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Ministra da Saúde renuncia em meio a avanço da gripe suína na Argentina

A ministra da Saúde da Argentina, Graciela Ocaña, pediu demissão nesta segunda-feira, em meio ao aumento de casos da gripe suína no país. O pedido de demissão ocorre um dia depois das eleições legislativas que marcaram a derrota dos candidatos do governo da presidente Cristina Kirchner nas urnas.A informação foi confirmada pelo ministro chefe da Casa Civil, Sérgio Massa, em entrevista coletiva na Casa Rosada, a sede da Presidência do país.

"A presidente aceitou a renúncia de Ocaña e nomeou o médico Juan Luis Mansur, que, entre outras coisas, reduziu a mortalidade infantil na província de Tucumán", afirmou.

Segundo Massa, a gripe suína é "um tema central" da agenda do governo e, na noite desta segunda, as autoridades nacionais deverão anunciar novas medidas para o combate à doença.

Relatos indicam que a presidente pode declarar emergência nacional - o que, na pratica, segundo especialistas, significaria a liberação mais rápida de recursos para o combate à gripe ou, inclusive, a suspensão de atividades em locais públicos, como cinemas, shoppings e teatros, nas regiões mais afetadas pelo vírus H1N1.

Pressão
A demissão de Ocaña era esperada, já que, segundo assessores da ministra, ela vinha sendo pressionada pelos secretários de saúde para que fosse declarada emergência nacional na semana passada, mas não era recebida pela presidente para tratar do assunto.

"A ministra não era recebida há dez dias pela presidente e decidiu renunciar assim que terminassem as eleições", disse o analista político Joaquín Morales Solá, do jornal La Nación.

Segundo dados oficiais, 28 vítimas da gripe suína morreram na Argentina – terceiro país com maior número de mortes pela doença, depois do México e dos Estados Unidos.

Nesta segunda-feira, as províncias de Santa Fé e de São Luís declararam emergência sanitária e suspenderam as aulas na rede escolar. Em Santa Fé, não haverá aulas durante um mês, e em São Luís por uma semana.

Apesar da preocupação com a doença, ninguém usa máscaras nas ruas das duas províncias ou na capital argentina, Buenos Aires, por exemplo, como ocorreu inicialmente no México - país onde a gripe suína foi primeiro identificada.

29/06/2009 02:30 PM

Culpado por fraude de US$ 65 bi pega 150 anos de prisão nos EUA

O financista americano Bernard Madoff foi condenado nesta segunda-feira nos Estados Unidos a 150 anos de prisão por uma fraude no valor de US$ 65 bilhões (cerca de R$ 127 bilhões), a maior na história americana. A sentença de prisão determinada pelo juiz Denny Chin é a maior possível para os crimes de que o financista era acusado.Madoff foi considerado culpado de 11 acusações, entre elas fraude e lavagem de dinheiro, e a defesa pedia pena de 12 anos de prisão.

A pena foi anunciada após o tribunal ouvir depoimentos emocionados de várias vítimas do golpe elaborado por Madoff. O financista estava à frente de um esquema de pirâmide em que os investidores mais antigos eram pagos com o dinheiro depositado por novos clientes.

Alguns dos maiores investidores do mundo e muitos bancos foram vítimas da fraude organizada pelo ex-presidente da bolsa de valores Nasdaq, uma figura conhecida de Wall Street há mais de 40 anos.

No entanto, nem todas as vítimas de Madoff pertenciam à elite. Professores, fazendeiros e mecânicos também estão entre os que perderam suas economias com o esquema.

Desculpas
O financista foi preso em dezembro do ano passado e, em março, declarou-se culpado das 11 acusações.

Antes de ouvir sua sentença, Madoff, de 71 anos, pediu desculpas pelo "legado de vergonha" que ele trouxe para sua família e para o mercado financeiro.

Madoff olhou diretamente para algumas de suas vítimas presentes no tribunal e pediu desculpas.

Algumas das vítimas que perderam todo o dinheiro que tinham caíram em prantos durante os depoimentos.

Quando a sentença foi proferida, aplausos e gritos foram ouvidos no tribunal.

Segundo a correspondente da BBC nos Estados Unidos Michelle Fleury, se esperava que o financista fosse condenado a uma sentença menor.

Fleury disse que, apesar de as vítimas estarem felizes com a decisão, a condenação de Madoff não resolve todos os seus problemas, já que ainda precisam recuperar o dinheiro que perderam.

29/06/2009 01:57 PM

TV britânica disseca 'gigantes da natureza'; veja fotos

Um documentário que estreia nesta segunda-feira na TV britânica vai mostrar autópsias em quatro "gigantes da natureza" – elefante, baleia, crocodilo e girafa – para apresentar teorias sobre a evolução das espécies. No programa, produzido pelo Channel 4, veterinários da Royal Veterinary College dissecam os animais e mostram, a partir de tecidos e órgãos, como os animais se adaptaram ao longo dos milênios.O primeiro episódio foi dedicado ao elefante e, entre outras coisas, os cientistas explicam que ninguém sabe exatamente por que os enormes mamíferos têm pulmões reforçados, embora existam teorias de que isso possa facilitar o deslocamento na água.

Uma baleia que morreu encalhada na costa da Irlanda foi dissecada pelos veterinários.

