O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste sábado, em Washington, que chegou a hora de Cuba voltar a integrar o Fundo Monetário Internacional (FMI). O pedido de Mantega foi feito durante seu pronunciamento no Comitê Internacional Monetário e de Finanças do FMI e reiterado após o discurso, durante uma entrevista coletiva realizada na sede do Fundo."Pedi a entrada de Cuba no FMI. Cuba foi marginalizada durante todo esse tempo de qualquer atividade econômica. E hoje não há mais nenhuma razão para que isso aconteça. Nós temos notado que há um relaxamento inclusive dos Estados Unidos. Dentro desse clima de entendimento, um passo adicional seria que Cuba também participasse do Fundo Monetário'', disse Mantega a um grupo de jornalistas.
Cuba se retirou do FMI em 1964, no auge da Guerra Fria e dois anos após os Estados Unidos ter decretado um embargo econômico contra o país caribenho. O FMI conta com 185 países membros. Entre os poucos que não fazem parte do órgão estão nações como Taiwan, Cuba e Coréia do Norte.
Em seu discurso, Mantega afirmou que "'o FMI se orgulha, com razão, do seu caráter universal. Isso, porém, poderia ser melhorado, corrigindo uma omissão que perdura por muito tempo. Refiro-me, naturalmente, a Cuba, o único país do Hemisfério Ocidental que não é membro da instituição. É chegada a hora de abrirmos as portas para Cuba''.
Virar a página Mantega disse que seu pedido foi feito de comum acordo com Brasília e que a nação caribenha está hoje num processo de reintegração na economia mundial. "Precisamos virar esta página porque isso também ajuda as mudanças internas (em Cuba).'' "Eu não posso falar por Cuba, caberá a Cuba se manifestar, fazer um pedido formal. Agora, é melhor ela fazer um pedido formal se as portas estiverem abertas do que se as portas estiverem fechadas'', acrescentou.
Ao mesmo tempo em que defendeu, inesperadamente, a inclusão de Cuba no FMI, Mantega criou mal-estar com a delegação da Espanha no FMI após ter dito que o país não poderá participar de futuros encontros do G20 porque não é membro do bloco e acrescentou que não se pode dar continuidade à prática de convidar para reuniões nações que não integram o G20.
Na sexta-feira, os Estados Unidos não convidaram a Espanha a participar da reunião ministerial do G20 realizada em Washington, logo após o encontro do G7.
"O G20 está composto por 20 países e ponto. O que não dá é para, numa reunião, o país chegar e falar: agora, vou convidar a Tchecoslováquia, agora eu resolvi convidar o Paraguai'', afirmou.
Mal-estar Os comentários de Mantega sobre a Espanha, feitos durante a conversa com jornalistas, foram divulgados em sites de notícias espanhóis.
Para dissipar o potencial estrago de suas declarações, Mantega se reuniu pouco depois com a ministra da Fazenda da Espanha, Helena Salgado, voltou a falar com jornalistas e recuou em relação às suas afirmações anteriores.
"O que temos que fazer é discutir as regras de funcionamento do G20. O G20 tem 20 membros. Não é possível que cada membro traga uma nova pessoa, porque, senão rapidamente o G20 viraria G30, G40, sem critério." "Não foi uma posição contra a Espanha. Não havia qualquer razão para um impedimento por parte do Brasil sobre a participação espanhola. Se me perguntassem que país deveria participar do G20, eu diria que é a Espanha'', afirmou Mantega, contradizendo o que havia afirmado anteriormente.
Após um período de "estranhamento" entre os dois países, o governo brasileiro trabalha com um cenário "mais favorável" nas relações com o Equador para os próximos anos. A visão do Itamaraty é de que o Equador vinha de um período de "transformações" e que, com a provável reeleição neste domingo, o presidente Rafael Correa terá espaço político para "baixar o tom" em seus discursos contra empresas estrangeiras, incluindo as brasileiras.
