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EUA planejam táticas de ataque e defesa em guerra cibernética

Assim como a invenção da bomba atômica mudou as guerras há 64 anos, uma nova disputa internacional impulsionou a criação de ciber-armas e sistemas de proteção contra elas.

Milhares de ataques diários a sistemas de computadores federais e particulares nos Estados Unidos levaram a gestão Obama a rever a estratégia americana.

O presidente Barack Obama deve propor nos próximos dias uma expansão do programa de US$ 17 bilhões ao longo de cinco anos que o Congresso aprovou no ano passado, a indicação de um oficial da Casa Branca para coordenar o esforço e o fim de um atual conflito burocrático a respeito do terreno digital.

As mais exóticas inovações que serão consideradas podem permitir que um programador do Pentágono entre sigilosamente em um servidor na Rússia ou China, por exemplo, e destrua um "botnet" (um programa possivelmente destrutivo que infecta  computadores em amplas redes e pode ser controlado clandestinamente) antes que possa ser injetado nos Estados Unidos.

As agências de inteligência americana também poderiam ativar códigos maliciosos secretamente colocados em chips de computadores durante sua criação, permitindo que os Estados Unidos assumam o controle de computadores inimigos à distância pela internet. Este, é claro, é exatamente o tipo de ataque que os oficiais temem que seja usado contra alvos americanos, geralmente através de chips ou servidores chineses.

Claro, a ciber-guerra não seria tão mortal quanto a guerra atômica, ou tão visivelmente dramática. Mas Mike McConnell, ex-diretor de inteligência nacional, alertou no ano passado que ciber-ataques com "capacidade de ameaçar o suprimento monetário americano equivalem a uma arma nuclear".

Os cenários desenvolvidos no ano passado para o novo presidente por McConnell e sua coordenadora de segurança cibernética, Melissa Hathaway, descrevem as vulnerabilidades em caso de um ataque a Wall Street e um que almeja desativar a rede elétrica do país. A maioria destas previsões veem de ataques já realizados anteriormente.

Mas a questão principal (que até o momento a gestão se recusa a discutir) é se a melhor defesa contra ciber-ataques é a criação de uma robusta capacidade de travar uma guerra cibernética.

O Pentágono e as agências de inteligência concluíram que não seria o suficiente simplesmente construir firewalls e melhores detectores de vírus ou restringir o acesso aos computadores federais. "O modelo do forte simplesmente não vai funcionar no mundo cibernético", disse um militar sênior envolvido na questão há alguns anos. "Alguém sempre conseguirá entrar".

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28/04/2009 09:06 AM

Obama altera percepção sobre raça, diz pesquisa

A presidência de Barack Obama parece estar alterando a percepção pública sobre a relação entre raças nos Estados Unidos. Cerca de dois terços dos americanos agora acreditam que as relações entre raças são boas e a percentagem de negros que diz isso duplicou desde julho do ano passado, de acordo com uma pesquisa New York Times/CBS News.

 

Apesar disso, metade dos negros ainda acredita que os brancos têm mais chances de melhorar sua posição na sociedade americana, descobriu a pesquisa. Os negros americanos continuam a ser os principais defensores do presidente: 70% disseram que o país está no caminho certo, em comparação a 34% dos brancos.

A pesquisa descobriu amplo apoio à postura de Obama em diversas questões, inclusive uma das mais disputadas atualmente: se o Congresso deve investigar as táticas de interrogatório brutais autorizadas por seu predecessor, George W. Bush. Cerca de 62% dos americanos compartilham a opinião de Obama de que uma investigação não é necessária.

Conforme Obama se aproxima de seu 100º dia como presidente, os americanos parecem nutrir grandes esperanças por ele: 72% disseram estar otimistas a respeito dos próximos quatro anos. Os americanos esperam que o presidente consiga progredir em reformar a saúde, energia e políticas imigratórias, questões centrais de sua ambiciosa agenda doméstica.

Mas o otimismo é temperado por um sentimento de resignação a respeito do maior desafio do presidente: a recuperação da economia e o fim do envolvimento militar americano no Iraque. A maioria dos americanos diz que Obama começou a fazer progresso em ambos os frontes, mas muitos não esperam que a recessão ou a guerra sejam concluídos até o final de seu mandato.

Não é incomum para novos presidentes receber grande apoio popular a esta altura de seus mandatos. Mas o índice de aprovação de Obama de 68% é maior do que o de qualquer outro presidente nos 100 primeiros dias. O ex-presidente George W. Bush tinha 56% de aprovação a esta altura.

