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Comentário: Estupro não é um caso muito sério?

Quando uma mulher denuncia um estupro, seu corpo é a cena do crime. Pedem para ela se despir e deitar em um local coberto por papel branco para coletarem cabelos e fibras. Então seu corpo é examinado com uma luz ultravioleta, fotografado e bem esfregado para coletar o DNA do estuprador.

É um processo cansativo e invasivo que pode durar de quatro a seis horas e apresenta um “kit de estupro” – o qual geralmente acaba fica guardado por meses ou anos, fechado e sem ser verificado.

Com uma frequência impressionante, o kit de estupro nunca é testado porque não é considerado uma prioridade. Se testado, o procedimento é feito com tanta falta de vontade que deve levar um ano ou mais antes que se consiga os resultados (se apressados, os resultados podem tecnicamente ser obtidos em uma semana).

Então mesmo tendo avanços nas tecnologias de DNA para encontrar acusados e liberar suspeitos inocentes, não estamos usando-os da forma apropriada – e aqueles que trabalham nesse campo acreditam que a razão é sustentada pela dúvida em certos casos de estupro. Em resumo, isso não é justiça; é indiferença.

Solomon Moore, meu colega do “The New York Times”, escreveu no ano passado sobre uma secretária legal de 43 anos, que foi estuprada repetidamente em sua casa em Los Angeles, enquanto seu filho dormia no outro quarto. O agressor forçou a mulher a se limpar em uma tentativa de destruir as evidências.

Tim Marcia, detetive do caso, pensou que isso queria dizer que o criminoso era um agressor natural que atacaria novamente. Marcia apressou o kit de estupro no laboratório criminal, mas lhe disseram para esperar por um prolongamento de mais de um ano.

Então, Marcia pessoalmente dirigiu com o kit por 350 quilômetros para entregá-lo ao laboratório estadual em Sacramento. Mesmo no local, o pedido do resultado teria um prazo de quatro meses – mas então o exame produziu um “cold hit”, que é quando os dados são compatíveis com agressores anteriores.

Durante os meses em que o kit de estupro ficou guardado por na prateleira, o suspeito alegou ter atacado mais duas vezes. A polícia disse que ele invadiu as casas de uma mulher grávida e de uma garota de 17 anos e estuprou ambas.

“O sistema de justiça criminal ainda é mal equipado para lidar com estupros e não tão bons para levar adiante casos de estupro”, apontou Sarah Tofte, que escreveu há pouco tempo um relatório para a ONG americana Human Rights Watch sobre os prazos para se obter kits de estupro. O documento mostrava que no Condado de Los Angeles, havia, de acordo com o último cálculo, 12.669 kits de estupro guardados no estoque da polícia. Mais de 450 desses kits estavam lá por mais de 10 anos. Então, o estatuto de limitação expirou.

Não há figuras nacionais boas, e uma medida da indiferença é que ninguém nem se importou em contar o número de kits de estupro guardados, sem exame.

Por que os departamentos de polícia não tratam o estupro com urgência? Provavelmente, uma das razões é o custo – cada kit custa cerca de US$ 1.500 para ser examinado – mas também parece que há bastante desgosto com os casos de estupro por serem complicados, ambíguos e difíceis de serem levados a juízo, particularmente quando envolvem álcool ou estupro por desconhecido, como normalmente acontece.

“Eles conversam sobre a credibilidade da vítima de uma forma que eles não falam sobre a credibilidade das vítimas em outros crimes”, disse Tofte.

Charlie Beck, vice-chefe de polícia de Los Angeles, disse que não há justificativa para o fracasso no exame dos testes de kits de estupro, mas apontou que integrar uma nova tecnologia no trabalho da polícia é complexo e envolve uma linha de aprendizagem. Desde que o Human Rights Watch começou a investigação, disse, o departamento decidiu testar kits de estupro rotineiramente – e como resultado, os “cold hits” dobraram de quantidade.

Enquanto o prazo e o procedimento irregular com os kits de estupro são um problema nacional, há uma exceção brilhando: Nova York tem feito um esforço acertado na última década para examinar todos os kits que chegam. O resultado foi de ao menos dois mil “cold hits” em casos de estupro, e a taxa de prisão para casos de estupro denunciados em Nova York cresceu de 40% para 70%, de acordo com o Human Rights Watch.

Alguns americanos costumavam argumentar que seria impossível estuprar uma mulher que não quisesse. Poucas pessoas dizem isso ou, em geral, dizem que uma mulher “pediu por isso” por ter usado uma saia curta. Mas a recusa em examinar kits de estupro parece um regresso ao mesmo velho ceticismo sobre o estupro ser um crime traumático.
“Se você tem pilhas de evidências físicas do crime, e não está fazendo tudo que pode com as provas, então você está tomando a posição de que este não é um crime muito sério”, disse Polly Poskin, diretor executivo da Coalizão de Illinois contra Agressores Sexuais.

É o que esperaríamos no Afeganistão, não nos Estados Unidos.


Por NICHOLAS D. KRISTOF

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30/04/2009 05:11 PM

Extremista islâmico cita artigos ocidentais como prova de sua influência

BEIRUTE, Líbano - Ele foi o mentor de alguns dos terroristas mais brutais do planeta. Mas Abu Muhammad Al-Maqdisi, um proeminente clérigo e teórico da jihad que vive na Jordânia, cansou de ouvir jovens extremistas o acusarem de ser mole.

