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Califórnia liquida bens em busca de solução para crise orçamentária

SACRAMENTO, Califórnia - Você já quis comprar um Chevrolet Cavalier assinado por um governador com problemas de orçamento? Esta é a sua chance!

Em uma manobra que sinaliza tanto a vontade quanto a ingenuidade do governador Arnold Schwarzenegger, além da situação desesperadora das finanças da Califórnia, políticos do Estado têm se preparado freneticamente esta semana para uma liquidação de dois dias de artigos retirados de todos os cantos da burocracia estatal.


Carros usados em patrulhas serão vendidos / NYT

O evento, que começa nesta sexta-feira em um armazém aqui da capital, foi apelidado de a Grande Venda de Garagem da Califórnia e é última venda dos excessos do Estado desde que bens desnecessárias foram colocados em leilão em 2004.

"Nós teremos 6 mil artigos à venda", disse Fred Aguiar, secretário da Agência de Serviços ao Consumidor do Estado, responsável pela comercialização. "Há mobílias, computadores e equipamento de escritório. Esta será uma grande oportunidade para os californianos".

Ordenada por Schwarzenegger em julho durante uma análise ruim do orçamento, a venda também será uma oportunidade para que as agências estatais limpem armários, gavetas, garagens e quartinhos.

Entre os artigos colocados à venda está um piano de cauda de 1862, completo com teclas de marfim e décadas de pó, que foi oferecido pelo Departamento de Parques e Recreação.


Piano é raridade de 1862 / NYT

Há duas coleções de bonecas de recordação do time Sacramento Kings de 2003 confiscadas pela Patrulha Rodoviária da Califórnia e à venda por US$ 15. Também há estranhezas de origem desconhecida, como um cancioneiro de uma ópera alemã, "Der Waffenschmied", que pode estar caro demais a US$ 3.

Ainda assim, há muitas pechinchas no lote. O Estado colocou inúmeros laptops no mercado, com preços que variam entre US$ 75 e US$ 275, ao lado de dezenas de computadores de mesa a preços semelhantes. BlackBerrys, Palm Pilots e celulares podem ser comprados por até US$ 5, juntamente com máquinas fotográficas antiquadas (filme, não digital) por US$ 100.


Computadores serão vendidos a bons preços na Califórnia / NYT

Há até mesmo itens para a recreação ao ar livre: barras femininas por 50 centavos, um machado por US$ 2 e uma prancha de surfe por US$ 100.

Quanto a venda conseguirá arrecadar, é claro, ainda não se sabe. Aguiar chegou a palpitar que o Estado possa conseguir US$ 1 milhão. Mas uma coisa é certa: o valor não chegará perto dos US$ 10,5 bilhões que a Califórnia precisa para o atual ano fiscal. A crise do orçamento do Estado tem uma brecha de US$ 24 bilhões.

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28/08/2009 02:06 PM

Guerra e família ficam para trás quando jovens afegãos buscam nova vida na Europa

PARIS - No final da fila da sopa do Exército da Salvação em Paris, um afável menino afegão contava recentemente a história de como chegou à Europa sozinho.

O menino, que disse ter 15 anos mas parecia mais jovem, recontou como passou dois meses trabalhando 11 horas por dia em uma fábrica de roupas que explora os empregados em Istambul.

Depois ele foi contrabandeado para a Grécia, onde foi forçado a trabalhar em uma fazenda de batatas e cebolas perto de Agros durante nove meses, finalmente fugindo na parte de trás de um caminhão. Ele chegou a Paris de trem, depois de quase um ano na estrada.

"Eu quero ir para a escola", ele disse em inglês. "Eu gostaria, se pudesse (apesar disso soar muito a se pedir), de ser engenheiro da computação".

Milhares de meninos afegãos solitários estão atravessando a Europa, uma tendência que aumentou nos últimos dois anos conforme as condições para refugiados afegãos se tornam mais difíceis em países como Irã e Paquistão.

Os meninos representam um desafio para países europeus, muitos dos quais enviaram tropas para lutar no Afeganistão mas cujo público questiona os motivos da guerra.

Na Itália, 24 adolescentes afegãos foram encontrados dormindo em um esgoto de Roma nesta primavera e no ano passado dois adolescentes morreram em portos italianos.

Na Grécia, que diz estar sobrecarregada por pedidos de asilo político de muitos países, não há nenhum sistema de adoção para menores estrangeiros; apenas 300 podem ser alojados em todo o país, dizem os oficiais.

E em Paris este ano, os afegãos pela primeira vez excederam em número os africanos subsaarianos como maior grupo de menores desacompanhados que pedem admissão em serviços de proteção aos menores, disse Charlotte Aveline, conselheira sênior de proteção à criança da Prefeitura local.

"Alguns chegam muito batidos, muito cansados, mas quando são bem tratados por uma semana se tornam adolescentes de novo", disse Jean-Michel do centro Exiles10, uma organização de cidadãos que trabalham com migrantes principalmente afegãos que se reúnem ao redor da Praça Villemin, perto da Gare de l'Est.

Blanche Tax, oficial de política sênior do Alto Comissariado da ONU para Refugiados em Bruxelas, disse que no ano passado 3,090 menores afegãos pediram asilo na Áustria, Grã-Bretanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e Alemanha (países da União europeia onde seus números aumentaram nitidamente) mais do que o dobro dos 1,489 pedidos nesses países em 2007.

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28/08/2009 01:51 PM

Vila que faz protestos pacíficos serve de modelo para causa palestina

BILIN, Cisjordânia - Todas as sextas-feiras dos últimos quatro anos e meio, centenas de manifestantes (aldeões palestinos, voluntários estrangeiros e ativistas israelenses) caminharam em harmonia até a fronteira israelense que separa esta pequena vila do bem-sucedido assentamento de Modiin Illit, parte do qual foi construído sobre terras da aldeia. A 30 metros dali, soldados israelenses assistem e aguardam.

 

Os manifestantes cantam e gritam e, inevitavelmente, jogam algumas pedras. Então, também inevitavelmente, os soldados abrem fogo com gás lacrimogêneo e jatos d'água, ultimamente incluindo um líquido à base de óleo de odor pútrido que impregna toda a área.


Protestos são reprimidos com gás lacrimogênio / NYT

Este é um dos protestos mais longos e bem organizados da história do conflito Israel-Palestina e transformou esta vila agrícola anônima em um símbolo de desobediência civil palestina, um modelo que muitos partidários da causa palestina gostariam de ver disseminado e próspero.

Por este motivo, um grupo de famosos antigos estadistas,  incluindo o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter (que gerou controvérsia ao sugerir que a ocupação israelense da Cisjordânia agravou o apartheid local) veio à Bilin na quinta-feira para dizer aos organizadores locais o quanto admiram seu trabalho e por que é vital mantê-lo atuante.

