Um laboratório de tecnologia digital britânico está à procura de casais que mantêm relacionamentos de longa distância para testar um protótipo de aparelho que promete comunicar a intimidade entre os dois. O aparelho, batizado de Mutsugoto, permite ao casal desenhar com fachos de luz sobre os corpos ou camas dos parceiros à distância.
O laboratório pretende encontrar três casais para testar o aparelho durante o Festival de Artes de Edimburgo, na Escócia, em agosto. O site do laboratório Distance Lab já está recebendo inscrições de casais interessados em participar da experiência.
Para poder participar, o casal deve ter um dos parceiros vivendo em Edimburgo ou nas imediações e o outro a pelo menos 250 quilômetros de distância.
Aparelho capta e reproduz movimentos do parceiro / Foto: Mutsugoto/ Distance Lab
Alternativa
Stefan Agamanolis, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do aparelho, diz que esta é a primeira vez que ele será testado desta maneira.
Segundo ele, o aparelho foi desenvolvido para comunicar a intimidade e para oferecer uma alternativa ao envio de mensagens por celular ou por e-mail.
Deitados em suas camas a centenas de quilômetros de distância uns dos outros, os parceiros usam anéis ativados pelo toque e que são captados por uma câmera instalada acima deles.
Um sistema computadorizado identifica o movimento do anel quando um dos parceiros o passa sobre o próprio corpo ou sobre sua cama.
Simultaneamente, esses movimentos são transmitidos e projetados em fachos de luz sobre o corpo do parceiro. As linhas mudam de cor quando se encontram.
O laboratório se especializou em desenvolver projetos tendo como tema a distância.
Entre os demais projetos em desenvolvimento, está um jogo no qual as pessoas podem lutar com outras pessoas que estão do outro lado do mundo.
A imagem dos lutadores é projetada em um colchão especial capaz de registrar a intensidade da força.
Um médico australiano e físico amador cria imagens inusitadas usando raios de alta voltagem e o próprio corpo em sua casa, numa zona rural do interior da Austrália. Com um aparelho chamado bobina de tesla - um transformador que gerar alta tensão - Peter Terren transforma energia elétrica doméstica em um raio super potente que pode chegar a 500 mil volts, formando as "esculturas elétricas". As fotografias de suas obras são colocadas em seu site.
A carga elétrica passa pelo corpo de Terren, que usa uma camada de folhas de alumínio do tipo usado em construções por baixo da roupa para protegê-lo de choques. O alumínio conduz a eletricidade até o solo sem provocar desconforto no médico.
Em outras obras, Terren fica dentro de gaiolas de metal, para evitar o contato elétrico.
"Este é meu hobby, nada mais", disse Terren à BBC Brasil. "Minha família não se preocupa mais porque faço isso há anos. Eles só não gostam se afetar o sinal da TV", brinca ele.
Na sua mais recente obra, o médico se inspirou na famosa escultura de bronze O Pensador, do francês Auguste Rodin, rebatizando-a de Pensador Moderno.
Para criá-la, Terren recebe uma carga de 200 mil volts de eletricidade no corpo, que o transforma numa faísca humana durante cerca de 15 segundos.
"Pensador moderno", criado por Terren / Peter Terren
Intensidade da corrente
"O mais perigoso não seria a alta voltagem usada, mas sim uma corrente com intensidade acima de 10 milhões de amps, o que não ocorre no caso de Terren pois ele usa correntes de baixa intensidade", explica o supervisor da faculdade de física da Universidade da Austrália Ocidental, Jayjay Thesan, que dá suporte técnico às experiências do médico.
"Não é perigoso porque ele faz com muita segurança e sem envolver ninguém", afirma ele.
Terren disse que, como não tem vizinhos - pois mora numa zona rural na cidade de Bulbury, Estado da Austrália Ocidental - assusta apenas os cangurus nos arredores cada vez que experimenta uma novidade.
Eu me descrevo como um "artista de alta voltagem", disse ele.
O médico, que se diz um "estudante do primeiro ano de física que abandonou a faculdade", explicou que quanto mais alta a voltagem, mas facilmente a eletricidade passa pelos objetos.
Médico usa eletricidade para fazer arte / Peter Terren
"Se a voltagem for alta o suficiente, passa pelo ar e o ioniza, formando as correntes de raios, como vemos nas fotos". "Sou muito cuidadoso. Nunca recebi grandes choques", comentou.
