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Telhados brancos podem ser solução simples contra o aquecimento global

SÃO FRANCISCO - Voltando para a casa em seu sítio em Sacramento depois de um longo dia de trabalho no verão, Jon e Kim Waldrep geralmente eram recebidos em uma camada de calor.

"Nós chegávamos em casa no verão e a temperatura era de 46º e estava abafado", disse Waldrep, gerente regional de uma companhia nacional. Ele ou a esposa corriam até o termostato e ligavam o ar-condicionado enquanto seus quatro filhos recém-chegados da creche, aguardavam alívio.


Jon Waldrep mudou o telhado de sua casa para diminuir o consumo de energia / NYT

Tudo isso mudou no mês passado. "Agora nós chegamos em casa em dias quando a temperatura lá fora passa dos 40º e a casa está a 26º graus", disse Waldrep. Sua solução foi um telhado novo: uma cobertura branca plastificada brilhante que os peritos dizem ser uma forma de economizar energia e ajudar a esfriar o planeta.

Confiando no antigo princípio de que objetos brancos absorvem menos calor que os escuros, proprietários de imóveis como a família Waldrep estão na vanguarda de um movimento que adota "telhados frescos" como um das armas mais baratas contra a mudança climática.

Estudos mostram que telhados brancos reduzem despesas com ar-condicionado em até 20% ou mais, durante o calor do verão. O consumo menor de energia também significa menos emissões de dióxido de carbono que contribuem com o aquecimento global.

Além disso, um telhado branco pode custar apenas 15% a mais do que seu concorrente escuro, dependendo dos materiais utilizados.

O secretário de energia Steven Chu, laureado Nobel em física, tem defendido os telhados frescos em casa e no exterior. "Faça branco", ele aconselhou a uma plateia de televisão no programa  "Daily Show" do Comedy Central na semana passada.

O cientista que ele chama de seu herói, Art Rosenfeld, membro da Comissão de Energia da Califórnia que tem feito campanha a favor dos telhados frescos desde os anos 1980, argumenta que "clarear" os telhados de todo o mundo nos próximos 20 anos poderia economizar o equivalente de 24 bilhão de toneladas métricas em emissões de dióxido de carbono.

"Isso é o que o mundo inteiro emitiu no ano passado", ele disse. "Portanto, de certo modo, seria como desligar o mundo por um ano". Neste mês a casa de três quartos da família Waldrep consumiu 10% a menos de eletricidade do que há um ano.

De Dubai a Nova Déli e Osaka, Japão, telhados refletivos foram abraçados por oficiais locais que buscam economizar nas despesas com energia. Os cientistas reconhecem que os custos extras com aquecimento durante o inverno podem exceder o valor economizado pelo ar-condicionado em cidades como Detroit ou Mineápolis.

Mas para a maioria das construções, segundo eles, os telhados claros oferecem benefícios em lugares tão ao norte quanto Nova York ou Chicago.

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30/07/2009 02:10 PM

"Paco": droga barata destrói vidas na Argentina

BUENOS AIRES, Argentina  - A volta ao lar não foi como Pablo Eche havia sonhado.

Depois de 15 meses em uma clínica de reabilitação lutando contra seu vício em "paco", uma droga semelhante ao crack e altamente viciante que acaba com milhares de vidas na Argentina, Eche voltou a Ciudad Oculta, um bairro pobre nos arredores da capital argentina.


Argentino Pablo Eche voltou a se viciar em paco / NYT

Familiares, incluindo sua mãe, Bilma Acuna, agente anti-paco da comunidade, o receberam em outubro do ano passado.

Mas seu amor não parecia o bastante. Em algumas semanas, tomado pela depressão por seu fracasso em encontrar um emprego para sustentar seu filho e sua filha, ele voltou novamente à droga em busca de consolo.

Descalço e sem camisa, as costelas saltando de seu corpo magro, ele anda vestindo shorts vermelhos de futebol pelo restaurante de chão de concreto de sua família.

"É isto que me faz companhia agora", Eche disse sobre a droga, com os olhos agitados observando o lugar. Paco "não exige nada de mim". "Também não me promete nada, nada mesmo".

Há mais de cinco anos, Eche é um escravo do paco, uma droga fumada feita com pequenos resíduos de cocaína misturados a solventes industriais e querosene ou veneno de rato. Rotulada como "o açoite dos pobres" por políticos, a droga se tornou o maior desafio social de favelas como Oculta.

No final de 2007, quando este repórter visitou Eche pela primeira vez na clínica de reabilitação, ele falou com olhos limpos a respeito dos perigos do paco. Ele graciosamente contou seus sonhos de conseguir dominar o vício, arrumar um emprego e comprar outra casa, depois que destruiu a última e vendeu a terra para sustentar seu vício.

Mas de volta a Oculta, Eche, 27, está vivendo mais uma vez como um vampiro, evitando a luz do dia enquanto se aventura à noite em busca das sensações rápidas mas intensas do paco. Seu perigoso estilo de vida o colocou em conflito com a polícia e ele só escapou da prisão se internando em um hospital psiquiátrico no final de maio.

A mãe de Eche ajudou a formar o grupo Mães Contra o Paco, que tenta salvar os jovens de se tornarem presas da droga. Seus olhos se enchem de tristeza quando ela fala sobre seu filho.

"Ele tem muito ódio", disse Acuna, 48. "Toda vez que ele sai do tratamento é pior porque ele não tem nada, nenhum trabalho. Não há nada para ele fazer."

A maioria de usuários de paco volta a consumir a droga depois de passar um ano ou dois em tratamento, ela disse. "Eles voltam sem nada, ao mesmo lugar que os deixou doentes".

Quando Eche voltou a Oculta, sua mãe e seu padrasto o ajudaram a conseguir emprego em um centro social para crianças problemáticas. Mas o salário era de menos que US$ 30 por semana, metade da quantia que ele esperava conseguir. O pensamento de tentar sustentar sua família com soma tão modesta colocou o frágil Eche de volta no fundo do abismo e em busca de paco, conta sua mãe.

Ciudad Oculta surgiu nos anos 1950, como parte de uma onda de imigração da zona rural para uma Buenos Aires recentemente industrializada. A crise econômica de 2001 da Argentina prejudicou a já difícil perspectiva dos moradores de Oculta, disse Jorge Tasin, que publicou um livro sobre a favela em 2007.

O paco começou a chegar ao local em 2003 como uma alternativa mais barata à cocaína. Uma vez que a Argentina se tornou o destino do processamento final da droga, que vem da Bolívia e Peru, também aumentou o fornecimento de resíduos da cocaína que fizeram do paco uma droga rápida e barata. Ele é vendido nas ruas por menos de US$ 1,30 a dose.

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30/07/2009 02:04 PM

Cochilar faz bem à saúde, diz pesquisa

Acorde, América! Um em cada três adultos admite cochilar em um dia típico, de acordo com uma pesquisa nacional divulgada na última quarta-feira.

A proporção de adultos que cochilam é maior entre aqueles que tiveram dificuldade para dormir na noite anterior ou haviam se exercitado nas últimas 24 horas.

O número também é desproporcionalmente mais alto entre pessoas mais pobres, negros, homens com mais de 50 anos, homens e mulheres com mais de 80 anos e entre pessoas que não são felizes.

A pesquisa do Grupo Pew sobre atividades diárias descobriu também que pessoas desempregadas estão mais propensas ao cochilo durante a semana do que nos finais de semana. Por outro lado, aqueles com emprego fixo tendem ligeiramente mais a cochilar nos finais de semana.

A pesquisa também revelou que as pessoas que cochilam têm dificuldades em dormir à noite. As mulheres, bem como pessoas com salários inferiores a US$ 20 mil ao ano, revelaram dificuldade maior por insatisfação com sua situação financeira.


