O WWF-Brasil, por meio do Projeto Diálogos, promoveu entre os dias 14 e 16 de julho, a 2º Oficina de Identificação de Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade na Área de Influência da Rodovia BR-163, estrada que atravessa a Amazônia brasileira e interliga a cidade de Cuiabá, no estado do Mato Grosso, à Santarém, no Pará.
Durante a oficina foram apresentados a representantes de instituições atuantes na área de influência da BR-163, a metodologia, os conceitos utilizados e os resultados obtidos em primeira etapa do estudo de identificação de áreas prioritárias para a conservação na região. Tal estudo, realizado pelo Laboratório de Ecologia da Paisagem do WWF-Brasil (LEP), identificou 60 áreas prioritárias para conservação e apontou duas estratégias principais de recomendações de ação nas áreas: consolidar a proteção de unidades de conservação existentes, inclusive considerando o redimensionamento das áreas, e a implementação de novas ações de conservação, tais como a criação de novas unidades e ações de manejo sustentável.
Tendo em vista o aprimoramento do estudo em um segundo momento, o objetivo da oficina foi justamente compartilhar as informações com os convidados para, por meio de grupos de trabalhos, aperfeiçoar e refinar a metodologia, a identificação e delimitação das áreas. Algumas questões foram avaliadas pelos participantes: quais objetivos de conservação poderiam ser inseridos em outro ciclo de estudo, qual a relevância das áreas prioritárias identificadas e ainda se existem áreas importantes que não foram identificadas. Outro foco do evento foi aproveitar o trabalho em grupo para fazer a seleção de um conjunto prioritário entre as 60 áreas identificadas, levando em consideração aspectos como importância da biodiversidade e vulnerabilidade.
Com grande participação dos convidados, o LEP obteve insumos para, na segunda etapa, enriquecer e aprofundar o estudo com os diferentes pontos de vistas apresentados. O conteúdo da pesquisa, com todos arquivos e informações geradas, estará disponível no site do WWF-Brasil de modo que dê subsídio a novos estudos e amplie o conhecimento sobre a área. Fornecer informações aos tomadores de decisão e subsidiar eventuais políticas públicas destinadas à conservação da biodiversidade no entorno da BR-163 é o objetivo maior da iniciativa.
A Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), que reúne mais de 40 redes de educação ambiental e educadores ambientais do país promove, de 22 a 25 de julho, VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental.
O WWF-Brasil vai levar a Pegada Ecológica, participará dos debates e vai expor materiais no estande de divulgação, além de apresentar um documento sobre a relação da educação ambiental e as mudanças climáticas.
A instituição será representada no evento pelo coordenador do programa de Educação para as Sociedades Sustentáveis, Irineu Tamaio, e os técnicos Bruno Reis e Laís Vasconcelos.
A programação do fórum prevê cerca de 100 minicursos e oficinas, 10 mesas-redondas, 20 jornadas temáticas, encontros paralelos, lançamentos de livros, shows musicais, festival de vídeos e apresentação de pôsteres durante os 4 dias.
O lançamento de livros e da 4ª edição da Revista Brasileira de Educação Ambiental também estão na programação. A expectativa é que mais de 4 mil inscritos participem do fórum, que acontecerá no campus da Praia Vermelha, da Universidade Federal do Rio do Janeiro (UFRJ).
O Fórum também será um espaço de diálogo entre a REBEA e demais redes ambientais, como a ANAMMA, a Rede Brasileira de Agendas 21 Locais, Rede da Juventude pelo Meio Ambiente, Rede de Justiça Ambiental, Rede Ecossocialista, Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA), Rede de Educomunicação Ambiental (REBECA), Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais, APEDEMA-RJ.
Integrantes dos Colegiados Ambientais do SISNAMA, das Comissões Organizadores Estaduais da Conferência Nacional de Meio Ambiente e Conferência Infanto-Juvenil de Meio Ambiente estarão organizando atividades e educadores ambientais de Angola e da América Latina estarão presentes.
O VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental tem o apoio dos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, das Secretarias Estaduais do Ambiente e da Educação, da UFRJ, UERJ, CFBio, BNDES, Itaipu Binacional, entre outros.
A secretaria-executiva do evento está sob a responsabilidade do Instituto Baía de Guanabara (IBG) e maiores informações podem ser conseguidas pelo email: viforum@baiadeguanabara.org.br
A Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), que reúne mais de 40 redes de educação ambiental e educadores ambientais do país promove, de 22 a 25 de julho, VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental.
O WWF-Brasil vai levar a Pegada Ecológica, participará dos debates e vai expor materiais no estande de divulgação, além de apresentar um documento sobre a relação da educação ambiental e as mudanças climáticas. A instituição será representada no evento pelo coordenador do programa de Educação para as Sociedades Sustentáveis, Irineu Tamaio, e os técnicos Bruno Reis e Laís Vasconcelos.
A programação do fórum prevê cerca de 100 minicursos e oficinas, 10 mesas-redondas, 20 jornadas temáticas, encontros paralelos, lançamentos de livros, shows musicais, festival de vídeos e apresentação de pôsteres durante os 4 dias. O lançamento de livros e da 4ª edição da Revista Brasileira de Educação Ambiental também estão na programação. A expectativa é que mais de 4 mil inscritos participem do fórum, que acontecerá no campus da Praia Vermelha, da Universidade Federal do Rio do Janeiro (UFRJ).
