Antes infame (e em muitos lugares ilegal) a revenda de ingressos para lucro se tornou popular. Acelerada pela internet e mudanças em leis estaduais nos EUA, a transação agora se tornou multimilionária ao atender os consumidores que querem ingressos de última hora para shows de Taylor Swift ou do musical da Broadway "Wicked".
"Os dias de sussurros na porta de estádios como quem negocia drogas em ruelas escuras acabaram", disse Randy Phillips, principal executivo da AEG Live, cuja transação para os 50 shows de Michael Jackson em Londres incluiu uma parceira com uma revendedora de ingressos. "Tudo está em cima da mesa agora. Agora tudo é muito transparente."
Perfil dos cambistas mudou com a chegada da internet / NYT
E está se tornando muito fácil, graças a companhias como StubHub e TicketNetwork, que operam grandes mercados onlines essencialmente para a comercialização de ingressos, depois que eles esgotam no estabelecimento oficial.
Os economistas chamam isto de mercado secundário e ele está prosperando. Um relatório do ano passado da Forrester Research previu que até 2012 as vendas do mercado secundário para entretenimento e esportes chegariam a US$ 4,5 bilhões.
Em julho, cambistas se reuniram em um hotel de Las Vegas para o quarto Ticket Summit anual, um congresso de três dias para a apresentação de produtos, seminários e networking.
Em painéis como "Web 2.0: Aplicativos para ampliar sua base de mercado" e "Construindo um Plano de Relações Públicas" eles estiveram ao lado de empresários da internet, Ph.D.' s, consultores de marketing e até mesmo representantes de espetáculos da Broadway e grandes times esportivos.
A corrida pelo ouro no mercado secundário ampliou as antes estreitas forças cambistas trazendo todo tipo de sangue novo: entusiastas da internet, pessoas em busca de uma segunda fonte de renda, fãs comuns com um par de ingressos extra.
Em contraste com a imagem popular do cambista de ingresso como um trabalhador sombrio, a vida do cambista online pode ser surpreendentemente monótona. Vários pequenos revendedores descreveram um trabalho similar ao de um pequeno comerciante.
Venda paralela de ingressos não tem mais o "ar sombrio" de antigamente / NYT
Mas os cambistas também tropeçaram em seu caminho à legitimidade. Inúmeras controvérsias ocorreram a respeito do acesso a shows e espetáculos de grande demanda e os revendedores (termo preferido por aqueles que revendem ingressos, ainda que os fãs não pareçam dispostos a adotá-lo) enfrentam oposição de políticos e defensores dos consumidor que os veem como predadores econômicos.
Edgar Dworsky, fundador do ConsumerWorld.org e antigo assistente do procurador geral de Massachusetts, disse: "Os ingressos se esgotam aparentemente assim que chegam à venda e o consumidor comum é forçado a ir aos cambistas e pagar preços exorbitantes".
Durante anos, a África do Sul foi motivo de piada internacional por causa de sua postura absurda em relação à epidemia de AIDS. Agora, aquele pesadelo nacional pode estar terminando.
O novo governo do presidente Jacob Zuma parece ter uma visão mais clara do que seu antecessor sobre o problema, suas soluções e a necessidade de melhoria do sistema de saúde como um todo. Consertar o que está quebrado não será fácil, mas nos sentimos encorajados pelos sinais de compromisso em se fazer isto.
Para entender aonde os líderes sul-africanos chegaram, é preciso relembrar de onde vieram.
O presidente anterior, Thabo Mbeki, deixou um histórico que ainda é difícil de entender: ele abraçou teorias malucas que disputavam o fato de que a AIDS é transmitida por um vírus tratável. Ele insistia que drogas anti-retrovirais são tóxicas e encorajava o uso de remédios à base de ervas inúteis. Ele chegou a reivindicar até mesmo que não conhecia ninguém com a doença, embora quase 20% da população adulta esteja vivendo com o HIV.
Milhares de africanos foram desnecessariamente contaminados e morreram. E o país mais influente da África subsaariana desperdiçou a oportunidade de conter a epidemia da AIDS. Embora tenha menos de 1% da população mundial, a África do Sul agora representa 17% do fardo das infecções mundiais pelo HIV.
Uma postura mais sã começou a tomar forma no ano passado, depois que Mbeki foi forçado a abandonar o cargo e Barbara Hogan foi nomeada ministra da saúde. Na semana passada, o novo ministro da saúde, Dr. Aaron Motsoaledi, foi ainda mais adiante.
Ele aceitou uma crítica de cientistas sul-africanos, que disseram que a postura do partido governante do Congresso Nacional Africano em relação à Aids e aos cuidado médico está cheia de problemas, e prometeu ações para remediar isto. "Nós assumimos responsabilidade pelo que aconteceu e responsabilidade sobre como iremos avançar", disse Motsoaledi em um artigo de Celia Dunger para o The Times.
Os líderes da África do Sul têm que aderir a conselhos sensatos e com base científica a respeito da Aids e colocar em ação programas que busquem tanto tratar quanto prevenir a doença. Isto significa ampliar os esforços para impedir que mães infectem seus bebês, desencorajar as pessoas de manter relações sexuais com múltiplos parceiros e oferecer a circuncisão aos homens, um procedimento cirúrgico relativamente simples que comprovadamente reduziu o risco de infecção na África do Sul.
O problema é maior que a Aids. Ainda que a África do Sul gaste mais em saúde do que qualquer outro país africano, a tuberculose é excessiva e os índices de mortalidade infantil estão subindo. O governo tem que trabalhar para melhorar a qualidade dos cuidados médicos, garantir que todos os sul-africanos tenham acesso ao sistema e demitir funcionários incompetentes.
Nada disso irá reverter os danos e mortes do desastroso legado de Mbeki, mas pode oferecer às pessoas da África do Sul um futuro melhor.
Quando nos apaixonamos, escolhemos ter uma experiência já vivida por outros. Muitas vezes é isso que temos em mente: o desejo de compartilhar um pouco do que aconteceu entre Romeu e Julieta, ou entre Lizzy e Darcy, do romance “Orgulho e Preconceito”, ou simplesmente entre nossos próprios pais. Um desses arquétipos de romance nasceu 75 anos atrás com a estréia de “A Alegre Divorciada”, com Fred Astaire e Ginger Rogers.
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Fred Astaire e Ginger Rogers em cena
O cinema já teve muitos casais clássicos: vários, na verdade, somente em 1934 – ano de estréia dos filmes “Aconteceu Naquela Noite”, “Suprema Conquista” e “A Ceia dos Acusados”. Em termos de dança, porém, nunca houve outro casal que glorificasse o amor romântico de forma tão definitiva.
Dançando juntos, Astaire e Rogers expressaram muitos aspectos do amor: a conquista e a sedução, as conversas sagazes e a receptividade às mesmas, a provocação e o desafio, a surpresa da recém-encontrada harmonia e a feliz reconquista do romance perdido, a alegria frívola e o acordo mútuo, a sensação do perfeito equilíbrio do poder, a tragédia da partida e, não menos importante, o sentido do amor quando encenado. É estarrecedor como tantas dessas nuances já podem ser percebidas desde a música “Night and Day”, primeiro dueto romântico do casal em “A Alegre Divorciada”.
A história já foi contada diversas vezes. Depois de anos de parceria com sua irmã Adele, Astaire (1899-1987) deu início a uma nova fase romântica ao contracenar com Claire Luce em 1932 em palcos londrinos com a peça “The Gay Divorce” (sem tradução para o português), de Cole Porter, que teve destaque com o número “Night and Day”. Ao chegar a Hollywood, em 1933, Astaire já era um astro completo. Quando ele e Rogers (1911-95) alcançaram o quarto e o quinto maiores cachês da RKO com o filme “Voando Para o Rio” naquele ano, o flerte rápido da dupla durante o número “The Carioca” se tornou a sensação do filme.
