Nesses dias pós Guerra Fria, não enfrentamos uma simples ameaça concentrada em um local. Enfrentamos uma séria de ameaças descentralizadas e transnacionais: a jihad islâmica, a crise financeira global, o aquecimento global, a escassez de energia, a proliferação nuclear e, como bem sabemos hoje, possíveis pandemias como a gripe suína.
Essas ameaças descentralizadas que crescem com a vasta difusão e os passos rápidos da globalização, além de serem engrandecidos por ela. A comunicação global imediata e as rápidas viagens internacionais podem algumas vezes levar a choques sistêmicos e universais. Um banco quebrou ou um vírus não pode ser isolado. Eles têm o potencial de chegar a quase todos os lugares de uma vez. Eles podem destruir o principal ponto do complexo internacional de sistemas.
Então como lidamos com essas situações? Construímos instituições globais centralizadas fortes o suficiente para responder a ameaças transnacionais? Ou nos apoiamos em comunidades diversificadas e descentralizadas e nações-Estados?
Há dois anos, G. John Ikemberry da Universidade de Princeton escreve um artigo sobre o processo de uma resposta centralizada. Ele argumentou que os Estados Unidos deveriam ajudar a construir uma série de instituições multinacionais para cuidar de problemas globais. Os grandes poderes deveriam construir uma “infraestrutura da cooperação internacional... criando capacidades compartilhadas para responder uma grande variedade de contingências”.
Se adotarmos uma lógica para a gripe suína, poderíamos dizer que o mundo deve construir um Centro para o Controle de Doenças internacional, que analisaria a amplitude da doença, decidiria como e quando as quarentenas seriam necessárias e coordenaria uma resposta global única.
Se tivéssemos um corpo como esse, não estaríamos vendo os tipos de atritos que surgem da abordagem descentralizada atual. A Europa ofendeu os Estados Unidos ao advertir que seus cidadãos não viagem para o outro lado do Atlântico. A Ucrânia restringiu as importações de carne de porco. A Europa poderia aglomerar vacinas contra a gripe, deixando os Estados Unidos, que possui apenas uma produção de plantas, sem salvação. O medo de uma pandemia poderia levar a uma limitação de raças, enquanto as nações competiriam para parar com a circulação e construir paredes de proteção. Esses perigos são reais. No entanto, até agora, não há uma lição dessa crise. A reação à gripe suína sugere que uma abordagem descentralizada é melhor. Essa crise só tem alguns anos de idade, ainda assim já vimos uma reação crescente e agressiva.
Em primeiro lugar, a abordagem descentralizada é muito mais rápida. O México reagiu unilateral e agressivamente ao fechar escolas e cancelar eventos. Os Estados Unidos reagiu com uma velocidade impressionante, considerando que ainda há poucos casos e apenas uma hospitalização.
“The New York Times” publicou, nesta segunda-feira, uma foto do membro do conselho de saúde da cidade de Nova York, Dr. Thomas R. Frieden, falando em uma reunião sobre a crise. A foto é a imagem de uma reação local e bem focalizada. As pessoas estão vestindo camisas de pólo e roupas informais – concentrando-se intensamente nos incidentes concretos que estão ocorrendo em seu próprio quintal.
Se a resposta fosse coordenada por uma agência global, aqueles oficiais locais não teriam tanto poder. O poder seria exercido por oficiais de nacos que estão distantes e emocionalmente afastados do marco zero. A instituição teria que eleger seus membros, negociar as diferenças internas e proceder, como todas as multinacionais fazem, no ritmo dos vagabundos mais relutantes.
Em segundo lugar, uma abordagem descentralizada tem mais credibilidade. É um fato na natureza humana de que em tempos de crise, pessoas gostem de se sentir protegidas por um dos seus. Eles acreditarão apenas em pessoas que compartilhe de sua experiência histórica, que entenda suas concepções culturais sobre a doença, a ameaça de estrangeiros e de que tenha a legitimidade de fazer tais escolhas brutais. Se alguma autoridade irá restringir a liberdade, isso deveria ser eleito pelas pessoas, não por um estranho.
Finalmente, a abordagem descentralizada lida razoavelmente bem com a incerteza. Até agora, a reação torna claro que há uma rede informal de cientistas que se reuniram ao longo dos anos e chegaram a certas compreensões sobre coisas como a quarentena e as taxas de infecção. Também está claro que há um monte de coisas que eles não compreenderam.
