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O uso de antiobióticos na criação de salmão do Chile supera seu maior concorrente

ASSUNÇÃO – O Chile usou quase 350 vezes mais antibióticos em sua criação de salmão, em 2008, do que a Noruega, seu maior concorrente e maior produtor de salmão do mundo, de acordo com dados oficiais de ambos os países.

O Ministério da Economia do Chile revelou, neste mês, que o país usou cerca de 300 mil quilos de antibióticos, em 2008, e mais de 385 mil, em 2007. Com na informação publicada pelo Instituto de Saúde Pública norueguês, esse número equivale a 346 vezes a quantidade de antibióticos usados pela Noruega, em 2008 (941 kg) e quase 600 vezes da quantidade usava pelo país em 2007.

O ministro da Economia do Chile, Hugo Lavados, explicou o uso de antibióticos do Chile na produção de salmão em resposta a um pedido de informação pelo grupo ambiental Oceana, sob a nova lei de acesso à informação do país. Foi a primeira vez que o governo liberou tais dados publicamente, disseram grupos ambientais.

“Os números do ministério confirmam que a indústria de salmão chilena abusou do uso de antibióticos”, disse Alex Munoz, vice-presidente da Oceana na América do Sul. “Eles também mostram que o governo chileno estabeleceu mais prioridade na garantia de lucratividade de um setor de negócios do que na proteção aos consumidores e ao ecossistema do país”.

O Chile, segundo maior exportador de salmão do mundo, tem se esforçado desde 2007 para conter a expansão de um vírus que está matando milhões de seus peixes. A indústria disse que precisa dos antibióticos para combater doenças transmitidas por peixes, como a Rickettsia, bactéria parasita carregada por outro parasita marinho, que causa lesões que tendem a infeccionar.

Ambientalistas acusaram as condições não higiênicas por elevarem a quantidade de doenças.

Nos últimos anos, o Chile foi o maior fornecedor de salmão para os EUA. Algumas empresas, incluindo a Safeway e, mais recentemente, o Wal-Mart, reduziram as compras de salmão chileno por causa das preocupações com as doenças.

Neste domingo, não foi possível encontrar oficiais do SalmonChile, grupo industrial, para comentarem a situação. Em uma entrevista a CNN do Chile, na sexta-feira, Cesar Barros, presidente da SalmonChile, defendeu o uso de antibióticos como tão necessário quando prevenir doenças bacterianas. Ele disse que, em anos a anteriores, a Noruega usou em sua produção de salmão duas vezes a quantidade de antibióticos que o Chile está usando, antes do desenvolvimento de vacinas para lidar com essas doenças.

“Você tem que usar antibióticos para que o peixe não morra”, disse Barros na entrevista. A informação do Ministério da Economia mostrou que um terço dos antibióticos usados pelo Chile corresponde aos antibióticos da família quinolona, que não é aprovada para uso pela FDA (órgão regulador de alimentos e medicamentos) dos EUA. No ano passado, a FDA intimou três empresas de salmão operando no Chile, incluindo uma companhia norueguesa, Marine Harvest, por usar antibióticos e outras substâncias não aprovadas.

Por ALEXEI BARRIONUEVO


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27/07/2009 07:21 PM

Julgamento mostra que vínculos com terror continuam profundos no Paquistão

RAWALPINDI – Em uma prisão de segurança máxima na cidade, cinco homens – todos membros do grupo militante islâmico descrito pelos EUA e a Índia como os organizadores do ataque terrorista em Mumbai, no ano passado – foram trazidos diante um tribunal temporário, na primeira tentativa do Paquistão em levá-los à justiça.

As breves aparições no sábado, descritas por um advogado de defesa, foram conduzidas em segredo por razões de segurança, em um caso que o Paquistão diz mostrar sua vontade em processar o grupo, Lashkar-e-Taiba. O país também afirma que o caso demonstrará que seu exército, que uma vez apoiou o grupo como forças hospedeiras contra a Índia, cortou todos os vínculos com os militantes.

Mas por trás dos primeiros indícios do caso, simpatias pelo Lashkar-e-Taiba, seus militantes e pela cultura anti-indiana continuam profundas nesse país, levantando um difícil desafio contra quaisquer mudanças duradouras para desmantelar a rede.

A sociedade de Lashkar-e-Taiba se estende a cerca de 150 mil pessoas, de acordo com um oficial de cargo médio da principal agência espiã paquistanesa, a Directorate for Inter-Services Intelligence. Juntos com outro grupo militante, Jaish-e-Muhammad, os fiéis à Lashkar-e-Taiba poderiam colocar o Paquistão “em chamas”, admitiu o oficial. Além desse risco, os militantes da jihad “são boas pessoas” e poderiam ser controladas, de acordo com o oficial, falando sob a condição de anonimato, para manter os hábitos da agência.

Oficiais da administração de Obama dizem que continuam pressionando os paquistaneses para garantir a prevenção de uma sequência dos ataques de Mumbai em novembro, no qual mais de 160 pessoas foram mortas em uma investida contra dois hotéis cinco estrelas, um centro judaico e uma estação de trem lotada.

Uma confissão surpresa, na semana passada, do único combatente sobrevivente deixou claro que a Lashkar-e-Taiba tem a capacidade de treinar de forma barata e rápida homens jovens de vilas, para torná-los seguidores intensos e assassinos habilidosos, disse um oficial sênior da administração de Obama.

O combatente, Ajmal Kasab, 21, contou que recebeu treinamento em campos em Muzaffarabad, capital da parte paquistanesa da Caxemira, e em Manshera, uma cidade ao nordeste.

No Paquistão, muitos deduziram que a declaração de Kasab foi algo forçado por investigadores indianos, mas muitos detalhes se encaixam com as descrições das operações do Lashkar-e-Taiba fornecidas por dois ex-integrantes. Eles, que disseram ter relações amigáveis com o grupo, contaram que ao menos um campo de treinamento da milícia ainda estava em operação nas colinas ao redor de Muzaffarabad.

O Paquistão disse que os vínculos com o Lashkar-e-Taiba foram cortados logo após os ataques de 11 de setembro, sob a pressão da administração Bush para se unirem à campanha contra o terror. O ministro do Interior, Rehman Malik, disse em uma entrevista que a infraestrutura do grupo “não é mais tão completa”.

Mas oficiais da administração Obama dizem que ainda estão tentando entender o estado das relações entre o Paquistão e o grupo. Entre as versões mais prováveis, de acordo com eles, ninguém obstruiria as hostilidades entre o Paquistão e a Índia.

As possibilidades incluem o fato de que o Lashkar-e-Taiba continua sendo uma alavanca para o Estado paquistanês ou que o grupo ou outros integrantes se realinharam silenciosamente com os interesses do Paquistão e poderiam ser usados secretamente. Além disso, poderia ser que os grupos tivessem se separado dos instrumentos da segurança oficial e estão agindo independentemente.

Um oficial paquistanês sênior reforçou essa possibilidade, dizendo que as conexões entre a agência espiã do Paquistão e o Lashkar-e-Taiba estavam tão divididas, que era uma questão de arrependimento que o exército não pudesse mais controlá-lo.

Uma falta de controle poderia trazer consequências devastadoras da mesma forma que se o exército paquistanês ainda estivesse apoiando os grupos, disseram dois oficiais seniores dos EUA. “Meu chute é que, o exército não tinha conhecimento da ordem” dos ataques de Mumbai, disse um oficial dos EUA. “Foi uma falta de disciplina? É um assunto muito, muito sério não importa de que forma tenha sido”.

O comandante do exército do Paquistão, general Ashfaq Parvez Kayani, disse em conversas com a administração de Obama que estava tentando controlar o Lashkar-e-Taiba.

“Eles dizem, ‘nós estamos sendo mais vigilantes’, mas acrescentam, ‘a propósito, a Índia deve parar de mexer com o Baluquistão”, disse um oficial americano, familiarizado com os diálogos, sobre os paquistaneses. Ele se referiu a uma província devastada por combates brutais de extremistas, no qual o Paquistão acusou a Índia de financiar insurgentes.

O objetivo maior do Lashkar-e-Taiba, que opera sob a frente de caridade, Jamaat-ud-Dawa, é a derrota da Índia. Ele também envolve uma forte plataforma anti-israelense e a união ao Ahl-i-Hadith, uma tensão do grupo Wahabi do islã. Nessas terras doutrinárias, o Lashkar-e-Taiba tem muito mais em comum com os objetivos internacionais da Al-Qaeda, dizem especialistas em terrorismo.

