os fantasmas da antiga política externa americana para a  América Latina.

Os Estados Unidos costumavam apoiar facções políticas rivais e instigar golpes na região, portanto oficias desta gestão se viram na defensiva nos últimos dias, rejeitando inúmeras alegações do presidente Hugo Chávez da Venezuela de que a CIA pode ter tido envolvimento na derrubada do presidente de Honduras. Os Estados Unidos há muito têm fortes relações com as forças militares daquele país.

Ainda que oficiais da gestão Obama tenham dito que foram surpreendidos pelo golpe de domingo, eles afirmam que têm trabalhado há algumas semanas para tentar evitar uma crise política em Honduras conforme os conflitos entre Zelaya e os militares aumentavam por causa de sua tentativa de ampliar o tempo de mandato presidencial.

As Forças Militares americanas ajudam a treinar as forças de Honduras e estes fortes elos colocaram a gestão Obama em uma posição difícil, sob a acusação de que possa ter desviado a atenção do golpe.

Oficiais da gestão negam as acusações e a rápida resposta de Obama à retirada do presidente hondurenho foi muito diferente daquela da gestão Bush, que em 2002 ofereceu endosso rápido e tácito a um curto golpe contra Hugo Chávez.

Mas há algumas semanas, no dia 2 de junho, oficiais da gestão Obama tiveram um primeiro sinal da situação política no país quando a secretária de Estado Hillary Clinton viajou a Honduras para conferência da Organização dos Estados Americanos.

Clinton se encontrou com Zelaya e os dois discutiram os planos do presidente de realizar um referendo que permitiria uma mudança constitucional, afirmaram oficiais da gestão.

Os oficiais americanos não acreditam que os planos de referendo de Zelaya estivessem alinhados com a Constituição do país e temiam que pudesse inflamar as forças militares e outras facções políticas de oposição, eles dizem. Mas um oficial desta gestão alertou contra a elaboração de paralelos entre os planos de referendo de Zelaya e o golpe.

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30/06/2009 11:27 AM

Editorial: Chega o primeiro prazo para retirada do Iraque

Depois de seis sangrentos e custosos anos, a ocupação americana no Iraque em breve chegará ao fim. Por um acordo firmado com o governo de Bagdá, as tropas americanas devem deixar as cidades iraquianas até esta terça-feira. O presidente Barack Obama prometeu que até o dia 31 de agosto de 2010 (daqui 14 meses) todos as tropas de combate estarão fora do Iraque e até o final de 2011 todos os soldados terão deixado país.

 

Para uma força militar no limite esta é certamente a hora de partir. A convocação repetida esgotou soldados e suas famílias. Além disso, a guerra no Iraque (um confronto desnecessário) divergiu recursos necessários do Afeganistão, o verdadeiro fronte de batalha no combate ao terrorismo.

Muitos iraquianos estão ansiosos para que os americanos partam. O primeiro-ministro Nouri Kamal Al-Maliki declarou o dia 30 de junho uma data comemorativa com "banquetes e festivais".


Iraquianos comemoram o "Dia da Soberania Nacional" / AP

Mas ainda há muito a ser feito (e pouco tempo) para ajudar os iraquianos a se prepararem para a retirada e reduzir a chance de que o país tenha tumultos depois que os americanos forem embora.

Esperávamos que uma clara agenda de retirada finalmente convenceria os líderes iraquianos de que concessões políticas representam a solução para manter seu país unido sem uma ocupação indefinida. Isso não aconteceu. O Parlamento ainda não aprovou a nova lei que dividirá o petróleo do país de forma igualitária.

Na verdade há sinais preocupantes de que os políticos locais estão fazendo exatamente o contrário (procurando maneiras de abandonar os interesses comuns caso a guerra civil volte a ser um problema). Muitos dos vizinhos do Iraque veem a mesma coisa. A violência diminuiu, mas os extremistas ainda estão tentando dar início a um novo ciclo de ataques e retaliação. Em junho, mais de 300 iraquianos e 10 americanos foram mortos.

Obama estava certo ao se comprometer com uma retirada em ritmo cuidadosamente planejado e em dizer que os Estados Unidos não conseguem resolver todos os problemas do Iraque antes de partirem. Mas estamos preocupados que o Iraque possa ter toda a atenção que precisa de Washington.

O principal comandante americano no Iraque, o general Ray Odierno, é um líder forte, e Christopher Hill, o novo embaixador americano em Bagdá, é um diplomata talentoso. Ainda assim, Obama tem um conselheiro de alto escalão para o Afeganistão e Paquistão, para negociações no Oriente Médio e para o Irã, mas não há nenhum nome de impacto no caso do Iraque para garantir que o presidente e a burocracia estejam totalmente engrenados.

Entendemos que por motivos políticos, em ambos os países, os Estados Unidos não podem micro-gerenciar os eventos. Mas ainda há muitos problemas que precisam de apoio e da atenção americana.


Forças iraquianas tomam controle da segurança nas cidades do país / Reuters

A prontidão iraquiana

Até poucas semanas atrás, comandantes americanos esperavam que o governo do Iraque os convidaria a manter tropas de combate em algumas regiões de Bagdá e na cidade de Mosul, onde tensões sectárias estão em alta e a Al-Qaeda da Mesopotâmia ainda é ativa. Eles não fizeram isso e Washington decidiu não insistir, por causa da sensibilidade dos iraquianos.

A maioria dos analistas dá boas notas ao programa de treinamento militar americano. Eles têm opiniões diferentes sobre o exército iraquiano (ainda atingido pela corrupção, problemas de disciplina, falta de equipamentos e brechas de segurança) estar pronto para manter a paz nas cidades. Além disso, a força policial e o ministro do interior precisam trabalhar ainda mais.

Um relatório do Pentágono ao Congresso de janeiro afirmava que no último outono, 17% dos 174 batalhões de combate do exército iraquiano são capazes de conduzir operações de combate à insurgência sem o apoio dos Estados Unidos. O exército iraquiano depende dos militares americanos para conseguir informações de inteligência, logística e apoio aéreo.

