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Astronauta volta à Terra depois de usar a mesma cueca por um mês

O astronauta japonês Koichi Wakata, um dos sete tripulantes do ônibus espacial Endeavour, que pousou na Flórida na manhã desta sexta-feira, voltou à Terra vestindo uma cueca que utilizou por um mês seguido. Wakata, que passou 138 dias hospedado na Estação Espacial Internacional (EEI), passou todo o tempo utilizando a mesma roupa íntima como parte de um experimento.A cueca, desenvolvida no Japão, foi criada para não exalar odores, mesmo depois de ser usada por tanto tempo.

Em uma entrevista pouco antes do retorno da Endeavour, na quinta-feira, o astronauta afirmou que o experimento com a roupa de baixo foi bem sucedido.

"Eu usei (a cueca) por cerca de um mês, e os meus colegas da estação espacial nunca reclamaram, então acho que o experimento deu certo", afirmou.

Retorno
O ônibus espacial Endeavour pousou na manhã desta sexta-feira na Flórida, nos Estados Unidos, ao final de uma missão de 16 dias na Estação Espacial Internacional.

A nave tocou o solo do Kennedy Space Center às 11h48 (horário de Brasília) em condições meteorológicas praticamente perfeitas.

A Endeavour havia sido lançada no último dia 15 de julho, depois de cinco tentativas terem sido canceladas por condições desfavoráveis de tempo.

A missão tinha como objetivo transportar e instalar novas baterias na Estação Espacial Internacional, além de outras peças de reposição.

Também foi criada na estação espacial uma área que está sendo chamada de "varanda". O local será usado pelo módulo japonês Kibo para fazer experimentos do lado de fora da estação.

Banheiro interditado
Durante a missão da Endeavour, os astronautas fizeram cinco caminhadas espaciais. Com a chegada dos sete astronautas do ônibus espacial, a tripulação na estação atingiu o número recorde de 13 integrantes.

Neste período, os astronautas passaram por alguns inconvenientes, incluindo a interdição de um dos banheiros da estação devido a um defeito.

A Nasa planeja sete outras missões para finalizar a Estação Espacial Internacional - que, atualmente, tem o tamanho de uma casa de quatro dormitórios e está sendo construída há dez anos.

O Discovery será o próximo ônibus espacial a ir até a estação espacial. O lançamento da missão está revisto para 18 de agosto.

31/07/2009 02:24 PM

Arcebispo argentino causa polêmica ao criticar manual de educação sexual

O presidente da Comissão de Educação do Episcopado da Argentina e arcebispo da cidade de La Plata, Héctor Aguer, provocou polêmica no país ao criticar a iniciativa dos Ministérios da Educação e da Saúde de elaborar e distribuir um manual sobre educação sexual para os professores de toda a rede de ensino. "(O manual) tem inspiração 'neomarxista'", disse o arcebispo, em um documento divulgado pela imprensa argentina, porque interpreta a sexualidade "segundo a dialética do poder"."E entende-se (no manual) a educação sexual como o direito de fornicar o mais cedo possível e sem esquecer a camisinha", acrescentou.

Aguer criticou o que considera um estímulo "ao uso exclusivo de preservativos como único meio de proteção eficaz nas relações sexuais contra o HIV". Em vez disso, o arcebispo propõe que se ensine "a abstinência das relações sexuais prematuras e irresponsáveis".

O Congresso Nacional argentino aprovou em 2006 uma lei que determina a educação sexual nas escolas públicas, privadas e laicas.

O Manual de Formação dos Professores, com capítulos dedicados à educação sexual e à prevenção contra a Aids, é distribuído desde 2007.

Camisinha
As afirmações de Arguer receberam críticas do ministro da Educação, Alberto Sileoni, que defendeu o manual como um instrumento para "promover valores", e "não uma mera sexualidade".

"O Estado tem a obrigação de fazer cumprir a lei de educação sexual em todas as escolas do país", acrescentou Sileoni. O ministro destacou ainda que o manual é para a formação de adultos, com o objetivo de preparar melhor os professores para tratar do assunto.

As declarações de Aguer também levaram a presidente do Instituto Nacional contra a Discriminação (INADI), María José Lubertino, a pedir ao arcebispo uma "retificação" de suas afirmações.

"É um retrocesso ver que existem setores que são contra esses assuntos, que têm um claro consenso democrático", afirmou. "É preocupante. Vamos analisar as declarações e que se retifique o que foi dito".