"Os problemas que tivemos no ano passado foram fruto de um período de transformações no país. E tudo indica que essa fase está se dissipando", disse um diplomata à BBC Brasil.
Em outubro, o governo equatoriano decidiu expulsar a brasileira Odebrecht do país, alegando falhas na hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa.
Um mês depois, o presidente Correa suspendeu o pagamento pela obra, que havia sido financiada pelo BNDES. O pedido de anulação da dívida, no valor de US$ 243 milhões, foi levado à Câmara de Comércio Internacional sem que o governo brasileiro fosse consultado - gerando um mal-estar entre os dois países.
O Itamaraty diz que o episódio foi um "mal entendido" e que as relações entre os dois países melhoraram.
"Mas ainda não estão 100% normalizadas", diz o diplomata.
A avaliação é de que, com um novo mandato, Correa poderá governar sem a pressão política que o levou a adotar um discurso contrário ao capital estrangeiro.
Segundo plano
Um dos grandes projetos conjuntos entre Brasil e Equador é a construção do Eixo Multimodal Manta-Manaus, um complexo de vias fluviais, terrestres e aéreas que atravessará os dois países, ligando o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico.
O projeto, no entanto, foi colocado "em segundo plano" pelo governo brasileiro, até que a situação com o BNDES seja totalmente resolvida.
Apesar de a dívida ainda estar sendo analisada pela Câmara de Comércio Internacional, duas parcelas já foram pagas.
A terceira e última parcela vence em junho e, se quitada, será vista pelo governo brasileiro como um sinal "extremamente positivo". "Aí sim as relações poderão voltar a bem próximo do que era antes", diz o diplomata.
Lula ou Chávez?
Apesar do discurso nacionalista do presidente equatoriano e de uma nova Constituição com cunho estatizante, os analistas de mercado também apostam na retomada das relações entre Brasil e Equador sob um novo mandato de Correa.
O motivo está na crise financeira e na queda do preço do petróleo. Segundo analistas, o presidente do Equador vai precisar "ainda mais" do Brasil nesse segundo mandato.
"Seria imprudente nesse momento se aproximar do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que também está perdendo forças em função da queda do petróleo", diz o analista para América Latina de um banco alemão.
Ainda de acordo com o economista, as portas de Washington estariam "fechadas" para o Equador, sobretudo em função da moratória da dívida externa, decretada no final do ano passado.
"Se o presidente Correa tiver uma postura racional, ele vai procurar restabelecer as relações com o Brasil", diz o analista.
O analista Gilberto Souza, da BES Investimentos, diz que o Equador "precisa muito mais do Brasil do que o contrário" e que a economia equatoriana passa por "maus momentos".
"O Equador é responsável por apenas 0,1% da produção da Petrobras, por exemplo. Claro, nunca é bom perder dinheiro. Mas se alguma coisa acontecer, quem sai perdendo é a economia equatoriana", diz.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou neste sábado em São Paulo que deve passar por um tratamento contra câncer no sistema linfático, depois que foi retirado um tumor de dois centímetros de sua axila. Em entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, a ministra afirmou que foi detectado um nódulo, que já foi retirado.Exames posteriores detectaram que o nódulo era o único foco da doença em seu organismo.
Segundo os médicos o tratamento de quimioterapia preventiva, para evitar o aparecimento de novos nódulos, deve durar quatro meses.
A ministra passou por uma cirurgia de implantação de um cateter de longa permanência embaixo do braço, para facilitar o tratamento de quimioterapia.
Durante a entrevista em São Paulo, Dilma afirmou que, apesar da quimioterapia, seu ritmo de trabalho seguirá inalterado.
"Vou manter minhas atividades no mesmo ritmo. Não há uma incompatibilidade entre o trabalho e tratamento. Esse tratamento não implica que eu tenha que me retrair ao deixar de comparecer à minha atividade. Acredito até que vai ser um fator para me impulsionar." Agradecendo aos médicos e funcionários do hospital, a ministra afirmou que se sente "muito segura" em relação à sua recuperação, mas admitiu que o tratamento não será fácil.
