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Na cobertura do Irã, o jornalismo usa notícias sem confirmação

“Checar a fonte” deve ser a primeira regra do jornalismo. Mas na cobertura dos protestos no Irã, neste mês, algumas agências de notícias adotaram uma postura diferente: publicar primeiro, perguntar depois. Se você ainda não sabe as respostas, pergunte aos seus leitores.

A CNN mostrou diversos vídeos apresentados por iranianos, a maioria deles de manifestantes que foram às ruas para protestar contra a reeleição de Ahmadinejad, em 12 de junho. O site do “New York Times”, “Atlantic magazine”, “Huffington Post” e do “Guardian” em Londres publicaram informações minuto-a-minuto com uma mistura de vídeos sem confirmação, mensagens anônimas do Twitter e considerações tradicionais de Teerã.

As notícias online tendem a correr em uma linha diferente da de reportagens mais tradicionais de agências de notícias, convergindo quando vídeos e informações de usuários podem ser confirmados. A combinação ainda atinge a maior adoção de um novo estilo de apuração de notícias – uma que combina as contribuições de cidadãos comuns com a de relatórios e análises de jornalistas.

Muitas das principais agências de notícias, que no passado foram críticas das fontes de informações indiferenciadas na web, tiveram poucas opções, a não ser abrir inteiramente suas portas neste caso. Enquanto os protestos contra Ahmadinejad aumentavam, o governo cortava agressivamente a mídia estrangeira. Enquanto os vistos expiravam, muitos jornalistas faziam as malpas, e aqueles que ficaram foram impedidos de fazer reportagens nas ruas.

Em um vazio de notícias, vídeos amadores e informações de testemunhas se tornaram a fonte factual de informação. Na verdade, o símbolo dos protestos, a imagem de uma jovem chamada Neda sangrando até a morte em uma rua de Teerã, foi filmada por duas pessoas segurando câmeras de celulares.

“É incrível o volume de coisas que surgem” do Irã, disse Matthew Weaver, que parecia exausto na noite de quinta-feira, após blogar por mais de 10 dias no site do jornal “The Guardian”.

Quando ocorriam comícios e conflitos “apareceram os primeiros tweets, então as imagens, depois vídeos no YouTube e gravaões”, disse. “É extraordinário”.

De acordo com ele, o mais importante que as pessoas estão dizendo “a certo ponto do dia é então confirmado por fontes mais convencionais quatro ou cinco horas depois”.

A CNN encoraja o público a colocar imagens e observações no iReport.com, seu site para o jornalista cidadão. Cada upload vai automaticamente para a página da internet, mas cada um é analisado antes de ser mostrado na televisão.

No processo de checagem, a CNN contata a pessoa que postou o material, faz perguntas sobre o conteúdo e tenta confirmar sua veracidade. Lila King, produtora-executiva do iReport, disse que os integrantes da equipe tentam “triangular os detalhes” de um evento ao corroborar histórias com múltiplos colaboradores do iReport em uma mesma área. Pessoas que falam persa na CNN às vezes ouviam com atenção ao som dos vídeos de protestos, discernindo o sotaque das cidades iranianas e transcrevendo os cantos e gritos.

Porque os vídeos e imagens não são feitos por funcionários da CNN, a rede não pode assegurar sua autenticidade. Mas quando há um vácuo de notícias - a equipe da CNN permanente no Irã foi expulsa na semana passada – eles fornecem todas as imagens importantes para contar a história.

Para mostrar o quão difícil o processo pode ser, a CNN recebeu 5.200 informações relacionadas ao Irã e aprovou cerca de 180 deles para uso na televisão.

Agora, o Irã tem o terceiro maior tráfico de uso no iReport.com, atrás apenas dos EUA e do Canadá. Há um mês, o Irã era o número 63 na lista de países. King pediu ao Irã um “momento divisor de águas” para despachar os cidadãos, e pela primeira vez um produtor do iReport se sentiu na sala principal da CNN.

Bill Mitchell, líder sênior do Instituto Poynter, escola pública para jornalistas, disse que a extensão do envolvimento mostrado na cobertura do Irã parece ser uma nova forma de pensar o jornalismo.

“Ao invés de se limitarem a uma explosão de artigos escritos por um jornalista (profissional ou algo do tipo), a ideia é olhar as histórias mais de perto, enquanto elas acontecem, e perguntar: há um pedaço desta história na qual estou, particularmente, em uma boa posição para melhorar ou antecipar?”, disse ele em uma mensagem de e-mail.

“E não é só uma questão para jornalistas”, acrescentou.

Nico Pitney, editor sênior do “Huffington Post”, começou a agregar notícias do Irã em 13 de junho, um dia após a eleição. No meio da semana passada, o blog – com diversas atualizações por hora durante o dia – havia recebido mais de 100 mil comentários e cinco milhões de acessos.

Pitney disse que blogs como o dele produzem uma síntese da profissão de repórter um material amador confiável. Essencialmente, as dicas de notícias que os repórteres sempre levavam consigo estão expostas ao público.

Em um reconhecimento do papel da web na cobertura de protestos, Pitney foi convidado pela Casa Branca a fazer uma pergunta na coletiva de imprensa do presidente, na última semana. Ele fez ao presidente Barack Obama uma pergunta enviada por e-mail por um iraniano. “Estamos vendo muitas informações vindas diretamente do Irã”, disse o presidente.

Mesmo usuários anônimos de internet desenvolvem uma reputação com o tempo, disse Robert Mackey, que contribui com um blog ao vivo, chamado The Lede, para o site do “New York Times”. Apesar de ter tido algumas afirmações erradas em sites como o Twitter, no geral “parece ter havido bem poucas travessuras”, disse Mackey. “As pessoas geralmente querem ajudar a resolver o quebra-cabeça”.

