Um filme de terror que custou apenas US$ 74 (cerca de R$ 140) para ser produzido vai ser exibido nacionalmente na Grã-Bretanha. Colin, a história de um homem que é mordido por um zumbi, morre e volta como morto-vivo para comer pessoas, foi filmado com uma câmera amadora portátil por Marc Price e um grupo de amigos.Em entrevista à BBC Brasil, Price (que além de autor do roteiro também é o diretor e produtor do filme) disse que a ideia nasceu de uma brincadeira despretensiosa entre amigos e que nem sonhava com a repercussão que o filme está tendo. Colin foi exibido em um festival de filmes de terror no País de Gales e acabou chamando a atenção dos organizadores, que recomendaram a produção a uma agente. Para a surpresa do diretor, o filme acabou sendo exibido no Festival Cannes e recebeu uma oferta para distribuição na Grã-Bretanha. "O que me deixa realmente feliz é pensar que esse filme pode inspirar outros a fazerem a mesma coisa, abrindo um mundo de possibilidades para pessoas criativas", disse. "Hoje em dia, alguns celulares têm câmeras de alta definição, então é perfeitamente possível fazer um filme usando apenas um telefone". Orçamento baixo Colin foi filmado no País de Gales e na Inglaterra. A produção durou 18 meses. Enquanto editava o filme, Marc Price, de 30 anos, trabalhava para uma empresa de entregas em Londres. Artista gráfico sem formação específica em cinema, Price disse que aprendeu muito do que sabe sobre filmes ouvindo depoimentos de diretores em DVDs. "Com essa incrível revolução digital, muita gente se esquece de que as velhas técnicas de cinema ainda se aplicam". Price disse que já está trabalhando em seu próximo filme e que vai tentar manter o orçamento baixo. A produção, no entanto, certamente não vai custar os mesmos US$ 74. Colin chega aos cinemas britânicos em outubro, para coincidir com a festa do Halloween. A assessoria de Price informou que o filme será exibido também em São Paulo, no Festival Curta Fantástico, que será realizado em novembro.
O presidente americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que o relacionamento entre os Estados Unidos e a China " vai moldar o século 21". A declaração foi feita na abertura do primeiro de dois dias de negociações políticas e econômicas entre os dois países, em Washington.Obama ressaltou a necessidade de "colaboração sustentada e não confronto" entre China e Estados Unidos.
"A crise atual tornou claro que as decisões tomadas dentro de nossas fronteiras reverberam na economia global e isto vale não apenas para Nova York e Seattle, mas também para Xangai e Shenzhen", disse ele.
"Por isso devemos assumir o compromisso de uma coordenação bilateral forte." Diálogo As negociações ocorrem em um evento chamado Diálogo Estratégico e Econômico entre Estados Unidos e China, que conta com a presença do vice premiê chinês, Wang Qishan.
O evento deve discutir uma série de assuntos, entre eles a contenção do avanço de armas nucleares na Coreia do Norte e no Irã e a criação de fontes sustentáveis de energia.
Mas analistas acreditam que o foco das conversas deve ser a colaboração econômica.
Os Estados Unidos devem pressionar a China para que o país fortaleça o mercado interno para depender menos das exportações.
Fabricantes americanos dizem não poder competir em condições de igualdade com os produtos chineses. A China é acusada de desvalorizar deliberadamente sua moeda para baratear suas exportações.
Mas a China não deve ceder neste aspecto já que as vendas externas dos produtos chineses ainda não se recuperaram da crise financeira global, diz o correspondente da BBC em Xangai, diz Chris Hogg.
Já Pequim estaria preocupada com a desvalorização do dolar. O país possui mais de US$ 800 bilhões em bônus do Tesouro americano e a queda no valor da moeda dos Estados Unidos afeta a rentabilidade destes papéis.
Obama disse não ter ilusões "de que Estados Unidos e China vão concordar em todos os assuntos".
"Mas isto só torna o diálogo ainda mais importante."
Um novo modelo de bordel, em que clientes podem ter sexo à vontade por um único preço , está provocando protestos na Alemanha, país onde a prostituição é um negócio legalizado.
Após se tornarem populares com a recente crise econômica, esses estabelecimentos são acusados de atentar contra a dignidade humana por políticos e ativistas dos direitos humanos. Políticos conservadores querem proibir os prostíbulos.
Em uma grande operação realizada no domingo, cerca de 700 policiais inspecionaram casas do gênero em quatro cidades alemãs, prendendo 10 pessoas.
A blitz foi desencadeada por suspeitas de que os estabelecimentos empregam prostitutas estrangeiras sem permissão de trabalho e sonegam contribuição à previdência social.
Dois estabelecimentos foram fechados por apresentarem condições sanitárias precárias. Em apenas um deles a polícia encontrou um caso com indícios de prostituição forçada.
"Serviços ilimitados"
A cadeia de bordéis Pussy Club, inaugurada em junho, provocou críticas em Fellbach e Heidelberg, no sul da Alemanha, ao atrair clientes para as filiais nessas cidades com o slogan "sexo com todas as mulheres, quanto e como você quiser".