O Fórum também será um espaço de diálogo entre a REBEA e demais redes ambientais, como a ANAMMA, a Rede Brasileira de Agendas 21 Locais, Rede da Juventude pelo Meio Ambiente, Rede de Justiça Ambiental, Rede Ecossocialista, Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA), Rede de Educomunicação Ambiental (REBECA), Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais, APEDEMA-RJ.
Integrantes dos Colegiados Ambientais do SISNAMA, das Comissões Organizadores Estaduais da Conferência Nacional de Meio Ambiente e Conferência Infanto-Juvenil de Meio Ambiente estarão organizando atividades e educadores ambientais de Angola e da América Latina estarão presentes.
O VI Fórum Brasileiro de Educação Ambiental tem o apoio dos Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, das Secretarias Estaduais do Ambiente e da Educação, da UFRJ, UERJ, CFBio, BNDES, Itaipu Binacional, entre outros.
O endereço do site é http://forumearebea.org. As inscrições podem ser feitas pelo site http://www.rebeainscricoes.org/. A secretaria-executiva do evento está sob a responsabilidade do Instituto Baía de Guanabara (IBG) e maiores informações podem ser conseguidas pelo email viforum@baiadeguanabara.org.br.
O WWF-Brasil lamenta a decisão tomada pelo Senado Federal na quarta-feira, 15/07/2009, de não reconduzir o engenheiro civil especializado em hidrologia e saneamento Bruno Pagnoccheschi à função de diretor da Agência Nacional de Águas (ANA).
Com mais de 30 anos de experiência em planejamento de governo e gestão dos recursos hídricos, Bruno Pagnoccheschi vinha desempenhando sua função de diretor da Agência Nacional de Águas com excelente capacidade técnica, habilidade e liderança, incentivando e apoiando a participação da sociedade civil nas ações de conservação ambiental dos recursos hídricos.
O WWF-Brasil considera que a não recondução de Bruno Pagnoccheschi ao cargo é um prejuízo para a conservação do meio ambiente, e em especial dos recursos hídricos, desafio que deve ser enfrentado com rigor.
Para o WWF-Brasil, o trabalho técnico e competente de gestores compromissados com o país não pode sofrer interferências políticas ou ser descontinuado por instabilidades no cenário político-partidário do país.
*-*-*- O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e de promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hojeedas futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.
Estudo do WWF-Brasil mostra que é possível aumentar significativamente a área agrícola no país respeitando-se o Código Florestal e sem desmatar a Amazônia e o Cerrado desde que haja uma política efetiva de incentivo à conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas. Porém, se tudo continuar como hoje, deve haver desmatamento no Cerrado de aproximadamente 10 milhões de hectares nos próximos 10 anos para a produção de grãos e cana-de-açúcar.
O documento intitulado Impacto do mercado mundial de biocombustíveis na expansão da agricultura brasileira e suas consequências para as mudanças climáticas foi apresentado para debate nesta quarta-feira (15/07/09) durante o Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, da seguradora Allianz. O estudo relaciona o crescimento de demanda por biocombustíveis com a expansão agrícola no Brasil, quantificando a área e apontando as regiões de expansão.
Em estados como Maranhão e Piauí poderá haver redução de cerca de 30% na cobertura vegetal nativa. As áreas a serem desmatadas projetadas pelo estudo podem ser ainda maiores se o Código Florestal não for cumprido. Mesmo que se expanda o plantio dessas matérias-primas cumprindo com o Código Florestal vigente, haverá perda de biodiversidade e emissão de gases de efeito estufa.
?Um cenário de aumento do desmatamento e do aquecimento global é desastroso e inaceitável?, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil. ?O Brasil precisa de políticas que garantam a produção de alimentos e o abastecimento do mercado mundial de biocombustíveis, mas que protejam o meio ambiente. É possível e necessário que o país faça uma opção pelo desenvolvimento sustentável?, completa.
A solução proposta pelo WWF-Brasil é a expansão do cultivo de biocombustíveis apenas em áreas de pastagens degradadas e o aumento da produtividade nas áreas já estabelecidas. Para isso são necessárias políticas públicas locais e globais de incentivos para expandir agricultura e, ao mesmo tempo, garantir a proteção da biodiversidade.
Os números do estudo afirmam que há aproximadamente 200 milhões de hectares de pastagens no Brasil, sendo que 30% dessas terras estariam degradadas. A área agrícola total atual brasileira é de cerca de 70 milhões de hectares. Portanto, somente com a recuperação das pastagens degradas para uso agrícola é possível dobrar a área da agricultura nacional.
Entre as políticas necessárias recomendadas pelo estudo estão o fomento ao aumento da produtividade em áreas já cultivadas, valorização e ampliação do mercado de produtos responsáveis e sustentáveis e incentivo às atividades econômicas que podem ser feitas em áreas de floresta nas propriedades rurais como extrativismo sustentável e pagamento por serviços ambientais.
Para chegar às conclusões propostas no trabalho, o WWF-Brasil traçou três cenários de expansão até 2020 para o cultivo de grãos e cana-de-açúcar. São eles: o Bio Bust, com menor demanda do mercado, o Bio Balance, com demanda intermediária, e o Bio Boom, com maior demanda internacional pelos biocombustíveis.
Desmatamento e Mudanças Climáticas
Não aumentar o desmatamento é fundamental quando o assunto é mudanças climáticas, pois a derrubada e a queimada de florestas correspondem a 75% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. O Brasil é hoje o quarto maior emissor do planeta.