O Arcebispo anglicano aposentado Desmond Tutu, também presente na visita, disse: "Da mesma maneira que um homem simples como Gandhi conduziu a próspera luta não violenta na Índia e pessoas simples como Rosa Parks e Martin Luther King conduziram a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, as pessoas simples aqui em Bilin estão conduzindo uma luta não violenta que trará sua liberdade".

Tutu, sul-africano vencedor do prêmio Nobel da Paz, falou pisando sobre a terra rochosa cercada dos restos de latas de gás lacrimogêneo e diante de rolos de arame farpado, parte da barreira que Israel começou a construir em 2002 em toda a Cisjordânia conforme uma violenta insurreição palestina teve início. 

Israel dizia que seu principal propósito era impedir a circulação de homens-bomba em seu território, mas a rota da barreira (uma mistura de cerca, torres de guarda e paredes de concreto) chega a regiões longínquas da Cisjordânia em determinadas áreas, e a raiva palestina a respeito da barreira se deve tanto à terra perdida quanto à liberdade perdida.

Bilin perdeu metade de suas terras para o assentamento Modiin Illit e levou sua reclamação à Suprema Corte de Israel. Dois anos atrás, o tribunal lhe concedeu uma incomum vitória. Foi ordenado que as construções na região fossem interrompidas e que o exército israelense reposicionasse a barreira para terras de Israel, devolvendo quase metade das terras perdidas à aldeia.

"Os aldeões dançaram nas ruas", relembra Emily Schaeffer, advogada israelense que trabalhou no caso para a aldeia. "Infelizmente, já fazem dois anos desde a decisão e a barreira não se moveu". A vila voltou aos tribunais, até agora em vão, para conseguir que a decisão seja colocada em prática. 

Schaeffer explicou o caso às visitas que atendem pelo nome de Os Anciões (The Elders). O grupo foi fundado pelo ex-presidente Nelson Mandela da África do Sul dois anos atrás e é mantido através de doações, inclusive de Richard Branson, presidente do Grupo Virgin e Jeff Skoll, fundandor e presidente do eBay.


FHC, que participa do grupo "The Elders", ao lado do ex-presidente
dos EUA Jimmy Carter e outros líderes, na Cisjordânia / AFP

Sua meta é "apoiar a construção da paz, ajudar a lidar com grandes causas de sofrimento humano e promover os interesses compartilhados da humanidade".

Branson e Skoll estavam presentes na visita a Bilin, bem como Mary Robinson,  ex-presidente da Irlanda, Gro Harlem Brundtland, ex-primeiro-ministro da Noruega, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil e Ela Bhatt, indígena defensora dos direitos dos pobres e das mulheres. Sua visita por Israel e territórios palestinos também incluiu reuniões com jovens israelenses e palestinos.

Cardoso disse que há muito ouve falar sobre o conflito, mas que vê-lo de perto lhe marcou profundamente. A barreira, ele disse, serve para aprisionar os palestinos.

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28/08/2009 12:19 PM

Cidade inundada de Iowa reclama de negligência

CEDAR RAPIDS, Iowa - Há mais de um ano, o centro de Cedar Rapids esteve submerso até os telhados como resultado uma inundação recorde causada pelo Rio Cedar e que gerou cerca de US$ 6 bilhões em danos - um dos desastres naturais mais caros desde o Furacão Katrina.

Enquanto a atenção pública se volta mais uma vez a Nova Orleans e a Costa de Golfo, conforme o quarto aniversário da passagem do Furacão Katrina se aproxima, o mesmo não é visto por aqui. Na realidade, as pessoas de Cedar Rapids se sentem negligenciadas.


Casas continuam lacradas e abandonadas em Cedar Rapids / Getty

A recuperação aqui ainda é lenta e não é percebida nos prédios em processo de decomposição. Milhares de famílias deslocadas permanecem em alojamentos temporários e uma ampla demolição para abrir espaço para um novo centro da cidade começou há pouco.

O financiamento federal para a recuperação a longo prazo chega aos poucos, com o governo tendo comprometido dinheiro para cerca de metade do que a cidade diz precisar. E apenas uma fração disto realmente chegou aos cofres públicos locais até agora.

"Nós realmente nos sentimos como o desastre esquecido", disse Greg Eyerly, diretor de recuperação da inundação da cidade. "A coisa mais importante que fazemos é o Cap'n Crunch. Nós não somos uma cidade litorânea. Nós fazemos uma contribuição anônima ao nosso país e as pessoas se esquecem de nós."

Os atrasos na recuperação têm múltiplas causas. A cidade não consegue chegar a um acordo com a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências sobre o nível dos danos sofridos por edifícios públicos e mais de mil famílias ainda não sabem se serão resgatadas de casas que foram inundadas ou se seus bairros irão voltar a existir.

E as fontes de grande parte do dinheiro de recuperação a longo prazo (como os Departamentos de Agricultura e Alojamento e Desenvolvimento Urbano) não são agências de resposta a crises e por isso não operam a um passo emergencial.

Até agora, o Iowa recebeu uma promessa de US$ 3,1 bilhões em ajuda federal para moradia, infraestrutura e recuperação de negócios, mas apenas US$ 689 milhões foram distribuídos e os oficiais locais estimam precisar de algo entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões. O Estado sofreu US$ 1,6 bilhão em danos apenas à infraestrutura. Em Cedar Rapids, oficiais municipais estimam precisar de algo em torno de US$ 6 bilhões.

Centenas de casas em Cedar Rapids permanecem abandonadas, algo similar a como estavam no dia 13 de junho de 2008, quando o Rio Cedar transbordou. Algumas foram destruídas até as bases, enquanto aguardam conserto e dão a bairros inteiros a impressão de uma cidade de fantasma.

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28/08/2009 11:39 AM

Editorial: Chegou a hora de termos medo da internet?

Os usuários da internet costumavam se confortar pensando que para se tornarem vítimas dos piratas da web, eles teriam que frequentar o circuito pornô online ou responder a um email da esposa viúva do ex-presidente do banco central da Nigéria. A ideia era que uma pessoa teria que fazer algo diferente para ser pega pelos malfeitores da rede, ou pelo menos ousar um passeio pelo lado perigoso do ciberespaço.

Mas os truques se tornaram mais ousados. Dois anos atrás engenheiros do Google informaram que aproximadamente 10% das milhões de páginas da web que analisaram realizavam a "entrega de downloads" de malware, programas que danificam o computador. O Google hoje tem aproximadamente 330 mil websites listados como maliciosos, mais do que o dobro dos 150 mil de um ano atrás.