Os locais prometem "serviços ilimitados", incluindo sexo em grupo, pelo ingresso de 70 euros (cerca de R$ 187).
A propaganda irritou o secretário de Justiça do Estado de Baden-Württemberg, Ulrich Goll. "Se levarmos o anúncio a sério, podemos concluir que há uma violação da dignidade humana das prostitutas que lá trabalham", disse.
Entidades de direitos humanos e representantes da Igreja também criticam a oferta. Uma associação de cidadãos da região reivindica o fechamento desse tipo de prostíbulo em carta enviada a diversas autoridades, incluindo a chanceler Angela Merkel.
O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, propôs, nesta segunda-feira, uma mudança na estratégia de estabilização política do Afeganistão e pediu que o governo do país negocie com membros moderados do Taleban.
Em um discurso na sede da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em Bruxelas, Miliband afirmou que, além da ofensiva militar, uma solução política é fundamental para a estabilização do Afeganistão.
Segundo o chanceler britânico, esta solução inclui dar a oportunidade para que alguns insurgentes moderados que atualmente lutam contra as tropas da coalizão e do governo afegão possam ser reintegrados à sociedade, exercendo, inclusive, cargos na política.
"Isto significa, a longo prazo, um ajuste político inclusivo no Afeganistão, separando aqueles que querem que a lei islâmica seja aplicada em nível local daqueles comprometidos com a violenta jihad global, e dando a eles (os moderados) um papel suficiente na política local de modo que eles possam abandonar o caminho de confronto com o governo", disse.
"Oportunidades"
Miliband ainda afirmou que é necessário fazer uma distinção entre os "ideólogos linha-dura" e "terroristas jihadistas" dentro do Taleban e outros grupos - "que devem ser combatidos e derrotados" - daqueles que podem ser "atraídos para o processo político".
Para o chanceler, caso estes moderados abandonem a violência, a oportunidade de participar do processo político deve ser dada a eles. "Estes afegãos devem ter a oportunidade de escolher um caminho diferente", afirmou.
Os oposicionistas do Partido Conservador da Grã-Bretanha, no entanto, afirmam que não há nada de novo na proposta de Miliband, já que negociações entre o governo de Cabul e o Taleban acontecem há anos.
"Sucesso"
Também nesta segunda-feira, o comandante das tropas britânicas no Afeganistão, o general de brigada Tim Radford, afirmou que a primeira fase da operação "Garra de Pantera", que acaba de ser finalizada, foi um "sucesso".
A operação, que tem como objetivo aumentar a segurança na Província de Helmand antes das eleições de agosto, resultou na morte de nove britânicos. Outros 11 morreram em operações separadas durante o mês de julho.
Apesar das mortes, Radford reiterou que a operação foi bem sucedida.
"Estou absolutamente certo de que a operação foi um sucesso. Nós conseguimos atingir de maneira significativa o Taleban nesta região, tanto em termos de sua capacidade (militar) quanto em termos morais".
Acordo
A pouco menos de um mês das eleições presidenciais de 20 de agosto, o governo afegão anunciou, nesta segunda-feira, ter feito um acordo temporário de cessar-fogo com insurgentes do Talebã na Província de Badghis, no noroeste do país.
De acordo com o governo, os insurgentes teriam se comprometido em não atacar postos eleitorais na Província e permitir o trabalho de tropas do governo.
Pouco após o anúncio, no entanto, um porta-voz do Taleban desmentiu esta informação, afirmando que nenhum acordo pode ser alcançado e uma única Província, enquanto confrontos ocorrem no restante do país.
Cerca de cem pessoas foram mortas no norte da Nigéria devido a ataques de militantes islâmicos, que se dizem integrantes do Talebã. Nos últimos dois dias os militantes lançaram ataques com granadas e armas contra delegacias de polícia e prédios do governo em quatro Estados de maioria muçulmana, Bauchi, Yobe, Kano e Borno.
Uma jornalista da BBC contou 50 corpos, a maioria de militantes, perto de um quartel da polícia em Maiduguri, no Estado de Borno, onde centenas de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas. Há informações não confirmadas de mais mortes em Maiduguri, capital de Borno, além de uma fuga da cadeia da cidade.
Militantes islâmicos foram presos nesta segunda-feira / AFP
Testemunhas relataram à BBC que, em Potiskum, no Estado de Yobe, o tiroteio durou horas e uma delegacia de polícia foi incendiada. Estados vizinhos aos quatro Estados atingidos já estão mobilizando suas forças de segurança para evitar que os ataques se espalhem.
Em Bauchi foi determinado o toque de recolher. No domingo, pelo menos 39 pessoas morreram nos conflitos.
Escolas ocidentais
Alguns dos militantes seguem um líder religioso, Mohammed Yusuf, que faz campanha contra escolas que seguem o estilo ocidental. Para Yusuf, esse tipo de educação vai contra os ensinamentos islâmicos.
