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New York Times




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Comentário: dinheiro por nada

Em 15 de julho de 2007, “The New York Times” publicou um artigo com o título “Os mais ricos dos ricos, orgulho da era dourada”. O mais proeminente dos “novos titãs” descritos era Sanford Weill, ex-presidente do Citigroup. Ele alegou que ele e seus colegas conseguiram suas imensas riquezas por meio de suas contribuições com a sociedade.

Pouco tempo após a impressão do artigo, o edifício financeiro de Weill foi glorificado por ajudar a construir um colapso, causando um imenso dano colateral no processo. Mesmo se conseguíssemos evitar uma repetição da Grande Depressão, a economia mundial levaria anos para se recuperar dessa crise.

De todas as explicações de por que deveríamos ser perturbados por um artigo no “Times” de domingo, relatando que pagar pelo investimento de bancos, após a queda do ano passado, está ficando na moda novamente – exatamente para os níveis de 2007.

Por que isso incomoda? Deixe-me contar porquê.

Primeiro, não há mais razões para acreditar que os magos de Wall Street realmente contribuem com algo positivo para a sociedade, muito menos o suficiente para justificar aqueles enormes salários.

Lembre-se de que a Wall Street dourada de 2007 foi claramente um novo fenômeno. Dos anos 30 até por volta de 1980, os bancos eram moderados, um negócio entediante que não pagava melhor, mas a média do que outras áreas, ainda que mantivessem a economia funcionando.

Então por que alguns banqueiros de repente começaram a fazer vastas fortunas? Disseram-nos que foi uma recompensa pela criatividade que tiveram – pela inovação financeira. No entanto, a esse ponto, é difícil pensar em quaisquer maiores inovações financeiras recentes, que realmente auxiliaram a sociedade, considerando o contrário de novo formas de explodir bolhas, esquivar-se de regulações e implementar de fato o esquema Ponzi (tipo de operação fraudulenta de investimentos).

Considere um discurso recente de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed- Banco Central dos EUA), no qual ele tenta defender a inovação financeira. Seus exemplos de “boas” inovações financeiras foram: cartão de crédito (não exatamente uma nova idéia); retirada excessiva de dinheiro do banco; e hipotecas subprime (não estou inventando isso). Isso foi pelo o que os banqueiros receberam tanta grana?

Ainda assim, você deve argumentar que temos uma economia de mercado livre, é do setor privado a decisão de quanto valem seus funcionários. Mas isso me traz ao segundo ponto: Wall Street não faz mais parte, em qualquer lógica real, do setor privado. É da alçada do Estado, cada parte depende do auxílio do governo como receptor da Assistência Temporária para Famílias Necessitadas, também conhecido por “auxílio-desemprego”.

Não estou falando apenas dos US$ 600 bilhões, ou mais, já comprometidos com o Troubled Assets Relief Problems (TARP – Auxílio aos problemas com ativos tóxicos, em tradução livre) Também há grandes linhas de crédito concedidas pelo Fed; empréstimos de larga escala pelo Banco Federal de Empréstimos Domésticos e o pagamento das dívidas dos contratos da AIG financiado pelos contribuintes. Além disso, tem a vasta expansão das garantias da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, agência federal de garantia de depósitos bancários dos EUA) e, mais amplamente, o comércio bancário implícito fornecido para cada empresa financeira considerada grande demais ou estratégica demais para falir.

Alguém pode argumentar que é necessário recuperar Wall Street para proteger a economia como um todo – e, na verdade, eu concordo. Mas dado todo o dinheiro do contribuinte em jogo, as empresas financeiras deviam agir como utilidades públicas e não voltar às práticas e salários de 2007.

Além disso, pagar vastas somas para os velhacos não é apenas escandaloso, mas também perigoso. Por que, afinal de contas, os banqueiros se arriscam tanto? Porque o sucesso – ou mesmo o aspecto temporário do sucesso – oferece recompensas gigantescas: Mesmo os executivos que quebram suas empresas podem e conseguem sair com centenas de milhões. Agora, estamos vendo recompensas similares sendo oferecidas para pessoas que podem jogar seus jogos arriscados com o dinheiro do Estado.