Por enquanto as tropas americanas (há 130 mil no Iraque) não vão longe. O Campo Vitória de Bagdá foi designado como uma zona fora de seu perímetro, apesar de estar a apenas 10 minutos de distância em helicóptero da Zona Verde.

Antes das tropas americanas poderem partir, o exército iraquiano precisa desenvolver algumas destas capacidades que não tem para que possa combater por si mesmo. Os Estados Unidos também terão que ajudar o Iraque a reconstruir sua Força Aérea e Marinha para que possa defender sua fronteira (um esforço que irá muito além do prazo de retirada de 2011).

O Iraque fica em uma região perigosa, mas também tem seu próprio histórico de ameaçar seus vizinhos. Washington terá que decidir quanto poder bélico deve vender ao país, sabendo que Bagdá pode comprá-lo em outro lugar.

Raiva sunita

O Iraque ainda sofre com ressentimentos e a minoria sunita, que antes dominava o país, amargura particularmente o governo xiita. Áreas com grandes populações sunita têm poucos serviços e Bagdá não autorizou uma lei que permite que antigos membros do Partido Baath voltem a suas posições ou recebam pensão.

Estamos particularmente preocupados a respeito do tratamento indiferente dado pelo governo iraquiano ao Conselho do Despertar. Ele é formado pelos antigos insurgentes sunitas que decidiram mudar de lado, a pedido de Washington.

Seus membros reclamam sobre atrasos nos pagamentos e o governo não adotou as medidas necessárias para cumprir sua promessa de encontrar empregos para os 94 mil membros do grupo nos serviços de segurança, ministérios ou no setor privado.

Bagdá culpa a queda do preço do petróleo e a falta de orçamento pelo problema dos empregos. Mas manter estes militantes e seus parentes e vizinhos do lado do governo deveria ser uma prioridade. Al-Maliki afastou muitos sunitas ao ordenar a prisão de diversos líderes de conselhos locais e de alguns políticos da etnia.

Os oficiais iraquianos dizem que as prisões são justificadas. Agora, os oficiais americanos precisam deixar claro ao primeiro-ministro os perigos que ele está cortejando.

Ambição Curda

Em particular, muitos oficiais americanos dizem estar ainda mais preocupados com o aumento das tensões entre árabes e curdos no norte do Iraque.

As disputas são sobre fronteira, petróleo e o poder do governo central iraquiano. O governo autônomo regional dos curdos insiste que tem direito a cidades e vilas em três províncias pouco além da atual fronteira regional que foi imposta com a remoção de curdos e repovoamento com árabes autorizados por Saddam Hussein.

Desde 2003 (geralmente com a benção de Washington) o governo curdo posicionou sua milícia, a pesh merga, em algumas destas áreas e gastou milhões de dólares em serviços básicos na tentativa de demonstrar seu controle.

Temendo deslocamento ou domínio curdo, os sunitas árabes se voltaram a políticos e extremistas linha-dura, inclusive à Al-Qaeda da Mesopotâmia, para defender seus interesses.

As tropas americanas tiveram que evitar confrontos entre forças governamentais e a pesh merga. A tensão é particularmente alta na província de Nineveh e sua capital, Mosul. Os sunitas conquistaram a maioria no conselho da província na eleição de janeiro e imediatamente tiraram todas os cargos do bloco curdo, que ficou em segundo lugar.

A disputa mais perigosa, no entanto, é a respeito do controle da cidade rica em petróleo e multi-étnica de Kirkuk e das províncias ao seu entorno.

Em abril, as Nações Unidas emitiram um relatório com inúmeras opções para Kirkuk, inclusive torná-la em uma região autônoma comandada em conjunto por curdos, árabes e turcos. Washington deve pressionar Bagdá e os curdos para que indiquem negociadores responsáveis e peçam que não adotem posições extremas.

Se um acordo não puder ser alcançado em Kirkuk todos os três governos podem ter que considerar uma gestão internacional, possivelmente liderada pela ONU, por algum tempo.

Refugiados

Uma das grandes tragédias da guerra foi a fuga de cerca de 4 milhões de iraquianos (mais do que um em cada 10) de suas casas. Um pequeno número, talvez 100 mil, começou a voltar - outro ainda menor criou raízes no exterior.

Milhões vivem em condições extremamente difíceis. Muitos fazem parte da antiga elite sunita. Outros são xiitas cujos bairros de população mista se tornaram sunitas durante os levantes de 2006 - 2007. Todos eles precisam de uma oportunidade para voltar ao país em segurança.

O Iraque precisa de seu talento. Grandes números de refugiados também colocam um peso econômico e político muito grande sobre os vizinhos do país.

Resolver a política e logística da volta dos refugiados para suas antigas casas (agora ocupadas por outras pessoas) ou lhes dar novas moradias irá exigir ajuda internacional, além de conselhos e uma liderança iluminados. Enquanto esperam para que isso aconteça, milhões de pessoas precisam de casas, alimentos e educação. Síria e Jordânia, que receberam o maior fluxo de refugiados, precisam de ajuda internacional e americana contínua.

Além disso, os Estados Unidos precisam aceitar um número maior de iraquianos, especialmente aqueles que arriscaram suas vidas trabalhando com os americanos.

Governo

Mais do qualquer outra coisa, o Iraque precisa de um governo competente e inclusivo. Para conseguir a lealdade pública, o governo precisa fazer mais para oferecer serviços básicos a todos os iraquianos. Com a melhora na segurança, houve um aumento na produção de eletricidade, apesar de ainda ter muitas interrupções e blecautes. Água potável é uma necessidade urgente.

Conselheiros americanos têm trabalhado com ministros iraquianos, mas oficiais dos Estados Unidos dizem que estão alarmados com a falta gerentes capacitados e com a corrupção. Lidar com estes problemas nacionalmente e regionalmente deve ser uma prioridade. Conforme as tropas americanas deixem o país, o Pentágono deve continuar a oferecer segurança para que esses conselheiros civis possam trabalhar pelo país.

