Em março de 2010, o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta. No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30, diversos ícones do País serão apagados por uma hora para mostrar a nossa preocupação com o aquecimento global.
No Brasil, o apagar das luzes representa um sinal claro aos governos de que a população quer o fim dos desmatamentos, responsável por mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa do país. Também significa que o Brasil está alinhado com o resto dos países participantes, que também clamam pelo controle das emissões de forma a manter o aquecimento global em torno dos 2oC, como preconizado pela comunidade científica.
O mundo esperava de Copenhague um acordo justo, ambicioso e com força de lei, para que pudesse começar a ser implementado imediatamente. Para o WWF-Brasil, saímos de lá sem nada disso. O acordo de Copenhague não é ambicioso e nem legalmente vinculante.
Após o enorme fiasco, o WWF-Brasil espera, para 2010, um processo claro e transparente de consulta a todas as partes envolvidas, de forma as discussões evoluam e se possa dar a resposta que a ciência indica como necessária para manter o aquecimento global em 2oC, como a sociedade espera de seus líderes.
Somente assim será possível salvar o processo multilateral de um julgamento completamente negativo pelos povos de todo o mundo. Para isto, é necessário que todos queiram chegar a um acordo, mas, por enquanto, sequer isto está assegurado.
E não houve falta de tempo. Mas, sim, de vontade política e mandato claro aos negociadores para se chegar a um acordo. Para o WWF-Brasil, o fim melancólico da Conferência representa uma imensa oportunidade desperdiçada, após quatro anos de conversas iniciadas a partir da COP-11, que criou os grupos de trabalho sobre diálogo de longo prazo, no âmbito da Convenção, e sobre o diálogo de novas metas para os países do Anexo I, no âmbito do Protocolo de Quioto.
Desperdiçaram-se, ainda, dois anos de negociação com mandato claro, ou Plano de Ação de Bali ? acordado em 2007 na COP-13. Este plano definia um mandato de negociação sobre diferentes temas. No âmbito do Protocolo de Quioto, metas para os países desenvolvidos no pós-2012. Para a Convenção, uma visão compartilhada, meta para os países do Anexo I não signatários de Quioto (Estados Unidos), ações para países em desenvolvimento, financiamento de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento, capacitação, transferência de tecnologia REDD etc.
Acordo pífio -- Ao final, redigiu-se um acordo de última hora, discutido às pressas, apenas para tentar salvar uma reunião que reuniu mais de 100 chefes de estado de uma situação, no mínimo, muito embaraçosa. O acordo redigido foi pífio, sem apoio de todos os países e a franca oposição de alguns, o que impede que o documento seja transformado em decisão efetiva da Conferência e que, portanto, possa ser implementado seguindo as regras da própria Convenção.
Num dos poucos e ainda tímidos avanços observados durante a Conferência ? a definição de recursos para investimento de curto prazo e a indicação de recursos de US$ 100 bilhões até 2020 ?, faltou clareza sobre quem contribui, com quanto, fontes de recursos e metas.
Quanto ao Brasil, o contundente discurso do presidente Lula no dia 18 da Conferência não foi suficiente para liderar rumo a um acordo robusto nem quebrar a oposição de muitos países que parecem não querer chegar a lugar algum.
O olhar no amanhã -- Na opinião do WWF-Brasil, todos os países têm o dever de trazer o diálogo de clima de volta aos trilhos da responsabilidade. Hoje, o futuro do clima do Planeta não está livre das conseqüências mais severas das mudanças climáticas.
Milhares de pessoas estão expostas às consequências do aquecimento global, milhares perdem suas casas, seus bens e até mesmo suas vidas a cada ano, em consequência de secas, tempestades, enchentes. Na COP-15, ninguém pode dizer que fez o suficiente. Nem mesmo o Brasil.
Em 2010, será inaceitável um novo fracasso. É preciso um processo claro, transparente de diálogo e consultas ao longo do ano no âmbito da Convenção. E com a meta de chegarmos à COP-16 com um acordo detalhado e muito avançado para referendo na Conferência.
Não vamos conseguir reverter o julgamento negativo sobre os líderes mundiais na COP-15. Mas temos a chance de tomar as medidas necessárias para dar a resposta que nosso Planeta precisa.