Leitores repetidamente chamaram a atenção aos tweets e fotos dos protestos nos comentários do blog. Alguns até compartilharam suas lembranças da geografia de Teerã em uma tentativa de checar as cenas nos vídeos.

Com o tempo, os repórteres improvisados do Irã melhoraram suas habilidades. Alguns colocaram a data de um conflito nas descrições dos arquivos mandados. Outros filmaram sinais e pontos de referência das ruas. Mas os uploads podem enganar às vezes. Na última quarta-feira, Mackey pediu ajuda aos leitores para determinar de um vídeo tremido de uma jovem era realmente novo. Um leitor do blog mostrou a ele uma cópia que havia sido colocada no YouTube dois dias antes.

Casos como esse mostram por que a publicação de tweets e fotos em Flickr podem ser estranhas. Fazendo o mesmo que outros, Waver, blog do “Guardian”, disse que sua maneira de informar deixou um de seus aborrecidos. Ele fala de um colega que advertiu: “twitter? Eu nunca vou mexer nisso, é tudo lixo”.

Em duas ocasiões, o blog do “Guardian” exibiu vídeos que mais tarde se descobriu serem de dias atrás. Weaver disse que os leitores de blogs ao vivo são “um pouco mais complacentes” com esses incidentes, em parte porque os blogueiros são transparentes quanto ao que eles sabem e o que não sabem.

Âncoras de televisão frequentemente foram colocados na mesma posição enquanto cobriam o Irã. Na última quarta-feira, o âncora da “Fox News”, Shepard Smith, mostrou um vídeo do YouTube de oficiais da polícia batendo e arrastando pessoas.

“Não sabemos de quando ou de onde esse vídeo é”, disse Smith aos espectadores. “Não sabemos nem mesmo se isso foi dirigido, apesar disso não temos razão para acreditar nisso”. Tudo que ele sabia com certeza era que havia sido “recentemente colocado no YouTube”. Para as agências de notícias, isso se tornou um ponto bom o suficiente para começar.


Por BRIAN STELTER


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29/06/2009 08:45 PM

Google enfrenta investigações antitruste e críticas de concorrentes

SÃO FRANCISCO – O Google domina quase dois terços do mercado de busca da internet. Ele é dono do maior site de vídeo online, YouTube, que é 10 vezes mais popular do que seu rival mais próximo. E no ano passado, a empresa vendeu quase US$ 22 bilhões em publicidade, mais do que qualquer companhia de mídia no mundo.

Com todas essas riquezas e mais, como o Google ainda é uma companhia relativamente pequena? Vulnerável à competição? E como sua sorte poderia mudar de uma hora para outra?

Dana Wagner fica feliz em explicar.

Wagner, que é “consultor sênior de competitividade” do Google, enfrenta uma tarefa difícil de convencer o mundo que seu empregador não é inatacável.

“A competição está a um clique”, diz Wagner. É parte de um discurso desbravado que ele tem oferecido no Vale do Silício, Nova York e Washington nos últimos meses, a repórteres, acadêmicos de direito, integrantes de equipes de congresso, grupos industriais e quem mais possa ter influência na opinião pública sobre o Google.

“Estamos em uma indústria que está sujeita a distúrbios e não podemos contar com a vitória antes do tempo”, acrescenta.

Nova medida

O Google começou a ter uma ofensiva área de relações públicas porque está no meio de um perigoso rito de passagem para poderosas companhias de tecnologia – reguladores estão avaliando cada vez mais a empresa de perto, como já fizeram com a AT&T, IBM, Intel e Microsoft. Alguns analistas dizem que a oposição do governo, aqui e na Europa, pode ser a maior ameaça para a continuidade do sucesso da companhia.

O Departamento de Justiça sabotou uma importante parceria entre o Google e a Yahoo, em novembro, pela preocupação com que isso fortificasse o domínio do Google e reduzisse a competição.

Ele também enfrenta três novas investigações antitrustes do governo: o Departamento de Justiça está examinando práticas de demissão no Google e em outras companhias de tecnologia, e está investigando uma ação de classe de pagamento entre a empresa e grupos que representam autores e editoras. Além disso, a Comissão Federal de Comércio está procurando por ligações entre os quadros do Google e da Apple.

Nenhuma das investigações feitas se dirige ao centro de negócios de publicidade da companhia. E, diferente de qualquer gigante da tecnologia nos últimos anos, ela nunca foi acusada de táticas anticompetitivas. Mas as investigações, reclamações de concorrentes e críticas têm feito a empresa brigar para dissipar a noção de que há uma fechadura em seu mercado, mesmo com o constante aumento de participação na publicidade e busca online.

As pessoas não acreditam, especialmente quando reagem à ideia de que o Google é relativamente um participante pequeno em um mercado gigante. “Eles descrevem onde estão no mercado sob uma forma de conto de fadas fantasiado que não reflete sua dominância em setores principais”, disse Jeff Chester, diretor-executivo do Centro de Democracia Digital. “A busca do Google é um elemento absolutamente imprescindível para todos os comerciantes no mundo”.

A Microsoft se recusa a comentar sobre os esforços de seu arquirrival. Mas durante a apresentação de Wagner a jornalistas em São Francisco, neste mês, o pessoal de relações públicas da Microsoft, que aprendeu a essência da apresentação, mandava e-mails a jornalistas fornecendo incoerências nos argumentos do Google. Wagner teve de enfrentar uma barreira de questões.

Dificuldades

Manifestações de infelicidade com o poder do Google não são novas. Mas alguns especialistas dizem que a corrente contínua de manchetes sobre as investigações antitrustes podem manchar a imagem da empresa com os consumidores, que ainda veem a companhia, e sua crescente lista de serviços online inovadores e gratuitos, positivamente.

“Nenhuma companhia, seja o Google, a Microsoft ou qualquer outra, quer ser vista de uma maneira negativa”, disse David B. Yoffie, professor de Administração de Harvard. “É absolutamente correto da parte do Google estar preocupado, preparado, paranoico e responder de acordo”.