Um em cada 3 adultos admite cochilar em um dia normal / NYT

A pesquisa não definiu exatamente o que constitui um cochilo. Algumas pessoas dizem apenas descansar os olhos quando na verdade estão cochilando. Outras podem cochilar momentaneamente ao ler artigos sobre tendências demográficas. Outros, ainda, são levados a adormecer brevemente pelo movimento do ônibus ou trem.

"Somos nós os repórteres mais precisos de nossos próprios hábitos?", questiona Paul Taylor, diretor do Centro Pew. "Se você perguntar a meus filhos se eu cochilo, a resposta será que sim. A imagem que eles têm de mim é a de um homem em uma poltrona com o jornal no colo e chochilando. Se você perguntar para mim, eu direi que não. Esta é minha história e eu vou mantê-la".

Cochilar ainda é um ato freqüentemente estigmatizado, sendo por exemplo associado a uma doença ou à falta de ambição.

Mas muitas pessoas e especialistas elogiam os benefícios de uma uma soneca. Entre os cochilões confessos estão Albert Einstein, Winston Churchill, Thomas Edison e presidentes como Ronald Reagan e Bill Clinton.

Cochilar, escreve James B. Maas, perito no sono pela Universidade de Cornell, deveria "ter o status de um exercício diário".

Mamíferos que dividem seu dia em dois períodos distintos (sono e vigilância) são uma minoria, de acordo com a Fundação Nacional do Sono, que revelou em seu website: "Ainda que cochilos não necessariamente compensem o sono qualitativo que se tem durante a noite, um cochilo curto de 20 a 30 durante o dia minutos pode ajudar a melhorar o humor, a agilidade e o desempenho".


Cochilo de meia hora ajuda a melhorar o humor / NYT

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30/07/2009 08:59 AM

Aulas exóticas encorajam busca por boa forma nos EUA

Uma pequena ruiva com altos sapatos azuis aumenta a música. Dezesseis pessoas balançam para frente e para trás, agarram seus trapézios, comprimindo seus joelhos, gritando e balançando pelo ar. Bem-vindos à... academia.

Esta aula usa aparelhos de circo modificados como parte de um treinamento cardiovascular que se chama Jukari Fit to Fly ("Jukari Preparo para Voar", em tradução livre) e é a última de uma série de programas pouco ortodoxos que as academias de todo o país passaram a adotar.


"Jukari Fit to Fly" é mais uma aula exótica oferecida por academias dos EUA / NYT

Sim, as aulas pão-com-manteiga ainda existem (a ioga básica, a aeróbica, a musculação), mas geralmente são realizadas lado a lado com exercícios menos comuns, como a dança no poste ou treinamentos de exército.

Em academias que transformaram as aulas exóticas em uma mania, os executivos dizem que estão tentando satisfazer a crescente demanda por novidades de seus clientes.

Na rede Crunch, por exemplo, a meta é apresentar um punhado de classes novas a cada trimestre, disse Donna Cyrus, vice-presidente sênior do grupo.

"Nós procuramos levar entretenimento às academias", disse Cyrus. "Eu tento ver quais são as tendências e procuro instrutores com habilidades teatrais".

Mas nem todas as academias todos são tão experimentais. Na New York Health and Racket Club, a diretora de aptidão de grupo, Maryann Donner, afirmou que as aulas estranhas podem atrair novos sócios, "mas se você não tem nenhuma idéia do que é o treinamento com base no nome da aula então é difícil que fique para ver mais".

Carol Espel, diretora nacional das atividades de grupo e Pilates da Equinox Fitness Club, disse que sua companhia tenta evitar o "embelezamento da programação", apesar de oferecer aulas como a sessão aeróbica para Bumbum Brasileiro e Jeans Skinny.

Mas a Equinox oferece também a Jukari Fit to Fly. A palavra Jukari vem do siciliano “jucare”, que significa "jogar" e a aula, que foi inaugurada em junho em 14 cidades, foi desenvolvida através de uma parceira entre a Reebok e o Cirque du Soleil.

A instrutora ruiva Sara Haley disse que a Reebok a enviou como um "experimento" ao Cirque du Soleil em Montreal no ano passado para ver se seu equipamento acrobático poderia ser adaptado para as academias.

Uma equipe da Reebok e do Cirque du Soleil refinou as recomendações e o resultado é o FlySet especialmente projetado que funciona como um trapézio mas com cordas muito mais grossas e mais seguras, ela disse.

Entre as pessoas que fazem a aula está Liat Kletz, uma assistente executiva de 28 anos. "Eu não gosto de malhar, por isso procuro aulas que sejam mais interessantes", ela disse. "Eu quero manter a forma sem ter que pensar muito nisso".

-  WENDY A. LEE

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30/07/2009 08:52 AM

Editorial: Governo deve garantir que forças militares não sejam usadas de forma ilegal

Foi perturbador descobrir quão perto a última gestão presidencial dos EUA chegou de violar leis que proíbem o Exército de agir como executores da lei quando o presidente George W. Bush considerou enviar tropas a um subúrbio de Búfalo, cidade norte-americana, em 2002 para prender suspeitos de terrorismo. Infelizmente, este não é necessariamente um problema do passado. Mais precisa ser feito para assegurar que o Exército não seja utilizado ilegalmente neste país.

O Ato da Companhia Armada de 1878 proíbe o exército de atividades de execução da lei dentro dos Estados Unidos. Se oficiais armados tiverem que bater na porta de americanos, ou os prendê-los nas ruas, eles devem responder a autoridades civis.

Apesar deste princípio, os jornalistas Mark Mazzetti e David Johnston, do "The Times", reportaram na semana passada que oficiais de alto escalão da gestão Bush, inclusive (nenhuma surpresa) o vice-presidente Dick Cheney, discutiram se o presidente teria a autoridade necessária para usar o Exército para prender uma suposta célula terrorista conhecida como o Lackawanna Six.

Cheney e outros citaram um memorando legal co-escrito por John C. Yoo (autor do infame memorando da tortura), que alegava sem fundamento que o Exército pode perseguir suspeitos terroristas da Al-Qaeda nos Estados Unidos porque é um problema de segurança nacional, não de execução da lei.

A controvérsia sobre o Lackawanna Six é história, mas há sinais preocupantes de que o Exército pode estar se colocando em posições de execução da lei. O Sindicato Americano das Liberdades Civis tem alertado sobre a proliferação de "centros de fusão" nos quais agentes da lei estaduais, federais e municipais cooperam no trabalho contra o terrorismo. De acordo com o sindicato, a separação dos poderes foi borrada e os centros passaram a envolver equipes militares na execução da lei doméstica. O Congresso deve investigar.

Janet Napolitano, secretária de Segurança Nacional, disse quarta-feira que os centros de fusão não foram criados para que haja  presença militar e que ela não está ciente de algum que tenha. Ela também prometeu maior transparência sobre o papel do exército nestas iniciativas, se houver algum.

Libertários civis também questionam sobre um programa conhecido como a Força de Resposta a substâncias química, biológicas, radiológicas/nucleares e de explosivos de grande alcance. O Exército diz que seu objetivo é ter tropas ativas prontas para apoiar a execução da lei local em situações catastróficas, como um ataque com armas nucleares. Isso poderia ser legal, mas os mecanismos destas unidades são obscuros. Novamente, o Congresso deve assegurar que o Exército não está adentrando áreas proibidas.

Alguns dos avanços do Exército parecem ad hoc. No começo deste ano, quando um homem de uma cidade pequena do Alabama resolveu sair por aí disparando sua arma, segundo as notícias, o Exército se agrupou e saiu às ruas para participar do esforço de execução da lei. Ainda não se sabe qual papel exatamente eles tiveram. É importante que o exército seja treinado completamente no que a lei faz e no que ela não permite.