A peça “The Gay Divorce” não demorou ser adaptada para o cinema sob o título de “A Alegre Divorciada”, com um novo time de estrelas. Astaire e Rogers fizeram mais sete filmes juntos para a RKO na década de 1930. Para suas coreografias, Astaire fazia especificações para a equipe de filmagem estabelecendo padrões inalcançáveis: filmar os dançarinos em quadro aberto, sem close-up; manter as tomadas de reações ao mínimo; seguir a coreografia com a câmera com o menor número de tomadas possíveis – de preferência em apenas uma.
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Cúmplice, a dupla sorri em "O Picolino" (1935), cuja história se passa em Londres
Ele continuou contracenando com diversas outras mulheres – seus fãs gostam de debater quem teria sido a parceira ideal, desde Ginger: Rita Hayworth? Cyd Charisse? Eleanor Powell? Gracie Allen? Mas, apesar de ter desenvolvido a maestria de seus solos nos anos 1940, sua química com Rogers nas telas nunca foi alcançada em outra parceria.
O segredo do casal
Ao assistir Astaire e Rogers dançando “Night and Day” em “A Alegre Divorciada” é difícil dizer o quanto Astaire adaptou a coreografia desde sua atuação com Luce – e na ocasião do filme, Rogers ainda não mostrava toda a suavidade e desenvoltura ao dançar que viria a ter dois anos mais tarde. Mesmo assim, já vemos a alquimia Astaire-Rogers com força total. Muito disso tem a ver com as reações multifacetadas de Roger para Astaire.
As tantas restrições são visíveis no rosto atento de Rogers. Vários são os aspectos que tornam sua atuação impressionante: suas pausas súbitas ao se dirigir a Astaire (como se admitisse a existência de um campo de força entre eles); ou quando a certa altura ela se comporta como uma sonâmbula indefesa enquanto em outros momentos parece estar se divertindo a valer; ou ainda em sua maneira extremamente doce de dar a entemder que amar (e dançar com um parceiro) é algo que ela está feliz em ir aprendendo com o tempo; as ondulações que em certos momentos tomam conta de seu corpo, através da espinha dorsal até as pélvis; os passos largos e determinados com os quais ela se afasta dele em certo momento e depois, quando ele a impede, sua misteriosa desenvoltura ao quase lhe dar uma bofetada (e seu jeito suave ao observá-lo enquanto ele rodopia pelo salão). A forma como Astaire mantém o controle nos prende a atenção. Porém, a maneira como ela reage, envolvida da cabeça aos pés, dão a profundidade ao dueto.
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Cartaz de "A Alegre Divorciada"
Dois anos depois de atuar em A” Alegre Divorciada”, Rogers atingiu seu apogeu em “Ritmo Louco” (1936). Naquela época ela já tinha o corpo de dançarina mais bonito que as telas já haviam mostrado. As tomadas de suas pernas no número “Pick Yourself Up” (elas são reveladas durante o sapateado por sua saia na altura do joelho) já são o suficiente para nos fazer engasgar. Ela conseguia arquear sua coluna de diversas formas, todas elas aparentemente repletas de sentimentos; sua cintura fina era arrebatadora.
Apesar de tudo, ela nunca aparentava um ar de superioridade. Na verdade, ela não se comportava ou se apresenta como uma mulher bonita. Sua simplicidade e espontaneidade (basta observar suas mãos e braços) eram pontos centrais de sua atratividade. Apesar de sempre guardar tais qualidades, em algumas partes de “Ritmo Louco” (e em outros filmes importantes da dupla) ela e Astaire se tornam divindades e, juntos, traçam o exemplo perfeito de glamour, amor e dança.
Talvez o ponto alto da parceria seja o número “Waltz in Swing Time”, com Astaire em black-tie e Rogers em um longo branco, filmado em apenas uma tomada. A coreografia é inédita, assim como muitas outras do filme (“The Carioca”, “The Continental”, “The Piccolino”, o sapateado de patins, “The Yam”) e provavelmente é também a mais surpreendente em termos de dança pura. Embora se movam de forma rápida e percussiva, eles parecem deslizar em um fluxo lento e ininterrupto. Mesmo combinando ritmos de swing e valsa (como se estivessem cavalgando em dois cavalos ao mesmo tempo), a impressão de arrebatamento impulsivo é muito mais forte do que de virtuosidade rítmica.
A meu ver, a dupla Astaire e Rogers se tornou mais clássica do que nunca. Com a popularização da dança de salão através do reality show “So You Think You Can Dance”, a imagem de Astaire e Rogers é sempre lembrada (“Burn the Floor”, musical repugnante em cartaz na Broadway que leva ao palco 16 estrelas de “So You Think”, traz um episódio no qual um casal, e depois outro, aparecem vestidos como Astaire e Rogers, em uma paródia musical do número “Let’s Face the Music and Dance”, do filme “Follow the Fleet”, de 1936).
Eternizados em DVD
Foi somente na década de 1960 que a excelência coreográfica dos duetos de Astaire e Rogers recebeu a atenção séria da crítica. Até então conhecida especialmente como crítica de cinema, Arlene Croce fundou em 1965 a revista Ballet Review (que floresce até os dias de hoje): uma de suas duas contribuições mais marcantes à primeira edição foi o ensaio “Notes on La Bele, La Perfectly Swell, Romance” (publicado em 2008 na antologia de Robert Gottlieb intitulada “Reading Dance”).
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Fred Astaire e Ginger Rogers se divertem em "Dance Comigo" ("Carefree", 1938)
Em 1972, Croce deu sequência à revista com um dos trabalhos sobre literatura da dança mais admirados até hoje: a publicação “The Fred Astaire and Ginger Rogers Book”. Através de sua prosa, que se equipara à magnitude destes dois clássicos, seu livro também se tornou um clássico – sendo mencionado e citado em inúmeras publicações sobre a dupla Astaire-Rogers, assim como em musicais para o cinema e comédias românticas. Apesar de esgotado na editora, vale a pena esperar um possível relançamento deste livro – uma vez que isso já ocorreu anteriormente.
Nas décadas de 1960 e 1970, era preciso esperar os filmes de Astaire e Rogers chegarem à televisão ou às salas de projeção especializadas. Muitas vezes era preciso esperar por anos, como no caso de “Roberta” (1935). Croce teve uma opinião apurada ao dizer que este foi o filme mais exuberante da dupla. A MGM, porém (que lançou um remake do filme em 1952 com o título “Lovely to Look At”), por décadas tentou enterrá-lo. Agora chega ao mercado um conjunto de DVDs dos 10 filmes da dupla Astaire-Rogers, no qual você pode assistir “Roberta” quantas vezes seu coração pedir. O DVD “The Swing Time” traz comentários de John Mueller, cujo estudo de 440 páginas, intitulado “Astaire Dancing” (1986), é tão indispensável para o estudo de Astaire como o livro de Croce.
O gosto e a prosa de alto nível de Croce e a análise minuciosa de Mueller ainda prevalecem diante de dois lançamentos recentes: os livros “Fred & Ginger”, de Hannah Hyam (Pen Press Publishers), e “Fred Astaire”, de Joseph Epstein (Yale University Press). Estes escritores, porém, são totalmente opostos. Epstein faz um comentário casual: “Não me lembro se já assisti ‘Top Hat’ cinco ou seis vezes, mas ainda continuo encontrando novidades no filme”, enquanto Hyam, de maneira não menos casual, afirma: “É necessário assistir ‘Waltz Swing Time’ pelo menos 12 vezes antes de tentar captar a riqueza de detalhes presentes no filme”.