Assim como na Amazônia, o desmatamento do Cerrado também contribui para a emissão de gases causadores do aquecimento global. A região do Cerrado também é uma das mais ameaçadas no Brasil e suas diversas formações vegetais e biodiversidade estão muito pouco representadas no sistema nacional de áreas protegidas (apenas 3%).
A experiência da pecuária orgânica certificada no Pantanal, apoiada pelo WWF-Brasil, e o trabalho de estímulo a boas práticas na produção de carne integram a programação do workshop sobre Pecuária Sustentável, que acontece nesta quinta-feira (16 de julho), a partir de 8h, no Centro Imigrantes, em São Paulo.
O workshop é organizado pelo Beef Point, site especializado em conteúdo destinado ao segmento de produtores de carne. De acordo com os organizadores, o evento tem por objetivo apresentar, informar e debater temas ligados a eficiência produtiva e lucratividade, de forma associada a sustentabilidade do negócio da carne bovina.
O tema Pecuária Orgânica Certificada no Pantanal - uma experiência de sucesso, será apresentado pelo presidente da Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO), Leonardo Leite de Barros. O técnico do programa Pantanal do WWF-Brasil, Ivens Teixeira Domingos, irá falar sobre Pecuária sustentável, nicho de mercado e acesso a mercados na visão do WWF- Brasil.
O WWF-Brasil vem atuando com o segmento da pecuária no Pantanal, desde 2003. O trabalho envolve o apoio à pecuária orgânica certificada e estímulo a práticas que aliem produção e conservação dos recursos naturais. O trabalho é feito em parceria com associações de produtores orgânicos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul.
A atuação com o segmento da pecuária é fundamental para as ações de conservação no Pantanal. Principal atividade econômica da região, a pecuária estabelece o padrão de ocupação do espaço geográfico no Pantanal, gerando muitos impactos ambientais. A produção orgânica é uma alternativa para reduzir esses impactos.
O sistema de produção orgânico visa o desenvolvimento econômico e produtivo que não polua, não degrade e nem destrua o meio ambiente e, que, ao mesmo tempo valorize o homem como principal integrante do processo.
GT da pecuária sustentável ? Além do apoio à pecuária orgânica no Pantanal, o WWF-Brasil também atua no estímulo a boas práticas produtivas para o segmento da pecuária. Esse trabalho é feito por meio das discussões e participação no GT da pecuária sustentável, que envolve representantes dos diversos elos que compõem a cadeia produtiva da carne - produtores rurais, frigoríficos, empresas certificadores, bancos, empresas de exportação e comércio varejista.
Quando o helicóptero desligou os motores no aeroporto de Itaituba (PA), foi oficialmente encerrada a Expedição Científica Terra do Meio, que levou uma equipe de pesquisadores à Floresta Nacional (flona) de Altamira para a conclusão da avaliação ecológica rápida (AER) da unidade de conservação. A avaliação, realizada de 16 a 26 de junho, será um dos elementos do plano de manejo da flona, localizada no estado do Pará, próxima à rodovia BR-163, que liga Cuiabá a Santarém.
As florestas nacionais são unidades de conservação de uso sustentável que podem ser utilizadas para a exploração de recursos florestais madeireiros e não madeireiros, por meio de concessões. Até hoje, o Brasil não fez nenhuma concessão no Distrito Florestal da BR-163, porque não há nenhum plano de manejo pronto. Com a conclusão do plano de manejo da Flona de Altamira, essa poderá vir a ser a primeira a licitar concessões de exploração comercial na região.
Em 2007, a primeira fase da avaliação ecológica rápida foi realizada com o apoio do Exército Brasileiro na porção sul da floresta nacional. Em junho de 2009, os pesquisadores visitaram dois pontos de coleta de dados na parte norte da unidade de conservação. Como essa porção da flona é mais preservada e não conta com estradas de acesso, a única forma de levar a equipe de 12 pesquisadores ao interior da floresta foi de helicóptero, um Cougar do 4º Batalhão de Aviação do Exército.
Cinco áreas - botânica, répteis e anfíbios terrestres, peixes, aves e mamíferos - foram objeto de pesquisas. Foi feito um levantamento sobre a situação da unidade de conservação antes das concessões florestais, para que se possa definir o tipo de atividade a ser desenvolvida, de acordo com o potencial econômico e com o objetivo maior da floresta nacional, que é a conservação ambiental. As informações também servirão como subsídios para a fiscalização das atividades realizadas na flona depois da concessão.
De acordo com o coordenador científico da expedição, Roberto Antonelli Filho, a conclusão da segunda fase de pesquisas possibilitou amostrar as principais tipologias da área, inclusive áreas alteradas e áreas íntegras, ou seja, com mínima interferência dos seres humanos. Maximiliano Roncoletta, técnico do WWF-Brasil e coordenador da expedição, explicou que o próximo passo será realizar uma oficina com todos os envolvidos no levantamento de informações para consolidar os dados coletados em campo que serão utilizados no plano de manejo da flona.
A gestora da Floresta Nacional de Altamira, Naiana Peres de Menezes, que acompanhou o trabalho dos pesquisadores em campo, ressaltou que os pesquisadores conseguiram chegar a lugares até então nunca visitados. ?Os resultados são importantes não só para a Flona de Altamira, mas para a toda a Terra do Meio, que é uma região ainda pouco estudada pela ciência?, afirmou. Caberá ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) definir equipe para elaborar o plano de manejo.