Depois da falta de respeito ao Ato da Companhia Armada pela gestão anterior, a Casa Branca de Obama e o Congresso precisam assegurar que foram restabelecidas as linhas divisórias entre Exército e a polícia, claramente, e que elas sejam respeitadas.

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30/07/2009 08:48 AM

Quando se ganha na loteria, o anonimato é apreciado

NOVA YORK – O resultado da fortuna pode ser a fama, mas para o ganhador da segunda maior loteria de Nova York, o objetivo de uma coletiva de imprensa obrigatória era tornar seus 15 minutos de fama parecer cinco.

O ganhador, Aubrey Boyce, agente da Autoridade de Transporte Metropolitano, que ganha US$ 64,472 por ano, foi presenteado com um cheque gigante na terça-feira de manhã, por ganhar um prêmio de US$ 133 milhões.

Enquanto as câmeras soltavam flashes em direção ao palco em uma mesa dentro do Grand Central Terminal, Boyce fez o melhor que pode para sua apresentação como milionário ser o mais curta e tranquila o possível.

Usando óculos de sol e com uma expressão calma, Boyce, 49, foi em direção ao púlpito e alegrou os repórteres com sua história de vida que caberia em um post do Twitter. Ele nasceu em algum lugar da América do Sul. Tem uma mulher e não possui filhos. Não anunciou seus principais planos, exceto que ele provavelmente iria pescar em algum lugar quente.

Boyce, que mora em Kew Gardens, no Queens, deu um passo a frente para declarar seu prêmio em 22 de julho. Ele gastou US$ 2 – deixando o computador da loteria escolher seus números, no estilo “Escolha Rápido” – pelo ticket em 7 de julho. Ele geralmente gastar cerca de US$ 12 por semana em tickets de loteria, disse.

E o cheque gigante foi coberto por algum anônimo: para melhor administrar sua sorte inesperada, Boyce se colocou como signatário de um crediário que ele mesmo fez, o Archibald Trust, que recebeu o pagamento em cheque. Nem Boyce, nem seu advogado comentaram a origem dos nomes.

Mesmo funcionários da loteria não souberam dizer.

“Não nos disseram”, disse Jennifer Givner, porta-voz da loteria de Nova York.

A curiosidade é pequena. Quando, de repente, e torna um homem multimilionário, os amigos – muitos dos quais você nem sabia ter – começam a aparecer do nada.
Hoje em dia, muitos ganhadores preferem não mostrar o rosto na televisão ou em jornais, disse Givner. Mas em Nova York, os ganhadores devem fazer algum tipo de aparição pública em nome da transparência e publicidade.

A reação inicial de Boyce, quando suspeitou que havia ganhado era de se esperar: ficou em choque. Checou seus números – 25, 27, 35, 38, 39, e o Mega Ball, 28 – duas vezes com os números da televisão, com os da internet e, no próximo dia em uma das lojas de conveniência mais próximas. A reação de sua mulher também não foi nada fora do comum.

“Ela achou que eu estava inventando”, disse Boyce.

Não muito depois de confirmar seu prêmio, Bouce achou um advogado, Michael Davidoy, que é especialista em planejamento de bens.

O conselho que ele deu a seu cliente foi direto e reto, disse.

Primeiro, “não fraude”.

Alguns ganhadores tentam esconder sua loteria ou outros prêmios públicos. Lembra de Richard Hatch, ganhador de US$ 1 milhão da primeira temporada de “Survivor”, que foi condenado por sonegação de imposto e mandado para a prisão após não conseguir relatá-lo ao Serviço de Receita Interna.

Próximo, disse Davidoy, pese suas opções.

Assim que comprou o ticket, Aubrey decidiu, na loja de conveniência Shjv, em frente à estação F do metrô na Rua 169th – fazer um pagamento total das somas. Isso baixou seu prêmio para US$ 82.762.912. Após os impostos, seu prêmio foi para US$ 54,6 milhões.

O último conselho de seu advogado: “não fale com a mídia”. Os cinco minutos que Boyce passou em frente às câmeras e seu desaparecimento foi digno de Houdini, e mostrou que ele havia aceitado o conselho de seu advogado.

Por DOMINICK TAO


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29/07/2009 09:08 PM

Fungo ataca plantação de tomate e também deve prejudicar as batatas

O tomate maduro local, muito esperado por cultivadores e cozinheiros, faltará em muitas fazendas e mercados, no verão deste ano nos EUA. Embora não haja estimativa oficial na perda da safra, uma grande explosão de fungos da Requeima (Phytophthora infestans) que começaram em junho, estão avançando pelas fazendas e jardins no nordeste do país.

John Mishanec, professor do programa de supervisão integrada de pragas na Universidade Cornell, comparou o alto contágio e incurabilidade da doença a uma “explosão nuclear” na colheita de tomate da região. “E, ao menos que o clima mude, ainda pode piorar”, disse ele.

Ele e outras pessoas dizem que os consumidores devem se preparar para pagar preços altos para sustentar a agricultura, nesta época do ano.

Fazendeiros orgânicos, que tem poucas armas aprovadas em seu arsenal de pesticidas, estão ficando a maior parte dos danos. Outros fazendeiros, cujos tomates já estão chegando tarde, além de estarem menores por causa do clima frio e úmido, estão esperando para ver se pesticidas, a luz do sol e a sorte cooperarão para prevenir a infecção de atacar suas frutas.

A região do Hudson Valley de Nova York, onde a doença se espalhou dos tomates para as batatas e está causando uma destruição em ambos, já tiveram experiência com grandes perdas de colheitas. “Nunca vi nada assim”, disse Amy Hepworth, fazendeira da sétima geração, que está cultivando 20 acres de tomates orgânicos em Ulster County, Nova York, para consumidores que inclui a empresa Whole Foods. Em 25 de julho, ela estava queimando plantas afetadas para tentar evitar que o fungo avançasse em sua plantação.

Keith Stewart, fazendeira de Orange Count, Nova York, que perdeu a maior parte de sua safra de tomate e batata, estima que, até agora, sua perda seja de US$ 40 mil. Jay e Polly Armour, que cultiva cerca de 40 tipos diferentes de tomate na Fazenda Four Winds, em Gardiner, Nova York, disse que ao menos metade de sua safra foi perdida. Foi a primeira vez que colocaram algum tipo de substância em seus tomates em 20 anos de cultivo orgânico, mas a praga já tinha se espalhado. “A fruta está apodrecendo mesmo com o pulverizador”, disse Arnour.

Os fazendeiros e patologistas disseram que fungicidas disponíveis para fazendeiros orgânicos, feito majoritariamente de spray de cobre usado desde o século 19, não funcionam sempre.

Muitos fazendeiros dizem que os tomates são sua maior fonte de lucro e que a destruição será devastadora. “Os tomates pagam minha dívida todo ano”, disse Kira Kinney, dona da Evolutionary Organics, em New Paltz, Nova York. Recentemente, as batatas e tomates da plantação de Kinney foram destruídos e ela espera que a maior parte da colheita seja devastada. “Eu começo a temporada com o cartão de crédito e termino-a com tudo pago”, disse. “É assim que cubro meus gastos anuais com a fazenda inteira”.

Em 23 de julho, Billiam van Roestenberg disse que, 11 dos 12 cultivadores que participavam do mercado semanal de fazendeiros, em New Paltz, já estavam sofrendo com a praga em suas plantações que provavelmente arruinaria suas colheitas. No dia seguinte, o 12º fazendeiro – o próprio Roestenberg – encontrou a praga em seus tomates.