Os políticos iraquianos também precisam mostrar mais disposição em lidar e resolver problemas políticos há muito adiados. Em fevereiro, no mesmo dia em que falou sobre seus planos de retirada, Obama disse que "muito do resultado final" no Iraque irá depender de como questões difíceis, inclusive a lei do petróleo, serão resolvidas. Oficiais americanos agora afirmam que é improvável que isso acontece em breve e que estarão satisfeitos caso os legisladores consigam aprovar uma nova lei eleitoral a tempo das eleições nacionais de janeiro.

Há temores de que Al-Maliki possa estar acumulando poder demais, prejudicando seus rivais e gerando um quadro de oficiais militares e de inteligência leais apenas a ele. Washington deve deixar claro que não irá apoiar qualquer tomada de poder e encontrará formas de encorajar outros líderes políticos, enquanto os convence a não fazer o mesmo.

Vizinhos

Um Iraque estável é o interesse de seus vizinhos. Infelizmente, poucos parecem ver a situação desta forma. Irã e Síria se intrometeram constantemente (aumentando a violência e mudando de ideia quando parecia que a guerra poderia sair de controle e além das fronteiras do país ou que os americanos poderiam retaliar). Teerã ainda gostaria de controlar o governo xiita do Iraque.

Enquanto isso, muitos dos aliados americanos na região mantiveram seu apoio. O governo sunita do Egito há pouco tempo indicou um embaixador para Bagdá. A família real da Arábia Saudita ainda não.

Washington deve fazer muito mais para convencer estes aliados de que será de seu interesse a construção de fortes elos econômicos e diplomáticos com o Iraque. Esta é a melhor forma de contra-balancear Teerã. Com elos mais fortes vêm influência maior e mais oportunidade de ajudar a defender os interesses da minoria sunita iraquiana.

As relações com Teerã são particularmente difíceis agora, mas em algum momento a gestão Obama terá que renovar sua oferta de diálogo.

A estabilidade iraquiana terá que fazer parte destas negociações. Esperamos que elas já estejam em andamento com Damasco. Os Estados Unidos não podem consertar o Iraque. Isso é responsabilidade dos iraquianos.

Mas no tempo que têm, este país tem a responsabilidade e o grande interesse estratégico em fazer o melhor possível para ajudar o Iraque a emergir deste desastre como um Estado funcional, soberano e razoavelmente democrático.

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30/06/2009 11:16 AM

Na cobertura do Irã, o jornalismo usa notícias sem confirmação

“Checar a fonte” deve ser a primeira regra do jornalismo. Mas na cobertura dos protestos no Irã, neste mês, algumas agências de notícias adotaram uma postura diferente: publicar primeiro, perguntar depois. Se você ainda não sabe as respostas, pergunte aos seus leitores.

A CNN mostrou diversos vídeos apresentados por iranianos, a maioria deles de manifestantes que foram às ruas para protestar contra a reeleição de Ahmadinejad, em 12 de junho. O site do “New York Times”, “Atlantic magazine”, “Huffington Post” e do “Guardian” em Londres publicaram informações minuto-a-minuto com uma mistura de vídeos sem confirmação, mensagens anônimas do Twitter e considerações tradicionais de Teerã.

As notícias online tendem a correr em uma linha diferente da de reportagens mais tradicionais de agências de notícias, convergindo quando vídeos e informações de usuários podem ser confirmados. A combinação ainda atinge a maior adoção de um novo estilo de apuração de notícias – uma que combina as contribuições de cidadãos comuns com a de relatórios e análises de jornalistas.

Muitas das principais agências de notícias, que no passado foram críticas das fontes de informações indiferenciadas na web, tiveram poucas opções, a não ser abrir inteiramente suas portas neste caso. Enquanto os protestos contra Ahmadinejad aumentavam, o governo cortava agressivamente a mídia estrangeira. Enquanto os vistos expiravam, muitos jornalistas faziam as malpas, e aqueles que ficaram foram impedidos de fazer reportagens nas ruas.

Em um vazio de notícias, vídeos amadores e informações de testemunhas se tornaram a fonte factual de informação. Na verdade, o símbolo dos protestos, a imagem de uma jovem chamada Neda sangrando até a morte em uma rua de Teerã, foi filmada por duas pessoas segurando câmeras de celulares.

“É incrível o volume de coisas que surgem” do Irã, disse Matthew Weaver, que parecia exausto na noite de quinta-feira, após blogar por mais de 10 dias no site do jornal “The Guardian”.

Quando ocorriam comícios e conflitos “apareceram os primeiros tweets, então as imagens, depois vídeos no YouTube e gravaões”, disse. “É extraordinário”.

De acordo com ele, o mais importante que as pessoas estão dizendo “a certo ponto do dia é então confirmado por fontes mais convencionais quatro ou cinco horas depois”.

A CNN encoraja o público a colocar imagens e observações no iReport.com, seu site para o jornalista cidadão. Cada upload vai automaticamente para a página da internet, mas cada um é analisado antes de ser mostrado na televisão.

No processo de checagem, a CNN contata a pessoa que postou o material, faz perguntas sobre o conteúdo e tenta confirmar sua veracidade. Lila King, produtora-executiva do iReport, disse que os integrantes da equipe tentam “triangular os detalhes” de um evento ao corroborar histórias com múltiplos colaboradores do iReport em uma mesma área. Pessoas que falam persa na CNN às vezes ouviam com atenção ao som dos vídeos de protestos, discernindo o sotaque das cidades iranianas e transcrevendo os cantos e gritos.

Porque os vídeos e imagens não são feitos por funcionários da CNN, a rede não pode assegurar sua autenticidade. Mas quando há um vácuo de notícias - a equipe da CNN permanente no Irã foi expulsa na semana passada – eles fornecem todas as imagens importantes para contar a história.