“O Lashkar-e-Taiba e a Al-Qaeda são aliados na jihad islâmica global”, disse Bruce Riedel, que dirigiu as análises do presidente Barack Obama quanto a política para o Afeganistão e Paquistão, neste ano. “Eles compartilham da mesma lista de alvos, e suas atividades frequentemente trabalham e se escondem juntas”.

Entre as evidências da sofisticação de Lashkar nos ataques de Mumbai está a voz de um dos treinadores dos combatentes, que falava um inglês fluente, no que parece ser fitas de ligações interceptadas, fornecidas pelo Canal 4 da Grã-Bretanha para um documentário mostrado neste mês.

Malik, ministro do Interior paquistanês, disse que perguntou à Índia por telefone os números das ligações.

Pareceu improvável que o treinador fosse o homem acusado de planejar os ataques, Zaki ur-Rehman Lakhvi, que foi um dos cinco homens que foram ao tribunal no sábado. Lakhvi, de cerca de 55 anos, não fala inglês, de acordo com dois ex-integrantes do Lashkar.

Na fita, o treinador fala em tons calmos enquanto informa ao homem armado os alvos que deve mirar, as armas que deve usar e o que dizer aos reféns e às autoridades indianas, enquanto se mantém calmo sob a pressão.

“O Lashkar-e-Taiba definitivamente estava envolvido, mas tiveram ajuda e assistência de fora”, disse Sajjan Gohal, um especialista em terrorismo na Grã-Bretanha. “A fita sugere que o treinador recebeu treinamento militar que foram além das preparações básicas de um terrorista”.

Em certo ponto, ele disse a uma mulher mantida como refém no centro judaico, “apenas se sente e relaxe”, e, “talvez você vá comemorar o Sabbath (sábado, dia religioso para os judaicos) com sua família”. Mais tarde, a mulher foi morta por ordem do treinador.

Por Jane Perlez e Salman Masood


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27/07/2009 06:18 PM

Jovens chineses perdem seus documentos e, com eles, seus futuros

WUBU – Na maior parte de sua educação, Xué Longlong foi silencionsamente acompanhado de grau em grau, de escola a escola por um envelope de Manila fechado com um selo escrito confidencial. Dentro havia séries escolares, resultados de provas, avaliações feitas por colegas e professores, sua inscrição para o Partido Comunista e – o mais importante para suas oportunidades de emprego – o certificado de sua graduação no ensino superior, em 2006.

NYT

Xue Longlong, que após ter seus registros desaparecidos,
perdeu um bom emprego e foi abandonado pela noiva

Todos na China que tenham cursado o colegial têm um documento como este. Eles são histórias insubstituíveis de conquistas e fracassos, o ponto de partida para empregadores em potencial, oficiais de governo e outros que julgam o valor de um indivíduo. Frequentemente, essas chaves para o futuro são guardadas com cuidado pelo governo, escola ou gabinetes de trabalho para que não haja nenhuma chance de desaparecerem.

Mas, há dois anos, os registros de Xue Longlong sumiram. Isso também aconteceu com os papéis de ao menos 10 outras pessoas, todos graduados no ensino superior em 2006, com registros exemplares, todos de famílias pobres que moram perto da cidade arenosa no centro do norte, nas margens largas do Rio Amarelo.

Com os envelopes de Manila foram seus futuros, dizem eles. Hoje, Xue, que esperava trabalhar em uma empresa de combustível estatal, vende bens imobiliários de porta em porta, um progresso diante os outros empregos em que distribuía panfletos e servia bebida em lanhouses. Wang Yong, que aspirava ser professor ou funcionário de banco, está desempregado. Wang Jindong, que tinha uma oportunidade em um emprego de uma firma estatal de produtos químicos, é um trabalhador de construção, que ganha menos de US$ 10 por dia.

“Se você não os tem, esqueça!”, Wang Jindong, 27, disse ele sobre seus documentos. “Não importa o quanto você seja capaz, eles não o contratarão. A primeira reação deles é de que você é uma pessoa desonesta”.

Funcionários locais disseram que os arquivos foram perdidos quando trabalhadores públicos se mudaram do primeiro para o segundo andar de um prédio do governo. Mas os graduados dizem acreditar que os oficiais roubaram os arquivos e os venderam para pessoas com registros péssimos, buscando novas identidades e melhores oportunidades de emprego – uma declaração sustentada por diversos casos similares em toda a China.

Talvez, nenhum grupo aqui seja mais caluniado e suspeito do que oficiais locais chineses, que são muito acusados de corrupção junto ao Partido Comunista. O partido, constantemente, promete controlá-los. Em outubro, o presidente Hu Jintao disse que um partido limpo era “uma questão de vida ou morte”.

Críticos afirmam que o sistema de partido único da China gera um suborno que apenas reformas democráticas poderiam verificar. Mas os líderes chineses dizem que a solução não é enraizar fiscalizações no poder, mas melhorar a vigilância e a luta contra o crime.

Especialistas em política pública dizem que a China está desviando sua ênfase de uma publicidade contra casos de corrupção para uma de formas mais sistemáticas de se apoiar em oficiais responsáveis. O governo abriu uma linha de emergência anticorrupção, no mês passado, para encorajar denúncias. Poucas localidades exigem que oficiais revelem as posses de sua família ao partido.

Mas em Wubu, uma cidade esforçada de 80 mil empilhados em colinas escarpadas e minas de carvão, os moradores dizem que oficiais locais não respondem a ninguém, e que qualquer um que tente desafiá-los é punido.

“Quando o governo central fala sobre economia e desenvolvimento, parece ótimo”, disse Wang, operário de construção. “Mas no nível em que estamos os oficiais corruptos ganham dinheiro em cima dos habitantes locais”.

Os registros dos estudantes são uma prova da forma corrupta de lucrar dos funcionários públicos. Há quatro anos, professores da província de Jilin foram pegos vendendo os documentos de dois estudantes por US$ 2.500 e US$ 3.600. A polícia suspeitou que eles planejassem vender mais doze envelopes. Em maio, o ex-chefe do governo da cidade, na província de Hunan, admitiu que havia pago mais de US$ 7 mil para roubar a identidade de um colega de sala de sua filha, para que ela pudesse cursar o ensino superior usando os registros do colega.

Quando não eram tão importantes como é na China comunista atual e eram apenas ferramentas poderosas de controle social, o arquivo, chamado dangan, é uma exigência absoluta para trabalhar para o Estado e é um suporte das oportunidades do candidato em alguns empregos do setor privado, dizem especialistas trabalhistas. Porque os documentos são coletados por vários anos e assinados por muitas pessoas, eles são virtualmente impossíveis de serem reproduzidos.

Então, em setembro de 2007, quando um graduado de Wubu procurou trabalho em um banco local e descobriu que seu arquivo havia sumido, o assunto correu rápido. Nos próximos dois anos, seus pais e grupos de parentes em apuros do mesmo tipo disseram ter procurado ajuda em vários níveis da burocracia.

De acordo com eles, a resposta do governo foi rejeitar qualquer investigação, colocar os pais do graduado sob vigilância policial e detê-los inúmeras vezes. Em fevereiro, eles disseram que cinco pais que tentavam conseguir uma petição do governo nacional foram presos em uma prisão não oficial em Pequim por nove dias.

“Estamos tão exaustos”, disse uma mãe chorosa, Song Heping. “Nossos nervos estão quase explodindo com essa tortura. Os oficiais responsáveis não apenas ficaram impunes, como também foram promovidos”.

Funcionários de Wubu não responderam a investigações repetidas. Um jornalista de uma televisão chinesa disse ter dito a eles que poderiam ter resolvido o problema simplesmente criando novos registros. Mas as famílias dizem que os envelopes não continham nada além de documentos breves, resumos errados e mal feitos, que os empregadores rejeitavam dizendo ser falsos.
 
 
Por SHARON LaFRANIERE


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27/07/2009 04:39 PM

Obama descobre armadilhas em falar o que pensa

WASHINGTON - Não há uma manual para o Salão Oval, nenhuma escola onde aprender a ser presidente. Talvez ainda mais desafiador para qualquer novo presidente seja aprender sobre o real poder de seu megafone. Toda palavra improvisada, toda declaração espontânea, todo comentário com base na emoção e não na razão se arrisca a ter sérias consequências.