Então o que está acontecendo? Por que salários voltaram a ser estratosféricos? Afirmações de que as empresas têm de pagar esses salários para manter o melhor pessoal não é plausível: Com o salto no desemprego do setor financeiro, para onde vão essas pessoas?

Não, a razão pela qual as empresas financeiras estão pagando altos salários novamente é, simplesmente, porque eles podem. Eles estão fazendo dinheiro de novo (embora não o tanto que afirmam), graças a todas essas garantias federais e empréstimos a juros muito mais altos. Então é comer, beber e ser feliz, porque até amanhã você deve ser ajustado.

Ou talvez não. Há uma sensação evidente na imprensa financeira de que a tempestade passou: As ações estão em alta, o barulho da economia deve estar desnivelando, e a administração de Obama provavelmente deixa os banqueiros com nada menos do que discursos firmes. Certamente ou erroneamente, os banqueiros parecem acreditar que voltar aos negócios como era antes é ali na esquina.

Só podemos esperar que nossos líderes provem o contrário, e persistam na reforma verdadeira. Em 2008, banqueiros com altos salários assumindo grandes riscos com o dinheiro de outras pessoas trouxeram a economia a seus pés. A última coisa que precisamos dar-lhes é uma chance de fazer tudo de novo.

Por PAUL KRUGMAN


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27/04/2009 07:20 PM

Internet cresce sem perspectiva de lucros em países em desenvolvimento

O Facebook tem crescido muito na Turquia e na Indonésia. A audiência do YouTube quase duplicou na Índia e no Brasil. Isso pode parecer uma boa notícia, mas também é um dos principais motivos pelos quais estas e outras companhias da internet com grandes audiências globais e marcas renomadas lutam para conseguir algum lucro.

É o chamado Paradoxo Internacional.

Companhias da internet que dependem de propagandas estão passando por um vibrante crescimento em países em desenvolvimento. Mas estes são os lugrares nos quais sua operação pode ser mais cara, uma vez que companhias da web geralmente precisam de mais servidores para disponibilizar conteúdo a uma parte do mundo na qual a banda é limitada. E nestes países, a propaganda online dificilmente é convertida em lucros.

Esta difícil contradição se tornou um problema sério para sites de compartilhamento de fotos, redes sociais e distribuidores de vídeos como o YouTube. Além disso, ameaça um fervente idealismo dos empreendedores da internet, que esperavam unir o mundo em uma única aldeia virtual mas descobriram que o fator econômico desta visão pode não funcionar.

NYT

Local público para acessar a internet por hora

No ano passado, o Veoh, um site de compartilhamento de vídeos operado em San Diego, decidiu bloquear seus serviços na África, Ásia, América Latina e Leste europeu, dizendo não conseguir manter o alto custo das operações nestes locais.

"Eu acredito em comunicações livres e abertas", disse Dmitry Shapiro, chefe executivo da companhia. "Mas estas pessoas estão tão famintas por conteúdo. Elas assistem e assistem e assistem. O problema é que comem banda e isso dificulta que seja possível qualquer lucro".

Empresas de internet que surgiram durante a era Web 2.0, por volta de 2004 até o começo da recessão no final de 2007, geralmente seguiam um mapa amplamente aceito. Construir enormes audiências globais com um serviço gratuito e deixar a propaganda arcar com os custos.

Mas muitos se depararam com a realidade econômica global. Há cerca de 1.6 bilhão pessoas com conexão à internet em todo o mundo, mas pouco menos da metade delas têm rendas que interessam aos anunciadores.

"Este é um problema que toda companhia de internet tem", disse Michelangelo Volpi, chefe executico da Joost, um site de vídeos com metade de sua audiência fora dos Estados Unidos.


