Forças militares holandesas libertaram 20 reféns que haviam sido capturados por piratas somalis depois de um ataque a um petroleiro grego, informou neste sábado a Otan, a aliança militar ocidental. Os reféns, pescadores iemenitas, foram libertados quando as forças holandesas capturaram os sete piratas no Golfo de Aden, entre a Somália e o Iêmen.
Eles estavam a bordo da chamada "nave mãe" pirata, de onde pequenos barcos saíam para atacar navios comerciais.
Os piratas teriam atacado o petroleiro grego usando rifles de assalto e lança-granadas.
Um navio de guerra holandês da frota da Otan respondeu ao pedido de socorro do navio e viu os piratas fugindo em direção a um barco de pesca iemenita, disse o porta voz da Otan Alexandre Santos Fernandes.
As tropas da Otan abordaram o barco e libertaram os 20 iemenitas, que, segundo Fernandes, eram mantidos reféns desde domingo passado.
Os piratas foram liberados, segundo informações da agência de notícias Associated Press, porque de acordo com as leis holandesas, eles não poderiam ser mantidos no mar por conta das circunstâncias em que foram capturados.
A jornalista iraniana-americana acusada de espionar para os Estados Unidos foi condenada a oito anos de prisão no Irã, disse o advogado dela neste sábado. Roxana Saberi, de 31 anos, foi presa em janeiro e julgada nesta semana.
Ela chegou a trabalhar para a BBC três anos atrás e também contribuiu para a NPR, a rede pública de rádio dos Estados Unidos, e para o canal de TV americano Fox News.
Originalmente Saberi foi acusada pelo crime de comprar álcool, considerado mais leve, e depois, de trabalhar como jornalista sem uma credencial válida.
Seu julgamento foi a portas fechadas na Corte Revolucionária do Irã.
"Ela foi condenada a oito anos... nós vamos apelar", disse o advogado de Saberi, Abdolsamad Khorramshahi à agência de notícias Reuters.
O governo dos Estados Unidos já havia expressado sua preocupação com a prisão de Saberi, afirmando que as acusações contra ela são infundadas.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, já pediu que ela seja libertada.
Com nacionalidade iraniana e americana, Saberi passou seis anos no Irã estudando e escrevendo um livro.
Sua prisão e julgamento coincidiram com especulações sobre uma possível reaproximação entre Irã e Estados Unidos, com o presidente americano Barack Obama oferecendo a abertura de diálogo com Teerã em uma série de questões.
No mês passado, Obama chegou a gravar uma mensagem em vídeo desejando feliz ano novo aos iranianos e oferecendo "um novo começo" para o Irã e seu povo.
O soldado brasileiro Josafá de Moura da Silva Pereira, acusado de ter assassinado quatro pessoas em Abéché, leste do Chade, no início do mês, afirmou, em entrevista exclusiva e inédita concedida à BBC Brasil no ano passado, que sofria grande pressão psicológica no período em que serviu na Legião Estrangeira do Exército francês. Pereira é acusado de ter matado, no dia 7 de abril, dois legionários, um soldado togolês e um camponês chadiano, no que foi classificado pelo Exército francês como "um acesso de loucura".
Ele integrava o 2 regimento estrangeiro de infantaria da Legião, e estava em missão no país africano com a força de intervenção rápida da Eufor, da União Europeia.
O brasileiro foi detido no dia 9 de abril pela polícia militar do Chade, e, na última sexta-feira, foi indiciado e teve sua prisão preventiva decretada pelo Tribunal das Forças Armadas de Paris.
Ele foi entrevistado no ano passado em uma reportagem sobre o aumento do número de brasileiros na Legião Estrangeira Francesa.
Pressão
Na ocasião da entrevista, Pereira, cujo nome de legionário era Paulo da Silva (os recrutas recebem uma nova identidade ao ingressarem no Exército francês) afirmou ter sofrido "humilhações" nos primeiros meses que passou na Legião, mas disse que "o pior já havia passado".
Para ele, o treinamento inicial, de quatro meses, é a fase mais difícil. "O recruta fica isolado em Castelnaudary (cidade onde se localiza o 4 regimento da Legião), é proibido até telefonar", disse.