Para mostrar o quão difícil o processo pode ser, a CNN recebeu 5.200 informações relacionadas ao Irã e aprovou cerca de 180 deles para uso na televisão.

Agora, o Irã tem o terceiro maior tráfico de uso no iReport.com, atrás apenas dos EUA e do Canadá. Há um mês, o Irã era o número 63 na lista de países. King pediu ao Irã um “momento divisor de águas” para despachar os cidadãos, e pela primeira vez um produtor do iReport se sentiu na sala principal da CNN.

Bill Mitchell, líder sênior do Instituto Poynter, escola pública para jornalistas, disse que a extensão do envolvimento mostrado na cobertura do Irã parece ser uma nova forma de pensar o jornalismo.

“Ao invés de se limitarem a uma explosão de artigos escritos por um jornalista (profissional ou algo do tipo), a ideia é olhar as histórias mais de perto, enquanto elas acontecem, e perguntar: há um pedaço desta história na qual estou, particularmente, em uma boa posição para melhorar ou antecipar?”, disse ele em uma mensagem de e-mail.

“E não é só uma questão para jornalistas”, acrescentou.

Nico Pitney, editor sênior do “Huffington Post”, começou a agregar notícias do Irã em 13 de junho, um dia após a eleição. No meio da semana passada, o blog – com diversas atualizações por hora durante o dia – havia recebido mais de 100 mil comentários e cinco milhões de acessos.

Pitney disse que blogs como o dele produzem uma síntese da profissão de repórter um material amador confiável. Essencialmente, as dicas de notícias que os repórteres sempre levavam consigo estão expostas ao público.

Em um reconhecimento do papel da web na cobertura de protestos, Pitney foi convidado pela Casa Branca a fazer uma pergunta na coletiva de imprensa do presidente, na última semana. Ele fez ao presidente Barack Obama uma pergunta enviada por e-mail por um iraniano. “Estamos vendo muitas informações vindas diretamente do Irã”, disse o presidente.

Mesmo usuários anônimos de internet desenvolvem uma reputação com o tempo, disse Robert Mackey, que contribui com um blog ao vivo, chamado The Lede, para o site do “New York Times”. Apesar de ter tido algumas afirmações erradas em sites como o Twitter, no geral “parece ter havido bem poucas travessuras”, disse Mackey. “As pessoas geralmente querem ajudar a resolver o quebra-cabeça”.

Leitores repetidamente chamaram a atenção aos tweets e fotos dos protestos nos comentários do blog. Alguns até compartilharam suas lembranças da geografia de Teerã em uma tentativa de checar as cenas nos vídeos.

Com o tempo, os repórteres improvisados do Irã melhoraram suas habilidades. Alguns colocaram a data de um conflito nas descrições dos arquivos mandados. Outros filmaram sinais e pontos de referência das ruas. Mas os uploads podem enganar às vezes. Na última quarta-feira, Mackey pediu ajuda aos leitores para determinar de um vídeo tremido de uma jovem era realmente novo. Um leitor do blog mostrou a ele uma cópia que havia sido colocada no YouTube dois dias antes.

Casos como esse mostram por que a publicação de tweets e fotos em Flickr podem ser estranhas. Fazendo o mesmo que outros, Waver, blog do “Guardian”, disse que sua maneira de informar deixou um de seus aborrecidos. Ele fala de um colega que advertiu: “twitter? Eu nunca vou mexer nisso, é tudo lixo”.

Em duas ocasiões, o blog do “Guardian” exibiu vídeos que mais tarde se descobriu serem de dias atrás. Weaver disse que os leitores de blogs ao vivo são “um pouco mais complacentes” com esses incidentes, em parte porque os blogueiros são transparentes quanto ao que eles sabem e o que não sabem.

Âncoras de televisão frequentemente foram colocados na mesma posição enquanto cobriam o Irã. Na última quarta-feira, o âncora da “Fox News”, Shepard Smith, mostrou um vídeo do YouTube de oficiais da polícia batendo e arrastando pessoas.

“Não sabemos de quando ou de onde esse vídeo é”, disse Smith aos espectadores. “Não sabemos nem mesmo se isso foi dirigido, apesar disso não temos razão para acreditar nisso”. Tudo que ele sabia com certeza era que havia sido “recentemente colocado no YouTube”. Para as agências de notícias, isso se tornou um ponto bom o suficiente para começar.


Por BRIAN STELTER


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29/06/2009 08:45 PM

Google enfrenta investigações antitruste e críticas de concorrentes

SÃO FRANCISCO – O Google domina quase dois terços do mercado de busca da internet. Ele é dono do maior site de vídeo online, YouTube, que é 10 vezes mais popular do que seu rival mais próximo. E no ano passado, a empresa vendeu quase US$ 22 bilhões em publicidade, mais do que qualquer companhia de mídia no mundo.

Com todas essas riquezas e mais, como o Google ainda é uma companhia relativamente pequena? Vulnerável à competição? E como sua sorte poderia mudar de uma hora para outra?

Dana Wagner fica feliz em explicar.

Wagner, que é “consultor sênior de competitividade” do Google, enfrenta uma tarefa difícil de convencer o mundo que seu empregador não é inatacável.

“A competição está a um clique”, diz Wagner. É parte de um discurso desbravado que ele tem oferecido no Vale do Silício, Nova York e Washington nos últimos meses, a repórteres, acadêmicos de direito, integrantes de equipes de congresso, grupos industriais e quem mais possa ter influência na opinião pública sobre o Google.

“Estamos em uma indústria que está sujeita a distúrbios e não podemos contar com a vitória antes do tempo”, acrescenta.

Nova medida

O Google começou a ter uma ofensiva área de relações públicas porque está no meio de um perigoso rito de passagem para poderosas companhias de tecnologia – reguladores estão avaliando cada vez mais a empresa de perto, como já fizeram com a AT&T, IBM, Intel e Microsoft. Alguns analistas dizem que a oposição do governo, aqui e na Europa, pode ser a maior ameaça para a continuidade do sucesso da companhia.