No documentário, o biólogo Richard Dawkins apresenta a teoria sobre os motivos que teriam levado os ancestrais das baleias a trocar a terra pela água.

A partir das dissecações, o programa também mostra os segredos de um dos predadores mais antigos e bem-sucedidos do mundo, o crocodilo.

29/06/2009 01:32 PM

Lula diz que não reconhece novo governo de Honduras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que não reconhece o novo governo de Honduras e condenou o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya. "Nós não podemos aceitar ou reconhecer qualquer novo governo que não seja o presidente Zelaya, porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia", disse Lula durante o programa de rádio Café com o Presidente.Segundo ele, o retorno de Zelaya à Presidência é "a única condição para que a gente possa estabelecer relações com Honduras".

"Se Honduras não rever a posição, ela vai ficar totalmente ilhada no meio de um contingente enorme de países democráticos", finalizou o presidente.

No domingo, dia do golpe, o Itamaraty já havia divulgado uma nota afirmando que o governo condenava "de forma veemente" a ação militar que resultou na retirada do Presidente de Honduras.

"Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região. Eventuais questões de ordem constitucional devem ser resolvidas de forma pacífica, pelo diálogo e no marco da institucionalidade democrática", diz a nota.

Depois da detenção e exílio de Zelaya, o então presidente do Congresso, Roberto Micheletti, assumiu o cargo máximo do Executivo do país.

Leia também na BBC Brasil: Presidente interino de Honduras declara toque de recolher
Entenda a crise no país

29/06/2009 12:36 PM

Em dez anos, Brasil não avançou em combate à corrupção, diz relatório do Banco Mundial

Em dez anos de medição, os indicadores brasileiros de combate à corrupção não tiveram "mudança significativa", de acordo com um relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Mundial.

Embora tenha havido uma leve melhora nas estatísticas entre 2007 e 2008, a pequena variação dentro da margem de erro significou que este avanço foi "estatisticamente insignificante", de acordo com o critério do banco.

Do ano retrasado para o passado, em uma pontuação que varia de -2,5 a +2,5 - na qual os números positivos indicam os melhores resultados -, o Brasil passou de -0,21 para -0,03. A margem de erro foi de 0,14 ponto. Dez anos atrás a pontuação do Brasil era +0,10 com uma margem de erro de 0,18 ponto.

Em um outro critério de medição, os autores do estudo afirmaram que 58% dos países do mundo estão piores do que o Brasil na questão de controle à corrupção no ano passado, o país estava melhor do que 52% deles. Mas, novamente, a margem de erro, que vai de 50% a 63%, indica uma variação pouco significativa.

Apesar da estagnação nos indicadores, o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop, disse que, na prática, existe uma "impressão generalizada" de que o país vive um "ambiente favorável" para o combate à corrupção.

"A impressão geral é de que o país tem feito avanços na última década, especialmente ao implementar instrumentos de controle e criando um ambiente favorável para ações de combate à corrupção", afirmou Diop.

"Existe um saudável reconhecimento de que não há soluções rápidas e simples, mas também existe a compreensão de que esta é uma questão fundamental para a sociedade brasileira e que progressos estão sendo feitos."

Boa governança

O relatório, o oitavo da série, mede da governança de 212 países levando em consideração estatísticas de 35 fontes de dados, entre organizações, governo e institutos de pesquisa, entre outros.

O Banco Mundial define governança como "as tradições e instituições pelas quais se exerce a autoridade em um país" – o que inclui a forma como governos são eleitos, fiscalizados e substituídos, e a sua capacidade de formular e implementar políticas econômicas e sociais.

O Brasil melhorou nos seis critérios levados em conta, mas ainda permanece atrás em termos de Estado de direito/domínio da lei (-0,30 ou melhor que 46% dos países pesquisados) e estabilidade política (-0,12 ou melhor que 38% dos países).

Em termos de eficiência do governo, o país pontuou -0,01 e ficou em melhor situação que 55% dos países do globo; já a nota para qualidade regulatória foi +0,19, melhor que a de 58% dos países.

O desempenho brasileiro mais satisfatório foi na questão da participação cidadã e transparência do governo: pontuação de 0,51 ou melhor que a de 61% dos países.

A instituição ressalvou, porém, que nunca fez um estudo específico aprofundado sobre questões de governança no Brasil, e que a atual pesquisa "não mede ações governamentais diretamente, mas se baseia em pesquisas de percepção".

Governança e desenvolvimento

A análise dos dados brasileiros mostra as idas e vindas dos indicadores do país na última década. Quando a melhora é constante, no entanto, sublinha o relatório, é possível perceber uma relação entre boa governança e desenvolvimento.

"Quando a governança melhora o equivalente a um desvio-padrão, a mortalidade infantil é reduzida em dois terços e a renda aumenta em cerca de três vezes no longo prazo", disse o relatório.

Por outro lado, a riqueza de um país não implica necessariamente boa governança, diz o relatório, citando como exemplo a crise que erodiu a confiança em instituições nos países ricos. "Uma melhor governança fortalece o desenvolvimento e não o contrário", afirma o estudo.

O Banco Mundial afirmou que diversos países emergentes apresentam indicadores de governança melhores que a Itália, por exemplo, que está entre o grupo dos sete países mais industrializados do mundo. Neste caso estão o Chile, o Uruguai e a Costa Rica na América Latina; Eslovênia, Hungria e República Checa no Leste Europeu; Estônia, Letônia e Lituânia nos Bálticos; Botsuana e Ilhas Maurício na África.