Uma reação global única produziria uma abordagem uniforme. Uma reação descentralizada estimula a experimentação.
O ponto principal é que a crise da gripe suína constitui dois problemas emergentes um em cima do outro. No fundo, há uma rede de comunicações dinâmica sobre o surto. Ela é alimentada por uma reação complexa de labirintos que consistem no vírus em si, a mobilidade humana em espalhá-lo e nos fatores ambientais que o potencializam. Em cima de tudo isso, há o medo psicológico causado pela doença. Ela surge de rumores, novas notícias, Tweets (comentários no Twitter) e advertências de especialistas.
A resposta correta para esses problemas dinâmicos, descentralizados e emergentes é criar autoridades dinâmicas, descentralizadas e emergentes: cadeias de oficiais locais, agências do Estado, governos nacionais e corpos internacionais que estão flexíveis assim como o próprio problema.
A gripe suína não é a única emergência de saúde. É um teste para como iremos nos organizar no século 21. O auxílio subsidiário funciona melhor.
HONG KONG – O que é chamado de uma nova tensão sobre os crescentes alertas do vírus da gripe em todo o mundo passou a ter uma conotação política, econômica e diplomática.
Os produtores de carne de porco questionam se o termo “gripe suína” é apropriado, dado que até agora os porcos não parecem estar doentes. Oficiais do governo tailandês, um dos maiores exportadores de carne, começaram a se referir à doença como “gripe mexicana”. Um representante do ministro da saúde – um judeu ultra-ortodoxo – disse que seu país faria o mesmo, para evitar que os judeus digam a palavra “suína”. No entanto, parece que seu pedido foi amplamente ignorado.
A Organização Mundial da Saúde Animal, que toma conta das questões veterinárias em todo mundo, lançou um relato, na noite desta segunda-feira, lembrando que a nova doença deveria ser chamada de “gripe norte-americana”, para manter uma longa tradição médica de nomear gripes pandêmicas com as regiões onde foram inicialmente identificadas. Isso inclui a gripe espanhol de 1918 a 1919, a gripe asiática de 1957 a 1958 e a gripe de Hong Kong de 1967 a 1968.
O debate provavelmente continuará enquanto cientistas e autoridades da saúde tentam investigar a doença. Enquanto todos os sinais apontam para o México como o epicentro, o material genético do vírus contém um vírus de gripe suína originada na Eurásia. E os vírus de gripe tendem a surgir na Ásia.
O primeiro-ministro da China pediu, nesta terça-feira, por medidas mais eficazes para prevenir e controlar quaisquer casos possíveis de gripe suína que possam aparecer no país.
Muitos historiadores médicos acreditam que as gripes asiáticas e de Hong Kong começaram no sudeste da China, próximo a Hong Kong, onde uma grande densidade de pessoas mora perto de porcos e frangos, em áreas rurais e poderiam compartilhar desses vírus. Alguns historiadores também sugerem que a gripe espanhola também começou no sudeste da China.
Mas especialistas na gripe da Ásia disseram que o novo vírus provavelmente não passou de animais para pessoas na Ásia.
“Se esse fosse o caso, até agora teríamos visto um monte de infecções na Ásia”, disse Subash Morzaria, gerente regional da Ásia e do Pacífico no Centro Emergencial de Doenças Transfronteiriças, que é parte da Organização de Alimentos e Agricultura da ONU.
O segmento genético de neuraminidase (uma importante glicoproteína de superfície do vírus) do vírus, que dá a ele seu elemento “N1” e controla a habilidade de ele invadir células infectadas, parte de uma tendência de gripe suína na Eurásia, de acordo com Dr. Yuen Kwok-yung, microbiólogo da Universidade de Hong Kong. Mas acrescentou que muitos poços são levados além das fronteiras nacionais e que é impossível situar sua localização precisamente. Por outro lado, os porcos carregam muitas doenças e as regras de importação e exportação são rígidas.
Há pouca indicação de qualquer erupção de uma nova gripe na China. Não houve o surgimento de doenças, recentemente, entre porcos e criadores de porcos, de acordo com Ben Boake, vice-presidente executivo da Henan Zhongpin Food Company Ltd., uma das maiores empresas de processamento de carne de porco da China.
Milhões de porcos morreram na China há dois anos em uma epidemia tão severa que aumentou o preço da carne de porco em 90%.