A pesquisa nacional foi conduzida ao telefone entre quarta e domingo com 973 adultos. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

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28/04/2009 09:04 AM

Editorial: A gripe suína

Será a gripe suína, que matou tantas pessoas no México e se espalhou para os Estados Unidos e outros países, o começo de uma temida pandemia? Ou não passa de mais um falso alarme - o último em uma longa história de preocupação de que um dia algum vírus mortal da gripe pode atingir o mundo e matar milhões de pessoas, como fez entre 1918 e 1919?

 

A esta altura, a resposta é que ninguém sabe ao certo. Há elementos preocupantes na gravidade dos sintomas que apareceram no México, em comparação ao comportamento mais mediano do vírus nos Estados Unidos. Os especialistas claramente precisam aprender mais sobre as origens, transmissibilidade e mortalidade do novo vírus nas próximas semanas.

O presidente Barack Obama usou o tom correto na segunda-feira ao dizer que há motivo para preocupação e para um estado de alerta maior, mas sem razão para alardes. Apesar do novo vírus da influenza ser suspeito de matar 149 pessoas e adoecer outras 1.600 no México, até o momento os números são muito menores nos Estados Unidos. Registramos 40 casos confirmados de gripe suína, a maioria (28) associada a uma única escola preparatória do Queens, cujos estudantes estiveram no México recentemente.

Além de Nova York, apenas outros quatro Estados têm casos confirmados: sete na Califórnia e um ou dois no Texas, Ohio e Kansas. A doença se mostrou mediana, apenas um paciente foi hospitalizado e nenhum morreu. Quatro ou cinco dias depois de ver os primeiros sinais da gripe suína em Nova York, ainda não há evidências de que ela tenha se espalhado.

Esta situação pede vigilância e uma cuidadosa preparação para o pior. Oficiais da saúde tomaram as medidas necessárias, se preparando para distribuir um quarto das vacinas anti-gripe do estoque estratégico do governo a Estados e localidades que podem ser atingidos por uma onda de casos da gripe suína.

Eles também tomaram as medidas preliminares em direção a uma possível formulação da vacina que combateria o novo vírus. Apesar de levar meses para ser produzida, tal vacina poderia estar pronta caso uma nova onda de gripe suína surja durante a próxima temporada da gripe.

Indivíduos que se sentirem mal devem ficar em casa para não infectar outras pessoas. Eles devem cobrir seus narizes e bocas quando espirrarem. Pessoas saudáveis são aconselhadas a evitar os doentes, lavar suas mãos constantemente com água em abundância, e tentar manter a saúde. Máscaras faciais são de valor não comprovado.

Os oficias também recomendam que os americanos evitem "viagens não essenciais" ao México enquanto criticavam um alerta similar de uma autoridade sanitária da União Europeia contra viagens aos Estados Unidos. A reclamação americana é menos protecionista do que pode parecer, uma vez que a doença é mais grave e disseminada no México.

A Organização Mundial de Saúde aumentou seu grau de alerta para a gripe suína na segunda-feira, mas não recomendou o fechamento de fronteiras ou a restrição de viagens internacionais.

Enquanto oficiais de saúde lutam para restringir este vírus de rápida mobilidade, é preocupante que a gestão Obama tenha poucos de seus oficiais de saúde a postos.

O Senado, atrasado por objeções republicanas, finalmente agendou a audiência de confirmação de Kathleen Sebelius como secretária de serviços humanos e de saúde na terça-feira. Além disso, a Casa Branca ainda tem que anunciar um indicado como diretor do Centro de Controle e Prevenções de Doenças. Estes são os dois cargos cruciais para lidar com a epidemia de uma doença contagiosa.

O oficial responsável pelo CCPD insiste que a ausência de uma liderança não tem afetado como as agências de saúde respondem à ameaça e pode estar certo. Mas se a gestão Obama for julgada, como deveria ser, pela forma como lida com uma possível crise, seria melhor ter uma equipe inteira à disposição.

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Gripe suína no Brasil

 

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28/04/2009 08:23 AM

Não é hora para histeria por causa da nova gripe

NOVA YORK – Ninguém entre em pânico. O governo deve estar gastando os últimos centavos no pacote de resgate, mas, aparentemente, são ricos sujos com estoques de Tamiflu. Disseram-nos que oficiais podem mobilizar ventiladores em um piscar de olhos (o que deveria ser tranquilizador). E os casos de gripe suína na Escola Praparatória de Saint Francis, Queens, bairro de Nova York, parecem, até agora, ser relativamente brandos.