31/07/2009 02:10 PM

Nova Zelândia decide se palmada em filhos continuará sendo crime

A Nova Zelândia começou nesta sexta-feira um referendo pelo correio para decidir se uma palmada administrada pelos pais em seus filhos deve continuar sendo considerada um crime. A chamada lei antipalmada foi introduzida em 2007 e dividiu o país, o que levou a Nova Zelândia a realizar a votação.Os que apoiam a lei afirmam que ela dá às crianças os mesmos direitos que os adultos, enquanto que os que são contra à lei afirma que ela criminaliza os pais.

O referendo pergunta: "Uma palmada (nos filhos), como parte de uma apropriada punição dos pais, deve ser considerada um crime na Nova Zelândia?"
A votação pelo correio deve ocorrer até o dia 21 de agosto, mas o resultado não obrigará o governo a mudar a lei.

Escandinávia
A Nova Zelândia foi um dos seis países que proibiram punição corporal de crianças em 2007.

O primeiro país a adotar a lei foi a Suécia, em 1979, seguida pela Finlândia em 1983 e Noruega em 1987.

O objetivo da lei neozelandesa foi fazer com que as pessoas parassem de usar o motivo "disciplina por parte dos pais" como uma defesa contra acusações de agressão.

A medida, quando implantada, foi vista como um passo importante para combater as altas taxas de abuso infantil e assassinato da Nova Zelândia.

''Boas famílias''
Os ativistas da campanha contra a lei alegam que a lei atual levou "boas famílias a (se transformarem em) vítimas de investigações sem garantias e até a serem processadas pela polícia e... pelo (departamento de governo para) Criança, Juventude e Família".

Os responsáveis pela campanha afirmam que os recursos estão sendo desperdiçados em investigações de casos que "simplesmente não são de abuso".

Já os ativistas da campanha a favor da lei afirmam que "a paternidade ou maternidade positiva, sem violência, é mais eficaz do que a com punição corporal, além de servir de base para um melhor resultado no longo prazo para crianças e para a sociedade".

Os críticos da realização do referendo afirmam que a própria votação é confusa e o primeiro-ministro neozelandês, John Key, reconheceu que a pergunta feita no referendo é "ambígua".

O governo acredita que a lei atual está funcionando bem, com a polícia processando apenas os casos graves.

A Polícia da Nova Zelândia informou que investigou 13 casos entre março de 2007 e abril de 2009, com a instauração de apenas um processo.

31/07/2009 01:47 PM

Ministra da Nigéria diz que morte de líder islâmico foi 'positiva'

A ministra da Informação da Nigéria, Dora Akunyili, disse nesta sexta-feira que a morte do líder do grupo islâmico Boko Haram, na quinta-feira, foi "positiva" para o país. O grupo liderado por Mohammed Yusuf foi responsabilizado pela onda de violência dos últimos dias no norte da Nigéria.Centenas de pessoas morreram em confrontos entre ativistas armados e as forças do governo.

"O que é importante é que ele (Yusuf) foi retirado do caminho, para impedi-lo de usar as pessoas para causar tumultos", disse Akunyli à BBC.

Grupos de direitos humanos manifestaram preocupação com a morte de Yusuf, levantando a suspeita de que ele tenha sido executado por forças de segurança do governo após a captura.

Comentando as alegações, Akunyili afirmou que o governo nigeriano "não apoia mortes extrajudiciais". O governo e a polícia sustentam que ele foi morto em um tiroteio.

''Lavagem cerebral''
O Boko Haram luta contra o governo nigeriano e quer implantar uma versão rígida da lei islâmica no país.

O corpo morto de Mohammed Yusuf, de 39 anos, foi filmado com ferimentos de bala horas depois de ele ser capturado na cidade de Maiduguri, no norte da Nigéria.

A ministra nigeriana disse que o governo está preocupado com o incidente e vai investigar "exatamente o que aconteceu".

Akunyli acusou Yusuf de fazer "lavagem cerebral" dos jovens que o seguiam. A ministra elogiou as forças de segurança, que, segundo ela, impediram que a violência no norte do país se espalhasse ainda mais.

O grupo de direitos humanos Human Rights Watch, sediado em Nova York, disse que o caso deveria ser alvo de uma investigação imediata.

"O assassinato extrajudicial de Yusuf em custódia policial é um exemplo chocante do forte desprezo da polícia nigeriana pela lei", disse Eric Guttschuss, da entidade.

Invasão
Soldados nigerianos invadiram a sede do Boko Haram em Maiduguri na noite de quarta-feira, matando vários rebeldes e provocando uma fuga em massa.