A Requeima, que causou a escassez de batata em meados do século 19, são mais comum na umidade e em climas de vento. Os sintomas incluem esporas brancas pulverulenta, pontos marrons nas folhas e aberturas danificadas, cada qual produz centenas de milhares de esporas infecciosas. As opções dos fazendeiros é queimar, respingar spray e enterrar as plantas buracos fundos. Os jardineiros domésticos devem arrancar as plantas no primeiro sinal da praga. Ao invés de guardar o material orgânico para usar como adubo, as plantas devem ser seladas em sacolas de plástico e jogadas fora.

Todos os Estados do noroeste e da região na costa do Atlântico confirmaram casos recentes da Requeima, que normalmente não aparece na região até agosto, caso apareça. A origem da explosão está sendo investigada por patologistas. Jardineiros domésticos provavelmente ajudaram a espalhar a infecção: Lowe´s, Home Depot, Kmart e Wal-Mart venderam sementes de tomates com a praga em seus centros de jardinagem de abril a junho. Todas estão oferecendo fundos ou créditos para jardineiros que precisaram destruir suas plantas.

Mas não há um recurso similar para os fazendeiros. Mesmo para aqueles que não perderam toda a plantação estão sofrendo financeiramente por causa disso. Para evitar a infecção, que tem se espalhado pelas fazendas de sua área, Hepworth está colocando spray em todas as plantas com uma cobertura de cobre fixador, um fungicida orgânico aprovado que cria uma barreira física que evita as esporas de alcançar a planta. Porque o cobre, diferente de fungicidas sintéticos, sai com chuvas fortes e deve ser cuidadosamente reaplicado, “toda vez que chove, gasto mil dólares”, disse.

Dale Mohler, meteorologista de agricultura na AccuWeather.com, disse que houve um recordo de temperaturas baixas em junho e julho no noroeste. Ele também afirmou que está chovendo de 50% a 100% mais do que o normal na região. Mohler, que disse ter perdido sua própria plantação de tomate por causa da praga, disse que em agosto não deve haver um clima quente prolongado – cerca de 10 dias com temperaturas acima de 29ºC e clima seco à noite – isso poderia acabar com a expansão contínua da Requeima.

Assim como outros agricultores, David Hambleton, fazendeiro em Dutchess County, Nova York, cuja plantação é dividida em cerca de 250 integrantes da comunidade da Fazenda Sisters Hill sustentado por um programa agrícola, está preocupado que os membros que não receberem tomates de verão suculentos não paguem os US$ 500 ou US$ 700 por um pedaço no próximo ano. “No ano passado teve uma plantação lotada, uma das melhores”, disse. Neste ano, teremos que pedir aos nossos integrantes que participem da agricultura local de uma maneira mais realística”.

Os fazendeiros que não plantam orgânicos, como Bill Maxwell de Changewater, Nova Jersey, estão usando sprays de pesticida para proteger seus tomates, mas ainda devem se preocupar com a geada, o clima e o estado da plantação, que está um mês atrasada. “Eu tenho couves-flor belas e grandes, mas não ganharei muito dinheiro com isso em julho”, disse. “As pessoas querem tomates”.

Por JULIA MOSKIN

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29/07/2009 08:08 PM

Ele é suspeito, mas provavelmente não mata

Após 20 anos plantando em meu jardim na região ensolarada de Palo Alto, Califórnia, no ano passado me mudei para São Francisco, onde o verão frio e enevoado é menos hospitaleiro para os tomates amantes do calor. Aqui, no fim de julho, minhas plantas de tomate estão dando apenas algumas poucas frutas verdes.

Mas ela tem muita folhagem. As folhas podem não ter o mesmo gosto do tomate maduro, mas têm gosto de tomate. O que me fez pensar, por que não cozinhar as folhas de tomate?

Porque são tóxicas! É o que a maioria das pessoas diz quando menciono minha ideia. Mas o fato é que há poucas evidências dessa crença comum. Então resolvi diversificar com o molho de macarrão temperado com folhas de Paul Bertolli, um antigo favorito. Eu acho que as folhas de tomate devem ser adicionadas a nossa lista de plantão da cozinha de temperos.

Há razões para tomar cuidado com a planta do tomate. Ela pertence à família de má reputação da Solanaceae, cujos membros acumulam alcalóides tóxicos. Séculos após os espanhóis levarem pela primeira vez o tomate do México para a Europa, tanto a fruta como a planta eram consideradas perigosas. Hoje em dia a fruta é a estrela do verão, mas o resto da planta ainda é suspeito.

Infelizmente, não há uma lista confiável de consulta de plantas venenosas com avisos definitivos sobre comestibilidade. A FDA (órgão regulador de alimentos e drogas tem um arquivo de plantas venenosas online, mas com a alegação de que não é uma informação oficial, porque seu conteúdo não é confirmado e muda constantemente. Por isso, materiais sem validade e errados persistem. A qualidade de ser tóxico é inexata, porque depende da dosagem e outras variáveis.

Muitos livros de plantas venenosas mencionam que a planta do tomate já matou animais e adoeceu pessoas. De acordo com o livro “Poisoning and Drug Overdose” do Sistema de Controle de Envenenamento da Califórnia, editado por Kent R. Olson (McGraw-Hill, 2006), a toxina do tomate é a solanina, um dos dois alcalóides mata animais e causa náusea, alucinações e morte em humanos. 

Parece bem destrutivo. Mas há raras evidências da toxidade do tomate na literatura veterinária e médica. Achei apenas um caso médico, uma referência não documentada a crianças que ficaram doentes com chá de folha de tomate, em um livro sobre plantas venenosas de 1974. Em contraste com as poucas considerações anedóticas do envenenamento de animais, em 1996, um estudo em Israel não mostrou efeitos prejudiciais quando gados comemoram vinhas de tomate por 42 dias.

E é um erro químico atribuir a toxidade do tomate à solanina. O Dr. Mendel Friedman do Departamento de Agricultura, que estudou os alcalóides do tomate e da batata por duas décadas, escreveu em um e-mail que os tomates comerciais contêm tomatina. A solanina, acrescentou, é um alcalóide da batata.

Há quantidades significativas de tomatina em frutas de tomate verde, as quais as pessoas comem fritas ou em conserva. E a tomatina parece ser um alcalóide relativamente benigno.

Em 2000, Friedman e alguns colegas reportou que quando animais ingerem tomatina, a maior parte dela não é absorvida pelo animal. O alcalóide aparentemente adere ao colesterol no sistema digestivo e a combinação é excretada – livrando o corpo do alcalóide e do colesterol. Pesquisadores descobriram que o tomate verde rico em tomatina e a tomatina purificada baixa os níveis da indesejável lipoproteína de baixa densidade em animais.

Friedman também descobriu que o extrato de tomate verde baixa a incidência de câncer em animais e, no mês passado, ele relatou que o extrato e a tomatina purificada inibe o crescimento de várias células humanas cancerígenas. Outros estudos mostram que a tomatina purificada parece estimular o sistema imunológico de formas desejáveis.

De acordo com “Toxic Plants of North America” (Iowa University Press, 2001), de George E. Burrows e Ronald J. Tyrl, para uma dose de tomatina ser tóxica para um humano adulto seria necessário pelo menos 450 gramas de folhas do tomate. Esses autores concluem que “o perigo na maioria das situações é baixa”.

Se as folhas do tomate não merecem uma reputação tóxica, então o que podemos fazer com elas? É impressionante como os cozinheiros a ignoram, mesmo na região onde se comeu tomate pela primeira vez. Eu verifiquei a Diana Kennedy, mestre em cultura de comida mexicana, e Maricel Presilla, chefe e escritora que viajou intensivamente para sua pesquisa sobre culinária latino-americana. Nenhuma delas falou do uso de folhas do tomate na cozinha.

Muitos escritores europeus desaprovaram abertamente o cheiro peculiarmente forte das folhas cruas. Em seu livro “Gardener´s Dictionary” de 1731, Philip Miller escreveu que “as plantas soltam um odor tão forte quando se arrancam elas que não é bom ficarem perto de habitações, ou em qualquer outro lugar muito freqüentado”.


