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New York Times

Um membro influente da Casa Branca disse que Obama decidiu manter Bernanke no cargo porque ele foi rígido e brilhante nas tentativas de combater a crise financeira e a recessão econômica dos Estados Unidos.

"O presidente acha que Ben tem feito um grande trabalho como presidente de Fed, que ajudou a economia durante uma das piores experiências desde a Grande Depressão e que ele está resgatando a economia do que seria a segunda Grande Depressão", disse o chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, na noite de segunda-feira.

Obama anunciará sua decisão, com Bernanke ao lado, em uma coletiva de imprensa na escola Oak Bluffs, em Martha’s Vineyard, onde a família do presidente passa férias nesta semana.

Membros do governo afirmam que Obama decidiu manter Bernanke no cargo quatro ou cinco semanas atrás. Segundo essas fontes, Obama conversou formalmente com Bernanke durante um encontro com o presidente do Fed na Casa Branca na última semana.

Um alto funcionário da Casa Branca disse que Obama não ofereceu o cargo a nenhuma outra pessoa, apesar de um grande número de economistas Democratas terem sido considerados candidatos potencialmente fortes para substituir Bernanke.

Bernanke, que passou a maior parte de sua carreira como professor de economia, mais recentemente em Princeton, tornou-se presidente do Fed em fevereiro de 2006. Seu mandato de quatro anos acabará em 31 de janeiro de 2010.

Quando Obama foi eleito, muitos democratas consideraram que um dos mais fortes candidatos ao cargo seria Lawrence H. Summers, ex-secretário do Tesouro durante a presidência de Bill Clinton e atualmente diretor do Conselho Econômico Nacional da administração de Obama.

Outros candidatos que foram cotados incluíam Alan S. Blinder, professor de economia em Princeton e ex-vice-presidente do Fed durante o mandato de Alan Greenspan; Janet L. Yellen, presidente do Federal Reserve Bank de São Francisco; e Roger Ferguson, outro vice-presidente do Fed e que atualmente é presidente da TIAA-CREF, um grande fundo de pensão.

Bernanke era o grande favorito entre os economistas, principalmente aqueles especializados em banco central e políticas monetárias.

Discreto, Bernanke é um estudioso da Grande Depressão e realizou importantes estudos a respeito da ligação entre crises financeiras e a economia real. Em seu trabalho que chamdou de "acelerador financeiro",  Bernanke argumentou que uma corrida aos bancos ou outras instabilidades no mercado financeiro poderiam tornar uma pequena crise em uma crise severa.

Apoiadores de Bernanke, incluindo muitos membros e ex-membros do Fed, dizem que sua formação acadêmica deu a preparação quase perfeita para a crise financeira, que começou quando o pânico em torno dos papéis apoiados em hipotecas começou a se espalhar pelos mercados de crédito mais amplos, no final de julho de 2007.

A não ser que a economia sofra um novo grande impacto, Bernanke certamente deve ser confirmado no Senado para mais um mandato.

- Edmund L. Andrews

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Agência americana dá continuidade à caça aos últimos nazistas

WASHINGTON - Durante 30 anos, Eli M. Rosenbaum tem caçado nazistas criminosos de guerra. Mesmo diante da iminente morte dos últimos deles, Rosenbaum não desiste.

"Ainda há tempo para levar algumas destas pessoas à justiça e nós temos que fazer isso", disse Rosenbaum, diretor do Gabinete de Investigações Especiais, que chegou a esta agência do Departamento de Justiça como estagiário no verão de 1979, ano em que foi criada, e se tornou seu chefe em 1995.


Rosenbaum comanda departamento que busca nazistas nos EUA / NYT

Embora a agência inicialmente tenha procurado os criminosos de guerra nazistas e seus aliados com exclusividade, uma lei de 2004 ampliou seu papel para cobrir os criminosos de guerra modernos, de lugares como Bósnia e Ruanda.

A tarefa do gabinete é localizar suspeitos de crimes de guerra que moram nos Estados Unidos, processá-los sob a lei de imigração (buscando desnaturalizar os que obtiveram cidadania) e deportá-los, preferivelmente para países onde terão que responder por seus crimes.

Rosenbaum diz que, no momento, cerca de 30 pessoas nos Estados Unidos podem ter um passado nazista sob investigação, juntamente com outros 80 possíveis criminosos de guerras mais recentes.

Cerca de metade dos recentes esforços de litígio do gabinete envolveram suspeitos nazistas, entre eles John Demjanjuk, acusado de atrocidades como guarda de campo de concentração na Polônia. Demjanjuk foi deportado para a Alemanha em maio.

"Nós temos mais alguns anos apenas", disse Rosenbaum sobre a caça aos últimos nazistas. "Mas eu não acho que você ouvirá o departamento dizer: 'Pronto. Os casos acabaram'."

Mas o inevitável encolhimento da população de suspeitos nazistas significou mudanças para o Gabinete de Investigações Especiais. Entre outras coisas, os historiadores do gabinete que antes pesquisavam apenas a Segunda Guerra Mundial se tornaram peritos em crimes de guerras modernas.

Apesar de dezenas de investigações, o gabinete empreendeu apenas um punhado de acusações nos últimos anos. Mas Rosenbaum vê significado em demonstrar que a agência investigará suspeitos de crimes de guerra mesmo que estas investigações não conduzam a condenações.

"Eu acho que há um valor particular", ele disse, "em mostrar aos possíveis perpetradores que quem ousar fazer tais crimes, poderá ser processado pelo resto da vida mesmo há milhares de quilômetros do local do crime".

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27/08/2009 11:54 AM

Cabelos de negros ainda revelam teor político e social nos EUA

Cabelos lisos e sedosos há muito tempo são considerados uma coroa perfeita por mulheres negras. Mas muitas vezes conseguir este efeito significa suportar a queimação típica dos químicos alisadores. Ou uma cara dependência de cremes hidratantes.

Conseguir um "cabelo bom" geralmente significa transformar raízes firmemente encaracoladas, mas também é algo além de simplesmente optar por um visual para muitas mulheres afro-americanas. Alisar o cabelo é visto como uma forma de se tornar mais aceitável para certos parentes, bem como para os brancos.

"Se seu cabelo é alisado, as pessoas brancas ficam mais confortáveis", disse o comediante Paul Mooney, ostentando um Afro, no documentário "Good Hair" (Cabelo Bom, em tradução literal) que ganhou um prêmio de júri no festival de cinema de Sundance e será lançado em outubro. "Se seu cabelo é enrolado, eles não ficam felizes".

O filme, feito por Chris Rock, explora até onde as mulheres negras são capazes de ir para conseguir cabelos longos e lisos, de um alongamento texturizado de US$ 1 mil do salário de uma professora a estudantes que têm seus cabelos relaxados quimicamente.

