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Yahoo! Notícias - Não é de hoje que os gringos pagam pau para música brasileira. Já vi japoneses na feira de discos da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros (SP), pagando fortunas por discos de bossa nova para venderem no Japão por milhares de yens. Na Alemanha, existe um selo chamado Shadocks que se especializou em rock psicodélico do mundo inteiro. Do Brasil eles descobriram tesouros enterrados durante anos e que pouca gente conhecia. Visite o site ( clique aqui ) e dê uma olhada nos lançamentos dos caras. Só obscuridades do mundo inteiro. Há alguns anos eles editam uma série chamada Love, Peace & Poetry e um dos volumes dessa coleção é dedicado à psicodelia brasileira. Olha só as bandas que aparecem nesse disco: O Bando Os Brazões A Bolha Liverpool Bango The Buttons Assim Assado O Terço Spectrum Modulo 1000 0s Lobos Sound Factory Paulo Bagunça Hugo Filho Marconi Notaro Com certeza, muitos dos leitores nunca devem ter ouvido falar da maioria desses grupos, acho que com exceção do Terço, o restante é para poucos ouvidos. A mesma gravadora alemã lançou individualmente discos da maioria desses interpretes, o mais recente foi o paraibano Hugo Filho e seu álbum Paraibô , gravado em 1978 e lançado em edição limitada de 500 LPs na época. Hugo Filho fez parte da banda The Gentlemen, na Paraíba, nos anos 60 e 70 (O LP do The Gentlemen é outra raridade ). Conheça e ouça o disco de Hugo Filho, aqui . Nesse disco solo, Hugo Filho gravou duas músicas de Zé Ramalho. Daí muitos vão me questionar: mas isso é rock? . Sim, rock brasileiro com influencias de MPB, assim como um dos primeiros trabalhos de Zé Ramalho com o pernambucano Lula Cortes, o álbum duplo Paêbirú , de 1975. Esse eu considero um dos clássicos mais obscuros da música brasileira. O disco virou uma raridade e foi relançado somente na Alemanha, em edição limitada há alguns anos. Daí vem novamente aquele questionamento, mas Zé Ramalho é MPB e não rock, engano seu, meu amigo, Zé Ramalho é mais rock and roll que qualquer garoto emo por aí. Só para te dar uma ideia, o paraibano lançou há pouco tempo tributos a Bob Dylan e Raul Seixas, e sua discografia é uma das mais belas nessa fusão de rock e ritmos brazucas. Vale a pena vocês lerem a fascinante história do disco Paêbirú , clique aqui . Continuando nessa questão é rock ou MPB , encontramos outro lançamento só na Europa, a banda Os Brazões, que acompanhavam Gal Gosta no final dos anos 60. Dizem que os caras tinham um tremendo suingue, que poderiam até ser o Santana brasileiro, mas não chegaram a tanto, pois fizeram apenas um LP. Mais um para essa coleção de ilustres desconhecidos é a banda Assim Assado, o nome já remete a Secos & Nolhados. Na verdade, foi uma estratégia de gravadora aproveitando o sucesso dos Secos & Molhados, na década de 70, para lançar esse grupo nos mesmos moldes. Leia mais sobre a história desses discos, clique aqui . E no rock tropicalista dos Mutantes, quem foi na mesma onda na década de 60? Assim como os Mutantes se tornaram banda de respeito mundialmente, os gringos descobriram obscuridades na mesma linha, como por exemplo, LIVERPOOL. Essa era uma banda gaúcha, que lançou apenas um disco em 1969 e um compacto que vem de bônus na edição em vinil lançada recentemente pela gravadora Shadocks na Alemanha. O Liverpool é responsável por uma parte da história do rock gaúcho, que acabou gerando na década de 70 outra banda bastante cultuada, o Bixo da Seda. Mais história sobre Liverpool e o disco Por Favor Sucesso de 1969, clique aqui . E tem também aqueles que cantavam a psicodelia em inglês, como por exemplo: Os Baobás vieram da safra da Jovem Guarda cantando sucessos do rock sessentista americano e inglês e