NOVA YORK - No que pode ser considerado o equivalente para celular das áudio tours de museus, dezenas de celebridades passaram a oferecer narrativas para passeios pelo Central Park pelo telefone.
Os tours são uma mistura de trívia, memórias e história: Yoko Ono apresenta Strawberry Fields, campo batizado com o título de uma das músicas dos Beatles em homenagem a seu marido John Lennon. Jimmy Fallon fala sobre o North Meadow, um dos campos nos quais a equipe que produziu "Sex and the City" e "Law & Order" jogou bola. Whoopi Goldberg discorre sobre Wollman Rink, onde ela aprendeu a andar de patins sobre o gelo.
"Nós queríamos fazer isso há muito tempo, mas o desafio era a tecnologia", disse Douglas Blonsky, presidente do Grupo de Conservação do Central Park, que gerencia o parque sob ordens da cidade de Nova York.
Alugar, gravar e manter aparelhos específicos para o passeio seria muito caro, além de pouco prático. Mas os celulares, que agora as pessoas carregam consigo o tempo todo, se mostraram uma solução para o problema.
O grupo marcou 40 locais com sinais verdes e um número de discagem (646 862-0997) que oferece diferentes ramais para cada local. "Você nem parece um turista", disse Blonsky. "Você pode fingir que está falando ao telefone".
Conheça alguns dos lugares e seus narradores:
A Ravina: David Copperfield Ponte Bow: Julia Louis-Dreyfus Conservatório Água: Glenn Close A Fábrica de Laticínios: Danny Meyer Teatro Delacorte: Anne Hathaway Grande Gramado: Alec Baldwin Quadras de Tênis: John McEnroe
HOUSTON - Já faz quase 40 anos que Alan L. Bean caminhou na Lua como astronauta da missão Apollo, mas ele ainda vive a experiência todos os dias, tentando recapturar o que ele e seus colegas sentiram por meio da pintura.
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Aprender a pintar foi um processo difícil e lento para Bean, que descreve a si mesmo como uma pessoa de aprendizado lento. Ele teve que abandonar a forma ultra racional com que aprendeu a ver o mundo como piloto de testes da Marinha e engenheiro. Ele se treinou a ver as coisas não como elas são, mas como ele as sente e a traduzir emoções em cores e resistir a seus impulsos científicos.
"Quando eu deixei a NASA, eu decidi que não seria um astronauta pintor, mas um pintor que algum dia foi um astronauta", ele disse. "Demora um pouco para mudarmos quem somos".
A atenção da crítica não chega a Bean, 77, apesar dele ter desenvolvido, principalmente através do boca a boca, um grupo de fãs entre colecionadores particulares que pagam até US$175,000 por seus trabalhos. Em julho, o Museu Smithsonian do Ar e Espaço de Washington irá montar uma exposição com 45 de seus trabalhos e ele deve lançar um livro de reproduções de suas pinturas. Ele tem esperança de que o 40º aniversário de seu pouso na Lua possa atrair a atenção dos críticos.
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Bean sempre se destacou entre os astronautas de sua era. Os astronautas da Apollo eram conhecidos por ter hobbies como caça, golf e carros esportivos. Bean estudava arte, pintando a natureza morta para relaxar entre suas missões.
Então, em 1981, depois de 18 anos como astronauta, Bean se aposentou para virar pintor. A decisão foi uma surpresa para a Nasa. Afinal de contas, ele era uma celebridade na agência, tendo realizado 1,671 horas de voo no espaço e comandado a missão Skylab. Mas pilotos mais novos poderiam cuidar disso, ele disse, e ele poderia fazer as pinturas que queria.
Em um auto-retrato, ele é visto com os braços erguidos em comemoração, o sol brilhando em sua viseira dourada. "Eu quero mostrar uma atitude ousada", ele explica. "Eu acho que é preciso ser muito ousado para acredita que se pode ir a 400 mil quilômetros em pequenos veículos e voltar vivo".
CAIRO - A rancorosa disputa pela eleição presidencial do Irã pode se mostrar vantajosa para os líderes árabes alinhados com Washington, que no passado reclamaram que o presidente Mahmoud Ahmadinejad desestabilizava a região e os assuntos árabes, afirmaram analisas políticos e ex-oficiais de toda a região.
A ideia é que com Ahmadinejad permanecendo no cargo, há menor chance de que as relações entre Teerã e Washington melhorem, algo que os aliados árabes dos americanos temem que prejudicaria seus interesses. Ao mesmo tempo, o conflito eleitoral pode ter enfraquecido a liderança iraniana em casa e no exterior, forçando o foco na estabilidade doméstica, disseram analistas políticos e ex-oficiais.
"Quando o Irã é forte e desafiador, bem como quando ele é mais alinhado com o Ocidente, eles não gostam", disse Adnan Abu Odeh, ex-conselheiro do Rei Hussein da Jordânia.
Claro, tal resultado pode se mostrar apenas um desejo inatingível, alertam os analistas. Outros poderes centrais no Irã, do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, aos militares, podem ter mais influência na política da região do que o presidente. Também é possível que uma profunda divisão da liderança possa exacerbar a tensões regionais para distrair a atenção de seus problemas domésticos.
O impasse iraniano também pode ser um alerta aos líderes árabes que têm observado tecnologias modernas, como a internet e celulares, que novamente prejudicam a capacidade de Estados autoritários em controlar o acesso e a distribuição de informações.
Mas as diferenças culturais entre Irã e os Estados árabes são tão grandes que não há temor entre os outros líderes de que seu povo se inspire a um levante. O Irã é um país importante e influente no Oriente Médio, mas também está longe da maioria sunita árabe por ser um país de maioria persa cuja população é formada por xiitas.
"Muitos jovens do mundo árabe adorariam ver algo assim, mas o estilo da sociedade civil faz com que isso seja mais possível no Irã do que em lugares como o Egito e a Arábia Saudita", disse Ahmed al-Omran, estudante universitário da Arábia Saudita e autor do popular blog saudijeans.org.
Além disso, os dramáticos vídeos de iranianos sendo presos ou apanhando da milícia Basij danificaram a imagem do país como Estado mais populista e religiosamente puro da região.
WASHINGTON - Na tentativa de envolver o Irã, o presidente Barack Obama fez um convite tipicamente americano para a comemoração do Quatro de Julho, com cachorro-quente e muito companheirismo nas Embaixadas dos Estados Unidos de todo o mundo.
Agora, a festa pode ser a última baixa dos conflitos que atingem Teerã. Na quarta-feira, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, que havia autorizado que os diplomatas convidassem iranianos para suas festas do Dia da Independência, enviou uma notificação pedindo que eles rescindam os convites.
Embaixadas que já convidaram iranianos para suas festas foram instruídas a retirar o convite.
Não está claro se isso irá afetar os iranianos. O porta-voz do Departamento de Estado, Ian C. Kelly, disse não saber de nenhum diplomata que tenha recebido a confirmação de um convidado iraniano em todo o mundo.