"A quimioterapia é sempre algo muito desagradável, mas como tantas mulheres e homens que enfrentam esse desafio e superam, tenho certeza que nesse caso vou ter um processo de superação dessa doença", afirmou.
Os médicos afirmaram que como o linfoma está em estado inicial, o tratamento não é considerado agressivo. A perspectiva para o tratamento é a "melhor possível", mais de 90% de chances de recuperação segundo o médico Roberto Kalil Filho, cardiologista de Dilma.
Dilma Rousseff está cotada para ser a candidata do PT nas eleições presidenciais de 2010, contando inclusive com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas, na entrevista coletiva deste sábado, a ministra preferiu não tocar no assunto repetindo a frase que já disse em entrevistas anteriores, de que não responde a perguntas sobre este assunto "nem amarrada".
Tanto o governo quanto a oposição se mostraram surpresos com a notícia. O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana, disse que é "inapropriado" falar de política nesse momento.
"Não é hora de falar de eleição. É um momento que exige solidariedade. Além disso, o diagnóstico foi precoce, o que aumenta muito as chances de cura", disse Fontana.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, também afirmou ser "inadequada" uma discussão política e que ainda trabalha com a possibilidade de a ministra ser candidata em 2010.
A diminiução no número de pessoas, carros e o pouco barulho nas ruas da normalmente agitada Cidade do México poderiam ser sinais de apenas um dia tranquilo, não fosse a quantidade de pessoas andando pelas ruas com máscaras cirúrgicas. Desde a manhã de ontem, a cena tomou conta da paisagem da grande metrópole, onde a população tem percepções e atitudes bem distintas em relação à epidemia de gripe suína que se espalha pelo território mexicano."Nós, mexicanos, não nos caracterizamos por sermos um povo preventivo. Por isso, medidas como o cancelamento das aulas dá a entender que a situação já é mesmo preocupante", disse à BBC Brasil David Rojas, diretor de operações de um grupo que conta com 40 lojas.
"Temos mais de mil funcionários e chegamos a receber mil clientes por dia, o que torna imprescindível diminuir o risco de contágios em nossas lojas", disse.
Sofia Gargari, profissional de Recursos Humanos de um grande hotel da cidade, concorda com Rojas.
"Aqui sempre se tem a idéia de que as coisas não são tão sérias quanto parecem", comentou.
Desta vez, no entanto, Gargari disse ter percebido que a situação é diferente. "Redobramos os cuidados com a higiene, mas sem alarde", afirmou.
'Clima de medo' Na noite de quinta-feira, o Ministro da Saúde mexicano, José Córdova, anunciou a suspensão de aulas e pediu a colaboração da população para evitar a propagação da doença.
"Foi o suficiente para detonar um clima de preocupação e medo", disse Edgar Gómez, gerente de uma rede de farmácias.
"Em nossas cinco lojas, vendemos cerca de 250 mil máscaras em um único dia. Em geral, este número não passa de 15", afirmou ele.
O produto mais requisitado de toda a sexta-feira foi rapidamente incorporado ao menu de opções dos vendedores ambulantes nos grandes cruzamentos.
Com pouca informação, a população também correu aos centros médicos em busca de vacina.
Teorias da conspiração A incerteza e a preocupação entre a população rapidamente deram origem a rumores e a uma série de teorias sobre o que de fato está acontecendo na região.
Para a estudante de Ciências Políticas Alejandra Mata, não há dúvidas do risco de contágio.
"Mas acho que a atenção que se está dando ao tema pode ser uma manobra política para desviar a atenção de problemas mais importantes", disse ela à BBC Brasil.
Já o consultor Andrés Sanchez analisa o que ele considera as possíveis origens da doença; "Nos dias atuais, não duvido que possa ser uma nova arma biológica usada pelos narcotraficantes para intimidar a população. Tudo é possível", afirmou.