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27/04/2009 04:37 PM

EUA declaram emergência sanitária conforme casos de gripe suína aumentam

Respondendo ao que parece ser uma pandemia global com origem no México, oficiais da saúde americanos declararam emergência sanitária no domingo, conforme 20 casos da gripe suína foram confirmados no país, incluindo oito em Nova York.


Outros países impuseram proibições a viagens ou fizeram planos para colocar viajantes em quarentena enquanto casos confirmados foram detectados no México, Canadá e Estados Unidos, e suspeitados em outros países.

Especialistas mundiais em gripe tentaram prever quão perigosa é a doença que tem origem no vírus A (H1N1) quando ficou claro que existem poucas informações sobre a epidemia mexicana (principalmente sobre quantos casos aconteceram em um mês antes da epidemia ser percebida e se o vírus está mudando para uma forma mais ou menos letal).

Sem esse conhecimento (que não deve acontecer em breve porque apenas dois laboratórios, em Atlanta e Winnipeg, conseguem confirmar os casos) o painel de especialistas não parecia disposto a elevar o nível de alerta global sobre uma pandemia, apesar de considerar a doença uma emergência sanitária e ter aberto um centro de atendimento para dúvidas.

Investigadores americanos disseram ter esperado a maioria dos casos locais,  mas alertaram que quase todos até então foram medianos e pediram que os americanos não entrem em pânico.

EFE
Gripe suína começa a se espalhar pelo México e já apresenta focos nos EUA


A declaração de emergência permite que o governo libere mais dinheiro para remédios contra o vírus e autorize a medicação de crianças com vacinas em fase de testes. Um quarto da reserva de 50 milhões de doses de vacinas contra a gripe do país será distribuído imediatamente.

Agentes de patrulha da fronteira e segurança de aeroportos irão perguntar aos viajantes se eles têm sinais de gripe ou febre, os que parecerem doentes serão parados e terão que usar máscaras até que consigam atendimento médico.

Além dos oito casos de Nova York, os oficiais confirmaram sete na Califórnia, dois no Kansas, dois no Texas e um em Ohio. O vírus parece idêntico ao existente no México e que matou pelo menos 106 pessoas e adoeceu outras 1,600. Até a noite de domingo, nenhuma morte foi registrada nos Estados Unidos e apenas uma hospitalização.

Outros governos tentaram conter a infecção em meio a relatos de possíveis novos casos, incluindo Nova Zelândia, Hong Kong e Espanha.



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27/04/2009 04:10 PM

100 Dias: Republicanos esperam por melhoras após período de declínio

WASHINGTON - Para os congressistas republicanos estes 100 primeiros dias da gestão Obama pareceram mil. Levados à minoria, eles confrontam um presidente democrata altamente popular e se exasperam com o reinado ousado da Câmara e do Senado.

 

Eles procuraram uma estratégia eficaz para combater o presidente Barack Obama, mas não têm uma mensagem ou mensageiro dominante e encontram dificuldades em por em prática mesmo os temas utilizados com sucesso no passado.

Na sexta-feira, eles oficialmente perderam uma eleição especial da Câmara em Nova York que por direito deveriam ter ganhado. Além disso, estão perto de uma relação 59 contra 41 no Senado, ou a quase eliminação por falta de votos.

"Nos primeiros 100 dias do presidente Obama nós não encontramos nossa voz", disse o senador Lamar Alexander do Tennessee, o republicano número três no Senado. "Mas nos primeiros 100 dias não foi preciso. Ele está com a bola".

Como muitos outros em seu partido, Alexander disse acreditar que os republicanos recentemente se firmaram depois de um começo difícil da era Obama.

O representante Adam H. Putnam da Florida, ex-líder republicano da Câmara, disse: "Os últimos 20 dias foram melhores do que os 80 primeiros. Nós lutamos para encontrar nosso ritmo em uma nova ordem mundial, mas nos recuperamos".

