O partido governista Congresso Nacional Africano (CNA), foi o grande vitorioso das eleições gerais na África do Sul, mas não obteve a maioria necessária para mudar a Constituição. O CNA conquistou 65,9% dos votos, alguns décimos abaixo do percentual necessário para conquistar os dois terços e ter poderes absolutos para mudar a Constituição.No Parlamento, esse tipo de alteração só é feita sem alianças com outros partidos caso o partido governista tenha dois terços de maioria.
Apesar disso, o resultado abre caminho para que o líder do partido, Jacob Zuma, se torne o novo presidente do país quando o novo Parlamento se reunir. O presidente é eleito pela maioria simples da casa.
De acordo com as autoridades eleitorais do país, o CNA obteve 65,9%, demonstrando uma ampla vantagem à Aliança Democrática (DA), que obteve apenas 16,6%. O Congresso do Povo, formado há poucos meses por dissidentes do CNA, ficou com 7,4% da preferência do eleitorado.
Apesar do novo partido ter tido pouco impacto no resultado das eleições, a votação foi uma das mais competitivas desde o fim do regime de segregação do apartheid, há 15 anos. Além disso, o CNA teve a primeira queda no seu percentual de votos desde 1994. Nas eleições de 2004, o partido conquistou quase 70% dos votos.
O partido governista perdeu ainda na Província do Cabo Ocidental,o centro da indústria do turismo no país, para a Aliança Democrática, liderada por Helen Zille.
Zille disse que o partido deve formar uma coalizão. De acordo com alguns analistas politicos, o DA deve se unir ao Congresso do Povo.
O comparecimento às urnas foi alto, chegando a 80% em algumas regiões Mesmo antes do anúncio dos resultados oficiais, partidários do CNA já festejavam na noite de sexta-feira nas ruas de cidades como Durban e Joanesburgo.
Polêmico O provável novo presidente do país, Jacob Zuma, é classificado como "populista" por analistas e passou dez anos preso durante o regime do apartheid.
Caso sua eleição seja confirmada, seus principais desafios serão fortalecer a economia sul-africana e combater a crescente criminalidade no país.
Zuma, de 67 anos, é considerado um líder polêmico, e acusações de corrupção foram levantadas contra ele apenas duas semanas antes das eleições.
A promotoria, no entanto, retirou as acusações contra o líder do CNA, alegando que seriam parte de um plano para prejudicar o partido nas eleições.
Em 2005, Zuma ele teve sua imagem arranhada, quando foi acusado de estupro.
Ele foi inocentado, mas provocou revolta em parte da população ao admitir ter tido relações sexuais sem proteção com uma mulher que ele sabia ser HIV positivo - a África do Sul é líder no número de casos de AIDS no mundo, com cerca de 5,7 milhões de infectados.
O governo da Coréia do Norte anunciou neste sábado que voltou a processar barras de combustível nuclear na usina de Yongbyon, ao norte de Pyongyang. Segundo um representante do ministério do Exterior, a reativação do reator "contribuirá para impulsionar a dissuasão nuclear em defesa própria a fim de enfrentar as crescentes ameaças militares das forças hostis".A retomada do processo pode indicar uma ação na extração de plutônio para produção de armas nucleares e ocorre depois do lançamento de um foguete de longo alcance em abril.
Na sexta-feira, um comitê do Conselho de Segurança da ONU decidiu impor sanções contra três empresas em resposta ao lançamento.
Pyongyang afirmou que ignoraria as sanções e classificou a ação da ONU como uma violação dos tratados internacionais.
Diplomatas americanos afirmaram que as sanções são uma "resposta séria" ao lançamento.
Boicote O correspondente da BBC em Seul, John Dudworth, disse que a decisão do governo norte-coreano confirma que o país pretende boicotar as negociações internacionais sobre o desarmamento.
A Coréia do Norte abandonou as negociações internacionais sobre o programa nuclear do país no dia 14 de abril, um dia depois do lançamento controverso do foguete, quando anunciou que iria retomar as atividades do reator de Yongbyon,.
A ONU condenou o lançamento do foguete de longo alcance, alegando que seria um teste do programa norte-coreano de mísseis de longo alcance, proibidos por uma resolução aprovada em 2006.