Seguidores de Yusuf em Bauchi são conhecidos como Boko Haram, que significa "Educação é proibida". Eles atacaram uma delegacia de polícia no domingo depois que seus líderes foram presos.
Segundo correspondentes, este seria um grupo religioso menor que tem levantado suspeitas devido ao recrutamento de jovens e à crença de que a educação, cultura e ciência ocidentais são pecaminosas.
Também foi registrado um ataque em Wudil, a cerca de 20 km de Kano, a maior cidade do norte da Nigéria e capital do Estado de mesmo nome. Em Wudil, três pessoas foram mortas e outras 33 foram presas.
Militantes, gritando a frase "Deus é Grande", também atacaram a delegacia de polícia de Potiskum durante a madrugada. Testemunhas afirmam que a delegacia de polícia e prédios vizinhos foram demolidos.
A lei islâmica, a Sharia, foi imposta no norte do país, mas não há histórico de violência ligada à Al-Qaeda na Nigéria.
A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.
Corpos
Testemunhas afirmam que os corpos de civis estão espalhados pelas ruas de Maiduguri, depois que estas pessoas foram arrastadas para fora de seus carros e baleadas.
A polícia e Exército estão patrulhando as ruas, disparando para o alto, aparentemente tentando retirar civis da área.
A segurança também foi aumentada no Estado de Plateau, ao sul de Bauchi, onde centenas de pessoas foram mortas em choques entre muçulmanos e cristãos em 2008.
A correspondente da BBC na Nigéria Caroline Duffield, afirmou que a tensão é comum no norte da Nigéria devido à pobreza e à competição pelos recursos escassos, além das diferenças culturais, étnicas e religiosas.
Mas, os últimos episódios de violência não ocorreram entre comunidades, envolveram jovens de grupos religiosos, que se armaram e atacaram a polícia, disse a correspondente.
Grupos religiosos menores da Nigéria também já alegaram envolvimento com o Talebã, indivíduos também foram acusados de ligação com a Al-Qaeda, disse Duffield.
Um projeto para a construção de uma barreira de 6 mil quilômetros através do deserto do Saara, norte da África, para tentar conter a desertificação de terras vizinhas, foi apresentado pelo arquiteto sueco Magnus Larsson em uma conferência na sexta-feira em Oxford, Grã-Bretanha. A barreira seria formada por dunas solidificadas de areia e se estenderia da Mauritânia, no oeste da África, até o Djibuti, no leste.A areia seria estabilizada pela adição em larga escala de bactérias que podem tornar solidificar a massa em poucas horas, endurecendo-a como se fosse concreto.
"Minha resposta (ao problema da desertificação) é um muro de arenito, feito de areia solidificada", afirmou Larsson, que se descreve como um arquiteto de dunas.
Países do norte da África já apresentaram um plano de plantar árvores para formar o que chamaram de Grande Cinturão Verde para evitar que a areia do deserto se expanda.
A proposta do arquiteto seria um complemento e não uma substituição à proposta do plantio de árvores.
"Forneceria o suporte físico para as árvores", disse o arquiteto à BBC. E, o mais importante, segundo Larsson, poderia ser mantida no local mesmo se as árvores fossem cortadas.
"As pessoas destes países são tão pobres que elas cortam as árvores para fazer lenha", acrescentou.
'Congelamento' de dunas Em 2007 um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a desertificação é o grande desafio dos tempos atuais, o fenômeno ameaça potencialmente um terço da população da Terra, cerca de 2 bilhões de pessoas.
A ONU teme que a expansão dos desertos obrigue populações inteiras a se retirarem de cidades e, segundo Larsson, o problema da desertificação atinge cerca de 140 países.
Em Oxford, Larsson mostrou o exemplo de um vilarejo chamado Gidan-Kara, na Nigéria, que teve que ser removido por conta do avanço das dunas. Ele afirmou que este é apenas um de muitos exemplos encontrados na região.
A muralha seria construída com o "congelamento" das dunas de areia do deserto que se movem com o vento transformando-a em arenito. Os grãos de areia seriam unidos com o uso de uma bactéria chamada Bacillus pasteurii, encontrada em terras úmidas.
"É um micro-organismo que produz, por um processo químico, a calcita, um tipo de cimento natural", afirmou o arquiteto.
Larsson teve a ideia de usar a bactéria a partir da pesquisa de uma equipe da Universidade Davis da Califórnia, que investigava o uso da Bacillus pasteurii para solidificar o solo em áreas com propensão a terremotos.
De acordo com o plano do arquiteto as bactérias seriam injetadas nas dunas em larga escala, ou seria usada uma espécie de represa, com balões gigantes, cheios da bactéria.
"Permitiríamos que as dunas fossem para cima da estrutura e então estouraríamos os balões", disse.
Vantagens O plano também proporcionaria vantagens para populações locais, afirmou o arquiteto. Por exemplo, a muralha poderia fornecer sombra, abrigo ou uma estrutura para coletar água.
No entanto, Larsson admitiu que o projeto também apresenta uma série de problemas.