Ao contrário da fase 1, dessa vez a expedição contou também com a participação de um membro do conselho gestor da Flona de Altamira, Gelson Luiz Dill, que acompanhou todas as atividades realizadas, para esclarecer possíveis dúvidas dos outros 21 membros do conselho sobre a expedição. Para Naiana de Menezes, o envolvimento da comunidade é indispensável, ?porque a flona não é criada para ser uma redoma, então é importante que as pessoas participem de sua gestão?.
Durante a Expedição Científica Terra do Meio, realizada na floresta nacional (flona) de Altamira entre 16 e 26 de junho, a equipe de pesquisadores teve a oportunidade de coletar dados sobre uma área nunca antes estudada, o interflúvio dos rios Jamanxim e Curuá.
Essa parte da Amazônia guarda segredos mesmo para os pesquisadores mais experientes. O resultado é que quatro espécies ainda não descritas pela ciência foram encontradas no interior da flona, o que contribui para a confirmação dessas espécies como novos achados científicos.
O objetivo da expedição foi completar a avaliação ecológica rápida (AER) da Floresta Nacional de Altamira. Ao contrário da primeira fase da AER, realizada em 2007, na segunda fase as pesquisas ocorreram em uma área com baixo nível de antropização, ou seja, uma área em que os seres humanos ainda não interferiram muito.
Com isso, os 12 cientistas encontraram comunidades bem íntegras de animais e plantas nas oito trilhas de pesquisa distribuídas entre as bases 1 e 2 da expedição. A base 1, mais no interior da flona, foi pesquisada entre os dias 17 e 20 de junho. A base 2, mais próxima do limite da flona, foi pesquisada de 21 a 24 de junho.
Na avaliação do coordenador científico da expedição, Roberto Antonelli Filho, a integridade da área pesquisada permitiu que o levantamento do meio biótico, ou seja, das plantas e animais presentes no local, fosse concluído com essa segunda fase de pesquisas.
?O levantamento do meio biótico ajuda a definir as zonas intangíveis da floresta nacional, ou seja, aquelas áreas que devem permanecer intactas por serem essenciais para a conservação da área e para o não comprometimento das comunidades que vivem na região?, afirma Antonelli. As florestas nacionais possibilitam a exploração de recursos florestais madeireiros e não madeireiros.
As pesquisas realizadas na Floresta Nacional de Altamira abordaram cinco aspectos distintos: botânica, répteis e anfíbios terrestres, peixes, mamíferos e aves.
Para que seja possível fazer a avaliação ecológica, as pesquisas nas diferentes áreas do conhecimento devem ser feitas nos mesmos locais, para que os dados possam ser cruzados. Confira, agora, os resultados das pesquisas em cada uma dessas áreas.
Durante a expedição à Flona de Altamira, uma equipe de botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi, pode pela primeira vez, pesquisar a área por terra, como costuma fazer, e pelo céu, graças ao apoio do helicóptero do Exército Brasileiro. [Leia mais]
A equipe especializada no estudo de répteis e anfíbios gastou a sola das botas em busca de seus objetos de pesquisa. Como há répteis e anfíbios com hábitos diurnos e noturnos, os pesquisadores do Meuseu Goeldi, percorreram duas vezes, uma de dia e uma de noite, cada uma das oito trilhas que compunham a área de pesquisa da expedição. [Leia mais]
A pesquisa sobre peixes da Floresta Nacional de Altamira foi feita basicamente em igarapés e outras pequenas áreas alagadas localizadas próximas às duas bases da expedição. Assim, a maior parte dos peixes encontrados é de pequeno porte, como tetras, piabas, lambaris, bagres, cascudos e peixes-elétricos. [Leia mais]
Ameaçada de extinção, a arara-azul, aparentemente, tem um refúgio: a Floresta Nacional de Altamira. De acordo com os pesquisadores de avifauna do Museu Emílio Goeldi, Alexandre Aleixo e Fabíola Poletto, a arara-azul é a espécie de ave mais comum na flona. Ela foi vista e ouvida todos os dias, sempre voando em casais, ao contrário de outras araras, que costumam voar em grupos pequenos. [Leia mais]
Quando Hugo Cardoso de Moura Costa, pesquisador do Projeto Onça-Parda, chegou à base 1 da Expedição Científica Terra do Meio, sua grande expectativa era avistar um grande felino, de preferência a bela e temida onça-pintada. [Leia mais]
Quando a equipe de pesquisa chegou ao acampamento da Expedição Científica Terra do Meio, encontrou uma estrutura de trabalho excelente no meio da floresta. Três barracões cobertos com lona branca delimitavam os espaços de convivência: a cozinha, a bancada de trabalho dos pesquisadores e a área para todos os participantes dormirem. A comida já estava no fogão de barro, feito naquele mesmo dia. Toda essa estrutura só foi possível graças a uma verdadeira aventura enfrentada pela equipe de logística.
Selecionados e contratados pelo Instituto Natureza Amazônica (INAM), empresa especializada em serviços na floresta, 14 mateiros foram os responsáveis por garantir o acesso e a permanência dos pesquisadores em campo. Eles saíram de Itaituba no dia 24 de maio.. Foram de carro até a Fazenda Roversi, próxima à Floresta Nacional de Altamira, e de lá partiram em direção às áreas escolhidas para servirem como bases de pesquisa. Foram 80 km percorridos a pé, no meio da floresta, para montar a estrutura de campo.