Yusuf foi preso no dia seguinte, supostamente escondido na casa dos seus sogros. Um repórter da BBC foi um dos jornalistas que teve acesso a dois vídeos. Em um deles, Yusuf aparece confessando seu envolvimento na onda de violência. No outro, seu corpo aparece morto, cheio de buracos provocados por balas.

"Mohammed Yusuf foi morto por forças de segurança em um tiroteio enquanto tentava fugir", disse o inspetor-geral Moses Anegbode em entrevista à televisão nigeriana. Um porta-voz do governador do Estado também disse que Yusuf foi morto quando tentava fugir.

Cerca de 300 pessoas morreram nos últimos dias em decorrência da violência provocada pelo grupo. Algumas fontes não-oficiais indicam que o número pode chegar a 600. A Cruz Vermelha afirmou que 3,5 mil pessoas fugiram da região.

31/07/2009 12:54 PM

Economia dos EUA sofre contração de 1% do 2° trimestre

A economia dos Estados Unidos encolheu a uma taxa anualizada de 1% entre abril e junho deste ano, apontam dados divulgados pelo Departamento de Comércio americano nesta sexta-feira. A queda foi menor que a esperada por grande parte dos analistas, que previam uma contração de cerca de 1,5% no PIB americano.Esta é a primeira vez em mais de 60 anos que a economia americana apresenta retração em quatro trimestres consecutivos.

As informações divulgadas nesta sexta-feira são estimativas iniciais e podem ser revisadas posteriormente.

Pacotes
Para Steve Schifferes, repórter de economia da BBC, a melhora na economia americana no segundo trimestre se deve, principalmente, aos pacotes de estímulo econômico, que aumentaram os gastos do governo dos Estados Unidos.

Schifferes aponta, no entanto, que deve levar algum tempo até que a produção americana volte aos níveis anteriores à crise.

O Departamento de Comércio também apresentou dados revisados sobre a atividade econômica no trimestre anterior, que apontam que a economia dos Estados Unidos encolheu 6,4% entre janeiro e março.

O governo americano havia previsto anteriormente uma contração de 5,5% no PIB neste período.

Na última quarta-feira, o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, divulgou os dados do chamado "Livro Bege", que apontam que a atividade econômica no país "começou a se estabilizar".

Segundo as informações coletadas pelo Fed até o dia 20 de junho, a economia continuava "enfraquecida" no início do mês, com baixa atividade nas vendas no varejo e no mercado de trabalho, mas o ritmo do declínio desacelerou e ficou mais "moderado".

Apesar das boas notícias vindas dos Estados Unidos, informações divulgadas também nesta sexta-feira mostram que a crise continua afetando os empregos na Europa.

Segundo dados divulgados pela Eurostat, órgão responsável pelas estatísticas da União Europeia, a taxa de desemprego na zona do euro atingiu 9,4%, no maior nível em dez anos.

31/07/2009 12:20 PM

Adolescentes com amigos obesos podem ter ganho de peso, diz estudo

Uma pesquisa da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, sugere que adolescentes que têm amigos obesos tendem a desenvolver problemas de peso. A pesquisa, publicada na revista Economics and Human Biology descobriu uma forte ligação entre o peso dos adolescentes e o de seus amigos mais próximos.Os pesquisadores analisaram informações de quase 5 mil adolescentes e muitos deles foram acompanhados depois de um intervalo de dois anos.

A partir daí, os pesquisadores descobriram que as amizades entre os adolescentes tendem a ser feitas em grupos, de acordo com o peso. Isto significa que os que estão acima do peso tendem a permanecer juntos.

E quando os pesquisadores analisaram as mudanças de peso ocorridas durante um período tempo, eles descobriram que ter um amigo gordo pode levar ao ganho de peso.

Segundo os autores do estudo não é possível afirmar, a partir desta pesquisa, se adolescentes acima do peso influenciam os amigos para que eles também fiquem acima do peso ou se adolescentes obesos simplesmente escolhem ficar juntos.

De acordo com a médica Sally Kwak, líder da pesquisa, se o ganho de peso de um adolescente leva o amigo de um deles a ganhar peso também, essa passa a ser uma informação importante para os responsáveis pelas políticas de saúde, para a criação de campanhas específicas.

Maus hábitos
Tam Fry, da organização britânica de combate à obesidade National Obesity Forum, afirmou que tudo se resume ao compartilhamento de maus hábitos, como consumir alimentos mais pesados e não praticar exercícios.

"Se você vai jantar com seus amigos que são gordos, você poderá consumir os mesmos alimentos que os tornaram gordos", disse.

Para ele, o contrário também pode funcionar, com crianças magras servindo de bom exemplo.