"Exitem muitos detalhes que ainda precisam ser considerados nesta história: políticos, práticos, éticos e financeiros. Meu projeto está repleto de desafios", afirmou.
"No entanto, é um começo, é uma visão: gostaria que, pelo menos, este projeto iniciasse uma discussão", acrescentou.
Um cidadão saudita que se vangloriou de suas conquistas sexuais em uma entrevista para um canal de televisão libanês poderá ser preso ou chicoteado. Mazen Abdul Jawad deu uma entrevista ao canal de televisão LBC, em um programa chamado Red Lines ("Linhas Vermelhas", em tradução livre), que trata de tabus do mundo árabe.De acordo com o editor da BBC para assuntos do mundo árabe, Sebastian Usher, a Arábia Saudita é a sociedade mais conservadora e discreta entre as sociedades árabes.
Se alguém desrespeita o severo código islâmico consumindo bebidas alcoólicas ou mantendo relações sexuais fora do casamento, poderá ser punido com prisão ou açoitamento.
Mesmo assim, estas regras são desrespeitadas por cidadãos locais e aqueles que vivem em outros países. No entanto, todos mantêm discrição a respeito do assunto e temem ser descobertos pelas autoridades.
Livros escritos recentemente no país falam sobre estes assuntos, mas é extremamente raro para um saudita falar publicamente sobre suas experiências sexuais.
Durante a entrevista, Jawad falou de sua vida sexual desde o início, aos 14 anos com uma vizinha e descreveu como ele continua a manter relações sexuais fora do casamento até hoje.
O saudita descreveu como usa o dispositivo bluetooth de seu telefone celular para encontrar mulheres sauditas. Autoridades religiosas do país já tentaram proibir o uso do dispositivo.
O público já registrou reclamações contra Mazen Abdul Jawad na Justiça e fóruns de discussão na internet estão cheios de condenações ao comportamento do saudita.
Jawad já pediu perdão em publico, chorando, e afirma que está pensando na possibilidade de processar o canal LBC por deturpar suas opiniões.
Um golfinho brincalhão levou uma banhista a entrar em pânico na Nova Zelândia, ao tentar fazê-la permanecer mais tempo no mar brincando.
Ambos estavam brincando nas águas da praia de Mahia, no norte da ilha. Passado certo tempo, cansada e com frio, a mulher decidiu sair da água.
Entretanto, o animalzinho não queria parar de brincar e fez de tudo para que ela não voltasse à praia, ela contou, após o episódio.
Frequentadores de um café perto do local escutaram os gritos da banhista por ajuda e arrumaram um barco para resgatá-la. Encontraram-na agarrada a uma bóia.
A mulher, que preferiu permanecer anônima, disse que em nenhum momento o golfinho pareceu ameaçador.
"Eu fui nadar sozinha um tanto tarde, o que provavelmente não foi a decisão mais sábia", afirmou ela ao jornal local "Gisborne Herald".
"Brincamos por um tempo, mas quando eu quis voltar ele quis continuar brincando. Eu estava exausta e entrei em pânico".
Moko, o golfinho nariz-de-garrafa do episódio, é um conhecido mascote da área. Ele ganhou fama mundial em março do ano passado ao salvar duas baleias encalhadas na praia. Foi visto guiando os dois outros mamíferos, mãe e filha, ao longo de um estreito canal de água até um local seguro.
Durante o verão, centenas de banhistas se divertem brincando com ele. Mas no inverno, quando a temperatura beira zero graus nas águas do norte da Nova Zelândia, apenas uns poucos se atrevem a encarar o mar vestindo roupas térmicas.
Moradores acreditam que na estação fria Moko se sente solitário e entediado.
Cientistas já expressaram preocupação com o mamífero, que tem cicatrizes causadas por barcos e por um arpão. Segundo eles, de 30 golfinhos "solitários" no mundo, 14 já foram machucados ou morreram como resultado da interação com os seres humanos.
A Arquidiocese da cidade de Boston, nos Estados Unidos, anunciou no último sábado a suspensão do padre brasileiro Pedro José Damázio, que atuava em uma paróquia local, depois de ele ter sido acusado de "comportamento sexual inadequado com adultos".
Em um comunicado divulgado à imprensa em seu site, a entidade afirma que está colaborando integralmente com a investigação do caso e que já notificou a Diocese de Tubarão (SC), a base original de Damázio.
"A Arquidiocese proibiu o padre Damázio de realizar qualquer tipo de missa ou serviço público dentro de seus domínios. Essas restrições serão mantidas e dependem do resultado da investigação", diz o comunicado.
"A decisão de suspender as atividade do padre Damázio representa o compromisso da Arquidiocese com a segurança de todas as partes envolvidas e não representa uma definição da culpa ou da inocência do padre no que se refere a essas acusações", segue o documento.
Brasileiros
O padre Pedro Damázio atuava com a Arquidiocese de Boston há dez anos. Atualmente, ele era vigário da paróquia de Santo Antônio de Pádua, na cidade de Cambridge, que também faz parte da congregação.