Diante da pressão cultural, o pensamento é: conformistas relaxam seu cabelo e rebeldes têm a coragem de deixá-los ao natural. Em alguns cantos, o relaxamento dos cabelos é até mesmo visto como um desejo de ser branco.

"Para mulheres negras, você é condenada se fizer, condenada se não fizer", disse Ingrid Banks, professora de estudos negros da Universidade da Califórnia em Santa Barbara. "Se for atrás de cabelos lisos, será vista como alguém que se vendeu. Se não alisar os cabelos é vista como alguém que não cuida corretamente da aparência".

Qualquer um que tenha pensado que tais preconceitos estavam ultrapassados teria percebido o contrário diante das reações negativas ao fato da filha de 11 anos do presidente, Malia Obama, ter usado seu cabelos em cachos durante suas férias de verão em Roma. Comentaristas do blog conservador Free Republic a atacaram como imprópria para representar a América por ter saído sem alisar o cabelo.

Embora legiões de mulheres negras alisem seus cabelos nos Estados Unidos (Michelle Obama entre elas), salões especializados em estilos naturais têm se proliferado, e mais mulheres negras optam por ostentar seus cachos naturais. Muitas usam cachos e tranças com uma atitude orgulhosa por não terem cedido diante da pressão para alisar.

Em "Good Hair", a atriz Nia Long descreve a sabedoria convencional de que cabelo alisado é mais desejável: "Há sempre uma espécie de pressão dentro da comunidade negra, como: 'Oh, se você tiver cabelo bom, você será mais bonita ou melhor do que a menina que usa um Afro ou cachos ou um penteado natural.' "

Para alguns, a linha de batalha já foi definida.

Mas em entrevistas recentes, várias pessoas negras expressaram cansaço com o debate. Eles questionam, essencialmente: Por que cabelo não pode simplesmente ser cabelo? Um Afro tem necessariamente que estabelecer uma mulher como a herdeira política de Angela Davis? Uma fashionista que reproduz o corte da primeira dama realmente não está sendo verdadeira consigo mesma só porque o penteado é liso?

"Eu sou quem eu sou, não importa como uso meu cabelo", disse Tywana Smith, dona do Treasured Locks, um website dedicado à manutenção de cabelos relaxados e naturais. "Eu quero que meus filhos sejam vistos por quem eles são, e não pela forma como usam seus cabelos", ela acrescentou. "Se eles caminham rua abaixo com cachos ou tranças, eles não estão fazendo qualquer outra declaração além de 'Hoje eu estava com vontade de usar cachos'".

Suposições sobre os motivos para o alisamento dos cabelos já não são tão fáceis quanto uma vez foram. Durante a última campanha presidencial, Noliwe M. Rooks, diretora associada do Centro de Estudos Afro-Americanos de Princeton, teve muitos debates sobre o que significou quando o cabelo de Sasha e Malia Obama foi alisado. "Ao contrário de momentos anteriores", a conclusão não determinava "claramente que a mãe tinha se vendido ou que ela determinava que cabelo liso é melhor", disse Rooks. "Hoje existe uma certa complexidade a respeito de quem somos. Não houve uma resposta fácil a respeito do motivo daquela mudança".

Afua Adusei-Gontarz, 30, do Brooklyn, usou seu cabelo natural por cinco anos em uma trança francesa. Mas ela não acha que o visual a tornava mais autenticamente negra. "Se você tem cabelo natural, você é considerada mais real, ou mais em contato com sua africanidade", disse Adusei-Gontarz, editora assistente da Imprensa Universitária de Columbia.

Ela rejeita o pensamento de que em Gana seus antepassados relaxam os cabelos (como ela agora o faz por comodidade) e "as gerações mais novas é que têm cabelos naturais".

No ano passado, as vendas de cremes para relaxamento caseiro somaram US$ 45,6 milhões (excluindo o Wal-Mart). De acordo com a Mintel, uma empresa de pesquisa de mercado, o número se manteve firme nos últimos anos. Tantas mulheres afro-americanas usam relaxantes ou um pente quente (chapinha) para adquirir um visual liso temporário que não fazer isso pode exigir muita coragem. Em websites onde mulheres negras discutem seus cabelos, os comentaristas apoiam o visual natural para os outros, mas não o adotam para si, disse Rooks.  Eu não sou valente o bastante, elas dizem - é tão maravilhoso que você consegue se aceitar como é.

A questão do "cabelo bom" quase sempre se inclina às mulheres. Homens negros com cabelo grosso há muito têm uma opção conveniente e socialmente aceitável: um corte ralo. Muitas mulheres entram no hábito de relaxar o cabelo quando meninas (quando a escolha é feito por sua mãe ou outro parente) então mudar isso quando adultas se torna difícil.

Para muitas pessoas não importa sua raça ou textura de cabelo, se aceitar "como é" pode ser algo difícil. A história da beleza é cheia de descontentamento e transformação: morenas se tornam loiras; mulheres brancas alisam seu cabelo ondulado no melhor estilo japonês. Para ir do curto ao comprimento na altura dos ombros e de volta, celebridades de Britney Spears a Queen Latifah usam alongamentos, que exigem que um estilista costure ou cole o cabelo de outra pessoa no couro couro cabeludo delas.

Então por que, pergunta Brian Smith que coordena o TreasuredLocks.com com sua esposa, Tywana, um penteado é principalmente uma "declaração política ou social" entre os afro-americano? Ele teve clientes que chegaram a lhe implorar para que deixe de dar conselhos a pessoas que usam relaxantes porque "você está ajudando estas mulheres a se venderem". Mas ele e sua esposa, que agora usa cachos depois de anos de relaxamento, não tomam partido.

O termo "natural" em si é problemático, disse Banks. Ela recentemente passou 14 meses em salões para negros em cinco cidades pesquisando para um futuro livro. Salões naturais não oferecem mudanças químicas ou texturas. Mas ela encontrou "grande quantidade de coloração nas arrumações naturais que desafiam o rótulo sem químicos".

Para Banks, fazer uma escolha é crucial, não resultante de um penteado. "Se uma mulher negra opta por relaxar seu cabelo, ou cortar todo seu cabelo ou não fazer nada a respeito, fazer esta escolha já é algo que lhe dá poder", ela disse, notando que antigamente mulheres negras que trabalhavam em  plantações não tinham este luxo.

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27/08/2009 11:40 AM

Estudo mostra riscos nos índices de radiação de exames médicos

Pelo menos 4 milhões de americanos com menos de 65 anos de idade são expostos a altas doses de radiação através de exames médicos a cada ano, de acordo com um novo estudo publicado no jornal de medicina The New England.

Cerca de 400 mil destes pacientes recebem doses muito altas, mais do que o máximo da exposição anual permitida a funcionários de usinas nucleares ou outros que trabalham com material radioativo.