Assim, em uma publicação recente na internet, Maqdisi defendeu suas credenciais de linha dura invocando uma autoridade maior: o Centro de Combate ao Terrorismo de West Point.

"Os inimigos me dão crédito", escreveu Maqdisi, ao direcionar seus leitores a um artigo recente de Joas Wagemakers, um estudioso holandês, e ao "Atlas da Ideologia Militante", ambos publicados pelo centro. Os dois identificam Maqdisi como um perigoso e influente jihadista, ele afirmou.

Bem como dois artigos de colunistas liberais árabes, acrescentou o orgulho Maqdisi, incluindo um que se refere a ele como o "sheik da violência" e "a cabeça da serpente".

Não é uma novidade que extremistas islâmicos citem relatórios anti-terroristas ocidentais. Ayman Al-Zawahri, vice de Osama Bin Laden, falou duas vezes em suas declarações gravadas sobre "Roubando o Manual da Al-Qaeda", um artigo de 2004 também publicado pelo centro. Mas recentemente Maqdisi levou este fenômeno a um novo patamar, reclamando amargamente que analistas seculares ocidentais geralmente o entendem melhor do que muitos em sua própria comunidade.

"Eu estou surpreso em ver o baixo nível de seu pensamento", escreveu Maqdisi sobre seus críticos, "e como os inimigos da religião nos analisam e entendem melhor do que nós mesmos".

A reclamação é testemunho da crescente comunidade de observadores ocidentais da jihad, que monitoram e debatem cada nova declaração terrorista online.

Uma nova geração de jihadistas, muitos dos quais são menos educados e respeitosos em relação à autoridade do que seus antecessores, começou a se incomodar com Maqdisi. Ele acredita que a tática de homens-bomba é legítima mas chegou a dizer que não deve ser usada indiscriminadamente e falou contra massacres sectários realizados por Al-Zarqawi e outros no Iraque. Por isso, ele é acusado de dar as costas à jihad.

De certa forma, Maqdisi não pode reclamar, porque ele fez o mesmo que os clérigos sênior fizeram quando ele era mais jovem.

"Há muitas décadas existe uma dinâmica utilizada na comunidade sunita radical na qual cada nova geração se torna menos educada e respeitosa, mais radical e violenta do que a anterior", disse Bernard Haykel, professor de estudos do Oriente Médio em Princeton.

Na verdade, alguns especialistas ocidentais em anti-terrorismo aproveitaram esta tendência e a aclamaram como prova de que a Al-Qaeda e grupos afiliados irão destruir a si mesmos. Ainda não se sabe se Maqdisi irá usar estas teorias ocidentais para defender suas próprias ações.



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30/04/2009 03:28 PM

Obama presta contas ao povo americano em seu 100º dia na presidência

WASHINGTON - O presidente Barack Obama afirmou na quarta-feira que está "muito preocupado" a respeito da estabilidade do governo paquistanês, mas confiante que o arsenal nuclear do Paquistão não irá cair nas mãos de militantes islâmicos.

Falando durante uma coletiva de imprensa no seu 100º dia no cargo, Obama disse que o governo do Paquistão, onde as forças armadas estão em guerra com insurgentes do Taleban que têm avançado a caminho de Islamabade, é "muito frágil". O líder do Paquistão, o presidente Asif Ali Zardari, irá visitar Washington na próxima semana e oficiais americanos tem pressionado seu governo para que seja mais agressivo no combate aos insurgentes.

"Eu estou mais preocupado com a fragilidade do governo civil, que não parece ter a capacidade de oferecer o mais básico", como saúde e o controle da lei, disse Obama. "Como consequência", ele acrescentou, "é muito difícil que consiga o apoio e a lealdade de seu povo".

Ao responder perguntas sobre a ruptura causada por sua decisão de liberar memorandos secretos que divulgaram as justificativas legais da gestão Bush para técnicas brutais de interrogatório, como o afogamento (qualificadas por Obama como tortura) o presidente disse que nenhum dos relatórios de inteligência que viu parecem confirmar a necessidade de tais métodos ou justificá-los.

"Eu farei o que for preciso para manter o povo americano seguro", disse Obama. "Mas estou convencido de que a melhor maneira de fazer isso é garantir que não tomamos atalhos que prejudiquem quem somos".

Durante a coletiva, Obama buscou criar distinções entre si e seu predecessor e afirmou ter mudado as relações dos Estados Unidos com o mundo. "Nós rejeitamos a falsa escolha entre nossa segurança e nossos ideais", ele afirmou.

A coletiva de imprensa foi o ato final em uma série de eventos que marcaram o 100º dia de Obama na presidência.

"No meu 100º dia no cargo, eu presto contas ao povo americano, de que começamos a mudar", disse Obama a uma plateia em Arnold, Missouri, no subúrbio de St. Louis. "E começamos o trabalho de recriar a América".


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30/04/2009 03:24 PM

Recessão enfraquece combate à gripe suína em Estados americanos

A recessão drenou milhões de dólares e milhares de trabalhadores dos departamentos de saúde estaduais e municipais que agora se veem diante da ameaça da gripe suína.