Não vejo a necessidade de ler 191 páginas sobre Astaire escritas por alguém que assistiu “Top Hat” apenas seis vezes, no máximo (“o roteiro é tão medíocre”, escreveu Epstein) e se apóia firmemente em referências e citações escritas por outros. A certa altura Epstein nos conta que “Astaire provavelmente ensaiou mais do que o necessário”, em outro momento ele se pergunta por que Astaire precisava ensaiar tanto.
Nenhum dos dois livros faz referência a outro clássico, o filme “Romantic Comedy in Hollywood: From Lubitsch to Sturges”, de James Harvey, que coloca claramente Astaire e Rogers no total contexto de um filme e nos oferece muito mais para ver e considerar. As duas novas publicações tampouco traçam reflexões sobre a complexidade barroca dos inúmeros espetáculos dentro do filmes e dos dramas contidos nos dramas – tornando-os tão enriquecedores.
O fato de que Fred e Ginger estão sempre representando papéis (dentro de seus próprios papéis) nestes filmes deveria torná-los mais artificiais, mais forçados. O que vemos, porém, é uma maior profundidade e complexidade em suas atuações e nos diferentes aspectos de amor expressados por eles. Muitas vezes, ao contracenarem em uma cena de dança ensaiada (segundo nos conta a trama do filme) e se apresentarem diante de uma plateia (que os aplaude), eles acabam se tornando muito mais espontâneos e tocantes, e seu amor parece ainda mais real. Hyam está certa: Precisamos continuar revendo estes filmes. Geralmente hilários e envolventes, eles sempre merecerão estudos minuciosos.
SACRAMENTO, Califórnia - Você já quis comprar um Chevrolet Cavalier assinado por um governador com problemas de orçamento? Esta é a sua chance!
Em uma manobra que sinaliza tanto a vontade quanto a ingenuidade do governador Arnold Schwarzenegger, além da situação desesperadora das finanças da Califórnia, políticos do Estado têm se preparado freneticamente esta semana para uma liquidação de dois dias de artigos retirados de todos os cantos da burocracia estatal.
Carros usados em patrulhas serão vendidos / NYT
O evento, que começa nesta sexta-feira em um armazém aqui da capital, foi apelidado de a Grande Venda de Garagem da Califórnia e é última venda dos excessos do Estado desde que bens desnecessárias foram colocados em leilão em 2004.
"Nós teremos 6 mil artigos à venda", disse Fred Aguiar, secretário da Agência de Serviços ao Consumidor do Estado, responsável pela comercialização. "Há mobílias, computadores e equipamento de escritório. Esta será uma grande oportunidade para os californianos".
Ordenada por Schwarzenegger em julho durante uma análise ruim do orçamento, a venda também será uma oportunidade para que as agências estatais limpem armários, gavetas, garagens e quartinhos.
Entre os artigos colocados à venda está um piano de cauda de 1862, completo com teclas de marfim e décadas de pó, que foi oferecido pelo Departamento de Parques e Recreação.
Piano é raridade de 1862 / NYT
Há duas coleções de bonecas de recordação do time Sacramento Kings de 2003 confiscadas pela Patrulha Rodoviária da Califórnia e à venda por US$ 15. Também há estranhezas de origem desconhecida, como um cancioneiro de uma ópera alemã, "Der Waffenschmied", que pode estar caro demais a US$ 3.
Ainda assim, há muitas pechinchas no lote. O Estado colocou inúmeros laptops no mercado, com preços que variam entre US$ 75 e US$ 275, ao lado de dezenas de computadores de mesa a preços semelhantes. BlackBerrys, Palm Pilots e celulares podem ser comprados por até US$ 5, juntamente com máquinas fotográficas antiquadas (filme, não digital) por US$ 100.
Computadores serão vendidos a bons preços na Califórnia / NYT
Há até mesmo itens para a recreação ao ar livre: barras femininas por 50 centavos, um machado por US$ 2 e uma prancha de surfe por US$ 100.
Quanto a venda conseguirá arrecadar, é claro, ainda não se sabe. Aguiar chegou a palpitar que o Estado possa conseguir US$ 1 milhão. Mas uma coisa é certa: o valor não chegará perto dos US$ 10,5 bilhões que a Califórnia precisa para o atual ano fiscal. A crise do orçamento do Estado tem uma brecha de US$ 24 bilhões.
PARIS - No final da fila da sopa do Exército da Salvação em Paris, um afável menino afegão contava recentemente a história de como chegou à Europa sozinho.
O menino, que disse ter 15 anos mas parecia mais jovem, recontou como passou dois meses trabalhando 11 horas por dia em uma fábrica de roupas que explora os empregados em Istambul.
Depois ele foi contrabandeado para a Grécia, onde foi forçado a trabalhar em uma fazenda de batatas e cebolas perto de Agros durante nove meses, finalmente fugindo na parte de trás de um caminhão. Ele chegou a Paris de trem, depois de quase um ano na estrada.
"Eu quero ir para a escola", ele disse em inglês. "Eu gostaria, se pudesse (apesar disso soar muito a se pedir), de ser engenheiro da computação".
Milhares de meninos afegãos solitários estão atravessando a Europa, uma tendência que aumentou nos últimos dois anos conforme as condições para refugiados afegãos se tornam mais difíceis em países como Irã e Paquistão.
Os meninos representam um desafio para países europeus, muitos dos quais enviaram tropas para lutar no Afeganistão mas cujo público questiona os motivos da guerra.
Na Itália, 24 adolescentes afegãos foram encontrados dormindo em um esgoto de Roma nesta primavera e no ano passado dois adolescentes morreram em portos italianos.
Na Grécia, que diz estar sobrecarregada por pedidos de asilo político de muitos países, não há nenhum sistema de adoção para menores estrangeiros; apenas 300 podem ser alojados em todo o país, dizem os oficiais.
E em Paris este ano, os afegãos pela primeira vez excederam em número os africanos subsaarianos como maior grupo de menores desacompanhados que pedem admissão em serviços de proteção aos menores, disse Charlotte Aveline, conselheira sênior de proteção à criança da Prefeitura local.
"Alguns chegam muito batidos, muito cansados, mas quando são bem tratados por uma semana se tornam adolescentes de novo", disse Jean-Michel do centro Exiles10, uma organização de cidadãos que trabalham com migrantes principalmente afegãos que se reúnem ao redor da Praça Villemin, perto da Gare de l'Est.
Blanche Tax, oficial de política sênior do Alto Comissariado da ONU para Refugiados em Bruxelas, disse que no ano passado 3,090 menores afegãos pediram asilo na Áustria, Grã-Bretanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e Alemanha (países da União europeia onde seus números aumentaram nitidamente) mais do que o dobro dos 1,489 pedidos nesses países em 2007.
BILIN, Cisjordânia - Todas as sextas-feiras dos últimos quatro anos e meio, centenas de manifestantes (aldeões palestinos, voluntários estrangeiros e ativistas israelenses) caminharam em harmonia até a fronteira israelense que separa esta pequena vila do bem-sucedido assentamento de Modiin Illit, parte do qual foi construído sobre terras da aldeia. A 30 metros dali, soldados israelenses assistem e aguardam.
Os manifestantes cantam e gritam e, inevitavelmente, jogam algumas pedras. Então, também inevitavelmente, os soldados abrem fogo com gás lacrimogêneo e jatos d'água, ultimamente incluindo um líquido à base de óleo de odor pútrido que impregna toda a área.