Pyongyang respondeu à condenação afirmando que abandonaria as discussões internacionais sobre seu programa nuclear e anunciou a reativação de Yongbyon.
Além disso, o governo ordenou a expulsão dos inspetores das Nações Unidas que fiscalizavam o processo de desmantelamento nuclear.
Na sexta-feira, durante uma visita do ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, a Pyongyang, a Coréia do Norte confirmou que não retomaria as negociações sobre o desarmamento nuclear.
Lavrov pretendia convencer o governo a voltar à mesa de discussões e afirmou, durante uma coletiva de imprensa em Seul, que as sanções impostas pela ONU contra empresas norte-coreanas não eram "construtivas".
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está preparando uma ação urgente para controlar o avanço de uma nova variedade de gripe suína que teria provocado a morte de mais de 60 pessoas no México desde a metade de março.
A diretora da OMS, Margaret Chan, interrompeu uma visita a Washington para regressar à sede da Organização, em Genebra, e monitorar as ações da instituição contra o avanço da doença. Um comitê de emergência deve se reunir nas próximas horas na sede da OMS.
O porta-voz da Organização, Thomas Abraham, disse que, caso seja necessário, a OMS já preparou "medidas rápidas de controle". "Nós estamos muito, muito preocupados", disse Abraham.
AFP
Crianças e adultos andam de máscara no México
Especialistas da OMS também se preparam para visitar o México e os Estados Unidos para trabalhar com as autoridades locais no controle da doença. De acordo com as últimas informações oficiais, foram registrados ao menos 1.004 casos da gripe suína, com 68 vítimas fatais.
Controle
O Ministério da Saúde do México, José Córdova, anunciou, na sexta-feira, uma campanha de vacinação em massa para deter o avanço da nova variedade de gripe suína.
Além disso, escolas e universidades na região da capital do país, Cidade do México, foram fechadas para evitar mais contaminação.
O ministro da Saúde mexicano fez um pronunciamento em rede nacional pedindo à população que evite a contaminação pela doença e recomendou que as pessoas evitem lugares lotados e algumas formas de contato físico. A população está usando máscaras cirúrgicas numa tentativa de evitar a contaminação.
"Estamos enfrentando um novo vírus de gripe, que agora é uma epidemia respiratória controlável. Seus sintomas são febre acima de 39 graus que aparece repentinamente, tosse, fortes dores de cabeça, musculares e nas juntas, irritação nos olhos e secreção nasal", disse Córdova em pronunciamento nacional.
Estados Unidos
Também foram registrados oito casos não fatais doença no sul dos Estados Unidos, nos Estados da Califórnia e do Texas, mas ainda não foi confirmada a ligação entre as ocorrências mexicanas e americanas.
O governo americano disse que a Casa Branca está monitorando os eventos no país vizinho e especialistas nos Estados Unidos afirmam que estão tratando o vírus de maneira séria.
No entanto, tanto o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos quanto a OMS afirmaram que ainda não há necessidade de emitir alertas de viagens para algumas regiões do México e dos Estados Unidos.
Mas passageiros estão sendo interrogados em aeroportos num esforço para evitar a entrada de pessoas que possam estar contaminadas com o vírus.
Reuters
Mulheres aguardam atendimento em clínica do México
O ministro da Saúde do México disse que as vacinas demonstraram ser eficazes no combate à doença. Segundo o correspondente da BBC na Cidade do México, Stephen Gibbs, o governo mexicano comprou um milhão de doses da vacina e está distribuindo os remédios em hospitais de todo o país.
Ele afirma ainda que a doença afetou principalmente homens entre 25 e 44 anos. No centro da capital, segundo o correspondente, muitas farmácias informaram que já esgotaram os estoques de máscaras cirúrgicas, pois muitos tentam evitar a contaminação pela doença.
Mutação
A gripe suína é diagnosticada apenas em porcos ou em pessoas que têm contato regular com estes animais. Córdova afirmou que a nova variante da gripe suína parece ter sofrido uma mutação nos porcos e foi transmitida para humanos.
Fadela Chaib, porta-voz da OMS, confirmou que a organização notou uma "atividade incomum de gripe" a partir do final do mês de março.
De acordo com Chaib foram registradas 57 mortes na Cidade do México e todas essas vítimas tinham os sintomas da gripe. Outras três mortes foram registradas na cidade de San Luis Potosí, na região central do México. A porta-voz da OMS acrescentou que existem outros 800 casos suspeitos.