Kent Walker, consultor geral do Google, disse que a companhia já esperava que seu sucesso levasse a exames ainda mais detalhados de suas ações.

“O objetivo é explicar nossos negócios, mais do que seduzir”, disse. “Achamos que temos uma grande história para contar”.

A tarefa de contar essa história caiu, em parte, sobre as costas do jovem Wagner, de 33 anos, ex-advogado antitruste do Departamento de Justiça, que usa palavras como “imbecil” e “bizarro” junto a risadas forçadas em discussões de assuntos jurídicos e econômicos. Em contraste à Microsoft, há uma década, cujos executivos raramente escondiam o desdém por reguladores, Wagner fala de seus ex-colegas do Departamento de Justiça em tons diferenciados.

“Eles definitivamente se importam em fazer o correto para os usuários e consumidores”, disse. “Minha companhia também se importa em fazer o certo para os usuários e consumidores”.

Argumentos

O trabalho de Wagner não tem sido fácil. Os slides que ele usa em suas apresentações já circularam tempo suficiente para que o Consumer Watchdog (Cão de Guarda do Consumidor), grupo de advocacia que é um crítico do Google, postasse uma versão comentada dos slides que discute quase todas as afirmações da companhia.

Por exemplo, em um slide que cita sobre grupos de política pública elogiando o Google por suas práticas de proteção à privacidade do usuário, o grupo aponta para quatro outros grupos que fizeram críticas à empresa por coletar quantidades imensas de dados sobre os consumidores.
 
Obviamente, Wagner argumenta sobre a imagem do Google de ser um monopólio inabalável. A companhia alcançou sua posição de mercado ao oferecer produtos superiores e rapidamente poderia ser destronada se parasse de inovar, disse.

E, diferente de companhias que dominaram outras épocas da computação, a empresa torna fácil para seus consumidores trocá-la por produtos concorrentes.

No caso de Wagner, o argumento central é que o Google é um participante relativamente pequeno em um vasto mercado, nos quais os rivais não são apenas outras ferramentas de busca ou mesmo outros web sites. A empresa diz que está competindo por consumidores contra sites tão diversos quanto Amazon, WebMD e Wikipédia. E ele está competindo por anúncios de publicidade com a televisão, rádios, publicações impressas, bancos de ponto de ônibus e embalagens de leite.

Gregory R. Rosston, economista de Stanford, que ouviu os argumentos de Wagner, disse que outros que enfrentaram as desgraças do antitruste deram os mesmos argumentos, sem sucesso.

“Quando grupos tentaram argumentar que a televisão, os jornais e outdoors são parte do mesmo mercado relevante de anúncios que o rádio, não funcionou com o Departamento de Justiça ou com os tribunais”, disse Rosston. “Isso mostra que a internet mudou as coisas e que esse argumento também pode surgir agora”.

Novo governo

O momento para os conflitos do Google com o governo surpreendeu alguns analistas, porque a companhia e seus executivos são próximos da administração de Obama.

Eric E. Schmidt, chefe-executivo do Google, fez campanha para o presidente Barack Obama, aconselhou sobre sua equipe de transição e agora é presidente do conselho de consultores em ciência e tecnologia. Alguns ex-funcionários da empresa tomaram cargos influentes na administração.

Essas ligações não ajudaram a companhia com os reguladores, ao menos, não até agora. Mesmo assim, elas forneceram outra fonte de preocupação para os críticos do Google, que temem que a companhia ganhe influência exagerada em importantes áreas políticas como o regulamento de privacidade online.

Wagner diz que alguns concorrentes da companhia, como a Microsoft ou a AT&T, não são muito maiores do que o Google, mas também gastam muito mais do que ele com lobby.

Enquanto a indústria é volátil e competitiva, Wagner disse que fica gratificado pelo sucesso do Google.

“Sabemos que há muitas pessoas fazendo buscas e ficamos orgulhosos disso”, disse. “Não estamos pedindo aprovação”.
  

Por MIGUEL HELFT


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29/06/2009 06:42 PM

Preocupado com a China, grande herói do Vietnã adverte líderes

HANOI – O grande herói do Vietnã, general Vo Nguyen Giap, se propôs a defender seu país mais uma vez. Mas agora ele quer lutar contra o que diz ser um grande erro do governo: um plano para permitir uma vasta exploração de minas comandada pela China.

Giap, 97, é o comandante que liderou seu país à vitória sobre a França e os EUA. Ele surgiu como uma das vozes mais proeminentes em protestos populares, que estão desafiando os trabalhos secretos de líderes comunistas vietnamitas.

Em um passo incomum, recentemente, o governo deu atenção às suas críticas e pareceu estar ao menos agindo em resposta, dizendo que revisará o projeto de impacto ambiental e retardar sua implementação total.

O projeto, aprovado pelo poderoso Partido Comunista de Politburo no fim de 2007, pediu US$ 15 bilhões até 2025 para explorar reservas de bauxita – principal minério do alumínio – estimadas por alguns como a terceira maior do mundo.

O grupo de mineração Chinalco, que pertence à China, colocou seus funcionários e equipamentos para trabalhar no remoto local das Terras Altas Centrais sob um contrato em parceria com a mineradora vietnamita Vinacomin, que pretende produzir mais de 6,6 milhões de toneladas de alumínio até 2015.

Giap e outros opositores dizem que o projeto irá destruir o meio-ambiente, desalojar minorias étnicas e ameaçar a segurança nacional por causa do influxo de operários chineses e do aumento do crescimento econômico da China.

A disputa leva em questão diversos temas do Vietnã atual: sua imitação do modelo de desenvolvimento industrial chinês oposto ao ponto de vista ambiental, a tentativa de envolvimento em uma relação com um sistema de governo e cidadãos fechados, além de uma desconfiança visceral entre muitos vietnamitas da China, grande vizinho do Norte.