O presidente Barack Obama foi lembrado de tudo isso na semana passada, quando declarou que a polícia de Cambridge, Massachussets, tinha "agido estupidamente" prendendo um proeminente estudante negro em sua própria casa. Ele não  antecipou como essas palavras inflamariam um já difícil debate nacional sobre a raça. Mas ele logo concluiu que, como seus ajudantes citaram, "foi estúpido usar a palavra estupidamente".

Muitos analistas políticos ficaram surpresos porque Obama parece muito disciplinado. Quando ele fala de improviso, geralmente faz inúmeras pausas e parece estar refletindo sobre as respostas mesmo ao proclamá-las.

Mas seus comentários na semana passada sobre o caso do professor de Harvard Henry Louis Gates Jr. não foram um deslize da língua, segundo seus conselheiros. Obama disse o que quis dizer. A questão é: será que presidentes realmente podem fazer isso?

"Eles querem ser genuínos, eles querem falar o que pensam", disse Ari Fleischer, que foi secretário de imprensa do presidente George W. o Bush. "Mas sabem que não podem falar como antes. Se forem sinceros demais, isso pode realmente voltar para assombrá-los."

Obama aprendeu em várias ocasiões que declarações espontâneas podem se voltar contra ele. Uma piada sobre Nancy Reagan atrasar sessões exigiu que ele se desculpasse. (Ela disse à revista Vanity Fair que ele lhe confessou estar pensando em Hillary Rodham Clinton quando disse aquilo.) Ele teve ainda que pedir desculpas depois de brincar que suas habilidades no boliche são tão ruins que o qualificariam para os Jogos Paraolímpicos.

John D. Podesta, que foi o chefe de gabinete do presidente Bill Clinton e aconselhou Obama, disse que o novo  presidente irá aprender. "O mais notável a respeito do presidente Obama é sua disciplina (sempre empresarial, nunca pessoal)", disse Podesta. "Este foi um pouco pessoal demais, mas suspeito que não veremos isso acontecer novamente, pelo menos não no futuro próximo."

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27/07/2009 10:24 AM

Cientistas temem que inteligência artificial se torne maior que inteligência humana

Um robô que consegue abrir portas e encontrar uma tomada elétricas para se recarregar. Vírus de computador que ninguém consegue parar. Aeronaves que, ainda que controladas remotamente por humanos, se aproximam de uma máquina que pode matar autonomamente.

Impressionados e alarmados com os avanços da inteligência artificial, um grupo de cientistas da computação está debatendo se deve haver limites sobre as pesquisa que poderiam conduzir à perda de controle humano sobre sistemas baseados em computadores que realizam uma parte crescente da carga de trabalho da sociedade, dos confrontos da guerra à conversa com clientes ao telefone.


Robôs já são capazes de realizar tarefas corriqueiras / NYT

Sua preocupação é que mais avanços possam criar profundos rompimentos sociais e até mesmo ter conseqüências perigosas.

Como exemplos, os cientistas apontaram várias tecnologias tão diversas quanto sistemas médicos experimentais que interagem com pacientes para simular empatia e vírus de computadores que desafiam exterminação e, pode-se dizer, atingiram o status de "baratas" da inteligência artificial.

Ainda que os cientistas da computação concordem que estamos longe de HAL, o computador que assumiu a astronave em "2001: Uma Odisséia no Espaço", eles afirmam que existe uma preocupação legítima de que o progresso tecnológico transformaria a mão-de-obra ao destruir uma ampla camada de empregos, bem como forçar os humanos a que aprendam a viver com máquinas que, cada vez mais, copiam seu comportamento.

Os pesquisadores (grandes cientistas da computação, de inteligência artificial e roboticistas que se encontraram no Espaço de Conferência Asilomar na Baía de Monterey, Califórnia), descartaram a possibilidade de super-inteligências  altamente centralizadas e a idéia de que inteligência possa surgir espontaneamente da Internet. Mas eles concordaram que robôs que podem matar autonomamente já existem ou existirão em breve.


Avião militar não-tripulado obedece a sistema eletrônico / NYT

Eles concentram particular atenção no espectro de que criminosos possam explorar sistemas de inteligência artificial assim que eles forem desenvolvidos. O que um criminoso poderia fazer com um sistema de síntese de fala que pode se passar por um ser humano? O que aconteceria se tecnologia de inteligência artificial fosse usada para extrair informações pessoais de smartphones?

Os pesquisadores também discutiram possíveis ameaças aos empregos humanos, como carros que dirigem sozinhos, softwares que servem como assistentes pessoais e robôs que limpam casas. No mês passado, um robô de serviço desenvolvido por Willow Garade no Vale do Silício provou que poderia operar no mundo real.

Um relatório da conferência que aconteceu no dia 25 de fevereiro será emitido ainda este ano. Alguns participantes falaram sobre o encontro pela primeira vez com outros cientistas este mês e em entrevistas.

A conferência foi organizada pela Associação para o Avanço de Inteligência Artificial e, ao escolher Asilomar para o encontro, o grupo evocou propositalmente um evento marcante na história da ciência. Em 1975, os principais biólogos do mundo também se encontraram em Asilomar para discutir a nova habilidade para reformar a vida trocando material genético entre organismos. Preocupados sobre possível riscos biológicos e questões éticas, os cientistas haviam parado certos experimentos. A conferência conduziu a diretrizes para a pesquisa com DNA, permitindo a continuação das pesquisas.

A reunião sobre o futuro de inteligência artificial foi organizada por Eric Horvitz, pesquisador da Microsoft que agora é presidente da associação.

Horvitz disse acreditar que os cientistas da computação devem responder à ideia de que máquinas super-inteligentes e sistemas de inteligência artificial podem enlouquecer.

A idéia de uma "explosão de inteligência" na qual máquinas inteligentes projetariam máquinas ainda mais inteligentes foi proposta pelo matemático I.J. Good em 1965. Depois, em conferências e romances de ficção científica, o cientista da computação Vernor Vinge popularizou a noção de um momento no qual os humanos criarão máquinas mais inteligentes do que eles mesmos, causando uma mudança tão rápida que "acabará com a era humana". Ele chamava esta mudança de Singularidade.

Esta visão, abraçada em filmes e livros, é vista como plausível e perigosa por alguns cientistas como William Joy, co-fundador da Sun Mycrosystems. Outros tecnólogos, notavelmente Raymond Kurzweil, exaltaram a vinda de máquinas ultra-inteligentes, dizendo que ela oferecem enormes vantagens à extensão da vida e riqueza da criação.

"Algo novo aconteceu nos últimos cinco a oito anos", disse Horvitz. "Os tecnólogos estão substituindo a religião e suas idéias estão ressonando de alguma forma com a mesma idéia do Apocalipse".

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27/07/2009 09:14 AM

Recessão prejudica aposta de Chicago por Olimpíada de 2016

CHICAGO - Em uma tarde recente, o prefeito de Chicago, Richard M. Daley, fez seu discurso anual sobre a situação da cidade que ele comanda a mais de 20 anos. A renda pode ser de US$ 250 milhões a menos. Alguns trabalhadores públicos terão que tirar 15 dias de férias não pagas este ano, inclusive Daley. Mais de 400 trabalhadores foram demitidos naquela mesma tarde, depois que as negociações com dois sindicatos não deram em nada.

No mesmo endereço, Daley pressionou pelos esforços da cidade em sediar os Jogos Olímpicos de 2016 que devem custar cerca de US$ 3,3 bilhões. A decisão do Comitê Olímpico Internacional deve ser anunciada em outubro e Chicago é considerada a favorita das quatro finalistas.

Pesquisas locais sugerem amplo apoio para que os Jogos Olímpicos aconteçam na cidade. Mas cada vez mais, a crise econômica representa um papel central no debate sobre a disputa pela sede, conforme mais moradores passam a temer que os contribuintes de Chicago, que já têm muitas dificuldades, possam ter que pagar a conta apesar das alegações dos organizadores de que nenhum dólar da cidade será necessário.

"Como nós sabemos disso?", o morador Douglas Brown questionou de líderes do Comitê Olímpico da cidade durante um encontro em seu bairro no Lado de Sul.