O Departamento de Justiça sabotou uma importante parceria entre o Google e a Yahoo, em novembro, pela preocupação com que isso fortificasse o domínio do Google e reduzisse a competição.

Ele também enfrenta três novas investigações antitrustes do governo: o Departamento de Justiça está examinando práticas de demissão no Google e em outras companhias de tecnologia, e está investigando uma ação de classe de pagamento entre a empresa e grupos que representam autores e editoras. Além disso, a Comissão Federal de Comércio está procurando por ligações entre os quadros do Google e da Apple.

Nenhuma das investigações feitas se dirige ao centro de negócios de publicidade da companhia. E, diferente de qualquer gigante da tecnologia nos últimos anos, ela nunca foi acusada de táticas anticompetitivas. Mas as investigações, reclamações de concorrentes e críticas têm feito a empresa brigar para dissipar a noção de que há uma fechadura em seu mercado, mesmo com o constante aumento de participação na publicidade e busca online.

As pessoas não acreditam, especialmente quando reagem à ideia de que o Google é relativamente um participante pequeno em um mercado gigante. “Eles descrevem onde estão no mercado sob uma forma de conto de fadas fantasiado que não reflete sua dominância em setores principais”, disse Jeff Chester, diretor-executivo do Centro de Democracia Digital. “A busca do Google é um elemento absolutamente imprescindível para todos os comerciantes no mundo”.

A Microsoft se recusa a comentar sobre os esforços de seu arquirrival. Mas durante a apresentação de Wagner a jornalistas em São Francisco, neste mês, o pessoal de relações públicas da Microsoft, que aprendeu a essência da apresentação, mandava e-mails a jornalistas fornecendo incoerências nos argumentos do Google. Wagner teve de enfrentar uma barreira de questões.

Dificuldades

Manifestações de infelicidade com o poder do Google não são novas. Mas alguns especialistas dizem que a corrente contínua de manchetes sobre as investigações antitrustes podem manchar a imagem da empresa com os consumidores, que ainda veem a companhia, e sua crescente lista de serviços online inovadores e gratuitos, positivamente.

“Nenhuma companhia, seja o Google, a Microsoft ou qualquer outra, quer ser vista de uma maneira negativa”, disse David B. Yoffie, professor de Administração de Harvard. “É absolutamente correto da parte do Google estar preocupado, preparado, paranoico e responder de acordo”.

Kent Walker, consultor geral do Google, disse que a companhia já esperava que seu sucesso levasse a exames ainda mais detalhados de suas ações.

“O objetivo é explicar nossos negócios, mais do que seduzir”, disse. “Achamos que temos uma grande história para contar”.

A tarefa de contar essa história caiu, em parte, sobre as costas do jovem Wagner, de 33 anos, ex-advogado antitruste do Departamento de Justiça, que usa palavras como “imbecil” e “bizarro” junto a risadas forçadas em discussões de assuntos jurídicos e econômicos. Em contraste à Microsoft, há uma década, cujos executivos raramente escondiam o desdém por reguladores, Wagner fala de seus ex-colegas do Departamento de Justiça em tons diferenciados.

“Eles definitivamente se importam em fazer o correto para os usuários e consumidores”, disse. “Minha companhia também se importa em fazer o certo para os usuários e consumidores”.

Argumentos

O trabalho de Wagner não tem sido fácil. Os slides que ele usa em suas apresentações já circularam tempo suficiente para que o Consumer Watchdog (Cão de Guarda do Consumidor), grupo de advocacia que é um crítico do Google, postasse uma versão comentada dos slides que discute quase todas as afirmações da companhia.

Por exemplo, em um slide que cita sobre grupos de política pública elogiando o Google por suas práticas de proteção à privacidade do usuário, o grupo aponta para quatro outros grupos que fizeram críticas à empresa por coletar quantidades imensas de dados sobre os consumidores.
 
Obviamente, Wagner argumenta sobre a imagem do Google de ser um monopólio inabalável. A companhia alcançou sua posição de mercado ao oferecer produtos superiores e rapidamente poderia ser destronada se parasse de inovar, disse.

E, diferente de companhias que dominaram outras épocas da computação, a empresa torna fácil para seus consumidores trocá-la por produtos concorrentes.

No caso de Wagner, o argumento central é que o Google é um participante relativamente pequeno em um vasto mercado, nos quais os rivais não são apenas outras ferramentas de busca ou mesmo outros web sites. A empresa diz que está competindo por consumidores contra sites tão diversos quanto Amazon, WebMD e Wikipédia. E ele está competindo por anúncios de publicidade com a televisão, rádios, publicações impressas, bancos de ponto de ônibus e embalagens de leite.

Gregory R. Rosston, economista de Stanford, que ouviu os argumentos de Wagner, disse que outros que enfrentaram as desgraças do antitruste deram os mesmos argumentos, sem sucesso.

“Quando grupos tentaram argumentar que a televisão, os jornais e outdoors são parte do mesmo mercado relevante de anúncios que o rádio, não funcionou com o Departamento de Justiça ou com os tribunais”, disse Rosston. “Isso mostra que a internet mudou as coisas e que esse argumento também pode surgir agora”.

Novo governo

O momento para os conflitos do Google com o governo surpreendeu alguns analistas, porque a companhia e seus executivos são próximos da administração de Obama.

Eric E. Schmidt, chefe-executivo do Google, fez campanha para o presidente Barack Obama, aconselhou sobre sua equipe de transição e agora é presidente do conselho de consultores em ciência e tecnologia. Alguns ex-funcionários da empresa tomaram cargos influentes na administração.

Essas ligações não ajudaram a companhia com os reguladores, ao menos, não até agora. Mesmo assim, elas forneceram outra fonte de preocupação para os críticos do Google, que temem que a companhia ganhe influência exagerada em importantes áreas políticas como o regulamento de privacidade online.