Após anos de negociação, a COP 15 fracassou na assinatura de um acordo concreto sobre o clima. Houve, sim, a redação de um documento chamado ?Acordo de Copenhague?. Trata-se de um documento escrito, mas não aprovado. Para o líder da delegação da Rede WWF, Kim Carstensen, isso significa que ele existe e que pode ser usado, que se pode trabalhar à luz de seu texto.
?E é isso que vai acontecer durante os próximos meses, juntamente com a continuação das negociações em dois sentidos: Um é o dos temas do Protocolo de Quioto e o outro é das questões que não foram tratadas no Protocolo?, avaliou Kim Carstensen.
Ele deposita suas esperanças em uma nova e urgente Conferência das Partes, já prevista para se realizar no México, mas que ainda não tem data prevista para acontecer.
?Esperamos seja logo, porque não queremos esperar muito tempo até obter um acordo com obrigatoriedade legal ? um acordo justo, ambicioso e de cumprimento obrigatório, porque é disso que nós precisamos. E eu acho que nós temos uma chance de obter isso no México?, disse o líder da delegação da Rede WWF.
Para que isto seja possível, segundo avalia Carstensen, é necessário que o WWF e as organizações não governamentais sigam fazendo suas campanhas.
E ele aponta, no âmbito da Rede WWF, a realização da campanha Hora do Planeta, como crucial nesta caminhada, ao lado da luta por políticas públicas em cada país e um apelo para que as nações compreendam que podem prosperar e ter um bom desenvolvimento econômico, com empregos verdes, se tomarem a atitude de realizar algo realmente grandioso em relação às mudanças climáticas.
O Departamento de Energia e Mudança Climática do Reino Unido anunciou, ontem (17/12), um acordo entre Austrália, França, Japão, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos para alocar US$ 3,5 bilhões de dólares, destinados a iniciar o financiamento público de ações com o objetivo de retardar, parar e eventualmente reverter o desmatamento nos países em desenvolvimento.
O anúncio diz que "ações para reduzir as emissões oriundas de florestas podem ajudar a estabilizar o clima, apoiar o meio de subsistência das populações e garantir a conservação da biodiversidade, bem como promover o desenvolvimento econômico?.
Os signatários reconhecem, segundo o documento, o papel significativo do financiamento público internacional no apoio aos países em desenvolvimento, como parte de um acordo ambicioso e abrangente.
?É um esforço para retardar, parar e eventualmente reverter o desmatamento. Foi nisso que pensamos ao fazer a alocação conjunta de US$ 3,5 bilhões de dólares para iniciar o financiamento de planos de Redução das Emissões do Desmatamento e da Degradação Florestal - REDD durante o período de 2010 a 2012?, afirmam os países em sua declaração conjunta.
Para eles, esses recursos são um investimento inicial a ser aplicado nos países em desenvolvimento que coloquem em andamento planos ambiciosos de REDD e que obtenham reduções de emissões florestais, conforme sua própria capacidade.
?Assumimos o compromisso conjunto de aumentar a escala desse financiamento de acordo com as oportunidades e os resultados a serem obtidos?, completa o anúncio, que convida, ainda, outros doadores a se unirem a estes esforços para tornar realidade os primeiros projetos de REDD. Convidamos outros doadores a se unirem a nós nesse esforço para tornar realidade as primeiras providências de REDD."
O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, destacou textualmente que ?o desmatamento é responsável por quase um quinto das emissões mundiais. Ao armazenarem a poluição global, as florestas das nações tropicais prestam um serviço para o mundo?.
Segundo Brown, é possível que essas florestas estejam irremediavelmente perdidas se ninguém tomar uma atitude. ?Tal perda provocaria um impacto no clima mundial e, também, nos meios de subsistência de 90% das 1,2 bilhões de pessoas que vivem na extrema pobreza e que dependem dos recursos florestais para sua sobrevivência?.
O primeiro-ministro acredita que um acordo para retardar, parar e eventualmente reverter o desmatamento precisa ser o ponto focal do resultado a ser alcançado em Copenhague, e que são necessários cerca de US$ 25 bilhões durante o período de 2010 a 2015 para diminuir em 25% os índices de desmatamento nos países em desenvolvimento até 2015. ?Os países desenvolvidos devem prover a maior parte desses recursos e apoiar os países tropicais em seus esforços nesse sentido?, disse Gordon Brown.