"Nós não podemos aceitar apenas sua palavra a respeito disso", disse Brown, acrescentando: "Quando receberemos garantias para possamos dormir à noite?"

Questionado sobre as dificuldades de sediar uma Olimpíada durante uma recessão, Lori Healey, presidente do Comitê Chicago 2016, disse: "Eu acho que é fácil. As pessoas têm fome de empregos e oportunidades."

Se o Comitê Olímpico Internacional escolher Chicago e não Madrid, Rio de Janeiro ou Tóquio no dia 2 de outubro, os defensores acreditam que os jogos não só empatariam mas gerariam lucros, mais que US$ 22 bilhões em impacto econômico indireto para a cidade e criariam US$ 1 bilhão em novos impostos. Os organizadores dizem que o apoio financeiro privado se acumula, com US$ 60 milhões arrecadados até então para a campanha e nenhum dólar municipal envolvido.

Disso, no entanto, os moradores de Chicago parecem desconfiados. "Todos projetam que vamos ganhar muito dinheiro", afirmou o morador da cidade Robin Kaufman a planejadores dos Jogos Olímpicos presentes em uma reunião de bairro. "Mas os banqueiros também projetavam ganhar muito dinheiro. Bernie Madoff previa ganhar muito dinheiro."

Kaufman segurava um cartaz que dizia: "Nenhum cheque em branco".

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27/07/2009 08:33 AM

Editorial: Departamento de Segurança Nacional deve avaliar excessos herdados da era Bush

Equipes federais de combate à imigração ilegal com metralhadoras e armas automáticas forçando sua entrada nas casas de cidadãos sem mandato ou consentimento legal, derrubando portas e entrando por janelas na escuridão do amanhecer, tirando pessoas inocentes de suas camas, segurando sonolentos ocupantes sob a mira de uma arma, levando embora as pessoas sem explicação - depois de invadir a casa errada.

Este é um relato verdadeiro sobre as profundezas às quais a gestão Bush despencou, quando a execução das leis imigratórias se tornou febrilmente extrema.

Os detalhes estão em um relatório divulgado na quarta-feira pela Clínica de Justiça Imigratória da Escola de Direito Benjamim N. Cardozo. Ela descreve uma campanha de invasões de casa ilegais realizadas por agentes de Execução da Imigração e Alfândegas entre 2006 e 2008 em Long Island, Nova Jersey. O relatório, escrito por um painel conduzido por Lawrence Mulvey, comissário de polícia do condado de Nassau em Long Island, examinou 700 boletins de prisão obtidos através de ações pela Liberdade de Informação e achou um padrão vergonhoso de abusos.

As patrulhas deveriam caçar membros de gangues e outros fugitivos e criminosos perigosos, mas dois terços dos presos eram casualidades (latinos com violações civis da imigração). Ainda que os agentes não tivessem autorização judicial e, portanto, não pudessem entrar em casas particulares legalmente sem o consentimento de um morador, eles fizeram isso com frequência (em 86% dos casos de Long Island estudados e 24% dos casos de Nova Jersey). E ainda que a agência fosse legalmente obrigada a ter suspeitas concretas antes de deter e questionar qualquer pessoa, em dois terços dos casos de apreensão relatados, nenhuma explicação pela prisão é inicialmente fornecida.

Não é necessário dizer que as invasões foram não apenas fracassos táticos mas também afrontas morais. Três dias de invasões no condado de Nassau, por exemplo, conseguiram deter apenas seis de 96 alvos. Mulvey e o executivo do condado de Nassau, Tom Suozzi, denunciaram ferozmente as invasões na ocasião como despreocupadas, ilegais e perigosas (os agentes, segundo eles, eram notoriamente indisciplinados, a o ponto de apontarem armas contra policiais do município por engano). O relatório Cardozo confirma seu julgamento.

O Departamento de Segurança Nacional, sob o comando da secretária Janet Napolitano, afirma que tem tentado desfazer os piores excessos cometidos durante a era Bush em relação à execução de leis imigratórias. Eles devem adotar as recomendações de Cardozo, inclusive para que não seja autorizada nenhuma invasão domiciliar a não ser para prender fugitivos perigosos e como último recurso; nenhuma invasão sem autorização judicial; a gravação dos agentes em ação e o treinamento de procedimentos, começando com uma investigação do inspetor geral sobre até onde foram os abusos.

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27/07/2009 08:24 AM

Acordo energético com Brasil impulsiona Paraguai

ASSUNÇÃO, Paraguai - Durante décadas os paraguaios protestaram a respeito de sua parte do acordo advindo da construção de uma das maiores hidrelétricas do mundo ao longo da fronteira que compartilham com o Brasil, feito por seu governo de ditadura.

 

Enquanto o Brasil utilizou a usina de Itaipu para ajudar a desenvolver suas cidades e indústrias, o Paraguai foi forçado a vender o  excesso de sua capacidade para o país vizinho a preços preferenciais.

Fernando Lugo, ex-bispo católico romano que foi eleito presidente do Paraguai no ano passado, prometeu mudar isso, fazendo da renegociação de Itaipu uma de suas plataformas de campanha.

No sábado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, concordou em triplicar a renda do Paraguai de Itaipu ao permitir que o país venda sua energia ao Brasil a preço de mercado.

O acordo é uma transação enorme para o Paraguai, um dos países mais pobres da América do Sul. Além disso, é um impulso necessário para Lugo, que tem lutado contra a queda no apoio do Congresso e acusações de que gerou várias crianças quando era padre.

Para o Brasil, os cerca de US$ 240 milhões ao ano que concordou em pagar é um preço pequeno diante dos objetivos mais amplos de Lula em acalmar as tensões com seus vizinhos, enquanto reafirma a liderança do país na região e promove a integração regional.

"O Brasil não está interessado em crescer e se desenvolver se seus parceiros não crescerem e se desenvolverem", disse Lula.

O Brasil há muito rejeitava a possibilidade de renegociação do acordo original da venda de eletricidade de Itaipu. Mas com Honduras em caos e o presidente Hugo Chávez da Venezuela continuando a espalhar sua influência política, Lula tentou administrar o desejo do Brasil de ampliar sua economia enquanto coordena as exigências nacionalistas de seus vizinhos, afirmaram políticos e analistas de risco.

"Todo o hemisfério está em jogo", disse Riordan Roett, presidente do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade Hopkins. "Os brasileiros vão fazer de tudo para garantir os moderados e a esquerda democrática na América Latina. Eles claramente esperam que Lugo permaneça do lado brasileiro".

O novo acordo também pede a construção de uma linha de eletricidade de alta capacidade à Assunção. A linha seria completada até 2012.

Lugo disse que a renda adicional financiará programas sociais, incluindo alívio de pobreza, cuidados médicos e nutrição para crianças em idade escolar. Ele espera que a aprimoração da infraestrutura criará empregos e atrairá investimento estrangeiro.

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27/07/2009 07:45 AM

Coletânea de cartas revela intimidade e personalidade do poeta beat Allen Ginsberg

Em junho de 1958, Allen Ginsberg escreveu a Jack Kerouac sobre uma série de catástrofes que haviam atingido membros de seu círculo em West Coast. Neal Cassady estava na prisão do condado de San Bruno, aguardando julgamento por ter oferecido maconha a uma dupla de policiais à paisana. Uma amiga – "Connie, a pequena amaldicioada” – havia caído nas mãos de algum maluco que tentou estrangulá-la na terça-feira. Segundo uma fonte externa, um “homem do mar confessou o ocorrido na tarde do mesmo dia”. Al Sublette, que aparece no romance de Kerouac “Big Sur” com o nome de Mal Damlette, também estava detido – “ouvi dizer que foi por assaltar uma casa”.

Todas as novidades da Costa Oeste, grande parte trazida por Carolyn – a esposa intratável de Cassady, com quem Ginsberg havia rompido a amizade desde que ela o encontrou na cama com Neal – “parecem  maldades… exceto as cartas de Gary”. Em um bilhete que escreveu para o próprio Cassidy duas semanas mais tarde, Ginsberg admitiu estar perdido demais para oferecer ajuda prática. “Escrevi para Gary Snyder, ele é o único que tem um senso forte para… encontrar o que precisa ser feito.”