Veterinários atribuem às mortes daquela época, principalmente, à doença da “orelha azul”, que não afeta humanos, mas também à gripe suína. O governo chinês não divulgou um relatório público avaliando o surto e forneceu poucos detalhes às organizações internacionais.
KARACHI - No Paquistão, o chicote é usado principalmente como arma para punir aqueles que desafiam o rigoroso código islâmico imposto pelo Taleban.
NYT
Paquistão lucra com indústria do fetiche
Mas na capital comercial do país, ao lado de uma mesquista e do escritório de uma organização radical islâmica, em uma casa sem identificação nenhuma, dois irmãos paquistaneses descobriram um uso liberal mais lucrativo para o artefato: a indústria do fetiche, que movimenta cerca de US$3 bilhões no ocidente.
Seu negócio familiar, conhecido como AQTH, fatura mais de US$1 milhão ao ano fabricando 2 mil produtos de fetiche e bondage, como o chicote, e exportando-os para Estados Unidos e Europa.
Os irmãos Qadeer, Adnan, 34, e Rizwan, 32, conseguiram sucesso com seu improvável negócio em um país no qual os bares são ilegais e os pobres geralmente passam a vida toda na pobreza.
O negócio parece improvável para dois estranhos e recatados paquistaneses de classe baixa, e realmente é. Mas a discrição tem sido sua palavra-chave. Os irmãos adotaram medidas extremas para esconder um negócio que neste país extremamente conservador é tão arriscado quanto ousado.
NYT
A atividade é arriscada em um país onde o Taleban impõe rigorosas regras
Claro, o fato das dezenas de mulheres sem educação formal e cobertas por véus que trabalham na linha de montagem (produzindo corsetes, saias com furos especiais, vendas, entre outros itens) não saberem o que são estes produtos ajuda. Mesmo as esposas dos donos e sua conservadora mãe não têm ideia do que eles produzem.
"Se nossa mãe soubesse ela nos deserdaria", disse Adnan, sentado sobre uma cadeira coberta com tecido de estampa de pele de tigre.
Mesmo os oficiais alfandegários não sabem como tributar os itens, pois não têm ideia com o que estão lidando, eles contam.
Recentemente, quando um funcionário curioso perguntou o que os ocidentais fazem com uma espécie de saco de dormir usado para certos tipos de bondage, os donos responderam que o produto é usado pelos militares americanos para transportar corpos no Iraque.
Segundo eles, difícil é frequentar feiras internacionais de fetiche para mostrar seus produtos.
"Eu vou à Cidade do Pecado todos os anos", disse Rizwan, se referindo a Las Vegas com riso. São negócios, ele afirma. "Os clientes conhecem nosso país e nossa cultura e não nos convidam a participar de nada. Nós somos tímidos".
WASHINGTON - A gestão Obama enviou oficiais de alto escalão de inúmeras agências na segunda-feira para lidar com temores sobre a gripe suína e demonstrar que está completamente preparada para confrontar a epidemia mesmo que o presidente diga que "não há motivos para alarde".
Janet Napolitano, secretária de segurança doméstica, se uniu ao Dr. Richard E. Besser, atual responsável pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, ao assegurar o público que o presidente Barack Obama está no controle da situação e preparado para responder a uma maior disseminação do vírus da gripe suína.
Os oficiais de segurança doméstica dizem esperar que a epidemia aumente nos próximos dias. "Nós estamos agindo como se estivéssemos a caminho de uma pandemia", disse Napolitano.
Conforme a gestão reage a sua primeira emergência doméstica, passa a utilizar planos de contingência preparados durante o governo de George W. Bush, que receberam elogios de especialistas em saúde pública. Mas suas ações também são informadas pelo que Bush aprendeu com sua resposta ao furacão Katrina: que o gerenciamento político de um problema sanitário e as expectativas públicas podem ser tão importantes quanto a resposta científica.
Em um discurso na Academia Nacional de Ciências na segunda-feira, Obama disse apenas algumas palavras a respeito da gripe suína. "Este é, obviamente, um motivo de preocupação e exige um estado de alerta maior", ele disse."Mas não é motivo para alarde".
Mas por trás das câmeras na Casa Branca, assistentes afirmaram que o presidente direciona sua gestão para que esteja pronta em caso da necessidade de alarde. Um relatório completo sobre a gripe suína foi acrescentado à agenda diária do presidente, com atualizações ao longo do dia.