Além disso, não é como se não houvesse procedimentos sobre como lidar até mesmo com surtos de gripes piores que este. Considere “Preparando-se para a Gripe Aviária Pandêmica: manual de prontidão de Família e Vizinhos”, publicado em 2006, por Joe e Rita Sterling, um casal cuja vaga biografia online diz que “conduzem corporações e comunidades ao sucesso há quase duas décadas”, (A gripe aviária, que pode ser fatal nos humanos, é diferente da H1N1, gripe suína, que está deixando doentes pessoas desde o México até St. Francis, mas apesar de tudo é uma leitura interessante).

“Mas e se houver ilegalidade?”, coloca uma questão hipotética na página 150 do livro. “Eu preciso proteger minha família e a mim mesmo. Quais são os itens de segurança essenciais para se ter?” Os autores apontam que isso é “uma questão bem pessoal, claro” (claro!) e aconselha os vizinhos a começarem conversas de grupo sobre isso a tempo.

“Alguém na sua vizinhança com certeza perguntará sobre armas de fogo” (claro!). A colaboração reduz o medo e o stress, aconselha Sterlings, antes de continuar a lista dos “poucos” itens para um kit de segurança: fita adesiva, luvas de trabalho e um celular, dentre outros. E também um “machado ou machadinha”, “objetos de dissuasão (bastão pesado, spray de pinta, buzina, etc)” e, claro, uma “pá dobrável”. Em seu carro, você precisará de uma buzina de ar, um baralho de cartas (pode-se ter tanta diversão comendo enlatados durante um ano) e uma arma de eletrochoque.

Quem imaginaria que a gripe suína poderia ser apenas uma nova oportunidade pela qual Rudy Giuliani (prefeito de Nova York de 1999 a 2001) estava esperando?

Na verdade, é a estrela do Dr. Thomas R. Frieden, membro do conselho de saúde de Nova York, que possui mais potencial para surgir. Até agora, Frienden ficou conhecido principalmente como um chefe do esquadrão dos vícios da cidade, seja o tabagismo, as gorduras trans ou o sódio, todos os quais Frieden atacou por meio de legislações ou persuasão (alguns tipos de indústria de alimentos chamariam de ameaça).

Críticos dizem que ele tem sido muito agressivo em tentar ditar um comportamento e que sua abordagem em relação à crise de diabetes invade a privacidade dos pacientes. Fãs dizem que ele simplesmente é entusiasmado e consegue resultados (Eles também gostam do fato de ele manter um pote cheio preservativos em sua recepção).

Em uma coletiva de imprensa, neste fim de semana, sobre o surto de gripe em St. Francis, potencialmente a mesma gripe suína que pode ter matado mais de 100 pessoas no México, Frieden pareceu o tipo de governante fantoche que as pessoas querem em uma crise.

Calmo, ele inspira confiança e transmite compaixão, mesmo àqueles que encheram os hospitais do Queens, com sintomas de uma leve gripe. Ele exibiu uma preocupação evidente sobre a situação – mas uma branda tensão de preocupação, lembrando que a situação atual não era nada que os hospitais de Nova York e líderes não poderiam cuidar. Ao invés de gastar toda sua energia aprendendo espanhol, o prefeito Michael R. Bloomberg deve pensar em passar um tempo estudando as maneiras de Frieden com seus pacientes (pois quanto ao espanhol, Frieden é fluente).

Frieden foi professor, epidemiologista e, de acordo com seu website oficial, um organizador da comunidade, novamente com uma chance em sua credencial política. O prefeito Bloomberg, titã das finanças, chegou ao poder quando a cidade estava rolando em dinheiro. Frieden, que trabalhou na Índia por cinco anos combatendo a tuberculose, deve ser o tipo de líder que não desiste de uma nova Nova York, uma cidade que aparente principalmente valor e não apenas dinheiro (ao menos porque não tem mais nenhum).

A possibilidade de uma pandemia de gripe poderia tornar qualquer um nostálgico em relação aos bons velhos tempos, quando nossas maiores preocupações eram o aumento do combustível e o crescimento aparentemente inevitável da China. Na verdade, um livro como “Preparando-se para a Gripe Aviária Pandêmica” poderia tornar qualquer um nostálgico quanto aos velhos e bons tempos quando nossos maiores problemas eram a queda da economia global, a alta taxa de desemprego, e vizinhanças inteiras habitadas por invasores.