O estudo, que será publicado nesta quinta-feira, se baseou em uma pesquisa realizada entre 2005 e 2007 que cobriu quase 1 milhão de pacientes assegurados pela United Healthcare nos EUA.


Pacientes que fazem tomografias recebem altas doses de radiação / NYT

O estudo, no entano, não estimou o número de casos de câncer que a radiação pode causar nas próximas décadas.

Os testes radioativos são realizados por centenas de propósitos. Nas últimas duas décadas, eles se tornaram especialmente comuns na cardiologia, onde os médicos os usam para conferir a formação de placas nas artérias e a habilidade do coração em bombear sangue.

Alguns cardiologistas agora encorajam seus pacientes para que realizem exames visuais rotineiros no coração, mesmo que não tenham sintomas clínicos de doença no órgão, como dor no tórax ou dificuldade de respiração.

O uso dos exames aumentou nitidamente nas últimas duas décadas, conforme cada vez mais médicos compram aparelhos específicos para a realização de tomografias e outros exames visuais e os instalam dentro ou perto de seus consultórios.

Em 2007, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos calculou que o número de tomografias solicitadas a um paciente do Medicare havia quase quadruplicado entre 1995 e 2005, enquanto o número de outros exames aumentou até mais rapidamente.

O principal autor do novo estudo, Dr. Reza Fazel, cardiologista da Universidade de Emory, disse o uso de exames visuais parece ter aumentado até mesmo entre 2005 e 2007, período no qual o estudo foi realizado. "Estes procedimentos têm um custo, não apenas em dólares, mas em termos do risco de radiação", disse Fazel.

Os pesquisadores calcularam a quantidade de radiação recebida pelos pacientes através de códigos de seguro de vários tipos de exames visuais. A exposição é medida em millisieverts; o americano comum recebe aproximadamente três millisieverts por ano de todas as fontes.

O estudo concluiu que em pelo menos um dos três anos, 1.9% dos pacientes da United Healthcare receberam 20 millisieverts de radiação, ou quase sete vezes a média. Daquele grupo, aproximadamente 10%, ou 0,2% de todos os pacientes, receberam pelo menos 50 millisieverts, mais que a máxima anual que os reguladores nucleares permitem.

Estes números sugerem que aproximadamente 4 milhões de americanos recebam doses cumulativas que excedem 20 millisieverts ao ano.

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27/08/2009 11:12 AM

Radicalismo islâmico ameaça mudanças democráticas do Marrocos

CASABLANCA, Marrocos - O Marrocos há muito é visto como um raro Estado islâmico, liberal e moderno, aberto ao Ocidente e uma possível ponte para um Oriente Médio mais tranquilo, que pode viver em paz com Israel.

Mas sob pressão do radicalismo islâmico, o Rei Mohammed desacelerou a velocidade das mudanças. O poder permanece concentrado na monarquia; a democracia parece mais demonstrativo do que real.

Ainda que insistindo que o rei está comprometido com reformas mais profundas, oficiais sênior falam em manter um equilíbrio entre liberdade e coesão social. Muitos discutem a ameaça do extremismo da vizinha Argélia.

Desde um grande bombardeio em hotéis do centro da cidade e áreas de compra, realizado por radicais islâmicos em 2003, e uma tentativa de outra campanha de bombardeio em 2007, houve uma severa e contínua repressão dos suspeitos extremistas locais.

Em 2003, qualquer um com barba longa provavelmente seria detido. Até mesmo agora, quase 1.000 prisioneiros considerados radicais islâmicos permanecem em prisões marroquinas.

Seis políticos islâmicos foram recentemente presos, acusados de cumplicidade em uma trama terrorista. O caso está cheio de irregularidades e foi baseado principalmente em evidências circunstanciais, de acordo com o advogado de defesa, Abelaziz Nouaydi, e o grupo de direitos humanos Human Rights Watch.

Em uma entrevista rara, Yassine Mansouri, chefe da inteligência do Marrocos, afirmou que os políticos presos "usaram suas atividades políticas como cobertura para atividades terroristas". "Nosso objetivo não era parar um partido político", ele disse. "Há uma lei a ser seguida". 

O Marrocos está ameaçado, disse Mansouri, por dois extremos: o Wahhabism conservador disseminado pela Arábia Saudita e o Xiismo disseminado pelo Irã.

"Nós os consideramos ambos agressivos", disse Mansouri. "O Islã radical tem o vento a favor de sua vela e permanece uma ameaça".

Mohammed, que celebrou seu 10º ano no trono este ano, se vê como um modernizador e reformador, depois de ter investido pesadamente em desenvolvimento econômico, aliviado as restrições à mídia, determinado mais direitos para as mulheres e revelado alguns dos piores abusos ao ser humano do passado.

Mas a severa repressão danificou o histórico recente do Marrocos em relação aos direitos humanos. Prisioneiros muçulmanos são tratados de maneira brutal nas prisões, muitas vezes sodomizados com garrafas, disse Abdel-Rahim Moutard, ex-detento que teve ambas as mãos quebradas durante interrogatórios. Ele coordena a Ennasir, uma organização para prisioneiros. Mas quando eles saem da prisão, recebem pouca ajuda, até mesmo das mesquitas ou da Ennasir.

"Muitos deles ficam chocados que seu país os trate desta maneira", disse Moutard. "Depois de receber o tratamento da garrafa, toda vez que for ao banheiro ele se lembrará daquilo e pensará em vingança".

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27/08/2009 11:06 AM

Editorial: O adeus do senador que insistiu em ver a política através do prisma das necessidades humanas

Três décadas atrás, o senador Edward "Ted" Kennedy arruinou sua última esperança de ser eleito à Casa Branca quando um entrevistador de televisão lhe perguntou por que ele queria ser presidente. Ele não conseguiu articular uma resposta, oferecendo uma reação gaguejante e vazia que persuadiu seu partido de que ele não queria ou não seria apropriado para o trabalho que seu irmão John havia conquistado e seu irmão Robert havia aspirado.

 

Ainda assim, como tão frequentemente aconteceu em uma vida extraordinária que oscilou entre sucesso e infortúnio apenas para voltar ao sucesso novamente, este momento difícil funcionou a favor de Kennedy e, no final, foi uma vantagem ainda maior para o país como um todo. Tendo falhado em seu desafio ao presidente Jimmy Carter, Kennedy estava finalmente livre para se concentrar com paixão e arte política na sua vocação natural como um dos maiores legisladores e grandes reformadores do Senado moderno.

O histórico que Kennedy deixa depois de 46 anos só pode ser invejado por seus colegas conforme eles se unem à nação lamentando sua morte depois de uma briga de 15 meses contra o câncer de cérebro - um histórico firmemente ancorado na insistência de Kennedy de que a política seja vista e administrada através do prisma das necessidades humanas.