Esta nova variedade da gripe suína foi confirmada em pelo menos 16 mortes, com outras 44 mortes ainda sendo analisadas, segundo o governo mexicano.
O correspondente da BBC acrescenta que especialistas nos Estados Unidos e no México ainda estão tentando confirmar se o surto mexicano tem ligação direta com os casos detectados no sul dos Estados Unidos. Anne Schuchat, porta-voz do CDC afirmou que ainda não se sabe a extensão do problema.
"Ainda não sabemos como está se espalhando e, certamente, não sabemos a extensão do problema. A boa notícia é que todos os pacientes se recuperaram - um deles precisou ser internado, mas já saiu do hospital. Até o momento não parece ser uma gripe muito grave", afirmou.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, chegou neste sábado a Bagdá para uma visita surpresa, em meio a uma onda de violência que deixou 155 mortos nos últimos dois dias. Antes de embarcar para o Iraque, Hillary disse que os atentados recentes representam um "sinal trágico" de que o país está no caminho certo e elogiou os esforços do governo iraquiano em combater a violência e o sectarismo.Segundo ela, o aumento da violência nos últimos dois dias foi causado por pessoas que não querem que o sucesso do Iraque.
Na quinta-feira, dois atentados mataram pelo menos 84 pessoas, um deles no centro de Bagdá. No outro ataque, um homem bomba detonou os explosivos dentro de um restaurante lotado de peregrinos iraquianos e iranianos em Baquba.
Na sexta-feira, duas mulheres bomba detonaram os explosivos perto de um santuário xiita em Bagdá, deixando pelo menos 60 mortos e mais de 120 feridos.
Agenda Na primeira visita ao Iraque desde que assumiu o cargo, em 22 de janeiro, Hillary deve se encontrar com autoridades iraquianas, entre elas o secretário de governo Hoshyar Zebari, o primeiro-ministro Nouri el Maliki e o presidente Jalal Talabani.
De acordo com a correspondente da BBC que está acompanhando a viagem da secretária de Estado, Kim Ghattas, Hillary deve se encontrar também com alguns iraquianos.
Segundo Ghattas, apesar da dificuldade em garantir a segurança do encontro, Hillary se reunirá com cerca de 100 iraquianos durante uma reunião na prefeitura de Bagdá.
Hillary afirmou que espera ouvir da própria população quais são as preocupações dos iraquianos e também quer ouvir as opiniões sobre os esforços do governo americano na reconstrução do país.
Retirada O presidente Barack Obama visitou o Iraque há duas semanas. Durante a visita, o líder americano reforçou o compromisso dos Estados Unidos de retirar as tropas das cidades iraquianas até o final de junho. Todas as tropas de combate devem deixar o país até junho de 2010.
No entanto, segundo o correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, os ataques da última semana devem entrar na agenda de discussões do governo americano.
Muir afirma que haverá uma grande preocupação por parte das autoridades americanas sobre a flexibilidade do calendário de retirada das tropas.
O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que governa a África do Sul, conseguiu uma ampla maioria dos votos nas eleições gerais da última quarta-feira, segundo informaram as autoridades eleitorais do país na madrugada deste sábado.
O resultado abre caminho para que o líder do partido, Jacob Zuma, se torne o novo presidente do país quando o novo Parlamento se reunir. O presidente é eleito pela maioria simples da casa.
O anúncio oficial sobre o resultado das eleições na África do Sul deve ser feito nas próximas horas, mas, com 99% das cédulas apuradas, o CNA conquistou quase dois terços dos quase de 17 milhões de votos. Uma maioria de dois terços no Parlamento sul-africano é necessária para se fazer alterações na Constituição.
Segundo as autoridades eleitorais do país, o CNA obteve cerca de 66% dos votos, bem à frente da Aliança Democrática (AD), que obteve cerca de 16%, e do Congresso do Povo (Cope, na sigla em inglês), formado por dissidentes do CNA e que ficou com 7% da preferência do eleitorado.
A contagem aponta que o CNA deve perder na Província do Cabo Ocidental, mas que vencerá nas outras oito províncias do país.