"Você não vai parar de ver as pessoas só porque elas são gordas, mas você pode influenciar estas pessoas, levando-as para uma vida mais saudável, fazendo uma caminhada ao invés de apenas jogar no computador", afirmou.

Já uma porta-voz de uma outra organização britânica de combate à obesidade, a Weight Concern, afirmou que as pessoas "aprendem com seus pares e comem com seus amigos, então estes jovens podem estar escolhendo hábitos que não são saudáveis".

"Mas eu não presumiria que adolescentes acima do peso são necessariamente os que têm maus hábitos. A maioria dos adolescentes não tem dietas saudáveis, mas nem todos eles são obesos. E a maioria do consumo de alimentos ainda é feita em casa, com a família", acrescentou.

31/07/2009 11:26 AM

Ataques coordenados com carros-bomba matam 27 pessoas em Bagdá

Uma série de ataques com carros bomba deixou pelo menos 27 mortos e 53 feridos em mesquitas xiitas de Bagdá, capital do Iraque. Segundo a correspondente da BBC em Bagdá, Natala Antelava, os ataques que atingiram os templos xiitas foram claramente bem coordenados.Seis bombas explodiram quase simultaneamente no momento em que os fiéis começavam a sair das mesquitas depois das orações de sexta-feira, nas regiões norte, leste e sudeste de Bagdá.

A correspondente afirma que o número de mortos e feridos ainda pode aumentar e já está claro que este foi um dos piores ataques nas últimas semanas no Iraque.

As explosões ocorrem exatamente um mês depois de os soldados americanos se retirarem de cidades em todo o Iraque, entregando a segurança nestes locais para as forças iraquianas.

31/07/2009 09:37 AM

Comunidades tradicionais da Amazônia temem perder espaço com nova lei

A migração em massa para a Amazônia é coisa relativamente nova - iniciada com os grandes programas de colonização dos anos 70. Mas, já naquela época, viviam espalhados pela selva grupos indígenas, vilas remanescentes de antigos quilombos, seringueiros e populações ribeirinhas vivendo da pesca e da agricultura de subsistência.Essas são as chamadas comunidades tradicionais da Amazônia, que temem perder ainda mais espaço com a regularização fundiária da região proposta pelo governo.

"O governo está mais preocupado em regularizar as madeireiras e as fazendas porque quer lucro. Nós queremos que o governo respeite a Constituição e dê prioridade à demarcação de terras indígenas", diz o cacique Gedeão Monteiro, presidente do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (Cita), que reúne comunidades da região de Santarém, no Pará.

A Constituição Federal determina que as comunidades tradicionais têm prioridade na demarcação das terras da Amazônia, mas o processo pode se prolongar, uma vez que exige pesquisas e laudos antropológicos. Com isso, aumentam os riscos de terras indígenas ou quilombolas acabarem como propriedades privadas.

Um bom exemplo dessa situação confusa é a Gleba Nova Olinda, na região de Santarém. Em 1994, o governo do Pará assentou nesse território um grupo de 24 fazendeiros e madeireiros.

Eles receberam o título como uma compensação por terra desapropriada na região de São Félix do Xingu, também no Pará. A terra em São Félix havia sido comprada regularmente pelos empresários, mas eles tiveram que ser retirados de lá quando a área foi declarada território indígena.

"Não vamos rever nada do que foi feito pela administração anterior, a não ser que haja ordem judicial. E congelamos a destinação de qualquer outra área da gleba até que a União defina o que é terra indígena", disse o assessor-chefe da presidência do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), Girolamo Treccani.

"Longe de nós desrespeitar os direitos de comunidades tradicionais, mas precisamos que os órgãos competentes definam logo quais são estes territórios para que possamos dar destino às outras áreas. Com essa indefinição, fica impossível fazer uma política de terras no Estado", reclama.

Posse
Na gleba Nova Olinda, vivem 14 comunidades tradicionais, sendo três delas indígenas e o restante de outras populações ribeirinhas, em um total de quase 600 pessoas. Eles acreditam ter direito de posse coletiva sobre todos os mais de 180 mil hectares da área por ora pertencente ao governo do Estado do Pará - na maior parte, ainda sem destinação definida.

"Eles estão levando nossas terras, nossa madeira, nossas plantas frutíferas e medicinais. Os igarapés estão secando e muitas fontes de água foram cercadas", reclama o segundo cacique de uma das aldeias, Odair José Borari. "Aquela terra é nossa, e queremos que o governo faça logo a demarcação para que possamos nos defender e defender nosso espaço", diz.