O dirigente britânico informou também que o Reino Unido contribuirá, em um primeiro momento, com US$ 480 milhões, para garantir um rápido começo. ?Eu farei todos os esforços possíveis para fortalecer tal esforço coletivo e trabalhar junto com todas as nações, a fim de alcançar um acordo climático que seja o mais ambicioso", concluiu.
O líder da Iniciativa Global da Rede WWF para Mudanças Climáticas, Kim Carstensen, fez, hoje (18/12), um balanço das negociações de Copenhague, até o momento. Segundo Carstensen, existem diversos textos nas mesas de negociação e ainda mais rascunhos sempre surgem ao longo do dia. Entretanto, ele acredita que nada, até o momento, chegou próximo ao nível de ambição necessário para que se chegue a um bom acordo, principalmente em áreas como a natureza legal do acordo, metas de redução de emissões, apoio financeiro a países desenvolvidos.
?Embora os rascunhos existentes contenham expressões vagas sobre a necessidade de garantir um aumento de temperatura abaixo dos 2o C, pouco foi detalhado sobre como isto seria garantido, disse o líder?.
Mais ambição - Kim Carstensen avalia que parece estar enfraquecendo a vontade da União Européia (UE) em reforçar suas ações perante as mudanças climáticas, ampliando a redução de 20 a 30% em suas emissões, em relação a 1990. ?É uma verdadeira decepção, visto que a ciência preconiza uma redução em 40% nas emissões dos países desenvolvidos. Pedimos que aqueles países da UE mais visionários apresentem imediatamente metas mais ambiciosas?, apelou.
?A China também precisa demonstrar mais ambição. Temos razão para acreditar que isto esteja acontecendo, já que Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, afirmou que os compromissos internos atuais do país seriam atingidos sem a necessidade de ajuda externa?. Carstensen lembrou que o líder chinês também destacou a possibilidade de fortalecer ações de redução de emissões e questões ligadas à transparência, enquanto a Índia reforçaria suas ações perante o clima caso recebesse apoio externo.
?Chefes de Estado precisam aproveitar a oportunidade que ainda existe para finalizar um acordo ambicioso em Copenhague, evitando, assim, um futuro perigoso de grandes emissões de gases de efeito estufa?, completou.
Pico - Kim Carstensen destacou que é necessário estabelecer um ano definitivo para que as emissões mundiais atinjam seu pico e, depois, sejam reduzidas consideravelmente.
?Também precisamos de fontes claras de recursos financeiros para mitigação e adaptação em países em desenvolvimento. Finalmente, precisamos garantir que qualquer acordo assinado passe por uma avaliação científica oficial a partir de 2014?.
Copenhague, Dinamarca ? Uma análise confidencial da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas confirma que as atuais promessas de redução de emissões nas economias desenvolvidas e algumas das emergentes colocam o mundo, na melhor das hipóteses, no rumo de três graus centígrados de aquecimento - provavelmente mais do que isso.
?A dura mensagem que chegou aos líderes mundiais reunidos em Copenhague é de que as propostas em discussão ? especialmente aquelas feitas pelos países industrializados ? estão bem aquém daquilo que o mundo precisa?, disse Keith Allott, coordenador de mudanças climáticas do WWF-Reino Unido.
?Essa avaliação, que data de apenas três dias atrás, está baseada na visão muito otimista contida nas promessas de redução de emissões. Essa visão supõe que os imensos furos por onde escapam as emissões ainda estão longe e que todos os compromissos voluntários de redução serão cumpridos?, disse Allot. ?Precisamos de ações urgentes para fazer com que as emissões mundiais tomem um rumo capaz de manter o aquecimento bem abaixo do limiar aceito de dois graus centígrados, de forma a evitar os riscos inaceitáveis de mudanças climáticas catastróficas?, completou.
?É uma questão de matemática simples: precisamos de metas muito ambiciosas para os países desenvolvidos e de novos apoios financeiros para ajudar os países desenvolvidos a terem um crescimento com baixo carbono, bem como de ações para fechar os vários escapes de emissões que tornam os atuais compromissos de redução ainda mais frágeis do que eles parecem à primeira vista.?
Copenhague, Dinamarca ? Quando as luzes voltaram a ser acesas, ao final da Hora do Planeta Hopenhagen (uma combinação das palavras Hope, que significa esperança, e o nome da cidade, convertida assim em Copenhague da Esperança), Vijay Nambiar, chefe-de-gabinete do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez a seguinte declaração:
?As mudanças climáticas podem ser maiores do que cada um de nós; mas não são maiores do que todos nós juntos?.