Para aqueles que são influenciados por uma grande figura de medo, o clima não têm ajudado. Até domingo, estava quente o suficiente para levantar questões sobre o aquecimento global. Será que o aumento do nível dos mares e o aumento de inundações em breve nos tornarão nostálgicos em relação aos bons e velhos tempos quando tudo com o que tínhamos que nos preocupar era a gripe suína?

Sabe do que eu realmente esqueci? Do bug do milênio.


Por SUSAN DOMINUS

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27/04/2009 08:52 PM

Comentário: dinheiro por nada

Em 15 de julho de 2007, “The New York Times” publicou um artigo com o título “Os mais ricos dos ricos, orgulho da era dourada”. O mais proeminente dos “novos titãs” descritos era Sanford Weill, ex-presidente do Citigroup. Ele alegou que ele e seus colegas conseguiram suas imensas riquezas por meio de suas contribuições com a sociedade.

Pouco tempo após a impressão do artigo, o edifício financeiro de Weill foi glorificado por ajudar a construir um colapso, causando um imenso dano colateral no processo. Mesmo se conseguíssemos evitar uma repetição da Grande Depressão, a economia mundial levaria anos para se recuperar dessa crise.

De todas as explicações de por que deveríamos ser perturbados por um artigo no “Times” de domingo, relatando que pagar pelo investimento de bancos, após a queda do ano passado, está ficando na moda novamente – exatamente para os níveis de 2007.

Por que isso incomoda? Deixe-me contar porquê.

Primeiro, não há mais razões para acreditar que os magos de Wall Street realmente contribuem com algo positivo para a sociedade, muito menos o suficiente para justificar aqueles enormes salários.

Lembre-se de que a Wall Street dourada de 2007 foi claramente um novo fenômeno. Dos anos 30 até por volta de 1980, os bancos eram moderados, um negócio entediante que não pagava melhor, mas a média do que outras áreas, ainda que mantivessem a economia funcionando.

Então por que alguns banqueiros de repente começaram a fazer vastas fortunas? Disseram-nos que foi uma recompensa pela criatividade que tiveram – pela inovação financeira. No entanto, a esse ponto, é difícil pensar em quaisquer maiores inovações financeiras recentes, que realmente auxiliaram a sociedade, considerando o contrário de novo formas de explodir bolhas, esquivar-se de regulações e implementar de fato o esquema Ponzi (tipo de operação fraudulenta de investimentos).

Considere um discurso recente de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed- Banco Central dos EUA), no qual ele tenta defender a inovação financeira. Seus exemplos de “boas” inovações financeiras foram: cartão de crédito (não exatamente uma nova idéia); retirada excessiva de dinheiro do banco; e hipotecas subprime (não estou inventando isso). Isso foi pelo o que os banqueiros receberam tanta grana?

Ainda assim, você deve argumentar que temos uma economia de mercado livre, é do setor privado a decisão de quanto valem seus funcionários. Mas isso me traz ao segundo ponto: Wall Street não faz mais parte, em qualquer lógica real, do setor privado. É da alçada do Estado, cada parte depende do auxílio do governo como receptor da Assistência Temporária para Famílias Necessitadas, também conhecido por “auxílio-desemprego”.

Não estou falando apenas dos US$ 600 bilhões, ou mais, já comprometidos com o Troubled Assets Relief Problems (TARP – Auxílio aos problemas com ativos tóxicos, em tradução livre) Também há grandes linhas de crédito concedidas pelo Fed; empréstimos de larga escala pelo Banco Federal de Empréstimos Domésticos e o pagamento das dívidas dos contratos da AIG financiado pelos contribuintes. Além disso, tem a vasta expansão das garantias da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, agência federal de garantia de depósitos bancários dos EUA) e, mais amplamente, o comércio bancário implícito fornecido para cada empresa financeira considerada grande demais ou estratégica demais para falir.

Alguém pode argumentar que é necessário recuperar Wall Street para proteger a economia como um todo – e, na verdade, eu concordo. Mas dado todo o dinheiro do contribuinte em jogo, as empresas financeiras deviam agir como utilidades públicas e não voltar às práticas e salários de 2007.

Além disso, pagar vastas somas para os velhacos não é apenas escandaloso, mas também perigoso. Por que, afinal de contas, os banqueiros se arriscam tanto? Porque o sucesso – ou mesmo o aspecto temporário do sucesso – oferece recompensas gigantescas: Mesmo os executivos que quebram suas empresas podem e conseguem sair com centenas de milhões. Agora, estamos vendo recompensas similares sendo oferecidas para pessoas que podem jogar seus jogos arriscados com o dinheiro do Estado.