Assassinatos relacionados às drogas duplicaram no México no ano passado, chegando a 6.200, conforme os cartéis disputam os dólares dos viciados americanos e fazem uso do sistema de venda de armas dos Estados Unidos para alimentar sua guerra.
Um novo relatório feito para o Congresso diz que mais de 90% das armas recuperadas em crimes do mundo das drogas no México nos últimos três anos foram compradas em lojas e exposições no Texas, Califórnia e Arizona, de acordo com o relatório de Prestação de Contas do Governo.
O relatório confirmou os argumentos de oficiais mexicanos que pressionam Washington a adotar um controle mais rígido das armas. Enquanto a gestão Obama rascunha uma estratégia para combater o tráfico de drogas, o relatório alerta para obstáculos consideráveis.
As agências americanas responsáveis pelo controle da venda de armas de fogo e pelo policiamento da imigração estão fazendo um trabalho ruim em compartilhar informações e coordenar políticas. Programas que acompanham a venda de armas ainda não foram traduzidos para o espanhol para que possam ser completamente usados por autoridades mexicanas.
O que também está claro é que os vendedores de armas americanos (6.700 deles ao longo da fronteira) fornecem cada vez mais armas de poderio militar que tem intensificado a guerra entre os cartéis.
A América precisa finalmente agir. Vendedores particulares e expositores devem ser regulamentados como uma ameaça à segurança pública. O Congresso deve recusar as restrições que impedem o registro nacional de armas e que agências locais compartilhem informações com as federais.
O relatório ressalta a covardia política de Washington e seu alto custo, conforme o pânico se espalha ao sul da fronteira e ameaça chegar ao norte.
BASIL - Markus O. Haering, antigo explorador de petróleo, queria ser o herói desta cidade medieval ao perfurar cinco quilômetros de profundidade na esquina entre as ruas Neuhaus e Shafer.
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Broca é preparada para o projeto geotérmico de AltaRock Energy em Anderson Springs, na Califórnia
Ele procurava por uma fonte de energia limpa e renovável que parece sair diretamente de uma história de Júlio Verne: o calor brando que existe sob a rocha estratificada da Terra.
Tudo parecia bem (até o dia 8 de dezembro de 2006, quando o projeto causou um terremoto que danificou casas e alarmou muitos em uma cidade que, como toda criança aprende na escola local, foi devastada há exatos 650 anos quando um terremoto derrubou duas torres da Catedral Muenster no rio Reno.
Rapidamente encerrado, o projeto de Haering foi esquecido por quase todos fora da Suíça. No começo desta semana, no entanto, a companhia americana AltaRock Energy, começara a usar um método similar para perfurar um solo falho há duas horas de São Francisco.
Moradores da região, que fica entre os condados de Lake e Sonoma, já protestam por conta de pequenos terremotos gerados por projetos menos geologicamente invasivos na região. Mas oficiais da AltaRock dizem ter escolhido o local em parte por que sua história de pequenos abalos sinaliza riscos limitados.
Como a iniciativa de Basil, o novo projeto irá em busca de energia geotérmica fraturando rochas duras a mais de três metros de profundidade para extrair seu calor. A AltaRock, fundada por Susan Petty, pesquisadora veterana de energia geotérmica, conseguiu mais de US$ 36 milhões do Departamento de Energia, além de inúmeras firmas de investimento como Kleiner Perkins, Caufield & Byers e Google.
A AltaRock afirma que irá se manter afastada de grandes falhas geológicas e que pode operar com segurança. Mas em um relatório sobre o impacto sísmico que a AltaRock teve que apresentar, não foi mencionado que o programa de Basil foi cancelado por causa de um terremoto. A AltaRock alega não ter certeza de que o projeto tenha causado o terremoto, apesar de sismólogos do governo suíço terem afirmado que sim. A companhia também não mencionou os milhares de pequenos abalos gerados pelo projeto de Basil que continuaram a ocorrer muitos anos depois de seu fechamento.
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Trabalhador varre o chão de local do projeto geotérmico Markus O. Haring em Basil, na Suíça
O projeto californiano é o primeiro em dezenas de outros que podem operar nos Estados Unidos nos próximos anos, gerados por uma medida que busca cortar as emissões de gases causadores do efeito estufa e pelo apoio da gestão Obama à energias renováveis.
O potencial geotérmico como fonte de energia gerou esperança e seus defensores acreditam que esta pode ser a solução para o fim da dependência americana dos combustíveis fósseis (possivelmente fornecendo cerca de 15% da eletricidade do país até 2030, de acordo com uma estimativa da Google).
O calor da Terra está sempre ali esperando para ser utilizado, ao contrário do vento e do sol, que são intermitentes e por isso menos confiáveis. De acordo com um relatório geotérmico de 2007 financiado pelo Departamento de Energia, a energia geotérmica em teoria pode gerar até 60 mil vezes o uso anual do país. O presidente Barack Obama, em uma coletiva de imprensa na terça-feira, citou a energia geotérmica como parte da "transformação limpa da energia" que um projeto de lei diante do Congresso busca gerar.
Companhias energéticas há muito produzem pequenas quantidades e energia geotérmica usando leitos superficiais de vapor, geralmente por baixo de gêiseres ou ventilações chamadas fumarolas. Mesmo estes projetos podem induzir terremotos, ainda que de escala pequena. Mas para que a energia geotérmica seja utilizada mais amplamente, os engenheiros precisam encontrar formas de remover o calor de camadas mais profundas da Terra.
Alguns defensores da prática acreditam que o método utilizado em Basil, e que será testado na Califórnia, é a resposta para isso. Mas porque grande quantidade de terremotos tende a surgir em profundidades maiores, quebrar essas rochas pode oferecer um risco maior afirmam os sismólogos.
Ao contrário da crença popular de que a nova pandemia de gripe suína teve início em fazendas no México, oficiais federais da agricultura agora acreditam que é mais provável que ela tenha surgido em porcos asiáticos, mas que viajou à América do Norte em um humano.
No entanto, eles enfatizam que não há como provar esta teoria e que possuem apenas dados escassos que apontam para a relação.
Não há evidência de que este novo vírus, que combina genes da Eurásia com outros da América do Norte, tenha circulado entre porcos norte-americanos, mas há muitas que apontam a contaminação por um "vírus irmão" que circulou na Ásia.
Porcos de raça americanos, possivelmente portadores da gripe da América do Norte, são frequentemente exportados para a Ásia, onde a gripe pode ter se combinado com outras da região. Mas por causa de procedimentos de quarentena que dificultam a importação de porcos da região, é improvável que um animal tenha sido responsável por trazer a nova gripe para o Ocidente.
"O cenário mais provável é que ela tenha vindo em algum mamífero que se movimenta com mais liberdade pelo mundo", disse Dr. Amy L. Vincent, especialista na doença pelo Departamento de Agricultura, se referindo, claro, aos humanos.