Reprodução

Allen Ginsberg observa exposição de fotos suas em uma universidade norte-americana

O gráfico da vida emocional de Ginsberg subiu e caiu de maneira alarmante através dos anos (ele morreu em 1997 aos 70 anos). As cartas publicadas no início do livro “The Letters of Allen Ginsberg” (ainda sem edição no Brasil) refletem uma aflição multifacetada: as “severas crises nervosas” de sua mãe, os temores relacionados à sua própria saúde mental e uma ansiedade sexual generalizada. Em 1949, depois de ter caído nas mãos de pequenos criminosos, ele foi preso por abrigar mercadoria roubada, sendo em seguida transferido para o Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova Iorque. Ali ele conheceu Carl Solomon, para quem mais tarde dedicou o poema “Uivo”.

Todavia, ao longo de um quarto de século, Ginsberg havia se tornado o poeta vivo mais famoso da América, atraindo uma congregação na qual leitores comuns se misturavam a ativistas politicos, estudantes de filosofia oriental e uma variedade de infortúnios sociais. A famosa declaração de Wordsworth – “Nós poetas começamos em nossa juventude com contentamento / Mas daí chegamos ao fim em desalento e loucura” – parece ter sido invertida por Ginsberg. O visionário inspirado por Blake e homossexual assumido aproveitou todas as oportunidades para demonstrar que a franqueza triunfava sobre a vergonha – ao tirar suas roupas durante um sarau, por exemplo. Da loucura ao contentamento parecia ser sua maldição determinada. Se o mundo parecia relutante demais para prosseguir, a solução era óbvia: mude o mundo.

Entretanto, cartas escritas no final dos anos 1980 para seu parceiro de longa data, Peter Orlovsky, e para seu amigo também poeta Gregory Corso, sugerem que Ginsberg, um homem de grande genialidade e generosidade nata, abriu trilhas para velhos dissabores atrás dele. Eles surgiram na forma da dependência ao álcool e às drogas de outras pessoas, auto-centrismo patológico e violência ocasional. Em junho de 1987, ele lançou um ultimato a Orlovsky, que havia dado um soco na boca do psiquiatra R.D. Laing durante um encontro no Colorado, deixando Laing com um “lábio inchado e com hematomas”.

A lembrança de Orlovsky sobre o evento era obscura, por isso Ginsberg se sentiu obrigado a relembrá-lo: “Você derramou leite e suco de maçã sobre o harmonium e fez o mesmo com o Dr. Laing… A tampa de um bule de chá foi quebrada, deixando pequenos fragmentos. Ainda não tinha passado o aspirador e eu estava machucado demais para colocar as coisas em ordem. Tem um queimado de cigarro no tapete e outro no piso do corredor. Meu queixo foi atingido quando você virou a mesa de centro enquanto eu estava sentado no sofá, assistindo você e o Dr. Laing se atacando. A violência tinha atingido níveis tão altos depois que você mordeu o Dr. Laing na boca que, depois que te derrubei no chão em fúria, e você jogou uma cadeira em mim… finalmente chamei a polícia”.

Em uma carta que escreveu para Corso no ano seguinte, Ginsberg reclamou que era impossível conduzir uma conversa com outras pessoas em seu próprio apartamento, enquando Corso exigia “atenção separada completa, como uma criança descontente que faz birra… acho que você está tentando me causar problemas. Finalmente decidi não aceitar isso, ‘Gregory, só vou te ver quando você estiver sóbrio’”. Detido por uma noite, Orlovsky foi solto na manhã seguinte. “Deus sabe onde isso vai parar.” Outro poeta e amigo, Anna Waldman, culpou Ginsberg por “dar permissão” a Orlovsky, reativando continuamente uma dependência mútua.

Através da história revelada por Bill Morgan – biógrafo e arquivista de Ginsberg, que escolheu 165 cartas dentre mais de 3.700 cuja existência se sabe – Ginsberg treina seu olhar sobre o equilíbrio ardiloso. Em 1968, ele adquiriu uma fazenda em Cherry Valley, estado de Nova York, que guardava a promessa de tranquilidade rural. Em uma carta para Snyder, ele descreveu o ambiente: “temos três cabras (agora eu ordenho cabras), uma vaca, um cavalo (uma égua castanha), 15 galinhas, 3 patos, 2 gansos… Mais parece um kibbutz que uma comunidade”. Entretanto, Corso e Orlovsky também estavam presentes, assim como Julius, o irmão difícil de Orlovsky. Ao se despedir no final da carta, Ginsberg disse a Snyder: “Continuo me perdendo em caminhos de fúria mental, depois volto a ordenhar as cabras”.

O livro “The Selected Letters of Allen Ginsberg and Gary Snyder”, também editado por Morgan, é repleto de discussões sobre meditação e estudos orientais, nas quais Snyder aparece como mestre e Ginsberg como o ávido discípulo. Os dois se conheceram em Berkeley em 1955 e participaram do famoso sarau Six Gallery, no qual Ginsberg vez a primeira notável leitura do poema “Uivo”. Após o evento, que serviu como uma recepção informal para a Geração Beat em San Francisco, ele publicou “Uivo e outros poemas”, que se tornou o sujeito de um obsceno processo judicial. Depois disso ele se mudou para a Europa para juntar forças com William Burroughs. Naquele período, Snyder entrou para um mosteiro zen budista, embarcando em uma temporada de estudos que duraria até seu retorno permanente aos Estados Unidos, em 1969.

Os caminhos separados dos dois estão marcados através de toda a correspondência. Em julho de 1967, Ginsberg escreveu: “Estive em Londres – preso ler ‘Who Be Kind’ To no festival de Spoleto… Noite com Paul McCartney”. No início do ano seguinte, de volta aos Estados Unidos, ele contou que havia sido julgado por participar de uma palestra e experimentar “o sentido da verdadeira ameaça autoritária do governo estabelecido, e a falta de quaisquer alternativas além da violência urbana black power ou o afastamento para países Neolíticos”. Snyder, escrevendo do Japão, recomendava um jornal que continha “meu breve testemunho do Banyam Ashram no ultimo verão. Ainda acho que seria algo tranquilo e criativo para você fazer este ano – venha para cá e junte-se a nós nas atividades rurais e na pesca – nada de jornalistas, nada de literatura”.

À medida que a experiência do Cherry Valley foi se afundando devido ao peso da indisciplina – “A fazenda nunca se tornou a fuga dos vícios como Ginsberg tinha esperado”, Morgan escreveu em um de suas anotações de grande valia, que aparecem ao longo de “Letters of Allen Ginsberg”, mas estão ausentes da edição de bolso – Ginsberg se apegou a Snyder no sentido material, ao construir uma pequena casa na propriedade de 100 acres que Snyder havia adquirido, juntamente com outros colonizadores que pensavam como ele, nos pés da Sierra Nevada, onde vive até hoje. Os planos de erguer a choupana, o ofício qualificado para sua construção – “Caro Gary: cabana de 10’ x 11’ finamente construída, parece ideal” – e os preparativos subsequentes para o uso quando Ginsberg estivesse ausente (grande parte do tempo) formam a base de “Selected Letters”. Snyder é revelado como um homem de sabedoria tanto prática quanto mística, com uma facilidade para contabilidade. O respeito mútuo é a nota dominante.

Leitores que esperam encontrar trocas de crítica literária construtiva provavelmente ficarão decepcionados, o que é uma pena pois, quando elas chegam a ocorrer, são bastante pontuais. Ao fazer uma seleção da poesia de Snyder para um curso de professores em 1967, Ginsberg escreveu: “Folheei o ultimo livro – “Turtle Island” – em busca de exemplos de solidez de escrita e percebi que você estava ficando tão ruim quanto eu em generalizações psicopolíticas que violam regras, não em idéias, mas em coisas”. Alguns anos mais tarde, tendo lido a coletânea de Snyder intitulada “Axe Handles”, Ginsberg chama atenção para uma força que seu amigo estava apto a neglicenciar: “Gosto mais dos poemas nos quais você tem uma estrutura narrativa definida”.