Segundo o jornal The Boston Globe, a paróquia atende boa parte da comunidade brasileira da região. O diário também informou que Damázio já teria voltado a Tubarão, em Santa Catarina, o que ainda não foi confirmado.
Em seu comunicado à imprensa, a Arquidiocese diz oferecer um serviço de aconselhamento, em inglês e em português, para qualquer pessoa que se sentir "afetada pelas notícias" da acusação e da suspensão de Damázio.
Em 2002, a Arquidiocese de Boston esteve no centro de um escândalo mundial de acusações de abuso sexual de crianças por dezenas de seus padres.
Muitos dos processos levados à Justiça pelas supostas vítimas foram resolvidos com acordos de indenização.
Após quase 20 horas internado para realizar exames médicos, sobretudo cardiológicos, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, deixou no final da manhã desta segunda-feira o Hospital militar Val-de-Grâce, em Paris. Seu estado de saúde mobiliza a imprensa francesa, que deu grande destaque à sua hospitalização inesperada.Sarkozy saiu do hospital sorrindo, acompanhado de sua esposa, Carla Bruni, mas não falou com os jornalistas que aguardavam no local. O presidente ficou internado cerca de 20 horas após ter passado mal, no final da manhã de domingo, quando corria no jardim do Palácio de Versalhes.
Segredos O diagnóstico é de "um mal-estar ligado a um grande esforço físico, realizado sob um calor intenso, em um contexto de fatiga, ligada a uma carga de trabalho importante", afirma o Palácio do Eliseu em um comunicado. O mal-estar de Sarkozy "não teria causas nem consequências cardiológicas", diz a nota, que também excluiu, em função dos exames realizados, "consequências neurológicas ou ligadas ao metabolismo" do presidente. Os médicos não receitaram nenhum tratamento, mas recomendaram alguns dias de repouso ao presidente, que deverá presidir na quarta-feira uma reunião do Conselho de Ministros, antes de sair de férias por três semanas. A hospitalização inesperada e as eventuais causas do mal-estar de Sarkozy, 54 anos, tiveram grande destaque na imprensa e mobilizaram o debate público no país desde o domingo. A imprensa afirmou, com base em relatos de testemunhas e de colaboradores do presidente, que Sarkozy teria desmaiado por alguns instantes, o que foi negado pelo Palácio do Eliseu. "O que aconteceu exatamente no domingo e do que o presidente sofreria?", questionou o jornal Le Figaro. Eventuais problemas cardíacos foram levantados em razão do fato de que Sarkozy continuou internado pela manhã para realizar uma série de exames cardiológicos. Além disso, a imprensa francesa afirmou, após entrevistar especialistas, que o tipo de mal-estar sofrido por Sarkozy durante a prática de atividades esportivas poderia indicar, entre outros fatores (como hipoglicemia ou desidratação), também problemas ligados ao ritmo cardíaco e, no pior dos casos, até um infarto. Com base em experiências passadas, os franceses avaliam que nem sempre a Presidência é transparente em relação ao estado de saúde dos chefes de Estado. A saúde dos presidentes é um assunto considerado sensível na França depois que o ex-presidente François Mitterrand escondeu durante 14 anos ter um câncer de próstata. Ele havia ordenado ao seu médico falsificar seus boletins médicos. O ex-presidente Jacques Chirac teve um acidente vascular cerebral em 2005, aos 72 anos, e ficou hospitalizado uma semana em segredo, antes de o assunto ser revelado. Sarkozy havia prometido durante a campanha presidencial maior transparência em relação à sua saúde e afirmou que publicaria regularmente seus boletins médicos. Mas o atual presidente também foi hospitalizado em segredo em outubro de 2007 para uma pequena operação na garganta. A Presidência havia anunciado que a publicação dos boletins médicos seria anual, mas em 2008 não houve nenhuma divulgação oficial do estado de saúde de Sarkozy. No início deste mês, o Palácio do Eliseu informou que os exames cardiovasculares e de sangue do presidente "eram normais".
A ministra alemã da saúde, Ulla Schmidt, se viu sob uma enxurrada de críticas depois que o carro oficial à disposição dela, uma Mercedes classe S estimada em R$ 250 mil, foi roubado quando ela passava férias na Espanha.
Segundo explicações dadas pelo gabinete no sábado, a ministra interrompeu as férias para participar de reuniões sobre aposentadoria e sistema de saúde com cidadãos alemães residentes na Espanha. Ela reembolsaria todos os gastos pelo uso privado do veículo, afirmou o gabinete.
Porta-vozes da sociedade civil e da oposição querem saber, no entanto, por que a ministra requereu que seu carro fosse providenciado para os encontros, quando isto poderia ser organizado pela Embaixada.
"O dinheiro dos contribuintes não pode ser desperdiçado no conforto de uma ministra", foi como um porta-voz da Associação dos Contribuintes resumiu o teor da indignação, falando ao jornal "Bild am Sonntag".
A ministra estava passando as férias em Alicante, um balneário popular entre turistas e aposentados alemães no sudeste da Espanha.