Borari já foi agredido e ameaçado de morte, supostamente por fazendeiros e madeireiros, e chegou a passar algum tempo em um programa de proteção do governo do Estado que fornece escolta para líderes de movimentos sociais sob risco de assassinato. "É verdade que a pressão dos movimentos indígenas sobre o governo é forte, mas a dos madeireiros é mais forte ainda", diz o cacique.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, Manuel Santos Matos, diz que para essas comunidades é difícil lutar por direitos, por conta do isolamento e da falta de recursos.

"São comunidades que vivem a dez ou 12 horas de barco de Santarém. Mesmo aqui, não há uma agência da Funai, e o Incra planeja transformar sua gerência regional em um escritório de representação. É muito caro para nós ficarmos indo todo o tempo a Belém ou a Brasília", afirma Matos.

Por conta dessas dificuldades, o sindicalista diz temer que a lei criada a partir da MP 458 acabe servindo para oficializar invasões de terras que pertencem a comunidades tradicionais, mas que ainda não tiveram esse reconhecimento oficial.

Gedeão Monteiro diz que o governo também propôs a concessão de lotes individuais aos índios, ao invés de demarcar a terra indígena em um conjunto.

"A maioria das comunidades aceitou, mas nós não quisemos isso. Se os índios aceitam, muita gente vai ficar tentada a vender a terra quando os fazendeiros oferecerem dinheiro", diz.

"Tem muita gente que nem imagina quanto é R$ 20 mil e acaba vendendo seu pedaço de terra por uma oferta qualquer porque acha que aquele dinheirão nunca vai acabar. Só que essa pessoa tem que ir para cidade e, em geral, um ou dois anos depois já está sem nada e morando em alguma favela ou periferia."

31/07/2009 09:30 AM

Cacique diz que índios da Amazônia precisam de 'guerreiros políticos'

Odair José Borari só saiu pela primeira vez de sua aldeia aos 14 anos de idade. "Meu pai não deixava nem a gente ir para perto do rio porque os portugueses estavam lá", diz."Portugueses" é como os índios da aldeia Borari se referem aos não índios por força de uma tradição secular. "Claro que a gente sabe que não são mais portugueses, já tem muito tempo, mas é ainda assim que o povo fala", diz ele, que hoje é o segundo cacique (o próximo na linha de sucessão para chefiar a comunidade) em sua aldeia, a 14 horas de barco da cidade de Santarém, no Estado do Pará.

Mas Odair José - mais conhecido como Dadá Borari - conta que decidiu enfrentar o mundo dos "portugueses" e foi para a cidade estudar e buscar mais formação para se tornar um "guerreiro político".

"Temos os guerreiros que ficam na aldeia e que cuidam de nosso povo, mas precisamos também formar cada vez mais guerreiros políticos, que possam vir aqui para fora e lutar por nossos direitos", diz.

ViolênciaDadá chegou a ser vice-presidente do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns e, por conta da militância, afirma ter sentido na pele a violência, comum em questões fundiárias no Pará.

"Os madeireiros me pegaram e me deixaram por muitas horas amarrado no mato, me ameaçando com armas de fogo e me humilhando. Mas, daquela vez, eu senti que não queriam me matar, queriam só me deixar com medo para eu abandonar a luta", disse.

"Mas isso não funcionou. Essa violência só me fez ter mais certeza de que preciso defender os direitos de meu povo", afirma.

Ele chegou a receber uma escolta policial, dentro de uma programa do governo do Estado de proteção a militantes de movimentos sociais ameaçados de morte. Mas diz que não teve certeza de que poderia confiar nos policiais que foram enviados e acabou abrindo mão da proteção. "Recentemente, fui novamente ameaçado de maneira direta por madeireiros e fazendeiros. Preciso de novo de escolta policial, mas até agora o Estado ainda não concedeu", reclama.

Ao lado da militância política, Dadá Borari também é professor na escola de sua comunidade. Com um grupo de mais de 90 professores, ele participava de um curso de formação, em Santarém, quando conversou com a reportagem da BBC Brasil.

"É com educação que vamos poder formar cidadãos mais prontos a lutar pelos seus direitos também entre os índios", avalia.

31/07/2009 09:23 AM

Garoto de sete anos "foge" em carro dos pais

Moradores da pequena cidade de Plain City, no Estado americano de Utah, ainda estão falando sobre o que aconteceu no último domingo quando um garoto de sete anos que não queria ir à igreja roubou o carro dos pais e saiu para uma volta.

 

A polícia disse que a calma manhã de domingo foi interrompida por telefonemas sobre um motorista pouco cuidadoso dirigindo pela cidade. Os policiais encontraram o carro perto de uma escola e o seguiram por dez quarteirões.