O que cheira mal no ar pode ser saboroso em um molho. Aprendi isso há alguns anos com Paul Bertolli, chef e produtor de salame em Berkeley, na Califórnia, que deixou de lado o conhecimento e falou de tomates verdes em seu livro “Cooking by Hand” (Clarkson Potter, 2003).

NYT

O alcalóide encontrado em tomates verdes parece não fazer mal algum

“Comecei a usar folhas de tomate para dar gosto a meu molho rápido de tomate em Chez Panisse por volta de 1987”, explicou Bertolli recentemente em uma mensagem de e-mail. “Eu as achei muito eficientes em oferecer aquele sabor de tomate recém colhido”.

“Certo ano uma família de veados pulou minha cerca e pisoteou minha plantação de tomate”, acrescentou. “As folhas pareceram não dissuadi-las, na verdade, eles voltaram para uma segunda vez. Eu provei um pouco em um molho e também quis repetir a dose, sem nenhum efeito tóxico aparente. Desde então, eu as uso constantemente”.

Exceto pelo excelente molho de Bertolli, aprimorado pelas folhas, achei meia dúzia de usos obscuros para as folhas de tomate, todos eles provenientes da Ásia. Ao explorar as Índias Orientais no século 17, o botânico holandês G. E. Rumpf notou que as pessoas de Ambon Island, agora parte da Indonésia, comiam as folhas macias sem cozinhar, com peixe e caranguejo fermentado, um precursor do belacan indonésio e parente dos molhos para peixes asiáticos. Mais tarde, o botânico J. K. HAsskarl descobriu que folhas novas eram comidas com arroz. Mas Sri Owen, escritora de culinária indonésia, me contou por e-mail que nunca havia ouvido sobre esses pratos.

Mais recentemente, em um episódio do original japonês “Iron Chef, em 2000, o chef Hiroyuki Sakai servia peixe cru em um molho que incluía folhas de tomate secas. E agora há um patenteador japonês esperando por um processo que seca plantas de tomate e as tritura em um tempero rico em antioxidante.

Com esses exemplos em mente, tentei combinar folhas de tomate primorosamente cortadas e só um pouco de molho para peixe e descobri que formavam um enfeite saboroso para o arroz e halibut (tipo de peixe) cozido em frigideira. Então eu gentilmente fritei folhas inteiras de cada lado, por alguns segundos, e elas ficaram crocantes e belamente translúcidas, salpicadas com um pouco de sal. Secas, elas têm sabor de chá. Estioladas e preparadas, algumas colheres cheias de folha de tomate acrescentou um sabor profundo e uma cor verde ao pesto. Nenhum efeito colateral foi notado.

Considerando a segurança enquanto fazia o pesto me levou a fazer uma checagem das propriedades do basílico. Não contém nenhum alcalóide, mas descobriu-se que dois componentes químicos em seu aroma causaram danos no DNA e câncer em animais. Essas substâncias, metil-chavicol e metil-leugenol, também são encontradas em outras ervas e são adicionadas a bens manufaturados. A agência de segurança alimentícia europeia propôs a regulamentação de seu uso.

Não há evidência de que comer pesto seja arriscado. Pesquisadores da Universidade Wageningen, na Holanda, e o Centro de Pesquisa Nestlé em Lausanne, na Suíça, descobriram que retirar uma folha inteira de basílico pode impedir os danos no DNA causados pelo metil-chavicol.

Mas as histórias sobre folhas de tomate e de basílico mostram o quão pouco realmente sabemos sobre o que comemos. Plantas comestíveis contêm milhares de diferentes químicos, e cada uma tem um número de diferentes efeitos no corpo, alguns benignos, outros não.

Passamos a comer o que comemos baseado em uma experiência longa, porém limitada, e em um entendimento escasso. Aprendendo mais, quem sabe as folhas de tomate não se tornem um ingrediente predominante?

Enquanto isso não acontece, ao olhar pela janela para tentar ver qualquer resquício de laranja nas plantas rodeadas de uma neblina densa, é bom saber que amadurecimento não é tudo.

Por Harold Mcgee

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29/07/2009 07:37 PM

Teste de Rorschach causa reação emotiva na Wikipédia

Há testes que têm respostas diretas, que são retornadas com um número em um círculo vermelho no topo, e há testes com perguntas abertas, que oferecem um vislumbre da perspicácia da mente de quem as respondeu.

NYT

Imagens usadas no "psicodiagnóstico" de Rorschach

O teste Rorschach, uma série de 10 imagens feitas a partir de manchas de tinta criadas pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach para seu livro "Psicodiagnóstico", publicado em 1921, está claramente na segunda categoria.

Por isso, nos últimos meses a enciclopédia online Wikipédia foi atingida por um debate furioso que envolve psicólogos irritados com o fato das 10 imagens originais de Rorschach serem reproduzidas no site, junto com respostas comuns para cada uma delas. Para eles, a página da Wikipédia é o equivalente à publicar as respostas do vestibular do ano que vem na internet.

Eles vão contra a opinião da grande maioria dos usuários da Wikipédia, que compartilha a "cultura livre" do local e se opõe à supressão de informações cuja publicação seja legal. (Uma vez que os pratos de Rorschach foram criados quase 90 anos atrás, eles já perderam a proteção de direitos autorais nos Estados Unidos.)

O que antes era uma lenta disputa sobre a reprodução de uma única imagem atingiu novas alturas em junho quando James Heilman, doutor de Moose Jaw, Saskatchewan, publicou todos as 10 imagens para ilustrar o artigo sobre o teste, junto com o que pesquisas descobriram ser as respostas mais comuns para cada.

"Eu só queria elevar o nível do debate - para mim parecia absurdo que devessem ter apenas uma imagem na Wikipédia, por isso eu publiquei todas as 10", disse Heilman. "O debate explodiu a partir daí."

Mais psicólogos se registraram na Wikipédia para argumentar que o local está prejudicando um dos testes de avaliação psicológicos mais continuamente utilizados.

"Quanto mais que os testes forem divulgados, mais possibilidade do paciente saber como jogar com eles", disse Bruce L.  Smith, psicólogo e presidente da Sociedade Internacional de Rorschach.

Ele acrescentou que isso não quer dizer que um paciente treinado poderia enganar a pessoa que realiza o teste para que passe um diagnóstico errado, mas sim gerar "resultados sem sentido."

Para os psicólogos, a ineficácia do teste de Rorschach seria um resultado prejudicial porque houve muita pesquisa (milhares de estudos, de acordo com a estimativa de Smith) para tentar relacionar as respostas de um paciente a certas condições psicológicas.

Novas manchas de tinta poderiam ser criadas, concedem os defensores do método, mas esses borrões não teriam tido a pesquisa que permite relacionar as respostas em um contexto maior.


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29/07/2009 03:33 PM

Prisões em caso de terrorismo surpreendem vizinhos e amigos

WILLOW SPRING - Daniel Boyd era um homem de convicção rara para estas partes. Ele e sua família eram muçulmanos em uma região geralmente populada por batistas e presbiterianos.

"Quanto cristãos você vê em seu jardim rezando cinco vezes por dia?", perguntou Jeremy Kuhn, 20, que vive do outro lado da rua. "Eles simplesmente têm mais fé do que qualquer outro."

Mas para descrença de Kuhn, as autoridades federais dizem que Boyd e dois de seus filhos levaram suas convicções além da fé religiosa em direção à prática de terrorismo doméstico. Eles estavam entre os sete homens acusados na segunda-feira de apoiar violentos movimentos de jihad em países estrangeiros, incluindo Israel, Jordânia, Kosovo e Paquistão.