Ulla Schmidt pagou sua própria passagem de avião para se deslocar até o balneário, mas requereu que seu motorista cruzasse 2,5 mil quilômetros para encontrá-la na cidade. Os ladrões roubaram as chaves da Mercedes do quarto do motorista.
Em uma nota divulgada no domingo, o ministério afirmou que, assim como todos os membros do gabinete alemão, a ministra tem direito a um carro oficial a ser usado a qualquer momento, em ocasiões oficiais ou para uso privado.
O incidente ocorre a dois meses das eleições gerais de setembro, em um momento em que as pesquisas posicionam o partido de Schmidt, o social-democrata SPD, mais de dez pontos atrás do CDU, agremiação da premiê alemã gela Merkel.
A oposição ameaçou convocar a ministra para dar explicações no Parlamento.
O frade dominicano francês Henri de Roziers tem três policiais militares destacados para protegê-lo 24 horas por dia no município de Xinguara, no sudeste do Pará, o município do Estado onde mais mortes ocorrem por conflitos de terra. O religioso diz que está tranquilo porque é "estrangeiro, advogado, sacerdote e idoso (tem 75 anos)" e não recebe "ameaças diretas" desde 2007.Mas desde o assassinato, em fevereiro de 2005, da freira americana Dorothy Stang - um episódio de violência fundiária que ganhou manchetes em todo mundo - o Estado fez questão de fornecer uma escolta permanente de policiais ao frade francês.
Nas investigações do assassinato da irmã Dorothy, a Policia Federal encontrou indícios de que o francês seria o próximo na lista dos acusados de cometer o crime.
"Eu me incomodo muito por ter uma escolta policial cuidando de mim enquanto líderes populares brasileiros, que correm dez vezes, cem vezes mais riscos do que eu, estão por aí desprotegidos", diz o religioso.
Frei Henri cita o caso de dois ativistas da região de Santarém - o líder indigenista Dado Borari e o militante sem-terra Valdecir dos Santos - que foram ameaçados de morte, mas tiveram proteção recusada pelo governo do Estado.
"Se o problema é de falta de recursos, prefiro que tirem os três policiais que me escoltam e forneçam proteção a estas duas pessoas, que correm sério risco de assassinato", afirma o frade.
Conflitos Frei Henri diz acreditar que a tentativa de regularizar a posse de terras na Amazônia por meio da nova lei criada a partir da MP 458 só vai agravar os conflitos que existem na região.
"Infelizmente, o governo brasileiro não tem infraestrutura para cuidar dessa situação tão complexa", critica o religioso. "A máfia dos madeireiros e fazendeiros no Pará é muito, muito perigosa." O frade francês afirma temer que o modelo de regularização de terras adotado pelo governo só sirva para agravar ainda mais a concentração fundiária que existe no Brasil.
"É verdade que os lotes máximos que o governo vai regularizar (de 1,5 mil hectares) não são muito grandes para os padrões de Amazônia, mas os fazendeiros vão ter recursos de fraudes, de laranjas e de usar membros da família pra conseguir registrar fazendas enormes", diz.
"Os agricultores mais fracos que vivem na região vão acabar forçados a vender suas terras para que esses grandes fazendeiros façam estes registros fajutos." O Pará é o Estado brasileiro onde a violência fundiária faz mais vítimas. Segundo um levantamento da Pastoral da Terra, foram mais de 800 assassinatos desde 1975.
"Dessas 800 mortes, apenas 250 resultaram em alguma ação da Justiça. E nos 250 julgamentos, tivemos somente 22 condenações de mandantes", diz frei Henri. "E o pior é que nenhum deles está na cadeia. Assim fica muito fácil matar e muito difícil confiar na Justiça."
A nova lei criada a partir da Medida Provisória 458 pode agravar os conflitos no campo ao invés de resolvê-los, de acordo com declarações de autoridades e ativistas envolvidos com o tema à BBC Brasil. O frade dominicano francês Henri de Roziers, coordenador da Comissão Pastoral da Terra em Xinguara (sudeste do Pará), diz que tem certeza de que isso vai acontecer."Essa lei é um processo de regularização de grilagem", diz o religioso, que há 30 anos trabalha com questões fundiárias no Brasil, 15 deles no sudeste do Pará. "Só vai fragilizar ainda mais os pequenos agricultores da região." "Um estudo feito nos cartórios pelo Ministério Público já mostrou que, se somarmos todas as terras registradas no papel, o total é superior a duas vezes o tamanho do Estado. É claro que há muita fraude e muito conflito." O superintendente nacional de regularização fundiária na Amazônia Legal do Instituto Nacional de Colonização e Refoma Agrária (Incra), José Raimundo Sepeda, afirma, no entanto, que as autoridades vão estar atentas para coibir qualquer tentativa de pressão sobre pequenos agricultores que possa levar a mais conflitos.
"Se houver qualquer denúncia de irregularidade, nós vamos lá para fazer vistoria e garantir que a lei seja cumprida", diz Sepeda.
Longe do Estado O procurador da República em Belém, Ubiratan Cazetta, diz que muitas comunidades isoladas na Amazônia não têm qualquer acesso às autoridades ou mesmo conhecimento de como fazer valer seus direitos.