Junto com um domínio das complexidades parlamentais, conquistado a duras penas, e uma disposição em trabalhar além de seu próprio partido para conquistar votos cruciais, o liberalismo decidido de Kennedy deixou um legado robusto: leis e reformas que tocam os direitos civis, o Ministério da Justiça, os refugiados, o bem-estar social, a política externa (ele foi um dos 23 senadores que votaram contra a autorização da invasão do Iraque), os direitos ao voto, o trabalho de aprendizado, a educação pública e o salário mínimo.

Na sua despedida agridoce diante da Convenção Democrata, o senador pediu que seu partido agisse no que qualificou como "a causa de minha vida": os cuidados médicos de qualidade como um direito fundamental para os cidadãos americanos.

O destino da causa de Kennedy permanece nas mãos de um Congresso em conflito e do presidente Barack Obama, o candidato democrata que Kennedy ousou patrocinar quando outros líderes do partido hesitaram. E ainda que sua liderança seja sentida na guerra legislativa adiante, seria um tributo adequado se sua morte pudesse solucionar para melhor um assunto em dúvida há tempo demais.

A vida de Kennedy foi carregada pela tragédia pessoal, inclusive os assassinatos de seus dois irmãos, e embaraço pessoal, geralmente auto-infligido. Seu fim foi decretado 40 anos atrás, depois que Mary Jo Kopechne se afogou em um carro que o senador dirigia quando caiu de uma ponte em Chappaquiddick Island, perto de Martha's Vineyard. Mas os eleitores de Massachusetts permaneceram a seu lado, e nos últimos 15 anos, Kennedy pareceu conseguir um controle muito maior de sua vida particular, não menos em um esforço para se tornar um melhor pai substituto para seus muitos sobrinhos órfãos.

"Eu reconheço minhas próprias falhas", ele concedeu em 1991, sabendo que elas não seriam apagadas das páginas da história. Mas seu espírito também não será, sua devoção em ajudar os americanos em necessidades e sua convicção de que a política, nem sempre um caminho fácil, pode fazer uma diferença real.

Seu mantra, formado sobre uma tragédia, e expressado eloquentemente na Convenção Nacional Democrata quando ele abandonou sua disputa pela candidatura presidencial em 1980, era simples e nobre: "O trabalho continua, a causa suporta, a esperança ainda vive e o sonho nunca morrerá". Em suas últimas falas, ele explicitamente passou este mantra a Obama.


Apoio de Ted Kennedy foi decisivo a Obama durante a eleição / AP

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27/08/2009 08:23 AM

Investigação sobre o gênero sexual de velocista enfurece sul-africanos

JOHANESBURGO – Para muitos sul-africanos, o bafafá internacional sobre o caso de Caster Semenya ser muito masculina para competir na corrida feminina tem sido uma afronta para todos aqui, como se um mundo insensível quisesse espiar dentro da calça de todo para avaliar o que vê.

NYT

Semenya sobre no pódio em frente a uma
multidão no aeroporto de Johanesburgo

Alguns comentaristas acharam o assunto tão assombroso que compararam o caso de Semenya com o de Saartjie Baartman, mulher africana levada para a Europa no século 19 e exibida como uma aberração sob o nome de Hottentot Venus. Os cientistas examinaram suas genitais.

Semenya voltou de Berlim para sua casa nesta terça-feira. Na capital alemã, ela tinha vencido a corrida mundial de 800 metros, na última quarta-feira. A vitória veio apenas algumas horas após oficiais da corrida internacional dizer que Semenya, uma garota musculosa com a voz rouca de 18 anos, precisava passar por um exame de avaliação de sexualidade para confirmar sua elegibilidade.

Desde então, ela se tornou um herói nacional e sua história – o conto de uma pobre garota de uma vila remota – uma fonte de inspiração. Mais de mil pessoas a cumprimentaram no principal aeroporto de Johanesburgo. Muitos carregavam cartazes com escritos: “nossa garota de ouro” ou “simplesmente a mulher”. Enquanto a multidão esperava, eles cantaram músicas de libertação de forças e dançaram ao som de tambores.

Horas depois, um comboio de dez motocicletas levou a equipe de atletismo à casa de convidados presidencial, em Pretoria. Semenya, em trajes de corrida com sua medalha de ouro pendurada no pescoço, andou ao lado de Jacob Zuma, líder do país, para enfrentar a mídia. A corredora não tinha nada a dizer, deixando seus comentários à corrida que ganhou: “eu consegui a liderança nos 400 metros e acabei com eles, eles não conseguiram acompanhar. Eu comemorei os últimos 200 metros porque eu sabia, cara”.

Zuma, falando para uma nação ofendida, foi mais ousado em sua fala. Ele disse que o governo havia escrito à Associação de Federações Atléticas (IAAF, sigla em inglês), corpo governante da corrida mundial, “expressando nossa decepção” com a forma com que o assunto foi tratado.

O anonimato geralmente é dado durante a investigação da IAAF. “Uma coisa é averiguar se um atleta possui ou não vantagens injustas sobre os concorrentes”, disse Zuma. “Mas é algo totalmente diferente humilhar publicamente uma atleta honesta, profissional e competente”.

Lamine Diack, presidente da IAAF, admitiu que a confidencialidade foi violada chamando o fato de “lamentável” e pediu um inquérito. Mas sua admissão não acabou com a ofensa.

A África do Sul é o país mais rico do continente. Marcado pelo apartheid, agora é uma jovem democracia que, de muitas formas, ainda está tentando encontrar seu caminho. O governo ainda é vulnerável a críticas. No próximo ano, o país será a sede da Copa do Mundo, a primeira na África. Frequentemente, as pessoas aqui falam como se o resto do mundo – especialmente o ocidente – esperasse que o evento fosse um fracasso, confirmando todos seus preconceitos negativos.

NYT
Homem na multidão mostra bandeira da África do Sul
Similarmente, a ofensa à Semenya é visto como outro esforço para humilhar o sucesso africano. Mais uma vez, foi falado em racismo durante a recepção na terça-feira, um evento que pareceu menos uma explosão de entusiasmo espontâneo de fãs de esportes do que uma recepção coreografada de profissionais políticos. Muitos na multidão, no aeroporto, faziam parte de afiliados do Congresso Nacional Africano governante. Outros partidos políticos mandaram contingentes menores.

Uma comemoração adicional foi feita no estacionamento do aeroporto. Semenya tinha pouco a dizer no pódio, exceto um “oi, pessoal”. Mas Julius Malema, líder da liga jovem ANC, fez uma observação sobre a demografia da multidão. “Onde estão os sul-africanos brancos para receber Caster?”, ele queria saber.