Os republicanos orgulhosamente atestam sua capacidade de união, lembrando que apenas três republicanos do Senado apoiaram o pacote de estímulo de US$ 787 bilhões (apesar de terem fornecido a margem crucial para vitória), enquanto nenhum votou pelos orçamentos aprovados pela Câmara e Senado.

Eles dizem estar retomando a conexão com seus principais eleitores ao enfatizar o que veem como gastos exagerados dos democratas. Além disso, acreditam estar preparando um retorno ao se posicionar solidamente à direita de inúmeras questões em preparo ao aumento dos gastos na agenda democrata.

"Nós estamos definindo o debate e gerando restrições, possivelmente criando alternativas positivas", disse o senador John Thune de Dakota do Sul. "É para isso que estamos aqui".

Mas é difícil, reconheceu Thune, dizendo que Obama "está sobre uma onda de popularidade e que os democratas no Congresso têm muito espaço com o povo americano".

No entanto, há sinais de alívio republicano no horizonte. Os democratas estão entrando em uma difícil fase legislativa na qual terão que conseguir apoio para detalhes de suas medidas de saúde e energia. O desconforto democrata com a a situação no Afeganistão se torna visível. Divisões no partido a respeito de investigações sobre o tratamento brutal dado a acusados de terrorismo pela gestão Bush ainda são sentidos. Além disso, planos de proteger leis da saúde de problemas no Senado podem causar todo tipo de complicações.

"Eles têm alguns problemas diante de si", disse o representante Tom Cole, republicano de Oklahoma, acrescentando que "o humor no cáucaso republicano é ótimo".

Talvez seja porque os republicanos perceberam que o único caminho de onde estão atualmente segue para cima.

- CARL HULSE

Opinião

 

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27/04/2009 10:22 AM

Relutante, Obama cede à comemoração de 100 dias de governo

WASHINGTON - Quando o assunto é a marca de seus 100 dias no governo, o presidente Barack Obama e sua equipe eram contra antes de aceitar a comemoração.

 

Segundo a Casa Branca, Obama nunca se importou muito com a ideia de comemorar seu centésimo dia no gabinete, que acontece na quarta-feira. Uma convenção jornalística armada, rotularam seus assistentes sênior.  (OK, eles têm uma certa razão.)

"Não será tão diferente assim do 99º", declarou o secretário de imprensa de Obama, Robert Gibbs. "Um motivo para a venda de cartões", disse o conselheiro sênior, David Axelrod.

Mas mesmo ao declarar um certo desdém pela pseudo-marca, os assessores de Obama silenciosamente abraçaram a ideia. Através de uma agenda meticulosamente planejada (um encontro em estilo comitê municipal em St. Louis, seguido de uma coletiva de imprensa em horário nobre) e um gerenciamento sofisticado da mídia, a Casa Branca se aproveita do insaciável apetite público por tudo que envolve Obama para usar o momento que marcará seus 100 dias a favor do presidente.


Equipe de Obama agendou uma série de eventos para seu 100º dia no poder / Getty Images

"Incríveis imagens de Obama", grita a manchete da revista online Slate. Claro que elas são incríveis, afinal de contas foram tiradas pelos fotógrafos oficiais do presidente a tempo do centésimo dia. Em uma, Obama com a primeira dama, em um momento particular, testa contra testa. Em outra, ele no ar, lançando bolas de basquete ao cesto com seu secretário de educação. Em Estrasburgo, França, durante uma profunda conversa com Axelrod.

"É como aquela antiga tática na qual o comediante pede que a plateia pare de aplaudir, mas faz movimentos para que continuem", disse Richard Stengel, editor da revista Time. "Eles estão fazendo a mesma coisa, dizendo, 'Isso não é muito importante, mas é importante'".

Stengel sabe o que diz. Sua revista veiculou esta semana com uma matéria de capa sobre os 100 Dias, escrita por Joe Klein, em óbvia colaboração com a Casa Branca.