Com o surgimento do esboço do projeto, cientistas, acadêmicos, ambientalistas, veteranos de guerra e outros líderes se juntaram para desafiar o que o primeiro-ministro, Nguyen Tan Dung, chama de “política maior do partido e do Estado”.

Com exceção do meio-ambiente e da economia, o tema que corre nos blogs e na opinião pública é um profundo medo enraizado da China. O Vietnã foi um Estado tributário do Estado vizinho por mil anos e foi invadido por ele em 1979. E os dois países continuam lutando pelo domínio do Mar da China Meridional.

O chefe da empresa estadual Vinacomin, Doan Van Kien, dispensou as críticas, dizendo em uma entrevista que eles têm “diferentes opiniões porque não têm informações suficientes”. Kien insistiu que qualquer dano ambiental seria contido, que a população local receberia cuidados adequados e que os chineses não tomariam as Terras Altas Centrais.

Ao ser questionado sobre como se sentiu ao estar em posição contrária a do general, Kien, o chefe da Vinacomin, disse, “Eu não ouso comentar. O general Giap é um herói nacional. Mas eu tenho de dizer que ele tem quase 100 anos. Temos que respeitá-lo, mas agora estamos sob a liderança do Partido Comunista e de um governo atual”.


Por SETH MYDANS


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29/06/2009 04:18 PM

Israel pode interromper assentamentos na Cisjordânia

JERUSALÉM - Israel pode interromper os assentamentos na Cisjordânia por um período de três a seis meses como parte de um  amplo esforço de paz no Oriente Médio que inclui a proposta palestina em negociar um fim do conflito, além de medidas por parte de grandes nações árabes que devem aumentar a confiança na região, afirmaram oficiais do país no domingo.

 

Os oficiais falaram antes de um encontro planejado para ocorrer em Washington na terça-feira entre o ministro da Defesa Ehud Barak e George J. Mitchell, enviado do Oriente Médio da gestão Obama, e disseram que esta é a mensagem que Barak carregará consigo.

A interrupção não afetaria as construções em andamento, tampouco incluiria a zona Leste de Jerusalém. Mas significaria que durante este período específico nenhum tipo de construção será inciada em blocos de assentamento fechados que Israel espera manter em um futuro acordo de dois Estados com os palestinos.


Colonos judeus continuam com construções em regiões da Cisjordânia / Getty

Ainda que tal oferta não esteja à altura da exigência do presidente Barack Obama de que Israel interrompa toda construção de assentamentos, ela é a resposta mais positiva vinda de oficiais sênior israelenses até o momento e sugere que a pressão americana está tendo efeito.

Até agora, oficiais israelenses insistem que os assentamentos não podem acabar "o crescimento natural" ou a "vida normal", o que significa a construção feita para os filhos daqueles que vivem neste locais.

Os oficiais que falaram sobre a possibilidade de uma interrupção temporária disseram que a questão é delicada em Israel, e por isso eles não estão preparados para que seus nomes sejam publicamente relacionados à ideia neste momento. Mas falaram com clara autoridade.

Eles calculam que cerca de duas mil construções estão em andamento na Cisjordânia neste momento e disseram que elas seriam concluídas sob a nova proposta, mas nenhuma nova construção seria iniciada. Eles também disseram que se os amplos esforços de paz não derem em nada, a construção recomeçará.

O próprio Barak se recusou a falar sobre a questão da interrupção temporária em uma conversa no domingo com o The New York Times, dizendo apenas que os assentamentos devem ser vistos como parte de uma série de problemas que precisam ser solucionados para que haja paz no Oriente Médio.

"Para nós, é muito importante que os palestinos se comprometam a buscar o fim deste conflito e acabar com qualquer exigências", ele disse. "Nós não devemos isolar está questão dos assentamentos e fazer com que ela seja mais importante do que as outras. Ela foi debatida no contexto de uma discussão maior sobre a paz".

Israel, ele disse, quer um acordo regional que leve a um Estado para os palestinos e à segurança para seu povo.

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29/06/2009 11:30 AM

Deus, armas de fogo e América se reúnem em igreja de Kentucky

LOUISVILLE, Kentucky - Algumas das pessoas sentadas nos bancos da Igreja Nova Belém na noite de sábado, com suas armas de fogo ao lado, vêem a si mesmas como pioneiras dos tempos modernos.

"Este país começou com as pessoas se reunindo em igrejas e reclamando dos impostos e do governo do Rei George 3º, além de falar sobre as armas que tinham", disse Chesley Kemp, 61, médico de família dono de uma Kimber .45 Auto.

Kemp disse que dirigiu duas horas de Bowling Green para participar desta celebração às armas na igreja, que, segundo os organizadores do evento, parece ser a primeira de sua espécie, pelo menos nos tempos modernos.

O espírito pioneiro permeou uma celebração de 90 minutos comandada por Ken Pagano, pastor da igreja Assembleia de Deus, para quem Deus, armas e a América fazem parte de um mesmo pacote.


Pastor Ken Pagano na igreja...


... e treinando tiro com suas armas / Fotos: NYT

"Se não fosse por uma crença profunda em Deus e nas armas, este país não estaria aqui hoje", declarou Pagano do púlpito da igreja. Os cerca de 180 fieis da congregação responderam com "améns".

Pagano disse que o evento não era um serviço de adoração, mas a certa altura ele não resistiu a erguer ambas as mãos e abençoar os presentes. "Vocês se tornaram minha paróquia", ele disse. "Eu rezo para que o Senhor os abençoe e olhe por vocês".

Pagano, 49, também transmitiu sua mensagem com algumas piadas, músicas e o sorteio de um rifle Ruger. O Monitor de Ciência Cristã qualifica o evento como um "Especial de Sábado à Noite".

Muitos na plateia disseram que não são membros da igreja. Mas eles pareceram unidos na crença de que seus direitos como donos de armas estão sob ameaça.