Os cidadãos da cidade que sedia a cúpula das Nações Unidas sobre as questões climáticas desligaram as luzes durante uma hora, para um evento especial da Hora do Planeta. Isso trouxe de volta à memória o evento mundial ocorrido em março deste ano, quando centenas de milhões de pessoas de 4 mil cidades em 88 países deram seu Voto pelo Planeta, pedindo ações decisivas contra as mudanças climáticas.
O diretor-geral da Rede WWF, James Leape, e a dinamarquesa Anne-Katrine Bisgaard Håkansson, de 10 anos de idade, entregaram o Globo do Povo a Vijay Nambiar. Essa bola brilhante contém um mosaico com 350 gigabytes de esperanças, sonhos e experiência humana recolhidas em todos os continentes, de várias comunidades que vivem no deserto, nas florestas e zonas litorâneas. Ela constitui um mandato mundial para a tomada de ação contra as mudanças climáticas.
O Globo das Pessoas simboliza o esforço coletivo feito em todas as grandes campanhas climáticas, como Sele o Acordo, TicTacTicTac, Levante sua Voz, 350.org, Hopenhagen (Copenhague da Esperança) e Vote pelo Planeta. Apresentado em Sydney (Austrália), o Globo viajou até Copenhague no trem Expresso do Clima e foi entregue à cidade-sede pelo seu guardião-honorário, o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner. No caminho, o Globo ficou aos cuidados de diversos cidadãos e guardiães oficiais, sendo exibido por onde passou até chegar ao destino de sua apresentação.
Vijay Nambiar declarou ao público internacional reunido na Praça da Prefeitura de Copenhague - famílias, políticos, mídia jornalística e prefeitos - que a dedicação das pessoas do mundo todo às ações de combate às mudanças climáticas lhe deu esperança.
?O tamanho do desafio não abalou a promessa de vocês?, disse Vijay Nambiar.
?Com este Globo ? e as vozes que vocês levantaram ? vocês conclamam seus líderes para que protejam as pessoas e o planeta. Juntos, vamos fazer de Copenhague o lugar onde o mundo se juntou para dar lugar a uma nova era de esperança?, concluiu.
Jim Leape disse que a hora de agir é agora.
?As ações a serem tomadas contra as mudanças climáticas foram debatidas durante um tempo longo demais?, disse Leape. E continuou:
?É imperativo que, em 27 de março de 2010 ? durante a Hora do Planeta 2010 ? as pessoas no mundo estejam confiantes de que nós estamos seguindo na direção certa para proteger nosso planeta e garantir um futuro mais seguro, mais limpo e mais saudável para todos nós?.
Copenhague, 17 de dezembro ? As negociações envolvendo diretamente ministros e chefes dos governos dos países participantes da COP-15 têm início hoje. A reta final das negociações se inicia com discursos dos ministros presentes sobre diversos aspectos nacionais e internacionais, preparando o terreno para as negociações posteriores.
Nas negociações de alto nível, ministros de meio ambiente ou de outras pastas que estão liderando as equipes de negociação, se encontrarão para finalizar a proposta de acordo e apresentá-la para decisão dos chefes de estado. Sua importância decorre dos limites enfrentados pelas equipes de negociação. Cada delegação foi enviada a Copenhague com um plano de negociação, no qual são apontados as posições do país e pontos onde poderiam ou não ceder.
Em razão das divergências entre as diferentes posições, os negociadores somente poderiam avançar caso consultassem seu ministro ou chefe de estado que, por sua vez, providenciaria novas diretrizes. Ao reunir todos os ministros para discutir os pontos finais do texto, o processo é acelerado, permitindo acordo em pontos onde os negociadores não teriam como avançar.
É um processo complicado de muito vai-e-vem. O que os negociadores conseguiram até agora é um texto recheado de colchetes que representam as diferentes opções para um acordo. Assim, por exemplo, o texto sobre o aspecto legal do acordo contém as palavras [devem] e [deveriam]. As discussões que agora seguem sobre este ponto visam estabelecer qual opção será acordada: texto mais forte legalmente ou não. De posse destes textos, os ministros estabelecem na hora as novas diretrizes de negociação para sua equipe para conseguir chegar a um acordo sobre o texto final. Tudo acontece paralelamente aos discursos ministeriais.