Obama começou a tentar minimizar as expectativas para sua presidência poucas horas depois de sua eleição. "Pode ser que não seja possível chegarmos aonde queremos em um mandato", ele declarou a milhares de pessoas naquela noite de novembro no Parque Grant, em Chicago.

Ao fazer isso ele soou como outro novo presidente, John F. Kennedy Jr., que proclamou em seu Dia de Posse, "Isso tudo pode não ser conquistado nos primeiros 100 dias, tampouco nos primeiros 1.000 dias".

Mas agora que o centésimo dia se aproxima da Casa Branca, faz sentido político que a gestão se envolva. As pesquisas (sim,  as pesquisas dos 100 dias foram divulgadas - ninguém parece se importar com o fato de sexta-feira ter sido apenas o 95º dia) mostram que cerca de dois terços do público aprovam o trabalho de Obama. Portanto não há motivos para a Casa Branca evitar a comemoração.

Ao invés disso, os consultores de Obama tentam "gerenciar a data", nas palavras de um oficial sênior, ao colocar no palco seu melhor orador (o presidente) para que divulgue um relatório de progresso à nação. Obama falará sobre como, ainda que tenha começado a lidar com alguns dos principais desafios do país, ainda há muito trabalho a ser feito.

"Claramente eles perceberam que uma vez que terão tanta atenção do povo americano é melhor usá-la para comunicar a mensagem diretamente a ele", disse Anita Dunn, estrategista democrata que aconselhou informalmente a Casa Branca sobre os 100 dias.

E indiretamente. Com tantos veículos preparando especiais dos 100 dias, os principais assessores de Obama tentam moldar a cobertura. Marc Lippert, conselheiro para políticas externas, falou a um grupo de repórteres na sexta-feira. Axelrod respondeu perguntas de colunistas no Salão Roosevelt na quarta-feira.

Ainda que seja verdade que 100 dias não são o suficiente para se analisar uma presidência, Obama não vive tempos comuns. Ele subiu ao poder em um momento de crise, com uma agenda mais ambiciosa do que qualquer presidente desde aquele que estabeleceu a Convenção dos 100 Dias, Franklin D. Roosevelt. Então talvez seja apropriado prestar atenção.

"Se eu estivesse escrevendo sobre George H.W. Bush, não gastaria dois segundos em seus 100 dias e posso dizer o  mesmo de Nixon", disse Michael Beschloss, historiador presidencial. "Mas neste caso, se imaginar um historiador do futuro analisando a presidência de Obama, seria difícil imaginar que o que ele fez em três meses não teve enorme importância".

- SHERYL GAY STOLBERG

Opinião

 

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27/04/2009 09:37 AM

Editorial: Taleban se posiciona a 97 quilômetros de Islamabad

Se o exército indiano avançasse e se posicionasse a cerca de 97 quilômetros de Islamabad, você pode apostar que o exército do Paquistão seria totalmente mobilizado e defenderia seu país em qualquer batalha.

Ainda assim, quando o Taleban se aproximou da capital na sexta-feira, invadindo o importante distrito de Buner, as autoridades paquistanesas enviaram apenas algumas forças com poucos equipamentos.

No domingo, forças de segurança relataram um retrocesso. O último avanço do Taleban é um lembrete assustador de que a maioria dos paquistaneses (de civis de alto escalão a líderes militares e cidadãos comuns) ainda não entendem a ameaça mortal que estes militantes representam para sua frágil democracia. Além disso, é outro alerta a Washington para que não perca tempo permitindo tal negação.

Os paquistaneses não precisam olhar muito longe para ver como a vida seria sob o comando do Taleban. Desde que um acordo de paz apoiado pelo exército concedeu o Vale de Swat aos militantes, o Taleban fomentou revolta de classes e aterrorizou a região punindo atividades "não islâmicas" como a dança e a frequência de meninas à escola.

Quanto mais território o Paquistão ceder aos extremistas, mais espaço o Taleban e a Al-Qaeda terão para lançar ataques contra os Estados Unidos e as forças da Otan no Afeganistão.