Uma das obras mais visitadas no site de Terren é Proteção contra ladrões de carros, onde o australiano aparece conectando uma bobina de tesla no teto do carro, formando um anel elétrico em volta do veículo.
No entanto, a experiência que Terren descreveu como a "mais aventureira" foi na piscina.
O médico entrou na água e recebeu raios elétricos na cabeça, protegida por um chapéu de lata com alumínio. "Pareceu perigoso, mas foi muito seguro. Não faço nada perigoso. Não gosto de correr riscos".
O Brasil vem se transformando na última década em uma potência regional única, ao se tornar uma sólida democracia de livre mercado, uma rara ilha de estabilidade em uma região conturbada e governada pelo Estado de direito ao invés dos caprichos dos autocratas. A afirmação é feita em artigo publicado na última edição internacional da revista americana "Newsweek".
"Contando com a cobertura da proteção de segurança americana, e um hemisfério sem nenhum inimigo crível, o Brasil tem ficado livre para utilizar sua vasta vantagem econômica de seu tamanho dentro da América do Sul para auxiliar, influenciar ou cooptar vizinhos, ao mesmo tempo conseguindo conter seu rival regional problemático, a Venezuela", afirma o artigo.
Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "preside uma superpotência astuta como nenhum outro gigante emergente".
O artigo foi publicado menos de um mês após Lula ter aparecido na capa da "Newsweek", com uma entrevista exclusiva à revista após seu encontro com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca.
Brasil é destaque na edição online da "Newsweek" / Reprodução
Poderio militar
A "Newsweek" observa em seu último artigo que enquanto outros países emergentes e mesmo os Estados Unidos contam com seu poderio militar como forma de afirmação, o Brasil "expressou suas ambições internacionais sem agitar um sabre".
A revista observa que quando há algum conflito na região, o Brasil envia "diplomatas e advogados para as zonas quentes ao invés de flotilhas ou tanques".
O artigo também comenta que o Brasil tem se tornado uma voz mais assertiva para os países emergentes nos temas internacionais, contestando por exemplo os subsídios agrícolas dos países ricos.
"Nenhum governo foi tão determinado como o de Lula em estender o alcance internacional do Brasil. Apesar de ter começado sua carreira política na esquerda, Lula surpreendeu os investidores nacionais e estrangeiros ao preservar as políticas amigáveis ao mercado de Fernando Henrique Cardoso internamente, para a frustração dos militantes de seu Partido dos Trabalhadores. Para a esquerda, ele ofereceu uma política externa vitaminada", diz a "Newsweek".
Influência americana
A revista diz que os esforços brasileiros advêm da estratégia "não-declarada" de se contrapor à influência dos Estados Unidos e de dissipar as expectativas de que exerça um papel de representante de Washington", mas que nem por isso o país embarcou na "revolução bolivariana".
"Pelo contrário, Lula tem controlado a região ao cooptar os vizinhos com comércio, transformando todo o continente em um mercado cativo para os bens brasileiros", diz o artigo. "No fim das contas, o poder do Brasil vem não de armas, mas de seu imenso estoque de recursos, incluindo petróleo e gás, metais, soja e carne."
A revista afirma que isso também tem servido para conter a Venezuela e que a provável aprovação próxima da entrada do país de Hugo Chávez ao Mercosul não é "um endosso aos desejos imperiais de Chávez, mas uma forma de contê-lo por meio das obrigações do bloco comercial, como o respeito à democracia e a proteção à propriedade".
"Isso pode ser política de risco. Mas as apostas estão nos brasileiros. Sem um manual para se tornar uma potência global, o Brasil de Lula parece estar escrevendo o seu próprio manual", conclui a "Newsweek".
Depois de passar quase quatro décadas vivendo sob o domínio de uma minoria branca, parece que os sul-africanos negros passaram a ter uma simpatia natural por vítimas, o que tem ajudado o líder do CNA, Jacob Zuma, em sua longa luta para chegar à Presidência do país. Uma pesquisa de opinião publicada neste mês pelo instituto Ipsos Markinor mostra que 77% dos eleitores negros tem simpatia por Zuma, enquanto seu apoio entre os brancos é de apenas 1%.O que seus críticos encaram como fraquezas - as acusações de estupro e corrupção, a falta de educação e suas origens humildes - acabaram se tornando os pontos fortes de Zuma junto a seus correligionários.