O comparecimento às urnas foi alto, chegando a 80% em algumas regiões, nesta que foi a quarta e mais competitiva eleição no país desde o fim do regime de segregação racial do apartheid, há 15 anos.
Mesmo antes do anúncio dos resultados oficiais, partidários do CNA já festejavam na noite de sexta-feira nas ruas de cidades como Durban e Johanesburgo.
Polêmico
O provável novo presidente do país, Jacob Zuma, é classificado como "populista" por analistas e passou dez anos preso durante o regime do apartheid.
Caso sua eleição seja confirmada, seus principais desafios serão fortalecer a economia sul-africana e combater a crescente criminalidade no país.
Zuma, de 67 anos, é considerado um líder polêmico, e acusações de corrupção foram levantadas contra ele apenas duas semanas antes das eleições.
Em 2005, ele teve sua imagem arranhada, quando foi acusado de estupro. Ele foi inocentado, mas provocou revolta em parte da população ao admitir ter tido relações sexuais sem proteção com uma mulher que ele sabia ser HIV positiva - a África do Sul é líder no número de casos de AIDS no mundo, com cerca de 5,7 milhões de infectados.
Fragmentados e sem nomes novos, os partidos de oposição que disputam a presidência do Equador, no próximo domingo, chegam às urnas sem uma proposta política capaz de confrontar o atual projeto de "revolução cidadã", liderado pelo presidente Rafael Correa, que concorre à reeleição.
Reuters
Presidiária vota no Equador; população vai às urnas no domingo
Segundo Adrían Bonilla, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais do Equador (FLACSO), esta "desarticulação" da oposição no país é resultado da falta de confiança da população nos partidos políticos tradicionais.
"Sem ter acesso aos recursos públicos e ao poder, esses políticos ficaram sem saber como brigar nas eleições, porque não têm poder para distribuir e nem dinheiro público para sustentar suas candidaturas", afirmou Bonilla em entrevista à BBC Brasil.
O período político que precedeu a eleição de Rafael Correa, em 2006, segundo Bonilla, se caracterizou por uma forte estrutura baseada em relações clientelistas, que, ao longo dos anos, acabou promovendo a fratura dos partidos tradicionais.
O analista considera que a maioria da população equatoriana "rejeita" os partidos tradicionais. "Esse é um dos fatores que justificam a enorme popularidade de Correa e a baixa votação dos velhos partidos", diz. Essa regra, porém, não se aplica aos cargos de prefeitos, por exemplo.
Um dos principais opositores do governo Rafael Correa, Jaime Nebot, do partido Social Cristão, deve vencer as eleições em Guayaquil - a mais populosa cidade do Equador - sem dificuldades, de acordo com pesquisas.
As pesquisas de intenção de voto também apontam que os candidatos dos partidos tradicionais devem vencer na maioria das províncias (Estados).
Popularidade
De acordo com analistas, além da fragilidade dos partidos tradicionais, a popularidade do atual presidente se sustenta em dois anos de incremento do gasto social do governo - com investimentos diretos em subsídios para moradias e produção agrícola - e em uma ofensiva publicitária.
AP
Rafael Correa discursa em comício no Equador
Diferente do que ocorre nos países vizinhos, como Bolívia e Venezuela, o presidente Rafael Correa tem altos índices de popularidade em todas as classes sociais, e não apenas entre os mais pobres. "É uma candidatura para muitas classes. Correa tem uma ampla margem de apoio entre os ricos", afirma Adrián Bonilla.
Adversários
Contra o favoritismo do presidente, que é acusado por seus adversários de ter usado a máquina do Estado a seu favor durante a campanha, está o ex-presidente Lucio Gutiérrez, do partido Sociedade Democrática (nacionalista).
Deposto da Presidência em abril de 2005, depois de uma rebelião popular que deslegitimou seu governo, Gutiérrez adotou o lema de campanha "Com Lúcio é mais barato".
Entre outras promessas, o candidato disse que, se eleito, restabelecerá as relações diplomáticas com a Colômbia e firmará um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
AP
Lucio Gutiérrez acena para eleitores
Já o rico empresário bananeiro Álvaro Noboa, do partido Renovador Institucional de Ação Nacional (direita), que disputa pela quarta vez consecutiva a Presidência, prometeu usar sua influência como "homem de negócios" para atrair novos investimentos ao país e, a seu ver, acabar com os problemas econômicos do Equador.