O menino acabou dirigindo de volta para casa. Os investigadores dizem que o garoto é muito jovem para ser indiciado e que esperam que os pais fiquem de olho nele a partir de agora.


Menino de sete anos fugiu com o carro dos pais / Reprodução

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31/07/2009 09:05 AM

Brhadaranyakopanishadvivekachudamani batiza filho com mesmo nome

Um mexicano tem o nome mais comprido do país e provavelmente um dos mais exóticos do mundo: Brhadaranyakopanishadvivekachudamani Erreh Muñoz. "Brhada", como o chamam os seus amigos, é veterinário no Estado de Coahuila, no norte do México.

Ele diz que carrega seu nome de 36 letras com muito orgulho. Tanto que passou o nome para o seu filho, apenas com uma pequena variação. A mudança está no sobrenome, que foi fundido em uma palavra só: Errehmuñoz.

A família do mexicano tem um histórico de nomes estranhos. O pai de "Bhrada" chama-se José Refugio. O nome foi uma homenagem à Virgem do Refúgio, já que José foi o único sobrevivente entre cinco irmãos que morreram quando bebês.

Como José não gostava do sobrenome Refugio, passou a assinar apenas como José R. Assim surgiu o apelido "R", transformado posteriormente em "Erreh", que segundo José é também uma sigla para "esposo, refúgio, rosário, esposa, 'hijo' ('filho' em espanhol)".

'Meu nome é para sempre'

Mas José não parou aí. Ele resolveu dar ao seu filho o nome de Brhadaranyakopanishadvivekachudamani, que nada mais é do que a combinação do nome de dois filósofos hindus.

José disse que não sabia qual dos nomes dos filósofos escolher, e acabou decidindo unir os dois.

"Bhrada" disse à BBC que o nome do primeiro filósofo significa "o homem que se converte no que faz". Já o segundo nome, aparentemente, não tem nenhum significado muito preciso.

Ele afirma que nunca teve grandes problemas com o nome. O maior incômodo foi a necessidade de um ofício especial, para permitir que o nome completo fosse colocado no título eleitoral e na carteira de motorista.

Muñoz conta ainda que sua família não tem nenhuma relação com a Índia ou com a religião hindu, e que ele decidiu dar o nome ao seu filho para seguir a tradição iniciada pelo pai.

O México tem um histórico de nomes estranhos. Há registros de pessoas chamadas "Zolia Vaca del Campo", "Hitler" e "Michael Jackson".

Uma mulher nascida em 22 de abril de 1914 está registrada com mais de 30 sobrenomes.

María Saldivar chama-se, oficialmente, María de la Asunción Luisa Conzaga Guadalupe Refugio Luz Loreto Salud Altagracia Cármen Matilde Josefa Ignacia Francisca Solano Vicenta Ferrer Antonia Ramona Agustina Carlota Inocencia Federica Gabriela de Dolores de los Sagrados Corazones de Jesús y de María Saldivar y Saldivar.

O Registro Oficial do Estado de Coahuila começou uma campanha chamada "Meu nome é para sempre", para que as pessoas não ponham nomes estranhos em seus filhos.

No entanto, as autoridades reconhecem que muitas pessoas com nomes estranhos são felizes assim. Hegel Cortés, diretor do Registro, disse à BBC que para que as pessoas possam mudar de nome após o nascimento, elas precisam provar que existe algum problema ou discriminação.

Entre os nomes considerados "normais", os mais comuns nos nascimentos recentes na capital mexicana são Fernanda e Valeria, para meninas, e Diego e Santiago, para meninos.

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31/07/2009 09:04 AM

Crise mundial custou US$ 10 trilhões aos governos, diz FMI

A crise econômica mundial já custou aos governos mais de US$ 10 trilhões, segundo informações do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

O órgão afirma que os países ricos ofereceram, juntos, US$ 9,2 trilhões em ajuda ao setor financeiro, enquanto as economias emergentes gastaram um total de US$ 1,6 trilhão.

Cerca de US$ 1,9 trilhão foi concedido na forma de adiantamentos, enquanto o restante é representado por garantias e empréstimos.

Os governos devem recuperar a maioria dessas quantias quando a economia mundial se reestabilizar, mas os grandes déficits vão permanecer.

Déficit

O FMI também está revisando suas estimativas do custo da crise para os orçamentos governamentais.

A entidade agora afirma que os países mais ricos do G-20 vão sofrer um déficit orçamentário de 10,2% do PIB em 2009 - o maior resultado negativo para a maioria dessas nações desde a Segunda Guerra Mundial.