"O mais difícil é suportar a pressão psicológica, os soldados colocam muita pressão por qualquer erro, se o armário não está bem arrumado, se você ultrapassa o tempo de 1 minuto no banho... Você dorme pouco, acorda cedo, come rápido, é tudo na pressão". Segundo ele, uma das maneiras de pressão era fazer com que todos os outros pagassem pelo atraso de um recruta. "Eles te humilham. Se você chega atrasado, tem 5 minutos para trocar de roupa de esporte para a farda, e, enquanto, isso todo mundo fica fazendo flexão. Se você cantar mal (os hinos do grupo), eles fazem todo mundo correr e repetir os hinos por várias horas, até cantarem perfeitamente". Pereira, que à época da entrevista afirmou ter pensado em desistir (ele posteriormente tentaria desertar), disse, no entanto, que "o pior havia passado".
"Teve épocas em que eu pensava em desistir, tem muito desertor. Mas depois que você se torna rouge (soldado) fica mais fácil, você fica tomando conta dos outros. Eles são bem rígidos, como no Brasil também é assim".
De motoboy a legionáro
Pereira se alistou na Legião Estrangeira francesa em fevereiro de 2007, após ter tentado por duas vezes entrar nas Forças Armadas brasileiras.
"Sempre tive vontade de ser militar, era meu sonho desde pequeno", disse na ocasião.
"Não servi o Exército porque fui dispensado por excesso de contingente em São Paulo. Depois, também tentei fazer teste para a Marinha, mas não consegui passar. Quando fui dispensado conheci a Legião e, como gosto de aventura, sair para missões, viajar, resolvi me alistar, porque a Legião é um lugar em que você viaja muito", afirmou à BBC Brasil.
Criado em Santo André, em São Paulo, ele contou que trabalhou em diversas áreas antes de ir para a França. "Fiz várias coisas na vida. Já fui motoboy, trabalhei na construção civil e fui motorista".
Ele entrou em contato com a Legião através do irmão Jeremias, que também faz parte do Exército francês. O brasileiro afirmou que precisou vender o computador para comprar a passagem de avião, e chegou a Paris sem falar nenhuma palavra de francês. "Fui aprender um pouco com a convivência na Legião", disse.
Rotina
Na ocasião da entrevista, o brasileiro estava no quartel de Nîmes, no sul da França.
Ele contou que sua rotina começava às 5h30 junto com os outros soldados para estarem prontos para a revista, pontualmente às 6h. Depois, os primeiros serviços eram distribuídos - "os mais novos pegam os serviços mais pesados" - como fazer guarda, faxina, cuidar das armas, organizar os escritórios administrativos ou cozinhar para a tropa. "Isso é quando não temos instrução ou treinamento", disse à BBC Brasil. "Passei duas semanas em outro regimento fazendo demonstração de combate urbano". Segundo ele, o trabalho mais pesado era fazer guarda à frente do quartel durante 24 horas. "Não pode ter marca nenhuma na roupa, tem que se vestir bem".
No final do dia, contou, havia algumas horas de esporte: futebol, vôlei ou corrida. Na época da entrevista, ele disse que estava ansioso para ir para Djibuti, na África, de onde tentaria desertar meses mais tarde, na sua primeira infração disciplinar às normas da Legião.
Soldado exemplar
Na opinião de outros legionários brasileiros, Pereira era um bom colega. "Eu tive a chance de conhecê-lo em Nîmes quando estive lá. De baixa estatura, tinha pouco tempo de serviço, mas era querido pelos colegas brasileiros", escreveu um legionário sobre ele.
Já João Rafael Tirabassi, que ingressou em 2007 e está afastado da Legião, diz que o considerava um "soldado exemplar". "Ele era evangélico, orava sempre. Não faltava em serviço, respeitava os superiores, mantinha sempre seu fardamento limpo e bem passado, e não reclamava de nada", disse Tirabassi.
Uma explosão no armazém de uma mina de carvão no centro da China matou 18 pessoas na sexta-feira à tarde. O armazém continha dinamite e detonadores. A explosão foi tão violenta que destruiu completamente o prédio de três andares na província de Hunan.
Segundo a mídia local, algumas das vítimas estavam em dormitórios adjacentes ao armazém na hora da explosão.
De acordo com a agência estatal de notícias chinesa Xinhua, a polícia está investigando as causas do acidente, mas as autoridades acreditam que a dinamite e os detonadores podem ter sido comprados e estocados ilegalmente.