Os homens foram acusados de armazenar armas automáticas e viajar ao exterior para participar de movimentos jihadistas. Não há nenhuma indicação na acusação de que eles planejassem ataques na América.

Além de Boyd, 39, a acusação inclui seus filhos Zakariya, 20 e Dylan, 22; Anes Subasic, 33; Mohammad Omar Aly Hassan, 22; Ziyad Yaghi, 21; e Hysen Sherifi, 24. Todos são cidadãos americanos, menos Sherifi que é de Kosovo e tem residência legal nos Estados Unidos. As audiências de prisão serão realizadas na quinta-feira.

Boyd se converteu ao Islã e recebeu treinamento de radicais islâmicos no Paquistão e Afeganistão, segundo a acusação.

Os promotores disseram que grande parte da atividade aconteceu nos últimos três anos, citando conversas codificadas entre os acusados, trocas de dinheiro, numerosas compras de armas e uma demostração da armas Kalashnikov na sala de estar de Boyd.

Os vizinhos ficaram surpresos, assustados e até mesmo enfurecidos com as prisões, que descobriram apenas quando agentes federais, alguns carregando armas, tomaram conta do gramado da casa creme de dois andares da família Boyd. A casa, com um Ford Bronco na calçada e uma piscina no quintal, é parecida com as outras deste tranquilo bairro.

Os vizinhos disseram que a família Boyd não era diferente das outras, a não ser por serem mais agradáveis que a maioria. Boyd dirigia uma companhia que instala paredes de gesso, para a qual seus dois filhos mais velhos trabalhavam com frequência.

"Nós nunca tivemos um problema com isto", disse Anthony Perfetto, 15. "Tudo que eles diziam a respeito é que tinham que ir rezar".

Tudo isso deixou os vizinhos surpresos e questionando se não houve um engano.

"Eu não acredito em nada disto", disse Kuhn. "E vai ser preciso um lote inteiro de evidências para me convencer do contrário."


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29/07/2009 03:26 PM

Nova York ajuda sem-teto com passagens para que deixem a cidade

Eles embarcam para Paris (US$ 6.332), Orlando (US$ 858,40), Johannesburg (U$ 2.550), ou mais frequentemente, San Juan (US$ 484).

Não se trata de executivos em viagens de negócios ou casais em lua-de-mel. Ao invés disso, são famílias que acabaram nas ruas, sem-teto, e receberam passagens para voltar para casa (só de ida) como cortesia da cidade de Nova York.


Família desabrigada ganha passagem para casa de parente / NYT

A gestão Bloomberg, que luta contra um aparentemente intratável problema de desabrigados há anos, pagou para que mais de 550 famílias deixassem a cidade desde 2007, como forma de mantê-los fora do caro sistema de abrigos, que custa US$ 36 mil ao ano por família. É preciso apenas que um parente concorde em recebê-los.

Muitos deles são nova-iorquinos de longa data que passam por um momento ruim, chegam ao abrigo e pulam de alegria diante da oferta de mudança gratuita. Outros chegaram à cidade recentemente e ficam felizes em voltar para casa depois de encarar o desânimo causado pelo barulho da cidade, seu metrô labirinto, o difícil mercado de trabalho e o alto custo de vida.

Na entrada do centro de abrigos, assistentes sociais perguntam às famílias quais são suas opções de alojamento em outros lugares. Se uma família diz que têm parentes que poderiam estar dispostos a recebê-los e isso é confirmado, ela pode conseguir passagens de avião, ônibus ou trem em poucas horas, embora a cidade às vezes prefira esperar alguns dias para evitar a despesa de tarifas de última hora.

A cidade, que gasta US$ 500 mil ao ano com o programa, emprega uma agência de viagens local, a Austin Travel, para reservar passagens só de ida para viagens domésticas. O Departamento de Serviços para os Sem-Teto faz todo o planejamento de viagens internacionais.

Funcionários da cidade dizem não haver nenhum limite sobre o destino e as famílias podem rejeitar a oferta e permanecer em abrigos da cidade. Até agora, famílias foram enviadas a 24 Estados e cinco continentes, frequentemente para Porto Rico, Flórida, Geórgia e as Carolinas.

O programa, no entanto, não lida com os problemas adjacentes que trouxeram as famílias para Nova York, disse Arnold S. Cohen, presidente e principal executivo da Sociedade para os Sem-Tetos, um grupo de advocacia de Nova York.

"A cidade está comprometida com a cosmética", disse Cohen. "O que nós estamos fazendo é passar o problema do desabrigo para outra cidade. Estamos levando as pessoas de uma cama de abrigo aqui para o sofá da sala de estar de outra família. Essencialmente, esta família ainda não tem teto".

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29/07/2009 01:09 PM

Na Venezuela, fazendeiros lutam para manter cultivo do melhor cacau do mundo

PARQUE NACIONAL HENRI PITTIER, Venezuela - Kai Rosenberg reconhece que pode ser um pouco insano. Ele possui uma plantação de cacau neste trecho de floresta virgem coberta por nuvens indomadas no norte da Venezuela, por onde onças caminham sob árvores imensas e macacos fazem barulho ao perceber visitas.

Só nesta década, sem-terra tentaram tomar o controle de suas terras, um fungo quase acabou com toda a colheita, inspetores do governo pediram subornos e funcionários de exportação lhe deram dores de cabeça intermináveis com exigências de licenças.

Pior ainda, invasores armados com metralhadoras arrombaram sua casa uma noite. Na luta que resultou disso, segundo ele, um dos homens atirou na sua garganta. Removido de helicóptero, ele se recuperou depois de seis operações. Mas voltou a cultivar o cacau venezuelano, ingrediente cru do chocolate desejado na Europa e Estados Unidos.


Cacau venezuelano é exportado para os EUA e Europa / NYT

"Talvez eu seja mesmo um pouco insano, mas essa é uma exigência para se trabalhar com cacau", disse Rosenberg, um judeu alemão que nasceu em Hamburgo em 1940 e se mudou para a Venezuela com 18 anos de idade.

A Venezuela produz a mesma quantidade de cacau que há três séculos: 15 mil toneladas ao ano, menos que 1% da produção global. Mas esta quantia gera paixões entre críticos e devotos, fazendo com que seja uma colheita de luxo destinada a estrangeiros e se torne um assunto contencioso e, às vezes, político e violento no país.

O cacau local é tão desejável que os fabricantes de chocolate europeus às vezes armam concorrência para ter acesso a ele. Os chocolatiers falam sobre os fatores únicos desta extremidade caribenha de maneira que se assemelha ao gout de terroir, ou gosto da terra, crucial para vinhos de qualidade.

"A Venezuela está em uma liga única", disse Gary Guittard, fabricante de chocolate da Califórnia que compra cacau venezuelano. "São precisos anos para desenvolver a singularidade do melhor cacau, talvez 20 ou 30 anos, talvez 100, então as outras nações ficam para trás".

Visto como um tesouro no exterior, o cacau é percebido de maneiras diferentes entre os muitos venezuelanos, do presidente aos pobres. Uma falha nesta reserva natural permite que fazendas de cacau pontilhem a floresta, perto de aldeias povoadas por descendentes de escravos africanos e imigrantes pobres que moram no parque.

Em uma visita ao local no ano passado, o presidente Hugo Chávez perguntou por que o chocolate feito com cacau venezuelano custa tanto na Europa, concedendo a William Harcourt-Cooze, britânico que possui uma plantação na floresta, um tratamento particularmente severo.

"Este cavalheiro está ficando rico enquanto os trabalhadores estão vivendo em pobreza", Chávez disse depois de escutar reclamações de moradores a respeito da fazenda Harcourt-Cooze.

Depois veio o pesadelo temido por todo cultivador de cacau: inspeções governamentais sobre violações do trabalho ou da terra. "Houve uma investigação oficial e eu fui vingado, todas as acusações eram totalmente infundadas", disse Harcourt-Cooze da Inglaterra.