Cada um levava nas costas uma média de 30 kg, entre roupas, rede, material de campo e rancho, ou seja, a comida que seria consumida ao longo da viagem. O material foi transportado em jamanxins, cestos de palha presos às costas, tradicionais na Amazônia. Os mateiros avançaram abrindo as picadas com o facão, até chegar ao ponto que seria a base 2, mais próxima do limite da Flona. Foram seis dias de caminhada.
Na base 2, os mateiros foram divididos em equipes responsáveis por abrir as clareiras para o acampamento e para o pouso do helicóptero, montar os barracões e a estrutura do acampamento e abrir as trilhas de 4 km a 5 km cada, em quatro direções distintas, onde seriam realizadas as pesquisas.
Quando o trabalho da base 2 ficou pronto, os mateiros saíram novamente floresta adentro, dessa vez em direção à base 1, mais distante do limite da flona. Foram mais quatro dias de caminhada. Novamente as equipes trabalharam nas clareiras, na estrutura e nas picadas. No dia 15 de junho, quando a equipe de pesquisa da expedição chegou, toda a estrutura já estava pronta. E o pessoal da logística aguardava na base 1, para continuar dando apoio aos pesquisadores.
Em campo, os mateiros são indispensáveis para guiar os pesquisadores pelas trilhas, preparar a comida, manter o acampamento em ordem enquanto a equipe de pesquisa trabalha e, o mais importante, compartilhar com os pesquisadores os seus conhecimentos de campo. Uma expedição não acontece sem uma boa equipe de logística.
O acampamento foi chefiado por Zacarias Barros Piedade Júnior e por Vanilton Magalhães Pantoja, ambos funcionários do INAM. Vanilton, com o apoio de dois ajudantes de cozinha, também era o piloto do fogão de barro, construído por Raimundo Nonato Rodrigues dos Santos. ?Quando estamos num acampamento assim, não pode faltar comida. Quando as equipes saem para as trilhas, voltam com muita fome porque gastam muita energia para andar na floresta. Se não falta comida, não falta disposição para trabalhar?, explica Vanilton.
Viagem em duas etapas
Essa foi a segunda viagem que essa mesma equipe fez à Flona de Altamira. A primeira, realizada em outubro de 2008, durou 35 dias. Os mateiros atravessaram os mesmos quilômetros de floresta para preparar o acampamento para a expedição, que deveria ter acontecido em novembro de 2008, mas precisou ser cancelada. ?A primeira viagem foi mais difícil, porque foi a primeira vez que abrimos as picadas e as clareiras, então o trabalho foi mais puxado. Dessa vez, só precisamos reavivar as trilhas e limpar de novo as clareiras que já haviam sido feitas?, conta Vanilton.
Na primeira vez, a principal dificuldade enfrentada foi a falta de água. ?Era época de seca, então não encontrávamos água potável. Quando achávamos algum ponto com água, era só um pocinho, onde os animais bebiam e defecavam. Mas tínhamos que usar essa água mesmo assim, para beber, cozinhar e lavar roupa?, conta Vanilton. ?A outra opção era beber água de cipó?, completa.
Na segunda vez, ironicamente, a principal dificuldade foi o excesso de água. A travessia foi feita debaixo de muita chuva e, em determinado ponto, os mateiros precisaram atravessar o rio Aruri, com 80 m de largura. ?Na primeira vez, a água era tão pouca que atravessamos o rio caminhando. Dessa vez, o rio estava cheio e com muita correnteza?, relata Vanilton. Para fazer a travessia, cinco homens cruzaram o rio a nado, levando uma corda amarrada na cintura de um deles. A corda foi presa em cada uma das margens e serviu de guia para as próximas travessias.
Para levar a carga de um lado a outro, foi construída uma jangada, que flutuou sobre duas câmaras de pneu de caminhão. A jangada foi presa à corda-guia e fez várias viagens até terminar de transportar toda a carga e todos os mateiros. Mesmo com todas as dificuldades, os mateiros não perderam o ânimo. Eles tiveram que ficar três dias acampados às margens do Aruri, enquanto dois membros da equipe vinham ao seu encontro. Durante todo esse tempo, aproveitaram a jangada construída para pescar e nadar no meio do rio.
Empreitada familiar
A equipe de logística da Expedição Científica da Terra do Meio tem uma peculiaridade: quase todos os integrantes são da família de Isaac Coelho da Silva. Dos 14 integrantes da equipe de logística, 10 são da mesma família. Primos, sobrinhos e outros parentes fazem juntos o pesado trabalho de abrir picadas e clareiras e manter o acampamento em ordem.
Isaac conta a história da viagem emocionado: ?Minha mãe era índia Kuruai e morava aqui nessa região, às margens do rio Iriri. Há 55 anos, ela teve que sair da sua casa, por causa de uma guerra com outro povo. Ela foi para Barreiras, onde conheceu meu pai e onde eu e meus seis irmãos nascemos. Agora, graças a esse trabalho, voltamos para a região de onde a minha mãe saiu?.
Isaac e seus parentes já fizeram muitos tipos de trabalho pela região do Tapajós: já trabalharam na roça, no corte de madeira, em garimpo e mineradoras. A experiência de mato que adquiriram com esses trabalhos foi indispensável para a expedição. ?Nós fomos contratados porque estamos acostumados com esse tipo de trabalho, mas principalmente porque temos coragem de entrar na floresta e ficar 30 dias caminhando. Não é todo mundo que aceita um serviço desse?, conta Isaac.