Como em anos anteriores, o relatório procurou afastar o que chamou de "noções de afropessimismo", indicando que em termos de governança houve notável avanço em Gana, Angola, Libéria, Ruanda, Etiópia e República Democrática do Congo.

Por outro lado, houve piora nos indicadores de governança de diversos outros países, incluindo a Venezuela, Zimbábue, Costa do Marfim, Belarus e Eritrea.

29/06/2009 11:31 AM

Irã liberta cinco funcionários de embaixada da Grã-Bretanha

Cinco funcionários da embaixada da Grã-Bretanha em Teerã detidos pelas autoridades iranianas foram libertados, informou o governo do Irã. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Hassan Ghashghavi, os quatro restantes estão sendo interrogados.A mídia local disse que os funcionários, todos iranianos e contratados localmente, teriam sido detidos sob suspeita de envolvimento nas manifestações que sucederam as eleições para a presidência do Irã.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, disse que as alegações são falsas.

Nesse meio tempo, o mais importante órgão legislativo do país iniciou uma recontagem parcial dos votos - uma medida rejeitada pelo candidato derrotado, o oposicionista Hossein Mousavi
"De nove pessoas, cinco foram libertadas e as restantes estão sendo interrogadas", disse Ghashghavi em uma coletiva para a imprensa, informou a TV estatal Press TV.

Falando à agência oficial de notícias do Irã, o ministro da Inteligência e da Segurança Nacional do país, Gholam-Hoseyn Mohseni-Ezhei, disse: "A embaixada britânica desempenhou um papel importante nos tumultos recentes, tanto através de seus funcionários locais como pela mídia".

"Temos fotos e vídeos de certos funcionários locais da embaixada britânica, que coletaram notícias sobre os protestos".

"A embaixada enviou funcionários para dirigir os baderneiros de forma a aumentar os tumultos para que depois os baderneiros pudessem disseminar para o mundo, a partir de vários pontos, relatos falsos sobre (as manifestações).

A Grã-Bretanha protestou veementemente contra as detenções, que foram confirmadas pela BBC. Miliband qualificou-as de "perseguição".

O Ministério das Relações Exteriores britânico não especificou os cargos dos quatro funcionários ainda sob custódia da polícia, mas a BBC tem informações de que um deles é responsável por checar fontes locais de notícias e tentar ficar à frente de desdobramentos políticos.

O editor de Oriente Médio da BBC em Teerã, Jeremy Bowen, disse que nenhum dos detidos tem dupla nacionalidade (iraniana e britânica).

Apesar das libertações, o fato de que alguns funcionários ainda estão presos significa que a questão continua sendo um problema sério para a Grã-Bretanha, disse o editor.

No domingo, a União Europeia advertiu o Irã de que a "perseguição ou intimidação" de funcionários da embaixada despertará uma resposta "forte e coletiva".

O Irã vem acusando repetidamente os poderes estrangeiros - especialmente a Grã-Bretanha e os Estados Unidos - de interferir nos assuntos do país após as eleições de 12 de junho.

A votação resultou na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, mas seus oponentes disseram que o pleito foi fraudulento. Pelo menos 17 pessoas teriam morrido em protestos nas ruas.

A crise levou à expulsão, por Teerã, de dois diplomatas britânicos. A Grã-Bretanha respondeu na mesma medida.

Entretanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Ghashghavi, disse que "no momento, não há planos para o fechamento de qualquer embaixada ou para o relaxamento de laços com elas".

Segundo relatos não confirmados, pelo menos mil pessoas teriam participado de uma menifestação de apoio à oposição no domingo à noie, em Teerã.

29/06/2009 11:13 AM

Blogueiro que narrou sequestro fantasioso de banda britânica é inocentado

Um ex-funcionário público britânico que escreveu um artigo na internet no qual imaginava o sequestro e assassinato do grupo musical feminino Girls Aloud foi inocentado da acusação de obscenidade. Darryn Walker, de 35 anos, foi preso em sua casa em fevereiro de 2008, depois de uma denúncia feita pela organização britânica de vigilância na internet, Internet Watch Foundation.O blog de 12 páginas de Walker - Girls (Scream) Aloud ("Garotas Gritam Alto", em tradução livre, um trocadilho com o nome do grupo), que imaginava também o estupro das cantoras, tinha aparecido em um site de pornografia.

Na audiência em um tribunal de Newcastle, a promotoria alegou que o blogue poderia ser acessado por fãs menores de idade, mas a defesa disse que o acesso ao artigo era restrito e que este só poderia ser encontrado por pessoas à procura deste tipo específico de material.

'Sem censura'
A promotoria afirmou que o artigo de Walker era acessível a "pessoas particularmente vulneráveis - jovens interessados em um grupo de música pop em particular".

No entanto, um relatório de um especialista em tecnologia, encomendado pela defesa, afirmou que o artigo poderia ser encontrado apenas por usuários da internet que estivessem à procura deste tipo de material.

O relatório de um psiquiatra também afirmou ser "sem fundamento" sugerir que este tipo de material poderia transformar outras pessoas em predadores sexuais.

Tim Owen, o advogado de Walker, afirmou que artigo semelhantes ao escrito pelo ex-funcionário público "estão disponíveis na internet sem regulamentação ou censura".