"Está chegando um momento no qual precisaremos nos proteger das coisas ruins do mundo", disse Dawnrene Bullock, 43, ex-enfermeira. "Nós ouvimos os rumores sobre a restrição ao porte de armas para que as pessoas não possam se proteger".

Outro tema dominante foi a auto-defesa. Tommy Hillerich, 68, caminhoneiro aposentado, e Maya, 58, sua mulher, ex-metalúrgica, não trouxeram suas armas mas acreditam firmemente no seu direito de fazer isso.

"Eu não vejo nada errado em se ter uma arma carregada aqui", disse Hillerich. "Se o pastor tiver uma arma escondida ali e alguém entrar atirando nas pessoas ele pode nos defender. Esse é o seu direito". Ele acrescentou: "Eu acho que todos deveriam andar armados".

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29/06/2009 10:52 AM

Futebol dos EUA precisa apostar em oponentes mais fortes

A derrota dos Estados Unidos para o Brasil por 3 a 2 na final da Copa das Confederações no domingo não deve obscurecer algumas mensagens enviadas da África do Sul.

 

A primeira: os Estados Unidos podem fazer algum barulho ao voltar ao país no próximo ano para a Copa do Mundo. A segunda: a seleção americana deve continuar marcando amistosos contra oponentes fortes como este ou corre o risco de perder sua chance no torneio do ano que vem.

Os Estados Unidos começaram o torneio com derrotas para o Brasil e Itália, parecendo o time pequeno que foi vencido pela Costa Rica durante o jogo classificatório para a Copa do Mundo no dia 3 de junho.

Então, a seleção ressurgiu dos mortos de uma forma que faria com que Lázaro tocasse a corneta juntamente com cada um dos torcedores sul-africanos. Os americanos tiraram o Egito do caminho, acabaram com a invencibilidade espanhola de 35 jogos e abriram vantagem de dois gols sobre o Brasil, pentacampeão mundial, antes do intervalo.

Landon Donovan demonstrou ser esperto, ousado, criativo. Jozy Altidore faz com que questionemos como o MLS pode comprá-lo de volta do banco do pequeno time da liga secundária espanhola Xerez. Tim Howard não foi apenas um dos melhores goleiros do campeonato, mas provavelmente é um dos melhores do mundo.

Mas os Estados Unidos não vão melhorar nos jogos classificatórios da Concacaf, onde os países com exceção do México são tão pequenos que cabem em um Estado americano.

Quando os Estados Unidos finalmente conseguirem sua vaga na Copa do Mundo, a seleção deve marcar amistosos contra oponentes mais fortes.

Em 2002, a equipe jogou contra Holanda, Uruguai e Equador e depois contra Irlanda e Itália. Apenas a Holanda, finalista da Copa do Mundo por duas vezes, não chegou ao torneio.Os Estados Unidos chocaram o mundo e chegaram às quartas de final.

Quatro anos depois, os Estados Unidos jogaram amistosos contra Marrocos, Venezuela, Lituânia, Alemanha e Pôlonia. Apenas os dois últimos, contra quem a seleção jogou em março, chegaram à Copa daquele ano, e os americanos foram desqualificados em três jogos.

"Isso é algo que eles têm que mudar este ano", disse Marcelo Balboa, que jogou pela seleção em três mundiais. "Eles têm que jogar contra os ingleses, os italianos".

A segunda metade do jogo de domingo mostrou que os Estados Unidos ainda têm um longo caminho pela frente. Mas neste mês eles encontraram algo geralmente associado à África do Sul: esperança.

- John Henderson

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29/06/2009 10:07 AM

Premiação e comunidades negras reverenciam Michael Jackson

Jamie Foxx, apresentador da premiação Black Entertainment Television, foi direto na noite de domingo: "Nós queremos celebrar este homem negro", ele disse a respeito de Michael Jackson. "Ele pertence a nós e nós o compartilhamos com os outros".

NYT

Manifestações no Brooklyn saudaram o papel de Jackson como personalidade negra

Em todo o mundo, Jackson foi celebrado no domingo, mas houve um fervor especial em bairros negros e suas igrejas. Na Primeira Igreja Metodista Episcopal Africana no sul de Los Angeles, a missa das 10h foi aberta ao som de "I'll Be There", do Jackson Five, com um vídeo que homenageava Jackson. A congregação aplaudiu e aclamou.

"Ele pode não ser o rei dos reis", comentou a reverenda Carolyn Herron, "mas ele é o Rei do Pop". Ele foi um "presente de Deus", ela disse.

Os negros já não demonstravam o ressentimento que tinham por causa de seu afastamento, de sua distância do angelical Michael do Jackson Five. Mas mesmo alguns negros reconheciam que Jackson  (como muitos afro-americanos) tinha problemas com sua identidade.

"Jackson me lembra Sammy Davis Jr.", disse Gerald L. Early,  professor de estudos afro-americanos da Universidade de Washington em St. Louis. "Davis foi um cantor e dançarino, como Jackson, e um homem que se sentia inferior por causa de sua aparência e que queria fazer parte do ambiente branco de Hollywood no qual vivia".

Mas Michael também abriu espaço para os artistas negros, mesmo que tenha mudado e se tornado aceitável para os brancos.

"Ele se dizia ser o Rei do Pop, o que era uma ousadia, na nossa cultura o Rei do Jazz foi Paul Whiteman, o Rei do Swing foi Benny Goodman e o Rei do Rock foi Elvis Presley, todos homens brancos", disse Early.

"Isso, de certa forma, redefiniu radicalmente a relação dos artistas negros com a música, e fez de Jackson um auteur", ele disse. "Desta forma, Michael pode ter aberto espaço para Obama como um negro auteur e criador de seu próprio mito".