Outra pesquisa do Ipsos Markinor revelou que muitos dos correligionários de Zuma se veem "com mais chances" de votar no candidato justamente por causa das acusações.
"Os sul-africanos amam uma vítima - alguém que foi injustiçado, ridicularizado, humilhado e abusado - alguém que teve sua dignidade atropelada pelo destino ou por inimigos reais", diz o jornalista e autor sul-africano Fred Khumalo.
Conspiração política Aos olhos de muitos negros sul-africanos, Zuma foi vítima de uma conspiração política armada pelo ex-presidente Thabo Mbeki e por seus comparsas para destruir suas chances de se tornar presidente.
Primeiro, ele foi acusado de corrupção, o que foi descartado por um juiz. Depois ele foi acusado de estupro, e subsequentemente inocentado. O juiz do caso decidiu que a relação sexual foi consensual. Em seguida, ele voltou a ser acusado de corrupção. O promotor do caso acabou desistindo da acusação, depois de alegações de que houve interferência dos inimigos políticos de Zuma no caso.
Para os críticos de Zuma, as vitórias legais equivalem - como disse o cartunista sul-africano Zapiro - a "estupros da Justiça" e um sinal de que a África do Sul estaria se tornando uma "república das bananas".
Em um comício, a líder do partido de oposição Aliança Democrática, Helen Zillie, disse: "Só a Aliança Democrática é forte o suficiente para impedir Zuma de levar a África do Sul por um caminho de um Estado falido".
Para os apoiadores de Zuma, no entanto, a decisão do governo de Mbeki de acusá-lo seria um sinal de que a África do Sul estaria voltando aos dias sombrios do apartheid, quando o governo abusava dos seus poderes e prendia opositores com acusações sem fundamento.
"Nós estamos preparados para morrer por Zuma", disse Zwelinzima Vavi, secretário-geral do Cosatu, a principal central trabalhista da África do Sul. O próprio Zuma sinalizou que está preparado para uma batalha.
Zuma tem cantado nos seus comícios a sua canção Traga-me a minha metralhadora, que ficou famosa durante o período de luta contra o apartheid.
Religião e educação Nas eleições desta quarta-feira, Zuma decidiu que votará no posto eleitoral da vila onde nasceu, Nkandla, na província de Kwa-Zulu-Natal. A escolha, em detrimento de grandes centros eleitorais como Durban ou Johanesburgo, foi feita para mostrar que um menino pastor de origens humildes pode chegar ao cargo mais poderoso do país.
Muitos negros pobres da África do Sul - que chamam Zuma pelo nome do seu clã, Msholozi - têm dito: "Se ele conseguiu ser bem-sucedido, por que nós não podemos?" Zuma transformou a escolaridade em um tema central da sua campanha, prometendo que dará ao eleitorado a educação a qual não teve acesso quando criança, durante o apartheid.
Ele prometeu que, nos primeiros cinco anos do seu governo, caso ele vença, 60% das escolas do país serão gratuitas, e que a África do Sul seria "libertada do analfabetismo", como promete o manifesto do CNA.
"Eu amo educação, porque eu sei como é ser pouco educado, tendo eu próprio passado por isso", disse Zuma.
"Mas quando você se coloca um objetivo, você sucede. Eu fiz, eu sou educado hoje." Apesar de ser um ex-comunista, Zuma também é um fervoroso apoiador da religião. Ele visita igrejas tanto para rezar como para dar sermões. Seu lado religioso também é uma forma de restabelecer sua reputação moral, abalada por escândalos envolvendo sexo e dinheiro.
Alguns líderes religiosos têm apoiado Zuma, e uma igreja chegou a declará-lo "pastor honorário".
Para muitos negros sul-africanos, isso mostra que Zuma é como eles - capaz de cometer erros e alguém que precisa de orações e redenção, não de punição e vingança.
Mas para o líder religioso mais famoso da África do Sul, o arcebispo Demond Tutu, o veredicto sobre Zuma é diferente. Ele defende que Zuma seja julgado por corrupção.