Há sinais de esperança. Várias delegações já cederam em alguns pontos chave, demonstrando vontade em concluir o processo com um acordo forte. Além disso, África do Sul, Brasil, Índia e China, por exemplo, já indicaram que irão implementar ações para controlar e reduzir suas emissões.
No que concerne à posição brasileira, o WWF-Brasil acredita que o país precisa adotar posições realmente fortes nas negociações, inclusive para pressionar no sentido de que outros países também o façam. É preciso defender um pico global de emissões antes de 2020 e uma meta global de pelo menos 85% de redução de emissões até 2050, incentivando que os países em desenvolvimento adotem meta de redução de 30% em relação ao crescimento tendencial de suas emissões. E também é preciso que o acordo de Copenhague inclua o apoio financeiro das nações ricas aos países em desenvolvimento para apoiar suas ações de mitigação e adaptação.
Além disso, há de se pressionar para que as ações nacionais de mitigação dos países em desenvolvimento, incluindo aquelas relativas ao desmatamento, sejam registradas, independentemente delas contarem ou não com apoio externo. Assim, promove-se maior transparência e confiança no novo regime climático, permitindo aos países compararem suas ações e solicitarem recursos. O Brasil se mostrou e se mostra hoje como um dos pontos chaves nas negociações e não pode permitir a definição de um acordo fraco.
Será lançada amanhã, dia 18, no Auditório da UnB Campus Planaltina, às 15h, a quarta edição do Almanaque da Esec-AE, uma revista de Educação Ambiental do Projeto Águas do Cerrado, desenvolvido pela Estação Ecológica de Águas Emendadas, do Instituto Brasília Ambiental.
A revista reúne as experiências de alunos, professores da rede pública e pesquisadores que atuam na Estação em ações de valorização e conservação do Cerrado e das águas do Distrito Federal.
O Projeto Águas do Cerrado, que tem apoio do WWF-Brasil com recursos da Seguros Unimed, entre outros parceiros, trabalha com crianças nas escolas de Planaltina e com educadores ambientais para incentivar a participação de alunos na conservação do Cerrado e das águas.
Águas do Brasil -- A Estação Ecológica de Águas Emendadas (Esec-AE) abriga, em seus mais de 10 mil hectares, um fenômeno interessante e muito raro: duas nascentes localizadas a 800 metros uma da outra, contribuem com duas das principais bacias hidrográficas do país. As águas de uma delas seguem para o norte, abastecendo a bacia do Tocantis, a outra segue para o sul e contribui com a bacia do Paraná-Prata.
A Esec-AE é uma unidade de conservação de proteção integral, criada em 1968, destinada à proteção do ambiente natural, realização de pesquisas ecologia e à educação conservacionista. A unidade foi declarada pela Unesco como uma das áreas que compõem a área nuclear da Reserva da Biosfera do Cerrado (fase I).
Apesar de relativamente pequena, a Esec-AE reúne as todas as características de Cerrado: cerradão, cerrado stricto sensu, campo cerrado, capo sujo, campo limpo, mata de galeria alagada e não alagada, veredas, campo úmido e campo de murunduns.
Mais de mil empresas de todos os continentes vêm defendendo um tratado ousado e de cumprimento obrigatório para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e incrementar, no planeta, a produção de energia limpa, muito ao contrário da crença de que o setor empresarial seria cauteloso quanto às negociações em andamento em Copenhague.
Juntas, estas empresas representam US$ 11 trilhões de capitalização de mercado, 20 milhões de empregos e US$ 2,6 trilhões de faturamento anual em 2008.
O Grupo de Lideranças Corporativas (CLG, na sigla em inglês), da União Europeia defendeu, em carta o presente da UE, José Manuel Barroso, um acordo forte, que permitiria às empresas liderar as mudanças necessárias para a economia mundial nas próximas décadas.
O Grupo de Lideranças Empresariais da União Europeia e do Reino Unido emitiu o Comunicado de Copenhague, em que apela aos líderes para que cheguem a um acordo. No comunicado, mais de 900 empresas de 60 países afirmam que, ?vivemos uma época difícil e plena de desafios para a comunidade empresarial internacional e um resultado insuficiente na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Copenhague irá apenas acentuar essa realidade (...)?.