"Os homens mais ricos do mundo são meus amigos, têm confiança em mim, me disseram vinte vezes: quando você for presidente iremos (investir) no Equador", afirmou Noboa em uma entrevista a uma televisão local.
Para a analista política Patricia De La Torre, da Universidade Católica de Quito, as promessas de campanha dos candidatos apontam que os partidos tradicionais não têm um projeto alternativo para apresentar aos equatorianos.
"Enquanto não houver mudanças nessa política, baseada na falta de argumento e de um projeto de país, dificilmente a oposição poderá recuperar espaço", afirmou De La Torre à BBC Brasil.
Crise
A crise econômica internacional, porém, pode mudar a correlação de forças na política equatoriana, na opinião de Milton Benitez, professor de Ciências Políticas da Universidade Católica do Equador.
Em sua avaliação, devido à crise, dificilmente Correa poderá implementar, se for reeleito, as mudanças previstas na Constituição que dependam de grandes investimentos. A redução dos gastos públicos, especialmente nos setores que Benitez classifica como "programas assistencialistas", pode afetar a popularidade de Correa e fortalecer a oposição, segundo ele.
"Os problemas que o país pode enfrentar em consequência da crise podem fazer com que a direita se junte em um bloco contra o governo", afirmou Benitez. "Se isso acontecer, Lúcio Gutierrez é quem tende ser o elo de união dessa oposição", acrescentou.
Se as pesquisas de intenção de voto forem confirmadas, o partido de Gutiérrez, Sociedade Patriótica, deve se consolidar como a segunda maior força política da Assembleia (Congresso).
Os analistas consideram que um dos principais desafios do presidente equatoriano é dar estabilidade ao país que, de 1996 à 2007, foi governado por dez presidentes ou juntas de governo. Nenhum deles chegou a terminar um mandato de quatro anos.
Os ministros das Finanças dos países que integram o G7 (o grupo das sete maiores economias do mundo) afirmaram, em um comunicado conjunto, nesta sexta-feira, que dados recentes indicam que há sinais de desaceleração da crise econômica global e que começam a surgir indícios de estabilização. Mas o documento divulgado pelo bloco acrescenta ainda que, apesar de a atividade econômica provavelmente começar a se recuperar no final deste ano, "os riscos de declínio ainda permanecem".
O comunicado do G7 foi divulgado em Washington, onde os titulares das Finanças dos países que integram o bloco se reuniram nesta sexta-feira.
Os ministros das Finanças do G7 também participam da reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que acontece neste final de semana e, ainda na noite desta sexta-feira, de um encontro do G20 - o fórum que reúne G7, União Europeia, Argentina, Brasil, México, Austrália, África do Sul, Rússia, Arábia Saudita, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia e Turquia.
Após a reunião desta sexta, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou que "é apropriado estar um pouco animado", mas acrescentou que "é cedo demais para concluir que estamos perto de sair da escuridão que se abateu sobre a economia mundial".
O relatório World Economic Outlook, divulgado pelo FMI nesta semana, estima que a economia global sofrerá retração de 1,3% e que as crise mundial de crédito poderá provocar prejuízos de até US$ 4 trilhões.
Recursos
Em seu documento, o G7 pediu que o FMI monitore a implementação de políticas macroeconômicas apropriadas por parte de diferentes países e que reporte regularmente suas conclusões ao G7 e ao G20.
O comunicado afirma ainda que os países do bloco seguirão agindo para promover a liquidez nos mercados financeiros mundiais e para injetar recursos em instituições financeiras.
O G7 também destacou o compromisso firmado juntamente com o G20 de injetar recursos para promover a estabilização das finanças mundiais.
Ao final do encontro do G20, realizado em Londres no início deste mês, os países integrantes do bloco se comprometeram em destinar até US$ 1 trilhão ao FMI, montante que seria usado pelo Fundo em empréstimos a nações mais pobres.