"Em termos de sua suposta obscenidade, francamente, não é melhor nem pior do que outros artigos", disse o advogado.

29/06/2009 10:41 AM

Grupo quer que espanhóis ajudem mais em casa

Uma associação formada só por homens lançou uma campanha pela igualdade de sexos na Espanha. O objetivo é conseguir direitos e deveres iguais para homens e mulheres em todos os âmbitos, inclusive dentro de casa.O movimento chamado "paridade também no lar" pede aos maridos que se comprometam a dividir as tarefas domésticas.

A proposta é da Associação de Homens pela Igualdade de Gênero (AHIGE), tem o apoio do governo e tenta conscientizar maridos e namorados sobre a importância de equilibrar as responsabilidades.

O grupo, fundado em 2001 na Espanha, dá seminários, palestras e cursos gratuitos para homens com temas que vão da auto-estima até o cuidado de bebês.

A nova campanha propõe uma divisão das tarefas domésticas. Com o lema "paridade também no lar", a associação pretende convencer os homens da necessidade de compartilhar direitos e deveres.

Para quem ajuda pouco ou se acostumou a fugir do trabalho doméstico com a desculpa de que não sabe fazer, a AHIGE oferece cursos gratuitos de tarefas do lar.

Em três dias, a ONG ensina a lavar, passar, cozinhar, costurar, limpar e arrumar uma casa.

"Mas não nos limitamos a isso", avisou o porta-voz da AHIGE, Antonio Garcia.

"Trabalhamos com uma equipe multidisciplinar de nove profissionais entre psicólogos, sociólogos, assistentes sociais e médicos oferecendo ajuda em muitos níveis, principalmente o emocional, porque aí está a chave da mudança", disse à BBC Brasil.

Só no ano passado, a associação atendeu a mais de mil homens em seus cursos em nove províncias espanholas (equivalentes aos Estados brasileiros).

A maioria dos cursos é realizada através de parcerias com prefeituras e outras instituições públicas, que organizam eventos gratuitos.

Questionário
Para a campanha sobre igualdade no lar a AHIGE criou um questionário que está na internet e consta de dez perguntas para que os homens respondam sobre sua atuação em casa.

Os maridos e namorados devem responder se fazem as compras, limpam a casa, lavam e estendem a roupa no varal, passam, lavam a louça, cozinham, cuidam dos filhos em casa, os levam à escola, ao médico, assistem às atividades escolares e ainda se cuidam de outros parentes necessitados.

O questionário inclui opções de pontuação para que os homens respondam seus graus de compromisso em casa: de zero (só a mulher faz os serviços domésticos) a quatro (apenas o marido os realiza).

Com esta campanha, a AHIGE acredita que os homens ganham respeito, independência, acabam com as queixas que produzem discussões e rancores e ainda dão melhores exemplos a seus filhos.

Além das tarefas domésticas há seminários de combate ao machismo, violência de gênero, auto-estima, cuidado de bebês e psicologia.

Atuando contra as discriminações de gênero a ONG também tenta acabar com outro mito: o conceito de que machismo é coisa de homens de nível sócio-cultural baixo.

"Ao contrário do que muita gente pensa, não há uma relação entre nível cultural e disposição para dividir as tarefas domésticas".

"O que constatamos é que os homens de melhor formação cultural aprenderam a ser politicamente corretos, principalmente na frente dos outros. Mas dentro de suas casas nem sempre a situação é igualitária. É um falso mito", afirmou Garcia.

Ameaças machistas
A AHIGE conta com o apoio do Ministério da Igualdade da Espanha, mas não agrada a todo mundo. O porta-voz da associação disse que recebe com frequência telefones e e-mails com críticas e ameaças de grupos machistas.

"Há um setor da população masculina com muito rancor contra as mulheres. Não estão dispostos a aceitar nenhuma mudança de papel em suas vidas nem na de ninguém."
"É uma minoria, mas bastante barulhenta que se revolta ainda mais vendo homens defendendo direitos de mulheres".

29/06/2009 09:12 AM

Situação de palestinos na Faixa de Gaza é 'desesperadora', diz Cruz Vermelha

Um relatório da Comissão Internacional da Cruz Vermelha afirma que o bloqueio israelense à Faixa de Gaza deixa um milhão e meio de palestinos "desesperados" e "sem condições para reconstruir suas vidas".

 

O relatório foi divulgado seis meses depois da última ofensiva israelense à Faixa de Gaza, iniciada no dia 27 de dezembro de 2008, que deixou pelo menos 1.300 palestinos mortos.

Segundo o relatório, milhares de pessoas que perderam suas casas durante a ofensiva israelense não têm abrigos adequados.


Faixa de Gaza fica na região sul de Israel / Getty Images

O documento menciona a necessidade urgente de materiais de construção e medicamentos básicos e afirma que o colapso da economia da Faixa de Gaza levou a um aumento significativo da pobreza na região.

"O nível de pobreza na região é alarmante", afirma o relatório, que também menciona que o número de crianças desnutridas na Faixa de Gaza aumentou.

De acordo com a Cruz Vermelha, o fornecimento de água à população da Faixa de Gaza é precário e o sistema de saneamento está "à beira do colapso".