E (mais assustador ainda) se o exército não conseguir ou quiser defender seu próprio território contra os militantes, como podemos saber que irão proteger as cerca de 60 bombas nucleares do Paquistão?

A secretária de Estado Hillary Clinton estava certa na semana passada quando alertou que o Paquistão está "abdicando ao Taleban". Líderes militares americanos também passaram se manifestar, mas por tempo demais eles insistiram que o general Ashfaq Parvez Kayani, líder do exército paquistanês, reconhecia a gravidade da ameaça. Nós certamente não vimos isso.

Na sexta-feira, mesmo enquanto Kayani insistia que a "vitória contra o terrorismo e a militância será conquistada a qualquer preço", ele continuava a defender o acordo de Swat. No domingo, oficiais do governo insistiram novamente que o acordo permanece forte apesar das óbvias violações do Taleban. Kayani reclama que suas tropas não têm as ferramentas adequadas para confrontar os militantes, como helicópteros e óculos de visão noturna.

O exército deveria ter usado parte dos cerca de US$ 12 bilhões que recebeu de Washington nos último sete anos para fazer exatamente isso, ao invés de gastar o dinheiro em equipamentos e treinamento para combater a Índia. A próxima rodada de ajuda deve incluir estes itens mas exigir que sejam usados no combate aos militantes.

Os fracos líderes civis paquistaneses, inclusive o presidente Asif Ali Zardari e o líder da oposição Nawaz Sharif, são cúmplices nesta perigosa farsa, gastando energia em rivalidades políticas. Eles precisam persuadir Kayani a mudar pelo menos parte de seu foco e muito mais recursos das fronteiras com a Índia para as fronteiras com o Afeganistão.

As coisas não estão muito fáceis no lado americano também. O presidente Barack Obama estava certo em reconhecer a necessidade de uma estratégia integrada lidando tanto com o Afeganistão quanto com o Paquistão. Mas sua equipe tem muito mais trabalho pela frente, inclusive encontrando formas de fortalecer o governo paquistanês e sua vontade política.

O Congresso está lidando com dois projetos diferentes que aumentariam a ajuda ao Paquistão. Qualquer deles que prevalecer deve instaurar pontos de referência claros, especialmente em relação aos gastos militares. Como o Paquistão, Washington não pode gastar mais tempo tentando entender o caminho adiante - não com o Taleban a 97 quilômetros de Islamabad.

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27/04/2009 09:28 AM

Editorial - O horror de um aperto de mãos

Os republicanos têm previsto o declínio do poder americano desde que o presidente Barack Obama foi fotografado na cúpula regional da semana passada apertando a mão do presidente Hugo Chávez da Venezuela e (suspiro!) sorrindo.

O ex-vice-presidente Dick Cheney alertou que o ato de civilidade seria visto como sinal de "fraqueza". Newt Gingrich, que pode estar preparando suas habilidades de ataque para uma disputa presidencial, disse que o comportamento de Obama encoraja os "inimigos da América".

Nós não temos paciência para Chávez. Ele foi eleito como representante dos pobres e se transformou em um autocrata padrão (usando o antiamericanismo para divergir a atenção do fracasso de suas políticas econômicas e de um abuso de poder cada vez mais audacioso).

Mas a Venezuela não é uma ameaça estratégica e este país pagou um preço alto demais tanto em poder quanto em influência pela postura agressiva do ex-presidente George W. Bush.

Obama foi eleito por prometer fazer as coisas de maneira diferente. Na cúpula das Américas, anos de antagonismo foram substituídos por uma vontade de começar novos relacionamentos com Washington. Obama desarmou a bravata de Chávez com aquele aperto de mãos e sua promessa de um "novo começo" com Cuba.

Claro, Obama tem que fazer ainda mais: oferecendo mais e pedindo mais de seus semelhantes. Mesmo ao tentar negociar com Cuba ao facilitar (e, esperamos, eventualmente encerrar) um embargo contraproducente, ele deve pressionar Havana a respeito de direitos humanos e reformas democráticas. Ele deve pressionar Chávez nas mesmas questões.