Então o que está acontecendo? Por que salários voltaram a ser estratosféricos? Afirmações de que as empresas têm de pagar esses salários para manter o melhor pessoal não é plausível: Com o salto no desemprego do setor financeiro, para onde vão essas pessoas?

Não, a razão pela qual as empresas financeiras estão pagando altos salários novamente é, simplesmente, porque eles podem. Eles estão fazendo dinheiro de novo (embora não o tanto que afirmam), graças a todas essas garantias federais e empréstimos a juros muito mais altos. Então é comer, beber e ser feliz, porque até amanhã você deve ser ajustado.

Ou talvez não. Há uma sensação evidente na imprensa financeira de que a tempestade passou: As ações estão em alta, o barulho da economia deve estar desnivelando, e a administração de Obama provavelmente deixa os banqueiros com nada menos do que discursos firmes. Certamente ou erroneamente, os banqueiros parecem acreditar que voltar aos negócios como era antes é ali na esquina.

Só podemos esperar que nossos líderes provem o contrário, e persistam na reforma verdadeira. Em 2008, banqueiros com altos salários assumindo grandes riscos com o dinheiro de outras pessoas trouxeram a economia a seus pés. A última coisa que precisamos dar-lhes é uma chance de fazer tudo de novo.

Por PAUL KRUGMAN


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27/04/2009 07:20 PM

Internet cresce sem perspectiva de lucros em países em desenvolvimento

O Facebook tem crescido muito na Turquia e na Indonésia. A audiência do YouTube quase duplicou na Índia e no Brasil. Isso pode parecer uma boa notícia, mas também é um dos principais motivos pelos quais estas e outras companhias da internet com grandes audiências globais e marcas renomadas lutam para conseguir algum lucro.

É o chamado Paradoxo Internacional.

Companhias da internet que dependem de propagandas estão passando por um vibrante crescimento em países em desenvolvimento. Mas estes são os lugrares nos quais sua operação pode ser mais cara, uma vez que companhias da web geralmente precisam de mais servidores para disponibilizar conteúdo a uma parte do mundo na qual a banda é limitada. E nestes países, a propaganda online dificilmente é convertida em lucros.

Esta difícil contradição se tornou um problema sério para sites de compartilhamento de fotos, redes sociais e distribuidores de vídeos como o YouTube. Além disso, ameaça um fervente idealismo dos empreendedores da internet, que esperavam unir o mundo em uma única aldeia virtual mas descobriram que o fator econômico desta visão pode não funcionar.

NYT

Local público para acessar a internet por hora

No ano passado, o Veoh, um site de compartilhamento de vídeos operado em San Diego, decidiu bloquear seus serviços na África, Ásia, América Latina e Leste europeu, dizendo não conseguir manter o alto custo das operações nestes locais.

"Eu acredito em comunicações livres e abertas", disse Dmitry Shapiro, chefe executivo da companhia. "Mas estas pessoas estão tão famintas por conteúdo. Elas assistem e assistem e assistem. O problema é que comem banda e isso dificulta que seja possível qualquer lucro".

Empresas de internet que surgiram durante a era Web 2.0, por volta de 2004 até o começo da recessão no final de 2007, geralmente seguiam um mapa amplamente aceito. Construir enormes audiências globais com um serviço gratuito e deixar a propaganda arcar com os custos.

Mas muitos se depararam com a realidade econômica global. Há cerca de 1.6 bilhão pessoas com conexão à internet em todo o mundo, mas pouco menos da metade delas têm rendas que interessam aos anunciadores.

"Este é um problema que toda companhia de internet tem", disse Michelangelo Volpi, chefe executico da Joost, um site de vídeos com metade de sua audiência fora dos Estados Unidos.


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27/04/2009 04:37 PM

EUA declaram emergência sanitária conforme casos de gripe suína aumentam

Respondendo ao que parece ser uma pandemia global com origem no México, oficiais da saúde americanos declararam emergência sanitária no domingo, conforme 20 casos da gripe suína foram confirmados no país, incluindo oito em Nova York.


Outros países impuseram proibições a viagens ou fizeram planos para colocar viajantes em quarentena enquanto casos confirmados foram detectados no México, Canadá e Estados Unidos, e suspeitados em outros países.

Especialistas mundiais em gripe tentaram prever quão perigosa é a doença que tem origem no vírus A (H1N1) quando ficou claro que existem poucas informações sobre a epidemia mexicana (principalmente sobre quantos casos aconteceram em um mês antes da epidemia ser percebida e se o vírus está mudando para uma forma mais ou menos letal).