Wagner diz que alguns concorrentes da companhia, como a Microsoft ou a AT&T, não são muito maiores do que o Google, mas também gastam muito mais do que ele com lobby.

Enquanto a indústria é volátil e competitiva, Wagner disse que fica gratificado pelo sucesso do Google.

“Sabemos que há muitas pessoas fazendo buscas e ficamos orgulhosos disso”, disse. “Não estamos pedindo aprovação”.
  

Por MIGUEL HELFT


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29/06/2009 06:42 PM

Preocupado com a China, grande herói do Vietnã adverte líderes

HANOI – O grande herói do Vietnã, general Vo Nguyen Giap, se propôs a defender seu país mais uma vez. Mas agora ele quer lutar contra o que diz ser um grande erro do governo: um plano para permitir uma vasta exploração de minas comandada pela China.

Giap, 97, é o comandante que liderou seu país à vitória sobre a França e os EUA. Ele surgiu como uma das vozes mais proeminentes em protestos populares, que estão desafiando os trabalhos secretos de líderes comunistas vietnamitas.

Em um passo incomum, recentemente, o governo deu atenção às suas críticas e pareceu estar ao menos agindo em resposta, dizendo que revisará o projeto de impacto ambiental e retardar sua implementação total.

O projeto, aprovado pelo poderoso Partido Comunista de Politburo no fim de 2007, pediu US$ 15 bilhões até 2025 para explorar reservas de bauxita – principal minério do alumínio – estimadas por alguns como a terceira maior do mundo.

O grupo de mineração Chinalco, que pertence à China, colocou seus funcionários e equipamentos para trabalhar no remoto local das Terras Altas Centrais sob um contrato em parceria com a mineradora vietnamita Vinacomin, que pretende produzir mais de 6,6 milhões de toneladas de alumínio até 2015.

Giap e outros opositores dizem que o projeto irá destruir o meio-ambiente, desalojar minorias étnicas e ameaçar a segurança nacional por causa do influxo de operários chineses e do aumento do crescimento econômico da China.

A disputa leva em questão diversos temas do Vietnã atual: sua imitação do modelo de desenvolvimento industrial chinês oposto ao ponto de vista ambiental, a tentativa de envolvimento em uma relação com um sistema de governo e cidadãos fechados, além de uma desconfiança visceral entre muitos vietnamitas da China, grande vizinho do Norte.

Com o surgimento do esboço do projeto, cientistas, acadêmicos, ambientalistas, veteranos de guerra e outros líderes se juntaram para desafiar o que o primeiro-ministro, Nguyen Tan Dung, chama de “política maior do partido e do Estado”.

Com exceção do meio-ambiente e da economia, o tema que corre nos blogs e na opinião pública é um profundo medo enraizado da China. O Vietnã foi um Estado tributário do Estado vizinho por mil anos e foi invadido por ele em 1979. E os dois países continuam lutando pelo domínio do Mar da China Meridional.

O chefe da empresa estadual Vinacomin, Doan Van Kien, dispensou as críticas, dizendo em uma entrevista que eles têm “diferentes opiniões porque não têm informações suficientes”. Kien insistiu que qualquer dano ambiental seria contido, que a população local receberia cuidados adequados e que os chineses não tomariam as Terras Altas Centrais.

Ao ser questionado sobre como se sentiu ao estar em posição contrária a do general, Kien, o chefe da Vinacomin, disse, “Eu não ouso comentar. O general Giap é um herói nacional. Mas eu tenho de dizer que ele tem quase 100 anos. Temos que respeitá-lo, mas agora estamos sob a liderança do Partido Comunista e de um governo atual”.


Por SETH MYDANS


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29/06/2009 04:18 PM

Israel pode interromper assentamentos na Cisjordânia

JERUSALÉM - Israel pode interromper os assentamentos na Cisjordânia por um período de três a seis meses como parte de um  amplo esforço de paz no Oriente Médio que inclui a proposta palestina em negociar um fim do conflito, além de medidas por parte de grandes nações árabes que devem aumentar a confiança na região, afirmaram oficiais do país no domingo.

 

Os oficiais falaram antes de um encontro planejado para ocorrer em Washington na terça-feira entre o ministro da Defesa Ehud Barak e George J. Mitchell, enviado do Oriente Médio da gestão Obama, e disseram que esta é a mensagem que Barak carregará consigo.

A interrupção não afetaria as construções em andamento, tampouco incluiria a zona Leste de Jerusalém. Mas significaria que durante este período específico nenhum tipo de construção será inciada em blocos de assentamento fechados que Israel espera manter em um futuro acordo de dois Estados com os palestinos.


Colonos judeus continuam com construções em regiões da Cisjordânia / Getty

Ainda que tal oferta não esteja à altura da exigência do presidente Barack Obama de que Israel interrompa toda construção de assentamentos, ela é a resposta mais positiva vinda de oficiais sênior israelenses até o momento e sugere que a pressão americana está tendo efeito.

Até agora, oficiais israelenses insistem que os assentamentos não podem acabar "o crescimento natural" ou a "vida normal", o que significa a construção feita para os filhos daqueles que vivem neste locais.

Os oficiais que falaram sobre a possibilidade de uma interrupção temporária disseram que a questão é delicada em Israel, e por isso eles não estão preparados para que seus nomes sejam publicamente relacionados à ideia neste momento. Mas falaram com clara autoridade.

Eles calculam que cerca de duas mil construções estão em andamento na Cisjordânia neste momento e disseram que elas seriam concluídas sob a nova proposta, mas nenhuma nova construção seria iniciada. Eles também disseram que se os amplos esforços de paz não derem em nada, a construção recomeçará.

O próprio Barak se recusou a falar sobre a questão da interrupção temporária em uma conversa no domingo com o The New York Times, dizendo apenas que os assentamentos devem ser vistos como parte de uma série de problemas que precisam ser solucionados para que haja paz no Oriente Médio.