A lógica de sua estratégia para o Irã é dar a Teerã uma chance de quebrar o gelo com ofertas de negociações e incentivos econômicos e de segurança. Se Teerã não aceitar a oferta (os primeiros sinais não são promissores) ele deve construir apoio para sanções internacionais mais rígidas para restringir o programa nuclear iraniano.

O presidente também terá que pedir mais dos amigos da América. A Europa o tratou como astro do rock durante sua passagem pelo continente, mas ele não conseguiu o apoio necessário para a missão da Otan no Afeganistão.

Nada disso será fácil e Obama será responsabilizado por cada passo que der (não apenas por sua retórica e fotografias bem tiradas). Mas começar com um aperto de mãos ao invés de um punho fechado faz muito mais sentido.

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24/04/2009 02:39 PM

Pesquisas para cura do câncer mostram poucos avanços

O câncer sempre foi uma prioridade de gastos. Desde os anos 1970, o Instituto Nacional do Câncer, a principal entidade de pesquisa governamental sobre a doença, gastou US$105 bilhões.

Ainda assim, o índice de morte por câncer, ajustado por tamanho e idade da população, caiu apenas 5% entre 1950 e 2005. Em contraste, o índice de mortes por doenças do coração caiu 64% no mesmo período e por gripe e pneumonia, 58%.

Mesmo assim, a percepção, alimentada pela profissão médica e seus propagandistas, além de um sentimento popular, é de que o câncer pode quase sempre ser prevenido. Se isso não funcionar, geralmente ele pode ser tratado e até vencido.

A boa notícia é que muitas pessoas cujo câncer não se espalhou se recuperam bem, como no passado. Em alguns casos, como o câncer de mama precoce, remédios que surgiram na última década transformaram prognósticos bons em ótimos. E alguns cânceres raros, como a leucemia mielóide crônica, podem ser controlados durante anos com novos remédios.

Mas a dificuldade é quando o câncer se espalha. Com o câncer de mama, por exemplo, apenas 20% dos pacientes com a doença metástica (o câncer que se espalhou para além da mama) vivem cinco anos ou mais, algo que quase não mudou desde o começo da guerra contra a doença.

Quanto à prevenção, o progresso é assustadoramente lento. Apenas algumas coisas (como parar de fumar, por exemplo) fazem alguma diferença. E apesar das propagandas que dizem o contrário, estudos rigorosos sobre métodos de prevenção como dietas com alta dosagem de fibra e pouca gordura, vitaminas ou selênio, não parecem surtir efeito.

O que acontece?

O câncer é difícil de ser tratado - não se trata de uma única doença e ninguém encontrou o elo mais fraco nas células cancerígenas que levaria a uma cura.

Também existem impedimentos desnecessários. As pesquisas seguem de tendência em tendência - vírus cancerígenos, imunologia, genética. Grupos de defesa direcionam os estudos de forma que nem sempre propulsiona a ciência.

Além disso, apesar de todo dinheiro investido em pesquisas, nunca há o suficiente para um estudo inovador, do tipo que pode mudar fundamentalmente a forma como os cientistas entendem o câncer ou os médicos tratam. Tais estudos são arriscados, menos prováveis de funcionar do que os que são mais incrementais.

"Na verdade, esta é a maior ameaça", disse Dr. Robert C. Young, chanceler do Centro Fox Chase Para o Câncer na Filadélfia.. "Toda organização diz, 'Sim, nós queremos investir em pesquisas de alto risco'. E eu acho que realmente querem, mas na verdade não o fazem".

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24/04/2009 02:23 PM

Ansiedade pela crise financeira impulsiona venda de remédios contra insônia nos EUA

Mais de um em cada quatro americanos dizem ter perdido o sono por causa da crise econômica - revirando-se na cama enquanto pensam em finanças pessoais, na economia, na segurança de seus empregos e nos custos da saúde.