Os artistas mais consultados por Ginsberg, baseando-se nesta evidência, não são poetas, mas cantores. Ao visitar Pound em 1967, ele levou discos de “Beatles, Dylan e Donovan” como presentes. Pound “se sentou feliz por uma hora de rock barulhento”, mas permaneceu em silêncio no restante do tempo. Quando ele visitou Lennon em 1967, o Beatle admitiu ter dificuldades com palavras escritas, mas contou a Ginsberg que certa noite tinha ouvido “Uivo” no radio e “de repente percebeu o que eu estava fazendo e consegui absorver”. Para seu futuro biógrafo Barry Miles, Ginsberg escreveu: “Certamente foi bom ouvir Lennon fechar aquela lacuna, completar o círculo e me tratar como um artista companheiro ao me acompanhar até a porta ao nos despedir-mos”.

Há uma vasta quantidade de material documental sobre Ginsberg disponível: diários, entrevistas, biografias, uma edição comentada de “Uivo” editada por Miles (talvez o melhor livro sobre a poesia de Ginsberg), e agora estes volumes de cartas editadas com devoção por Bill Morgan. Mesmo que o leitor capte o sentido que, por todas as suas explorações de possibilidades sexuais, espaço interno, pensamento zen e os continentes do mundo, Ginsberg, que repetidamente (e aparentemente com seriedade) classificou Corso com Keats, tinha o desejo de cobrir apenas um pequeno trecho da geografia literária contemporânea. Uma carta para Thom Gunn, autor de um ensaio esclarecedor sobre a poesia de Ginsberg, mostra seu apreço à crítica, que ia além da costumeira adoração cult: “Fiquei tocado – quase verti lágrimas – por suas percepções solidárias”. Gunn sentia um prazer especial pela poesia do século 16, mas sabia como ler Ginsberg com prazer: se algum dia Ginsberg chegaria a retribuir o elogio, a Gunn ou a outros escritores fora dos círculos Beat e Black Mountain, não há nenhum sinal disso aqui.

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26/07/2009 10:31 AM

A crença deles é no poder da persuasão

NOVA YORK – Para os ateístas organizados da cidade – espero que isso não pareça muito idiota – a crise econômica parecia, com todo o respeito, ser um presente dos Céus.

“Você conseguiu”, disse Kenneth Bronstein. Ele é o presidente dos Ateístas da Cidade de Nova York, cujo nome deveria ser auto-explicativo.

No último mês, seu grupo divulgou cartazes de cerca de 3,5 metros nas laterais de ônibus, em Manhattan. Você pode tê-los visto, ou talvez não. O Trânsito de Nova York tem 981 ônibus distribuídos em Manhattan, e os ateístas só podiam bancar duas dúzias de propagandas.

A mensagem, em letras brancas em um fundo de azul cor de céu, não se confronta com o design. Ela não ataca a religião ou diz que não há Deus. Ela simplesmente diz: “Você não tem que acreditar em Deus para ser uma pessoa moral ou ética”. Não dá para negar esse pensamento. A maioria de nós que não acreditamos é o pilar da integridade. Nós também já vimos muitos tipos religiosos que são tão honestos quanto um dia do inverno siberiano é longo.

Bronstein disse que a campanha publicitária, marcada para terminar neste fim de semana, foi um sucesso ressoante que alavancou doações e pedidos para se unir a sua organização. “Nós não anunciamos nossos números”, disse ele, “mas dizemos que temos centenas de integrantes pagantes”.

As pessoas religiosas o contatam para dizer que concordam com a mensagem, disse ele. Ainda mais significativo para ele são as ligações de colegas ateus. “Muitos, muitos ateístas eram tão orgulhosos que nós finalmente os recrutamos”, disse. “Anunciamos para o mundo que estamos por aí. Estamos aqui.”

Em certos pontos, a estratégia imita as usadas pelo movimento dos direitos homossexuais, ao persuadir uma pessoa mais fechada a se revelar. As pesquisas mostram que os números dos ateístas estão crescendo pelo país. “Eu recebo ligações de gente que diz ‘eu fui ateu por toda minha vida e eu tinha medo de contar a alguém’”, disse Bronstein. Por causa dos anúncios, de acordo com ele, as pessoas agora sentem, “Ei, há outros de nós por aí e eu tenho orgulho de ser ateu”.

Para voltar ao ponto falado anteriormente, a crise econômica tem sido algo como uma benção para os descrentes. “Nós provavelmente não poderíamos fazer esse programa de anúncios em Nova York se o ‘Financial Times’ estivesse indo bem”, disse Bronstein, que tem 70 anos e se aposentou pela IBM. “Mas as pessoas estão procurando negócios”.

A empresa que vende os anúncios nos ônibus de Nova York chama Titan Worldwide. As conversas de Bronstein com um representante da Titan o levou a acreditar que em tempos normais ele devia se considerar um peixe muito pequeno. Você deve ter percebido que esses não são tempos normais.

“Eu não tinha dinheiro para fazer um programa de US$ 50 mil a 100 mil”, disse. “Eu tinha cerca de US$ 10 mil para fazer isso. Eu acho que o que aconteceu foi que eles precisavam de negócios. Se você olhar os trens do metrô, há muito espaço vazio para anúncios. O ponto principal é que eles aceitaram um programa de US$ 10 mil”.

Foi quase igual com a empresa que desenhou os anúncios, por cerca de US$ 1 mil. “Eu nunca tive uma resposta assim”, disse. “Eles ficaram me ligando de volta: ‘Posso ajudar com isso? Posso ajudar com aquilo?’, por um pedido de US$ 1 mil eles gastaram muito tempo tentando conseguir fazer negócios comigo.”

Funcionários da Titan e da Autoridade de Transporte Metropolitano disseram que não receberam nenhuma reclamação dos anúncios ateístas. Bronstein disse o mesmo. “O único comentário potencialmente negativo que recebi foi de alguns ateístas que desejavam que a mensagem fosse mais forte: ‘acabar com a religião porque eles acabam com a gente o tempo todo’. Eu disse, ‘Não, não vou fazer isso’”.

Um de seus objetivos agora é arrecadar dinheiro suficiente para expandir a campanha para ônibus além de Manhattan.

Mas vamos encarar o fato: seu grupo não terá sucesso em Nova York até que a cidade suspenda alguma regra para um de seus feriados. A maioria dos 30 ou mais feriados são religiosos por natureza. Essa é uma cidade onde a limpeza não tem necessariamente a ver com deus. O problema em ser ateu é que você não tem feriado. “Isso é o que Henny Youngman disse”, disse Bronstein.

Feriados possíveis foram propostos. Um é o aniversário do Charles Darwin, em 12 de fevereiro. Embora essa data seja junto com a de Abraham Lincoln. Além disso, Bronstein não pensa muito nisso. “Darwin é muito controverso”, disse. Atpe o solstício seria melhor, disse. Ou talvez os dois.

Não que isso realmente funcione. “Eles vão me negar não importa o que eu fizer”, disse.


Por CLYDE HABERMAN

24/07/2009 09:03 PM

Suprimentos de substância radioativa usada em testes médicos estão em falta

WASHINGTON – Está começando a faltar, no mundo todo, uma substância radioativa essencial para testes de doenças cardíacas, câncer e o funcionamento dos rins em crianças. A carência se deve ao fechamento de dois reatores nucleares, que fornecem a maior parte do suprimento do mundo, para reparos.

NYT

Braços robóticos são manipulados por técnicos no Laboratório Nacional Oak Ridge

O reator construído há 51 anos, que fica em Ontário, no Canadá, e produz a maior parte da droga, um isótopo radioativo, está fechado desde 14 de maio devido a problemas de segurança. O equipamento continuará fechado até pelo menos o fim deste ano. Alguns especialistas temem que ele nunca seja reaberto. O isótopo, chamado tecnécio-99m, é usado em mais de 40 mil procedimentos médicos por dia nos EUA.

A perda do reator de Ontário criou uma falta de suprimento nas últimas semanas. Mas, no sábado passado, um reator da Holanda, que é o maior fornecedor, também fechou por um mês. O resto do material produzido está agora a caminho dos hospitais e consultórios médicos. O reator holandês, em Petten, foi construído há 47 anos, e mesmo que seja reaberto na data prevista, o equipamento terá de ser fechado por vários meses para reparos, em 2010, de acordo com operadores.

“Esse é um grande baque”, disse Dr. Michael M. Graham, presidente da Society of Nuclear Medicine (Sociedade de Medicina Nuclear, em tradução livre) e professor de radiologia na Universidade de Iowa.