A Cruz Vermelha afirma que "todos esses problemas decorrem diretamente do bloqueio rígido, decretado por Israel, às passagens terrestres para a Faixa de Gaza, desde que o movimento islâmico Hamas tomou o poder há dois anos".

"'Principal responsável"

De acordo com o porta-voz do primeiro ministro israelense "o Hamas é o principal responsável pelas dificuldades da população civil em Gaza".

O porta-voz também declarou que "se a entrada de materiais de construção fosse autorizada, seria simplesmente impossível confiar que o Hamas não utilizaria os materiais para sua máquina militar".

As autoridades israelenses afirmaram que permitem a entrada na Faixa de Gaza somente de produtos básicos "com fins humanitários" e condicionam o fim do bloqueio à libertação do soldado israelense capturado há três anos pelo Hamas, Gilad Shalit.

Os produtos cuja entrada na Faixa de Gaza é permitida por Israel pertencem basicamente a três categorias: alimentos, medicamentos e materiais de limpeza.

Todos os outros produtos são proibidos, inclusive materiais de construção como cimento e ferro, necessários para reconstruir a infraestrutura da Faixa de Gaza que ficou seriamente danificada depois da ofensiva israelense.

Aparelhos elétricos como geladeiras e máquinas de lavar também não podem entrar na Faixa de Gaza, além de peças para veículos, tecidos, lâmpadas, livros, instrumentos musicais, roupas e sapatos.

A severa limitação aos produtos que podem entrar na Faixa de Gaza faz parte da tática adotada pelo governo israelense para pressionar a população palestina e assim tentar enfraquecer o poder do Hamas na região.

Leia mais sobre Faixa de Gaza

29/06/2009 08:47 AM

Primogênitos sofrem mais pressão dos pais, sugere pesquisa

Os filhos primogênitos têm quase o dobro de probabilidade de enfrentar pressão dos pais para ter um bom desempenho escolar em relação aos irmãos mais novos, sugeriu pesquisa de site sobre paternidade. A pesquisa envolveu quase dez mil mães, que responderam a perguntas formuladas pelo site Netmums.com.

Entre as questões estava se as mães tinham expectativas diferentes em relação ao desempenho acadêmico dos filhos, com base em sua ordem de nascença.

Cerca de 35% disseram acreditar que seu primeiro filho teria um melhor desempenho escolar, 6% disseram que isso ocorreria com o filho do meio e 15%, com o filho mais novo.

Mas muitas mães disseram que acreditam que o filho mais velho seria o mais sujeito a sofrer de ansiedade ou depressão mais tarde na vida.

Apenas 7% das mães disseram que o seu filho mais velho teria uma vida feliz, enquanto 35% disseram que isto aconteceria com o filho mais novo.

Das mães entrevistadas, 45% disseram que acreditavam que o seu filho primogênito teria maior probabilidade de sofrer de ansiedade ou depressão, em comparação a apenas 6% que disseram que isso poderia ocorrer com o seu filho mais novo.

O poder da identificação

Um total de 39% das mães consultadas disseram que elas se identificavam mais com o filho mais velho, 7% disseram que isso ocorria em relação ao filho do meio e 6%, com o caçula.

A pesquisa concluiu: "Isto pode explicar porque elas têm uma expectativa maior para aquela criança e talvez seja por isso que acham justificável colocar uma pressão maior para que aquela criança seja bem sucedida.

A psicóloga Tanya Byron disse: "Deu-se muita importância às dificuldades que os filhos do meio enfrentam como resultado de estarem espremidos entre os irmãos. É significativo, contudo, que esta nova pesquisa confirme a possível existência do que pode ser chamado de 'síndrome do filho mais velho' em algumas famílias."

"Parece que poderia haver uma tendência para que os pais invistam mais tempo e energia em seu filho mais velho, em parte porque, como esta pesquisa mostra, os pais tendem a ver mais de si mesmos no primeiro filho e, portanto, projetam suas aspirações neles."

"As evidências mostram que isto pode ter efeitos benéficos nos níveis de inteligência mas o lado negativo é que, por causa desta atenção extra, eles podem não desenvolver a atitude descontraída de seus irmãos mais novos, que podem ser criados de uma maneira mais relaxada."

A fundadora do site Netmums.com, Siobhan Freegard, disse: "Esperamos que esta pesquisa mostre aos pais que eles não estão sozinhos quando adotam maus hábitos, que podem incluir colocar responsabilidade em demasia sobre seus filhos mais velhos".

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29/06/2009 08:35 AM

"Encapuzados e com rifles disseram que iam me assassinar", conta Zelaya

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, disse, em entrevista à BBC, que foi ameaçado de assassinato "por homens encapuzados e armados com rifles", que tomaram à força sua residência oficial em Tegucigalpa, na manhã de domingo.

 

"Mais de 200 ou 300 efetivos militares tomaram minha casa às 5h (de domingo), disparando tiros, batendo nos seguranças e os amarrando a seguir. Depois me agarraram, encapuzados, com rifles, disparando, dizendo que iam me assassinar, que eu me entregasse e me pusesse à sua ordem", contou.

"Em seguida me puseram em um carro, à força. Depois, me colocaram em um avião e me levaram para a Costa Rica", completou.


Zelaya dá entrevista após ser deposto / AP

Na noite de domingo, Zelaya partiu para a Nicarágua, onde se encontrou e recebeu o apoio do presidente do país, Daniel Ortega, além dos líderes Hugo Chávez, da Venezuela, e Rafael Correa, do Equador.