Acostumado a observar o comportamento das pessoas na saída do metrô Insurgentes, que recebe mais de 50 mil passageiros por dia e onde trabalha como engraxate, Juan Garcia acredita que o temor foi a palavra que regeu a sexta-feira.
"Mas logo todos estarão despreocupados e só usarão a epidemia como desculpa para ficar em casa e não cumprir com suas obrigações", disse.
Eventos cancelados Na noite de sexta-feira, muitos mexicanos afirmaram que evitariam aglomerações até terem mais informação sobre a epidemia.
"Estamos assustados porque a orientação muda ao longo do dia", disse Miriam Gaydan, funcionária de um escritório de advocacia.
"Na dúvida, ficarei em casa nos próximos dias, esperando para ver o que acontece", contou.
Mesmo que tivessem vontade de sair, as opções não seriam muitas. Seguindo a recomendação das autoridades de saúde, mais de cem estabelecimentos - como teatros, museus, bibliotecas e casas de espetáculos - ficarão com as portas fechadas durante o fim de semana, totalizando 550 eventos cancelados. Alguns restaurantes consideram fechar as portas até segunda-feira devido à queda no fluxo de clientes.
Eventos esportivos de massa, como jogos de futebol ou o passeio semanal de bicicleta por avenidas centrais da cidade, também terão de ser cortados das agendas. Quem quiser ver o clássico jogo entre Pumas e Chivas terá que se contentar com as imagens da TV, já que o confronto se dará com as portas do estádio fechadas ao público.
Vida 'normal' Mesmo diante de tanto alarde, há uma minoria que não pensa em mudar seus hábitos. O universitário Fernando Ojeda, disse acreditar que a situação é séria, mas que a preocupação não pode virar paranóia.
"Se o estádio estivesse aberto, com certeza não faltaria ao jogo de domingo", disse, lamentando que ontem "os cumprimentos foram sem beijos ou abraços".
A fotógrafa Lenka Margetova, também não pensa em deixar de sair no fim de semana.
"Acho que estão exagerando." Lenka disse que, ao tossir no supermercado - segundo ela, por causa do cigarro -, uma senhora chamou sua atenção por estar sem máscara. "Ela disse que eu ia contaminá-la", contou.
Os turistas aparentam estar tranquilos. Os ônibus de turismo continuam circulando pela capital e os viajantes afirmam que, até que haja uma recomendação contrária, seguirão com seus planos.
"Vi que muita gente usava máscaras e achei que fosse por conta da poluição. Não sabia de nada, mas acho que não deve ser assim tão sério", disse o americano que não quis se identificar, enquanto tirava fotos do Anjo da Independência, principal monumento da cidade.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que a nova variedade do vírus da gripe suína identificada no México é grave e tem o potencial de virar uma pandemia. A secretária da OMS, Margaret Chan, fez um apelo para que os governos ao redor do mundo fiquem em alerta."Trata-se de uma situação séria que deve ser observada atentamente", disse Chan, que interrompeu uma viagem a Washington para se reunir com um comitê especial em Genebra.
Depois do encontro de emergência na sede da Organização, a secretária disse ainda que a o vírus da doença permanece imprevisível.
Apesar disso, a agência não emitiu um alerta contra viagens ao México. De acordo com as últimas informações oficiais, foram registrados ao menos 1.004 casos da gripe suína, com 68 vítimas fatais. Vírus O comitê da OMS permanece reunido e deve avaliar se será necessário declarar a epidemia como um caso de emergência de saúde pública. Além disso, o comitê deve ainda decidir se aumentará o nível de alerta global de pandemia.
A OMS afirmou ainda que desconhece o risco total da doença. A correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes, disse que o tipo do vírus da gripe suína que afetou o México é novo e, por isso, ainda pouco estudado.
A agência aconselha todos os países para que observem o aparecimento de sintomas pouco comuns de pneumonia e gripe entre as populações, principalmente entre adultos mais jovens e saudáveis, que são os mais afetados no México.