As autoridades sanitárias em Estados afetados afirmaram que até o momento têm a capacidade de gerenciar o exame e tratamento de moradores infectados e montar uma vigorosa campanha pública. Mas muitos afirmam que tiveram essa capacidade apenas porque transferiram trabalhadores de outras prioridades sanitárias e questionam como seus departamentos irão lidar com uma possível pandemia.

"Eu estou muito preocupado", disse Robert M. Pestronk, diretor executivo da Associação Nacional de Oficiais Sanitários. "Departamentos de saúde locais mal têm a equipe necessária para fazer o trabalho diário. O aumento na carga de trabalho significaria que muito do que é feito agora teria que ser abandonado. Dependendo da escala de uma epidemia, a capacidade dos departamentos pode não ser suficiente".

Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, o Dr. Richard E. Besser, atual diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, afirmou que o sistema  público de saúde está em uma "situação difícil".

"Nós sabemos que milhares de trabalhadores do sistema público de saúde irão perder seus empregos por causa dos orçamentos estaduais", disse Besser. "É muito importante que acompanhemos os recursos porque esta doença só foi percebida por causa do trabalho em torno da prevenção".

O grupo de Pestronk estima que os departamentos de saúde perderam cerca de US$ 300 milhões em financiamento e 7.000 trabalhadores em 2008, um ano no qual mais da metade de todas as agências demitiram funcionários. Em 2005, as agências empregavam cerca de 160.000 funcionários, de acordo com o grupo. Pestronk disse esperar perder pelo menos outros 7.000 empregos este ano.

Agências públicas de saúde perderam outros 1.500 trabalhadores através de demissões e acordos entre julho de 2008 e janeiro de 2009, de acordo com a Associação de Oficiais Sanitários Estaduais e Territoriais. O grupo antecipa a perda de 2.600 empregos no próximo ano fiscal.

A Casa Branca pediu ao Congresso que ofereça US$ 1,5 bilhão em financiamento emergencial para o combate à gripe suína.

Oficiais de saúde pública afirmam que o Congresso perdeu uma oportunidade ao remover cerca de US$ 900 milhões em financiamentos propostos para o preparo contra uma pandemia de gripe do pacote de estímulo deste ano. Esta teria sido a última parcela do pedido de US$ 7 bilhões em gastos federais com vacinas, equipamentos médicos e planejamento solicitados pelo presidente Bush.

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30/04/2009 09:40 AM

Editorial: Gestão Obama mantém privilégios para segredos de Estado

Entre as muitas maneiras que a gestão Bush adotou para evitar responsabilidade por suas violações da lei e da Constituição sob o disfarce de combater o terrorismo, uma das mais assustadoras foi sua tentativa de usar a alegação de segredo de Estado para fechar as portas dos tribunais do país.

Infelizmente, a gestão Obama também adotou esta prática, mesmo que o presidente Barack Obama tenha criticado o culto ao sigilo quando concorria ao cargo, deixando que as cortes lidem com a necessidade de transparência e prestação de contas.

Foi exatamente isso que um painel de juízes federais de uma corte de apelação de São Francisco fez na terça-feira ao rejeitar com firmeza a alegação de que o governo pode impedir um juiz até mesmo de ouvir aqueles que foram prejudicados por ações e políticas federais.

A decisão unânime do painel de três juízes da 9º Corte do Circuito de Apelação reinstaurou um processo civil movido contra um contratado do governo por cinco vítimas do programa de apreensão extraordinária, no qual estrangeiros foram sequestrados e levados a outros países para interrogatórios e tortura.

O painel disse que o governo pode pedir que um juiz decida, de acordo com o caso, se revelar algumas evidências prejudicaria a segurança nacional. Mas reconheceu a afronta às liberdades civis e à separação constitucional dos poderes no argumento do Departamento de Justiça de que o executivo tem direito de cancelar processos quando um oficial alegar motivos de segurança nacional. Michael Hayden, ex-diretor da CIA, fez isso de maneira pouco convincente neste caso.

"De acordo com a teoria do governo, o judiciário deve bloquear de maneira eficiente todas as ações secretas do escrutínio judicial, imunizando a CIA e seus parceiros das exigências e limitações da lei", afirmou o juiz Michael Hawkins.

Ao fazer isso, segundo Hawkins, "encoraja de maneira perversa o presidente a classificar informações que podem representar problemas políticos para que fiquem fora do alcance judicial".

Hawkins contrariou a proposta governamental de que fatos conhecidos e debatidos em todo o mundo possam ser tratados como segredos de Estado em uma corte americana. Ele comparou isso com a manutenção de uma alegação sobre os Papeis do Pentágono depois de sua publicação neste jornal porque o governo se recusou a desclassificá-los.

O efeito geral da decisão é reduzir os privilégios dos segredos de Estado. A regra deveria ser evidencia de que uma análise judicial sobre a divulgação de documentos específicos iriam prejudicar a segurança nacional, não um mandato para que juízes abandonem casos inteiros.

A decisão é uma oportunidade para que o Procurador Geral Eric Holder repense a posição da gestão sobre o uso abusivo dos privilégios de segredo de Estado. 