Ainda que os especialistas elogiem a resposta inicial da gestão, muitos alertam que uma epidemia da gripe pode travar o sistema de saúde público dos Estados Unidos.
"Se piorar, veremos a fraqueza do nosso sistema", disse Dr. Jeffrey P. Koplan, ex-diretor do CCPD. "Em um evento como este, no qual o bem-estar de todos depende do próximo nós veremos e sentiremos os problemas criados pelo nosso sistema".
Assim como a invenção da bomba atômica mudou as guerras há 64 anos, uma nova disputa internacional impulsionou a criação de ciber-armas e sistemas de proteção contra elas.
Milhares de ataques diários a sistemas de computadores federais e particulares nos Estados Unidos levaram a gestão Obama a rever a estratégia americana.
O presidente Barack Obama deve propor nos próximos dias uma expansão do programa de US$ 17 bilhões ao longo de cinco anos que o Congresso aprovou no ano passado, a indicação de um oficial da Casa Branca para coordenar o esforço e o fim de um atual conflito burocrático a respeito do terreno digital.
As mais exóticas inovações que serão consideradas podem permitir que um programador do Pentágono entre sigilosamente em um servidor na Rússia ou China, por exemplo, e destrua um "botnet" (um programa possivelmente destrutivo que infecta computadores em amplas redes e pode ser controlado clandestinamente) antes que possa ser injetado nos Estados Unidos.
As agências de inteligência americana também poderiam ativar códigos maliciosos secretamente colocados em chips de computadores durante sua criação, permitindo que os Estados Unidos assumam o controle de computadores inimigos à distância pela internet. Este, é claro, é exatamente o tipo de ataque que os oficiais temem que seja usado contra alvos americanos, geralmente através de chips ou servidores chineses.
Claro, a ciber-guerra não seria tão mortal quanto a guerra atômica, ou tão visivelmente dramática. Mas Mike McConnell, ex-diretor de inteligência nacional, alertou no ano passado que ciber-ataques com "capacidade de ameaçar o suprimento monetário americano equivalem a uma arma nuclear".
Os cenários desenvolvidos no ano passado para o novo presidente por McConnell e sua coordenadora de segurança cibernética, Melissa Hathaway, descrevem as vulnerabilidades em caso de um ataque a Wall Street e um que almeja desativar a rede elétrica do país. A maioria destas previsões veem de ataques já realizados anteriormente.
Mas a questão principal (que até o momento a gestão se recusa a discutir) é se a melhor defesa contra ciber-ataques é a criação de uma robusta capacidade de travar uma guerra cibernética.
O Pentágono e as agências de inteligência concluíram que não seria o suficiente simplesmente construir firewalls e melhores detectores de vírus ou restringir o acesso aos computadores federais. "O modelo do forte simplesmente não vai funcionar no mundo cibernético", disse um militar sênior envolvido na questão há alguns anos. "Alguém sempre conseguirá entrar".
A presidência de Barack Obama parece estar alterando a percepção pública sobre a relação entre raças nos Estados Unidos. Cerca de dois terços dos americanos agora acreditam que as relações entre raças são boas e a percentagem de negros que diz isso duplicou desde julho do ano passado, de acordo com uma pesquisa New York Times/CBS News.
Apesar disso, metade dos negros ainda acredita que os brancos têm mais chances de melhorar sua posição na sociedade americana, descobriu a pesquisa. Os negros americanos continuam a ser os principais defensores do presidente: 70% disseram que o país está no caminho certo, em comparação a 34% dos brancos.
A pesquisa descobriu amplo apoio à postura de Obama em diversas questões, inclusive uma das mais disputadas atualmente: se o Congresso deve investigar as táticas de interrogatório brutais autorizadas por seu predecessor, George W. Bush. Cerca de 62% dos americanos compartilham a opinião de Obama de que uma investigação não é necessária.
Conforme Obama se aproxima de seu 100º dia como presidente, os americanos parecem nutrir grandes esperanças por ele: 72% disseram estar otimistas a respeito dos próximos quatro anos. Os americanos esperam que o presidente consiga progredir em reformar a saúde, energia e políticas imigratórias, questões centrais de sua ambiciosa agenda doméstica.