"As comunidades tradicionais, aquelas pessoas com menos acesso ao Estado, são mais facilmente enganáveis", afirma Cazetta. "Elas vão ser expulsas por alguém com mais capacidade financeira ou bélica, e o Estado não vai ficar nem sabendo." "Nós não estamos falando de gente perto dos grandes centros urbanos, mas de gente que vive a 200, 300 quilômetros de pequenos municípios, que nem promotor têm." A nova lei determina que só poderão ser regularizadas terras que tenham sido ocupadas pacificamente e que não tenham nenhuma disputa pendente. Mas especialistas temem que, na prática, seja muito difícil descobrir exatamente onde estão esses problemas.
"Como inicialmente trata-se de um cadastramento apenas declaratório (cada interessado diz ao governo a área que possui), é muito real o risco de que grandes fazendeiros acabem tentando englobar áreas onde há posseiros menores", diz o pesquisador Paulo Barreto, da ONG Imazon. "As disputas tendem a se intensificar." Novas ocupações Outro fator que pode complicar a situação é a constância com que continuam acontecendo ocupações no Pará por movimentos de sem-terra, principalmente o MST.
Embora estas ocupações não tenham nenhuma relação direta com a MP 458, muitos colonos buscam as autoridades para fazer o cadastro, na esperança de que a papelada valha alguma coisa na hora de lutar pela terra.
"Nossa orientação é para que todos que procuram o Terra Legal (o programa de regularização fundiária do governo) sejam cadastrados pelos nosso agentes", afirma Sepeda. "Depois, cada um dos cadastros vai ser examinado e os que não estiverem em conformidade com a nova lei serão cancelados." Na cidade de Dom Eliseu, onde o Ministério de Desenvolvimento Agrário realizou um mutirão de cadastramento do Terra Legal, diversos militantes de colônias do MST tentaram registrar os lotes que ocuparam.
A MP não contempla a situação deles por dois motivos principais: o primeiro e mais importante é o fato de eles estarem em uma terra da qual alguém já tem um título de posse. E mesmo que não fosse assim, eles estão nos lotes há menos de três anos, enquanto a lei determina que só podem ser regularizadas terras ocupadas até 2004.
Ainda assim, diversos conseguiram fazer o cadastro. "Eu fui, levei meus documentos e fiz o papel, mas, depois, vieram me dizer que vai ser cancelado", lamenta a agricultora Cosma Lima Marinho, que ocupou um lote na Colônia Bananal.
Joãozinho Americano Mas muitos agricultores da mesma colônia que foram ao mutirão não conseguiram nem fazer o cadastro, porque os agentes descobriram que a área em questão está dentro da fazenda do americano John Weaver Davis Junior - conhecido em Dom Eliseu como Joãozinho Americano - que vive na região com a família desde o início dos anos 60.
"Eu fui até lá, mas me disseram que nem valia a pena fazer cadastro", disse o agricultor José Ailton de Oliveira Pereira, que planta mandioca e arroz, apenas para subsistência da família, no lote que ocupou. "É duro viver assim, sem saber se a terrinha em que a gente trabalha vai ser nossa mesmo." "Fazia mais de 20 anos que esta terra estava sem uso", diz o presidente da Associação de Colonos do Bananal, Francenildo de Oliveira Moura. "Ele só veio atrás quando soube que a gente estava aqui." Mas Davis diz que exatamente aquele pedaço de terra tem grande valor para a família, porque é lá que está enterrado o pai dele, morto em um conflito com invasores ainda no início do anos 60.
"Nós não usamos de violência porque é contra as leis de Deus, mas quero convencer essas pessoas de que o pecado da invasão é errado e que eles têm que sair das minhas terras." Madeira e carvão Durante décadas, a extração de madeira e a produção de carvão sustentaram a família Davis, mas agora grandes parte da área estão desmatadas e esgotadas.
É muito difícil, no entanto, saber exatamente que porcentual da floresta desapareceu. Os sem-terra dizem que praticamente tudo foi desmatado, enquanto o fazendeiros diz que ainda mantém 50% de mata nativa na sua área.
A área da fazenda também é incerta. Davis admite que a família já chegou a ter 100 mil hectares, mas diz que agora a propriedade não passa dos 10 mil.
A reportagem da BBC Brasil procurou as Secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente na prefeitura de Dom Eliseu para conferir as informações, mas as autoridades disseram que não ter como confirmar ou desmentir as diferentes versões sobre a propriedade de Davis.
Depois de dedicar 20 anos de sua carreira à fotografia de paisagens, o americano Robert Buelteman descobriu uma nova maneira de registrar a natureza: utilizar eletricidade para iluminar folhas e flores, em uma técnica que dispensa o uso da câmera e de lentes. Para obter as 80 imagens que compõem a série Through the Green Fuse ("Através do fusível verde"), o fotógrafo utiliza instrumentos cirúrgicos para posicionar as plantas sobre uma mesa transparente, e em seguida posiciona uma matriz metálica, na qual estão o filme e uma emulsão fotográfica.