Protestos são reprimidos com gás lacrimogênio / NYT
Este é um dos protestos mais longos e bem organizados da história do conflito Israel-Palestina e transformou esta vila agrícola anônima em um símbolo de desobediência civil palestina, um modelo que muitos partidários da causa palestina gostariam de ver disseminado e próspero.
Por este motivo, um grupo de famosos antigos estadistas, incluindo o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter (que gerou controvérsia ao sugerir que a ocupação israelense da Cisjordânia agravou o apartheid local) veio à Bilin na quinta-feira para dizer aos organizadores locais o quanto admiram seu trabalho e por que é vital mantê-lo atuante.
O Arcebispo anglicano aposentado Desmond Tutu, também presente na visita, disse: "Da mesma maneira que um homem simples como Gandhi conduziu a próspera luta não violenta na Índia e pessoas simples como Rosa Parks e Martin Luther King conduziram a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, as pessoas simples aqui em Bilin estão conduzindo uma luta não violenta que trará sua liberdade".
Tutu, sul-africano vencedor do prêmio Nobel da Paz, falou pisando sobre a terra rochosa cercada dos restos de latas de gás lacrimogêneo e diante de rolos de arame farpado, parte da barreira que Israel começou a construir em 2002 em toda a Cisjordânia conforme uma violenta insurreição palestina teve início.
Israel dizia que seu principal propósito era impedir a circulação de homens-bomba em seu território, mas a rota da barreira (uma mistura de cerca, torres de guarda e paredes de concreto) chega a regiões longínquas da Cisjordânia em determinadas áreas, e a raiva palestina a respeito da barreira se deve tanto à terra perdida quanto à liberdade perdida.
Bilin perdeu metade de suas terras para o assentamento Modiin Illit e levou sua reclamação à Suprema Corte de Israel. Dois anos atrás, o tribunal lhe concedeu uma incomum vitória. Foi ordenado que as construções na região fossem interrompidas e que o exército israelense reposicionasse a barreira para terras de Israel, devolvendo quase metade das terras perdidas à aldeia.
"Os aldeões dançaram nas ruas", relembra Emily Schaeffer, advogada israelense que trabalhou no caso para a aldeia. "Infelizmente, já fazem dois anos desde a decisão e a barreira não se moveu". A vila voltou aos tribunais, até agora em vão, para conseguir que a decisão seja colocada em prática.
Schaeffer explicou o caso às visitas que atendem pelo nome de Os Anciões (The Elders). O grupo foi fundado pelo ex-presidente Nelson Mandela da África do Sul dois anos atrás e é mantido através de doações, inclusive de Richard Branson, presidente do Grupo Virgin e Jeff Skoll, fundandor e presidente do eBay.
FHC, que participa do grupo "The Elders", ao lado do ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e outros líderes, na Cisjordânia / AFP
Sua meta é "apoiar a construção da paz, ajudar a lidar com grandes causas de sofrimento humano e promover os interesses compartilhados da humanidade".
Branson e Skoll estavam presentes na visita a Bilin, bem como Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, Gro Harlem Brundtland, ex-primeiro-ministro da Noruega, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e Ela Bhatt, indígena defensora dos direitos dos pobres e das mulheres. Sua visita por Israel e territórios palestinos também incluiu reuniões com jovens israelenses e palestinos.
Cardoso disse que há muito ouve falar sobre o conflito, mas que vê-lo de perto lhe marcou profundamente. A barreira, ele disse, serve para aprisionar os palestinos.
CEDAR RAPIDS, Iowa - Há mais de um ano, o centro de Cedar Rapids esteve submerso até os telhados como resultado uma inundação recorde causada pelo Rio Cedar e que gerou cerca de US$ 6 bilhões em danos - um dos desastres naturais mais caros desde o Furacão Katrina.
Enquanto a atenção pública se volta mais uma vez a Nova Orleans e a Costa de Golfo, conforme o quarto aniversário da passagem do Furacão Katrina se aproxima, o mesmo não é visto por aqui. Na realidade, as pessoas de Cedar Rapids se sentem negligenciadas.
Casas continuam lacradas e abandonadas em Cedar Rapids / Getty
A recuperação aqui ainda é lenta e não é percebida nos prédios em processo de decomposição. Milhares de famílias deslocadas permanecem em alojamentos temporários e uma ampla demolição para abrir espaço para um novo centro da cidade começou há pouco.
O financiamento federal para a recuperação a longo prazo chega aos poucos, com o governo tendo comprometido dinheiro para cerca de metade do que a cidade diz precisar. E apenas uma fração disto realmente chegou aos cofres públicos locais até agora.
"Nós realmente nos sentimos como o desastre esquecido", disse Greg Eyerly, diretor de recuperação da inundação da cidade. "A coisa mais importante que fazemos é o Cap'n Crunch. Nós não somos uma cidade litorânea. Nós fazemos uma contribuição anônima ao nosso país e as pessoas se esquecem de nós."
Os atrasos na recuperação têm múltiplas causas. A cidade não consegue chegar a um acordo com a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências sobre o nível dos danos sofridos por edifícios públicos e mais de mil famílias ainda não sabem se serão resgatadas de casas que foram inundadas ou se seus bairros irão voltar a existir.
E as fontes de grande parte do dinheiro de recuperação a longo prazo (como os Departamentos de Agricultura e Alojamento e Desenvolvimento Urbano) não são agências de resposta a crises e por isso não operam a um passo emergencial.
Até agora, o Iowa recebeu uma promessa de US$ 3,1 bilhões em ajuda federal para moradia, infraestrutura e recuperação de negócios, mas apenas US$ 689 milhões foram distribuídos e os oficiais locais estimam precisar de algo entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões. O Estado sofreu US$ 1,6 bilhão em danos apenas à infraestrutura. Em Cedar Rapids, oficiais municipais estimam precisar de algo em torno de US$ 6 bilhões.
Centenas de casas em Cedar Rapids permanecem abandonadas, algo similar a como estavam no dia 13 de junho de 2008, quando o Rio Cedar transbordou. Algumas foram destruídas até as bases, enquanto aguardam conserto e dão a bairros inteiros a impressão de uma cidade de fantasma.
Os usuários da internet costumavam se confortar pensando que para se tornarem vítimas dos piratas da web, eles teriam que frequentar o circuito pornô online ou responder a um email da esposa viúva do ex-presidente do banco central da Nigéria. A ideia era que uma pessoa teria que fazer algo diferente para ser pega pelos malfeitores da rede, ou pelo menos ousar um passeio pelo lado perigoso do ciberespaço.
Mas os truques se tornaram mais ousados. Dois anos atrás engenheiros do Google informaram que aproximadamente 10% das milhões de páginas da web que analisaram realizavam a "entrega de downloads" de malware, programas que danificam o computador. O Google hoje tem aproximadamente 330 mil websites listados como maliciosos, mais do que o dobro dos 150 mil de um ano atrás.
No começo deste mês o Departamento de Justiça acusou um jovem de 28 anos de Miami e um casal russo de roubarem 130 milhões de números de cartões de crédito de uma das maiores companhias de processamento de compras do mundo, que deveria saber como proteger seus computadores dos hackers.
Além disso, na semana passada, a McAfee, fabricante de softwares antivírus, relatou que fãs em busca de fofocas e lembranças de Holllywood enfrentam um risco alto de caírem nas mãos de bandidos online.
Procurar pela atriz Jessica Biel, que ganhou o Prêmio de Realização do festival de cinema de Newport Beach em 2006 e ficou em terceiro lugar na lista das 100 mulheres mais bonitas da revista Maxim do ano passado, é o mais perigoso, com uma chance entre cinco de se chegar a um website que testou positivo para spyware, adware, spam, phishing, vírus ou outros materiais nocivos.