Estes é o resultado de uma pesquisa divulgada no mês passado pela Fundação Nacional do Sono, um grupo sem fins lucrativos financiado por fontes federais e particulares, que incluem cuidados com a saúde, como Merck, Wyeth e Johnson & Johnson, além de fabricantes de colchão como a Sealy.

Não é uma surpresa, então, que algumas pílulas para dormir tenham tido vendas maiores nos últimos meses.

No periodo de quatro semanas, que terminou no dia 22 de março, as vendas de Advil PM, remédio que combina o alívio da dor com a ajuda a dormir, aumentaram 16% em comparação ao mesmo período no ano passado. As vendas do Tylenol PM, principal analgésico e remédio para dormir, aumentaram 6% neste período.

De acordo com um relatório recente da empresa de pesquisas Packaged Facts, a idade do grupo mais inclinado a sofrer de insônia  é de pessoas de 55 a 64 anos, que podem sofrer de artrite ou outras doenças e estão 26% mais propensos do que o consumidor comum a comprar remédios que combinam o uso de analgésicos à ajuda para dormir.

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24/04/2009 02:19 PM

Desempregado, Cheney adota postura incontrita e desenfreada

WASHINGTON - Nos três meses que se passaram desde que deixou o cargo de vice-presidente, Dick Cheney abandonou o velho roteiro de Washington que determina que ex-presidentes e seus vices devem retomar a vida civil silenciosamente. Ele usou uma série de entrevistas para dar início a uma campanha em nome de seu legado.

Mesmo antes do presidente Barack Obama divulgar os memorandos secretos sobre técnicas de interrogatório aprovadas pela gestão Bush, Cheney, como parte da pesquisa de sua biografia, havia pedido que os Arquivos Nacionais abrissem dois outros documentos que, segundo ele, irão mostrar que estas técnicas conseguiram informações úteis, de acordo com sua filha, Liz, que o está ajudando a organizar e escrever o livro. Os documentos não falam sobre táticas específicas, afirmou Liz Cheney.

Quando a gestão Obama divulgou os memorandos, Cheney pediu que os arquivos acelerassem sua solicitação - e fez barulho esta semana ao anunciar isso em uma entrevista na rede Fox News.

O ex-presidente George W. Bush disse que Obama "merece meu silêncio", mas Cheney, que contou ao jornalista Sean Hannity ter falado com Bush apenas uma vez desde que deixaram a Casa Branca, não tem a mesma opinião.

"Eu acho que ele acredita que é importante deixar claro, especialmente em relação à segurança nacional, que não iremos abandonar essas políticas e que nos lembramos do fato de que estamos em guerra", disse Liz Cheney na quinta-feira. "Quando ele vê a atual gestão tomar decisões que prejudicam a segurança da nação, ele não acredita que haja nenhuma obrigação de silêncio neste caso".

Obama repudiou a gestão Bush em inúmeras ocasiões, e nas suas entrevistas, Dick Cheney retrucou. Falando ao Politico em fevereiro, ele alertou para a "alta probabilidade" de outro ataque terrorista.

Na CNN, ele sugeriu que Obama está usando a crise econômica para justificar a grande expansão do governo. Para os democratas, Cheney é a pessoa ideal para lembrar o país de todos os motivos pelos quais os republicanos perderam o cargo. "Eu acho que o país deu seu veredito no outono a respeito de Cheney e do Cheneyismo", disse David Axelrod, conselheiro sênior de Obama.

Mas alguns conservadores, sentindo-se excluídos ultimamente, são gratos pelo fato de Cheney falar o que pensa. John R. Bolton, ex-embaixador americano nas Nações Unidas, disse que depois de ter que trabalhar com as políticas de Bush, Cheney deve estar se sentindo livre.

"Chegou a hora dele ter direito a uma opinião sua novamente", disse Bolton. "Agora não existe necessidade de silêncio".

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24/04/2009 02:15 PM

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