Há técnicas substitutivas e materiais para alguns procedimentos que necessitam do isótopo, de acordo com Graham e outras pessoas. No entanto, esses materiais geralmente são menos eficientes, mais perigosos ou caros. Com a perda da capacidade de diagnóstico, “algumas pessoas serão operadas sem precisar e vice e versa”, disse.

Dr. Andrew J. Einstein, professor assistente de medicina clínica na Universidade de Columbia na Faculdade de Físicos e Cirurgiões, disse que o isótopo é usado para determinar se o paciente tem uma obstrução na coronária, que necessite de uma angioplastia ou um stent (tubo usado para aliviar o fluxo sanguíneo diminuído devido à obstrução. Sem o exame, Einstein disse esses procedimentos invasivos serão feitos em pessoas que não precisam deles. Seu hospital já está usando doses da substância radioativa menores do que o especificado, disse.

Em pacientes com câncer, a droga localiza tumores adicionais nos ossos. No local do tumor, um novo osso se desenvolverá e seu crescimento absorverá o material radioativo.

Na cirurgia de câncer de mama, o isótopo radioativo é injetado para localizar o nódulo linfático mais próximo do tumor, para que se possa fazer uma biópsia em busca de sintomas de câncer e determinar se uma cirurgia mais abrangente é necessária. A alternativa é injetar um corante que às vezes não permite ao cirurgião achar o nódulo.

Sem a ferramenta, disse Graham, a qualidade do sistema de saúde “retorna ao que era nos anos 1960”.

Nesta terça-feira, o deputado Edward J. Markey, democrata de Massachusetts, que é um dos críticos mais duros da indústria nuclear na Câmara, declarou que os EUA estão enfrentando “uma crise na medicina nuclear”.

Markey, presidente do subcomitê da Câmara de Energia e Comércio de energia, exigiu a construção de uma nova produção de instrumentos nos EUA. Ele se juntou à posição do republicano no subcomitê, deputado Fred Upton de Michigan, para introduzir um plano que autorize US$ 163 milhões nos últimos cinco anos, para garantir uma nova produção.

NYT

Piscina do reator de Alto Fluxo no Laboratório de Oak Ridge

A Casa Branca está coordenando os esforços da inter-agência para encontrar novas fontes de suprimento, envolvendo a Comissão Nuclear Regulatória, a Foods and Drugs Administration (órgão que regula a segurança dos alimentos e drogas medicinais), o Departamento de Energia e outras agências. No entanto, oficiais dizem que o processo pode levar meses.

Os reatores são tipicamente pequenos – às vezes, não é maior do que um balde de lixo – mas uma estrutura completa custa dezenas de milhões de dólares.

O tecnécio emite um raio gama que torna sua presença óbvia. Ele tem uma meia-vida de seis horas, o que significa que perde metade de sua força nesse tempo. Por isso, o material faz o serviço rapidamente, sem uma demora que necessitaria uma dose maior ao paciente. Mas isso também quer dizer que o isótopo deve ser produzido e usado mais rápido que outras substâncias.

O material é o produto de outro isótopo, o molibdênio-99, que também tem uma meia-vida curta de 66 horas. Por isso, uma semana após ser feito, resta menos de um quarto do material. Estocar a matéria-prima não é prático.

“Você perde cerca de 1% por hora”, disse outro especialista, Kevin D. Crowley, diretor do Quadro de Estudos de Radiação e Nuclear no Conselho de Pesquisa Nacional. “Então o tempo é importante”.

O molibdênio-99 é feito quando o urânio-235 se divide, mas apenas cerca de 6% dos fragmentos da cisão é molibdênio. A purificação tem de ser feita em um “prédio de contenção” bem protegido.

O método comum é colocar um urânio como alvo em meio a nêutrons produzidos no reator quando o urânio se divide. Mas o material preferido é o urânio -235 de alta pureza, que também serve como bomba de abastecimento.

Markey e outros cientistas estão tentando fazer a indústria mudar para o urânio de baixo enriquecimento – que não serve para armamento.

Crowley disse que isso poderia ser feito, embora a indústria esteja resistindo. A péssima condição dos reatores é óbvia há algum tempo. Em 2007, reguladores de segurança canadenses disseram que o reator de Ontário não deve ser reativado, mas o Parlamento do Canadá anulou essa exigência.

 

Por MATTHEW L. WALD

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24/07/2009 06:58 PM

Biografia de espião britânico guardada há 25 anos é revelada

CAMBRIDGE – Após serem guardadas em um contêiner de aço por 25 anos, a Biblioteca Britânica tornou público, nesta quinta-feira, as memórias de 30 mil palavras de Anthony Blunt, um dos britânicos conhecedores de história da arte mais renomados do século 20. Nelas, ele descreve a espionagem feita para a União Soviética, começando no meio da década de 1930, como o “maior erro da minha vida”.

AP
Imagem das memórias de Anthony Blunt
divulgadas pela Biblioteca Britânica

As memórias oferecem poucas novas visões dos detalhes da espionagem de Blunt, algo sobre o que ele falou pouco publicamente antes de morrer em 1983.

O principal interesse do texto, de acordo com os historiadores, é a descrição de como foi recrutado por outro espião soviético, Guy Burgess, quando ambos estavam na Universidade de Cambridge, nos anos 1930.

Além disso, também mostra seus motivos e sentimentos, incluindo sua desilusão com o marxismo e a União Soviética após a 2ª Guerra Mundial.

A biografia, cuja intenção do autor era ser um testamento para a família e os amigos, foi entregue à biblioteca em 1984, pelo responsável pela concretização das vontades de Blunt, John Golding, na condição de que seria guardado em segredo por 25 anos. Frances Harris, chefe dos manuscritos de história moderna, disse à BBC, nesta quinta-feira, que sua existência era guardada com tanto cuidado que mesmo ela não a havia lido até recentemente.

O tom de arrependimento do texto pelo preço pago por Blunt por trair seu país e também a ausência de desculpas para aqueles que sofreram com suas ações - agentes secretos a serviço da Grã-Bretanha, cujas identidades foram passadas para os soviéticos durante a 2ª Guerra Mundial - contribuiu com as duras críticas do documento, nesta quinta-feira, por historiadores britânicos e comentaristas.

Em entrevistas antes de sua morte aos 75 anos, Blunt rejeitou os conselhos de que deveria se desculpar com aqueles a quem traiu, dizendo, de fato, que seu bom-senso pessoal de moralidade era a lealdade aos seus amigos, incluindo colegas espiões, acima de tudo, e o amor que ele disse posteriormente sentir pela Grã-Bretanha e seu estilo de vida.

Depois que as agências de inteligência britânicas desmascararam Blunt em meados dos anos 1960 como o “quarto homem” de um grupo de espiões soviéticos, que incluía Burgess, Donald Maclean e H.A.R. “Kim” Philby, ele conseguiu imunidade – e, por 15 anos, um acordo de que a traição não seria exposta ao público – em recompensa por cooperar com a inteligência britânica. Ele perdeu sua proteção em 1979, quando foi publicamente revelado como espião pela primeira-ministra Margaret Thatcher.

Ao descrever seu recrutamento na NKVD, predecessor da KGB, quando Blunt era tutor e Burgess um estudante no Trinity College em 1935 e 1936, o autor da biografia disse em seu texto que naquele tempo em Cambridge havia inúmeros simpatizantes do marxismo. “Em face do advento do poder de Hitler e, mais tarde, devido a Guerra Civil Espanhola”, ele disse que percebeu que, “a torre de marfim já não fornecia mais refúgios adequados”.

Ele fala da pressão que Burgess fez sobre ele – descrevendo-o, nas histórias do período, como uma pessoa que bebia muito, era egoísta e sempre queria aparecer, mas na biografia ele o coloca como uma “pessoa extraordinariamente persuasiva” – para que se unisse ao trabalho para a inteligência soviética. “A atmosfera em Cambridge era tão intensa, o entusiasmo por qualquer atividade antifascista era tão grande que eu cometi o maior erro da minha vida”, escreveu ele.

As memórias também revelam que Blunt contemplava o suicídio quando percebeu nos anos 1970 que poderia ser pego. O relato de Thatcher sobre sua espionagem causou sua demissão como Inspetor do Queen’s Pictures – curador da coleção de arte da coroa real – e lhe foi tirado o título de nobreza a ele conferido por seu serviço à monarquia. Ele ficou mais conhecido entre estudiosos da arte como um especialista no pintor clássico francês do século 17 Nicolas Poussin.