"Jessica Biel" é a procura que tem mais chances de danificar seu computador / Getty Images
Buscas por Beyoncé, Britney Spears e até mesmo Tom Brady, do New England Patriot, também são arriscadas, de acordo com a McAfee. Mais de 40% dos resultados de buscas do Google para "descanso de tela da Jennifer Aniston" contêm vírus, inclusive aquele apelidado de FunLove.
Talvez os policiais do ciberespaço responderão mais agressivamente às ameaças da internet conforme elas se disseminem para partes mais saudáveis da web, como as forças policiais que não se importam com os crimes nas partes pobres das cidades, mas agem quando ele chega aos bairros de classe média. A McAfee, sem surpresa, sugere que compremos seu software.
Mas com cada vez mais informações sobre os cartões de crédito das pessoas, seu histórico de navegação e sua identidade disponíveis pela rede, será isso suficiente?
Alguns meses atrás, eu criei nervosamente meu primeiro Facebook com a mínima informação necessária para ver fotografias publicadas por velhos amigos. Eu voltei alguns dias depois à página e descobri que de alguma maneira o website havia descoberto tanto o nome da minha faculdade quanto o ano de minha graduação, exibindo-os embaixo do meu nome.
Eu não voltei desde então. No fundo da minha mente eu temo que um hacker de 28 anos e um casal russo tenham juntado mais fatos sobre mim do que eu gostaria que tivessem. E agora é tarde demais para levar toda minha vida para o mundo offline.
WASHINGTON - Durante 30 anos, Eli M. Rosenbaum tem caçado nazistas criminosos de guerra. Mesmo diante da iminente morte dos últimos deles, Rosenbaum não desiste.
"Ainda há tempo para levar algumas destas pessoas à justiça e nós temos que fazer isso", disse Rosenbaum, diretor do Gabinete de Investigações Especiais, que chegou a esta agência do Departamento de Justiça como estagiário no verão de 1979, ano em que foi criada, e se tornou seu chefe em 1995.
Rosenbaum comanda departamento que busca nazistas nos EUA / NYT
Embora a agência inicialmente tenha procurado os criminosos de guerra nazistas e seus aliados com exclusividade, uma lei de 2004 ampliou seu papel para cobrir os criminosos de guerra modernos, de lugares como Bósnia e Ruanda.
A tarefa do gabinete é localizar suspeitos de crimes de guerra que moram nos Estados Unidos, processá-los sob a lei de imigração (buscando desnaturalizar os que obtiveram cidadania) e deportá-los, preferivelmente para países onde terão que responder por seus crimes.
Rosenbaum diz que, no momento, cerca de 30 pessoas nos Estados Unidos podem ter um passado nazista sob investigação, juntamente com outros 80 possíveis criminosos de guerras mais recentes.
Cerca de metade dos recentes esforços de litígio do gabinete envolveram suspeitos nazistas, entre eles John Demjanjuk, acusado de atrocidades como guarda de campo de concentração na Polônia. Demjanjuk foi deportado para a Alemanha em maio.
"Nós temos mais alguns anos apenas", disse Rosenbaum sobre a caça aos últimos nazistas. "Mas eu não acho que você ouvirá o departamento dizer: 'Pronto. Os casos acabaram'."
Mas o inevitável encolhimento da população de suspeitos nazistas significou mudanças para o Gabinete de Investigações Especiais. Entre outras coisas, os historiadores do gabinete que antes pesquisavam apenas a Segunda Guerra Mundial se tornaram peritos em crimes de guerras modernas.
Apesar de dezenas de investigações, o gabinete empreendeu apenas um punhado de acusações nos últimos anos. Mas Rosenbaum vê significado em demonstrar que a agência investigará suspeitos de crimes de guerra mesmo que estas investigações não conduzam a condenações.
"Eu acho que há um valor particular", ele disse, "em mostrar aos possíveis perpetradores que quem ousar fazer tais crimes, poderá ser processado pelo resto da vida mesmo a milhares de quilômetros do local do crime".
Cabelos lisos e sedosos há muito tempo são considerados uma coroa perfeita por mulheres negras. Mas muitas vezes conseguir este efeito significa suportar a queimação típica dos químicos alisadores. Ou uma cara dependência de cremes hidratantes.
Conseguir um "cabelo bom" geralmente significa transformar raízes firmemente encaracoladas, mas também é algo além de simplesmente optar por um visual para muitas mulheres afro-americanas. Alisar o cabelo é visto como uma forma de se tornar mais aceitável para certos parentes, bem como para os brancos.
"Se seu cabelo é alisado, as pessoas brancas ficam mais confortáveis", disse o comediante Paul Mooney, ostentando um Afro, no documentário "Good Hair" (Cabelo Bom, em tradução literal) que ganhou um prêmio de júri no festival de cinema de Sundance e será lançado em outubro. "Se seu cabelo é enrolado, eles não ficam felizes".
O filme, feito por Chris Rock, explora até onde as mulheres negras são capazes de ir para conseguir cabelos longos e lisos, de um alongamento texturizado de US$ 1 mil do salário de uma professora a estudantes que têm seus cabelos relaxados quimicamente.
Diante da pressão cultural, o pensamento é: conformistas relaxam seu cabelo e rebeldes têm a coragem de deixá-los ao natural. Em alguns cantos, o relaxamento dos cabelos é até mesmo visto como um desejo de ser branco.
"Para mulheres negras, você é condenada se fizer, condenada se não fizer", disse Ingrid Banks, professora de estudos negros da Universidade da Califórnia em Santa Barbara. "Se for atrás de cabelos lisos, será vista como alguém que se vendeu. Se não alisar os cabelos é vista como alguém que não cuida corretamente da aparência".
Qualquer um que tenha pensado que tais preconceitos estavam ultrapassados teria percebido o contrário diante das reações negativas ao fato da filha de 11 anos do presidente, Malia Obama, ter usado seu cabelos em cachos durante suas férias de verão em Roma. Comentaristas do blog conservador Free Republic a atacaram como imprópria para representar a América por ter saído sem alisar o cabelo.
Embora legiões de mulheres negras alisem seus cabelos nos Estados Unidos (Michelle Obama entre elas), salões especializados em estilos naturais têm se proliferado, e mais mulheres negras optam por ostentar seus cachos naturais. Muitas usam cachos e tranças com uma atitude orgulhosa por não terem cedido diante da pressão para alisar.
Em "Good Hair", a atriz Nia Long descreve a sabedoria convencional de que cabelo alisado é mais desejável: "Há sempre uma espécie de pressão dentro da comunidade negra, como: 'Oh, se você tiver cabelo bom, você será mais bonita ou melhor do que a menina que usa um Afro ou cachos ou um penteado natural.' "
Para alguns, a linha de batalha já foi definida.
Mas em entrevistas recentes, várias pessoas negras expressaram cansaço com o debate. Eles questionam, essencialmente: Por que cabelo não pode simplesmente ser cabelo? Um Afro tem necessariamente que estabelecer uma mulher como a herdeira política de Angela Davis? Uma fashionista que reproduz o corte da primeira dama realmente não está sendo verdadeira consigo mesma só porque o penteado é liso?
"Eu sou quem eu sou, não importa como uso meu cabelo", disse Tywana Smith, dona do Treasured Locks, um website dedicado à manutenção de cabelos relaxados e naturais. "Eu quero que meus filhos sejam vistos por quem eles são, e não pela forma como usam seus cabelos", ela acrescentou. "Se eles caminham rua abaixo com cachos ou tranças, eles não estão fazendo qualquer outra declaração além de 'Hoje eu estava com vontade de usar cachos'".