"Se ele é inocente como se diz, que seja um tribunal que o diga... no momento, eu não posso dizer que estou ansioso para vê-lo como meu presidente", disse Tutu, que já ganhou um Prêmio Nobel da Paz e é um dos símbolos da reconciliação sul-africana após o fim do apartheid.
Um incêndio que destruiu uma loja na Inglaterra, causando um prejuízo de 250 mil libras (cerca de R$ 816 mil), foi provocado por um passarinho que levou um cigarro aceso para seu ninho, concluiu uma investigação. No dia 9 de março, os bombeiros foram chamados para combater o fogo no telhado da Crescent Stores, no condado de Lincolnshire.
As primeiras investigações não encontraram falhas no sistema elétrico ou de gás, mas os peritos encontraram 35 pontas de cigarros em vários ninhos de pardais nas calhas do telhado.
Depois de intensas buscas, os consultores da companhia de seguros da loja disseram ao proprietário, Paul Sheriff, que um cigarro aceso levado por um pássaro era a única explicação possível para o incêndio.
"O telhado desapareceu e o andar de cima ficou destruído", disseSheriff. "Eu havia acabado de decorar o apartamento e tudo estava bem".
"A loja ficou imunda. O forro do teto caiu, toda a instalação elétrica foi destruída, ficou uma sujeira horrível", disse.
Sheriff agora instalou um telhado especial em sua loja para evitar novos acidentes. A loja já foi reaberta, mas o apartamento no andar de cima ainda está sendo reformado.
Um terno feito com a "lã mais cara do mundo" foi vendido para um comprador misterioso em Londres, por 70 mil libras (equivalente a pouco mais de R$ 227 mil). A roupa única foi confeccionada com uma mistura de pashminacom lã de vicunha, animal nativo da América do Sul, e a fibra qiviuk, retirada do raro boi almiscarado, encontrado no Ártico e na Groenlândia.
A composição precisou de 5 mil pontos de costura individuais, a 14 libras (R$ 45) cada um, em um trabalho que levou mais de 80 horas.
Nove botões de diamantes e ouro 18 quilates completam o terno, que será entregue ao comprador desconhecido em uma festa em Londres.
A roupa leva a assinatura do designer Alexander Amosu, que fez sua fortuna compondo e vendendo toques de celular, e agora ficou conhecido no mercado de alto luxo por personalizar celulares, iPods e outros gadgets eletrônicos.
Segundo a empresa de Amosu, entre seus clientes estão o piloto Lewis Hamilton, o rapper 50 Cent, o empresário Richard Branson e as cantoras Lilly Allen e Alicia Keys.
O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou em artigo publicado em Cuba na terça-feira que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, interpretou mal a oferta de seu irmão Raúl, o atual líder cubano, para discutir assuntos polêmicos com o governo americano.
No início do mês, Raúl Castro havia afirmado estar aberto a discutir sobre qualquer assunto com os Estados Unidos, incluindo temas como direitos humanos e liberdade de imprensa.
Obama respondeu à oferta dizendo que seu governo pretende melhorar as relações com Cuba e que via a oferta de Raúl como um sinal de avanço, mas que o governo cubano deveria primeiro soltar prisioneiros políticos e reduzir a taxação às remessas de cubanos no exterior.
"Sem dúvida que o presidente interpretou mal a declaração de Raúl", afirmou Fidel Castro em um artigo publicado no site oficial cubadebate.cu.
"Ao afirmar que está disposto a discutir qualquer tema com o presidente dos Estados Unidos, o presidente de Cuba expressa que não teme abordar qualquer tipo de assunto. É uma mostra de valentia e de confiança nos princípios da revolução", diz Fidel.
Cubanos presos
Segundo o ex-presidente, "ninguém deve se assombrar" com o fato de seu irmão falar em indultar os presos políticos e enviá-los aos Estados Unidos desde que o governo americano aceite soltar cinco cubanos presos em Miami acusados de terrorismo.
Fidel, que havia liderado Cuba desde a revolução comunista de 1959, passou o poder ao irmão após submeter-se a uma operação gástrica em julho de 2006. Desde então, não apareceu mais publicamente e apenas algumas imagens suas foram divulgadas.
Apesar de afastado oficialmente da vida pública, ele publica regularmente artigos na mídia local. As "Reflexões de Fidel", como são chamados os artigos, têm aumentado de frequência nos últimos tempos - o artigo da terça-feira foi o 13º em duas semanas.