(Reportagem de Marcus Mabry)

Relembre as fases da carreira de Michael Jackson; veja o vídeo:


Leia também:


A carreira de Michael Jackson


Opinião

 

29/06/2009 10:04 AM

Editorial: Nova York vende direitos sobre nome de estação de metrô

Depois de cinco anos de tentativas, a Autoridade Metropolitana de Transportes (ou M.T.A. na sigla em inglês) vendeu os direitos sobre o nome de uma estação de metrô. A partir de 2012, o órgão acrescentará o nome Barclays à estação do Brooklyn atualmente conhecida como Atlantic Avenue-Pacific Street.

Sim, Barclays, o banco britânico. Mais diretamente, o banco que comprou os direitos sobre o nome do estádio desportivo que está sendo construído como parte do projeto Atlantic Yards. O comprador neste caso é Forest City Ratner, criador do Atlantic Yards. Ele irá pagar US$ 200 mil por ano nos próximos 20 anos.

Sabemos que este é um valor alto em tempos difíceis para a M.T.A. Mas há motivos para estarmos descrentes de tudo isso, que provavelmente explica porque levou tanto tempo para que fosse vendido.

Quando se desce em uma estação de metrô, você quer saber onde está, não quem a patrocina. Os nomes não mudam facilmente, especialmente quando correspondem (como os nomes das estações de Nova York) ao lugar exato da cidade. Os nomes de estações de metrô são úteis como são, mudando apenas quando a rua acima delas muda.

O nome de seus patrocinadores deve mudar conforme o clima econômico, e acrescentar um nome como Barclays ao que é, afinal, uma estação pública de trânsito (no Brooklyn) parece dissonante.

Portanto, no quesito de direito sobre os nomes, gostaríamos de pedir que a M.T.A. adote outra postura: venda os direitos sobre os trens. Alguns passageiros da linha norte já podem embarcar em trens como Thelonius Monk ou John Cheever ou Sojourner Truth. Mas no cenário atual, teria que ser alguém que gerasse dinheiro. Talvez Donald Trump?

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29/06/2009 09:59 AM

Celebridades narram pontos turísticos do Central Park

NOVA YORK - No que pode ser considerado o equivalente para celular das áudio tours de museus, dezenas de celebridades passaram a oferecer narrativas para passeios pelo Central Park pelo telefone. 

Os tours são uma mistura de trívia, memórias e história: Yoko Ono apresenta Strawberry Fields, campo batizado com o título de uma das músicas dos Beatles em homenagem a seu marido John Lennon. Jimmy Fallon fala sobre o North Meadow, um dos campos nos quais a equipe que produziu "Sex and the City" e "Law & Order" jogou bola. Whoopi Goldberg discorre sobre Wollman Rink, onde ela aprendeu a andar de patins sobre o gelo.

"Nós queríamos fazer isso há muito tempo, mas o desafio era a tecnologia", disse Douglas Blonsky, presidente do Grupo de Conservação do Central Park, que gerencia o parque sob ordens da cidade de Nova York.

Alugar, gravar e manter aparelhos específicos para o passeio seria muito caro, além de pouco prático. Mas os celulares, que agora as pessoas carregam consigo o tempo todo, se mostraram uma solução para o problema.

O grupo marcou 40 locais com sinais verdes e um número de discagem (646 862-0997) que oferece diferentes ramais para cada local.
"Você nem parece um turista", disse Blonsky. "Você pode fingir que está falando ao telefone".

Conheça alguns dos lugares e seus narradores:

A Ravina: David Copperfield Ponte Bow: Julia Louis-Dreyfus Conservatório Água: Glenn Close A Fábrica de Laticínios: Danny Meyer Teatro Delacorte: Anne Hathaway Grande Gramado: Alec Baldwin Quadras de Tênis: John McEnroe

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25/06/2009 01:41 PM

Astronauta pinta suas experiências na superfície da Lua

HOUSTON - Já faz quase 40 anos que Alan L. Bean caminhou na Lua como astronauta da missão Apollo, mas ele ainda vive a experiência todos os dias, tentando recapturar o que ele e seus colegas sentiram por meio da pintura.

NYT

Aprender a pintar foi um processo difícil e lento para Bean, que descreve a si mesmo como uma pessoa de aprendizado lento. Ele teve que abandonar a forma ultra racional com que aprendeu a ver o mundo como piloto de testes da Marinha e engenheiro. Ele se treinou a ver as coisas não como elas são, mas como ele as sente e a traduzir emoções em cores e resistir a seus impulsos científicos.

"Quando eu deixei a NASA, eu decidi que não seria um astronauta pintor, mas um pintor que algum dia foi um astronauta", ele disse. "Demora um pouco para mudarmos quem somos".

A atenção da crítica não chega a Bean, 77, apesar dele ter desenvolvido, principalmente através do boca a boca, um grupo de fãs entre colecionadores particulares que pagam até US$175,000 por seus trabalhos. Em julho, o Museu Smithsonian do Ar e Espaço de Washington irá montar uma exposição com 45 de seus trabalhos e ele deve lançar um livro de reproduções de suas pinturas. Ele tem esperança de que o 40º aniversário de seu pouso na Lua possa atrair a atenção dos críticos.

NYT
Bean sempre se destacou entre os astronautas de sua era. Os astronautas da Apollo eram conhecidos por ter hobbies como caça, golf e carros esportivos. Bean estudava arte, pintando a natureza morta para relaxar entre suas missões.

Então, em 1981, depois de 18 anos como astronauta, Bean se aposentou para virar pintor. A decisão foi uma surpresa para a Nasa. Afinal de contas, ele era uma celebridade na agência, tendo realizado 1,671 horas de voo no espaço e comandado a missão Skylab. Mas pilotos mais novos poderiam cuidar disso, ele disse, e ele poderia fazer as pinturas que queria.

Em um auto-retrato, ele é visto com os braços erguidos em comemoração, o sol brilhando em sua viseira dourada. "Eu quero mostrar uma atitude ousada", ele explica. "Eu acho que é preciso ser muito ousado para acredita que se pode ir a 400 mil quilômetros em pequenos veículos e voltar vivo".