Controle O Ministério da Saúde do México, José Córdova, anunciou uma campanha de vacinação em massa para deter o avanço da nova variedade de gripe suína.
Além disso, escolas e universidades na região da capital do país, Cidade do México, foram fechadas para evitar mais contaminação.
O ministro da Saúde mexicano fez um pronunciamento em rede nacional pedindo à população que evite a contaminação pela doença e recomendou que as pessoas evitem lugares lotados e algumas formas de contato físico.
A população está usando máscaras cirúrgicas numa tentativa de evitar a contaminação.
Também foram registrados oito casos não fatais doença no sul dos Estados Unidos, nos Estados da Califórnia e do Texas, mas ainda não foi confirmada a ligação entre as ocorrências mexicanas e americanas.
O governo americano disse que a Casa Branca está monitorando os eventos no país vizinho e especialistas nos Estados Unidos afirmam que estão tratando o vírus de maneira séria.
Mutação A gripe suína é diagnosticada apenas em porcos ou em pessoas que têm contato regular com estes animais.
Córdova afirmou que a nova variante da gripe suína parece ter sofrido uma mutação nos porcos e foi transmitida para humanos.
Fadela Chaib, porta-voz da OMS, confirmou que a organização notou uma "atividade incomum de gripe" a partir do final do mês de março.
De acordo com Chaib foram registradas 57 mortes na Cidade do México e todas essas vítimas tinham os sintomas da gripe. Outras três mortes foram registradas na cidade de San Luis Potosí, na região central do México. A porta-voz da OMS acrescentou que existem outros 800 casos suspeitos.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, renovou o apoio dos Estados Unidos ao Iraque durante a primeira visita ao país desde que assumiu o cargo. Hillary disse que os EUA "permanecerão ao lado do povo iraquiano durante o difícil momento de transição no país".A secretária de Estado se reuniu com 120 representantes da população iraquiana durante um encontro na embaixada americana em Bagdá. Entre os presentes estavam membros da sociedade civil e de equipes que participam do processo de reconstrução do país.
Segundo a correspondente da BBC que acompanha a viagem, Kim Ghattas, a maioria das perguntas direcionadas à secretária foram apelos para que o governo americano ajude o Iraque em setores como educação, agricultura e economia.
Um iraquiano presente na reunião questionou a habilidade do governo iraquiano em garantir a segurança do país depois da retirada das tropas americanas. Hillary respondeu afirmando que os Estados Unidos irão trabalhar ao lado do Iraque durante o processo.
O presidente americano, Barack Obama, anunciou a retirada das tropas das cidades americanas até o final de junho. Todas as tropas de combate devem deixar o país até junho de 2010.
Violência A visita de Hillary Clinton ocorre em meio a uma onda de violência que deixou 155 mortos nos últimos dias.
Segundo Ghattas, a visita estava agendada mesmo antes dos atentados que atingiram Bagdá e Baquba, mas a violência deve estar na agenda das discussões da secretária de Estado com autoridades iraquianas.
Na quinta-feira, dois atentados mataram pelo menos 84 pessoas, um deles no centro de Bagdá. No outro ataque, um homem bomba detonou os explosivos dentro de um restaurante lotado de peregrinos iraquianos e iranianos em Baquba.
Na sexta-feira, duas mulheres bomba detonaram os explosivos perto de um santuário xiita em Bagdá, deixando pelo menos 60 mortos e mais de 120 feridos.
Antes de embarcar para o Iraque, Hillary disse que os atentados recentes representam um "sinal trágico" de que o país está no caminho certo e elogiou os esforços do governo iraquiano em combater a violência e o sectarismo. Segundo ela, o aumento da violência nos últimos dois dias foi causado por pessoas que não querem que o sucesso do Iraque.
Antes de deixar Bagdá, Hillary deve se encontrar com o comandante-geral das tropas americanas no país, o general Raymond Odierno.