Os Estados Unidos, a União Europeia e a ONU também condenaram o ocorrido e manifestaram seu apoio ao presidente deposto.

Consulta

Na entrevista, dada quando Zelaya ainda estava na Costa Rica, ele disse não ter desobedecido o Congresso e a Suprema Corte do país ao decidir manter uma consulta pública sobre a possibilidade de alterar a Constituição, o que poderia permitir sua reeleição.

"Estávamos planejando uma enquete de opinião pública que não era vinculante, não tinha caráter de lei", afirmou. "Era só para ouvir a opinião das pessoas", disse.

"Não é possível que haja uma discrepância política e um golpe de Estado só porque um juiz declarou em primeira instância que a enquete não era procedente", completou. "Uma discussão legal se conduz nos tribunais. Não se dá um golpe de Estado quando há uma discussão legal", concluiu Zelaya.

O debate sobre a consulta pública gerou uma crise política interna em Honduras que culminou com a prisão e o exílio forçado de Zelaya.

O presidente do Congresso, Roberto Micheletti, assumiu interinamente a presidência e disse que o plano para a realização de eleições presidenciais no dia 29 de novembro serão mantidos.


Micheletti discursa ao tomar posse em Honduras / AP

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29/06/2009 08:08 AM

Presidente interino de Honduras declara toque de recolher

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, impôs um toque de recolher nesta madrugada no país, horas depois de ser empossado. Micheletti, que era Presidente do Congresso, assumiu o cargo máximo do país depois que soldados prenderam o presidente eleito Manuel Zelaya, no domingo e o enviaram para o exílio na Costa Rica.O presidente interino disse que Zelaya foi retirado do governo seguindo normas constitucionais e disse que o plano para a realização de eleições presidenciais no dia 29 de novembro serão mantidos.

Micheletti justificou: "Isto é para cumprir uma ordem judicial. A ordem constitucional foi violada. As leis do nosso país estavam sendo permanentemente violadas e é por isso que o Congresso tomou uma decisão depois de ouvir o procurador da República, a Suprema Corte e o que está acontecendo com o Congresso Nacional. Esta é a sequência de eventos que está levando ao conhecimento da comunidade internacional para que perceba que não fizemos absolutamente nada para afetar uma pessoa que foi eleita pelo povo."
"Nós respeitamos, como deve ser, todos os cidadãos que respeitam a Constituição da República e suas leis (...) Nós temos um grande respeito por todos os cidadãos hondurenhos", concluiu o político.

Segundo o Congresso, Micheletti vai governar até 27 de janeiro, quando o mandato de Zelaya deveria terminar.

Plebiscito
A crise política em Honduras que levou à detenção de Zelaya pelo Exército teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário.

Zelaya queria que as eleições gerais de 29 de novembro - quando seriam eleitos o presidente, congressistas e lideranças municipais - tivessem mais uma consulta, sobre a possibilidade de se mudar a Constituição do país.

Segundo sua proposta, os eleitores decidiriam nessa consulta se desejavam que se convocasse uma Assembleia Constituinte para reformar a Carta Magna.

Os críticos de Zelaya afirmam que sua intenção era mudar o marco jurídico do país para poder se reeleger, o que é vetado pela atual Constituição.

A ideia de Zelaya era realizar, no domingo passado, um plebiscito sobre a ideia da consulta de 29 de novembro.

O plebiscito deveria ser realizado no domingo, mas ao invés disso o presidente foi detido.

Na Costa Rica, Zelaya disse que foi deposto "em um complô de uma elite voraz, uma elite que só quer manter o país isolado, em um nível extremo de pobreza".

Ele pediu aos hondurenhos que resistam aos que o depuseram, e viajou na noite de domingo para a Nicarágua, onde participaria de um encontro com líderes regionais.

Há notícias de que na capital de Honduras, Tegucigalpa, grupos de partidários de Zelaya levantaram barricadas e soldados se posicionaram em pontos-chaves da cidade.

O Congresso afirmou que aprovou em votação sua retirada do poder por causa de suas "repetidas violações da Constituição e da lei e desrespeito a ordens e decisões das instituições".

Reação internacional
A deposição de Zelaya foi criticada por países-vizinhos, Estados Unidos e Nações Unidas.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião de emergência e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu "a restauração dos representantes democraticamente eleitos do país".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que "respeite o estado de direito" e um representante do Departamento de Estado disse que seu país reconheceu Zelaya como o presidente eleito do país.

A União Européia pediu "uma volta rápida à normalidade constitucional".

Já o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, culpou "o império ianque", e ameaçou ação militar caso o embaixador venezuelano em Honduras seja atacado.

29/06/2009 06:20 AM

Casal Kirchner sai derrotado de eleição legislativa argentina

Os candidatos do partido da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao Congresso Nacional foram derrotados nos principais distritos eleitorais do país, segundo os primeiros dados da apuração oficial das eleições legislativas realizadas no domingo. Se as tendências forem confirmadas, será uma derrota inédita para o "kirchnerismo" desde que o ex-presidente Nestor Kirchner chegou à Presidência, em 2003.Ele saiu vitorioso nas eleições legislativas de 2005 e nas presidenciais de 2007, quando sua mulher, Cristina, foi eleita.