Para eles o trabalho vale a pena porque aumenta a renda da família, mas o motivo principal é o gosto pela aventura. ?Sempre gostei de desafio. Nós fomos contratados para dar todo o conforto possível para a equipe de pesquisa e nós todos trabalhamos com gosto. Eu gosto de mato. Até o ar da selva é melhor do que o da cidade, onde eu fico agoniado?, afirma Isaac, e ensina: ?no mato, temos que trabalhar juntos. Se todo mundo trabalha igual, o serviço fica leve para todo mundo?.
Mas os mesmos 14 bravos homens, que corajosamente enfrentaram 35 dias de caminhada na primeira viagem e mais 32 dias de trabalho na floresta na segunda, perderam o sono com medo de entrar no helicóptero do Exército para ir da base 1 para a base 2 e preparar o acampamento para a mudança dos pesquisadores. E quando a expedição foi encerrada, mais uma viagem de helicóptero foi feita por eles. Mas, dessa vez, a vontade de chegar logo em casa venceu o medo de voar.
Instituições de pesquisa, órgãos do governo federal e organizações não governamentais se uniram para realizar a segunda fase da Expedição Científica à Terra do Meio, que visitou a porção norte da floresta nacional (flona) de Altamira e mobilizou uma equipe de 12 pesquisadores para concluir a avaliação ecológica rápida, iniciada em 2007. Para viabilizar o trabalho de pesquisa, em junho, a viagem de campo contou ainda com uma equipe de logística e com o apoio do Exército Brasileiro, que levou as equipes de helicóptero para o acampamento na selva.
A expedição só foi possível graças ao trabalho em parceria. Além do WWF-Brasil, responsável pela organização da expedição, e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), responsáveis pela gestão da flona, participaram da viagem de campo o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e o Projeto Onça Parda. Os integrantes da expedição saíram de cidades como São Paulo, Brasília, Manaus e Belém em direção a Itaituba, no Pará, onde ocorreram as primeiras reuniões de alinhamento entre as equipes de logística, comunicação e pesquisa.
De Itaituba, a equipe foi de helicóptero para a Fazenda Roversi, próxima à BR-163 e à Flona de Altamira. O voo no helicóptero Cougar evitou que a equipe de pesquisadores tivesse que enfrentar 12 horas de estrada de terra, em caminhonetes traçadas para vencer os buracos e atoleiros da BR-163. O comandante e o piloto, capitão Santos Júnior e capitão Dorneles, com o apoio dos sargentos Loures e Jailson, do 4º Batalhão de Aviação do Exército, foram os responsáveis pelo transporte da equipe.
Com o helicóptero, foi possível que 10 membros da equipe, entre eles os três responsáveis pela área de botânica, fizessem um sobrevoo de reconhecimento das tipologias de vegetação presentes na Floresta Nacional de Altamira, ação indispensável para a conclusão do plano de manejo da unidade de conservação.
Além da equipe de pilotos e mecânicos, o Exército colocou à disposição da expedição uma equipe especializada em resgate e salvamento, composta pelo sub-tenente Viana e pelo soldado Manoel. Em caso de qualquer emergência, eles estavam prontos para socorrer e remover pesquisadores e mateiros. Para a manutenção do helicóptero, foram destacados ainda o soldado Reis, responsável pelo abastecimento da aeronave, e o sargento Cândido, mecânico especializado na manutenção dos instrumentos de voo do Cougar. O apoio do Exército Brasileiro foi fundamental para garantir o transporte e a segurança da equipe da expedição.
Os resultados da expedição serão sistematizados durante uma oficina, a ser realizada ainda em 2009. As instituições de pesquisa, as ONGs e os órgãos de governo envolvidos na expedição se reunirão para consolidar as informações de todas as pesquisas realizadas, desde 2007, inclusive os levantamentos dos meios físico, biótico e socioeconômico. Com isso, fica tudo pronto para a elaboração do plano de manejo.
Os países do G8 (grupo dos sete mais ricos do planeta mais a Rússia) e do G5 (grupo dos emergentes Brasil, China, Índia, México e África do Sul) estiveram reunidos de 8 a 10 de julho na Itália. Como deter o aquecimento global foi um dos temas do encontro.
Esta foi a primeira vez que as maiores economias do planeta reconheceram o alerta que os cientistas vêm dando de que é preciso manter o aquecimento global abaixo de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais.
Estudos científicos têm apontado que, caso contrário o planeta fique mais quente que 2ºC, poderemos observar conseqüências dramáticas como o colapso do sistema atual de circulação de correntes marítimas dos oceanos e a transformação de boa parte da floresta amazônica em algo parecido com uma savana.
No entanto, somente essa declaração sobre a temperatura do globo não basta para deter o aquecimento global. Os países industrializados, responsáveis pela maior parte dos gases de efeito estufa já emitidos até hoje, precisam se comprometer a reduzir drasticamente essa poluição.
"Infelizmente, os países do G8 falharam ao não se comprometerem agora com a solução da questão. Isso mostra uma clara falta de vontade política para que seja realmente assinado um acordo global de clima justo e eficiente em dezembro deste ano, em Copenhague", afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.
Os países ricos também não reafirmaram seu compromisso de disponibilizar recursos para que os países em desenvolvimento possam reduzir suas emissões e estabelecer ações de adaptação às mudanças climáticas. Os mais pobres são os que mais vão sofrer com as consequências do aumento de temperatura do planeta.
Em junho deste ano, a Rede WWF, junto com o WWF-Brasil, e outras organizações não governamentais apresentaram uma proposta de tratado para servir de base para as discussões até Copenhague. O texto indica que os países industrializados precisam cortar drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas.