Ao invés de apelar em busca de negar às vítimas do programa o processo legal exigido por lei e obrigações de tratados internacionais, Holder e a Casa Branca deveriam encorajar o Congresso a aprovar o Ato de Proteção contra Segredos de Estado que esta pendente no Senado.

A medida iria proteger segredos legítimos sem comprometer os direitos das pessoas (ao estabelecer regras uniformes para lidar com alegações de segredo de Estado, de forma similar ao sábio regime estabelecido na nova decisão).

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30/04/2009 09:37 AM

Vacina contra gripe suína pode levar meses, dizem especialistas

Oficiais federais disseram que demoraria até janeiro ou fim de novembro, no máximo, para fazer vacinas suficientes que protejam todos os americanos de uma possível epidemia de gripe suína.

NYT

Trabalhador da Vaxnnlate, laboratório em busca da
vacina
contra a gripe suína, em Nova Jersey

E quanto países além dos Estados Unidos e alguns poucos que também produzem vacinas, alguns especialistas dizem que poderia levar anos para produzir vacinas suficientes contra a gripe para satisfazer uma demanda global.

Embora a produção seja muito mais rápida do que era há alguns anos, ainda não seria a tempo de evitar a morte e a doença se o vírus começasse a se espalhar amplamente e se tornasse mais virulento, disseram especialistas.

Nos Estados Unidos, o maior problema é que apesar de anos de esforços, o país ainda conta com tecnologias de mais de meio século para produzir vacinas contra a gripe.

Autoridades federais gastaram anos ou mais do que bilhões de dólares tentando tornar a produção de vacinas em um método mais rápido e confiável – um que envolve o desenvolvimento de novas abordagens que devem permitir a produção de grandes volumes de vacina em uma questão de semanas.

Mas a produção baseada em células não exatamente pronta e algumas novas técnicas não foram verificadas o suficiente para satisfazer muitos especialistas. “Aquelas são ótimas tecnologias, mas não vão acontecer a tempo”, disse Dr. Greg Poland, chefe do programa de pesquisa de vacina na Mayo Clinic.

Oficiais federais não decidiram ainda se a gripe suína é realmente uma ameaça para que se garanta a produção de vacinas. Mas estão tomando as primeiras medidas.

Um problema em potencial é que a produção de vacina para a gripe suína interfira na produção de vacina para gripe sazonal para o próximo inverno.

“Provavelmente teríamos que nos comprometermos”, disse Andrin Oswald, chefe-executivo da divisão de vacinas na empresa farmacêutica Novartis, em uma entrevista.

Possibilidade

Mas Robin Robinson, que dirige o programa de pesquisa de preparação para emergências para o Departamento de Saúde e Serviços Humanos federal, disse que a maioria dos fabricantes teria terminado de produzir o volume de vacinas sazonais até junho.

Se a produção de vacinas contra a gripe suína começasse logo após a sazonal, as primeiras 50 a 80 milhões de doses estariam disponíveis até setembro, disse Robinson.

Um total de 600 milhões de doses, o suficiente para fornecer duas vacinas para cada americano, estaria pronto até janeiro. Se estimulantes de imunidade chamados auxiliares fossem adicionados à vacina, isso poderia reduzir a dosagem necessária para cada pessoa, permitindo que as doses ficassem prontas até o final de novembro, disse.

Mudanças

A indústria de vacina está em uma posição muito mais forte para reagir agora do que há cinco anos, quando os Estados Unidos tinham apenas dois fornecedores de vacinas contra a gripe e foi golpeado por uma grande carência.

Agora há cinco fornecedores para o mercado doméstico. E a indústria da vacina, antes um complemento da indústria farmacêutica, está atraindo novos investimentos, atraídos pelos subsídios e preços mais altos pelas vacinas.

Ainda assim, um estudo feito com a Organização Mundial de Saúde e a Federação Internacional de Fabricantes Farmacêuticos e Associados estimaram que provavelmente levaria quatro anos para satisfazer uma demanda global por vacinas que protejam contra a gripe aviária, que preocupou as autoridades de saúde nos últimos anos.

Projeções similares devem se aplicar para a vacina contra a gripe suína, disse alguns especialistas.

“O ponto principal é que não haverá vacinas o suficiente, rápido o suficiente, e as vacinas irão, em sua maioria, para países que já produzem vacina” porque eles restringirão as exportações durante uma pandemia, disse Dr. David Fedson, especialista independente na preparação para pandemias.


Por ANDREW POLLACK


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29/04/2009 04:36 PM

Na Índia, sombras de um passado violento acompanham político em ascensão

AHMEDABAD - Narendra Modi, o político mais polêmico da Índia, está tentando se posicionar como a vanguarda do futuro industrial da Índia moderna. Contudo, os fantasmas do passado cruel dessa cidade estão se recusando a deixá-lo em paz.

NYT

Modi é saudado em comício em Khatlall

Modi, 59, é o ministro-chefe eleito três vezes pelo Estado de Gujarat, no oeste do país. Na sua visão, essa cidade testemunhou um dos piores episódios de violência entre hindus e muçulmanos na história da Índia independente. Em 2002, quase durante três dias, 1.180 pessoas foram mortas em todo o Estado. A maioria era muçulmana. A administração de Modi foi acusada de tomar poucas medidas para parar o descontrole e, na ocasião, cooperar com ele.