A primeira pessoa a levar o vírus da Ásia para a América do Norte, assumindo que isso tenha acontecido, nunca foi encontrada e nunca será, porque os humanos deixam de ter o vírus quando melhoram.
Além disso, segundo os oficiais, as chances de se provar sua teoria diminuem conforme o vírus infecta mais pessoas globalmente. No momento a doença já chegou a mais de 90 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Uma vez que algumas dessas pessoas irão inevitavelmente transmitir a doença aos porcos, sua história é impossível de se rastrear.
"Não é possível saber se um porco foi recentemente infectado por um humano ou se tinha o vírus antes da epidemia começar", disse Dr. Kelly M. Lager, outra especialista do Departamento de Agricultura.
O incomum vírus (que contém traços do vírus da gripe aviária e suína da América do Norte e suína da Ásia) não foi encontrado em porcos no Ocidente, a não ser em uma pequena criação no Canadá que foi infectada em abril.
Para Pedro, bartender do Pegu Club do SoHo, segunda-feira é um dia especialmente difícil. É neste dia que ele se permite experimentar novos drinques no bar onde coquetéis são criados com precisão.
Pedro, alcoólatra com mais de 15 anos de sobriedade, faz parte do silencioso batalhão de pessoas que tenta manter uma vida longe do álcool em um negócio que gira em torno das bebidas. Apesar do setor ter abandonado, de certa forma, a ousadia de outras eras, pessoas que não bebem geralmente não combinam com o trabalho noturno.
Pedro, 50, aprendeu cedo que muitas vezes é difícil saber a diferença entre o bartender e o cliente. "Quando eu comecei, um cara que trabalhava comigo me disse: 'Olha, acho melhor você ser capaz de contar dinheiro quando estiver bêbado'", ele conta.
Pedro tenta ficar sóbrio em meio a tantas bebidas / NYT
E ele fazia exatamente isso. Cerca de sete anos depois, ele olhou no espelho e teve o que muitos alcoólatras recuperados chamam de momento de clareza. Ele estava infeliz, cansado de acordar inchado e de ressaca. Um amigo o levou a um encontro do Alcoólatras Anônimos, que ele frequentou durante dois anos.
Mas mesmo ao viver uma vida sóbria, sua reputação em Nova York como grande criador de drinques e seus clientes aumentaram. Ele começou uma nova era de drinques de fácil mistura, dependendo da memória dos gostos de quando bebia. Para coquetéis mais complicados e tarefas como comprar vinhos em lugares com o Les Halles e o Grange Hall, ele usava um painel de pessoas cujo gosto confiava. Sóbrio, ele chegou até mesmo a inventar drinques. Um deles chamado Bedford, ganhou dois prêmios.
As pessoas perguntam como ele pode estar cercado por tanta bebida e não consumir nada. "Elas não têm a mesma experiência de ter que lidar com isso e saber o que voltar a ele significaria", ele disse sobre o alcoolismo.
Então, em outubro, surgiu uma chance de trabalhar no Pegu Club. Se Pedro não experimentasse, ele não seria capaz de se dar bem em um bar que é considerado a Harvard da mistura de drinques.
"Quando eu vi o que eles faziam e quão refinado era o trabalho, eu sabia que não tinha mais como imaginar sabores", ele disse. Então ele decidiu controlar a degustação. Isso significa cuspir e não aproveitar o drinque. Se Pedro acabar em outro bar tirando cervejas, ele pretende abandonar isso.
Não tem sido fácil e ele sabe que, pelos padrões do Alcoólatras Anônimos, não está tecnicamente sóbrio. Mas Pedro gosta de se comparar a um amigo vegetariano que é cozinheiro particular e algumas vezes tem que experimentar porco.
Claro que entende que a analogia não é perfeita. "As pessoas não perdem tudo por comer porco demais", ele disse.
Os líderes do setor reconhecem que o álcool e as drogas são presentes em um ambiente de trabalho estressante que oferece fácil acesso a ambos. Pessoas que trabalham com alimentos têm o maior índice de uso de drogas ilícitas e álcool entre as principais ocupações, de acordo com dados do Departamento de Saúde dos Estados Unidos. (Operários e mineiros bebem mais e trabalhadores de instalação e manutenção vêm em segundo.)
Mas a cultura em restaurantes está mudando, também. Drinques na cozinha ou depois do expediente ainda são rotineiros, mas menos restaurantes pagam por eles.
WASHINGTON - O presidente Barack Obama decidiu enviar um embaixador americano à Síria depois de um hiato de quatro anos, afirmaram dois oficiais sênior na noite de terça-feira, em um sinal do aprofundamento das relações entre a gestão Obama e o governo sírio.
O Departamento de Estado informou o embaixador da Síria nos Estados Unidos, Imad Moustapha, desta decisão na terça-feira, afirmou um dos oficiais - sob condição de anonimato porque o fato ainda não foi anunciado. Obama ainda não escolheu quem será designado para o posto, ele disse.
A decisão da gestão foi primeiro relatada no site da CNN. O porta-voz do Departamento de Estado, Ian C. Kelly, se recusou a comentar o assunto, mas outros oficiais disseram que é um passo lógico na tentativa de Obama de normalizar as relações com a Síria.
"Isso é um reflexo do fato da Síria ser um país importante em termos da conquista de uma paz ampla na região", disse um dos oficiais. "Há muito trabalho a ser feito na região e para isso a Síria terá um papel importante. Portanto, ajuda ter uma embaixada no país".
O Departamento de Estado enviou Jeffrey D. Feltman, secretário assistente para o Oriente Médio, e Daniel Shapiro, oficial do Conselho de Segurança Nacional, a Damasco duas vezes para encontros conciliatórios.
Há duas semanas, o enviado especial do Oriente Médio, George J. Mitchell, se encontrou com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, para o que depois descreveu como "debates produtivos e sérios".
Pouco antes da visita de Mitchell, uma delegação militar americana visitou a capital síria para negociar como o país poderia contribuir para a estabilização de seu vizinho Iraque. Oficiais americanos temem um fluxo de insurgentes da Síria para o Iraque.
A gestão Bush retirou o embaixador da Síria em protesto pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri do Líbano. Washington suspeita que a Síria tenha tido envolvimento no ataque, o que o país nega.
Desde então, um charge d'affaires tem sido o diplomata americano de mais alto escalão presente em Damasco. O novo embaixador terá que ser confirmado pelo Senado.
Como é de costume, os sírios podem se opor ao candidato.
Nos vimos em meio a júbilo e desespero na terça-feira ao acompanhar mais de 500 jovens de becas em um parque a poucos metros do Capitólio dos Estados Unidos. Era uma formatura, mas não era. Todos receberam prêmios, mas não diplomas. E ainda que houvesse discursos sobre futuros brilhantes, eles estavam envoltos em impaciência e desafio, o que deixava claro que não havia nenhuma garantia.