Mas o otimismo é temperado por um sentimento de resignação a respeito do maior desafio do presidente: a recuperação da economia e o fim do envolvimento militar americano no Iraque. A maioria dos americanos diz que Obama começou a fazer progresso em ambos os frontes, mas muitos não esperam que a recessão ou a guerra sejam concluídos até o final de seu mandato.
Não é incomum para novos presidentes receber grande apoio popular a esta altura de seus mandatos. Mas o índice de aprovação de Obama de 68% é maior do que o de qualquer outro presidente nos 100 primeiros dias. O ex-presidente George W. Bush tinha 56% de aprovação a esta altura.
A pesquisa nacional foi conduzida ao telefone entre quarta e domingo com 973 adultos. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Será a gripe suína, que matou tantas pessoas no México e se espalhou para os Estados Unidos e outros países, o começo de uma temida pandemia? Ou não passa de mais um falso alarme - o último em uma longa história de preocupação de que um dia algum vírus mortal da gripe pode atingir o mundo e matar milhões de pessoas, como fez entre 1918 e 1919?
A esta altura, a resposta é que ninguém sabe ao certo. Há elementos preocupantes na gravidade dos sintomas que apareceram no México, em comparação ao comportamento mais mediano do vírus nos Estados Unidos. Os especialistas claramente precisam aprender mais sobre as origens, transmissibilidade e mortalidade do novo vírus nas próximas semanas.
O presidente Barack Obama usou o tom correto na segunda-feira ao dizer que há motivo para preocupação e para um estado de alerta maior, mas sem razão para alardes. Apesar do novo vírus da influenza ser suspeito de matar 149 pessoas e adoecer outras 1.600 no México, até o momento os números são muito menores nos Estados Unidos. Registramos 40 casos confirmados de gripe suína, a maioria (28) associada a uma única escola preparatória do Queens, cujos estudantes estiveram no México recentemente.
Além de Nova York, apenas outros quatro Estados têm casos confirmados: sete na Califórnia e um ou dois no Texas, Ohio e Kansas. A doença se mostrou mediana, apenas um paciente foi hospitalizado e nenhum morreu. Quatro ou cinco dias depois de ver os primeiros sinais da gripe suína em Nova York, ainda não há evidências de que ela tenha se espalhado.
Esta situação pede vigilância e uma cuidadosa preparação para o pior. Oficiais da saúde tomaram as medidas necessárias, se preparando para distribuir um quarto das vacinas anti-gripe do estoque estratégico do governo a Estados e localidades que podem ser atingidos por uma onda de casos da gripe suína.
Eles também tomaram as medidas preliminares em direção a uma possível formulação da vacina que combateria o novo vírus. Apesar de levar meses para ser produzida, tal vacina poderia estar pronta caso uma nova onda de gripe suína surja durante a próxima temporada da gripe.
Indivíduos que se sentirem mal devem ficar em casa para não infectar outras pessoas. Eles devem cobrir seus narizes e bocas quando espirrarem. Pessoas saudáveis são aconselhadas a evitar os doentes, lavar suas mãos constantemente com água em abundância, e tentar manter a saúde. Máscaras faciais são de valor não comprovado.
Os oficias também recomendam que os americanos evitem "viagens não essenciais" ao México enquanto criticavam um alerta similar de uma autoridade sanitária da União Europeia contra viagens aos Estados Unidos. A reclamação americana é menos protecionista do que pode parecer, uma vez que a doença é mais grave e disseminada no México.
A Organização Mundial de Saúde aumentou seu grau de alerta para a gripe suína na segunda-feira, mas não recomendou o fechamento de fronteiras ou a restrição de viagens internacionais.
Enquanto oficiais de saúde lutam para restringir este vírus de rápida mobilidade, é preocupante que a gestão Obama tenha poucos de seus oficiais de saúde a postos.
O Senado, atrasado por objeções republicanas, finalmente agendou a audiência de confirmação de Kathleen Sebelius como secretária de serviços humanos e de saúde na terça-feira. Além disso, a Casa Branca ainda tem que anunciar um indicado como diretor do Centro de Controle e Prevenções de Doenças. Estes são os dois cargos cruciais para lidar com a epidemia de uma doença contagiosa.
O oficial responsável pelo CCPD insiste que a ausência de uma liderança não tem afetado como as agências de saúde respondem à ameaça e pode estar certo. Mas se a gestão Obama for julgada, como deveria ser, pela forma como lida com uma possível crise, seria melhor ter uma equipe inteira à disposição.