No começo deste mês o Departamento de Justiça acusou um jovem de 28 anos de Miami e um casal russo de roubarem 130 milhões de números de cartões de crédito de uma das maiores companhias de processamento de compras do mundo, que deveria saber como proteger seus computadores dos hackers.

Além disso, na semana passada, a McAfee, fabricante de softwares antivírus, relatou que fãs em busca de fofocas e lembranças de Holllywood enfrentam um risco alto de caírem nas mãos de bandidos online.

Procurar pela atriz Jessica Biel, que ganhou o Prêmio de Realização do festival de cinema de Newport Beach em 2006 e ficou em terceiro lugar na lista das 100 mulheres mais bonitas da revista Maxim do ano passado, é o mais perigoso, com uma chance entre cinco de se chegar a um website que testou positivo para spyware, adware, spam, phishing, vírus ou outros materiais nocivos.


"Jessica Biel" é a procura que tem mais chances de danificar seu computador / Getty Images

Buscas por Beyoncé, Britney Spears e até mesmo Tom Brady, do New England Patriot, também são arriscadas, de acordo com a McAfee. Mais de 40% dos resultados de buscas do Google para "descanso de tela da Jennifer Aniston" contêm vírus, inclusive aquele apelidado de FunLove.

Talvez os policiais do ciberespaço responderão mais agressivamente às ameaças da internet conforme elas se disseminem para partes mais saudáveis da web, como as forças policiais que não se importam com os crimes nas partes pobres das cidades, mas agem quando ele chega aos bairros de classe média. A McAfee, sem surpresa, sugere que compremos seu software.

Mas com cada vez mais informações sobre os cartões de crédito das pessoas, seu histórico de navegação e sua identidade disponíveis pela rede, será isso suficiente?

Alguns meses atrás, eu criei nervosamente meu primeiro Facebook com a mínima informação necessária para ver fotografias publicadas por velhos amigos. Eu voltei alguns dias depois à página e descobri que de alguma maneira o website havia descoberto tanto o nome da minha faculdade quanto o ano de minha graduação, exibindo-os embaixo do meu nome.

Eu não voltei desde então. No fundo da minha mente eu temo que um hacker de 28 anos e um casal russo tenham juntado mais fatos sobre mim do que eu gostaria que tivessem. E agora é tarde demais para levar toda minha vida para o mundo offline.

- Eduardo Porter

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28/08/2009 10:14 AM

Agência americana dá continuidade à caça aos últimos nazistas

WASHINGTON - Durante 30 anos, Eli M. Rosenbaum tem caçado nazistas criminosos de guerra. Mesmo diante da iminente morte dos últimos deles, Rosenbaum não desiste.

"Ainda há tempo para levar algumas destas pessoas à justiça e nós temos que fazer isso", disse Rosenbaum, diretor do Gabinete de Investigações Especiais, que chegou a esta agência do Departamento de Justiça como estagiário no verão de 1979, ano em que foi criada, e se tornou seu chefe em 1995.


Rosenbaum comanda departamento que busca nazistas nos EUA / NYT

Embora a agência inicialmente tenha procurado os criminosos de guerra nazistas e seus aliados com exclusividade, uma lei de 2004 ampliou seu papel para cobrir os criminosos de guerra modernos, de lugares como Bósnia e Ruanda.

A tarefa do gabinete é localizar suspeitos de crimes de guerra que moram nos Estados Unidos, processá-los sob a lei de imigração (buscando desnaturalizar os que obtiveram cidadania) e deportá-los, preferivelmente para países onde terão que responder por seus crimes.

Rosenbaum diz que, no momento, cerca de 30 pessoas nos Estados Unidos podem ter um passado nazista sob investigação, juntamente com outros 80 possíveis criminosos de guerras mais recentes.

Cerca de metade dos recentes esforços de litígio do gabinete envolveram suspeitos nazistas, entre eles John Demjanjuk, acusado de atrocidades como guarda de campo de concentração na Polônia. Demjanjuk foi deportado para a Alemanha em maio.

"Nós temos mais alguns anos apenas", disse Rosenbaum sobre a caça aos últimos nazistas. "Mas eu não acho que você ouvirá o departamento dizer: 'Pronto. Os casos acabaram'."

Mas o inevitável encolhimento da população de suspeitos nazistas significou mudanças para o Gabinete de Investigações Especiais. Entre outras coisas, os historiadores do gabinete que antes pesquisavam apenas a Segunda Guerra Mundial se tornaram peritos em crimes de guerras modernas.

Apesar de dezenas de investigações, o gabinete empreendeu apenas um punhado de acusações nos últimos anos. Mas Rosenbaum vê significado em demonstrar que a agência investigará suspeitos de crimes de guerra mesmo que estas investigações não conduzam a condenações.

"Eu acho que há um valor particular", ele disse, "em mostrar aos possíveis perpetradores que quem ousar fazer tais crimes, poderá ser processado pelo resto da vida mesmo a milhares de quilômetros do local do crime".

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27/08/2009 11:54 AM

Cabelos de negros ainda revelam teor político e social nos EUA

Cabelos lisos e sedosos há muito tempo são considerados uma coroa perfeita por mulheres negras. Mas muitas vezes conseguir este efeito significa suportar a queimação típica dos químicos alisadores. Ou uma cara dependência de cremes hidratantes.

Conseguir um "cabelo bom" geralmente significa transformar raízes firmemente encaracoladas, mas também é algo além de simplesmente optar por um visual para muitas mulheres afro-americanas. Alisar o cabelo é visto como uma forma de se tornar mais aceitável para certos parentes, bem como para os brancos.

"Se seu cabelo é alisado, as pessoas brancas ficam mais confortáveis", disse o comediante Paul Mooney, ostentando um Afro, no documentário "Good Hair" (Cabelo Bom, em tradução literal) que ganhou um prêmio de júri no festival de cinema de Sundance e será lançado em outubro. "Se seu cabelo é enrolado, eles não ficam felizes".

O filme, feito por Chris Rock, explora até onde as mulheres negras são capazes de ir para conseguir cabelos longos e lisos, de um alongamento texturizado de US$ 1 mil do salário de uma professora a estudantes que têm seus cabelos relaxados quimicamente.

Diante da pressão cultural, o pensamento é: conformistas relaxam seu cabelo e rebeldes têm a coragem de deixá-los ao natural. Em alguns cantos, o relaxamento dos cabelos é até mesmo visto como um desejo de ser branco.