Uma história antiga de controvérsias tem sido um jogo de adivinhação sobre quem reclamou à IAAF sobre Semenya. Novas histórias por aqui têm culpado australianos anônimos. Mas na terça-feira, Leonard Chuene, presidente do Atletismo da África do Sul afirmou que evidências secretas mostraram que o denunciador era da África do Sul e Malema acrescentou que era uma “instituição midiática”.

Chuene, que dirige o programa de corrida do país, tem sido a voz que lidera o desafio contra a IAAF, deixando sua posição no quadro da federação por causa do fato. “Não permitiremos que europeus definam ou descrevam nossas crianças”, disse ele, acrescentando que a África do Sul não irá cooperar com nenhum exame de gênero sexual por “alguma universidade estúpida de algum lugar”.

“Os únicos cientistas em que acredito são os pais dessa criança”, disse ele.

Na semana passada, os sul-africanos pareciam ver o assunto de forma confusa. Simplesmente olhar o certificado de nascimento da garota, foi o que sugeriram. Levem-na ao banheiro para uma avaliação. Pergunte a sua mãe, a seu pai. Pergunte a alguém como sua tia, Johanna Lamola, que disse: “Eu sei o que Caster tem. Eu fui sua babá. Troquei suas fraldas”.

Foi apenas nos últimos dias que a mídia começou a noticiar sobre genes e hormônios e toda a ambiguidade envolvendo a determinação do sexo. Os exames da IAAF prescritos à Semenya envolvem relatórios de um ginecologista, um endocrinologistas, um psicólogo, dentre outros.

Examinar o gênero sexual dos atletas foi algo que começou nos anos 1960, quando a União Soviética e outros países comunistas suspeitaram que homens estivessem se inscrevendo em competições femininas. Primeiro, os médicos simplesmente olharam os corpos nus. Mas logo testes cromossômicos foram empregados, muitas vezes fornecendo evidências contrárias ao exame de observação do corpo. A velocista polonesa Ewa Klobukowska passou no teste de nudez, mas então foi impedida de competir em 1967, quando seu material genético mostrava uma história diferente.

Dizem que Semenya, que estuda na Universidade de Pretoria, está “traumatizada” com a discussão sobre seu sexo. Mas ela já havia suspeitado ser homem. “Os garotos costumavam provocá-la sempre”, disse sua tia-avó, Martina Mpati. “Às vezes, ela tinha que bater neles”.

Semenya é da vila Ga-Masehlong, na província de Limpopo. Assim como outras garotas, esperavam que ela buscasse lenha na floresta ao amanhecer. Mas diferente delas, ela ia jogar futebol com os garotos.

Na escolha secundária, Semenya se concentrou em correr. Seu diretor disse ao jornal sul-africano “The Star” que em alguns encontros de corridas, a outra equipe exigia provas de que alguém com um físico tão masculino fosse uma garota. “Mas, cada vez que a avaliavam no banheiro, ela era considerada mulher e a competição era retomada”, disse ele.


Por BARRY BEARAK

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26/08/2009 05:02 PM

Na Índia, mulheres veem boxe como caminho para uma vida melhor

TRIVANDRUM, Índia  - As meninas batem com força. Elas chegam de toda a Índia neste grande ginásio administrado pelo governo. Antes de entrar no rinque de boxe, elas baixam a cabeça como quem entra em um templo.

A filha do dono de uma fábrica de roupas de fundo de quintal acerta um gancho. A filha de um trabalhador de construção se apoia contra a corda, gotas de suor escorrem por sua face. Saltando, abaixando como um gafanhoto, uma menina pequena com olhos estreitos vinda de Calcutá abandonou o casamento de sua irmã para ter uma chance de vir aqui e lutar.

O barulho de luvas contra luvas ecoava contra as paredes cavernosas.

Em um país com numerosos obstáculos para as mulheres, estas jovens buscam espaço através do boxe.

O Comitê Olímpico Internacional anunciou no começo deste mês a entrada do boxe feminino na Olimpíada de Londres em 2012. A Índia estava entre os países que pediam o fim do impedimento ao esporte para mulheres.

"Este é meu sonho se tornado realidade", disse Mangte Chungneijang Merykom, 27, a lutadora mais aclamada da Índia, mais conhecida como Mary Kom.

Kom é a grande esperança da Índia na competição de boxe. Desde que a Associação de Boxe Internacional passou a aceitar mulheres, no campeonato mundial em 2001, Kom conquistou quatro medalhas de ouro.

Com relativamente pouco apoio do governo, as mulheres indianas têm se saído surpreendentemente bem nos campeonatos mundiais.

A China é a maior concorrente da Índia. Nos últimos campeonatos, realizados em Ningbo City, China, o time da casa conquistou 11 medalhas, seguido pela Rússia com cinco, e quatro cada para Índia e Estados Unidos.

Kom, que há pouco voltou de um treinamento em Pequim, explica. Mesmo os técnicos na China estão em forma, ela disse, e as atletas comem carne no café da manhã, almoço e janta.

Os campos de treinamento modestos da Índia servem carne ou peixe uma vez ao dia. Os atletas lavam suas próprias roupas à mão. Não há nenhum fisioterapeuta dedicado às pugilistas machucadas.

Não importa. O boxe representa um novo tipo de liberdade às mulheres que entram neste úmido ringue, no sul da Índia.

Hema Yogesh, 16, filha de um fazendeiro de temperos, fugiu de casa para participar de seu primeiro acampamento de treinamento.

Seu pai ficou inicialmente furioso, mas logo ela trouxe para casa sua primeira medalha de ouro depois de uma competição estadual. Seus colegas de escola a cobriram com guirlandas e saudações. Seu pai, segundo ela, caiu nas lágrimas. Ela também. Agora ele quer que ela concorra internacionalmente.

O boxe, diz Hema, a ensinou a ter "coragem".

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26/08/2009 02:27 PM

Comissão nuclear encoraja mudança no controle de risco de incêndio

WASHINGTON - Muitas das centenas de trabalhadores da usina nuclear Shearon Harris em New Hill, Carolina do Norte, se ocupam com tarefas de alta tecnologia como calibrar equipamentos, monitorar campos de radiação ou controlar o reator. Mas o tempo todo, há três homens em ação que poderiam ter saído de outro século. Eles procuram por cheiro de fumaça.

Caminhando centenas de quilômetros por dia, subindo e descendo escadas e percorrendo vastos corredores e passagens estreitas, eles visitam locais cruciais pelo menos uma vez a cada hora para garantir que não há indício de incêndio.

"Eu estou em boa forma, provavelmente a melhor da minha vida", disse Timothy J. Baldwin, 33, que trabalha no alerta de incêndio da usina há quatro anos e diz que cobre 19 quilômetros por dia, incluindo 60 escadarias, e gasta dois ou três pares de tênis a cada ano.