O governo dos Estados Unidos quer que a grande conferência sobre o meio ambiente que será realizada na capital americana na semana que vem evite as tensões e impasses que o tema despertou no passado entre as nações ricas e os países emergentes. O encontro, batizado pelo governo americano de Fórum das Grandes Economias sobre a Energia e o Clima, contará com a presença de 17 nações, entre eles o Brasil, e será realizado em Washington, na próxima segunda e terça-feira."Este tema (preservação ambiental) é sempre carregado de uma emoção que opõe norte e sul. Simplesmente é assim. E não há como evitar. Mas, o que podemos tentar, é ir além disso. Tratar os outros com respeito. Nós não alcançaremos um acordo se não conseguirmos nos mover adiante. Temos de agir motivados pelo que a ciência nos diz, mas temos de ser pragmáticos", disse Todd Stern, o principal negociador do governo americano para o setor de Mudanças Climáticas, durante uma entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, em Washington, para jornalistas estrangeiros.
Stern atuou na administração de Bill Clinton como assessor da Presidência nos anos 1990 e foi o negociador-chefe americano nas negociações para implementar o Protocolo de Kyoto - o tratado de regulação das emissões de gases poluentes que acabou não sendo ratificado pelos Estados Unidos.
Pragmatismo Ele conta que, desde sua primeira passagem pela Casa Branca, as emoções opondo norte e sul já estavam presentes, mas acredita que o governo de Barack Obama tem sido pragmático nas exigências feitas aos emergentes e enfatiza que é preciso que os países em desenvolvimento façam mais, em especial a China, que é, juntamente com os EUA, o maior poluidor mundial."Estamos cientes do extraordinário progresso que a China está fazendo neste setor. Quem pensa que a China está parada, não está olhando para as ações dos chineses. Eles têm como meta obter 15% de sua energia até 2020 a partir de fontes renováveis e contam com metas de eficiência energética que superam as nossas. Mas as emissões chinesas continuam subindo devido ao desempenho econômico chinês, por isso, apesar de estarem fazendo muito, terão que fazer muito mais, e acatar compromissos no contexto internacional, como outros já fizeram." Amazônia O negociador ambiental americano também afirmou que "os Estados Unidos estão totalmente comprometidos com esforços para preservar a Amazônia e pretendem trabalhar com o Brasil para fazê-lo".Indagado pela BBC Brasil se os americanos apóiam a proposta brasileira de criar um fundo para a preservação da Floresta Amazônica - com o qual o governo da Noruega já se comprometeu em doar US$ 1 bilhão até 2015 - ele não disse nem que sim nem que não.Stern afirmou que "há uma vívida discussão" sobre qual é a melhor maneira de manter as florestas tropicais de pé e que fundos, como o amazônico, são uma das propostas, assim como o chamado mercados de carbono, que são certificados emitidos quando há redução na emissão de gases poluentes.
O negociador americano não indicou uma preferência por um ou outro modelo, apenas lembrou que Brasil e Indonésia (os dois países que mais desmatam) têm um papel importante a exercer, porque o desmatamento responde por 20% das emissões mundiais.
Conteúdo real As edições prévias do Fórum das Grandes Economias sobre a Energia e o Clima foram realizadas durante a gestão do ex-presidente George W. Bush, cuja administração se negou a ratificar Kyoto e condicionou avanços em negociações sobre reduções de emissões à adoção de medidas idênticas por parte da China e da Índia.
O representante da área ambiental americana saudou a gestão anterior por ter tido a idéia de reunir diferentes nações para tratar de medidas capazes de conter as mudanças climáticas."A diferença é que queremos revigorar esses processos, dar a eles uma missão verdadeira, com um conteúdo real. O presidente (Obama) está profundamente comprometido em levar esse tema adiante, buscando um programa para desenvolver energias limpas e um acordo internacional forte e importante, de uma maneira que não foi vista na administração anterior".
Especialistas estão examinando relatos de mortes causadas por um surto de gripe suína no México. Entenda o que é a doença e quais seus riscos.O que é a gripe suína? Uma doença respiratória que atinge porcos causada pelo vírus influenza tipo A, que tem diversas variantes. Algumas das mais conhecidas são a H1N1, a H2N2 e a H3N2.
Surtos da enfermidade são comuns, mas raramente causam mortes nos animais.
A gripe tende a se propagar mais durante o outono e o inverno, mas são registrados casos durante o ano inteiro.Existem vários tipos de gripe suína e, assim como acontece no caso da gripe humana, o vírus causador da doença se modifica constantemente.
Os humanos podem contrair a gripe suína? Normalmente não, mas no passado foram registrados casos em pessoas que tiveram contato próximo com porcos.