Isso tudo porque todos aqueles estudantes estão no país ilegalmente. Eles faziam um protesto para apoiar o Ato do Sonho, um projeto que está no Congresso para abrir caminho para a cidadania de formandos do Ensino Médio que completem dois anos de universidade ou serviços militares.
Estes estudantes vieram para o país como menores de idade, trazidos na garupa dos sonhos de seus pais por vidas melhores. Mas, depois que se formaram, eles viram que suas opções se restringiriam aos mesmos sub-empregos de seus pais.
O Ato do Sonho, sua melhor esperança, tem tramitado desde que foi anunciado pela primeira vez em 2001, anexado nos últimos anos à complexa reforma imigratória que não foi a lugar nenhum. A ampla estratégia 'tudo ou nada' alega que se um projeto bipartidário não tiver a mistura certa de adoçantes como o Ato do Sonho para amolecer os conservadores, não conseguirá votos suficientes para ser aprovada.
Esta estratégia não funcionou, mas seus defensores esperam que o presidente Obama lidere uma mudança. A juventude organizada que defende a proposta vem de mais de uma dezena de Estados e compartilha a esperança, mas agora sabem ter pouco tempo. Eles estão envelhecendo e sua janela para a legalização está se fechando.
O orador, Walter Lara, 23, que se formou com honra na universidade, foi pego pela imigração em Miami. Ele deve ser deportado para Buenos Aires no dia 6 de julho.
Apenas ao falar com ele e seus amigos que vieram da Flórida percebemos seu enorme potencial (que não tem para onde ir). Eles são da Argentina, Brasil, Colômbia, Peru. Todos frequentaram faculdades comunitárias. Mas por estarem aqui ilegalmente, eles não tiveram ajuda financeira estadual (pagaram US$ 800 por módulo, ao invés de US$ 250) ou acesso a empréstimos ou estágios.
Eles querem trabalhar com relações internacionais, psicologia, química, engenharia, comunicações de massa, ciência política. Mas um é faz-tudo e os outros trabalham em um restaurante e como voluntários na igreja.
A viagem até Washington levou 18 horas. Eles parecem cansados, solenes, esperançosos de uma forma que só os jovens têm e que impede qualquer desconfiança. Eles parecem incrédulos que a mensagem com a qual cresceram (trabalhe, estude e você terá sucesso) não se aplica a eles.
HONOLULU – O Havaí viveu por muito tempo sob a ameaça de destruição, seja por tsunami, vulcões ou invasões estrangeiras. Agora, a administração de Obama diz que a Coreia do Norte pode lançar um míssil balístico na direção do Estado – possivelmente por volta de 4 de julho, de acordo com notícias da imprensa japonesa – levando o exército americano a aumentar a defesa no local.
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Míssil submarino Polaris em parque perto de Pearl Harbor
Os interceptadores de mísseis estão a postos, disse o Departamento de Defesa. Há poucos dias, os havaianos assistiram o radar parecido com uma torre gigante, conhecido como bola de golfe, ser direcionado da base onde normalmente fica ancorado para o mar, acrescentou.
Mas se residentes como Gerald Aikau, que moraram a vida inteira no local, estão em estado de alerta, isso seria porque alguém lhe disse que seu polvo, pescado nas águas com um arpão e as mãos, cozinhou demais.
“O que você vai fazer?”, disse Aikau, 34, pintor comercial, enquanto grelhava orgulhosamente sua presa pescada na praia. “Você terá que morrer alguma hora, seja com uma onda, um míssil ou se um amigo te derrubar e você bater a cabeça”.
Vulnerabilidade, e certo fatalismo sobre o assunto, são parte da vida fabricada no arquipélago, a 4 mil quilômetros do continente e, como muitos residentes parecem ter memorizado desde que a administração de Obama alertou na semana passada, a 7.200 quilômetros da Coreia do Norte.
As pessoas se sentem confortávei com a presença militar pesada fornecida por diversas bases no local, mas também imaginam se isso torna o Estado um alvo ainda mais provável.
Em uma entrevista nesta segunda-feira no programa "Early Show" da CBS, o presidente Barack Obama, que nasceu e passou boa parte de sua juventude no Havaí, declarou: "nosso exército está totalmente preparado para qualquer contingência que envolva a Coreia do Norte".
O secretário da Defesa Robert M. Gates anunciou na última quinta, que o exército desenvolveu um interceptador terrestre e um radar marítimo para ajudar a desviar qualquer míssil de longo alcance da Coreia do Norte. Ligações para a governadora republicana Linda Lingle foram conduzidas pelo major general Robert G. F. Lee, diretor do departamento de defesa do Estado, que sugeriu que a ameaça seria mais um alerta por parte da Coreia do Norte. Ele questinou se os mísseis teriam capacidade tecnológica para ir tão longe, mas também ponderou que o Estado está pronto para uma ação hostil.
“Nossas bases militares estão preparadas para nos proteger”, disse Lee, responsável defesa civil. “Nós, como todos os Estados, estamos preparados para enfrentar desde desastres naturais até terrorismo”.
Ele revela ainda que as sirenes para desastres do Estado estão funcionando e os residentes, como sempre, são avisados para manter um suprimento de três dias de comida, água, remédios e outros bens essenciais.
“Sozinhos aqui, nós temos que estar um pouco mais preparados, caso a ajuda não chegue do continente tão rápido”, disse.
Claro que o espectro de Pearl Harbor ainda continua proeminente aqui, assim como as manobras de gato e rato próximo à costa durante a Guerra Fria, que incluem a perda misteriosa de um míssil balístico submarino a cerca de mil quilômetros a noroeste de Oahu, em 1968.
“Somos os primeiros a serem atacados a partir da Ásia”, disse o deputado democrata do Havaí Joseph M. Souki, 76, que ainda se lembra da onda de ansiedade que varreu sua vizinhança em Maui, quando Pearl Harbor foi bombardeado. “Não é como se estivéssemos em Iowa”.
Ainda assim, ele admite, “é mais do que provável que nada vá acontecer”. “O Havaí é como um peão no jogo de xadres”, acrescentou.
O Estado dificilmente pode se permitir a deixar ocorrer qualquer coisa próxima a uma calamidade.
A recessão foi culpada por quase 11% da queda no número de visitantes no Estado no ano passado em comparação com o ano anterior. A taxa ajustada de desemprego sazonal em maio chegou a 7,4%, mais do que os 6,9% de abril e a mais alta em três décadas.
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Misioki Tauiliili e sua família em volta a uma churrasqueira em uma cidade costeira em Honolulu
Os turistas que vem continuam fazendo o de sempre, tomando aulas de surfe, passeando pela Praia de Waikiki e visitando o Memorial do USS Arizona, cujo parque inclui uma exibição do antigo míssil submarino Polaris.