"Para nós, é muito importante que os palestinos se comprometam a buscar o fim deste conflito e acabar com qualquer exigências", ele disse. "Nós não devemos isolar está questão dos assentamentos e fazer com que ela seja mais importante do que as outras. Ela foi debatida no contexto de uma discussão maior sobre a paz".

Israel, ele disse, quer um acordo regional que leve a um Estado para os palestinos e à segurança para seu povo.

Leia mais sobre assentamentos israelenses

29/06/2009 11:30 AM

Deus, armas de fogo e América se reúnem em igreja de Kentucky

LOUISVILLE, Kentucky - Algumas das pessoas sentadas nos bancos da Igreja Nova Belém na noite de sábado, com suas armas de fogo ao lado, vêem a si mesmas como pioneiras dos tempos modernos.

"Este país começou com as pessoas se reunindo em igrejas e reclamando dos impostos e do governo do Rei George 3º, além de falar sobre as armas que tinham", disse Chesley Kemp, 61, médico de família dono de uma Kimber .45 Auto.

Kemp disse que dirigiu duas horas de Bowling Green para participar desta celebração às armas na igreja, que, segundo os organizadores do evento, parece ser a primeira de sua espécie, pelo menos nos tempos modernos.

O espírito pioneiro permeou uma celebração de 90 minutos comandada por Ken Pagano, pastor da igreja Assembleia de Deus, para quem Deus, armas e a América fazem parte de um mesmo pacote.


Pastor Ken Pagano na igreja...


... e treinando tiro com suas armas / Fotos: NYT

"Se não fosse por uma crença profunda em Deus e nas armas, este país não estaria aqui hoje", declarou Pagano do púlpito da igreja. Os cerca de 180 fieis da congregação responderam com "améns".

Pagano disse que o evento não era um serviço de adoração, mas a certa altura ele não resistiu a erguer ambas as mãos e abençoar os presentes. "Vocês se tornaram minha paróquia", ele disse. "Eu rezo para que o Senhor os abençoe e olhe por vocês".

Pagano, 49, também transmitiu sua mensagem com algumas piadas, músicas e o sorteio de um rifle Ruger. O Monitor de Ciência Cristã qualifica o evento como um "Especial de Sábado à Noite".

Muitos na plateia disseram que não são membros da igreja. Mas eles pareceram unidos na crença de que seus direitos como donos de armas estão sob ameaça.

"Está chegando um momento no qual precisaremos nos proteger das coisas ruins do mundo", disse Dawnrene Bullock, 43, ex-enfermeira. "Nós ouvimos os rumores sobre a restrição ao porte de armas para que as pessoas não possam se proteger".

Outro tema dominante foi a auto-defesa. Tommy Hillerich, 68, caminhoneiro aposentado, e Maya, 58, sua mulher, ex-metalúrgica, não trouxeram suas armas mas acreditam firmemente no seu direito de fazer isso.

"Eu não vejo nada errado em se ter uma arma carregada aqui", disse Hillerich. "Se o pastor tiver uma arma escondida ali e alguém entrar atirando nas pessoas ele pode nos defender. Esse é o seu direito". Ele acrescentou: "Eu acho que todos deveriam andar armados".

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29/06/2009 10:52 AM

Futebol dos EUA precisa apostar em oponentes mais fortes

A derrota dos Estados Unidos para o Brasil por 3 a 2 na final da Copa das Confederações no domingo não deve obscurecer algumas mensagens enviadas da África do Sul.

 

A primeira: os Estados Unidos podem fazer algum barulho ao voltar ao país no próximo ano para a Copa do Mundo. A segunda: a seleção americana deve continuar marcando amistosos contra oponentes fortes como este ou corre o risco de perder sua chance no torneio do ano que vem.

Os Estados Unidos começaram o torneio com derrotas para o Brasil e Itália, parecendo o time pequeno que foi vencido pela Costa Rica durante o jogo classificatório para a Copa do Mundo no dia 3 de junho.

Então, a seleção ressurgiu dos mortos de uma forma que faria com que Lázaro tocasse a corneta juntamente com cada um dos torcedores sul-africanos. Os americanos tiraram o Egito do caminho, acabaram com a invencibilidade espanhola de 35 jogos e abriram vantagem de dois gols sobre o Brasil, pentacampeão mundial, antes do intervalo.

Landon Donovan demonstrou ser esperto, ousado, criativo. Jozy Altidore faz com que questionemos como o MLS pode comprá-lo de volta do banco do pequeno time da liga secundária espanhola Xerez. Tim Howard não foi apenas um dos melhores goleiros do campeonato, mas provavelmente é um dos melhores do mundo.

Mas os Estados Unidos não vão melhorar nos jogos classificatórios da Concacaf, onde os países com exceção do México são tão pequenos que cabem em um Estado americano.

Quando os Estados Unidos finalmente conseguirem sua vaga na Copa do Mundo, a seleção deve marcar amistosos contra oponentes mais fortes.

Em 2002, a equipe jogou contra Holanda, Uruguai e Equador e depois contra Irlanda e Itália. Apenas a Holanda, finalista da Copa do Mundo por duas vezes, não chegou ao torneio.Os Estados Unidos chocaram o mundo e chegaram às quartas de final.

Quatro anos depois, os Estados Unidos jogaram amistosos contra Marrocos, Venezuela, Lituânia, Alemanha e Pôlonia. Apenas os dois últimos, contra quem a seleção jogou em março, chegaram à Copa daquele ano, e os americanos foram desqualificados em três jogos.

"Isso é algo que eles têm que mudar este ano", disse Marcelo Balboa, que jogou pela seleção em três mundiais. "Eles têm que jogar contra os ingleses, os italianos".

A segunda metade do jogo de domingo mostrou que os Estados Unidos ainda têm um longo caminho pela frente. Mas neste mês eles encontraram algo geralmente associado à África do Sul: esperança.