Sem esse conhecimento (que não deve acontecer em breve porque apenas dois laboratórios, em Atlanta e Winnipeg, conseguem confirmar os casos) o painel de especialistas não parecia disposto a elevar o nível de alerta global sobre uma pandemia, apesar de considerar a doença uma emergência sanitária e ter aberto um centro de atendimento para dúvidas.

Investigadores americanos disseram ter esperado a maioria dos casos locais,  mas alertaram que quase todos até então foram medianos e pediram que os americanos não entrem em pânico.

EFE
Gripe suína começa a se espalhar pelo México e já apresenta focos nos EUA


A declaração de emergência permite que o governo libere mais dinheiro para remédios contra o vírus e autorize a medicação de crianças com vacinas em fase de testes. Um quarto da reserva de 50 milhões de doses de vacinas contra a gripe do país será distribuído imediatamente.

Agentes de patrulha da fronteira e segurança de aeroportos irão perguntar aos viajantes se eles têm sinais de gripe ou febre, os que parecerem doentes serão parados e terão que usar máscaras até que consigam atendimento médico.

Além dos oito casos de Nova York, os oficiais confirmaram sete na Califórnia, dois no Kansas, dois no Texas e um em Ohio. O vírus parece idêntico ao existente no México e que matou pelo menos 106 pessoas e adoeceu outras 1,600. Até a noite de domingo, nenhuma morte foi registrada nos Estados Unidos e apenas uma hospitalização.

Outros governos tentaram conter a infecção em meio a relatos de possíveis novos casos, incluindo Nova Zelândia, Hong Kong e Espanha.



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27/04/2009 04:10 PM

100 Dias: Republicanos esperam por melhoras após período de declínio

WASHINGTON - Para os congressistas republicanos estes 100 primeiros dias da gestão Obama pareceram mil. Levados à minoria, eles confrontam um presidente democrata altamente popular e se exasperam com o reinado ousado da Câmara e do Senado.

 

Eles procuraram uma estratégia eficaz para combater o presidente Barack Obama, mas não têm uma mensagem ou mensageiro dominante e encontram dificuldades em por em prática mesmo os temas utilizados com sucesso no passado.

Na sexta-feira, eles oficialmente perderam uma eleição especial da Câmara em Nova York que por direito deveriam ter ganhado. Além disso, estão perto de uma relação 59 contra 41 no Senado, ou a quase eliminação por falta de votos.

"Nos primeiros 100 dias do presidente Obama nós não encontramos nossa voz", disse o senador Lamar Alexander do Tennessee, o republicano número três no Senado. "Mas nos primeiros 100 dias não foi preciso. Ele está com a bola".

Como muitos outros em seu partido, Alexander disse acreditar que os republicanos recentemente se firmaram depois de um começo difícil da era Obama.

O representante Adam H. Putnam da Florida, ex-líder republicano da Câmara, disse: "Os últimos 20 dias foram melhores do que os 80 primeiros. Nós lutamos para encontrar nosso ritmo em uma nova ordem mundial, mas nos recuperamos".

Os republicanos orgulhosamente atestam sua capacidade de união, lembrando que apenas três republicanos do Senado apoiaram o pacote de estímulo de US$ 787 bilhões (apesar de terem fornecido a margem crucial para vitória), enquanto nenhum votou pelos orçamentos aprovados pela Câmara e Senado.

Eles dizem estar retomando a conexão com seus principais eleitores ao enfatizar o que veem como gastos exagerados dos democratas. Além disso, acreditam estar preparando um retorno ao se posicionar solidamente à direita de inúmeras questões em preparo ao aumento dos gastos na agenda democrata.

"Nós estamos definindo o debate e gerando restrições, possivelmente criando alternativas positivas", disse o senador John Thune de Dakota do Sul. "É para isso que estamos aqui".

Mas é difícil, reconheceu Thune, dizendo que Obama "está sobre uma onda de popularidade e que os democratas no Congresso têm muito espaço com o povo americano".

No entanto, há sinais de alívio republicano no horizonte. Os democratas estão entrando em uma difícil fase legislativa na qual terão que conseguir apoio para detalhes de suas medidas de saúde e energia. O desconforto democrata com a a situação no Afeganistão se torna visível. Divisões no partido a respeito de investigações sobre o tratamento brutal dado a acusados de terrorismo pela gestão Bush ainda são sentidos. Além disso, planos de proteger leis da saúde de problemas no Senado podem causar todo tipo de complicações.