A polícia agora procura os donos da mina. As minas de carvão chinesa são conhecidamente perigosas e, de acordo com dados do governo, pelo menos 3.200 trabalhadores morreram em acidentes no ano passado.
Segundo observadores independentes, esse número poderia ser ainda maior.
Nos últimos anos, o governo central fechou uma série de minas de carvão ilegais e de pequeno porte, em uma tentativa de reduzir o número de acidentes, mas suas políticas para aumentar a segurança nem sempre são respeitadas em nível local.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou formalmente, nesta sexta-feira, uma linha de crédito de US$ 47 bilhões para o México. Esta é a primeira vez que um país fecha um acordo com o Fundo na modalidade de Linha de Crédito Flexível, anunciada no final do mês passado e desenvolvida para ajudar economias em desenvolvimento com bons desempenhos a lidarem com os efeitos da crise econômica internacional.Esta modalidade de linha de crédito- que não estabelece condições após a realização do empréstimo nem impõe limites às quantias emprestadas - está sendo procurada também por diversos países da Europa Oriental, que foram fortemente atingidos pela crise.
Leia também na BBC Brasil: FMI anuncia reforma em sua política de empréstimos O governo mexicano, no entanto, já afirmou que a medida é apenas uma precaução e que não pretende utilizar o dinheiro do empréstimo.
Cerca de 80% das exportações mexicanas são direcionadas aos Estados Unidos, e o país tem sofrido bastante com a recessão na economia vizinha.
A produção industrial mexicana caiu mais de 13% no mês passado, o maior declínio em 14 anos.
O peso mexicano também está em uma trajetória de queda, tendo perdido cerca de 20% de seu valor em relação ao dólar durante o ano passado.
Após o anúncio de que o país buscaria uma linha de crédito com o FMI, no início do mês, o valor do peso e o mercado de ações mexicano começaram a apresentar reações positivas.
Em um discurso "voltado para o futuro, e não preso ao passado", o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convidou os chefes de Estado das Américas a criar "um novo senso de parceria no hemisfério". "Eu peço aos senhores que possamos buscar uma parceria igualitária, sem parceiros juniores ou seniores.Estou aqui para lançar um novo capítulo", disse o presidente americano em seu discurso de abertura na Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, nesta sexta-feira.
Diante de outros 33 chefes de Estado, Obama sugeriu que, para seguir adiante nesse novo modelo, os países da região "não podem ficar prisioneiros de desavenças do passado".
O presidente americano disse ainda que os Estados Unidos buscam um "novo começo" nas relações com Cuba e que está preparado para discutir temas variados, como direitos humanos e imigração.
"Não estou interessado em falar por falar. Eu acredito que podemos colocar as relações Estados Unidos-Cuba em uma nova direção. Os Estados Unidos querem um novo começo com Cuba", disse Obama.
Responsabilidades Além de sugerir um novo modelo de parceria com a região, Obama também pediu contrapartidas.
Segundo ele, os Estados Unidos estão preparados para "assumir os erros do passado", mas que seu país "não pode ser culpado por tudo que acontece no hemisfério".
"Isso é parte da mudança que precisa acontecer", disse Obama. "Não são só os Estados Unidos que precisam mudar. Todos nós temos responsabilidades", acrescentou.
O presidente americano destacou a "diversidade" entre os países da região.
"Cada uma das nações tem o direito de seguir seu próprio caminho. Mas todos temos a responsabilidade de garantir que a população das Américas possa perseguir seus próprios sonhos em sociedades democráticas", disse Obama.
Durante seu discurso, Obama propôs a criação de uma parceria específica para energia.
Segundo ele, o objetivo é consolidar a "a visão e a determinação de países como México e Brasil".
De acordo com o presidente americano, os dois países têm feito um "excelente" trabalho na promoção de energias renováveis.
"Saudação histórica" Pouco antes da abertura da cúpula, os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Venezuela, Hugo Chávez, trocaram um breve cumprimento.
Em um ato que o governo venezuelano está classificando como "uma saudação histórica", os dois líderes se cumprimentaram e Chávez afirmou querer se tornar "amigo" de Obama.