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25/06/2009 01:38 PM

Estados árabes alinhados com EUA saboreiam tumultos no Irã

CAIRO - A rancorosa disputa pela eleição presidencial do Irã pode se mostrar vantajosa para os líderes árabes alinhados com Washington, que no passado reclamaram que o presidente Mahmoud Ahmadinejad desestabilizava a região e os assuntos árabes, afirmaram analistas políticos e ex-oficiais de toda a região.

 

A ideia é que com Ahmadinejad permanecendo no cargo, há menor chance de que as relações entre Teerã e Washington melhorem, algo que os aliados árabes dos americanos temem que prejudicaria seus interesses. Ao mesmo tempo, o conflito eleitoral pode ter enfraquecido a liderança iraniana em casa e no exterior, forçando o foco na estabilidade doméstica, disseram analistas políticos e ex-oficiais.

"Quando o Irã é forte e desafiador, bem como quando ele é mais alinhado com o Ocidente, eles não gostam", disse Adnan Abu Odeh, ex-conselheiro do Rei Hussein da Jordânia.

Claro, tal resultado pode se mostrar apenas um desejo inatingível, alertam os analistas. Outros poderes centrais no Irã, do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, aos militares, podem ter mais influência na política da região do que o presidente. Também é possível que uma profunda divisão da liderança possa exacerbar a tensões regionais para distrair a atenção de seus problemas domésticos.

O impasse iraniano também pode ser um alerta aos líderes árabes que têm observado tecnologias modernas, como a internet e celulares, que novamente prejudicam a capacidade de Estados autoritários em controlar o acesso e a distribuição de informações.

Mas as diferenças culturais entre Irã e os Estados árabes são tão grandes que não há temor entre os outros líderes de que seu povo se inspire a um levante. O Irã é um país importante e influente no Oriente Médio, mas também está longe da maioria sunita árabe por ser um país de maioria persa cuja população é formada por xiitas.

"Muitos jovens do mundo árabe adorariam ver algo assim, mas o estilo da sociedade civil faz com que isso seja mais possível no Irã do que em lugares como o Egito e a Arábia Saudita", disse Ahmed al-Omran, estudante universitário da Arábia Saudita e autor do popular blog saudijeans.org.

Além disso, os dramáticos vídeos de iranianos sendo presos ou apanhando da milícia Basij danificaram a imagem do país como Estado mais populista e religiosamente puro da região.

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25/06/2009 06:37 AM

Hillary Clinton rescinde convite de iranianos a comemorações da Independência

WASHINGTON - Na tentativa de envolver o Irã, o presidente Barack Obama fez um convite tipicamente americano para a comemoração do Quatro de Julho, com cachorro-quente e muito companheirismo nas Embaixadas dos Estados Unidos de todo o mundo.

Agora, a festa pode ser a última baixa dos conflitos que atingem Teerã.
Na quarta-feira, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, que havia autorizado que os diplomatas convidassem iranianos para suas festas do Dia da Independência, enviou uma notificação pedindo que eles rescindam os convites.

Embaixadas que já convidaram iranianos para suas festas foram instruídas a retirar o convite. 

Não está claro se isso irá afetar os iranianos. O porta-voz do Departamento de Estado, Ian C. Kelly, disse não saber de nenhum diplomata que tenha recebido a confirmação de um convidado iraniano em todo o mundo.

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25/06/2009 06:07 AM

Editorial: EUA precisam agir para impedir chegada de armas ao México

Assassinatos relacionados às drogas duplicaram no México no ano passado, chegando a 6.200, conforme os cartéis disputam os dólares dos viciados americanos e fazem uso do sistema de venda de armas dos Estados Unidos para alimentar sua guerra.

Um novo relatório feito para o Congresso diz que mais de 90% das armas recuperadas em crimes do mundo das drogas no México nos últimos três anos foram compradas em lojas e exposições no Texas, Califórnia e Arizona, de acordo com o relatório de Prestação de Contas do Governo.

O relatório confirmou os argumentos de oficiais mexicanos que pressionam Washington a adotar um controle mais rígido das armas. Enquanto a gestão Obama rascunha uma estratégia para combater o tráfico de drogas, o relatório alerta para obstáculos consideráveis.

As agências americanas responsáveis pelo controle da venda de armas de fogo e pelo policiamento da imigração estão fazendo um trabalho ruim em compartilhar informações e coordenar políticas. Programas que acompanham a venda de armas ainda não foram traduzidos para o espanhol para que possam ser completamente usados por autoridades mexicanas.

O que também está claro é que os vendedores de armas americanos (6.700 deles ao longo da fronteira) fornecem cada vez mais armas de poderio militar que tem intensificado a guerra entre os cartéis.

A América precisa finalmente agir. Vendedores particulares e expositores devem ser regulamentados como uma ameaça à segurança pública. O Congresso deve recusar as restrições que impedem o registro nacional de armas e que agências locais compartilhem informações com as federais.

O relatório ressalta a covardia política de Washington e seu alto custo, conforme o pânico se espalha ao sul da fronteira e ameaça chegar ao norte.

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25/06/2009 05:33 AM

Fonte de energia limpa gera medo de terremotos na Califórnia

BASIL - Markus O. Haering, antigo explorador de petróleo, queria ser o herói desta cidade medieval ao perfurar cinco quilômetros de profundidade na esquina entre as ruas Neuhaus e Shafer.

NYT

Broca é preparada para o projeto geotérmico de AltaRock Energy
em Anderson Springs, na Califórnia

Ele procurava por uma fonte de energia limpa e renovável que parece sair diretamente de uma história de Júlio Verne: o calor brando que existe sob a rocha estratificada da Terra.