Em seu último texto, Fidel Castro também afirma que se Obama não suspender o embargo a Cuba, estabelecido em 1962, "pode-se esperar por esse caminho um fracasso seguro como o de todos seus antecessores".
"Vivemos novos tempos. As mudanças são inevitáveis. Os líderes passam, os povos permanecem. Não teremos que esperar milhares de anos, só oito serão suficientes, para que em um carro mais blindado, um helicóptero mais moderno e um avião mais sofisticado, outro presidente dos Estados Unidos, sem dúvida menos inteligente, prometedor e admirado no mundo do que Barack Obama, ocupe esse inglorioso cargo", afirma Fidel.
Nos últimos meses, vem aumentando a pressão de países latino-americanos contra os Estados Unidos pelo levantamento do bloqueio econômico a Cuba. A questão foi o principal entrave a um consenso no documento final da Cúpula das Américas, realizada em Trinidad e Tobago no último fim-de-semana.
O Congresso Nacional Africano (CNA), partido símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul, enfrenta nesta quarta-feira o seu maior desafio nas urnas desde que chegou ao poder, em 1994. O partido de Nelson Mandela, que manteve a hegemonia política na África do Sul nos últimos 15 anos, deve vencer as eleições desta quarta-feira e indicar o seu líder, Jacob Zuma, para a Presidência do país.
No entanto, o CNA pode sair das eleições sul-africanas sem a maioria de dois terços no Parlamento, necessária para alterar a Constituição.
A oposição ganhou um reforço neste pleito. Além da tradicional Aliança Democrática, o CNA enfrenta também a concorrência do Congresso do Povo (Cope, na sigla em inglês), um novo partido formado por dissidentes do CNA e correligionários do ex-presidente Thabo Mbeki.
AFP
Eleitores colocam votos nas urnas
Durante a campanha, o Cope tentou ganhar votos do CNA questionando a honestidade de Zuma.
"Os líderes do partido governista ganham tratamento especial, só os pobrestêm que enfrentar a justiça. Estamos cansados de eleger políticos queganham bons salários, mas continuam roubando o nosso dinheiro", acusou Mosiuoa Lekota, presidente do Cope no último comício do partido.
Racha
Mesmo com grande favoritismo para vencer as eleições, o CNA enfrenta seu momento mais delicado desde que assumiu o poder, em 1994, com Nelson Mandela.
Depois de dois mandatos consecutivos de Thabo Mbeki, a aprovação do governo despencou de 75%, em 2004, para apenas 52%, em novembro passado. Além disso, Mbeki e Zuma, antigos aliados, brigaram, causando o racha que originou o Cope.
Com isso, dificilmente o CNA repetirá o desempenho das eleições passadas, quando conquistou 70% das vagas no Parlamento.
O CNA é criticado pela minoria branca (quase 10% da população) por causa de suas políticas afirmativas que beneficiam apenas os negros (cerca de 80% do povo), e Zuma ainda teve sua imagem arranhada em 2005, quando foi acusado de estupro.
AP
Participação eleitoral deve ser a maior da era democrática da África do Sul
Ele foi inocentado, mas provocou revolta em parte da população ao admitir ter tido relações sexuais sem proteção com uma mulher que ele sabia ser HIV positivo - a África do Sul é líder no número de casos de AIDS no mundo, com cerca de 5,7 milhões de infectados.
"Esta é a eleição mais interessante na África do Sul desde a de 94 porque o CNA enfrenta muitos problemas de corrupção e tem uma oposição mais forte. Além do mais, com o passar dos anos, o discurso do partido de que ele lutou pelo fim do apartheid perde um pouco da força, as pessoas começam a se interessar mais por empregos e serviços" disse à BBC Brasil a cientista política Yolanda Sadie.
Mas Zuma discorda das previsões, que considera "pessimistas", e garante que o CNA "nunca foi tão popular" como hoje.
De fato, o partido ainda tem grande influência sobre a população negra do país - segundo a pesquisa do Ipsos Markinor, 79% dos eleitores negros vão votar no CNA.
Em parte, a aprovação do CNA junto ao eleitorado se explica pelo crescimento econômico registrado nos últimos anos.
No entanto, o paísestá sendo atingido pela crise financeira global e pode entrar emrecessão pela primeira vez em 17 anos. O índice de desemprego já atingiu 22%.