E, para garantir o que os países em desenvolvimento consigam mudar seu padrão atual para um de baixo carbono (que emita poucos gases de efeito estufa) e enfrentar os impactos causados pelas mudanças climáticas, é necessário que os mais ricos e que poluíram mais até agora façam investimentos da ordem de US$ 160 bilhões anuais.
"Estamos a apenas quatro meses da grande reunião das Nações Unidas sobre clima na Dinamarca e até o momento somente o governo do Reino Unido reconhece a escala de recursos necessários (centenas de bilhões de dólares anuais) para o combate às mudanças climáticas", afirma Kim Carstensen, líder da Iniciativa Global de Mudanças Climáticas da Rede WWF.
"Até Copenhagen é absolutamente crítico que os países desenvolvidos se comprometam com cortes de suas emissões de gases de efeito estufa em 40% até 2020 e a destinar recursos para apoiar os países em desenvolvimento a crescer reduzindo suas próprias emissões e a fazendo ações de adaptação", completa.
Mas é importante ressaltar que o compromisso não deve vir apenas dos países desenvolvidos. O governo brasileiro pode fazer muito mais. "É preciso que as ações nacionais de combate às mudanças climáticas sejam registradas pelo Brasil junto à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, e que o país defina metas claras e planos de ação para zerar o desmatamento na Amazônia, Mata Atlântica e demais florestas.
Também é necessário fazer investimentos maciços em eficiência energética e energias renováveis não convencionais como eólica, solar térmica e solar fotovoltaica, o que hoje ainda não ocorre", afirma a secretária-geral do WWF-Brasil.
O país vive hoje uma situação de contradição entre discurso e prática na área ambiental. Enquanto o governo anuncia o Plano Nacional de Combate às Mudanças do Clima com metas para redução do desmatamento e aumenta a fiscalização nas florestas, parlamentares fazem movimentos contrários à conservação do meio ambiente.
Está sendo discutida no Congresso Nacional uma proposta que altera o Código Florestal Brasileiro e permite a diminuição da quantidade de floresta que o proprietário é obrigado a deixar em pé.
"Este tipo de proposta que vem ganhando força política no legislativo está na contramão do que o país tem feito para reduzir suas emissões de efeito estufa e conservar a biodiversidade. Reduzir o rigor das nossas leis ambientais, já tão pouco respeitadas em nosso país, é inaceitável", defende Hamú.
O Brasil é hoje o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Cerca de 75% desses gases lançados na atmosfera vem da derrubada e queimada de florestas, principalmente da Amazônia.
As pesquisas sobre as aves presentes na flona foram feitas a partir de três metodologias distintas. A primeira é o levantamento auditivo, ou seja, o pesquisador percorre cada uma das trilhas atento aos sons dos pássaros para identificá-los ou gravar seu canto para registro.
A segunda é o levantamento visual: com o auxílio de um binóculo, o pesquisador procura avistar os pássaros e identificá-los. O terceiro é a coleta, feita com o auxílio de uma rede de neblina, em que os pássaros ficam presos. Com essas três metodologias, os biólogos registraram entre 400 e 500 espécies de pássaros diferentes na flona.
Fabíola Poletto foi a responsável pela coleta e taxidermização dos animais ? técnica de preservação para coleções científicas.
?Nós coletamos apenas os animais que são importantes para pesquisas futuras, ou seja, aqueles que ainda não temos em boa quantidade nos acervos de museus e sobre os quais ainda temos poucas informações científicas. A coleta é muito importante para estudos biogeográficos e de genética de populações?, afirma a bióloga.
A distribuição geográfica das aves na Amazônia costuma se dar por interflúvio de grandes rios, como explica Alexandre Aleixo: ?os grandes rios costumam ser as barreiras geográficas para a dispersão de aves na Amazônia, ou seja, entre os grandes rios, a tendência é que a avifauna encontrada seja homogênea?.
No entanto, a Flona de Altamira surpreendeu os pesquisadores. ?Acreditávamos que o rio Jamanxim era o limite de algumas espécies, mas encontramos espécimes no interior da flona, ou seja, além do Jamanxim. O curioso é que a flona parece ser o limite de distribuição dessas espécies. Por alguma razão que ainda desconhecemos, elas não vão mais para o norte?, comenta Aleixo.
Esse dado, apesar de parecer apenas um detalhe, é muito importante para se conhecer a fundo a distribuição geográfica das espécies.
?Essas minúcias fazem muita diferença na hora de planejar, criar e gerir unidades de conservação que sejam efetivas. Na Amazônia, ainda dá tempo de escolher com cuidado e com base em critérios mais biológicos as áreas que devem permanecer protegidas?, completa Aleixo.
As pesquisas da Expedição Científica Terra do Meio colaboraram para que Aleixo completasse estudos que vêm sendo conduzidos desde 2006 sobre duas novas espécies de aves.
Uma é o torom, que por enquanto tem o nome de Hylopexus sp., e que deve ser confirmado como nova espécie no final de 2009. A outra é o arapaçú-de-bico-torto, ou Campylorhamphus sp., que deve ser formalmente descrito como nova espécie em 2010.
Quando Hugo Cardoso de Moura Costa, pesquisador do Projeto Onça-Parda, chegou à base 1 da Expedição Científica Terra do Meio, sua grande expectativa era avistar um grande felino, de preferência a bela e temida onça-pintada.