Suposições sobre os motivos para o alisamento dos cabelos já não são tão fáceis quanto uma vez foram. Durante a última campanha presidencial, Noliwe M. Rooks, diretora associada do Centro de Estudos Afro-Americanos de Princeton, teve muitos debates sobre o que significou quando o cabelo de Sasha e Malia Obama foi alisado. "Ao contrário de momentos anteriores", a conclusão não determinava "claramente que a mãe tinha se vendido ou que ela determinava que cabelo liso é melhor", disse Rooks. "Hoje existe uma certa complexidade a respeito de quem somos. Não houve uma resposta fácil a respeito do motivo daquela mudança".
Afua Adusei-Gontarz, 30, do Brooklyn, usou seu cabelo natural por cinco anos em uma trança francesa. Mas ela não acha que o visual a tornava mais autenticamente negra. "Se você tem cabelo natural, você é considerada mais real, ou mais em contato com sua africanidade", disse Adusei-Gontarz, editora assistente da Imprensa Universitária de Columbia.
Ela rejeita o pensamento de que em Gana seus antepassados relaxam os cabelos (como ela agora o faz por comodidade) e "as gerações mais novas é que têm cabelos naturais".
No ano passado, as vendas de cremes para relaxamento caseiro somaram US$ 45,6 milhões (excluindo o Wal-Mart). De acordo com a Mintel, uma empresa de pesquisa de mercado, o número se manteve firme nos últimos anos. Tantas mulheres afro-americanas usam relaxantes ou um pente quente (chapinha) para adquirir um visual liso temporário que não fazer isso pode exigir muita coragem. Em websites onde mulheres negras discutem seus cabelos, os comentaristas apoiam o visual natural para os outros, mas não o adotam para si, disse Rooks. Eu não sou valente o bastante, elas dizem - é tão maravilhoso que você consegue se aceitar como é.
A questão do "cabelo bom" quase sempre se inclina às mulheres. Homens negros com cabelo grosso há muito têm uma opção conveniente e socialmente aceitável: um corte ralo. Muitas mulheres entram no hábito de relaxar o cabelo quando meninas (quando a escolha é feito por sua mãe ou outro parente) então mudar isso quando adultas se torna difícil.
Para muitas pessoas não importa sua raça ou textura de cabelo, se aceitar "como é" pode ser algo difícil. A história da beleza é cheia de descontentamento e transformação: morenas se tornam loiras; mulheres brancas alisam seu cabelo ondulado no melhor estilo japonês. Para ir do curto ao comprimento na altura dos ombros e de volta, celebridades de Britney Spears a Queen Latifah usam alongamentos, que exigem que um estilista costure ou cole o cabelo de outra pessoa no couro couro cabeludo delas.
Então por que, pergunta Brian Smith que coordena o TreasuredLocks.com com sua esposa, Tywana, um penteado é principalmente uma "declaração política ou social" entre os afro-americano? Ele teve clientes que chegaram a lhe implorar para que deixe de dar conselhos a pessoas que usam relaxantes porque "você está ajudando estas mulheres a se venderem". Mas ele e sua esposa, que agora usa cachos depois de anos de relaxamento, não tomam partido.
O termo "natural" em si é problemático, disse Banks. Ela recentemente passou 14 meses em salões para negros em cinco cidades pesquisando para um futuro livro. Salões naturais não oferecem mudanças químicas ou texturas. Mas ela encontrou "grande quantidade de coloração nas arrumações naturais que desafiam o rótulo sem químicos".
Para Banks, fazer uma escolha é crucial, não resultante de um penteado. "Se uma mulher negra opta por relaxar seu cabelo, ou cortar todo seu cabelo ou não fazer nada a respeito, fazer esta escolha já é algo que lhe dá poder", ela disse, notando que antigamente mulheres negras que trabalhavam em plantações não tinham este luxo.
Pelo menos 4 milhões de americanos com menos de 65 anos de idade são expostos a altas doses de radiação através de exames médicos a cada ano, de acordo com um novo estudo publicado no jornal de medicina The New England.
Cerca de 400 mil destes pacientes recebem doses muito altas, mais do que o máximo da exposição anual permitida a funcionários de usinas nucleares ou outros que trabalham com material radioativo.
O estudo, que será publicado nesta quinta-feira, se baseou em uma pesquisa realizada entre 2005 e 2007 que cobriu quase 1 milhão de pacientes assegurados pela United Healthcare nos EUA.
Pacientes que fazem tomografias recebem altas doses de radiação / NYT
O estudo, no entano, não estimou o número de casos de câncer que a radiação pode causar nas próximas décadas.
Os testes radioativos são realizados por centenas de propósitos. Nas últimas duas décadas, eles se tornaram especialmente comuns na cardiologia, onde os médicos os usam para conferir a formação de placas nas artérias e a habilidade do coração em bombear sangue.
Alguns cardiologistas agora encorajam seus pacientes para que realizem exames visuais rotineiros no coração, mesmo que não tenham sintomas clínicos de doença no órgão, como dor no tórax ou dificuldade de respiração.
O uso dos exames aumentou nitidamente nas últimas duas décadas, conforme cada vez mais médicos compram aparelhos específicos para a realização de tomografias e outros exames visuais e os instalam dentro ou perto de seus consultórios.
Em 2007, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos calculou que o número de tomografias solicitadas a um paciente do Medicare havia quase quadruplicado entre 1995 e 2005, enquanto o número de outros exames aumentou até mais rapidamente.
O principal autor do novo estudo, Dr. Reza Fazel, cardiologista da Universidade de Emory, disse o uso de exames visuais parece ter aumentado até mesmo entre 2005 e 2007, período no qual o estudo foi realizado. "Estes procedimentos têm um custo, não apenas em dólares, mas em termos do risco de radiação", disse Fazel.
Os pesquisadores calcularam a quantidade de radiação recebida pelos pacientes através de códigos de seguro de vários tipos de exames visuais. A exposição é medida em millisieverts; o americano comum recebe aproximadamente três millisieverts por ano de todas as fontes.
O estudo concluiu que em pelo menos um dos três anos, 1.9% dos pacientes da United Healthcare receberam 20 millisieverts de radiação, ou quase sete vezes a média. Daquele grupo, aproximadamente 10%, ou 0,2% de todos os pacientes, receberam pelo menos 50 millisieverts, mais que a máxima anual que os reguladores nucleares permitem.
Estes números sugerem que aproximadamente 4 milhões de americanos recebam doses cumulativas que excedem 20 millisieverts ao ano.
CASABLANCA, Marrocos - O Marrocos há muito é visto como um raro Estado islâmico, liberal e moderno, aberto ao Ocidente e uma possível ponte para um Oriente Médio mais tranquilo, que pode viver em paz com Israel.
Mas sob pressão do radicalismo islâmico, o Rei Mohammed desacelerou a velocidade das mudanças. O poder permanece concentrado na monarquia; a democracia parece mais demonstrativo do que real.
Ainda que insistindo que o rei está comprometido com reformas mais profundas, oficiais sênior falam em manter um equilíbrio entre liberdade e coesão social. Muitos discutem a ameaça do extremismo da vizinha Argélia.
Desde um grande bombardeio em hotéis do centro da cidade e áreas de compra, realizado por radicais islâmicos em 2003, e uma tentativa de outra campanha de bombardeio em 2007, houve uma severa e contínua repressão dos suspeitos extremistas locais.
Em 2003, qualquer um com barba longa provavelmente seria detido. Até mesmo agora, quase 1.000 prisioneiros considerados radicais islâmicos permanecem em prisões marroquinas.