"Para mulheres negras, você é condenada se fizer, condenada se não fizer", disse Ingrid Banks, professora de estudos negros da Universidade da Califórnia em Santa Barbara. "Se for atrás de cabelos lisos, será vista como alguém que se vendeu. Se não alisar os cabelos é vista como alguém que não cuida corretamente da aparência".

Qualquer um que tenha pensado que tais preconceitos estavam ultrapassados teria percebido o contrário diante das reações negativas ao fato da filha de 11 anos do presidente, Malia Obama, ter usado seu cabelos em cachos durante suas férias de verão em Roma. Comentaristas do blog conservador Free Republic a atacaram como imprópria para representar a América por ter saído sem alisar o cabelo.

Embora legiões de mulheres negras alisem seus cabelos nos Estados Unidos (Michelle Obama entre elas), salões especializados em estilos naturais têm se proliferado, e mais mulheres negras optam por ostentar seus cachos naturais. Muitas usam cachos e tranças com uma atitude orgulhosa por não terem cedido diante da pressão para alisar.

Em "Good Hair", a atriz Nia Long descreve a sabedoria convencional de que cabelo alisado é mais desejável: "Há sempre uma espécie de pressão dentro da comunidade negra, como: 'Oh, se você tiver cabelo bom, você será mais bonita ou melhor do que a menina que usa um Afro ou cachos ou um penteado natural.' "

Para alguns, a linha de batalha já foi definida.

Mas em entrevistas recentes, várias pessoas negras expressaram cansaço com o debate. Eles questionam, essencialmente: Por que cabelo não pode simplesmente ser cabelo? Um Afro tem necessariamente que estabelecer uma mulher como a herdeira política de Angela Davis? Uma fashionista que reproduz o corte da primeira dama realmente não está sendo verdadeira consigo mesma só porque o penteado é liso?

"Eu sou quem eu sou, não importa como uso meu cabelo", disse Tywana Smith, dona do Treasured Locks, um website dedicado à manutenção de cabelos relaxados e naturais. "Eu quero que meus filhos sejam vistos por quem eles são, e não pela forma como usam seus cabelos", ela acrescentou. "Se eles caminham rua abaixo com cachos ou tranças, eles não estão fazendo qualquer outra declaração além de 'Hoje eu estava com vontade de usar cachos'".

Suposições sobre os motivos para o alisamento dos cabelos já não são tão fáceis quanto uma vez foram. Durante a última campanha presidencial, Noliwe M. Rooks, diretora associada do Centro de Estudos Afro-Americanos de Princeton, teve muitos debates sobre o que significou quando o cabelo de Sasha e Malia Obama foi alisado. "Ao contrário de momentos anteriores", a conclusão não determinava "claramente que a mãe tinha se vendido ou que ela determinava que cabelo liso é melhor", disse Rooks. "Hoje existe uma certa complexidade a respeito de quem somos. Não houve uma resposta fácil a respeito do motivo daquela mudança".

Afua Adusei-Gontarz, 30, do Brooklyn, usou seu cabelo natural por cinco anos em uma trança francesa. Mas ela não acha que o visual a tornava mais autenticamente negra. "Se você tem cabelo natural, você é considerada mais real, ou mais em contato com sua africanidade", disse Adusei-Gontarz, editora assistente da Imprensa Universitária de Columbia.

Ela rejeita o pensamento de que em Gana seus antepassados relaxam os cabelos (como ela agora o faz por comodidade) e "as gerações mais novas é que têm cabelos naturais".

No ano passado, as vendas de cremes para relaxamento caseiro somaram US$ 45,6 milhões (excluindo o Wal-Mart). De acordo com a Mintel, uma empresa de pesquisa de mercado, o número se manteve firme nos últimos anos. Tantas mulheres afro-americanas usam relaxantes ou um pente quente (chapinha) para adquirir um visual liso temporário que não fazer isso pode exigir muita coragem. Em websites onde mulheres negras discutem seus cabelos, os comentaristas apoiam o visual natural para os outros, mas não o adotam para si, disse Rooks.  Eu não sou valente o bastante, elas dizem - é tão maravilhoso que você consegue se aceitar como é.

A questão do "cabelo bom" quase sempre se inclina às mulheres. Homens negros com cabelo grosso há muito têm uma opção conveniente e socialmente aceitável: um corte ralo. Muitas mulheres entram no hábito de relaxar o cabelo quando meninas (quando a escolha é feito por sua mãe ou outro parente) então mudar isso quando adultas se torna difícil.

Para muitas pessoas não importa sua raça ou textura de cabelo, se aceitar "como é" pode ser algo difícil. A história da beleza é cheia de descontentamento e transformação: morenas se tornam loiras; mulheres brancas alisam seu cabelo ondulado no melhor estilo japonês. Para ir do curto ao comprimento na altura dos ombros e de volta, celebridades de Britney Spears a Queen Latifah usam alongamentos, que exigem que um estilista costure ou cole o cabelo de outra pessoa no couro couro cabeludo delas.

Então por que, pergunta Brian Smith que coordena o TreasuredLocks.com com sua esposa, Tywana, um penteado é principalmente uma "declaração política ou social" entre os afro-americano? Ele teve clientes que chegaram a lhe implorar para que deixe de dar conselhos a pessoas que usam relaxantes porque "você está ajudando estas mulheres a se venderem". Mas ele e sua esposa, que agora usa cachos depois de anos de relaxamento, não tomam partido.

O termo "natural" em si é problemático, disse Banks. Ela recentemente passou 14 meses em salões para negros em cinco cidades pesquisando para um futuro livro. Salões naturais não oferecem mudanças químicas ou texturas. Mas ela encontrou "grande quantidade de coloração nas arrumações naturais que desafiam o rótulo sem químicos".

Para Banks, fazer uma escolha é crucial, não resultante de um penteado. "Se uma mulher negra opta por relaxar seu cabelo, ou cortar todo seu cabelo ou não fazer nada a respeito, fazer esta escolha já é algo que lhe dá poder", ela disse, notando que antigamente mulheres negras que trabalhavam em  plantações não tinham este luxo.

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27/08/2009 11:40 AM

Estudo mostra riscos nos índices de radiação de exames médicos

Pelo menos 4 milhões de americanos com menos de 65 anos de idade são expostos a altas doses de radiação através de exames médicos a cada ano, de acordo com um novo estudo publicado no jornal de medicina The New England.

Cerca de 400 mil destes pacientes recebem doses muito altas, mais do que o máximo da exposição anual permitida a funcionários de usinas nucleares ou outros que trabalham com material radioativo.

O estudo, que será publicado nesta quinta-feira, se baseou em uma pesquisa realizada entre 2005 e 2007 que cobriu quase 1 milhão de pacientes assegurados pela United Healthcare nos EUA.