“Mande pra eles um desses pequenos”, sugeriu Clifton Wannaker, 45, um contador de Dakota do Sul, quando ouviu sobre a ameaça norte-coreana. Ele bateu no casco do míssil para mostrar o tamanho.
Parado na margem da praia, olhando para o Memorial do Arizona, Steve Brecheen, 54, farmacêutico da Cidade de Oklahoma, parecia um pouco mais nervoso.
“A Coreia do Norte parece o governo mais instável no que diz respeito a uma ameaça aos EUA”, disse Brecheen.
Ele gesticulou para o memorial, que fica perto dos restantes do navio afundado pelos japoneses no ataque a Pearl Harbor.
“Em 1941, algumas dessas pessoas não pensavam que os japoneses eram uma ameaça extrema, e eles mudaram de impressão rapidamente”, disse.
Mas entre os havaianos, o ceticismo está misturado com aborrecimento e até mesmo raiva por seu Estado, ao menos hipoteticamente, ser um território de testes.
“Eu acho que eles seriam estúpidos ao fazer esse teste”, disse Misioki Tauliili, 39, um motorista de caminhão de entrega, na plácida cena de uma cidade costeira próxima a Waikiki. “Os EUA deveriam ir lá e dar um susto neles”.
Com isso, ele quis dizer que os EUA podiam lançar alguns de seus foguetes na direção da Coreia do Norte, “para testá-los”.
Mark N. Brown, 49, um artista que pintava ali perto, foi menos belicoso. Ele disse que ficou estimulado com os passos que o exército tomou e continua preocupado com que um ato de agressão da Coreia do Norte leve a uma guerra.
Mas, com um sorriso amargo, ele acrescentou que a ilha vizinha, muito menos populosa, mas muito mais próxima da Coreia do Norte, provavelmente seria atingida.
“Ele atingiria Kauai”, disse. “Estamos em Oahu”.
Mele Conor, 55, uma havaiana que morou a vida toda no local e fazia compras com visitantes do continente em uma loja de roupas em Waikiki, riu das ameaças.
“Depois da Coreia do Norte, haverá outro”, disse ela. “Eles sabem que Obama é daqui, então eles querem algo. Todo mundo quer algo de nossas lindas e pequenas ilhas”.
Quando Michael Bay, diretor de filmes de ação que reina no quesito carnificina, acha que sua ideia de uma superprodução explosiva, cheia de efeitos especiais, é pouco convincente, você está com problemas. Alguns anos atrás, o diretor dos filmes “Armageddon”, “A Rocha” e “Bad Boys”, estava em sua sala de edição quando Steven Spielberg ligou para lhe propor um novo projeto: um filme de ação sobre robôs gigantes que se transformavam em carros, caminhões e aviões. Bay relembrou o fato em uma recente entrevista: “Respondi: ‘Ok, ótimo’, e desliguei o telefone. Mas, pensei: ‘Isso parece uma idéia idiota’”.
Shia LaBouf e um dos gigantescos robôs de "Transformers: A Vingança dos Derrotados"
O que ajudou a convencer o diretor a dirigir o primeiro filme “Transformers” – que em 2007 rendeu mais de US$ 700 milhões de bilheteria ao redor do mundo, e cuja sequência, “Transformers: A Vingança dos Derrotados”, tem estreia mundial amanhã e hoje na América Latina – foi uma visita à matriz da empresa Hasbro, na cidade americana de Pawtucket, onde os brinquedos Transformers são criados.
Aos 44 anos, Bay recebeu ali uma aula aprofundada sobre o enredo envolvido na linha de brinquedos de 25 anos: uma história que gira em torno de facções guerreiras dos corajosos Autobots e dos abomináveis Decepticons, que trazem para a Terra a batalha de Cybertron, seu planeta de origem. Bay estava convencido. “Não acho que isso seja um brinquedo, de forma alguma. Para mim, não está nem perto de ser um brinquedo. Trata-se de mitologia, e tem uma história por trás de tudo”.
Neste verão do hemisfério norte, este não será o único produto lucrativo da Harbro a ser transformado em superprodução cinematográfica: a sequência de “Transformers” será seguida, no dia 7 de agosto, pela adaptação para o cinema dos brinquedos da linha G.I. Joe (Comandos em Ação, no Brasil), chamado “G.I.Joe: A Origem de Cobra”.
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Um dos brinquedos que inspirou os personagens criados para o filme
Os dois filmes são fruto da estratégia que tem sido cultivada pela empresa de brinquedos por cerca de 10 anos: criar roteiros para sua linha de brinquedos mostrando a Hollywood que essas histórias podem ser traduzidas para as telas de cinema. É uma abordagem que muitos outros fabricantes de produtos semelhantes também estão adotando, negando qualquer relação com as produções da Marvel e da DC Comics.
Como os fãs e colecionadores bem sabem, os brinquedos da Hasbro têm histórias de mais de 10 anos. O G.I. Joe original, soldado de 30 centímetros de altura, conhecido como "guerreiro americano móvel", foi lançado pela Hasbro em 1964. Depois da guerra do Vietnã, a ligação de Joe com o exército americano perdeu a força e, em 1982, o soldado foi remodelado, transformando-se em um integrante de missões especiais formadas por numerosos agentes de bolso. A equipe de Joe também ganhou um inimigo, Cobra, uma cruel organização terrorista (na época em que esse tipo de influência ainda parecia ser adequado à fértil imaginação do público jovem).
Dois anos mais tarde, a Hasbro importou uma série de bonecos de ação criada pela empresa japonesa Takara, que consistia em robôs disfarçados de veículos e outras tecnologias, chamados Transformers. Os brinquedos das linhas G.I. Joe e Transformers, e suas versões adaptadas às histórias em quadrinhos e aos desenhos animados, dominaram o mercado nos anos 1980. Mas nos anos 1990 essa popularidade diminuiu, uma vez que as crianças começaram a prestar atenção em fenômenos mais recentes como Pokemon e Power Rangers.
“As preferências infantis estão ligadas ao que está na moda”, comentou Gareb Shamus, editor da revista ToyFare. Ele complementou: “Algumas peças precisam sair de circulação por um tempo. Mas, quando a geração certa volta a procurá-las, esses artigos podem retornar e pedir a revanche”.
Brinquedos com história
A revitalização das franquias Transformers e G.I. Joe começou nesta década, na gestão do executivo chefe da Hasbro, Brian Goldner, veterano da agência de propaganda J. Walter Thompson e da Bandai America (fabricante dos brinquedos Power Rangers).
Quando Goldner, 45, se uniu à Hasbro em 2000, a empresa estava muito concentrada nos imitadores de Pokemons e de brinquedos relacionados a filmes. Os Transformers tinham se tornado robôs que se transformavam em feras selvagens, e os novos bonecos do G.I. Joe tinham sido colocados de lado em prol das réplicas da safra de bonecos produzidos na década de 60. “Tínhamos limitado essas marcas ao chão do quarto de jogos ou à mesa da cozinha”, comentou Goldner. “A história por trás deles ia muito além disso.”