"Eles têm alguns problemas diante de si", disse o representante Tom Cole, republicano de Oklahoma, acrescentando que "o humor no cáucaso republicano é ótimo".

Talvez seja porque os republicanos perceberam que o único caminho de onde estão atualmente segue para cima.

- CARL HULSE

Opinião

 

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27/04/2009 10:22 AM

Relutante, Obama cede à comemoração de 100 dias de governo

WASHINGTON - Quando o assunto é a marca de seus 100 dias no governo, o presidente Barack Obama e sua equipe eram contra antes de aceitar a comemoração.

 

Segundo a Casa Branca, Obama nunca se importou muito com a ideia de comemorar seu centésimo dia no gabinete, que acontece na quarta-feira. Uma convenção jornalística armada, rotularam seus assistentes sênior.  (OK, eles têm uma certa razão.)

"Não será tão diferente assim do 99º", declarou o secretário de imprensa de Obama, Robert Gibbs. "Um motivo para a venda de cartões", disse o conselheiro sênior, David Axelrod.

Mas mesmo ao declarar um certo desdém pela pseudo-marca, os assessores de Obama silenciosamente abraçaram a ideia. Através de uma agenda meticulosamente planejada (um encontro em estilo comitê municipal em St. Louis, seguido de uma coletiva de imprensa em horário nobre) e um gerenciamento sofisticado da mídia, a Casa Branca se aproveita do insaciável apetite público por tudo que envolve Obama para usar o momento que marcará seus 100 dias a favor do presidente.


Equipe de Obama agendou uma série de eventos para seu 100º dia no poder / Getty Images

"Incríveis imagens de Obama", grita a manchete da revista online Slate. Claro que elas são incríveis, afinal de contas foram tiradas pelos fotógrafos oficiais do presidente a tempo do centésimo dia. Em uma, Obama com a primeira dama, em um momento particular, testa contra testa. Em outra, ele no ar, lançando bolas de basquete ao cesto com seu secretário de educação. Em Estrasburgo, França, durante uma profunda conversa com Axelrod.

"É como aquela antiga tática na qual o comediante pede que a plateia pare de aplaudir, mas faz movimentos para que continuem", disse Richard Stengel, editor da revista Time. "Eles estão fazendo a mesma coisa, dizendo, 'Isso não é muito importante, mas é importante'".

Stengel sabe o que diz. Sua revista veiculou esta semana com uma matéria de capa sobre os 100 Dias, escrita por Joe Klein, em óbvia colaboração com a Casa Branca.

Obama começou a tentar minimizar as expectativas para sua presidência poucas horas depois de sua eleição. "Pode ser que não seja possível chegarmos aonde queremos em um mandato", ele declarou a milhares de pessoas naquela noite de novembro no Parque Grant, em Chicago.

Ao fazer isso ele soou como outro novo presidente, John F. Kennedy Jr., que proclamou em seu Dia de Posse, "Isso tudo pode não ser conquistado nos primeiros 100 dias, tampouco nos primeiros 1.000 dias".

Mas agora que o centésimo dia se aproxima da Casa Branca, faz sentido político que a gestão se envolva. As pesquisas (sim,  as pesquisas dos 100 dias foram divulgadas - ninguém parece se importar com o fato de sexta-feira ter sido apenas o 95º dia) mostram que cerca de dois terços do público aprovam o trabalho de Obama. Portanto não há motivos para a Casa Branca evitar a comemoração.

Ao invés disso, os consultores de Obama tentam "gerenciar a data", nas palavras de um oficial sênior, ao colocar no palco seu melhor orador (o presidente) para que divulgue um relatório de progresso à nação. Obama falará sobre como, ainda que tenha começado a lidar com alguns dos principais desafios do país, ainda há muito trabalho a ser feito.

"Claramente eles perceberam que uma vez que terão tanta atenção do povo americano é melhor usá-la para comunicar a mensagem diretamente a ele", disse Anita Dunn, estrategista democrata que aconselhou informalmente a Casa Branca sobre os 100 dias.

E indiretamente. Com tantos veículos preparando especiais dos 100 dias, os principais assessores de Obama tentam moldar a cobertura. Marc Lippert, conselheiro para políticas externas, falou a um grupo de repórteres na sexta-feira. Axelrod respondeu perguntas de colunistas no Salão Roosevelt na quarta-feira.