Produção de cacau na Venezuela emprega milhares de trabalhadores rurais / NYT

Outros não têm tanta sorte. Apesar da parceria com uma empresa de chocolates de Barinas, Estado de Chávez, a El Rey, uma companhia líder da indústria de chocolates gourmet na Venezuela, não teve como impedir a invasão de suas propriedades por sem-terra que até hoje permanecem no local.

"Nós poderíamos ser líderes mundiais na exportação do cacau, como a carne de boi na Argentina ou o arroz na Tailândia", disse Jorge Redmond, chefe executivo da Chocolates El Rey, refletindo sobre a indústria. "Ao invés disso nós temos que enfrentar 52 tipos diferentes de permissão para exportar nosso produto, em comparação a quatro antes de Chávez subir ao poder".

Construída com trabalho escravo, a indústria do cacau aqui se tornou o esteio da economia colonial da Venezuela. Durante séculos, o país foi seu principal produtor. Monarcas europeus beberam muito chocolate feito com o cacau venezuelano.

Então, no século 20, chegou o petróleo. Os ditadores vieram e se foram. A Venezuela, apesar de suas vastas terras férteis, se tornou um importador de alimentos. O legendário Juan Vicente Gómez tomou as plantações de cacau desta floresta e fez delas parte de seu império pessoal.

Depois, os burocratas reuniram um monopólio sobre a indústria, corroendo incentivos para a produção do cacau de alta qualidade. Os rendimentos despencaram. Mas ainda que enfraquecido assim, o cultivo de cacau sobreviveu, atraindo cultivadores obsessivos o suficiente para resistir a políticas que maltratam as exportações de qualquer coisa que não seja o petróleo.

A Venezuela é conhecida como um lugar difícil de se negociar. Mas a estranha resiliência do comércio de cacau é evidente.

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29/07/2009 10:56 AM

Editorial: Comissão que investiga crise financeira precisa atuar em nome do povo

O Congresso prometeu reformar o sistema bancário, mas no último ano os legisladores frequentemente optaram por proteger a indústria financeira, grande contribuinte das campanhas políticas, de ter que prestar contas.

Por isso, o público tem todo direito de questionar se a Comissão de Investigação da Crise Financeira (criada recentemente pelo Congresso dos Estados Unidos para investigar o colapso econômico) será capaz de colocar o interesse público à frente de lealdades políticas, elos profissionais e preconceitos ideológicos.

Os homens e mulheres do painel são profissionais bem-sucedidos em seus campos de atuação (negócios, direito, economia e educação) e muitos têm experiência anterior no governo. Eles foram escolhidos para executar um serviço que é crucial em restaurar a confiança nos mercados e no governo: suas descobertas também darão base para reformas regulatórias.

Os 10 membros (seis escolhidos pela liderança democrata, quatro pelo liderança republicana) também têm uma longa história partidária e pelo menos um deles tem fortes elos com a indústria financeira.

O presidente democrata da comissão, Phil Angelides, ex-tesoureiro da Califórnia, doou, juntamente com sua mulher, quase US$ 327 mil para candidatos democratas durante as últimas duas décadas, de acordo com o Centro para Políticas Responsivas.

O vice-presidente, ex-representante Bill Thomas, recebeu US$ 1,6 milhão em contribuições de campanha de setores de interesse financeiro, de seguros e imóveis, durante suas quase duas décadas no Capitólio. Agora ele é conselheiro de uma companhia de aconselhamento judicial que representa clientes com negócios bancários e financeiros.

Tudo isto sugere que os esforços da comissão precisam de monitoramento. Aqui estão alguns indicadores precoces para ver se estão cumprindo seu papel.

ESCOLHENDO UM INVESTIGADOR LÍDER: É imperativo que Angelides e Thomas concordem em um investigador forte (com histórico comprovado de expor atividades enganosas ou fraudulentas) para servir como diretor da comissão. O diretor também deve receber os recursos para reunir uma equipe forte de peritos e ter o apoio total da comissão para pressionar a investigação.

A lei permite que a comissão emita intimações caso o presidente e o vice-presidente concordem ou se a maioria do painel votar a favor, contanto que a maioria inclua pelo menos um republicano. Se as intimações forem inibidas por votos partidários, a comissão será paralisada.

RESISTINDO AOS BANCOS: A lei exige que a comissão investigue cada fracasso de uma grande instituição financeira, como Lehman Brothers, durante a crise, e cada grande fracasso que foi evitado através da ajuda do Tesouro.

Alguns bancos podem tentar argumentar que embora tenham recebido ajuda, nunca estiveram em risco de fracasso e assim estão fora dos limites dos investigadores. Mas todos os bancos principais estão implicados na crise e nenhum deve estar fora da esfera da comissão.

RESISTINDO AO GOVERNO: A lei exige que agências e departamentos do governo forneçam informação à comissão quando solicitados. Ainda que muito do que o painel investigará tenha acontecido sob a presidência de George W. o Bush, o braço executivo tende a vigiar seus segredos.

O presidente Barack Obama já se reservou o direito de afirmar privilégio executivo. A comissão deve estar disposta, se necessário, a lutar para ter acesso a documentos.

A comissão deve realizar sua primeira reunião perto do Dia do Trabalho. Conforme seu trabalho se desdobre, haverá mais pontos de referência de sucesso ou falta dele. Por enquanto, é importante que tenha início com o pessoal certo e um compromisso em usar seus poderes de maneira completa.

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29/07/2009 09:15 AM

Comentário: o poder da posterioridade

Todo dia, eu entro em um blog chamado Marginal Revolution, que é famoso por seus autores eruditos, Tyler Cowen e Alex Tabarrok, e seus inteligentes colaboradores. Na semana passada, um desses colaboradores fez uma pergunta fantástica, apesar de provocante: o que aconteceria se um evento solar maluco esterilizasse as pessoas na metade da Terra que estivesse sob a luz do sol?

Se você olhar por um lado individualista do mundo, imediatamente não aconteceria muita coisa. Há milhões de pessoas hoje que não se reproduzem e levam uma vida feliz, bem-sucedida e produtiva.

Mesmo após o evento, as condições materiais seriam as mesmas. As pessoas ainda teriam o incentivo de ir ao trabalho, pagar suas contas e educar os filhos que já tinha. Por 20 anos, ainda haveria trabalhadores fluindo na força de trabalho. Imigrantes de um lado da Terra, de vez em quando, surgiriam nas áreas com diminuição da população. Na verdade, a esterilização em massa reduziria a pressão sobre o meio-ambiente no planeta. Pessoas se concentrariam em viver o momento, valorizando o aqui e o agora.

Mas é claro que nós não levamos vidas individualistas. As condições materiais não conduziriam a história. As pessoas vivem em um meio compacto entre a morte, a vida e aqueles que ainda não nasceram. E o valor desse suposto experimento nos lembraria que o poder da posterioridade permanece sobre nossas vidas.

Dizem que se o hemisfério leste fosse esterilizado, logo haveria uma terrível crise espiritual. Ambos o judaísmo e o cristianismo são religiões centradas em promessas. Elas são baseadas em narrativas que partem do Genesis até a revelação progressiva e a uma culminação gloriosa.

A vida dos crentes tem significado porque eles são parte dessa descoberta gloriosa. Sua fé é coberta de expectativa e esperança. Se eles descobrissem que a morte é o único fim, sentiriam que Deus abandonou, que a vida não tem significado, nem propósito.