Os maiores déficits projetados estão nos Estados Unidos, com 13,5% do PIB, na Grã-Bretanha, com 11,6%, e no Japão, com 10,3%.

Em 2010, no entanto, a Grã-Bretanha deve ter o maior déficit do G-20, com 13,3% do PIB, comparados com 9,7% estimados para os Estados Unidos.

O aumento nos déficits orçamentários foi provocado por uma combinação da gravidade da crise, que derrubou a arrecadação dos governos, e as medidas de estímulo introduzidas por alguns países para tentar incentivar a recuperação da economia.

O FMI estima que os países do G-20 vão implementar planos de estímulo no valor de 2% de seu PIB em 2009, e 1,6% em 2010, mas diz que será difícil medir a eficiência dessa iniciativa.

Apesar disso, o órgão afirma que esses planos já tiveram um grande efeito em limitar a recessão.

Segundo o FMI, esses gastos incentivaram o crescimento dos países do G-20 com taxas entre 1,2% e 4,7% neste ano.

A entidade acredita que o aumento de gastos é mais eficiente que a redução dos impostos para incentivar a demanda, e que isso funciona melhor se aplicado em conjunto com uma política monetária mais flexível e de maneira coordenada em todo o mundo.

Longo prazo

Os dados do fundo mostram ainda a extensão dos danos de longo prazo a crise está provocando para as finanças públicas.

O órgão estima que até 2014, a dívida dos governos alcance 239% do PIB no Japão, 132% na Itália, 112% nos Estados Unidos, e 99,7% na Grã-Bretanha.

Proporcionalmente, no entanto, o aumento na Grã-Bretanha é o maior - com a dívida mais que dobrando em relação aos 44% de 2007.

Agências de classificação de risco alertaram recentemente que poderiam ser forçadas a rebaixar os índices de classificação dos papéis governamentais de países com uma dívida de 100% do PIB ou mais elevada.

Isso poderia fazer o governo ter que gastar mais pagando juros mais altos ao ir ao mercado para levantar dinheiro que financie seu déficit.

O FMI diz que é importante que os governos apresentem estratégias confiáveis para a redução dos déficits a longo prazo, apesar de ter pedido para que eles mantenham o estímulo fiscal a curto prazo.

Os líderes do G-20 devem voltar a discutir a situação econômica mundial em seu próximo encontro, em setembro, em Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Leia também:

 

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31/07/2009 08:51 AM

Espanha entra em alerta especial após atentados

A polícia na Espanha está em alerta especial, depois de dois atentados com bomba em menos de 48 horas nesta semana. Os dois ataques foram atribuídos ao grupo separatista basco ETA, que completa 50 anos nesta sexta-feira, apesar de ninguém ter assumido a autoria.

Na quinta-feira, dois guardas civis foram mortos quando um carro explodiu em frente a um quartel da polícia na cidade turística de Palma Nova, na ilha de Mallorca.


Carro ficou destruído após explosão que matou 2 policiais / Reuters

Outro carro-bomba havia explodido na quarta-feira, destruindo grande parte de um prédio usado como alojamento de policiais na cidade de Burgos, no norte da Espanha. Mais de 50 pessoas ficaram levemente feridas.

Após o atentado de quinta-feira, as autoridades fecharam portos e aeroportos em Mallorca, para prevenir que os autores do atentado fugissem. A medida provocou transtornos para os turistas.

A Espanha está no auge da sua temporada de verão, e muitas forças de segurança estão ocupadas nas áreas turísticas do país.

ETA

O ETA foi criado em 1959 por estudantes radicais bascos. Desde o seu surgimento, o grupo já foi responsabilizado pela morte de 820 pessoas na sua campanha por um País Basco independente da Espanha.

O atentado de quinta-feira não foi reivindicado por nenhum grupo. Mas o premiê espanhol, Jose Luiz Rodriguez Zapatero, disse que o ataque tem características do Eta.

"Eu quero condenar este novo golpe baixo com muita raiva e dor, mas também com muita determinação", disse Zapatero, em pronunciamento na televisão.

"O ataque criminoso vem em um momento quando as guardas civis e a polícia nacional, com a cooperação de forças de segurança francesas, estão lutando contra o grupo terrorista [ETA] como nunca antes."
Zapatero disse que integrantes do ETA estavam sendo "presos mais cedo e em maior número, e que isso é que continuará acontecendo".

"O governo deu ordens para que as forças de segurança estejam em alerta máximo, para duplicar o seu trabalho, para aumentar ainda mais os seus esforços e se protegerem destes assassinos vis", disse.