Pacientes que fazem tomografias recebem altas doses de radiação / NYT

O estudo, no entano, não estimou o número de casos de câncer que a radiação pode causar nas próximas décadas.

Os testes radioativos são realizados por centenas de propósitos. Nas últimas duas décadas, eles se tornaram especialmente comuns na cardiologia, onde os médicos os usam para conferir a formação de placas nas artérias e a habilidade do coração em bombear sangue.

Alguns cardiologistas agora encorajam seus pacientes para que realizem exames visuais rotineiros no coração, mesmo que não tenham sintomas clínicos de doença no órgão, como dor no tórax ou dificuldade de respiração.

O uso dos exames aumentou nitidamente nas últimas duas décadas, conforme cada vez mais médicos compram aparelhos específicos para a realização de tomografias e outros exames visuais e os instalam dentro ou perto de seus consultórios.

Em 2007, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos calculou que o número de tomografias solicitadas a um paciente do Medicare havia quase quadruplicado entre 1995 e 2005, enquanto o número de outros exames aumentou até mais rapidamente.

O principal autor do novo estudo, Dr. Reza Fazel, cardiologista da Universidade de Emory, disse o uso de exames visuais parece ter aumentado até mesmo entre 2005 e 2007, período no qual o estudo foi realizado. "Estes procedimentos têm um custo, não apenas em dólares, mas em termos do risco de radiação", disse Fazel.

Os pesquisadores calcularam a quantidade de radiação recebida pelos pacientes através de códigos de seguro de vários tipos de exames visuais. A exposição é medida em millisieverts; o americano comum recebe aproximadamente três millisieverts por ano de todas as fontes.

O estudo concluiu que em pelo menos um dos três anos, 1.9% dos pacientes da United Healthcare receberam 20 millisieverts de radiação, ou quase sete vezes a média. Daquele grupo, aproximadamente 10%, ou 0,2% de todos os pacientes, receberam pelo menos 50 millisieverts, mais que a máxima anual que os reguladores nucleares permitem.

Estes números sugerem que aproximadamente 4 milhões de americanos recebam doses cumulativas que excedem 20 millisieverts ao ano.

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27/08/2009 11:12 AM

Radicalismo islâmico ameaça mudanças democráticas do Marrocos

CASABLANCA, Marrocos - O Marrocos há muito é visto como um raro Estado islâmico, liberal e moderno, aberto ao Ocidente e uma possível ponte para um Oriente Médio mais tranquilo, que pode viver em paz com Israel.

Mas sob pressão do radicalismo islâmico, o Rei Mohammed desacelerou a velocidade das mudanças. O poder permanece concentrado na monarquia; a democracia parece mais demonstrativo do que real.

Ainda que insistindo que o rei está comprometido com reformas mais profundas, oficiais sênior falam em manter um equilíbrio entre liberdade e coesão social. Muitos discutem a ameaça do extremismo da vizinha Argélia.

Desde um grande bombardeio em hotéis do centro da cidade e áreas de compra, realizado por radicais islâmicos em 2003, e uma tentativa de outra campanha de bombardeio em 2007, houve uma severa e contínua repressão dos suspeitos extremistas locais.

Em 2003, qualquer um com barba longa provavelmente seria detido. Até mesmo agora, quase 1.000 prisioneiros considerados radicais islâmicos permanecem em prisões marroquinas.

Seis políticos islâmicos foram recentemente presos, acusados de cumplicidade em uma trama terrorista. O caso está cheio de irregularidades e foi baseado principalmente em evidências circunstanciais, de acordo com o advogado de defesa, Abelaziz Nouaydi, e o grupo de direitos humanos Human Rights Watch.

Em uma entrevista rara, Yassine Mansouri, chefe da inteligência do Marrocos, afirmou que os políticos presos "usaram suas atividades políticas como cobertura para atividades terroristas". "Nosso objetivo não era parar um partido político", ele disse. "Há uma lei a ser seguida". 

O Marrocos está ameaçado, disse Mansouri, por dois extremos: o Wahhabism conservador disseminado pela Arábia Saudita e o Xiismo disseminado pelo Irã.

"Nós os consideramos ambos agressivos", disse Mansouri. "O Islã radical tem o vento a favor de sua vela e permanece uma ameaça".

Mohammed, que celebrou seu 10º ano no trono este ano, se vê como um modernizador e reformador, depois de ter investido pesadamente em desenvolvimento econômico, aliviado as restrições à mídia, determinado mais direitos para as mulheres e revelado alguns dos piores abusos ao ser humano do passado.

Mas a severa repressão danificou o histórico recente do Marrocos em relação aos direitos humanos. Prisioneiros muçulmanos são tratados de maneira brutal nas prisões, muitas vezes sodomizados com garrafas, disse Abdel-Rahim Moutard, ex-detento que teve ambas as mãos quebradas durante interrogatórios. Ele coordena a Ennasir, uma organização para prisioneiros. Mas quando eles saem da prisão, recebem pouca ajuda, até mesmo das mesquitas ou da Ennasir.

"Muitos deles ficam chocados que seu país os trate desta maneira", disse Moutard. "Depois de receber o tratamento da garrafa, toda vez que for ao banheiro ele se lembrará daquilo e pensará em vingança".

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27/08/2009 11:06 AM

Editorial: O adeus do senador que insistiu em ver a política através do prisma das necessidades humanas

Três décadas atrás, o senador Edward "Ted" Kennedy arruinou sua última esperança de ser eleito à Casa Branca quando um entrevistador de televisão lhe perguntou por que ele queria ser presidente. Ele não conseguiu articular uma resposta, oferecendo uma reação gaguejante e vazia que persuadiu seu partido de que ele não queria ou não seria apropriado para o trabalho que seu irmão John havia conquistado e seu irmão Robert havia aspirado.

 

Ainda assim, como tão frequentemente aconteceu em uma vida extraordinária que oscilou entre sucesso e infortúnio apenas para voltar ao sucesso novamente, este momento difícil funcionou a favor de Kennedy e, no final, foi uma vantagem ainda maior para o país como um todo. Tendo falhado em seu desafio ao presidente Jimmy Carter, Kennedy estava finalmente livre para se concentrar com paixão e arte política na sua vocação natural como um dos maiores legisladores e grandes reformadores do Senado moderno.

O histórico que Kennedy deixa depois de 46 anos só pode ser invejado por seus colegas conforme eles se unem à nação lamentando sua morte depois de uma briga de 15 meses contra o câncer de cérebro - um histórico firmemente ancorado na insistência de Kennedy de que a política seja vista e administrada através do prisma das necessidades humanas.