Nesta segunda-feira, a Suprema Corte da Índia, em seu movimento mais forte até agora, pediu a uma equipe especial de polícia para investigar o papel de Modi na suspeita de conspiração para atacar muçulmanos.

Com as eleições nacionais em breve, Modi é quem mais atrai eleitores para o principal partido da oposição indiada, o Partido Bharatiya Janata (BJP, sigla em inglê). E enquanto a hierarquia do partido significa que ele não é o candidato do Bharatiya para primeiro ministro neste ano, ele está se posicionando para um cargo maior na próxima corrida eleitoral.

Ataques verbais

Durante a campanha, ele é cínico, muitas vezes não é educado e sempre tem um jeito teatral. Em um comício, ele comparou o Congresso Nacional Indiano no poder de partido mais velho do país, a uma mulher velha. Em outro, ele atacou o primeiro-ministro do Congresso, Manmohan Singh, dizendo que ele era tão “fraco” que deveria fazer uma checagem geral no médico; Singh recentemente se recuperou de uma cirurgia de ponte de safena.

Em um terceiro comício, apunhalando o ar com seu dedo, ele provocou Singh por se voltar para os Estados Unidos para pedir apoio, após os ataques terroristas em Mumbai, em novembro do ano passado. Episódio o qual a Índia diz que foi uma ação de um grupo militante paquistanês.

“O-baaaa-maaa," choramingou ele, referindo-se ao presidente Barack Obama. ”O-baaa-maaa. Nosso vizinho veio e nos atacou. Faça algo!”. A multidão se agitou, gritou, bateu palmas e o imitou “O-baaa-maa."

Ascensão

O sucesso de Modi fornece uma porta para o delicado balanço das ações do BJP: ele tem que manter a base de apoio hindu mesmo que isso interfira no partido em relação a sua força de prosperidade e segurança. Sua ascensão também lembra um momento de retorno para a política indiana, na qual os eleitores pesam o que mais importa: questões de identidade, como fé e casta, ou questões práticas, como eletricidade, água e estradas. As pesquisas de opinião mostram que o Hinduísmo diminuiu seu apelo.

Com um perfil nacional claramente em mente, Modi tem procurado assiduamente se reinventar deixando de ser o mascote do nacionalismo Hindu para ser um administrador absoluto com estilo corporativo. Atualmente, seus pontos de diálogo são o crescimento econômico de Gujarat, portos marítimos privados e a eletricidade 24 horas por dia para Ahmedabad, uma próspera cidade do oeste, a qual Gandhi já chamou de casa.

Estratégias

Modi se veste em ternos de executivo para encontros de negócios, ao invés de túnicas. Ele ainda satiriza os urbanos, a elite que fala inglês nas também está melhorando suas habilidades no inglês. Sua maior vitória envolveu o Tata Nano, o carro mais barato do mundo. No ano passado, Modi convenceu a Tata Motors a realocar sua fábrica Nano para uma terra do governo não muito longe de Ahmedabad. A companhia tem lutado com protestos pela aquisição da terra em outro Estado.

NYT

Garoto partidário do BJP usa máscara com rosto de Modi

Pouco tempo depois, alguns dos industrialistas mais proeminentes da Índia se juntaram em Gujarat para um encontro e declarou Modi, ex-gerente de uma loja de chá, se encaixaria no cargo de futuro primeiro-ministro.

Swapan Dasgupta, colunista que aconselha o BJP sobre estratégias, o descreveu como um “modernizador agressivo” da Índia.

O BJP “promete crescimento, boa governança, desenvolvimento e segurança”. Mas também se volta para os pilares ideológicos originais do partido, desde a promessa de construir um templo hindu no local de uma mesquita destruída que data do século 16, até a volta da lei de detenção preventiva que os muçulmanos disseram ser injustamente aplicadas a eles.

Raramente Modi faz apelos claros de fé. Ele não precisa. “Modi aprendeu que temos que desenvolver para sermos reeleitos, deve-se ter uma imagem secular se você quer ser primeiro-ministro”, disse Ajay  Umat, editor do jornal diário Gujarati-language (Idioma-Gujarat, em tradução livre), Divya Bhaskar, que conhece Modi há mais de 20 anos.

Modi também aprendeu, disse Umat, que seus partidários hindus não esquecerão facilmente de sua encarnação original como seus “protetores”.

Passado

Essa imagem ficou marcada em 2002, após um trem com Hindus ser incendiado por muçulmanos em uma cidade chamada Godhra, matando 59 pessoas a bordo e despertando ataques de uma multidão de hindus contra muçulmanos em todo o Estado. A multidão esfaqueou, estuprou e incendiou suas vítimas; eles queimaram casas e negócios. Modi nunca se desculpou pelo que houve (seu escritório não responde os inúmeros pedidos por uma entrevista ao “The New York Times”).

Seus admiradores dizem que ele seguiu em frente. Creditam ele por ter retirado a burocracia dos negócios, desenvolvendo as redes de estradas do Estado, e por ser linha dura com ilegalidades e corrupções pequenas. Quem não gosta dele o chama de autocrata (Sonia Gandhi, presidente do Congresso, chamou uma vez de “comerciante da morte”).