A secretária disse que quer a avaliação de Odierno sobre os atentados e o que pode ser feito pelas forças dos Estados Unidos e do Iraque na prevenção desses ataques.
O partido governista Congresso Nacional Africano (CNA), foi o grande vitorioso das eleições gerais na África do Sul, mas não obteve a maioria necessária para mudar a Constituição. O CNA conquistou 65,9% dos votos, alguns décimos abaixo do percentual necessário para conquistar os dois terços e ter poderes absolutos para mudar a Constituição.No Parlamento, esse tipo de alteração só é feita sem alianças com outros partidos caso o partido governista tenha dois terços de maioria.
Apesar disso, o resultado abre caminho para que o líder do partido, Jacob Zuma, se torne o novo presidente do país quando o novo Parlamento se reunir. O presidente é eleito pela maioria simples da casa.
De acordo com as autoridades eleitorais do país, o CNA obteve 65,9%, demonstrando uma ampla vantagem à Aliança Democrática (DA), que obteve apenas 16,6%. O Congresso do Povo, formado há poucos meses por dissidentes do CNA, ficou com 7,4% da preferência do eleitorado.
Apesar do novo partido ter tido pouco impacto no resultado das eleições, a votação foi uma das mais competitivas desde o fim do regime de segregação do apartheid, há 15 anos. Além disso, o CNA teve a primeira queda no seu percentual de votos desde 1994. Nas eleições de 2004, o partido conquistou quase 70% dos votos.
O partido governista perdeu ainda na Província do Cabo Ocidental,o centro da indústria do turismo no país, para a Aliança Democrática, liderada por Helen Zille.
Zille disse que o partido deve formar uma coalizão. De acordo com alguns analistas politicos, o DA deve se unir ao Congresso do Povo.
O comparecimento às urnas foi alto, chegando a 80% em algumas regiões Mesmo antes do anúncio dos resultados oficiais, partidários do CNA já festejavam na noite de sexta-feira nas ruas de cidades como Durban e Joanesburgo.
Polêmico O provável novo presidente do país, Jacob Zuma, é classificado como "populista" por analistas e passou dez anos preso durante o regime do apartheid.
Caso sua eleição seja confirmada, seus principais desafios serão fortalecer a economia sul-africana e combater a crescente criminalidade no país.
Zuma, de 67 anos, é considerado um líder polêmico, e acusações de corrupção foram levantadas contra ele apenas duas semanas antes das eleições.
A promotoria, no entanto, retirou as acusações contra o líder do CNA, alegando que seriam parte de um plano para prejudicar o partido nas eleições.
Em 2005, Zuma ele teve sua imagem arranhada, quando foi acusado de estupro.
Ele foi inocentado, mas provocou revolta em parte da população ao admitir ter tido relações sexuais sem proteção com uma mulher que ele sabia ser HIV positivo - a África do Sul é líder no número de casos de AIDS no mundo, com cerca de 5,7 milhões de infectados.
O governo da Coréia do Norte anunciou neste sábado que voltou a processar barras de combustível nuclear na usina de Yongbyon, ao norte de Pyongyang. Segundo um representante do ministério do Exterior, a reativação do reator "contribuirá para impulsionar a dissuasão nuclear em defesa própria a fim de enfrentar as crescentes ameaças militares das forças hostis".A retomada do processo pode indicar uma ação na extração de plutônio para produção de armas nucleares e ocorre depois do lançamento de um foguete de longo alcance em abril.
Na sexta-feira, um comitê do Conselho de Segurança da ONU decidiu impor sanções contra três empresas em resposta ao lançamento.
Pyongyang afirmou que ignoraria as sanções e classificou a ação da ONU como uma violação dos tratados internacionais.
Diplomatas americanos afirmaram que as sanções são uma "resposta séria" ao lançamento.
Boicote O correspondente da BBC em Seul, John Dudworth, disse que a decisão do governo norte-coreano confirma que o país pretende boicotar as negociações internacionais sobre o desarmamento.