Mas a Shearon Harris quer eliminar trabalhos como o de Baldwin, sob recomendação da Comissão Reguladora Nuclear. Ao invés desta posição, a comissão pede que usinas nucleares adotem uma postura mais sistemática para avaliar o perigo de incêndio - que dependa de um programa computadorizado.

Usando o novo método, a Shearon Harris irá avaliar cada peça de sua usina, através de centenas de milhas de cabos elétricos.

A comissão reguladora está promovendo a nova medida como uma substituição para suas próprias regras "básicas" que determinam procedimentos rígidos sem espaço para análises, disse o John A. Grobe, diretor sócio de engenharia e sistemas de segurança da comissão.

Grobe disse que a meta era tornar as regras de combate ao fogo mais "informadas sobre os riscos", focalizando nos locais precisos e sistemas mais importantes dos 104 reatores nucleares do país.

Em todo o país, as usinas podem optar por aderir aos padrões atuais de combate ao incêndio da comissão ou usar a nova  avaliação de risco eletrônica. Até agora, a comissão diz que 51 das 104 usinas optaram pelo novo método. A Shearon Harris concluirá a transição em novembro de 2010, disse J. Anthony Maness, superintendente de projetos da usina.

A mudança para a análise de risco computadorizada foi bem recebida por muitos do setor, mas não por alguns de seus críticos.

Edwin S. Lyman, cientista sênior da Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Preocupados, em tradução literal), disse que analises computadorizadas nem sempre podem antecipar a gama total de riscos de uma determinada usina.

"A postura que a comissão quer adotar é como uma varinha de condão de avaliação probabilística de riscos para fazer com que muitas das exigências desapareçam", disse Lyman.

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26/08/2009 02:23 PM

Novas regras ajudam soldados americanos traumatizados por conflitos

Sob ataque de grupos veteranos e do Congresso pela forma como lidou com reivindicações de deficiência, o Departamento de Assuntos dos Veteranos propôs novas regulamentações que podem facilitar a compensação por desordens de tensão pós-traumática (PTSD na sigla em inglês).

A proposta busca aliviar o fardo de veteranos que não estiveram em combate e dizem ter desenvolvido a desordem psicológica e acelerar o processo destas reivindicações que representam uma parte significativa das 82 mil reivindicações de deficiência que o departamento recebe por mês.

As regras atuais exigem que o veterano diagnosticado com PTSD documente o evento traumático pelo qual passou durante o serviço responsável por ativar a desordem. Para veteranos que não serviram em unidades de combate, tal prova pode ser difícil de se encontrar dada a desigualdade dos registro mantidos pelos militares.

Mas os defensores dos veteranos argumentam que muitos soldados não combatentes, como motoristas de caminhão e balconistas de provisão, passaram por situações traumáticas, que incluem bombas à margem de estradas, fogo cruzado, ataques com morteiros ou a morte de amigos. Apesar de diagnosticados com PTSD, muitos destes soldados têm dificuldade em receber a compensação de deficiência.

A regra proposta eliminaria a exigência de documentação sobre o evento responsável por ativar o distúrbio, desde que os veteranos portadores de PTSD possam provar que estavam nos lugares e executaram deveres onde tais eventos podem ter ocorrido. Seus sintomas também devem ser consistentes com o trauma que dizem ter sofrido.

Em uma circular de notícias divulgada na segunda-feira, o secretário para assuntos veteranos, Eric K. Shinseki, disse: "Esta gestão irá lidar com as feridas ocultas da guerra vigorosamente e compreensivamente conforme seguimos adiante a toda velocidade em busca de uma transformação para o século 21".

Mas alguns defensores dos veteranos responderam com desconfiança às propostas que agora terão que passar por um período de revisão de 60 dias.

Katrina J. Eagle, advogada de veteranos na Califórnia, disse que a regra proposta exigiria que os veteranos sejam diagnosticados por psiquiatras e psicólogos do departamento ou aprovados por ele. Atualmente, os veteranos podem receber diagnósticos de seus próprios psiquiatras.

"Esta é sua forma de controlar os diagnósticos", disse Eagle. "Eu não vejo como isto pode facilitar a vida deles".

Mas outro defensores dos veteranos disseram que a exigência proposta em usar os psiquiatras do departamento parece uma forma razoável de reduzir fraude e padronizar os diagnósticos.

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26/08/2009 02:19 PM

Adolescentes não são os responsáveis pela popularidade do Twitter

Kristen Nagy, 18, de Sparta, Nova Jersey, envia e recebe 500 mensagens de texto por dia. Mas ela nunca usa o Twitter, embora o site publique trechos de conversações e observações semelhantes.

"Eu acho estranho e não sinto necessidade que todo mundo saiba o que eu estou fazendo todos os segundos da minha vida", ela disse.

Sua relutância em usar o Twitter, um sentimento compartilhado por outros adolescentes da sua faixa etária, não prejudica o serviço de microblogging. Apenas 11% de seus usuários têm entre 12 e 17 anos, de acordo com a comScore.

Ao invés disso, a inédita explosão de popularidade do Twitter foi conquistada por um grupo decididamente mais velho. Este sucesso rompeu com uma ampla convicção de que os jovens conduzem as inovações populares.

"O modelo do adotador precoce tradicional diria que os adolescentes ou estudantes universitários são realmente importantes para a popularidade de um site", disse Andrew Lipsman, diretor de análise do setor pela comScore. Afinal de contas, os adolescentes foram responsáveis pelo crescimento de redes sociais como Facebook, MySpace e Friendster.

O Twitter, no entanto, tem provado que "um site pode suceder dentro de um setor demográfico diferente do esperado e se tornar muito popular", ele disse. "O Twitter tem desafiado o modelo tradicional".

Os adultos foram responsáveis pelo crescimento de muitos websites populares. O YouTube atraiu os jovens adultos e depois cidadãos idosos antes dos adolescentes. A base de usuários inicial do Blogger era composta por adultos e o LinkedIn construiu uma rede social próspera com alvo em profissionais.

Semelhantemente, o Twitter não atraiu os lançadores de tendências no início. Seu crescimento veio através dos adultos que podem não ter usado outros sites sociais antes do Twitter, disse Jeremiah Owyang, analista do setor que estuda mídias sociais. "Os adultos têm alcançado o que os adolescentes fazem há alguns anos", ele disse.

Muitos jovens que usam o Facebook desde que começaram a usar a internet e para quem o envio de mensagens de texto é seu principal método de comunicação, dizem que simplesmente não têm necessidade de usar o Twitter.

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26/08/2009 09:03 AM

Editorial: Relatório da CIA revela necessidade de ampla investigação sobre a era Bush

A gestão Obama adotou medidas importantes para consertar os dolorosos danos que o presidente George W. Bush fez aos Estados Uindos com suas políticas de detenção ilegais e moralmente repugnantes.