NOVA YORK – Ninguém entre em pânico. O governo deve estar gastando os últimos centavos no pacote de resgate, mas, aparentemente, são ricos sujos com estoques de Tamiflu. Disseram-nos que oficiais podem mobilizar ventiladores em um piscar de olhos (o que deveria ser tranquilizador). E os casos de gripe suína na Escola Praparatória de Saint Francis, Queens, bairro de Nova York, parecem, até agora, ser relativamente brandos.
Além disso, não é como se não houvesse procedimentos sobre como lidar até mesmo com surtos de gripes piores que este. Considere “Preparando-se para a Gripe Aviária Pandêmica: manual de prontidão de Família e Vizinhos”, publicado em 2006, por Joe e Rita Sterling, um casal cuja vaga biografia online diz que “conduzem corporações e comunidades ao sucesso há quase duas décadas”, (A gripe aviária, que pode ser fatal nos humanos, é diferente da H1N1, gripe suína, que está deixando doentes pessoas desde o México até St. Francis, mas apesar de tudo é uma leitura interessante).
“Mas e se houver ilegalidade?”, coloca uma questão hipotética na página 150 do livro. “Eu preciso proteger minha família e a mim mesmo. Quais são os itens de segurança essenciais para se ter?” Os autores apontam que isso é “uma questão bem pessoal, claro” (claro!) e aconselha os vizinhos a começarem conversas de grupo sobre isso a tempo.
“Alguém na sua vizinhança com certeza perguntará sobre armas de fogo” (claro!). A colaboração reduz o medo e o stress, aconselha Sterlings, antes de continuar a lista dos “poucos” itens para um kit de segurança: fita adesiva, luvas de trabalho e um celular, dentre outros. E também um “machado ou machadinha”, “objetos de dissuasão (bastão pesado, spray de pinta, buzina, etc)” e, claro, uma “pá dobrável”. Em seu carro, você precisará de uma buzina de ar, um baralho de cartas (pode-se ter tanta diversão comendo enlatados durante um ano) e uma arma de eletrochoque.
Quem imaginaria que a gripe suína poderia ser apenas uma nova oportunidade pela qual Rudy Giuliani (prefeito de Nova York de 1999 a 2001) estava esperando?
Na verdade, é a estrela do Dr. Thomas R. Frieden, membro do conselho de saúde de Nova York, que possui mais potencial para surgir. Até agora, Frienden ficou conhecido principalmente como um chefe do esquadrão dos vícios da cidade, seja o tabagismo, as gorduras trans ou o sódio, todos os quais Frieden atacou por meio de legislações ou persuasão (alguns tipos de indústria de alimentos chamariam de ameaça).
Críticos dizem que ele tem sido muito agressivo em tentar ditar um comportamento e que sua abordagem em relação à crise de diabetes invade a privacidade dos pacientes. Fãs dizem que ele simplesmente é entusiasmado e consegue resultados (Eles também gostam do fato de ele manter um pote cheio preservativos em sua recepção).
Em uma coletiva de imprensa, neste fim de semana, sobre o surto de gripe em St. Francis, potencialmente a mesma gripe suína que pode ter matado mais de 100 pessoas no México, Frieden pareceu o tipo de governante fantoche que as pessoas querem em uma crise.
Calmo, ele inspira confiança e transmite compaixão, mesmo àqueles que encheram os hospitais do Queens, com sintomas de uma leve gripe. Ele exibiu uma preocupação evidente sobre a situação – mas uma branda tensão de preocupação, lembrando que a situação atual não era nada que os hospitais de Nova York e líderes não poderiam cuidar. Ao invés de gastar toda sua energia aprendendo espanhol, o prefeito Michael R. Bloomberg deve pensar em passar um tempo estudando as maneiras de Frieden com seus pacientes (pois quanto ao espanhol, Frieden é fluente).
Frieden foi professor, epidemiologista e, de acordo com seu website oficial, um organizador da comunidade, novamente com uma chance em sua credencial política. O prefeito Bloomberg, titã das finanças, chegou ao poder quando a cidade estava rolando em dinheiro. Frieden, que trabalhou na Índia por cinco anos combatendo a tuberculose, deve ser o tipo de líder que não desiste de uma nova Nova York, uma cidade que aparente principalmente valor e não apenas dinheiro (ao menos porque não tem mais nenhum).