Tudo parecia bem (até o dia 8 de dezembro de 2006, quando o projeto causou um terremoto que danificou casas e alarmou muitos em uma cidade que, como toda criança aprende na escola local, foi devastada há exatos 650 anos quando um terremoto derrubou duas torres da Catedral Muenster no rio Reno.

Rapidamente encerrado, o projeto de Haering foi esquecido por quase todos fora da Suíça. No começo desta semana, no entanto, a companhia americana AltaRock Energy, começara a usar um método similar para perfurar um solo falho há duas horas de São Francisco.

Moradores da região, que fica entre os condados de Lake e Sonoma, já protestam por conta de pequenos terremotos gerados por projetos menos geologicamente invasivos na região. Mas oficiais da AltaRock dizem ter escolhido o local em parte por que sua história de pequenos abalos sinaliza riscos limitados.

Como a iniciativa de Basil, o novo projeto irá em busca de energia geotérmica fraturando rochas duras a mais de três metros de profundidade para extrair seu calor. A AltaRock, fundada por Susan Petty, pesquisadora veterana de energia geotérmica, conseguiu mais de US$ 36 milhões do Departamento de Energia, além de inúmeras firmas de investimento como Kleiner Perkins, Caufield & Byers e Google.

A AltaRock afirma que irá se manter afastada de grandes falhas geológicas e que pode operar com segurança. Mas em um relatório sobre o impacto sísmico que a AltaRock teve que apresentar, não foi mencionado que o programa de Basil foi cancelado por causa de um terremoto. A AltaRock alega não ter certeza de que o projeto tenha causado o terremoto, apesar de sismólogos do governo suíço terem afirmado que sim. A companhia também não mencionou os milhares de pequenos abalos gerados pelo projeto de Basil que continuaram a ocorrer muitos anos depois de seu fechamento.

NYT

Trabalhador varre o chão de local do projeto geotérmico
Markus O. Haring em Basil, na Suíça

O projeto californiano é o primeiro em dezenas de outros que podem operar nos Estados Unidos nos próximos anos, gerados por uma medida que busca cortar as emissões de gases causadores do efeito estufa e pelo apoio da gestão Obama à energias renováveis.

O potencial geotérmico como fonte de energia gerou esperança e seus defensores acreditam que esta pode ser a solução para o fim da dependência americana dos combustíveis fósseis (possivelmente fornecendo cerca de 15% da eletricidade do país até 2030, de acordo com uma estimativa da Google).

O calor da Terra está sempre ali esperando para ser utilizado, ao contrário do vento e do sol, que são intermitentes e por isso menos confiáveis. De acordo com um relatório geotérmico de 2007 financiado pelo Departamento de Energia, a energia geotérmica em teoria pode gerar até 60 mil vezes o uso anual do país. O presidente Barack Obama, em uma coletiva de imprensa na terça-feira, citou a energia geotérmica como parte da "transformação limpa da energia" que um projeto de lei diante do Congresso busca gerar.

Companhias energéticas há muito produzem pequenas quantidades e energia geotérmica usando leitos superficiais de vapor, geralmente por baixo de gêiseres ou ventilações chamadas fumarolas. Mesmo estes projetos podem induzir terremotos, ainda que de escala pequena.
Mas para que a energia geotérmica seja utilizada mais amplamente, os engenheiros precisam encontrar formas de remover o calor de camadas mais profundas da Terra.

Alguns defensores da prática acreditam que o método utilizado em Basil, e que será testado na Califórnia, é a resposta para isso. Mas porque grande quantidade de terremotos tende a surgir em profundidades maiores, quebrar essas rochas pode oferecer um risco maior afirmam os sismólogos.

Por JAMES GLANZ

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24/06/2009 12:21 PM

Nova teoria diz que gripe suína surgiu na Ásia

Ao contrário da crença popular de que a nova pandemia de gripe suína teve início em fazendas no México, oficiais federais da agricultura agora acreditam que é mais provável que ela tenha surgido em porcos asiáticos, mas que viajou à América do Norte em um humano.


No entanto, eles enfatizam que não há como provar esta teoria e que possuem apenas dados escassos que apontam para a relação.

Não há evidência de que este novo vírus, que combina genes da Eurásia com outros da América do Norte, tenha circulado entre porcos norte-americanos, mas há muitas que apontam a contaminação por um "vírus irmão" que circulou na Ásia.

Porcos de raça americanos, possivelmente portadores da gripe da América do Norte, são frequentemente exportados para a Ásia, onde a gripe pode ter se combinado com outras da região. Mas por causa de procedimentos de quarentena que dificultam a importação de porcos da região, é improvável que um animal tenha sido responsável por trazer a nova gripe para o Ocidente.

"O cenário mais provável é que ela tenha vindo em algum mamífero que se movimenta com mais liberdade pelo mundo", disse Dr. Amy L. Vincent, especialista na doença pelo Departamento de Agricultura, se referindo, claro, aos humanos.

A primeira pessoa a levar o vírus da Ásia para a América do Norte, assumindo que isso tenha acontecido, nunca foi encontrada e nunca será, porque os humanos deixam de ter o vírus quando melhoram.

Além disso, segundo os oficiais, as chances de se provar sua teoria diminuem conforme o vírus infecta mais pessoas globalmente. No momento a doença já chegou a mais de 90 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Uma vez que algumas dessas pessoas irão inevitavelmente transmitir a doença aos porcos, sua história é impossível de se rastrear.

"Não é possível saber se um porco foi recentemente infectado por um humano ou se tinha o vírus antes da epidemia começar", disse Dr. Kelly M. Lager, outra especialista do Departamento de Agricultura. 

O incomum vírus (que contém traços do vírus da gripe aviária e suína da América do Norte e suína da Ásia) não foi encontrado em porcos no Ocidente, a não ser em uma pequena criação no Canadá que foi infectada em abril. 

Por DONALD G. McNEIL JR.

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24/06/2009 12:02 PM






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