O mundo conhecido secularmente também seria destruído. Qualquer coisa que valia a pena fazer constituía o trabalho de gerações – acabar com o racismo, promover a liberdade, construir uma nação. Por exemplo, os fundadores dos EUA sentiram o olhar de seus descendentes sobre eles. Alexander Hamilton sentiu que estava ajudando a criar um grande império. Noah Webster compôs seu dicionário antecipando que, um dia, os EUA teriam 300 milhões de habitantes, mesmo que naquele tempo só tivesse seis milhões.

Essas pessoas se responsabilizaram por seus grandes projetos, porque estavam construindo algo para seus descendentes. Estavam motivados – como líderes, escritores e artistas ambiciosos – por sua fome pela fama eterna.

Sem a posteridade, não há grandes planos. Não há grandes ambições. A política se tornaria insignificante. Mesmo palavras como justiça perderiam o significado, porque tudo seria reduzido a qualidades limitadas do aqui e agora.

Se as pessoas soubessem que sua nação, grupo ou família estivessem condenados a se extinguir, eles não construiriam mais edificações duradouras. Não se esforçariam para começar novas companhias. Não se preocupariam com a preservação do ambiente. Não economizariam, nem investiriam.

Haveria um aumento radical na autonomia individual. Sem sacrifícios pelas crianças de sua própria sociedade, as próprias pessoas seriam crianças, baseando suas vidas no prazer e na tranquilidade dos significados a serem realizados.

Algumas pessoas devem tentar perpetuar sua sociedade ao recrutar pessoas do lado fértil da terra. Mas isso não funcionaria. A imigração é um processo doloroso de deixar para trás uma cultura e uma forma de viver para que seus filhos e netos possam aproveitar um futuro diferente. Ninguém iria querer se responsabilizar pelo processo traumático de se mudar de uma sociedade, que se reproduz, para uma que está desaparecendo. Não haveria as gerações necessárias para assimilar os imigrantes. Uma cultura estéril não poderia ter sucesso e assim não poderia inspirar uma assimilação.

Ao invés disso, haveria uma divisão brutal entre aqueles com o poder de possuir um futuro e aqueles sem. Se milhões de habitantes fossem trazidos, eles habitariam as construções, mas não perpetuariam a cultura. Eles não seriam como os imigrantes de agora, porque não estariam se juntando a um projeto comum, mas sim deslocando o plano de seu lugar original. Não haveria senso de humanidade, nenhuma das afeições intuitivas daqueles que são partes da unidade social orgânica que compartilham do mesmo destino.

Em outras palavras, em semanas, tudo acabaria. A sociedade seria irreconhecível. O cenário é irremediavelmente amargo. Um indivíduo que não tenha filhos ainda contribui totalmente para o futuro da sociedade. Mas quando ela não se reproduz, não há nada com o que contribuir.

Mas, é claro que essa é a beleza dessa estranha questão. Não há manchas solares esterilizantes. Ao invés disso, somos abençoados com o poder disciplinador de nossa posteridade. Apoiamo-nos nessa determinação forte, invisível e desconhecida – esses milhões de pessoas, que ainda não nasceram e que nunca conheceremos, mas que nos dão o dom da nossa forma de viver.


Por DAVID BROOKS


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28/07/2009 06:59 PM

China coloca jogos de máfia em sua lista de procurados

PEQUIM – Seja uma religião, algo ambiental ou instituições de caridade não lucrativas, o governo chinês sempre ficou atento a qualquer atividade organizada sobre a qual não tivesse controle direto. Mais um item foi adicionado a essa lista: a simulação do crime organizado.

Reprodução
Personagem do jogo Godfather, cheio de sangue

Nesta segunda-feira, o Ministério da Cultura divulgou uma nota banindo jogos online que tenham personagens de chefes mafiosos, gangues de rua saqueadoras ou qualquer tipo de vandalismo predisposto a se tornar uma organização.

O decreto - que promete "punição severa" para violadores, porém falhou em especificar as penalidades - também proíbe websites de ter links para sites de jogos de internet que glorifiquem o crime organizado.

De acordo com o Ministério, tais jogos “expressam comportamentos antissociais como assassinato, agressão, roubo e estupro” e “ameaças graves, além de distorções de padrões de ordem moral e social, facilmente colocando jovens sob uma influência perigosa”.

Já nesta terça-feira, uma quantidade de jogos, incluindo “Godfather” (O poderoso chefão), “Gangster” e “Mafioso Hitman”, foi tirada da rede local, embora vários jogos bem violentos ainda estejam disponíveis.

A decisão não é tão surpreendente, pois o governo vem lutando em uma guerra contra a pornografia na internet e outros sites que podem ser interpretados como uma “perturbação social”. Neste ano, mais de mil websites foram fechados por ter conteúdo “vulgar”. Apesar disso, alguns críticos reclamam que os sites acadêmicos ou de serviço público, que lidam com doenças sexualmente transmissíveis, também foram sacrificados.

Outros esforços para controlar a internet tiveram menos sucesso. Em junho, a China decretou um mandado que exigia que todos os novos computadores de uso doméstico deveriam incluir uma instalação de filtração do software, conhecido como Green Dam-Youth Escorte. O governo insistiu que o programa teria efeito apenas sobre a pornografia, mas críticos disseram que ele também poderia ser usado para bloquear websites com supostas tendência políticas. O governo foi oprimido pela pressão de fabricantes de computadores e usuários diários e, neste mês, adiou as novas regras.

Reprodução

Don Corleone do filme "O poderoso chefão" é personagem de jogo online

Não está claro se o banimento dos jogos de computadores com temas mafiosos aumentará a fúria dos 200 milhões de chineses que jogam games online, embora alguns deles, que trabalham na indústria, não pareçam preocupados demais.

Chen Yongjin, fundador de uma companhia de jogos online em Pequim, disse que os designers ainda podem fornecer aos consumidores o sangue e a violência desejada sem usar o tema. “O problema é quando o assassinato se correlaciona com a vida real”, disse Chen, que pediu que o nome de sua empresa não fosse divulgado.

Jogos online são imensamente lucrativos na China. Em 2008, a indústria trouxe receitas de 18 bilhões de Yuan, o equivalente a US$ 2,64 bilhões, um aumento de 77% sobre o ano anterior, de acordo com a associação chinesa de empresas de jogos.

Especialistas da indústria dizem que ao menos 90% de todos os jogos online na China têm algum tipo de violência, seja envolvendo mestres de kung-fu homicidas, hobbits empunhando espadas ou monstros com desejo por carne humana. "Se os jogos têm um cunho fantástico ou mitológico, não deve haver problema”, disse Chen.

O reflexo dos novos regulamentos foi o aumento da preocupação com os efeitos prejudiciais dos jogos de computadores na juventude chinesa. Há acampamentos de verão para adolescentes que passam muito tempo online e, em Xangai, voluntários monitoram se há menores de 18 anos em lanhouses.

Reprodução
Cena do jogo online "Hitman" mostra homem armado
De acordo com a pesquisa do Congresso Nacional de Pessoas, mais de 10% dos jovens do país estão “viciados” na internet, embora alguns psicólogos do Oriente questionem a validade de tal diagnóstico.

Na China, a definição inclui crianças que gastam mais de seis horas por dia na frente do computador enquanto evitam dormir, interagir socialmente e fazer trabalhos escolares. No ano passado, a Associação Juvenil do Desenvolvimento da Internet na China divulgou um relatório afirmando que 70% de todos os crimes juvenis são “induzidos pelo vício na internet”.

Um hospital psiquiátrico na província de Shandong apresentou um remédio não convencional para essa dependência: terapia de eletrochoque. O Hospital Linvi Mental Health disse que, neste ano, tratou três mil jovens durante um período de quatro meses, de acordo com o artigo no China Youth Daily (publicação sobre jovens).

No entanto, oficiais de saúde em Pequim não ficaram contentes e baniram o tratamento neste mês, dizendo que não há provas de que funciona.


Por ANDREW JACOBS


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28/07/2009 05:21 PM






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