A possibilidade de uma pandemia de gripe poderia tornar qualquer um nostálgico em relação aos bons velhos tempos, quando nossas maiores preocupações eram o aumento do combustível e o crescimento aparentemente inevitável da China. Na verdade, um livro como “Preparando-se para a Gripe Aviária Pandêmica” poderia tornar qualquer um nostálgico quanto aos velhos e bons tempos quando nossos maiores problemas eram a queda da economia global, a alta taxa de desemprego, e vizinhanças inteiras habitadas por invasores.
Para aqueles que são influenciados por uma grande figura de medo, o clima não têm ajudado. Até domingo, estava quente o suficiente para levantar questões sobre o aquecimento global. Será que o aumento do nível dos mares e o aumento de inundações em breve nos tornarão nostálgicos em relação aos bons e velhos tempos quando tudo com o que tínhamos que nos preocupar era a gripe suína?
Sabe do que eu realmente esqueci? Do bug do milênio.
Em 15 de julho de 2007, “The New York Times” publicou um artigo com o título “Os mais ricos dos ricos, orgulho da era dourada”. O mais proeminente dos “novos titãs” descritos era Sanford Weill, ex-presidente do Citigroup. Ele alegou que ele e seus colegas conseguiram suas imensas riquezas por meio de suas contribuições com a sociedade.
Pouco tempo após a impressão do artigo, o edifício financeiro de Weill foi glorificado por ajudar a construir um colapso, causando um imenso dano colateral no processo. Mesmo se conseguíssemos evitar uma repetição da Grande Depressão, a economia mundial levaria anos para se recuperar dessa crise.
De todas as explicações de por que deveríamos ser perturbados por um artigo no “Times” de domingo, relatando que pagar pelo investimento de bancos, após a queda do ano passado, está ficando na moda novamente – exatamente para os níveis de 2007.
Por que isso incomoda? Deixe-me contar porquê.
Primeiro, não há mais razões para acreditar que os magos de Wall Street realmente contribuem com algo positivo para a sociedade, muito menos o suficiente para justificar aqueles enormes salários.
Lembre-se de que a Wall Street dourada de 2007 foi claramente um novo fenômeno. Dos anos 30 até por volta de 1980, os bancos eram moderados, um negócio entediante que não pagava melhor, mas a média do que outras áreas, ainda que mantivessem a economia funcionando.
Então por que alguns banqueiros de repente começaram a fazer vastas fortunas? Disseram-nos que foi uma recompensa pela criatividade que tiveram – pela inovação financeira. No entanto, a esse ponto, é difícil pensar em quaisquer maiores inovações financeiras recentes, que realmente auxiliaram a sociedade, considerando o contrário de novo formas de explodir bolhas, esquivar-se de regulações e implementar de fato o esquema Ponzi (tipo de operação fraudulenta de investimentos).
Considere um discurso recente de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed- Banco Central dos EUA), no qual ele tenta defender a inovação financeira. Seus exemplos de “boas” inovações financeiras foram: cartão de crédito (não exatamente uma nova idéia); retirada excessiva de dinheiro do banco; e hipotecas subprime (não estou inventando isso). Isso foi pelo o que os banqueiros receberam tanta grana?
Ainda assim, você deve argumentar que temos uma economia de mercado livre, é do setor privado a decisão de quanto valem seus funcionários. Mas isso me traz ao segundo ponto: Wall Street não faz mais parte, em qualquer lógica real, do setor privado. É da alçada do Estado, cada parte depende do auxílio do governo como receptor da Assistência Temporária para Famílias Necessitadas, também conhecido por “auxílio-desemprego”.
Não estou falando apenas dos US$ 600 bilhões, ou mais, já comprometidos com o Troubled Assets Relief Problems (TARP – Auxílio aos problemas com ativos tóxicos, em tradução livre) Também há grandes linhas de crédito concedidas pelo Fed; empréstimos de larga escala pelo Banco Federal de Empréstimos Domésticos e o pagamento das dívidas dos contratos da AIG financiado pelos contribuintes. Além disso, tem a vasta expansão das garantias da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, agência federal de garantia de depósitos bancários dos EUA) e, mais amplamente, o comércio bancário implícito fornecido para cada empresa financeira considerada grande demais ou estratégica demais para falir.