fizeram até uma versão do clássico dos Rolling Stones Paint It Black que virou Pintada de Preto . Veja a história e os discos dos Baobás, clique aqui . Veja a história de mais algumas dessas bandas, publicadas no blog brazilian nuggets : SPECTRUM Disco gravado em 1971 por uma obscura banda de Nova Friburgo vira cult na Europa, onde colecionadores pagam até US$ 2 mil pelo LP, leia mais aqui . SOUND FACTORY (1970) Essa é mais uma gema do rock feito por aqui na década de 70 e cantado em inglês, incluindo alguns temas orignais e alguns covers de (Traffic, Johnny Winter, It´s a Beautifull Day, Blind Faith e Jefferson Airplane), esse é outro disco que virou raridade e foi resgatado também na Alemanha pela gravadora Shadocks . Quer saber mais sobre ele, clique aqui . MODULO 1000 - Não Fale Com paredes - 1970 Outra jóia rara da psicodelia brasileira, esse disco ganhou edição de luxo na Alemanha, tanto no vinil com uma capa maravilhosa que abre como se fosse um painel, assim como no CD. É um dos discos mais cultuados da década de 70. Saiba mais e ouça o Modulo 1000 aqui . A BARCA DO SOL Na década de 70, trabalhei na gravadora Continental e descobri os dois discos mais espetaculares do rock progressivo e folk rock brasileiro. Na sua formação A barca do Sol trazia o sensacional músico Jacques Morelembaum (violoncelo, piano e voz) e dentre outros ainda tinha Richard Court (o famoso Ritchie) tocando flauta. O primeiro disco foi produzido por Egberto Gismonti. Esses dois álbuns da Barca do Sol: Durante o Verão (1976) e A Barca do Sol (1974), foram reeditados em CD em 2000 pela Warner e vale muito a pena tentar consegui-los. Mudando de assunto, mas ainda falando de rock brasileiro, gostaria de recomendar dois recentes lançamentos. O primeiro é do Ritchie, que citei acima quando falei da Barca do Sol. O meu amigo inglês, que vive no Brasil desde a década de 70, acaba de lançar o CD e DVD Outra Vez - Ao Vivo no Estúdio , aliás o primeiro blu-ray de rock brasileiro. Nesse CD, Ritchie resgata clássicos de sua carreira que marcaram a década de 80, como Pelo Interfone , Transas , Só Pra O Vento e Menina Veneno . O destaque fica pra inédita Outra Vez , em parceria com Arnaldo Antunes. Tem ainda cover de Peter Gabriel, na sensacional Mercy Street , a não menos espetacular Shy Moon , de Caetano Veloso, e Fala , sucesso dos Secos & Molhados na década de 70. Um belíssimo lançamento com arranjos impecáveis dignos de um british gentleman . Minha segunda recomendação é o novo CD de Serguei, o mais velho e cultuado roqueiro brasileiro. Alguns acham que eu e Tony Campelo somos os mais velhos do rock brazuca, mas Serguei ganha da gente, não sei exatamente sua idade, mas esse cara tem muita história. Uma delas - e que fez seu currículo - foi o fato de ter traçado a Janis Joplin no Rio de Janeiro, no final da década de 60. Serguei é mais que um roqueiro brasileiro, é uma lenda viva, mora na praia em Saquarema (RJ), fez de sua casa o Museu do Rock e acaba de lançar o CD Bom Selvagem , acompanhado pela banda Pandemonium. Um disco repleto do bom e velho rock and roll, misturado com blues e hard rock (coisa rara de se encontrar hoje em dia no rock brasileiro, infestado por emos que se preocupam mais em pintar o olho do que conhecer boa música). Nesse CD, Serguei regravou a versão de Roll Over Beethoven de Chuck Berry, que gerou a divertidíssima letra de Rolava Bethania . Há alguns anos atrás Serguei lançou um LP pela gravadora RCA que incluía essa mesma versão, mas essa mais recente ficou melhor ainda. Se você procura rock and roll básico com letras bem humoradas e sem grandes pretensões, pode investir nesse disco de Serguei que vale a pena, até mesmo pelo folclore gerado pelo autor.
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