Se e quando Modi se tornar representante de seu partido, os eleitores indianos terão que decidir se conseguirão negligenciar o que é chamado de “estigma de 2002” em favor do “modernizador agressivo”. Seus críticos esperam que não.

“Esse homem não pode representar a Índia, seja como civilização, seja como nação”, disse Shiv Visvanathan, professor de sociologia e um dos críticos de Modi. “Ele não pode representar uma parte. E nunca poderá representa o todo. Essa é a sanidade da democracia indiana”.

Investigação

Infelizmente, para Modi, tem sido difícil apagar o passado. Uma equipe de polícia indicada pela Suprema Corte começou a investigar vários casos de 2002, o que resultou em prisões recentes.

Maya Kodnani, ex-ministro do Desenvolvimento da Mulher e da Criança de Modi, foi preso sob acusações de ajudar ataques de multidões hindus próximo a um território muçulmano. Ela está esperando pelo julgamento das acusações de armar a multidão com latas de querosene, que foram usadas para incendiar pessoas. No total, o ajuntamento matou 106 pessoas em apenas um dia, incluindo sete membros da família do Sheik Abdul Majid Mohammed Usma.

O Sheik, 56, que veio à corte judicial na manhã da prisão, no fim de março, chamou isso do começo da justiça pelos mortos. Entre eles estava sua mulher grávida, três filhos e três filhas. Ele levou suas fotos em uma sacola plástica de compras. Ele disse ter se sentido “um pouco satisfeito”.


Por SOMINI SENGUPTA

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29/04/2009 02:45 PM

Mais seguros, bancos recusam propostas de Obama

Conforme Washington pressiona os bancos para que corrijam suas finanças, as instituições resistem. Encorajados por recentes lucros e decididos a abandonar o controle federal, um crescente número de bancos está resistindo às propostas da gestão Obama para consertar o sistema financeiro. Financiadoras que evitaram o desastre há poucos meses com a ajuda do dinheiro dos contribuintes agora recusam as decisões governamentais.

Apesar da pressão de reguladores federais, executivos do setor se incomodam com elementos centrais do plano bancário do presidente.

Oficiais da gestão caracterizaram cada parte de sua proposta de três fases como crucial para impulsionar os bancos e recuperar a economia. Mas os banqueiros estão decididos a se libertarem das mãos do governo e temem que Washington irá impor novas restrições a seus negócios.

Citigroup, Bank of America e outros discordam do que ficou conhecido como teste de estresse que são conduzidos por analistas federais para determinar como estas instituições lidariam com uma profunda e prolongada recessão. Os bancos afirmam estar em melhor forma do que as análises iniciais sugerem, apesar de estar claro que inúmeras instituições irão precisar de capital.

Um  plano do Tesouro de eliminar os investimentos ruins dos bancos (um problema aparentemente sem solução) foi recebido tepidamente no setor. Inúmeros grandes bancos declararam não ter intenção de participar do programa.

Grandes bancos estão passando por uma bateria de testes para determinar se irão aguentar a pressão no caso de um pior cenário econômico nos próximos dois anos.

Grandes bancos como Citigroup, Bank of America, PNC Financial e Wells Fargo contrariam os resultados destes testes, que sugerem que alguns bancos podem precisar de capital, de acordo com  pessoas envolvidas na questão.

Os bancos também pressionam os reguladores para que relaxem a agenda para obtenção de capital.


Alguns investidores estão preparados para comprar investimentos ruins dos bancos. O que é menos certo é se os bancos estarão dispostos a vender.

Grandes bancos cujo envolvimento é visto como essencial para o sucesso do plano disseram que não pretendem se envolver. Os executivos temem que qualquer garantia que a Casa Branca possa oferecer pode ir com novas regras impostas por um irritado Congresso, principalmente sobre o pagamento de salários.


Leia mais sobre crise financeira

29/04/2009 12:12 PM

EUA aumentam resposta à gripe suína

Oficiais estaduais e federais intensificaram sua resposta à gripe suína na terça-feira, com o presidente Barack Obama pedindo ao Congresso US$1,5 bilhões em fundos complementares.

A resposta global incluiu maiores restrições às viagens ao México, identificado como a provável origem da epidemia e o único país a reportar mortes pela doença. Os oficiais locais fecharam escolas em todo o país e limitaram o serviço em restaurantes na Cidade do México na tentativa de impedir a disseminação do vírus, que pode ter causado a morte de 159 pessoas.

Israel confirmou seus primeiros dois casos, que agora foram registrados em pelo menos sete países. Outros dez, incluindo China e Rússia, que irão colocar passageiros suspeitos em quarentena, estão investigando possíveis casos.

O Dr. Richard E. Besser, atual diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, qualificou os primeiros dias da gripe suína nos Estados Unidos como um "período pré-pandêmico" e foi brusco em relação ao possível impacto da doença no país. "Conforme a doença avança, eu realmente espero por mortes por causa do vírus", ele afirmou.