NYT
Byung-hun Lee e Sienna Miller no filme "G.I. Joe" e o brinquedo original da Hasbro
Na gestão de Goldner, os brinquedos e as animações dos Transformers voltaram em 2002 às histórias e personagens originalmente apresentados nos anos 1980. Depois de comprovar o sucesso destes artigos, a Hasbro lançou versões atualizadas dos soldados G.I. Joe. Segundo Goldner, o objetivo não era somente vender brinquedos, mas também mostrar à indústria cinematográfica que não havia nenhuma diferença entre estes personagens e o Homem-Aranha ou o Batman.
“‘G.I. Joe’ e os ‘Transformers’ estão no mesmo nível das demais produções cinematográficas. Eles nasceram das revistas em quadrinhos e das animações. A geração que brincou com esses produtos era o público alvo do filme”, constatou Goldner.
Em 2003, Goldner ficou sabendo que o produtor Lorenzo di Bonaventura estava desenvolvendo um filme de ação chamado “O último soldado”, e achou que o personagem G.I. Joe poderia se adaptar a este projeto. Por sua vez, Bonaventura, ex-executivo da Warner Brothers que tinha trabalhado com a Hasbro no lançamento de brinquedos ligados às franquias de Batman, do Harry Potter e Scooby-Doo, enxergou a possibilidade de sucesso na produção de um filme sobre G.I. Joe e sua lista de soldados especializados com codinome como Duke, Ripcord e Heavy Duty. “A série nunca ‘matou’ nenhum personagem e, por isso, havia muita história entre eles”, contou Bonaventura.
Mudanças, sim, mas fiéis ao espírito original
Montar a equipe criativa de “Transformers” exigiu mais persuasão. Assim como Bay, os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman (Star trek) relutaram em se envolver no projeto. Eles, contudo, também mudaram de opinião ao assistirem à mesma apresentação que cativou Bay no verão de 2005. No roteiro de “Transformers” escrito por eles, Orci e Kurtzman ajustaram alguns detalhes acerca dos robôs e da guerra que os trouxe à Terra. Mas tentaram se manter fiéis ao espírito de personagens como Optimus Prime, um heróico Transformer que se transforma em um caminhão.
“Optimus era uma espécie de cavalheiro da Távola Redonda, o nobre líder desta força de resistência que estava lutando contra inimigos mais fortes”, descreveu Orci. “Isso nos levou a muitos personagens-chave que eram os mais conhecidos e amados pelos fãs do filme.”
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Sucesso do primeiro filme garantiu ao menos duas sequências de "Transformers"
O sucesso mundial do primeiro filme “Transformers” (apesar de algumas críticas negativas) garantiu que tanto as duas sequências do mesmo, assim como do filme de “G.I. Joe” pudessem seguir adiante (a terceira sequência de “Transformers” terá estreia em 2011).
Enquanto isso, a Hasbro continua a expandir sua presença em Hollywood. No ano passado, a empresa anunciou um acordo com a Universal, com o qual pelo menos mais quatro de suas marcas mais conhecidas, incluindo jogos de tabuleiro como Monopoly, Battleship e Candyland, seriam transformadas em filmes por pesos pesados do segmento, como Ridley Scott e Gore Verbinski. Ainda sob o mesmo acordo, a Platinum Dunes, empresa de propriedade de Bay, está desenvolvendo um filme baseado no game Ouija, também da Hasbro, e Brian Grazer está produzindo um filme sobre Stretch Armstrong, o super-herói elástico da empresa.
A versão cinematográfica de muitas outras linhas de brinquedos está sendo preparada, incluindo “Masters of the Universe” – os guerreiros fantásticos cujo novo filme ainda continua em fase de desenvolvimento na Warner Brothers – e um monstro da Mattel ainda inédito, que está sendo preparado para seu próprio musical pela Universal.
Segundo Goldner, o desafio enfrentado pela Hasbro é crescer no mercado cinematográfico sem abrir mão dos elementos principais de seus brinquedos mais populares. “Ouvimos atentamente as opiniões dos fãs”, disse Goldner. “Talvez não sejamos capazes de fazer tudo que cada um deles pede, pois são tantas as opiniões. Poderíamos perder o foco tentando agradar a todos.”
Para os profissionais de Hollywood que vem ajudando a conduzir os brinquedos da Hasbro para a telona, a experiência está oferecendo uma imersão nos sentimentos passionais, movidos pelas figuras de plástico. “Para mim, o mais interessante é saber que tantas pessoas vão declarar suas preferências, entre os ‘Transformers’ e o ‘G.I. Joe’”, afirmou di Bonaventura.
Tendo sua própria educação como base, di Bonaventura afirmou que não conseguia entender porque os colecionadores se forçavam a fazer uma escolha entre os dois brinquedos. “Na verdade, sou uma das poucas pessoas na Nova Inglaterra que sempre torceu para o Lakers e para o Celtics”, disse. “Mantive-me fiel aos dois times, e aqui estou eu para contar a história”.
Assista ao trailer em HD de "Transformers: A Vingança dos Derrotados"
MOUNT GRAHAM, Arizona — O “Requiem” de Fauré é ouvido ao fundo, seguido pelo Quarteto Kronos. Eventualmente a música é interrompida por um arranjo eletromagnético (como um solo de clarineta no jazz) conforme os motores que guiam o telescópio sobem e descem. Uma noite de observação da galáxia está prestes a começar no observatório do Vaticano no Monte Graham.
NYT
Imagem do telescópio do Vaticano mostra galáxia a 102 milhões de anos-luz da Terra
“Está tudo bem, ele está feliz", diz Christopher J. Corbally, o padre jesuíta que é vice-diretor do Grupo de Pesquisa do Observatório Vaticano, ao se sentar diante dos controles para fazer alguns ajustes. A ideia não é procurar por almas ou anjos, mas realizar a espécie de astronomia que contraria a percepção de que a ciência e o catolicismo precisam necessariamente entrar em conflito.
No ano passado, em um discurso aberto em uma conferência em Roma, intitulada “Ciência 400 Anos Depois de Galileo Galilei”, o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, elogiou o antigo antagonista da Igreja como "um homem de fé que via a natureza como um livro escrito por Deus". Em maio, como parte do Ano Internacional da Astronomia, um centro de cultura jesuíta em Florência conduziu "uma re-examinação histórica, filosófica e teológica" da questão Galileo. Mas na tentativa de reabilitar a imagem da igreja, nada parece maior do que um estudo do astrônomo publicado no Jornal de Astrofísica ou no Mensal de Notícias da Sociedade Astronômica Real.