Ainda que seja verdade que 100 dias não são o suficiente para se analisar uma presidência, Obama não vive tempos comuns. Ele subiu ao poder em um momento de crise, com uma agenda mais ambiciosa do que qualquer presidente desde aquele que estabeleceu a Convenção dos 100 Dias, Franklin D. Roosevelt. Então talvez seja apropriado prestar atenção.

"Se eu estivesse escrevendo sobre George H.W. Bush, não gastaria dois segundos em seus 100 dias e posso dizer o  mesmo de Nixon", disse Michael Beschloss, historiador presidencial. "Mas neste caso, se imaginar um historiador do futuro analisando a presidência de Obama, seria difícil imaginar que o que ele fez em três meses não teve enorme importância".

- SHERYL GAY STOLBERG

Opinião

 

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27/04/2009 09:37 AM

Editorial: Taleban se posiciona a 97 quilômetros de Islamabad

Se o exército indiano avançasse e se posicionasse a cerca de 97 quilômetros de Islamabad, você pode apostar que o exército do Paquistão seria totalmente mobilizado e defenderia seu país em qualquer batalha.

Ainda assim, quando o Taleban se aproximou da capital na sexta-feira, invadindo o importante distrito de Buner, as autoridades paquistanesas enviaram apenas algumas forças com poucos equipamentos.

No domingo, forças de segurança relataram um retrocesso. O último avanço do Taleban é um lembrete assustador de que a maioria dos paquistaneses (de civis de alto escalão a líderes militares e cidadãos comuns) ainda não entendem a ameaça mortal que estes militantes representam para sua frágil democracia. Além disso, é outro alerta a Washington para que não perca tempo permitindo tal negação.

Os paquistaneses não precisam olhar muito longe para ver como a vida seria sob o comando do Taleban. Desde que um acordo de paz apoiado pelo exército concedeu o Vale de Swat aos militantes, o Taleban fomentou revolta de classes e aterrorizou a região punindo atividades "não islâmicas" como a dança e a frequência de meninas à escola.

Quanto mais território o Paquistão ceder aos extremistas, mais espaço o Taleban e a Al-Qaeda terão para lançar ataques contra os Estados Unidos e as forças da Otan no Afeganistão.

E (mais assustador ainda) se o exército não conseguir ou quiser defender seu próprio território contra os militantes, como podemos saber que irão proteger as cerca de 60 bombas nucleares do Paquistão?

A secretária de Estado Hillary Clinton estava certa na semana passada quando alertou que o Paquistão está "abdicando ao Taleban". Líderes militares americanos também passaram se manifestar, mas por tempo demais eles insistiram que o general Ashfaq Parvez Kayani, líder do exército paquistanês, reconhecia a gravidade da ameaça. Nós certamente não vimos isso.

Na sexta-feira, mesmo enquanto Kayani insistia que a "vitória contra o terrorismo e a militância será conquistada a qualquer preço", ele continuava a defender o acordo de Swat. No domingo, oficiais do governo insistiram novamente que o acordo permanece forte apesar das óbvias violações do Taleban. Kayani reclama que suas tropas não têm as ferramentas adequadas para confrontar os militantes, como helicópteros e óculos de visão noturna.

O exército deveria ter usado parte dos cerca de US$ 12 bilhões que recebeu de Washington nos último sete anos para fazer exatamente isso, ao invés de gastar o dinheiro em equipamentos e treinamento para combater a Índia. A próxima rodada de ajuda deve incluir estes itens mas exigir que sejam usados no combate aos militantes.

Os fracos líderes civis paquistaneses, inclusive o presidente Asif Ali Zardari e o líder da oposição Nawaz Sharif, são cúmplices nesta perigosa farsa, gastando energia em rivalidades políticas. Eles precisam persuadir Kayani a mudar pelo menos parte de seu foco e muito mais recursos das fronteiras com a Índia para as fronteiras com o Afeganistão.

As coisas não estão muito fáceis no lado americano também. O presidente Barack Obama estava certo em reconhecer a necessidade de uma estratégia integrada lidando tanto com o Afeganistão quanto com o Paquistão. Mas sua equipe tem muito mais trabalho pela frente, inclusive encontrando formas de fortalecer o governo paquistanês e sua vontade política.

O Congresso está lidando com dois projetos diferentes que aumentariam a ajuda ao Paquistão. Qualquer deles que prevalecer deve instaurar pontos de referência claros, especialmente em relação aos gastos militares. Como o Paquistão, Washington não pode gastar mais tempo tentando entender o caminho adiante - não com o Taleban a 97 quilômetros de Islamabad.

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27/04/2009 09:28 AM

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