As empresas que integram os Defensores do Clima ? parceiras da Rede WWF ? têm o compromisso de reduzir suas emissões em 50 milhões de toneladas de CO2 até 2010, o que equivale ao total de emissões anuais da Suíça. Elas demonstram, na prática, que não só é possível como rentável investir em uma economia de baixo carbono.
Nos Estados Unidos, as Empresas Pró Políticas Climáticas e Energéticas Inovadoras (Bicep, na sigla em inglês), da rede Ceres, declararam que é necessário um acordo mundial que inclua metas de redução significativa de emissões no curto e no longo prazos, assim como o compromisso das nações mais emissoras.
?É clara a urgência de ação e a necessidade predominante de uma liderança forte. Declaramos nosso apoio à liderança climática para ajudar a assegurar um acordo?, dizem as empresas norte americanas.
Uma coalizão de governos e empresas mais influentes do mundo, comprometidos com o combate às mudanças climáticas, criada pelo Grupo do Clima (The Climate Group), apela por um sinal de Copenhague de longa duração e acredita que haverá, como resultado uma ?onda sem paralelos? de investimento em uma verdadeira ?revolução de energia limpa e tecnologia?.
No Brasil, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que reúne as 50 maiores empresas do país, assinaram o Pacto do Clima e emitiram artigo com sua posição sobre a COP-15, entregue à comitiva de negociadores brasileiros, como contribuição para um acordo realista e positivo.
Na opinião do WWF-Brasil, um conjunto de vozes tão retumbantemente poderoso não pode e não deve ser ignorado por aqueles que, em Copenhague, têm nas mãos o futuro de todo o Planeta.
Foi realizado, esta semana (14/12), o primeiro leilão exclusivo para energia eólica no Brasil. Dos 339 empreendimentos que disputaram o leilão, 71 foram contratados, o que disponibilizará 1.807,7 MW adicionais ao setor elétrico brasileiro até 2012. Hoje, o país conta com 602 MW em operação e 260 MW em construção de produção eólica.
O WWF-Brasil acredita que o leilão contribui de forma positiva para a diversificação das fontes de geração de energia elétrica no país, minimizando eventuais impactos climáticos no setor de energia elétrica e contribuindo para um futuro livre de emissões de gases de efeito estufa. Além disso, demonstra o potencial da energia eólica para alavancar o desenvolvimento regional, já que o Nordeste acolherá 63 dos 71 empreendimentos contratados.
?É um passo muito importante na direção certa?, afirmou Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. De fato, de acordo com estimativas oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o país possui um potencial de 145 GW, superior a toda a potência instalada atualmente. ?Aproveitar o enorme potencial existente no país é uma ação lógica que não depende de ajuda externa, mas sim de escolhas estratégicas feitas internamente?, disse Rittl.
Para ele, o leilão demonstra claramente a vocação do país para as fontes renováveis de energia. Rittl explica que a energia eólica é complementar aquela gerada por hidrelétricas, reforçando, assim, a solidez do sistema elétrico. ?Não é um embate entre hidrelétricas e outras fontes renováveis. Como aqui predomina a energia hídrica, trata-se de um embate entre fontes térmicas movidas a combustível fóssil e outras fontes renováveis, como eólica ou biomassa?.
Energia limpa e competitiva -- Com preço médio de R$ 148,39, cerca de 21% abaixo do preço máximo exigido, o leilão também mostrou, na prática, o que muitos desconfiavam, na teoria ? a energia eólica é mais barata do que térmicas a diesel e, dependendo das condições de oferta, do que térmicas a gás natural.
No entanto, mesmo considerando os resultados positivos do leilão, país ainda precisa, na opinião do WWF-Brasil, desempenhar esforços consideráveis para que a energia eólica ocupe posição de destaque no país. A energia eólica atualmente representa somente 0,57% de todo o potencial instalado no país e 1,42% daquele em construção. De acordo com a Agenda Elétrica Sustentável 2020, estudo do WWF-Brasil que aponta meios para atingir um crescimento mais sustentável no setor elétrico brasileiro, a energia eólica poderia responder por até 6% de toda a energia elétrica gerada no país até 2020.
?Precisamos desenvolver ou reforçar instrumentos específicos não somente para a energia eólica, mas também para as outras fontes de energia renovável não-convencional. Como a energia eólica, a biomassa possui um potencial muito grande que ainda não contribuiu plenamente para a geração de energia elétrica no país?, concluiu Rittl.