Nesta clara noite de primavera, o foco não é a teologia mas uma longa lista de tarefas mundanas necessárias para dar vida ao telescópio. Conforme rastreia o céu, o enorme instrumento gira em torno de um anel a base de óleo pressurizado. As bombas precisam ser ativadas, as correias verificadas, os computadores reiniciados. O sensor eletrônico do telescópio, parecido como o de uma câmera digital, precisa ser resfriado com nitrogênio líquido para manter o megapixels estáveis diante do barulho quântico.
Conforme Dr. Corbally corre de um lado para o outro ligando botões, ele parece menos com um padre ou mesmo com um astrônomo do que com um engenheiro de manutenção. Finalmente está tudo pronto, as estrelas apreendidas por espelhos de dois metros de altura, que são reconstituídas nas telas de vídeo.
“Hoje em dia a observação depende muito das telas de computadores", disse Dr. Corbally. “As pessoas dizem: 'deve ser tão bonito observar o céu'. E eu respondo: 'é como assistir TV'".
De calça jeans e camisa, ele não é o tipo de homem que anuncia sua religião. Nenhuma benção é feita antes do rápido jantar na cozinha do observatório. Na verdade, o único sinal de que o Telescópio de Alta Tecnologia do Vaticano é diferente dos outros no Monte Graham, onde fica um complexo astronômico operado pela Universidade do Arizona, é a placa dedicatória ao lado da porta.
“Esta nova torre para o estudo das estrelas foi erguida neste lugar pacífico. Que quem a use de dia ou de noite em busca do longínquo espaço possa fazê-lo com a ajuda de Deus", lê-se em latim. A partir dali a religião acaba e a ciência entra em ação.
O interesse da Igreja Católica Romana nas estrelas começou por preocupações práticas no século 16 quando o Papa Gregório 13 usou a astronomia para explicar que o calendário juliano estava fora de sintonia com os céus. Em 1789, o Vaticano abriu um observatório na Torre dos Ventos, que depois foi realocado para um monte atrás do Domo de São Pedro. Nos anos 1930, astrônomos da igreja se mudaram para Castel Gandolfo, a residência de verão do Papa. Conforme a eletricidade chegou à Roma, a igreja procurou um lugar remoto no escuro Arizona.
A construção em Monte Graham foi difícil. Os apaches diziam que o observatório era uma afronta aos espíritos da montanha. Ambientalistas afirmavam que seria uma ameaça à uma espécie de esquilo vermelho. Houve protestos e sabotagem. Até 1995, três anos depois que o edital da Inquisição contra Galileo foi revogado, o novo telescópio do Vaticano fez sua primeira observação.
O alvo de hoje são três galáxias espiraladas que ficam a cerca de 60 milhões de anos luz da Terra, ao sul de Leão. Em uma mesa ao lado de Dr. Corbally está Aileen O’Donoghue, astrônoma da Universidade de St. Lawrence em Canton, Nova York, que tem interesse em como essas massas gravitacionais fluem ao lado umas das outras criando uma espécie de maré estelar.
Na sala de controle ela explica que essas marés gravitacionais que estuda são empurradas por outras e suas nuvens de gás são movimentadas com tamanha violência que geram estrelas.
No relatório anual do Observatório do Vaticano, em algo que poderia ser descrito por uma companhia como uma estratégia de negócios, existe uma seção que diferencia a crianção ex nihilo (a partir do nada) da creatio continua: “o fato de que a cada instante, a contínua existência do próprio universo é deliberadamente desejada por Deus, que desta forma continua a fazer com que o universo permaneça criado".
Os teólogos chamam isso de "causas primárias", aquelas que fluem a partir do catalizador do que não existe. Acima desta plataforma eterna está outra de "causas secundárias", que podem seguramente ser explicadas pela ciência.
Dr. Corbally e Dr. O’Donoghue trabalharam por toda a noite, coletando dados sobre causas secundárias - marés galácticas, nascimentos estelares. O sono terá que esperar até a manhã e os pensamentos sobre as causas primárias ficarão para a próxima.
LAREDO, Texas - Quando finalmente foi capturado, Rosálio Reta disse aos detetives que havia sentido emoção ao matar, que se sentia como Super-Homem ou James Bond. "Eu gosto do que faço", ele disse à polícia em uma confissão gravada em vídeo. "Eu não nego isso".
NYT
Reta, hoje com 19 anos, foi recrutado aos 13
Reta tinha 13 anos quando foi recrutado pelos Zetas, os infames assassinos do Cartel do Golfo, afirmam as autoridades. Ele fazia parte de um grupo de adolescentes americanos das empobrecidas ruas de Laredo que foi atraído para a guerra do tráfico do outro lado do rio, no México, com promessas de altos salários, carros de luxo e mulheres bonitas.
Depois de um curto período de aprendizagem, os jovens viveram em uma casa luxuosa no Texas, onde ficavam disponíveis para matar quando chamados para isso. O Cartel do Golfo estava envolvido em uma disputa de território com o Cartel Sinaloa pelo corredor da estrada Interestadual 35, que liga Laredo a Dallas e outras cidades, e é, de acordo com as autoridades, uma das principais artérias de tráfico de drogas nas Américas.
Todos os jovens pagaram um alto preço. Jesus González 3o foi espancado e esfaqueado até a morte na cadeia mexicana aos 23 anos. Reta, agora com 19 anos, e seu amigo de infância Gabriel Cardona, 22, estão cumprindo penas perpétuas em prisões americanas.
Outros jovens americanos de seu círculo de amizades que segundo a polícia trabalharam para os Zetas também foram presos, fugiram para o México ou desapareceram da forma que as pessoas envolvidas no negócio de drogas mexicano tendem a fazer.
Na cabeça de muitos americanos, o Rio Grande divide o México, um país corrupto no qual cartéis de drogas geralmente parecem levar vantagem, dos Estados Unidos, uma nação de lei e ordem, na qual as autoridades tentam manter as gangues criminosas sob controle.
Mas a realidade na fronteira é muito mais complexa. Os cartéis de drogas mexicanos recrutam jovens homens de ambos os países e operam seu tráfico e disputas armadas em ambos os lados da fronteira, ainda que sob regras diferentes.
Esta complexidade foi refletida nas curtas porém sangrentas carreiras de Reta, González e Cardona, que têm ligação com crimes em ambos os países, de acordo com documentos judiciais.
Enquanto trabalhavam como assassinos entre 2005 e 2006, os três americanos viviam em uma casa alugada por seus empregadores na Rua Hibiscus em Laredo, de acordo com testemunho de Reta. Outra equipe de assassinos, todos do México, também vivam ali, esperando ordens.
O governo mexicano tem tentado frear os cartéis de drogas, uma medida que deixou mais de 10 mil mexicanos mortos nos últimos 18 meses. Algumas mortes são resultado de confrontos entre cartéis e as autoridades, com ambos os lados fortemente armados. Mas o assassinato de traficantes envolvidos na disputa de território e de policiais e oficiais do exército que entraram no caminho (o tipo de trabalho realizado por Reta, González e Cardona) também representam milhares de corpos.