Em um quarto escuro, ele então aciona a eletricidade de altíssima voltagem, que pode vir de fontes como o tungstênio, o xenônio ou fibras ópticas.
Robert Buelteman
"Flor elétrica" fotografada por Robert
"Esta técnica tem mais semelhanças com a tradicional pintura japonesa a nanquim do que com as atuais formas de fotografia", diz Buelteman. "Cada entrada de luz, assim como cada pincelada na pintura, não foi ensaiada. E uma vez, liberada, não pode ser desfeita." 'Fragilidade da vida'
Em entrevista à BBC Brasil, Buelteman contou que a ideia para esta série surgiu em 1999, depois que ele perdeu quatro familiares vítimas de câncer.
"Sempre tive vontade de encontrar a minha voz para expressar a beleza, o equilíbrio e a harmonia que eu vejo na natureza", afirmou. "Com a perda de meus parentes, me senti mais determinado ainda a expressar a beleza e a fragilidade da vida."
A técnica utilizada pelo americano se inspira no método que ficou conhecido como fotografia Kirlian, ou Kirliangrafia, desenvolvido pelo cientista russo Semyon Kirlian. A técnica também é chamada de bioeletrografia.
"Com a adição de aparelhos de fibra óptica para conseguir um maior controle sobre a exposição de luz sobre a matriz, este trabalho representa também uma nova interpretação de uma forma de arte honrada há tempos", diz Buelteman.
As imagens do fotógrafo estão reunidas no livro Signs of Life ("Sinais da Vida"), lançado nos Estados Unidos.
O chefe das Forças Armadas de Honduras, general Romeo Vásquez, disse em uma entrevista à BBC que a instituição apoiará uma solução negociada para a crise, mas não a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país. "Estamos apoiando nosso governo nas suas negociações.
Somos uma instituição subordinada", disse, em entrevista à repórter da BBC Mundo em Tegucigalpa, Cecília Barria.
Ele negou que membros do Exército tivessem viajado aos Estados Unidos para representar a instituição em negociações secretas.
"Não há ninguém representando o Exército de Honduras em negociações em Washington. Tudo se faz através dos canais correspondentes. Nós somos uma instituição subordinada, nos apegamos ao que manda a Constituição da República."
AP
Manifestantes a favor de Zelaya encaram exército hondurenho
Um comunicado do Exército na semana passada levantou especulações de que a instituição apoiaria a volta do presidente Zelaya, uma proposta feita pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, principal mediador da crise.
Esta hipótese vem sendo rejeitada pelo governo interino, encabeçado por Roberto Micheletti, que ameaça Zelaya de prisão e diz que vai levá-lo à Justiça se retornar ao país.
O presidente deposto está acampado na fronteira de Honduras com a Nicarágua, por onde entrou - por cerca de 30 minutos - em solo hondurenho, em um ato simbólico na sexta-feira.
O gesto foi interpretado como um jogo de cena e criticado até mesmo pelos Estados Unidos, que condenaram o golpe de Estado em Honduras.
No domingo, Zelaya indicou que considera a postura americana na crise pouco clara, e reclamou dos americanos mais dureza para com o governo interino.
Em um discurso feito através de um megafone para militantes e jornalistas, ele exigiu "que o governo americano deixe de evadir o tema da ditadura, que a enfrente com força para saber realmente qual é a postura dos Estados Unidos em relação a este golpe de Estado".
Ele disse que não recebeu nenhum convite para reunir-se com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na terça-feira.
Tensão
A movimentação empreendida por Zelaya levou o governo interino a ampliar o toque de recolher nas cidades da fronteira. A ordem de permanecer em casa vem sendo estendida por períodos adicionais de 12 horas desde a sexta-feira.
O Exército e a Polícia Nacional têm agido como garantidores da medida.
Na entrevista à BBC, o general Romeo Vásquez disse que "não há ordem" de disparar contra os manifestantes na eventualidade de caos - mas pediu que os apoiadores de Zelaya adotem a "prudência" para evitar criar situações violentas.
"Sempre pode haver confusão se os manifestantes realizarem ações violentas. São eles que atacam as forças de segurança", disse.
"Há pessoas que incitam a violência e por isso estamos pedindo prudência, para que não provoquem situações que possam gerar perdas de vidas humanas."
O general afirmou que o Exército não considera a atual crise em Honduras como um golpe de Estado, e que a instituição expulsou Zelaya do país com base em uma decisão do máximo tribunal de Justiça hondurenho.
"Não sei como podem dizer que é um golpe de Estado. Nós recebemos a ordem da Corte Suprema de Justiça. Nós cumprimos a ordem, depois saímos da área e voltamos novamente aos quartéis", afirmou.
"A Constituição diz que as Forças Armadas são as encarregadas de velar pelo cumprimento da lei. Se tivesse havido um golpe de Estado, nós estaríamos no poder."
Para o general, "as autoridades que ficaram legalmente constituídas estão funcionando no país".