Na província de Buenos Aires, que representa 38% do eleitorado nacional, o ex-presidente Kirchner, do Partido Justicialista (peronista) e Frente para a Vitória, teria perdido para o candidato da oposição, Francisco de Narváez, por cerca de 2% dos votos.

Com 88,2% dos votos computados, De Narváez recebeu 34,5% e Kirchner 32,2%. O dado foi considerado uma derrota para o governo, já que a província é o carro-chefe de todas as eleições e o governo contava com uma vitória.

"Perdemos na província (de Buenos Aires) por muito pouco (...) e o mesmo, por muito pouco, ocorreu em outros distritos. Estamos preparados para continuar a governabilidade e a administração da Argentina, com amor", disse Nestor Kirchner, na madrugada desta segunda-feira.

Por sua vez, De Narváez comemorou os resultados, ao lado do prefeito da cidade de Buenos Aires, Maurício Macri, um dos principais opositores do governo.

"Foi uma festa da democracia", disse De Narváez.

'Crítica'
Os resultados também foram favoráveis à oposição nas províncias de Santa Fé, Córdoba e Mendoza – as maiores depois de Buenos Aires – além de Entre Rios e Santa Cruz, terra de Nestor Kirchner.

"O resultado é uma crítica ao governo", disse o analista Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, em Buenos Aires.

Já o analista político Enrique Zuleta Puceiro destacou: "As urnas mostraram que os argentinos votaram por um Congresso pluralista e por um novo país".

Os analisas, no entanto, ressaltam que o casal Kirchner não parece ter o estilo de negociar com a oposição, o que, segundo eles, "seria normal" em uma democracia.

Pelo resultado das eleições, o governo passaria dos atuais 116 deputados para 94, longe do quórum próprio de 129 votos. Já a oposição, com diferentes forças políticas, passaria de 91 para 122 cadeiras na Câmara. O governo também perderia maioria no Senado.

A eleição deste domingo tinha sido antecipada pelo governo - antes, ela estava prevista para ser realizada em outubro.

Os deputados e senadores eleitos, que renovam parcialmente a Câmara dos Deputados e o Senado, assumirão em dezembro próximo.

29/06/2009 05:45 AM

Sarkozy, a burca e Hegel

O baixinho é enfezado. O baixinho fala grosso.Num francês danado de bonito. Nicolas Sarkozy.

Parece até estar cantando loas, o tempo todo, à graça e ao encanto de sua excelentíssima esposa, senhora Carla Bruni, primeira-dama que, para mim, que entendo um pouco disso, dá de 10 a 0 na Michelle Obama, que me desculpem os admiradores do casal 20 norte-americano.

O baixinho não brinca em serviço. O baixinho manda brasa. Sarkozy. Outro dia, quando menos se esperava, em discurso muito divulgado, pronunciou-se contra o uso da burca na França.

Burca. Vocês manjam. Aquele traje usado pelas muçulmanas para cobrir o corpo todo deixando só os olhos à mostra. Na França de Sarkozy não há lugar para esse tipo de vestimenta.

Numa sessão especial do Parlamento reunido em Versalhes, o alto (ou baixinho) dignatário disse que o uso da burca "reduz a mulher à servidão e ameaça sua dignidade". Foi além, conforme noticiamos aqui mesmo neste website: " (A burca) não é sinal de religião mas de subserviência".

Tudo indica que o líder francês apoia a criação de uma comissão parlamentar para analisar a proibição do uso da burca em lugares públicos no país. Encerrou sua perigosa peroração (atenção, todo cuidado é pouco ao mexer com islamismo) advertindo: "Não podemos aceitar que tenhamos em nosso país mulheres presas atrás de redes, eliminadas da vida social, desprovidas de identidade."
Encerrado o discurso, Nicolas Sarkozy pegou o rumo de casa, onde jantou muito bem na companhia de sua deliciosa cara-metade, vestida num terninho ultra-feminino dos mais chiques, e, para complementar a noitada, pôs no sistema de som do Elysée o mais recente disco de Carla Bruni, que, revelo o que todos sabem, canta muito melhor que Michelle Obama.

Um porém nessa história. Um porém sério. Sarkozy não leu direito (se é que leu) Hegel. O fato foi apontado por mais de um colunista atento aqui na Grã-Bretanha. Eu mesmo, velhusco e algo esquecido, notei o fato. Sarkozy deveria ter refletido sobre aquela passagem de Hegel, em seu A Filosofia da Direita, onde ele observa que todos nós temos a obrigação de distinguir a liberdade concreta da abstrata.

Liberdade abstrata, só para lembrar, é aquela em que você pode fazer o que quiser, contanto que escolha uma entre as 45 pastas de dente que o mercado oferece e as revistas e a televisão anunciam. Sendo que todas elas fazem o mesmo trabalho que uma escova, água e sabão fariam. É uma liberdade que veio no finzinho do capitalismo. Assim como quem não quer nada. E levando tudo. Inclusive a identidade que eu e você, e uma moça ou senhora de burca, construíram.

Para Hegel, essa liberdade abstrata não constitui liberdade coisíssima nenhuma. Uma vez que estamos nos limitando a seguir as determinações de uma sociedade danada de canalha. Hegel era um homem fino e jamais chamaria uma sociedade de canalha. Isso fica por minha conta.