Outros assuntos que preocupam o eleitor são segurança e saúde. A África do Sul tem os maiores índices de criminalidade do mundo. O país tem 5,7 milhões de pessoas contaminadas pelo HIV.
O governo da Argentina solicitou formalmente à Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, a ampliação de seu território marítimo em 1,7 milhão de quilômetros quadrados, em uma tentativa de aumentar o limite de 4,8 milhões de quilômetros quadrados de leito e subsolo oceânicos que já pertencem ao país, informou o Ministério das Relações Exteriores argentino. O território requisitado pelo país inclui as ilhas Malvinas (Falkland, para a Grã-Bretanha), Georgia e Sandwich do Sul, pelas quais a Argentina mantém uma disputa com os britânicos por mais de 170 anos.A disputa culminou com a Guerra das Malvinas, em 1982, e a soberania argentina sobre estes territórios é uma das principais bandeiras da política externa do governo da presidente Cristina Kirchner.
"A Argentina realizou um ato de afirmação soberana de seus direitos (...) para fixar de forma definitiva e obrigatória a extensão geográfica de todo o território nacional", diz um comunicado divulgado pelo ministério.
"A usurpação britânica de 1833 e a ocupação ilegal de parte do território nacional argentino levaram a comunidade internacional a insistir que o Reino Unido deve negociar com a Argentina a solução para a disputa da soberania (das ilhas), expressamente reconhecida pelas Nações Unidas e outros organismos internacionais".
"Trabalho científico" Segundo o Ministério das Relações Exteriores do país, a documentação apresentada à Convenção da ONU sobre Direito do Mar (Convemar), nesta terça-feira, é um trabalho científico e técnico de "onze anos de defesa da soberania nacional".
A solicitação reúne 840 kg de documentos e foi entregue à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU - órgão técnico da Convemar.
Pela Convenção da ONU sobre Direitos do Mar, um país pode estabelecer o limite de sua plataforma até chegar a 200 milhas náuticas.
O governo argentino quer, no entanto, que seus direitos soberanos passem de 200 milhas para 350 milhas náuticas.
A Argentina solicita também os direitos sobre a exploração dos recursos naturais destes territórios.
A reclamação argentina à ONU inclui também o chamado Setor Antártico, que o país disputa com Grã-Bretanha e Chile.
No comunicado, o governo argentino ressaltou declarações do ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, sobre a iniciativa.
"Nosso país realiza, desde 1998, um profundo e acabado trabalho científico e técnico com o critério mais conveniente para garantir a maior extensão possível (de território)".
Os efeitos da crise econômica internacional no comércio entre Brasil e Argentina prometem ser um dos principais assuntos da visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz nesta quarta e quinta-feira a Buenos Aires, como antecipou à BBC Brasil o subsecretário de Integração Econômica do Ministério de Relações Exteriores da Argentina, Eduardo Sigal. "O comércio bilateral bateu, no ano passado, recorde de US$ 31 bilhões, mas caiu 50% nos primeiros três meses deste ano (em relação ao mesmo período de 2008)", afirmou Sigal.Segundo ele, os dois países pretendem descobrir se esta retração foi resultado da "recessão" internacional ou de "desvio de comércio", ou seja, se Brasil e Argentina estariam abrindo mais espaço para mercadorias de outras economias ou blocos.
De acordo com dados da consultoria Abeceb, especializada na relação comercial entre os dois países, em março deste ano, pela primeira vez desde junho de 2003, a Argentina registrou saldo positivo na balança com Brasil.
Mas este saldo positivo (de US$ 20 milhões), no entanto, teria ocorrido devido à queda no comércio bilateral, especialmente devido à menor compra de produtos argentinos por parte do Brasil.
Disputas Nos últimos anos, a Argentina tem demonstrado preocupação com a presença de produtos asiáticos no mercado brasileiro.
Recentemente, o governo da presidente Cristina Kirchner adotou medidas para dificultar a entrada destas mercadorias, tentando proteger a produção local.
Estas medidas, no entanto, também afetaram os produtos brasileiros, gerando uma disputa entre empresários dos dois países.
Segundo Sigal e fontes da Secretaria de Indústria da Argentina, esta disputa vem sendo discutida pelos setores empresariais, com acompanhamento de negociadores dos dois governos.