 

O presidente Barack Obama está comprometido em fechar a prisão de Guantánamo e a estabelecer tribunais legítimos para julgar os detentos. Ele rescindiu as ordens executivas e as decisões legais que Bush usou para justificar o abuso de prisioneiros.

O Departamento de Defesa deu o importante passo de inverter políticas e notificar ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha as identidades dos militantes que foram detidos em prisões secretas no Iraque e Afeganistão. Além disso, o procurador-geral Eric Holder designou um promotor para investigar a interrogação de prisioneiros da CIA, cujo tratamento desumano foi detalhado em um relatório de secreto escrito pelo inspetor de geral da agência em 2004 e divulgado na segunda-feira.

Mas apesar destas medidas individuais louváveis, Obama e seus conselheiros políticos continuam evitando uma ampla investigação a respeito do total descaso de seu antecessor com os direitos humanos, liberdades civis e proteções judiciais que permitiriam que este país garantisse que esta sórdida história realmente ficou para trás.

Na verdade, a gestão parecia relutante em tornar público o relatório da CIA que foi divulgado sob uma ordem judicial e amplamente censurado, com páginas inteiras cobertas (inclusive as quatro páginas de recomendações). Antes de Holder anunciar sua investigação, a Casa Branca deixou claro que não está feliz com sua decisão (repetindo a frase tristemente familiar: "olhar para frente, não para trás").

Holder demonstrou coragem e integridade ao exigir a investigação. Mas ele deixou claro que ela será limitada às interrogações específicas esboçadas no relatório da CIA e não chegará a ser uma investigação criminal sobre as políticas adotadas na era Bush.

Os interrogatórios certamente merecem uma investigação criminal. O relatório descreve práticas censuráveis e cruéis, como o afogamento. Entre elas estavam desde ameaças a família de um prisioneiro - até mesmo a morte de seus filhos - e representação de execuções falsas até o bloqueio da artéria carótida dos prisioneiros até que eles desmaiassem.

O relatório afirma que os interrogatórios seguiram diretrizes aprovadas pelo Departamento de Justiça de Bush, que se dedicou a encontrar formas de autorizar o abuso e evadir a responsabilidade legal. Mas ofereceu uma condenação severa dessas diretrizes, que disse divergirem "nitidamente" das práticas de interrogadores policial e militares, e das posições de quase todo o mundo, inclusive do Departamento de Estado, Congresso, outros governos Ocidentais e grupos de direitos humanos.

O inspetor-geral disse que, em alguns casos, os interrogatórios excederam até mesmo os padrões escandalosamente negligentes do Departamento de Justiça de Bush.

O relatório representa uma razão ainda mais convincente para uma investigação mais ampla sobre o comportamento ilegal de Bush. É possível simpatizar com o desejo de Obama de evitar uma investigação politicamente carregada. Mas a necessidade de colocar este país de volta sob as determinações da lei não é menos urgente do que quando ele prometeu fazer isso durante sua campanha.

Isso não será conquistado através de investigações individuais sobre os interrogadores. Mas irá exigir uma análise destemida de como as ordens foram emitidas a esses homens e quem as deu. Apenas responsabilizando os oficiais, os americanos poderão ter certeza que os futuros presidentes não se sentirão livres para agir como Bush.

Leia mais sobre interrogatórios dos EUA

26/08/2009 08:58 AM

Editorial - O governo e a web

A administração de Obama está considerando novas regras para facilitar que os sites do governo utilizem tecnologias de proteção como “cookies”, bloco de dados armazenados para futuras identificações. Há razões válidas para usar tais ferramentas, mas o governo deve construir fortes proteções de privacidade.

A administração Clinton adotou uma regra que limita o rastreamento em sites federais. Seguir o movimento dos usuários era permitido apenas se oficiais pudessem provar uma necessidade urgente e se a agência principal a autorizasse pessoalmente.

Tecnologias de rastreamento podem melhorar a qualidade dos sites ao monitorar quantas pessoas estão visitando o site e como elas o utilizam. Além disso, também podem personalizar a experiência. Por exemplo, o serviço de estacionamento poderia fornecer informação baseada onde o usuário mora.

Fabricantes de navegadores tornaram mais fácil para os usuários remover cookies ou mesmo apagá-los em grande escala. Mas a tecnologia de rastreamento ainda pode representar um verdadeiro risco, especialmente para algo que ainda não foi iniciado.

Se usuários derem informações pessoais a um site do governo, a instituição poderia traçar os visitantes em outros sites governamentais, como um que oferece informação sobre vício em drogas ou AIDS/HIV. Isso poderia ser feito por meio dos cookies ou guardando o rastro do endereço de IP dos usuários, que pode ser ligada a indivíduos específicos.

Nos últimos anos, o governo monitorou algumas bibliotecas de uso de americanos e, ilegalmente, espionaram ligações telefônicas e e-mails. Grupos de privacidade estão preocupados que as novas regras poderiam abrir o caminho para partes terceiras de coletar grandes quantidades de dados por meio de sites do governo – por exemplo, se uma agência coloca no YouTube um vídeo com seus próprios cookies.

O Escritório de Administração e Orçamento está desenvolvendo novas regras. Os oficiais dizem que reconhecem que pessoas devem ter conhecimento que ao usarem os sites eles estão sendo rastreados – e devem ter uma chance de optar aceitá-lo. Mais ainda é necessário. O governo deveria se comprometer a exibir esse tipo de aviso de forma perceptível em todas as páginas da web – e tornar mais fácil para os usuários escolher ser rastreado ou não.

Ele deve prometer que o rastreamento de dados seria usado apenas com o propósito original: se alguém pedir uma informação de como conviver com câncer, isso não deveria acabar em uma base de dados gerais. A informação deve ser organizada regularmente e o mais rápido possível. Essas regras devem se aplicar às terceiras partes que operam com sites do governo.

A administração de Obama está trabalhando para melhorar o controle do poder da internet de oferecer serviços governamentais. Isso é bom. Mas é preciso estar atento que as pessoas devem ter acesso à ajuda e garantia de que sua privacidade está sendo protegida com atenção.

 

Leiam ais sobre Obama

25/08/2009 04:17 PM

Obama indicará Bernanke para segundo mandato no Fed

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai nomear nesta terça-feira Ben S. Bernanke para um segundo mandato como presidetne do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), segundo fontes do governo.

O anúncio é uma vitória de Bernanke, um republicano que foi nomeado pelo ex-presidente George W. Bush quase quatro anos atrás e que foi por um breve período o presidente do Conselho dos Assessores Econômicos de Bush.