Portanto, deduzindo e levando adiante o pensamento do prendado alemão: qualquer pessoa que faz parte da sociedade ocidental é uma vítima da moda, ou seja, aquilo que no Brasil é chamado, sem ironia, de fashion. (A língua inglesa é uma espécie de burca que ambicionamos vestir.) Uma mulher, seja ela a Carla Bruni ou a Michelle Obama, é prisioneira das vestimentas que escolheu, ou melhor, que a sociedade escolheu para ela.

Liberdade, para valer, no conceito de Hegel, é deixar de lado o condicionamento social e partir para a racionalização. Racionalização é mais embaixo. Ou mais em cima. Em suma, toda essas senhoras, saibam elas ou não, estão – claro – de burca.

Procura-se uma identidade. Precisa-se de duas, três (como diria "El Che"), muitas comissões parlamentares em todo o mundo. As mulheres não tem nada a perder a não ser seu batom, maquiagem, cachecóis, saltos agulhas, pretinhos da Chanel, desmatamentos brazilian, tangas…etc…etc…

29/06/2009 05:20 AM

Ivan Lessa: Sarkozy, a burca e Hegel

O baixinho é enfezado. O baixinho fala grosso.Num francês danado de bonito. Nicolas Sarkozy.

Parece até estar cantando loas, o tempo todo, à graça e ao encanto de sua excelentíssima esposa, senhora Carla Bruni, primeira-dama que, para mim, que entendo um pouco disso, dá de 10 a 0 na Michelle Obama, que me desculpem os admiradores do casal 20 norte-americano.

O baixinho não brinca em serviço. O baixinho manda brasa. Sarkozy. Outro dia, quando menos se esperava, em discurso muito divulgado, pronunciou-se contra o uso da burca na França.

Burca. Vocês manjam. Aquele traje usado pelas muçulmanas para cobrir o corpo todo deixando só os olhos à mostra. Na França de Sarkozy não há lugar para esse tipo de vestimenta.

Numa sessão especial do Parlamento reunido em Versalhes, o alto (ou baixinho) dignatário disse que o uso da burca "reduz a mulher à servidão e ameaça sua dignidade". Foi além, conforme noticiamos aqui mesmo neste website: " (A burca) não é sinal de religião mas de subserviência".

Tudo indica que o líder francês apoia a criação de uma comissão parlamentar para analisar a proibição do uso da burca em lugares públicos no país. Encerrou sua perigosa peroração (atenção, todo cuidado é pouco ao mexer com islamismo) advertindo: "Não podemos aceitar que tenhamos em nosso país mulheres presas atrás de redes, eliminadas da vida social, desprovidas de identidade."
Encerrado o discurso, Nicolas Sarkozy pegou o rumo de casa, onde jantou muito bem na companhia de sua deliciosa cara-metade, vestida num terninho ultra-feminino dos mais chiques, e, para complementar a noitada, pôs no sistema de som do Elysée o mais recente disco de Carla Bruni, que, revelo o que todos sabem, canta muito melhor que Michelle Obama.

Um porém nessa história. Um porém sério. Sarkozy não leu direito (se é que leu) Hegel. O fato foi apontado por mais de um colunista atento aqui na Grã-Bretanha. Eu mesmo, velhusco e algo esquecido, notei o fato. Sarkozy deveria ter refletido sobre aquela passagem de Hegel, em seu A Filosofia da Direita, onde ele observa que todos nós temos a obrigação de distinguir a liberdade concreta da abstrata.

Liberdade abstrata, só para lembrar, é aquela em que você pode fazer o que quiser, contanto que escolha uma entre as 45 pastas de dente que o mercado oferece e as revistas e a televisão anunciam. Sendo que todas elas fazem o mesmo trabalho que uma escova, água e sabão fariam. É uma liberdade que veio no finzinho do capitalismo. Assim como quem não quer nada. E levando tudo. Inclusive a identidade que eu e você, e uma moça ou senhora de burca, construíram.

Para Hegel, essa liberdade abstrata não constitui liberdade coisíssima nenhuma. Uma vez que estamos nos limitando a seguir as determinações de uma sociedade danada de canalha. Hegel era um homem fino e jamais chamaria uma sociedade de canalha. Isso fica por minha conta.

Portanto, deduzindo e levando adiante o pensamento do prendado alemão: qualquer pessoa que faz parte da sociedade ocidental é uma vítima da moda, ou seja, aquilo que no Brasil é chamado, sem ironia, de fashion. (A língua inglesa é uma espécie de burca que ambicionamos vestir.) Uma mulher, seja ela a Carla Bruni ou a Michelle Obama, é prisioneira das vestimentas que escolheu, ou melhor, que a sociedade escolheu para ela.

Liberdade, para valer, no conceito de Hegel, é deixar de lado o condicionamento social e partir para a racionalização. Racionalização é mais embaixo. Ou mais em cima. Em suma, toda essas senhoras, saibam elas ou não, estão – claro – de burca.

Procura-se uma identidade. Precisa-se de duas, três (como diria "El Che"), muitas comissões parlamentares em todo o mundo. As mulheres não tem nada a perder a não ser seu batom, maquiagem, cachecóis, saltos agulhas, pretinhos da Chanel, desmatamentos brazilian, tangas…etc…etc…

29/06/2009 05:19 AM






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