Junto com um domínio das complexidades parlamentais, conquistado a duras penas, e uma disposição em trabalhar além de seu próprio partido para conquistar votos cruciais, o liberalismo decidido de Kennedy deixou um legado robusto: leis e reformas que tocam os direitos civis, o Ministério da Justiça, os refugiados, o bem-estar social, a política externa (ele foi um dos 23 senadores que votaram contra a autorização da invasão do Iraque), os direitos ao voto, o trabalho de aprendizado, a educação pública e o salário mínimo.

Na sua despedida agridoce diante da Convenção Democrata, o senador pediu que seu partido agisse no que qualificou como "a causa de minha vida": os cuidados médicos de qualidade como um direito fundamental para os cidadãos americanos.

O destino da causa de Kennedy permanece nas mãos de um Congresso em conflito e do presidente Barack Obama, o candidato democrata que Kennedy ousou patrocinar quando outros líderes do partido hesitaram. E ainda que sua liderança seja sentida na guerra legislativa adiante, seria um tributo adequado se sua morte pudesse solucionar para melhor um assunto em dúvida há tempo demais.

A vida de Kennedy foi carregada pela tragédia pessoal, inclusive os assassinatos de seus dois irmãos, e embaraço pessoal, geralmente auto-infligido. Seu fim foi decretado 40 anos atrás, depois que Mary Jo Kopechne se afogou em um carro que o senador dirigia quando caiu de uma ponte em Chappaquiddick Island, perto de Martha's Vineyard. Mas os eleitores de Massachusetts permaneceram a seu lado, e nos últimos 15 anos, Kennedy pareceu conseguir um controle muito maior de sua vida particular, não menos em um esforço para se tornar um melhor pai substituto para seus muitos sobrinhos órfãos.

"Eu reconheço minhas próprias falhas", ele concedeu em 1991, sabendo que elas não seriam apagadas das páginas da história. Mas seu espírito também não será, sua devoção em ajudar os americanos em necessidades e sua convicção de que a política, nem sempre um caminho fácil, pode fazer uma diferença real.

Seu mantra, formado sobre uma tragédia, e expressado eloquentemente na Convenção Nacional Democrata quando ele abandonou sua disputa pela candidatura presidencial em 1980, era simples e nobre: "O trabalho continua, a causa suporta, a esperança ainda vive e o sonho nunca morrerá". Em suas últimas falas, ele explicitamente passou este mantra a Obama.


Apoio de Ted Kennedy foi decisivo a Obama durante a eleição / AP

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27/08/2009 08:23 AM

Investigação sobre o gênero sexual de velocista enfurece sul-africanos

JOHANESBURGO – Para muitos sul-africanos, o bafafá internacional sobre o caso de Caster Semenya ser muito masculina para competir na corrida feminina tem sido uma afronta para todos aqui, como se um mundo insensível quisesse espiar dentro da calça de todo para avaliar o que vê.

NYT

Semenya sobre no pódio em frente a uma
multidão no aeroporto de Johanesburgo

Alguns comentaristas acharam o assunto tão assombroso que compararam o caso de Semenya com o de Saartjie Baartman, mulher africana levada para a Europa no século 19 e exibida como uma aberração sob o nome de Hottentot Venus. Os cientistas examinaram suas genitais.

Semenya voltou de Berlim para sua casa nesta terça-feira. Na capital alemã, ela tinha vencido a corrida mundial de 800 metros, na última quarta-feira. A vitória veio apenas algumas horas após oficiais da corrida internacional dizer que Semenya, uma garota musculosa com a voz rouca de 18 anos, precisava passar por um exame de avaliação de sexualidade para confirmar sua elegibilidade.

Desde então, ela se tornou um herói nacional e sua história – o conto de uma pobre garota de uma vila remota – uma fonte de inspiração. Mais de mil pessoas a cumprimentaram no principal aeroporto de Johanesburgo. Muitos carregavam cartazes com escritos: “nossa garota de ouro” ou “simplesmente a mulher”. Enquanto a multidão esperava, eles cantaram músicas de libertação de forças e dançaram ao som de tambores.

Horas depois, um comboio de dez motocicletas levou a equipe de atletismo à casa de convidados presidencial, em Pretoria. Semenya, em trajes de corrida com sua medalha de ouro pendurada no pescoço, andou ao lado de Jacob Zuma, líder do país, para enfrentar a mídia. A corredora não tinha nada a dizer, deixando seus comentários à corrida que ganhou: “eu consegui a liderança nos 400 metros e acabei com eles, eles não conseguiram acompanhar. Eu comemorei os últimos 200 metros porque eu sabia, cara”.

Zuma, falando para uma nação ofendida, foi mais ousado em sua fala. Ele disse que o governo havia escrito à Associação de Federações Atléticas (IAAF, sigla em inglês), corpo governante da corrida mundial, “expressando nossa decepção” com a forma com que o assunto foi tratado.

O anonimato geralmente é dado durante a investigação da IAAF. “Uma coisa é averiguar se um atleta possui ou não vantagens injustas sobre os concorrentes”, disse Zuma. “Mas é algo totalmente diferente humilhar publicamente uma atleta honesta, profissional e competente”.

Lamine Diack, presidente da IAAF, admitiu que a confidencialidade foi violada chamando o fato de “lamentável” e pediu um inquérito. Mas sua admissão não acabou com a ofensa.

A África do Sul é o país mais rico do continente. Marcado pelo apartheid, agora é uma jovem democracia que, de muitas formas, ainda está tentando encontrar seu caminho. O governo ainda é vulnerável a críticas. No próximo ano, o país será a sede da Copa do Mundo, a primeira na África. Frequentemente, as pessoas aqui falam como se o resto do mundo – especialmente o ocidente – esperasse que o evento fosse um fracasso, confirmando todos seus preconceitos negativos.

NYT
Homem na multidão mostra bandeira da África do Sul
Similarmente, a ofensa à Semenya é visto como outro esforço para humilhar o sucesso africano. Mais uma vez, foi falado em racismo durante a recepção na terça-feira, um evento que pareceu menos uma explosão de entusiasmo espontâneo de fãs de esportes do que uma recepção coreografada de profissionais políticos. Muitos na multidão, no aeroporto, faziam parte de afiliados do Congresso Nacional Africano governante. Outros partidos políticos mandaram contingentes menores.

Uma comemoração adicional foi feita no estacionamento do aeroporto. Semenya tinha pouco a dizer no pódio, exceto um “oi, pessoal”. Mas Julius Malema, líder da liga jovem ANC, fez uma observação sobre a demografia da multidão. “Onde estão os sul-africanos brancos para receber Caster?”, ele queria saber.