Getty Images
Ben Bernanke durante sabatina no Comitê Bancário do Senado no último dia 22 de julho
Ben Bernanke na sabatina do Comitê Bancário do Senado no último dia 22 de julho
25/08/2009 08:45 AM

Em meio à crise, americanos pagam para trabalhar em estágios não remunerados

Com a dificuldade em se conseguir um emprego em um mercado difícil, muitos recém-formados têm aceitado alegremente trabalhar em estágios não remunerados. Mas, mesmo assim, eles passaram a ter que competir com desempregados que têm muito mais experiência.

Por isso, números cada vez maiores de diplomados ou estudantes (ou, geralmente, seus pais) estão pagando milhares de dólares a serviços que os ajudam a conseguir estágios.

Chame estes estágios não remunerados de posições nas quais eles pagam para trabalhar.

"É muito louco", disse David Gaston, diretor do centro de carreiras da Universidade de Kansas. "A demanda por estágios nos últimos cinco ou 10 anos abriu este enorme mercado".


Estudantes assistem à palestra sobre estágio nos EUA / NYT

Os pais de Andrew Topel pagaram US$ 8.000 a um serviço que ajudou seu filho, no último ano da Universidade de Tampa, a conseguir um emprego de verão como um assistente na agência Ford Models, uma das maiores de Nova York.

"Teria sido muito difícil" conseguir um emprego como este, disse seu pai, Avrim Topel, "sem ter um amigo ou conhecer alguém com um contato pessoal". Andrew completou seu estágio em julho e foi convidado a retornar para uma entrevista depois de sua formatura.

Seus pais usaram uma companhia chamada University of Dreams (Universidade dos Sonhos, em tradução  literal), a maior de uma indústria que prosperou nos últimos anos conforme a experiência em estágios se tornou quase uma necessidade em qualquer currículo iniciante competitivo.

A companhia anuncia a colocação garantida em um estágio, oito semanas de moradia de verão, cinco refeições por semana, seminários e excursões ao redor de Nova York por US$ 7.999.

Ela diz ter posicionado mais de 1.600 estagiários em 13 cidades este ano, cobrando até US$ 9.450 por um programa em Londres e US$ 5.499 pelo mais barato, na Costa Rica.

Diretores da companhia dizem que conseguem posicionar seus clientes porque desenvolveram relações de trabalho com uma grande variedade de empregadores.

Os empregadores dizem que os intermediários economizam tempo e problemas. "Eles facilitam o processo de procura", disse Sarah Cirkiel, o principal executiva da Pitch Control Public Relations, uma empresa de Nova York que alojou 20 estagiários da University of Dreams.

Mas muitos pedagogos e estudantes argumentam que os programas criam um vão entre estudantes que têm pais dispostos e capazes de comprar um estágio para seus filhos e aqueles que não têm.

"Você vai aumentar esta divisão muito cedo, entre famílias que entendem este processo de investimento e pagarão e as famílias que não têm como fazer isso ou não querem", disse Anthony Antonio, professor de educação da Universidade de Stanford.

Leia mais sobre mercado de trabalho

25/08/2009 08:12 AM

Nenhuma moda é a nova moda para cabelos masculinos

Robert Pattinson (aquele da juba selvagem e provocante) pode ser único no mercado de adulação adolescente deste verão: a revista Us Weekly chegou a publicar seu primeiro "zine" em homenagem ao ator. Porém, seu cabelo tem bastante concorrência.

Há uma pequena moda povoando as cabeças dos jovens e, como seria de se esperar quando o assunto é cabelos, ela está crescendo.

Curiosamente, a moda não tem a ver com estilo. Não se vê um exército de clones de RPattz encantadoramente desgrenhados. Ao invés disso, há afros, moicanos, dreadlocks e pompadours. Há o punk quase "Ídolo" com alfinetes, longas cascatas hippies (com barbas combinando) e o estilo Bowie, parcialmente colorido.


Cabelos, cabelos, cabelos... Nenhuma moda é nova hoje em dia / NYT

Estes são apenas os estilos que têm nome. Geralmente, estes jovens dândis inteligentes misturam estilos criando híbridos desconhecidos no Hall da Fama do rock'n'roll. Como seria de se esperar, eles têm orgulho do fato.

Victor Jeffreys II, que ostenta um gigantesco afro, se refere orgulhosamente ao que chama de seu "cabelo não-normativo". Cameron Cooper, estilista de moda, diz que seu crânio raspado é "o ponto de exclamação do término da minha sentença".

Estes jovens são o que Malcolm Gladwell poderia chamar de modistas isolados dos cabelos (e seu próprio afro o colocaria no clube). Ainda assim, encontrá-los não é difícil. Apenas entre em um salão de ponta como Woodley & Bunny em Williamsburg, ou frequente alguma festa de verão obviamente cheia de hipsters nova-iorquinos, como a Warm Up no P.S.1 do Queens, e você rapidamente irá se deparar com um ou dois sujeitos expressivos.

"De repente, muitos caras simplesmente querem experimentar", disse Marguerite Jukes, cabeleireira do Bumble and Bumble, onde as jubas do elenco do musical "Hair", em cartaz na Broadway, são aparadas. "Ninguém quer somente aparar as pontas. E também não há um estilo onipresente que todos queiram: é sempre um pouco de tudo misturado".

Ela até mesmo se especializou em fazer o look imperfeito, "para que pareça que eles realmente cortaram em seus próprios banheiros".

Geralmente, aqueles que buscam aparências mais extremas mencionam o nome de algum roqueiro (Robert Plant, Simon Le Bon, Robert Smith, Anthony Kiedis) como inspiração. Mas o que deixa esta tendência ainda mais curiosa é a falta de relação entre o cabelo e o momento atual, o homem ou a música.

Aquele sujeito com o cabelo comprido e barba tem techno no iPod, enquanto o outro com a franja tingida de azul provavelmente irá tamborilar os dedos ao ritmo de death metal.

"Já não dá para saber do que eles gostam apenas por seus cabelos", disse Jukes. Ela contou que seu namorado, Ben Koller da banda de metalcore Converge, adotou a aparência do começo dos anos 1970, de John Michael Osbourne adolescente (quando ainda era vocalista da banda Black Sabbath). Sua banda, no entanto, favorece uma caótica mistura de punk e metal que faz o hit "Paranoid" do Sabbath lembrar Doris Day.

Era uma vez, digamos, há 40 anos esta semana, um período no qual homens de cabelos compridos seguiram em bando para Woodstock e o estilo determinava sua afiliação, brandia uma identidade cultural definida por seus gostos musicais, suas visões políticas ou quão deprimido você estava.

Tais interpretações literais do cabelo parecem ser totalmente antiquadas, até mesmo se os penteados não sejam.

"Eu não acho que o cabelo define as pessoas", disse James Carpinello que, seis noites por semana, veste uma peruca loira longa e calças de couro brancas justas para interpretar o fictício roqueiro dos anos 1980, Stacee Jaxx, no musical da Broadway "Rock of Ages".

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25/08/2009 08:12 AM







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