A Coréia do Norte abandonou as negociações internacionais sobre o programa nuclear do país no dia 14 de abril, um dia depois do lançamento controverso do foguete, quando anunciou que iria retomar as atividades do reator de Yongbyon,.
A ONU condenou o lançamento do foguete de longo alcance, alegando que seria um teste do programa norte-coreano de mísseis de longo alcance, proibidos por uma resolução aprovada em 2006.
Pyongyang respondeu à condenação afirmando que abandonaria as discussões internacionais sobre seu programa nuclear e anunciou a reativação de Yongbyon.
Além disso, o governo ordenou a expulsão dos inspetores das Nações Unidas que fiscalizavam o processo de desmantelamento nuclear.
Na sexta-feira, durante uma visita do ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, a Pyongyang, a Coréia do Norte confirmou que não retomaria as negociações sobre o desarmamento nuclear.
Lavrov pretendia convencer o governo a voltar à mesa de discussões e afirmou, durante uma coletiva de imprensa em Seul, que as sanções impostas pela ONU contra empresas norte-coreanas não eram "construtivas".
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está preparando uma ação urgente para controlar o avanço de uma nova variedade de gripe suína que teria provocado a morte de mais de 60 pessoas no México desde a metade de março.
A diretora da OMS, Margaret Chan, interrompeu uma visita a Washington para regressar à sede da Organização, em Genebra, e monitorar as ações da instituição contra o avanço da doença. Um comitê de emergência deve se reunir nas próximas horas na sede da OMS.
O porta-voz da Organização, Thomas Abraham, disse que, caso seja necessário, a OMS já preparou "medidas rápidas de controle". "Nós estamos muito, muito preocupados", disse Abraham.
AFP
Crianças e adultos andam de máscara no México
Especialistas da OMS também se preparam para visitar o México e os Estados Unidos para trabalhar com as autoridades locais no controle da doença. De acordo com as últimas informações oficiais, foram registrados ao menos 1.004 casos da gripe suína, com 68 vítimas fatais.
Controle
O Ministério da Saúde do México, José Córdova, anunciou, na sexta-feira, uma campanha de vacinação em massa para deter o avanço da nova variedade de gripe suína.
Além disso, escolas e universidades na região da capital do país, Cidade do México, foram fechadas para evitar mais contaminação.
O ministro da Saúde mexicano fez um pronunciamento em rede nacional pedindo à população que evite a contaminação pela doença e recomendou que as pessoas evitem lugares lotados e algumas formas de contato físico. A população está usando máscaras cirúrgicas numa tentativa de evitar a contaminação.
"Estamos enfrentando um novo vírus de gripe, que agora é uma epidemia respiratória controlável. Seus sintomas são febre acima de 39 graus que aparece repentinamente, tosse, fortes dores de cabeça, musculares e nas juntas, irritação nos olhos e secreção nasal", disse Córdova em pronunciamento nacional.
Estados Unidos
Também foram registrados oito casos não fatais doença no sul dos Estados Unidos, nos Estados da Califórnia e do Texas, mas ainda não foi confirmada a ligação entre as ocorrências mexicanas e americanas.
O governo americano disse que a Casa Branca está monitorando os eventos no país vizinho e especialistas nos Estados Unidos afirmam que estão tratando o vírus de maneira séria.
No entanto, tanto o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos quanto a OMS afirmaram que ainda não há necessidade de emitir alertas de viagens para algumas regiões do México e dos Estados Unidos.
Mas passageiros estão sendo interrogados em aeroportos num esforço para evitar a entrada de pessoas que possam estar contaminadas com o vírus.
Reuters
Mulheres aguardam atendimento em clínica do México
O ministro da Saúde do México disse que as vacinas demonstraram ser eficazes no combate à doença. Segundo o correspondente da BBC na Cidade do México, Stephen Gibbs, o governo mexicano comprou um milhão de doses da vacina e está distribuindo os remédios em hospitais de todo o país.