Seis políticos islâmicos foram recentemente presos, acusados de cumplicidade em uma trama terrorista. O caso está cheio de irregularidades e foi baseado principalmente em evidências circunstanciais, de acordo com o advogado de defesa, Abelaziz Nouaydi, e o grupo de direitos humanos Human Rights Watch.
Em uma entrevista rara, Yassine Mansouri, chefe da inteligência do Marrocos, afirmou que os políticos presos "usaram suas atividades políticas como cobertura para atividades terroristas". "Nosso objetivo não era parar um partido político", ele disse. "Há uma lei a ser seguida".
O Marrocos está ameaçado, disse Mansouri, por dois extremos: o Wahhabism conservador disseminado pela Arábia Saudita e o Xiismo disseminado pelo Irã.
"Nós os consideramos ambos agressivos", disse Mansouri. "O Islã radical tem o vento a favor de sua vela e permanece uma ameaça".
Mohammed, que celebrou seu 10º ano no trono este ano, se vê como um modernizador e reformador, depois de ter investido pesadamente em desenvolvimento econômico, aliviado as restrições à mídia, determinado mais direitos para as mulheres e revelado alguns dos piores abusos ao ser humano do passado.
Mas a severa repressão danificou o histórico recente do Marrocos em relação aos direitos humanos. Prisioneiros muçulmanos são tratados de maneira brutal nas prisões, muitas vezes sodomizados com garrafas, disse Abdel-Rahim Moutard, ex-detento que teve ambas as mãos quebradas durante interrogatórios. Ele coordena a Ennasir, uma organização para prisioneiros. Mas quando eles saem da prisão, recebem pouca ajuda, até mesmo das mesquitas ou da Ennasir.
"Muitos deles ficam chocados que seu país os trate desta maneira", disse Moutard. "Depois de receber o tratamento da garrafa, toda vez que for ao banheiro ele se lembrará daquilo e pensará em vingança".
Três décadas atrás, o senador Edward "Ted" Kennedy arruinou sua última esperança de ser eleito à Casa Branca quando um entrevistador de televisão lhe perguntou por que ele queria ser presidente. Ele não conseguiu articular uma resposta, oferecendo uma reação gaguejante e vazia que persuadiu seu partido de que ele não queria ou não seria apropriado para o trabalho que seu irmão John havia conquistado e seu irmão Robert havia aspirado.
Ainda assim, como tão frequentemente aconteceu em uma vida extraordinária que oscilou entre sucesso e infortúnio apenas para voltar ao sucesso novamente, este momento difícil funcionou a favor de Kennedy e, no final, foi uma vantagem ainda maior para o país como um todo. Tendo falhado em seu desafio ao presidente Jimmy Carter, Kennedy estava finalmente livre para se concentrar com paixão e arte política na sua vocação natural como um dos maiores legisladores e grandes reformadores do Senado moderno.
O histórico que Kennedy deixa depois de 46 anos só pode ser invejado por seus colegas conforme eles se unem à nação lamentando sua morte depois de uma briga de 15 meses contra o câncer de cérebro - um histórico firmemente ancorado na insistência de Kennedy de que a política seja vista e administrada através do prisma das necessidades humanas.
Junto com um domínio das complexidades parlamentais, conquistado a duras penas, e uma disposição em trabalhar além de seu próprio partido para conquistar votos cruciais, o liberalismo decidido de Kennedy deixou um legado robusto: leis e reformas que tocam os direitos civis, o Ministério da Justiça, os refugiados, o bem-estar social, a política externa (ele foi um dos 23 senadores que votaram contra a autorização da invasão do Iraque), os direitos ao voto, o trabalho de aprendizado, a educação pública e o salário mínimo.
Na sua despedida agridoce diante da Convenção Democrata, o senador pediu que seu partido agisse no que qualificou como "a causa de minha vida": os cuidados médicos de qualidade como um direito fundamental para os cidadãos americanos.
O destino da causa de Kennedy permanece nas mãos de um Congresso em conflito e do presidente Barack Obama, o candidato democrata que Kennedy ousou patrocinar quando outros líderes do partido hesitaram. E ainda que sua liderança seja sentida na guerra legislativa adiante, seria um tributo adequado se sua morte pudesse solucionar para melhor um assunto em dúvida há tempo demais.
A vida de Kennedy foi carregada pela tragédia pessoal, inclusive os assassinatos de seus dois irmãos, e embaraço pessoal, geralmente auto-infligido. Seu fim foi decretado 40 anos atrás, depois que Mary Jo Kopechne se afogou em um carro que o senador dirigia quando caiu de uma ponte em Chappaquiddick Island, perto de Martha's Vineyard. Mas os eleitores de Massachusetts permaneceram a seu lado, e nos últimos 15 anos, Kennedy pareceu conseguir um controle muito maior de sua vida particular, não menos em um esforço para se tornar um melhor pai substituto para seus muitos sobrinhos órfãos.
"Eu reconheço minhas próprias falhas", ele concedeu em 1991, sabendo que elas não seriam apagadas das páginas da história. Mas seu espírito também não será, sua devoção em ajudar os americanos em necessidades e sua convicção de que a política, nem sempre um caminho fácil, pode fazer uma diferença real.
Seu mantra, formado sobre uma tragédia, e expressado eloquentemente na Convenção Nacional Democrata quando ele abandonou sua disputa pela candidatura presidencial em 1980, era simples e nobre: "O trabalho continua, a causa suporta, a esperança ainda vive e o sonho nunca morrerá". Em suas últimas falas, ele explicitamente passou este mantra a Obama.
Apoio de Ted Kennedy foi decisivo a Obama durante a eleição / AP
JOHANESBURGO – Para muitos sul-africanos, o bafafá internacional sobre o caso de Caster Semenya ser muito masculina para competir na corrida feminina tem sido uma afronta para todos aqui, como se um mundo insensível quisesse espiar dentro da calça de todo para avaliar o que vê.
NYT
Semenya sobre no pódio em frente a uma multidão no aeroporto de Johanesburgo
Alguns comentaristas acharam o assunto tão assombroso que compararam o caso de Semenya com o de Saartjie Baartman, mulher africana levada para a Europa no século 19 e exibida como uma aberração sob o nome de Hottentot Venus. Os cientistas examinaram suas genitais.
Semenya voltou de Berlim para sua casa nesta terça-feira. Na capital alemã, ela tinha vencido a corrida mundial de 800 metros, na última quarta-feira. A vitória veio apenas algumas horas após oficiais da corrida internacional dizer que Semenya, uma garota musculosa com a voz rouca de 18 anos, precisava passar por um exame de avaliação de sexualidade para confirmar sua elegibilidade.
Desde então, ela se tornou um herói nacional e sua história – o conto de uma pobre garota de uma vila remota – uma fonte de inspiração. Mais de mil pessoas a cumprimentaram no principal aeroporto de Johanesburgo. Muitos carregavam cartazes com escritos: “nossa garota de ouro” ou “simplesmente a mulher”. Enquanto a multidão esperava, eles cantaram músicas de libertação de forças e dançaram ao som de tambores.
Horas depois, um comboio de dez motocicletas levou a equipe de atletismo à casa de convidados presidencial, em Pretoria. Semenya, em trajes de corrida com sua medalha de ouro pendurada no pescoço, andou ao lado de Jacob Zuma, líder do país, para enfrentar a mídia. A corredora não tinha nada a dizer, deixando seus comentários à corrida que ganhou: “eu consegui a liderança nos 400 metros e acabei com eles, eles não conseguiram acompanhar. Eu comemorei os últimos 200 metros porque eu sabia, cara”.