Uma história antiga de controvérsias tem sido um jogo de adivinhação sobre quem reclamou à IAAF sobre Semenya. Novas histórias por aqui têm culpado australianos anônimos. Mas na terça-feira, Leonard Chuene, presidente do Atletismo da África do Sul afirmou que evidências secretas mostraram que o denunciador era da África do Sul e Malema acrescentou que era uma “instituição midiática”.

Chuene, que dirige o programa de corrida do país, tem sido a voz que lidera o desafio contra a IAAF, deixando sua posição no quadro da federação por causa do fato. “Não permitiremos que europeus definam ou descrevam nossas crianças”, disse ele, acrescentando que a África do Sul não irá cooperar com nenhum exame de gênero sexual por “alguma universidade estúpida de algum lugar”.

“Os únicos cientistas em que acredito são os pais dessa criança”, disse ele.

Na semana passada, os sul-africanos pareciam ver o assunto de forma confusa. Simplesmente olhar o certificado de nascimento da garota, foi o que sugeriram. Levem-na ao banheiro para uma avaliação. Pergunte a sua mãe, a seu pai. Pergunte a alguém como sua tia, Johanna Lamola, que disse: “Eu sei o que Caster tem. Eu fui sua babá. Troquei suas fraldas”.

Foi apenas nos últimos dias que a mídia começou a noticiar sobre genes e hormônios e toda a ambiguidade envolvendo a determinação do sexo. Os exames da IAAF prescritos à Semenya envolvem relatórios de um ginecologista, um endocrinologistas, um psicólogo, dentre outros.

Examinar o gênero sexual dos atletas foi algo que começou nos anos 1960, quando a União Soviética e outros países comunistas suspeitaram que homens estivessem se inscrevendo em competições femininas. Primeiro, os médicos simplesmente olharam os corpos nus. Mas logo testes cromossômicos foram empregados, muitas vezes fornecendo evidências contrárias ao exame de observação do corpo. A velocista polonesa Ewa Klobukowska passou no teste de nudez, mas então foi impedida de competir em 1967, quando seu material genético mostrava uma história diferente.

Dizem que Semenya, que estuda na Universidade de Pretoria, está “traumatizada” com a discussão sobre seu sexo. Mas ela já havia suspeitado ser homem. “Os garotos costumavam provocá-la sempre”, disse sua tia-avó, Martina Mpati. “Às vezes, ela tinha que bater neles”.

Semenya é da vila Ga-Masehlong, na província de Limpopo. Assim como outras garotas, esperavam que ela buscasse lenha na floresta ao amanhecer. Mas diferente delas, ela ia jogar futebol com os garotos.

Na escolha secundária, Semenya se concentrou em correr. Seu diretor disse ao jornal sul-africano “The Star” que em alguns encontros de corridas, a outra equipe exigia provas de que alguém com um físico tão masculino fosse uma garota. “Mas, cada vez que a avaliavam no banheiro, ela era considerada mulher e a competição era retomada”, disse ele.


Por BARRY BEARAK

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26/08/2009 05:02 PM

Na Índia, mulheres veem boxe como caminho para uma vida melhor

TRIVANDRUM, Índia  - As meninas batem com força. Elas chegam de toda a Índia neste grande ginásio administrado pelo governo. Antes de entrar no rinque de boxe, elas baixam a cabeça como quem entra em um templo.

A filha do dono de uma fábrica de roupas de fundo de quintal acerta um gancho. A filha de um trabalhador de construção se apoia contra a corda, gotas de suor escorrem por sua face. Saltando, abaixando como um gafanhoto, uma menina pequena com olhos estreitos vinda de Calcutá abandonou o casamento de sua irmã para ter uma chance de vir aqui e lutar.

O barulho de luvas contra luvas ecoava contra as paredes cavernosas.

Em um país com numerosos obstáculos para as mulheres, estas jovens buscam espaço através do boxe.

O Comitê Olímpico Internacional anunciou no começo deste mês a entrada do boxe feminino na Olimpíada de Londres em 2012. A Índia estava entre os países que pediam o fim do impedimento ao esporte para mulheres.

"Este é meu sonho se tornado realidade", disse Mangte Chungneijang Merykom, 27, a lutadora mais aclamada da Índia, mais conhecida como Mary Kom.

Kom é a grande esperança da Índia na competição de boxe. Desde que a Associação de Boxe Internacional passou a aceitar mulheres, no campeonato mundial em 2001, Kom conquistou quatro medalhas de ouro.

Com relativamente pouco apoio do governo, as mulheres indianas têm se saído surpreendentemente bem nos campeonatos mundiais.

A China é a maior concorrente da Índia. Nos últimos campeonatos, realizados em Ningbo City, China, o time da casa conquistou 11 medalhas, seguido pela Rússia com cinco, e quatro cada para Índia e Estados Unidos.

Kom, que há pouco voltou de um treinamento em Pequim, explica. Mesmo os técnicos na China estão em forma, ela disse, e as atletas comem carne no café da manhã, almoço e janta.

Os campos de treinamento modestos da Índia servem carne ou peixe uma vez ao dia. Os atletas lavam suas próprias roupas à mão. Não há nenhum fisioterapeuta dedicado às pugilistas machucadas.

Não importa. O boxe representa um novo tipo de liberdade às mulheres que entram neste úmido ringue, no sul da Índia.

Hema Yogesh, 16, filha de um fazendeiro de temperos, fugiu de casa para participar de seu primeiro acampamento de treinamento.

Seu pai ficou inicialmente furioso, mas logo ela trouxe para casa sua primeira medalha de ouro depois de uma competição estadual. Seus colegas de escola a cobriram com guirlandas e saudações. Seu pai, segundo ela, caiu nas lágrimas. Ela também. Agora ele quer que ela concorra internacionalmente.

O boxe, diz Hema, a ensinou a ter "coragem".

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26/08/2009 02:27 PM

Comissão nuclear encoraja mudança no controle de risco de incêndio

WASHINGTON - Muitas das centenas de trabalhadores da usina nuclear Shearon Harris em New Hill, Carolina do Norte, se ocupam com tarefas de alta tecnologia como calibrar equipamentos, monitorar campos de radiação ou controlar o reator. Mas o tempo todo, há três homens em ação que poderiam ter saído de outro século. Eles procuram por cheiro de fumaça.

Caminhando centenas de quilômetros por dia, subindo e descendo escadas e percorrendo vastos corredores e passagens estreitas, eles visitam locais cruciais pelo menos uma vez a cada hora para garantir que não há indício de incêndio.

"Eu estou em boa forma, provavelmente a melhor da minha vida", disse Timothy J. Baldwin, 33, que trabalha no alerta de incêndio da usina há quatro anos e diz que cobre 19 quilômetros por dia, incluindo 60 escadarias, e gasta dois ou três pares de tênis a cada ano.