Por isso, segundo eles, a expectativa é que estas diferenças não sejam tratadas durante a visita de Lula à capital argentina.
Há quinze dias, foi realizada uma reunião entre empresários dos dois países em São Paulo e um novo encontro foi marcado para o fim deste mês, em Buenos Aires.
Entre os produtos que a Argentina define como "sensíveis" estão, por exemplo, têxteis, pneus e máquinas agrícolas. Ou seja, uma lista que também inclui produtos brasileiros.
Agenda de encontros Eduardo Sigal lembrou que essa será a terceira reunião entre Lula e Cristina que faz parte de uma agenda de encontros semestrais para balanços da integração bilateral."Esse mecanismo (de reuniões a cada seis meses) começou antes da crise. Mas, agora, esses encontros passaram a ser importantes para avaliar os efeitos da crise e para se desenvolver mecanismos compartilhados para combatê-la", disse Sigal.
Lula estará acompanhado por ministros e, por isso, afirma Sigal, não se descarta que a questão a capacidade da Argentina de exportar trigo para o mercado brasileiro também seja tratada, mesmo que rapidamente.
"O Brasil nos pediu uma avaliação de quanto podemos exportar. A colheita começa agora e, após medir o que necessitaremos para o mercado interno, teremos a resposta", afirmou.
Outros assuntos que fazem parte da agenda prevista do encontro são a cooperação na área de energia nuclear para uso pacifico, infraestrutura, e ainda uma avaliação na cooperação na área de defesa, cujo carro-chefe é a fabricação conjunta do jipe militar batizado de "Gaúcho", além dos passos para a cooperação na área naval.
Todos estes assuntos já vêm sendo discutidos entre autoridades dos dois governos, mas a ideia é avaliar em que situação se encontram.
A previsão é de que também seja avaliado se a eliminação do dólar nas transações comerciais entre os dois países já surtiu os efeitos esperados.
Recentemente, reportagem publicada na imprensa argentina revelou que o interesse ainda era limitado, mas espera-se, nos dois governos, maior adesão a partir da maior compreensão da iniciativa.
Meio ambiente A Argentina também deverá expressar sua preocupação com a construção da usina hidrelétrica de Baixo Iguaçu, no Paraná, na região das Cataratas do Iguaçu.
A obra, que deverá custar cerca de R$ 1,6 bilhão, está sendo criticada por comerciantes, empresários e políticos argentinos, que temem pelos efeitos da construção no ecossistema local.
A usina será construída no município de Capitão Leônidas Marques, 90 km acima da cabeceira das Cataratas do Iguaçu e apenas 1 km do Parque Nacional do Iguaçu.
A obra colocou em alerta toda a comunidade que vive no entorno das cataratas pela perspectiva de alteração no fluxo de águas que as abastecem.
Afinar discursos Ouvidos pela BBC Brasil, os analistas argentinos Félix Peña, especialista em relações econômicas internacionais, e Raul Ochoa, especialistas em comércio internacional, destacaram que encontros assim contribuem para a integração regional. Mas fizeram ressalvas.
"O presidente Lula faz bem em agir com a fórmula 'paz e amor ' para gerar boa relação na região. Mas chegará o momento em que os problemas do Mercosul, que está paralisado, deverão ser tratados", disse Peña.
Já Ochoa observou que os presidentes deveriam aproveitar estes encontros para "afinar" os discursos antes das reuniões internacionais.
"As reuniões do G20 e a Cúpula das Américas mostraram, uma vez mais, que não estamos indo como convidados, mas como participantes sérios. Por isso, é preciso definir e afinar os discursos para que se aproveitem mais estes fóruns internacionais", destacou.
Neste contexto, Cristina Kirchner anunciou na terça-feira que também pedirá a ajuda de Lula para promover a participação da OIT (Organização Internacional do Trabalho) na próxima Cúpula do G20 (grupo de países mais ricos e principais emergentes), em setembro.
"Pedirei a Lula que me acompanhe para que na próxima reunião do G20, em setembro, participem formalmente, com voz ativa, os trabalhadores e os empresários, para discutir os caminhos para se sair da crise', disse Kirchner à imprensa, após encerrar um seminário da OIT em Buenos Aires.
22/04/2009 05:10 AM
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