Zuma, falando para uma nação ofendida, foi mais ousado em sua fala. Ele disse que o governo havia escrito à Associação de Federações Atléticas (IAAF, sigla em inglês), corpo governante da corrida mundial, “expressando nossa decepção” com a forma com que o assunto foi tratado.
O anonimato geralmente é dado durante a investigação da IAAF. “Uma coisa é averiguar se um atleta possui ou não vantagens injustas sobre os concorrentes”, disse Zuma. “Mas é algo totalmente diferente humilhar publicamente uma atleta honesta, profissional e competente”.
Lamine Diack, presidente da IAAF, admitiu que a confidencialidade foi violada chamando o fato de “lamentável” e pediu um inquérito. Mas sua admissão não acabou com a ofensa.
A África do Sul é o país mais rico do continente. Marcado pelo apartheid, agora é uma jovem democracia que, de muitas formas, ainda está tentando encontrar seu caminho. O governo ainda é vulnerável a críticas. No próximo ano, o país será a sede da Copa do Mundo, a primeira na África. Frequentemente, as pessoas aqui falam como se o resto do mundo – especialmente o ocidente – esperasse que o evento fosse um fracasso, confirmando todos seus preconceitos negativos.
NYT
Homem na multidão mostra bandeira da África do Sul
Similarmente, a ofensa à Semenya é visto como outro esforço para humilhar o sucesso africano. Mais uma vez, foi falado em racismo durante a recepção na terça-feira, um evento que pareceu menos uma explosão de entusiasmo espontâneo de fãs de esportes do que uma recepção coreografada de profissionais políticos. Muitos na multidão, no aeroporto, faziam parte de afiliados do Congresso Nacional Africano governante. Outros partidos políticos mandaram contingentes menores.
Uma comemoração adicional foi feita no estacionamento do aeroporto. Semenya tinha pouco a dizer no pódio, exceto um “oi, pessoal”. Mas Julius Malema, líder da liga jovem ANC, fez uma observação sobre a demografia da multidão. “Onde estão os sul-africanos brancos para receber Caster?”, ele queria saber.
Uma história antiga de controvérsias tem sido um jogo de adivinhação sobre quem reclamou à IAAF sobre Semenya. Novas histórias por aqui têm culpado australianos anônimos. Mas na terça-feira, Leonard Chuene, presidente do Atletismo da África do Sul afirmou que evidências secretas mostraram que o denunciador era da África do Sul e Malema acrescentou que era uma “instituição midiática”.
Chuene, que dirige o programa de corrida do país, tem sido a voz que lidera o desafio contra a IAAF, deixando sua posição no quadro da federação por causa do fato. “Não permitiremos que europeus definam ou descrevam nossas crianças”, disse ele, acrescentando que a África do Sul não irá cooperar com nenhum exame de gênero sexual por “alguma universidade estúpida de algum lugar”.
“Os únicos cientistas em que acredito são os pais dessa criança”, disse ele.
Na semana passada, os sul-africanos pareciam ver o assunto de forma confusa. Simplesmente olhar o certificado de nascimento da garota, foi o que sugeriram. Levem-na ao banheiro para uma avaliação. Pergunte a sua mãe, a seu pai. Pergunte a alguém como sua tia, Johanna Lamola, que disse: “Eu sei o que Caster tem. Eu fui sua babá. Troquei suas fraldas”.
Foi apenas nos últimos dias que a mídia começou a noticiar sobre genes e hormônios e toda a ambiguidade envolvendo a determinação do sexo. Os exames da IAAF prescritos à Semenya envolvem relatórios de um ginecologista, um endocrinologistas, um psicólogo, dentre outros.
Examinar o gênero sexual dos atletas foi algo que começou nos anos 1960, quando a União Soviética e outros países comunistas suspeitaram que homens estivessem se inscrevendo em competições femininas. Primeiro, os médicos simplesmente olharam os corpos nus. Mas logo testes cromossômicos foram empregados, muitas vezes fornecendo evidências contrárias ao exame de observação do corpo. A velocista polonesa Ewa Klobukowska passou no teste de nudez, mas então foi impedida de competir em 1967, quando seu material genético mostrava uma história diferente.
Dizem que Semenya, que estuda na Universidade de Pretoria, está “traumatizada” com a discussão sobre seu sexo. Mas ela já havia suspeitado ser homem. “Os garotos costumavam provocá-la sempre”, disse sua tia-avó, Martina Mpati. “Às vezes, ela tinha que bater neles”.
Semenya é da vila Ga-Masehlong, na província de Limpopo. Assim como outras garotas, esperavam que ela buscasse lenha na floresta ao amanhecer. Mas diferente delas, ela ia jogar futebol com os garotos.
Na escolha secundária, Semenya se concentrou em correr. Seu diretor disse ao jornal sul-africano “The Star” que em alguns encontros de corridas, a outra equipe exigia provas de que alguém com um físico tão masculino fosse uma garota. “Mas, cada vez que a avaliavam no banheiro, ela era considerada mulher e a competição era retomada”, disse ele.
TRIVANDRUM, Índia - As meninas batem com força. Elas chegam de toda a Índia neste grande ginásio administrado pelo governo. Antes de entrar no rinque de boxe, elas baixam a cabeça como quem entra em um templo.
A filha do dono de uma fábrica de roupas de fundo de quintal acerta um gancho. A filha de um trabalhador de construção se apoia contra a corda, gotas de suor escorrem por sua face. Saltando, abaixando como um gafanhoto, uma menina pequena com olhos estreitos vinda de Calcutá abandonou o casamento de sua irmã para ter uma chance de vir aqui e lutar.
O barulho de luvas contra luvas ecoava contra as paredes cavernosas.
Em um país com numerosos obstáculos para as mulheres, estas jovens buscam espaço através do boxe.
O Comitê Olímpico Internacional anunciou no começo deste mês a entrada do boxe feminino na Olimpíada de Londres em 2012. A Índia estava entre os países que pediam o fim do impedimento ao esporte para mulheres.
"Este é meu sonho se tornado realidade", disse Mangte Chungneijang Merykom, 27, a lutadora mais aclamada da Índia, mais conhecida como Mary Kom.
Kom é a grande esperança da Índia na competição de boxe. Desde que a Associação de Boxe Internacional passou a aceitar mulheres, no campeonato mundial em 2001, Kom conquistou quatro medalhas de ouro.
Com relativamente pouco apoio do governo, as mulheres indianas têm se saído surpreendentemente bem nos campeonatos mundiais.
A China é a maior concorrente da Índia. Nos últimos campeonatos, realizados em Ningbo City, China, o time da casa conquistou 11 medalhas, seguido pela Rússia com cinco, e quatro cada para Índia e Estados Unidos.
Kom, que há pouco voltou de um treinamento em Pequim, explica. Mesmo os técnicos na China estão em forma, ela disse, e as atletas comem carne no café da manhã, almoço e janta.
Os campos de treinamento modestos da Índia servem carne ou peixe uma vez ao dia. Os atletas lavam suas próprias roupas à mão. Não há nenhum fisioterapeuta dedicado às pugilistas machucadas.
Não importa. O boxe representa um novo tipo de liberdade às mulheres que entram neste úmido ringue, no sul da Índia.
Hema Yogesh, 16, filha de um fazendeiro de temperos, fugiu de casa para participar de seu primeiro acampamento de treinamento.
Seu pai ficou inicialmente furioso, mas logo ela trouxe para casa sua primeira medalha de ouro depois de uma competição estadual. Seus colegas de escola a cobriram com guirlandas e saudações. Seu pai, segundo ela, caiu nas lágrimas. Ela também. Agora ele quer que ela concorra internacionalmente.