- John Henderson

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29/06/2009 10:07 AM

Premiação e comunidades negras reverenciam Michael Jackson

Jamie Foxx, apresentador da premiação Black Entertainment Television, foi direto na noite de domingo: "Nós queremos celebrar este homem negro", ele disse a respeito de Michael Jackson. "Ele pertence a nós e nós o compartilhamos com os outros".

NYT

Manifestações no Brooklyn saudaram o papel de Jackson como personalidade negra

Em todo o mundo, Jackson foi celebrado no domingo, mas houve um fervor especial em bairros negros e suas igrejas. Na Primeira Igreja Metodista Episcopal Africana no sul de Los Angeles, a missa das 10h foi aberta ao som de "I'll Be There", do Jackson Five, com um vídeo que homenageava Jackson. A congregação aplaudiu e aclamou.

"Ele pode não ser o rei dos reis", comentou a reverenda Carolyn Herron, "mas ele é o Rei do Pop". Ele foi um "presente de Deus", ela disse.

Os negros já não demonstravam o ressentimento que tinham por causa de seu afastamento, de sua distância do angelical Michael do Jackson Five. Mas mesmo alguns negros reconheciam que Jackson  (como muitos afro-americanos) tinha problemas com sua identidade.

"Jackson me lembra Sammy Davis Jr.", disse Gerald L. Early,  professor de estudos afro-americanos da Universidade de Washington em St. Louis. "Davis foi um cantor e dançarino, como Jackson, e um homem que se sentia inferior por causa de sua aparência e que queria fazer parte do ambiente branco de Hollywood no qual vivia".

Mas Michael também abriu espaço para os artistas negros, mesmo que tenha mudado e se tornado aceitável para os brancos.

"Ele se dizia ser o Rei do Pop, o que era uma ousadia, na nossa cultura o Rei do Jazz foi Paul Whiteman, o Rei do Swing foi Benny Goodman e o Rei do Rock foi Elvis Presley, todos homens brancos", disse Early.

"Isso, de certa forma, redefiniu radicalmente a relação dos artistas negros com a música, e fez de Jackson um auteur", ele disse. "Desta forma, Michael pode ter aberto espaço para Obama como um negro auteur e criador de seu próprio mito".

(Reportagem de Marcus Mabry)

Relembre as fases da carreira de Michael Jackson; veja o vídeo:


Leia também:


A carreira de Michael Jackson


Opinião

 

29/06/2009 10:04 AM

Editorial: Nova York vende direitos sobre nome de estação de metrô

Depois de cinco anos de tentativas, a Autoridade Metropolitana de Transportes (ou M.T.A. na sigla em inglês) vendeu os direitos sobre o nome de uma estação de metrô. A partir de 2012, o órgão acrescentará o nome Barclays à estação do Brooklyn atualmente conhecida como Atlantic Avenue-Pacific Street.

Sim, Barclays, o banco britânico. Mais diretamente, o banco que comprou os direitos sobre o nome do estádio desportivo que está sendo construído como parte do projeto Atlantic Yards. O comprador neste caso é Forest City Ratner, criador do Atlantic Yards. Ele irá pagar US$ 200 mil por ano nos próximos 20 anos.

Sabemos que este é um valor alto em tempos difíceis para a M.T.A. Mas há motivos para estarmos descrentes de tudo isso, que provavelmente explica porque levou tanto tempo para que fosse vendido.

Quando se desce em uma estação de metrô, você quer saber onde está, não quem a patrocina. Os nomes não mudam facilmente, especialmente quando correspondem (como os nomes das estações de Nova York) ao lugar exato da cidade. Os nomes de estações de metrô são úteis como são, mudando apenas quando a rua acima delas muda.

O nome de seus patrocinadores deve mudar conforme o clima econômico, e acrescentar um nome como Barclays ao que é, afinal, uma estação pública de trânsito (no Brooklyn) parece dissonante.

Portanto, no quesito de direito sobre os nomes, gostaríamos de pedir que a M.T.A. adote outra postura: venda os direitos sobre os trens. Alguns passageiros da linha norte já podem embarcar em trens como Thelonius Monk ou John Cheever ou Sojourner Truth. Mas no cenário atual, teria que ser alguém que gerasse dinheiro. Talvez Donald Trump?

Leia mais sobre Nova York

29/06/2009 09:59 AM

Celebridades narram pontos turísticos do Central Park

NOVA YORK - No que pode ser considerado o equivalente para celular das áudio tours de museus, dezenas de celebridades passaram a oferecer narrativas para passeios pelo Central Park pelo telefone. 

Os tours são uma mistura de trívia, memórias e história: Yoko Ono apresenta Strawberry Fields, campo batizado com o título de uma das músicas dos Beatles em homenagem a seu marido John Lennon. Jimmy Fallon fala sobre o North Meadow, um dos campos nos quais a equipe que produziu "Sex and the City" e "Law & Order" jogou bola. Whoopi Goldberg discorre sobre Wollman Rink, onde ela aprendeu a andar de patins sobre o gelo.

"Nós queríamos fazer isso há muito tempo, mas o desafio era a tecnologia", disse Douglas Blonsky, presidente do Grupo de Conservação do Central Park, que gerencia o parque sob ordens da cidade de Nova York.

Alugar, gravar e manter aparelhos específicos para o passeio seria muito caro, além de pouco prático. Mas os celulares, que agora as pessoas carregam consigo o tempo todo, se mostraram uma solução para o problema.

O grupo marcou 40 locais com sinais verdes e um número de discagem (646 862-0997) que oferece diferentes ramais para cada local.
"Você nem parece um turista", disse Blonsky. "Você pode fingir que está falando ao telefone".

Conheça alguns dos lugares e seus narradores:

A Ravina: David Copperfield Ponte Bow: Julia Louis-Dreyfus Conservatório Água: Glenn Close A Fábrica de Laticínios: Danny Meyer Teatro Delacorte: Anne Hathaway Grande Gramado: Alec Baldwin Quadras de Tênis: John McEnroe

Leia mais sobre Central Park

25/06/2009 01:41 PM






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