Mas mesmo em sua discussão sobre o suicídio, aqueles que leram o texto disseram que Blunt parece ter pensado primeiro em si mesmo, e em seus amigos e família, e não nas pessoas a quem traiu. “Muitas pessoas dirão que isso seria uma “saída ilustre”, escreveu. Mas disse ter decidido que o suicídio era “uma solução covarde”, porque deixar àqueles próximos a ele o fardo da revelação da espionagem e o sentimento de perda por sua morte.

Ele também disse que desejava terminar seu trabalho com certo número de projetos de história da arte.


Por JOHN F. BURNS


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24/07/2009 05:11 PM

James Cameron comanda invasão 3D de Hollywood na Comic-Con

SAN DIEGO – "Quantos de vocês já quiseram ir a outro planeta?", gritou o cineasta James Cameron, falando a uma plateia de 6,5 mil fãs na quinta-feira. Com estas palavras, o futuro chegou à Comic-Con (e ele usava óculos engraçados).

Reuters

James Cameron mostrou prévia de "Avatar", longa que promete ser revolucionário

Pela primeira vez, a enorme convenção anual de fãs de quadrinhos, filmes, super-heróis, ficção científica e videogames que se tornou o maior evento do calendário hollywodiano (agora em seu 40º ano) devotou quase um dia inteiro à apresentação de filmes em 3D, culminando com uma prévia de 25 minutos de "Avatar", o esperado thriller de ficção científica com lançamento previsto para dezembro.

As cenas retratavam as aventuras de um humano experimentando um mundo novo, o planeta Pandora, através do corpo de um alienígena. E foram vistas com uma verossimilhança surpreendente que parecia plantar insetos voadores e samambaias ondulantes nas cabeças das pessoas na fileira da frente (e recebeu a aclamação dos fãs na Comic-Con).

A apresentação de "Avatar" foi um teste crucial para a Fox, que investiu mais que US$200 milhões no filme, o exemplo mais evidente de uma recente onda de caros esforços para a materialização de projetos 3D que serão lançados nos próximos anos.

A devoção de Cameron à próxima geração de métodos 3D gerou enorme expectativa em torno de um filme feito com tecnologia que algumas pessoas predizem poder ter um impacto nas produções comparável à introdução do som ao cinema.

Executivos da Disney lideraram a promoção de filmes 3D na Comic-Con, onde a tecnologia de projeção anteriormente era desigual a tais apresentações.

A distribuição de óculos Dolby 3D não foi fácil, com inúmeros apelos para que eles fossem devolvidos ao final, apesar de muitos serem esquecidos ou quebrados e deixados pelo chão.

Mesmo conforme os primeiros trailers eram exibidos, horas antes da apresentação de Cameron, dúvidas sobre o funcionamento do grande dia 3D pairavam no ambiente.

Mas os fãs faziam "uuuuuu" e "aaaaaaa" diante das exibições de virtuosismo técnico, começando com o filme de Robert Zemeckis é "Os Fantasmas de Scrooge", com participação de Jim Carrey.

A Sony Pictures deu continuidade com seu "Tá Chovendo Hamburger"  e a New Line mostrou sua sequência 3D do filme de terror "Premonição 4".

Leia mais sobre: James Cameron

 

24/07/2009 12:46 PM

Hamas abandona foguetes e parte para guerra cultural

GAZA, Faixa de Gaza - Sete meses depois que Israel realizou uma feroz ofensiva militar durante três semanas nesta região, com o objetivo de interromper o disparo de foguetes de comunidades do sul, o Hamas suspendeu o uso de projéteis e passou a se concentrar em conseguir apoio em casa e no exterior através de iniciativas culturais e relações públicas.

O objetivo é construir o que os líderes chamam de uma "cultura de resistência", tópico de uma recente conferência de dois dias em Gaza. Há pouco tempo, foi organizado um jogo, a estreia de um filme e de uma série de televisão, uma exposição de arte e a publicação de livro de poemas, a maioria com patrocínio do Estado e com foco no sofrimento dos palestinos em Gaza. Há planos para um concurso para a criação de um documentário.

"A resistência armada ainda é importante e legítima, mas nós temos uma nova ênfase na resistência cultural", disse Ayman Taha, líder do Hamas. "A situação atual exigia o abandono dos foguetes. Depois da guerra, os militantes precisavam de um descanso e as pessoas precisavam de um descanso."

Taha e outros dizem que o exército substituiu comandantes de campo e se reestruturou ao aprender lições da última guerra. A decisão de suspender o uso de foguetes Qassam de alcance limitado que durante anos foram disparados contra Israel, geralmente dezenas de vezes ao dia, foi em parte resultado da pressão popular. Cada vez mais, as pessoas daqui questionam o valor dos foguetes, não porque eles atingem civis mas porque eles são vistos como relativamente ineficazes.

Por quanto tempo o Hamas irá interromper os disparos e se conseguirá obter projéteis de longo alcance (os quais diz procurar) permaneça incerto. Mas a mudança política é evidente. Em junho, apenas dois foguetes foram disparados de Gaza, de acordo com o exército israelense, uma das mais baixas somas mensais desde que o começo dos ataques em 2002.

Neste senso tático, a guerra foi uma vitória para Israel e uma perda para o Hamas. Mas na opinião pública, o Hamas se saiu melhor. Seus líderes notaram a condenação internacional de Israel por alegações de uso desproporcional da força, uma percepção que eles esperam continuar usando em sua vantagem. Suspender o disparo de foguetes também pode servir para isso.

"Nós não somos terroristas mas combatentes de resistência e queremos explicar nossa realidade para o mundo externo", afirmou Osama Alisawi, ministro da Cultura, durante uma pausa da conferência de dois dias. "Nós queremos que os escritores e intelectuais do mundo venham ver como as pessoas estão sofrendo diariamente."


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24/07/2009 10:21 AM

Obama impulsiona mudança de opinião sobre EUA, diz pesquisa

WASHINGTON - Uma nova pesquisa mundial descobriu uma ampla melhora na opinião sobre os Estados Unidos desde a eleição do presidente Barack Obama. Mas também revelou grande oposição a uma de suas principais políticas (o envio de mais tropas ao Afeganistão) e confirmou uma queda na confiança nos Estados Unidos entre israelenses.

Obama, de acordo com a pesquisa do Projeto de Atitudes Globais Pew, desfruta maior confiança entre os alemães do que a Chanceler Angela Merkel, e entre os franceses do que o presidente Nicolas Sarkozy. A eleição dele por si mesma, segundo a pesquisa, ajudou a restabelecer a imagem dos Estados Unidos no exterior a níveis que não eram vistos desde a era Clinton.

A melhora de opinião em relação aos Estados Unidos é mais marcante na Europa Ocidental, mas também evidente na Ásia, África e América Latina e inclui alguns países predominantemente muçulmanos.

Mas a pesquisa, envolvendo mais de 26 mil pessoas em 24 países, mais os territórios palestinos, descobriu que a animosidade antiamericana permanece alta em lugares como Paquistão e Turquia, e entre os palestinos.

Os europeus, em particular, parecem estar respondendo positivamente a Obama. O número de britânicos que dizem confiar no presidente americano para fazer a "coisa certa" nos assuntos mundiais subiu para 86% este ano, em comparação a apenas 16% no ano passado, sob gestão de George W. Bush. O aumento é ainda maior na Alemanha e França.

Os números em relação à "coisa certa" também subiram em todos os países do Oriente Médio pesquisados, menos Israel, que não teve nenhuma mudança estatística.

O discurso feito por Obama no dia 4 de Junho no Cairo deu a ele um aumento estatístico insignificante entre palestinos. Mas a  confiança israelense em Obama em fazer a coisa certa deslizou de 60% para 49% depois disso. Os israelenses foram o único povo pesquisado a dar índices de opinião menores sobre os Estados Unidos do que em análises anteriores.

O anúncio do fechamento de Guantánamo e o estabelecimento de um prazo de retirada das tropas do Iraque foram as políticas que tiveram maior apoio, segundo a pesquisa. O envio de mais tropas ao Afeganistão foi a única política à qual a maioria dos países se opõe.

A pesquisa, realizada entre o final de maio e meados de junho, tem margem de erro nacional de dois a quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

24/07/2009 09:44 AM






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