Mas a Shearon Harris quer eliminar trabalhos como o de Baldwin, sob recomendação da Comissão Reguladora Nuclear. Ao invés desta posição, a comissão pede que usinas nucleares adotem uma postura mais sistemática para avaliar o perigo de incêndio - que dependa de um programa computadorizado.

Usando o novo método, a Shearon Harris irá avaliar cada peça de sua usina, através de centenas de milhas de cabos elétricos.

A comissão reguladora está promovendo a nova medida como uma substituição para suas próprias regras "básicas" que determinam procedimentos rígidos sem espaço para análises, disse o John A. Grobe, diretor sócio de engenharia e sistemas de segurança da comissão.

Grobe disse que a meta era tornar as regras de combate ao fogo mais "informadas sobre os riscos", focalizando nos locais precisos e sistemas mais importantes dos 104 reatores nucleares do país.

Em todo o país, as usinas podem optar por aderir aos padrões atuais de combate ao incêndio da comissão ou usar a nova  avaliação de risco eletrônica. Até agora, a comissão diz que 51 das 104 usinas optaram pelo novo método. A Shearon Harris concluirá a transição em novembro de 2010, disse J. Anthony Maness, superintendente de projetos da usina.

A mudança para a análise de risco computadorizada foi bem recebida por muitos do setor, mas não por alguns de seus críticos.

Edwin S. Lyman, cientista sênior da Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Preocupados, em tradução literal), disse que analises computadorizadas nem sempre podem antecipar a gama total de riscos de uma determinada usina.

"A postura que a comissão quer adotar é como uma varinha de condão de avaliação probabilística de riscos para fazer com que muitas das exigências desapareçam", disse Lyman.

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26/08/2009 02:23 PM

Novas regras ajudam soldados americanos traumatizados por conflitos

Sob ataque de grupos veteranos e do Congresso pela forma como lidou com reivindicações de deficiência, o Departamento de Assuntos dos Veteranos propôs novas regulamentações que podem facilitar a compensação por desordens de tensão pós-traumática (PTSD na sigla em inglês).

A proposta busca aliviar o fardo de veteranos que não estiveram em combate e dizem ter desenvolvido a desordem psicológica e acelerar o processo destas reivindicações que representam uma parte significativa das 82 mil reivindicações de deficiência que o departamento recebe por mês.

As regras atuais exigem que o veterano diagnosticado com PTSD documente o evento traumático pelo qual passou durante o serviço responsável por ativar a desordem. Para veteranos que não serviram em unidades de combate, tal prova pode ser difícil de se encontrar dada a desigualdade dos registro mantidos pelos militares.

Mas os defensores dos veteranos argumentam que muitos soldados não combatentes, como motoristas de caminhão e balconistas de provisão, passaram por situações traumáticas, que incluem bombas à margem de estradas, fogo cruzado, ataques com morteiros ou a morte de amigos. Apesar de diagnosticados com PTSD, muitos destes soldados têm dificuldade em receber a compensação de deficiência.

A regra proposta eliminaria a exigência de documentação sobre o evento responsável por ativar o distúrbio, desde que os veteranos portadores de PTSD possam provar que estavam nos lugares e executaram deveres onde tais eventos podem ter ocorrido. Seus sintomas também devem ser consistentes com o trauma que dizem ter sofrido.

Em uma circular de notícias divulgada na segunda-feira, o secretário para assuntos veteranos, Eric K. Shinseki, disse: "Esta gestão irá lidar com as feridas ocultas da guerra vigorosamente e compreensivamente conforme seguimos adiante a toda velocidade em busca de uma transformação para o século 21".

Mas alguns defensores dos veteranos responderam com desconfiança às propostas que agora terão que passar por um período de revisão de 60 dias.

Katrina J. Eagle, advogada de veteranos na Califórnia, disse que a regra proposta exigiria que os veteranos sejam diagnosticados por psiquiatras e psicólogos do departamento ou aprovados por ele. Atualmente, os veteranos podem receber diagnósticos de seus próprios psiquiatras.

"Esta é sua forma de controlar os diagnósticos", disse Eagle. "Eu não vejo como isto pode facilitar a vida deles".

Mas outro defensores dos veteranos disseram que a exigência proposta em usar os psiquiatras do departamento parece uma forma razoável de reduzir fraude e padronizar os diagnósticos.

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26/08/2009 02:19 PM

Adolescentes não são os responsáveis pela popularidade do Twitter

Kristen Nagy, 18, de Sparta, Nova Jersey, envia e recebe 500 mensagens de texto por dia. Mas ela nunca usa o Twitter, embora o site publique trechos de conversações e observações semelhantes.

"Eu acho estranho e não sinto necessidade que todo mundo saiba o que eu estou fazendo todos os segundos da minha vida", ela disse.

Sua relutância em usar o Twitter, um sentimento compartilhado por outros adolescentes da sua faixa etária, não prejudica o serviço de microblogging. Apenas 11% de seus usuários têm entre 12 e 17 anos, de acordo com a comScore.

Ao invés disso, a inédita explosão de popularidade do Twitter foi conquistada por um grupo decididamente mais velho. Este sucesso rompeu com uma ampla convicção de que os jovens conduzem as inovações populares.

"O modelo do adotador precoce tradicional diria que os adolescentes ou estudantes universitários são realmente importantes para a popularidade de um site", disse Andrew Lipsman, diretor de análise do setor pela comScore. Afinal de contas, os adolescentes foram responsáveis pelo crescimento de redes sociais como Facebook, MySpace e Friendster.

O Twitter, no entanto, tem provado que "um site pode suceder dentro de um setor demográfico diferente do esperado e se tornar muito popular", ele disse. "O Twitter tem desafiado o modelo tradicional".

Os adultos foram responsáveis pelo crescimento de muitos websites populares. O YouTube atraiu os jovens adultos e depois cidadãos idosos antes dos adolescentes. A base de usuários inicial do Blogger era composta por adultos e o LinkedIn construiu uma rede social próspera com alvo em profissionais.

Semelhantemente, o Twitter não atraiu os lançadores de tendências no início. Seu crescimento veio através dos adultos que podem não ter usado outros sites sociais antes do Twitter, disse Jeremiah Owyang, analista do setor que estuda mídias sociais. "Os adultos têm alcançado o que os adolescentes fazem há alguns anos", ele disse.

Muitos jovens que usam o Facebook desde que começaram a usar a internet e para quem o envio de mensagens de texto é seu principal método de comunicação, dizem que simplesmente não têm necessidade de usar o Twitter.

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26/08/2009 09:03 AM







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