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor dos recursos do Fundo Amazônia, confirmou, em 9 de dezembro, o investimento de R$ 20 milhões, provenientes do Fundo Amazônia, para a segunda fase do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e WWF-Brasil.
Para a ONG, embora esse montante represente uma parte menor em relação ao montante necessário para o Programa Arpa e para as áreas protegidas da Amazônia, significa a concretização de um primeiro apoio significativo para a sua segunda fase, apoio este decidido no Brasil.
O WWF-Brasil tem contribuído técnica e financeiramente com o Arpa desde a fase de concepção e planejamento, incluindo apoio direto à criação e planejamento de várias unidades de conservação e na capacitação técnica de gestores de UCs. Nos últimos tempos vem também contribuindo com subsídios técnicos para melhorar os processos e metodologias de elaboração dos planos de manejo das unidades de conservação e na elaboração de diretrizes para a gestão de mosaicos de áreas protegidas.
Para a secretária geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, a primeira fase do programa foi muito bem sucedida e o novo financiamento demonstra o reconhecimento de que as áreas protegidas em geral, e o Arpa em particular, têm sido eficientes na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa associados a ele.
?Quando uma organização disponibiliza recursos para um projeto como este, ela está não somente recompensando o programa pelo trabalho de redução do desmatamento mas, também, estimulando a continuidade do esforço, neste caso por meio da criação e do fortalecimento das áreas protegidas, inclusive reservas extrativistas e parques nacionais?, avalia Hamú.
Isso é particularmente relevante neste momento em que as autoridades mundiais se reúnem para um novo acordo climático, para o qual o Brasil pretende reduzir até quase 39% de emissões de gases do efeito estufa até 2020 (considerando o a projeção de continuidade, ou ?business-as-usual?, a partir de 2005), tendo na redução do desmatamento da Amazônia mais de metade do montante.
Estudos -- Nesta segunda fase, o WWF-Brasil e parceiros irão realizar estudos para melhorar o entendimento do papel das áreas protegidas na redução das emissões de CO2 na atmosfera, incluindo, por exemplo, a redução da degradação florestal, o que irá contribuir para aprimorar os critérios para a criação e gestão de unidades de conservação.
Em um outro estudo, o WWF-Brasil irá procurar entender o impacto das mudanças climáticas sobre as áreas protegidas. A ideia é garantir que as áreas protegidas não percam suas funções de prestação de serviços ecológicos, mantendo a conservação da biodiversidade terrestre e dos ecossistemas aquáticos.
?Os resultados servirão de subsídio para garantir critérios adequados para localização e gestão das áreas protegidas, por exemplo buscando melhor conectividade entre elas?, explicou Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil.
Além de prestar serviços à sociedade como um todo, as áreas protegidas devem respeitar os direitos e ser úteis às comunidades locais. Não basta demonstrar isso teoricamente, mas é preciso verificar se elas estão sendo bem criadas, implantadas e geridas e se os grupos sociais percebem tais serviços. Nesse sentido, o WWF-Brasil e parceiros desenvolvem estudos para avaliação do impacto social dessas áreas protegidas.
Arpa -- Criado em 2002, o Arpa é um programa do governo federal,com o objetivo de proteger 60 milhões de hectares da Amazônia, por meio da promoção da criação de unidades de conservação e do fortalecer de sua gestão, inclusive planejamento, conselhos participativos e infra-estrutura, com objetivo maior de garantir a conservação de biodiversidade representativa da Amazônia.
Com a sua primeira fase, o Arpa já apóia a conservação de aproximadamente 34 milhões de hectares da Amazônia envolvendo 65 unidades de conservação, das quais 32 são de proteção integral e 33 de uso sustentável.
Fundo Amazônia -- O Fundo Amazônia foi criado em 2008 com a finalidade de captar doações para investimentos em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para atividades de promoção da conservação e do uso sustentável da floresta amazônica. Atualmente, o fundo tem como único doador o governo da Noruega, que aportou cerca de US$120 milhões numa primeira fase e tem como meta futura alcançar a cifra de US$ 1 bilhão nos próximos sete anos.
12/12/2009 12:00 AM
Não confunda o Original com cópias. Aqui seu anúncio é tratado com seriedade.
Site 100% Compativel com o Google Chrome - Versão Oficial 1583 v0.2.149.27 ou superior, Firefox 1.5 ou Superior e Safari 3 ou Superior.