Logo nas primeiras conversas com os mateiros, que já estavam na floresta há mais de 15 dias, o biólogo, responsável pelas pesquisas sobre mamíferos, foi informado de que duas pintadas haviam sido vistas, e uma delas inclusive havia passado a noite toda rondando o acampamento.
Hugo Costa instalou, então, armadilhas fotográficas ao longo das trilhas. Essas armadilhas são compostas por uma câmera fotográfica e um sensor de movimento.
Quando algum animal passa perto da armadilha, o sensor dispara a câmera e a presença do animal fica registrada. ?Esse tipo de armadilha é muito útil para o registro de animais mais ariscos, como o tatu-canastra, o cachorro-vinagre e a onça-pintada?, explica Costa.
Ao longo dos dias, o biólogo identificou tocas e avistou animais como o tatu-canastra, a anta, o tatu-quinze-quilos, a queixada (tipo de porco-do-mato), o bugio, o macaco-aranha e até a lontra, espécie que foi escolhida como símbolo da expedição.
?A presença desses animais é um indício de que essa área está bem preservada, já que são espécies que só vivem em habitats de boa qualidade. No cerrado, por exemplo, espécies como antas e queixadas já não são encontradas com facilidade?, conta.
Apesar dos esforços de Hugo Costa, nenhuma onça-pintada apareceu. Na verdade, não foi feito nenhum registro de felino, mesmo os de pequeno porte, como o gato-maracajá.
No entanto, pelos relatos dos mateiros e da população local, certamente há felinos na área, mas, de acordo com Costa, com baixa densidade populacional. ?A onça-pintada e os felinos pequenos são bem estudados em outros biomas, como a Mata Atlântica e o Pantanal, mas na Amazônia há uma deficiência de conhecimentos sobre essas espécies. Seria muito importante aprofundar os estudos?, afirma.
A pesquisa sobre a ictiofauna, ou os peixes, da Floresta Nacional de Altamira foi feita basicamente em igarapés e outras pequenas áreas alagadas localizadas próximas às duas bases da expedição.
Assim, a maior parte dos peixes encontrados é de pequeno porte, como tetras, piabas, lambaris, bagres, cascudos e peixes-elétricos.
Os biólogos Rafael Pereira Leitão e Frank Raynner Vasconcelos Ribeiro, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), responsáveis pela análise, encontraram igarapés com a mata ciliar bem preservada, o que é essencial para a sobrevivência dos peixes.
?Em ambientes como esse, de mata fechada, em que há pouca entrada de luz, a mata ciliar é a maior responsável pela entrada de nutrientes no igarapé?, esclarece Rafael Leitão.
Diariamente, algumas dezenas de peixes eram coletadas pela dupla de pesquisadores. Para eles, a quantidade pode ser sinônimo de diversidade. ?Os peixes que encontramos aqui são pequenos e as diferentes espécies são muito parecidas entre si.
Portanto, precisamos levar uma boa amostra ao laboratório, para que seja possível classificar cada espécime coletado e identificar se há ou não espécies desconhecidas ou pouco estudadas pela ciência?, explicam os dois pesquisadores.
Rafael Leitão destaca que parte significativa dos peixes encontrados, como os tetras e os cascudos, tem potencial para o comércio de peixes ornamentais, utilizados em aquários. No entanto, para que isso seja possível, é indispensável um estudo específico, que determine se o manejo da espécie para comercialização pode ou não ser feito e como.
Leitão e Ribeiro ainda ressaltam que há boas chances de que sejam encontradas espécies novas porque as coletas foram feitas em uma área que nunca havia sido pesquisada e com alto índice de isolamento, em relação a outros cursos d?água já estudados na Amazônia.
Na primeira fase da AER, foi encontrado um caranguejo ainda desconhecido, que ainda está sendo estudado, mas que pode vir a ser confirmado não só como uma espécie nova, mas como um novo gênero.
A equipe de herpetologia, ou seja, especializada no estudo de répteis e anfíbios, gastou a sola das botas em busca de seus objetos de pesquisa.
Como há répteis e anfíbios com hábitos diurnos e noturnos, a bióloga Crisalda de Jesus dos Santos Lima e o técnico em zoologia Raimundo Rodrigues da Silva, do Meuseu Goeldi, percorreram duas vezes, uma de dia e uma de noite, cada uma das oito trilhas que compunham a área de pesquisa da expedição.
Cada trilha tinha em média 4 km de extensão. Isso significa que os dois pesquisadores percorreram um total de 128 km durante a expedição para encontrar cobras, lagartos, sapos, pererecas e até jabutis.
Segundo Crisalda Lima, as espécies encontradas são bem típicas da região amazônica e são indícios de uma floresta bem preservada.
Na primeira fase da AER, realizada durante período chuvoso, foram encontrados mais anfíbios, como sapos e pererecas, e menos serpentes.
A segunda fase aconteceu durante período mais seco, quando os anfíbios estão mais recolhidos e as serpentes aparecem mais. ?Essa caracterização da herpetofauna em estação chuvosa e seca é muito importante para que possamos avaliar a variação sazonal?, afirma Crisalda Lima.
Na fase 2, serpentes como jararaca, coral, cobra-cipó, cobra-dormideira, jiboia-vermelha, surucucu foram destaque.
No total, foram encontradas nove espécies, que pertencem a cinco famílias diferentes. Além disso, Crisalda Lima destaca o avistamento de um jacaré, uma tartaruga cabeçuda e dois jabutis, um vermelho e um amarelo, que são caçados e estão ameaçados de extinção.
12/07/2009 12:00 AM
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