Zapatero

"Eles não têm nenhuma chance de se esconderem. Eles não conseguem fugir. Eles não conseguem evitar a Justiça. Eles serão presos. Eles serão sentenciados. Eles passarão o resto das suas vidas na prisão."
O atentado de quinta foi o que causou o maior número de mortes desde dezembro de 2007.

Nos últimos meses, o governo espanhol estava anunciando que o ETA estava em um momento frágil, após a prisão de supostos comandantes do grupo.

No entanto, os ataques dos últimos dias reverteram este sentimento na Espanha, segundo o correspondente da BBC em Madri, Steve Kingston. Para o correspondente, se os atentados forem mesmo do ETA, o grupo estaria mostrando que pode atacar em diversas partes da Espanha, do norte ao sul e também em território insular.

Leia mais sobre Espanha

31/07/2009 08:25 AM

"Calcinha-voadora" provoca apagão em cidade britânica

Uma falha elétrica que deixou sem luz parte de um vilarejo no interior da Grã-Bretanha pode ter sido causada por uma calcinha fio-dental. O "apagão" afetou dezenas de casas e sinais de trânsito de Leadenham, na quarta-feira.

Engenheiros rastrearam a falha e descobriram uma calcinha que provocou um curto-circuito em uma fiação da rede elétrica.

Eles acreditam que a peça foi amarrada a um balão de hélio e lançada durante uma festa que ocorria na vizinhança.

Chuva

"Achamos que o item ofensivo ficou preso nos fios durante um bom tempo, mas foram as fortes chuvas que levaram ao curto circuito", disse Andrew Barrow, da Central Networks.

A culpa pelo incidente está sendo atribuída a um clube de pólo local, que realizou um baile anual.

"Pode ser que nunca se prove de onde essa calcinha veio, mas pode ter sido da nossa festa", admitiu Emma Rose, representante do clube.

"Deve ter sido uma brincadeira de alguém que tirou a peça de roupa de uma mochila e a amarrou no balão", completou.

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31/07/2009 07:00 AM

Tamiflu causou efeitos colaterais e até pesadelos em crianças, diz estudo

Dois estudos divulgados na quinta-feira com crianças britânicas mostraram que mais da metade das que tomaram Tamiflu, o remédio indicado para prevenção e tratamento da "gripe suína", sofreram de efeitos colaterais, como náusea, dores, insônia e até pesadelos.

Os estudos foram conduzidos por especialistas da Agência de Proteção de Saúde (HPA, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha e publicadas no site da revista científica Eurosurveillance.

Em um dos estudos, os dados foram levantados em uma escola no sudoeste da Inglaterra. As crianças - de 11 e 12 anos de idade - começaram a tomar a medicação depois que alguns colegas foram diagnosticados com gripe suína.

Os pesquisadores investigaram dados de 248 crianças que tomaram o remédio apenas para prevenção da doença.

'Comportamento estranho'

"Cinquenta e um por cento tiveram sintomas como náusea (31,2%), dor de cabeça (24,3%) e dor de barriga (21,1%). Apesar de algumas crianças estarem doentes com algum tipo de sintoma parecido com os da gripe, nenhuma estava infectada com o vírus A (H1N1)", diz o estudo.

Segundo a pesquisa, 77% das crianças fizeram o tratamento completo com Tamiflu e 91% usaram o remédio por pelo menos sete dias seguidos.

Os cientistas disseram que os efeitos pesquisados são comuns e que "o desconforto dos efeitos colaterais precisa ser considerado" pelos pais que dão o Tamiflu para seus filhos como forma de prevenção.

Outro estudo do HPA em três escolas de Londres, também publicado no Eurosurveillance, com 103 crianças mostrou que 85 delas tomaram a medicação para se prevenir, depois que um colega de aula foi diagnosticado com a gripe. Uma das escolas chegou a ficar fechada por dez dias.

Dos 85, 45 sofreram pelo menos um dos efeitos colaterais. Os mais comuns foram náusea (29%), dores estomacais ou cãibras (20%) e problemas de sono (12%), como insônia e pesadelos.

Dezoito por cento sofreram efeitos neuropsiquiátricos, como falta de concentração, sensação de confusão, pesadelos e "comportamentos estranhos".

O estudo foi conduzido em abril e maio, antes de o governo britânico parar de indicar o Tamiflu para prevenção. Atualmente o remédio é usado apenas para tratamento de pessoas já infectadas ou com suspeita.

Leia mais sobre Tamiflu

31/07/2009 06:53 AM






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