Ele disse ainda que cinco pessoas com a gripe suína foram hospitalizadas nos Estados Unidos (duas no Texas e três na Califórnia, onde o governador Arnold Schwarzenegger declarou estado de emergência). Mas o maior número de casos foi registrado em Nova York, onde 45 pessoas foram confirmadas com o vírus.

Em Washington, audiências no Congresso lidaram com a gravidade da questão.

"Eu realmente acho que precisamos nos preparar para o pior", disse Anne Schuchat, diretora de ciência e saúde pública do CCPD, a um comitê especial do Senado.

Ainda assim, a ansiedade não atingiu a mesma escala que no México, onde o número de pessoas doentes pode ter chegado a 2.500 na terça-feira.

A resposta econômica à crise sanitária partiu do México e atingiu o mundo. Cuba e Argentina cancelaram todos os voos ao país. Cruzeiros cancelaram paradas no México. Até agora, nove países têm alguma espécie de proibição à importação de produtos suínos: China, Croácia, Indonésia, Líbano, Rússia, Coreia do Sul, Tailândia, Ucrânia e Equador.


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29/04/2009 12:07 PM

Editorial: Cem dias e cem crises de Barack Obama

Crises, não dias, é a primeira palavra que vem em mente quando pensamos no número 100 e na presidência de Barack Obama.

 


Clique e veja o que já foi feito no governo Obama

A lista de políticas fracassadas e ameaças urgentes deixadas para ele pelo ex-presidente George W. Bush poderia facilmente ser assim longa. Em suas primeiras 14 semanas e dois dias, Obama começou vigorosamente a lidar com muitas das mais críticas.

Ele está tentando reconstruir a danificada reputação deste país com sua promessa de fechar a prisão de Guantánamo, Cuba, sua oferta em negociar com o Irã e a Síria, e, claro, aquele aperto de mãos com o presidente linha-dura da Venezuela, Hugo Chávez.

Obama não deixou que a recessão desta geração (ou as acusações políticas de que ele está tentando fazer demais) impedisse sua ambição. Ele está certo de que não pode haver uma recuperação duradoura até que o país reforme seu sistema de saúde e lide com o perigo claro e real da mudança climática. O governo promove os direitos reprodutores das mulheres. Irá restaurar regulações para manter a água limpa e a comida segura. Além disso, a Casa Branca prometeu lidar com a reforma imigratória ainda este ano.


"Obama e o país ainda têm muito pela frente" / AP

Obama e o país ainda tem muito pela frente. O aumento do poder do Taleban no Afeganistão e Paquistão é um lembrete do porque a Casa Branca precisa planejar uma retirada bem-sucedida do Iraque para que possa se concentrar na verdadeira guerra contra o terror. Bombardeios recentes e assustadores mostram quão longe o Iraque está da conciliação política e quanto ainda precisa ser feito para garantir uma retirada ordenada.

Não acreditamos que o plano de resgate bancário seja agressivo o suficiente para salvar os que estão à beira da falência ou proteger o dinheiro dos contribuintes.

Nós sabemos que Obama, e muitos eleitores, não querem a luta, mas até que haja uma investigação completa sobre os abusos cometidos contra prisioneiros e muitas outras políticas fracassadas autorizadas durante a era Bush, não há como garantir que eles não voltarão a acontecer.

Estes são momentos muitos difíceis, mas Obama parece ter encorajado o espírito de uma nação dividida e temerosa. Na última pesquisa New York Times/CBS News poll, 72% dos americanos disseram estar otimistas em relação aos próximos quatro anos. Eles também reconheceram que alguns problemas podem ser difíceis demais para que sejam resolvidos neste período.

Veja uma breve lista dos esforços do presidente Obama nestes 100 Dias:

O Mundo

Obama prometeu trazer os soldados americanos para casa de uma das mais longas e divisivas guerras da história do país. Agora ele precisa persuadir o governo xiita do Iraque a se reconciliar com os sunitas e acabar com as tensões com os curdos.

O Iraque ainda não concordou com uma lei de compartilhamento igualitário de suas reservas de petróleo. Milhares de membros dos Conselhos Sunitas, os antigos insurgentes cuja decisão de mudar de lado ajudou a mudar o rumo da guerra, ainda esperam por prometidos empregos no governo.


Obama esteve no Iraque e se encontrou com o premiê do país / Getty Images

Obama pressionou seus conselheiros a criarem um plano amplo para os perigosos e interrelacionados conflitos no Afeganistão e Paquistão. Agora é preciso implementá-lo - e rápido. Na semana passada, o Taleban avançou para um perímetro de 97km de Islamabade. Os líderes paquistaneses ainda não parecem entender esta ameaça mortal.

O presidente começou novas negociações com a Rússia para reduzir arsenais nucleares. O Pentágono começou a tomar as decisões difíceis de mudar os gastos bélicos para armas necessárias nas guerras de hoje. O compromisso de Obama com a paz entre Israel e Palestina já é testado pelo novo primeiro-ministro israelense, que diz não acreditar em uma solução de dois Estados.

Os americanos podem sentir tanto orgulho quanto alívio pela forma entusiasta com a qual Obama foi recebido em suas viagens ao exterior. O presidente deve, em breve, encontrar novas formas de usar esta popularidade. Ele precisa persuadir aliados europeus a contribuírem com mais tropas e recursos no Afeganistão. Se as negociações com o Irã fracassarem, ele precisa convencer a Europa, Rússia e China a adotarem a imposição de duras sanções na tentativa de restringir as ambições nucleares iranianas.