Ele afirma ainda que a doença afetou principalmente homens entre 25 e 44 anos. No centro da capital, segundo o correspondente, muitas farmácias informaram que já esgotaram os estoques de máscaras cirúrgicas, pois muitos tentam evitar a contaminação pela doença.
Mutação
A gripe suína é diagnosticada apenas em porcos ou em pessoas que têm contato regular com estes animais. Córdova afirmou que a nova variante da gripe suína parece ter sofrido uma mutação nos porcos e foi transmitida para humanos.
Fadela Chaib, porta-voz da OMS, confirmou que a organização notou uma "atividade incomum de gripe" a partir do final do mês de março.
De acordo com Chaib foram registradas 57 mortes na Cidade do México e todas essas vítimas tinham os sintomas da gripe. Outras três mortes foram registradas na cidade de San Luis Potosí, na região central do México. A porta-voz da OMS acrescentou que existem outros 800 casos suspeitos.
Esta nova variedade da gripe suína foi confirmada em pelo menos 16 mortes, com outras 44 mortes ainda sendo analisadas, segundo o governo mexicano.
O correspondente da BBC acrescenta que especialistas nos Estados Unidos e no México ainda estão tentando confirmar se o surto mexicano tem ligação direta com os casos detectados no sul dos Estados Unidos. Anne Schuchat, porta-voz do CDC afirmou que ainda não se sabe a extensão do problema.
"Ainda não sabemos como está se espalhando e, certamente, não sabemos a extensão do problema. A boa notícia é que todos os pacientes se recuperaram - um deles precisou ser internado, mas já saiu do hospital. Até o momento não parece ser uma gripe muito grave", afirmou.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou neste sábado a Bagdá para uma visita surpresa, em meio a uma onda de violência que deixou 155 mortos nos últimos dois dias. Antes de embarcar para o Iraque, Hillary disse que os atentados recentes representam um "sinal trágico" de que o país está no caminho certo e elogiou os esforços do governo iraquiano em combater a violência e o sectarismo.Segundo ela, o aumento da violência nos últimos dois dias foi causado por pessoas que não querem que o sucesso do Iraque.
Na quinta-feira, dois atentados mataram pelo menos 84 pessoas, um deles no centro de Bagdá. No outro ataque, um homem bomba detonou os explosivos dentro de um restaurante lotado de peregrinos iraquianos e iranianos em Baquba.
Na sexta-feira, duas mulheres bomba detonaram os explosivos perto de um santuário xiita em Bagdá, deixando pelo menos 60 mortos e mais de 120 feridos.
Agenda Na primeira visita ao Iraque desde que assumiu o cargo, em 22 de janeiro, Hillary deve se encontrar com autoridades iraquianas, entre elas o secretário de governo Hoshyar Zebari, o primeiro-ministro Nouri el Maliki e o presidente Jalal Talabani.
De acordo com a correspondente da BBC que está acompanhando a viagem da secretária de Estado, Kim Ghattas, Hillary deve se encontrar também com alguns iraquianos.
Segundo Ghattas, apesar da dificuldade em garantir a segurança do encontro, Hillary se reunirá com cerca de 100 iraquianos durante uma reunião na prefeitura de Bagdá.
Hillary afirmou que espera ouvir da própria população quais são as preocupações dos iraquianos e também quer ouvir as opiniões sobre os esforços do governo americano na reconstrução do país.
Retirada O presidente Barack Obama visitou o Iraque há duas semanas. Durante a visita, o líder americano reforçou o compromisso dos Estados Unidos de retirar as tropas das cidades iraquianas até o final de junho. Todas as tropas de combate devem deixar o país até junho de 2010.
No entanto, segundo o correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, os ataques da última semana devem entrar na agenda de discussões do governo americano.
Muir afirma que haverá uma grande preocupação por parte das autoridades americanas sobre a flexibilidade do calendário de retirada das tropas.
25/04/2009 06:50 AM
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