Mais raros ainda são os casos documentados de contágio de pessoa para pessoa.
A contaminação ocorre da mesma forma que a gripe comum, por meio de perdigotos lançados na tosse e espirros.
Esta doença no México é um novo tipo de gripe suína? A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou que alguns dos casos registrados são formas não conhecidas da variedade H1N1do vírus Influenza A.
Ele é geneticamente diferente do vírus H1N1 que vem atacando humanos nos últimos anos e contém DNA associado aos vírus que causam as gripes aviária, suína e humana, incluindo elementos de viroses europeias e asiáticas.
O quanto as pessoas devem se preocupar? A OMS afirma que ainda é muito cedo para lidar com a situação como se ela fosse o início de uma pandemia.
Entretanto, o risco existe e a evolução dos casos está sendo acompanhada de perto por especialistas.
A cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, anunciou que o novo aeroporto, planejado para ser o maior do mundo em número de passageiros e volume de cargas, terá sua inauguração atrasada devido à crise financeira global. O ambicioso aeroporto internacional Al-Maktoum e todo o complexo turístico ao redor custará US$ 33 bilhões e está sendo erguido no deserto, nos arredores de Dubai, a 40 km do centro da cidade.Pelo projeto, o Al-Maktoum terá o tamanho combinados dos aeroportos de Heathrow, em Londres, e o O'Hare, em Chicago, nos Estados Unidos, dois dos mais movimentados do mundo.
"O novo aeroporto não ficará operacional antes de junho de 2010, um ano a mais do que o previsto. Mas mesmo esta nova data está em aberto", disse Paul Griffiths, presidente da Dubai Airports, em uma entrevista à imprensa dos Emirados Árabes Unidos.
O atraso é apenas um reflexo de como a crise está atingindo países da região como Arábia Saudita, Kuwait e Omã, que viveram um período de prosperidade com o petróleo a US$ 147 por barril e que, agora, estão tendo que se ajustar a uma cotação média de US$ 50.
Megaprojetos Os "ajustes" no projeto, de acordo com a Dubai Airports, seriam para lidar com a crise financeira, que fez cair a demanda por viagens e o fluxo de cargas.
Nos últimos meses, revistas de negócios anunciaram que dezenas de bilhões de dólares em outros projetos de arranha-céus, condomínios e hotéis de luxo foram paralisados ou cancelados em Dubai como resultado da crise econômica.
Segundo dados da empresa de consultoria Roland Berger Strategy Consultants, os dez maiores megaprojetos da região dos países do Golfo Pérsico somam juntos US$ 176 bilhões.
Destes, os quatro maiores são de Dubai, que juntos totalizam US$ 105 bilhões, entre o novo aeroporto, complexos hoteleiros, orla marítima e uma zona franca de negócios.
Mas com a economia global enfrentando uma recessão, analistas questionam os investimentos em grandes projetos em Dubai e em países do Golfo.
"Durante um período com altas na cotação do petróleo, os países do Golfo, e principalmente Dubai, acumularam riquezas que os levaram a megaprojetos audaciosos e investimentos em outros países", disse o economista e cientista político Fares Ishtay, da Universidade Libanesa.
Depois de chegar a exorbitantes US$ 147 por barril, em julho de 2008, a cotação caiu para em média de US$ 50, causando um vácuo nas finanças dos países exportadores no Oriente Médio.
"Depois da euforia, governos do Golfo passaram a gastar mais. Mas com o menor preço do petróleo, um número de projetos de infraestrutura ficaram ameaçados. Está mais difícil agora", afirmou.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) salientou que com a cotação atual, os Emirados e a Arábia Saudita conseguem equilibrar seus orçamentos. Os países do Golfo disseram que um preço "justo" seria de US$70 a US$75 o barril.
"Sem grande volume de dinheiro, megaprojetos como o novo aeroporto de Dubai dão a impressão de obsessão e negócio arriscado", enfatizou Ishtay.
Segundo o relatório Global Economic Outlook (Perspectiva Econômica Mundial) do FMI, divulgado nesta semana, a economia dos Emirados Árabes deve encolher 0,6% neste ano.
Leia mais na BBC Brasil: FMI prevê maior retração global desde a depressão de 29
24/04/2009 06:23 PM
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