A economia

Depois de oito anos sombrios, o pacote de estímulo do presidente, seu orçamento e até mesmo seu fracassado resgate bancário representam um bem-vindo retorno à proposta racional de que alguns problemas são tão grandes que o governo precisa interferir. Nossa principal preocupação é que ele esteja relutante demais em desafiar os interesses tradicionais de Wall Street ou do Capitólio.

Sua tentativa de consenso bipartidário foi impedida pela obstrução republicana ao pacote de estímulo e enfraqueceu a lei final. O estímulo de US$787 bilhões é pequeno em comparação à contração: a projeção de 3.5 milhões de novos empregos é pequena perto dos 5 milhões que foram perdidos desde o final de 2007.

A gestão foi similarmente tímida em relação à crise bancária. A Casa Branca até então se recusa a considerar a aquisição temporária dos bancos resgatados (a melhor forma de garantir que eles serão reestruturados eficientemente e que o dinheiro dos contribuintes será protegido). Ao invés disso, a gestão ofereceu centenas de bilhões de dólares em empréstimos subsidiados a fundos de investimento e outros investidores particulares para encorajá-los a oferecer preços altos por investimentos ruins.

Nós tememos que o plano anti-desapropriações de Obama (que depende dos financiadores voluntariamente modificarem hipotecas ruins) não dará certo a menos que o Congresso rapidamente reforme o código de falência. Tudo isso sob a perspectiva de que a Casa Branca e o Congresso não se posicionem contra os bancos. Além disso, deve desacelerar a recuperação.

Liberdades civis

Menos de 12 horas depois de assumir o cargo, Obama parou os tribunais militares em Guantánamo. Depois ele ordenou que a prisão seja fechada em um ano. Ele emitiu ordens que proíbem a tortura e fechou prisões secretas no exterior, para criar uma política de prisioneiros baseada na lei e ordem e não na visão grandiosa do poder executivo adotada por Bush.

No começo deste mês, Obama prevaleceu sobre seu diretor da CIA e ordenou a libertação de quatro terríveis memorandos sobre a interrogação de prisioneiros escritos pelo Departamento de Justiça de Bush. Ele decidiu não punir os interrogadores da CIA que participaram da tortura de prisioneiros e relutantemente decidiu deixar que o Departamento de Justiça decida sobre ações judiciais.

Infelizmente, Obama não lidou com as alegações de que segredos de Estado foram usados pela equipe de Bush para impedir ações por conta do sequestro, tortura e escutas ilegais. Ele precisa repensar esta posição bem como sua oposição a uma investigação completa para determinar porque, como e por quem tantas ordens foram dadas para violar a lei e o principal direito constitucional. 

Energia e o meio ambiente

Obama e sua nova equipe foram tão agressivos nestas questões quanto Bush foi passivo e obstrucionista. A Agência de Proteção Ambiental rapidamente emitiu uma determinação formal de que gases causadores do efeito estufa prejudicam a saúde e o bem-estar (o primeiro passo para regular estes poluentes). O Departamento do Interior rejeitou as políticas de exploração petrolífera em qualquer lugar de Bush a favor de uma postura mais equilibrada da produção de energia.

O pacote de estímulo inclui dinheiro para encorajar a eficiência energética, fontes de energia renováveis, carros mais eficientes e carvão realmente limpo. Obama também apoiou, em termos gerais, leis que criarão limites para a emissão de gases causadores do efeito estufa e investirão em tecnologias que irão facilitar isso.

Saúde

Americanos demais não têm assistência médica e aqueles que têm pagam caro demais e a qualidade do atendimento é baixa. O ousado plano orçamentário de 10 anos de Obama propôs um pagamento inicial de US$634 bilhões para ampliar a cobertura e melhorar a assistência. Ele ofereceu propostas sensíveis para pagar por estas reformas (inclusive impostos mais altos para os ricos e a eliminação de subsídios injustificados para planos particulares) que encontrou resistência congressista imediata.

Esta será uma disputa difícil. Obama precisa continuar a lembrar os americanos de que reformas são essenciais para sua saúde pessoal e para a saúde econômica da nação.

Educação

Obama demonstrou amplo conhecimento sobre a educação mas irá precisar usar toda sua força para implementar mudanças. Isso é especialmente verdadeiro para o plano de empréstimo estudantil, que acabará com o desperdício de subsídios a financiadores particulares e permitirá que estudantes universitários façam empréstimos diretamente do governo.

O plano do presidente para usar o dinheiro de estímulo para forçar reformas que os Estados deveriam realizar sob o Ato Nenhuma Criança Para Trás de 2002 também irá exigir energia, vigilância e o fim de brechas nas leis educativas.

Durante a campanha, o então senador Obama declarou que o "governo não pode resolver todos os nossos problemas, mas deve fazer o que não podemos fazer por nós mesmos". Em seus primeiros 100 dias, Obama começou a mostrar aos americanos o que queria dizer com isso.

Leia mais sobre 100 dias de Obama

29/04/2009 09:54 AM

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