Alguém pode argumentar que é necessário recuperar Wall Street para proteger a economia como um todo – e, na verdade, eu concordo. Mas dado todo o dinheiro do contribuinte em jogo, as empresas financeiras deviam agir como utilidades públicas e não voltar às práticas e salários de 2007.
Além disso, pagar vastas somas para os velhacos não é apenas escandaloso, mas também perigoso. Por que, afinal de contas, os banqueiros se arriscam tanto? Porque o sucesso – ou mesmo o aspecto temporário do sucesso – oferece recompensas gigantescas: Mesmo os executivos que quebram suas empresas podem e conseguem sair com centenas de milhões. Agora, estamos vendo recompensas similares sendo oferecidas para pessoas que podem jogar seus jogos arriscados com o dinheiro do Estado.
Então o que está acontecendo? Por que salários voltaram a ser estratosféricos? Afirmações de que as empresas têm de pagar esses salários para manter o melhor pessoal não é plausível: Com o salto no desemprego do setor financeiro, para onde vão essas pessoas?
Não, a razão pela qual as empresas financeiras estão pagando altos salários novamente é, simplesmente, porque eles podem. Eles estão fazendo dinheiro de novo (embora não o tanto que afirmam), graças a todas essas garantias federais e empréstimos a juros muito mais altos. Então é comer, beber e ser feliz, porque até amanhã você deve ser ajustado.
Ou talvez não. Há uma sensação evidente na imprensa financeira de que a tempestade passou: As ações estão em alta, o barulho da economia deve estar desnivelando, e a administração de Obama provavelmente deixa os banqueiros com nada menos do que discursos firmes. Certamente ou erroneamente, os banqueiros parecem acreditar que voltar aos negócios como era antes é ali na esquina.
Só podemos esperar que nossos líderes provem o contrário, e persistam na reforma verdadeira. Em 2008, banqueiros com altos salários assumindo grandes riscos com o dinheiro de outras pessoas trouxeram a economia a seus pés. A última coisa que precisamos dar-lhes é uma chance de fazer tudo de novo.
O Facebook tem crescido muito na Turquia e na Indonésia. A audiência do YouTube quase duplicou na Índia e no Brasil. Isso pode parecer uma boa notícia, mas também é um dos principais motivos pelos quais estas e outras companhias da internet com grandes audiências globais e marcas renomadas lutam para conseguir algum lucro.
É o chamado Paradoxo Internacional.
Companhias da internet que dependem de propagandas estão passando por um
vibrante crescimento em países em desenvolvimento. Mas estes são os lugrares nos
quais sua operação pode ser mais cara, uma vez que companhias da web geralmente
precisam de mais servidores para disponibilizar conteúdo a uma parte do mundo na
qual a banda é limitada. E nestes países, a propaganda online dificilmente é
convertida em lucros.
Esta difícil contradição se tornou um problema sério para sites de
compartilhamento de fotos, redes sociais e distribuidores de vídeos como o
YouTube. Além disso, ameaça um fervente idealismo dos empreendedores da
internet, que esperavam unir o mundo em uma única aldeia virtual mas descobriram
que o fator econômico desta visão pode não funcionar.
NYT
Local público para acessar a internet por
hora
No ano passado, o Veoh, um
site de compartilhamento de vídeos operado em San Diego, decidiu bloquear seus
serviços na África, Ásia, América Latina e Leste europeu, dizendo não conseguir
manter o alto custo das operações nestes locais.
"Eu acredito em comunicações livres e abertas", disse Dmitry Shapiro, chefe
executivo da companhia. "Mas estas pessoas estão tão famintas por conteúdo. Elas
assistem e assistem e assistem. O problema é que comem banda e isso dificulta
que seja possível qualquer lucro".
Empresas de internet que surgiram durante a era Web 2.0, por volta de 2004
até o começo da recessão no final de 2007, geralmente seguiam um mapa amplamente
aceito. Construir enormes audiências globais com um serviço gratuito e deixar a
propaganda arcar com os custos.
Mas muitos se depararam com a realidade econômica global. Há cerca de 1.6
bilhão pessoas com conexão à internet em todo o mundo, mas pouco menos da metade
delas têm rendas que interessam aos anunciadores.
"Este é um problema que toda companhia de internet tem", disse Michelangelo
Volpi, chefe executico da Joost, um site de vídeos com metade de sua audiência
fora dos Estados Unidos.