As duas equipes de assassinos recebiam ordens de Lúcio Quintero, ou El Viejon, mandante dos Zetas do outro lado do rio. Eles recebiam US$ 500 adiantados por semana e outros US$ 10 mil ou US$50 mil por cada assassinato, além do assassino receber dois quilos de cocaína.
Além do valor em dinheiro, eles recebiam incentivos. Em dado momento, Reta ganhou uma Mercedes de US$70 mil, por um trabalho bem feito. Membros da família descrevem como os jovens iam a festas patrocinadas pelos mandantes dos cartéis. Para manter a moral em alta, os líderes sorteavam carros, armas e até mesmo encontros com mulheres atraentes, contam os familiares sob condição de anonimato.
A maioria dos jovens americanos foi recrutada em uma discoteca, a The Eclipse, na principal praça de Nuevo Laredo diante a ponte que liga as duas cidades. O lugar é um sombrio antro aonde os adolescentes vão para beber, dançar e flertar ao som de reggaeton. Mas membros dos cartéis também entram e observam possíveis recrutas, diz a polícia.
"Os cartéis seduzem", disse Garcia, do Departamento de Polícia de Laredo, que desmantelou a quadrilha junto com seu parceiro Carlos Adan. "Eles mostram poder, dinheiro, carros, mulheres. E os jovens têm essa ideia de que vão viver para sempre". Garcia descreveu Cardona como líder da célula americana de assassinos, um jovem inteligente que orquestrou pelo menos cinco assassinatos em Laredo de pessoas ligadas ao Cartel Sinaloa.
NYT
Gabriela Maldonado, mãe de garoto recrutado pelos cartéis
Em um acordo com promotores, Cardona eventualmente reconheceu a culpa por sequestrar dois adolescentes americanos em março de 2006 em um clube noturno mexicano, levando-os a uma casa do cartel e esfaqueando-os até a morte. Os investigadores dizem ter encontrado sangue das vítimas em um copo colocado diante de uma estátua de La Santa Muerte, uma personificação da morte adorada pelos mexicanos. Em março, um juiz federal condenou Cardona à prisão perpétua.
Sua mãe, Gabriela Maldonado, que trabalha como funcionária pública no setor de saúde, disse que Cardona cresceu com um pai violento e alcoólatra, mas foi bem na escola até a oitava série, quando o homem deixou a família.
Então Cardona começou a faltar às aulas e a andar com usuários de drogas na Rua Lincoln. Logo ele foi enviado a um reformatório por agressão e depois disso deixou a casa de sua mãe. Da noite para o dia, aparentemente, ele parecia ter muito dinheiro e aparecia em carros diferentes, disse sua mãe. No começo, ele contou a ela que era um "soldado", depois que havia se tornado um "comandante".
"Ele era tão inteligente - eu não sei o que aconteceu", ela disse. "Quando ele era criança costumava dizer que queria ser advogado";
Se Cardona era o cérebro do grupo, Reta era o assassino profissional, disse Garcia. Em julho de 2006, Reta disse aos detetives que participou de pelo menos 30 assassinatos no México, uma declaração que as autoridades não conseguiram confirmar.
Reta disse a Garcia que ele tinha 13 anos quando matou um homem pela primeira vez. Ele afirmou que teve que provar sua lealdade ao fazer isso na frente de Trevino, e disse que usou uma super pistola de calibre 38 para cumprir a missão em uma casa localizada em algum lugar de Tamaulipas.
Depois daquilo, matar se tornou um vício, Reta disse ao detetive Garcia, e ele comparou a sensação àquela de se ganhar um doce quando criança. "Sempre haviam outros para fazer o trabalho, mas eu queria ir", disse Reta. "Era como um jogo do James Bond."
"Qualquer um pode fazer, mas nem todos querem", ele acrescentou. "Alguns são fracos e não conseguem ter isso na sua consciência. Outros dormem tranquilos como peixes".
Reta também disse à polícia que participou de um treinamento realizado em um campo no México durante seis meses, onde aprendeu a usar rifles e a lutar. Um de seus instrutores, segundo ele, era um mercenário israelense.
"Se que não puder dar uma cabeçada em você por causa da distância", ele disse em sua declaração à polícia. "Eu me ajoelho diante de você e coloco minha testa contra sua arma. Eu vou olhar nos seus olhos quando você me matar".
Pouco depois que Neda Agha-Soltan sangrou até a morte no asfalto de Teerã, o homem que fez o vídeo de 40 segundos que registrou o momento e cruzou o mundo calculou os riscos do jogo de gato e rato que teria que travar com a censura iraniana. Ele sabia que o governo havia bloqueado websites como o YouTube e o Facebook. Portanto, tentar enviar o vídeo a estes centros de mídia social colocaria a ele e sua família em risco.
Ao invés disso, ele enviou um e-mail com o vídeo de 2 megabytes anexado a um amigo próximo, que rapidamente repassou ao Voice of America, ao jornal "The Guardian" de Londres e a outros cinco amigos que vivem na Europa, com uma mensagem que dizia simplesmente: "por favor, deixe o mundo saber". Foi um destes amigos, um expatriado iraniano que vive na Holanda, que publicou o vídeo no Facebook, chorando ao fazer isso, como ele relembra.
Cópias do vídeo, bem como um outro mais curto feito por outra testemunha, se espalharam instantaneamente pelo YouTube e foram televisionados em poucas horas pela CNN. Apesar de um prolongado esforço do governo do Irã em manter a mídia desinformada sobre a violência dos eventos que têm atingido as ruas do país, o uso da internet transformou Agha-Soltan de vítima desconhecida a um ícone do movimento de protestos iranianos.
Em certo momento, regimes autoritários conseguiam cobrir com um véu os eventos que aconteciam em seus países simplesmente impedindo os telefonemas de longa distância e restringindo alguns estrangeiros. Mas esta é a nova arena da censura no século 21, um mundo no qual câmeras de celulares, contas de Twitter e todas as armadilhas da World Wide Web mudaram o cálculo antigo sobre quanto poder os governos realmente terão que ter para esconder suas nações dos olhos do mundo e dificultar que seu próprio povo se reúna, se oponha e se rebele.
As fracassadas tentativas iranianas em entender esta nova realidade oferece um laboratório sobre o que pode ou não ser feito nesta nova era midiática (além de servir de lição para outros governos, que acompanham à distância com interesse, o que podem fazer caso seus próprios cidadãos saiam às ruas).
Uma lição precoce é que é mais fácil para as autoridades iranianas limitar imagens e informações dentro de seu próprio país do que impedir que elas se espalhem pelo resto do mundo. Ainda que o Irã tenha um acesso restrito à internet, uma rede de simpatizantes se formou para ajudar a manter os ativistas e cinegrafistas espontâneos conectados.
A onipresença da internet faz com que a censura seja "um trabalho muito mais complicado", disse John Palfrey, co-diretor do Centro de Internet e Sociedade de Harvard.