"Com esta mesma mão, há oito anos, eu cumprimentei (o ex-presidente norte-americano George W.) Bush. Quero ser seu amigo", disse Chávez a Obama, segundo a página de internet do Ministério das Comunicações da Venezuela.
Leia também na BBC Brasil: Em cúpula, Chávez diz querer ser 'amigo' de Obama
O legionário brasileiro acusado de matar quatro pessoas no Chade, no último dia 7 de abril, foi indiciado nesta sexta-feira, na França, "por homicídios dolosos (com a intenção de matar), sendo dois deles agravados por premeditação", e teve sua prisão preventiva decretada pelo Tribunal das Forças Armadas de Paris, segundo afirmou à BBC Brasil o procurador Jacques Baillet. Josafá de Moura Pereira também foi indiciado por desvio de armas e de munição do Exército francês.
As acusações de homicídio com premeditação se referem aos dois membros da Legião Estrangeira que teriam sido mortos pelo brasileiro.
As outras duas vítimas são um soldado togolês da missão da ONU no Chade e um camponês chadiano. Pereira foi preso em Abéché, no leste do país, na quinta-feira da semana passada.
O brasileiro desembarcou em Paris no final desta tarde (às 12h30 em Brasília), no aeroporto Charles de Gaulle, a bordo um avião militar francês, e foi imediatamente escoltado ao Tribunal das Forças Armadas de Paris.
"O legionário não negou as acusações, mas não quis se expressar sobre a questão nas audiências no tribunal. Sua atitude foi retraída e ele demonstrou estar cansado", disse o procurador.
"Ele disse que irá se explicar depois sobre as acusações que lhe são imputadas, em condições mais favoráveis", afirmou Baillet.
Prisão perpétua
Pereira será julgado segundo a legislação penal francesa, já que o Tribunal das Forças Armadas de Paris, que tem competência para julgar crimes cometidos por militares franceses no exterior, é, na realidade, uma corte civil.
O único juiz militar desse tribunal é o encarregado de recolher as provas do processo, tanto da acusação quanto da defesa.
O advogado de Pereira, Eric Morain, poderá entrar com um pedido de liberdade a qualquer momento do processo. O legionário foi levado na noite desta sexta para o presídio da Santé, em Paris.
Ainda não há uma data prevista para a realização do julgamento. O brasileiro pode ser condenado à prisão perpétua na França, afirma Baillet.
Procedimentos
Inúmeros procedimentos jurídicos devem realizados até o julgamento. O juiz irá solicitar, por exemplo, uma avaliação psiquiátrica, um exame médico-psicológico, uma investigação sobre a personalidade do brasileiro, além de elementos sobre sua situação profissional na Legião Estrangeira, afirma o procurador.
Na próxima semana, Pereira será novamente ouvido pelo juiz encarregado de recolher as provas do processo.
Nesta sexta, Pereira passou mais de cinco horas no Tribunal das Forças Armadas de Paris, onde compareceu a várias audiências, com o auxílio de um tradutor. Ele se reuniu também com seu advogado.
Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Venezuela, Hugo Chávez, trocaram um breve cumprimento nesta sexta-feira, pouco antes da abertura da sessão inaugural da 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago. Em um ato que o governo venezuelano está classificando como "uma saudação histórica", os dois líderes se cumprimentaram e Chávez afirmou querer se tornar "amigo" de Obama.
"Com esta mesma mão, há oito anos, eu cumprimentei (o ex-presidente norte-americano George W.) Bush. Quero ser seu amigo", disse Chávez a Obama, segundo a página de internet do Ministério das Comunicações da Venezuela.
Ainda segundo o governo venezuelano, Obama teria agradecido a saudação.
As relações entre a Venezuela e os Estados Unidos foram bastante tensas durante os oito anos do governo de George W. Bush.
Chávez costumava fazer duras críticas às políticas do ex-presidente dos Estados Unidos e, durante a 61 Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 2006, chegou a chamá-lo de "diabo".
Expectativa
Há uma grande expectativa a respeito da atuação de Obama durante a Cúpula das Américas, já que este é seu primeiro encontro oficial com a maior parte dos líderes da região.
Analistas e políticos esperam que Obama sinalize, durante a cúpula, mudanças em relação à diplomacia norte-americana para a América Latina.
Estas expectativas aumentaram ainda mais com fato de a Casa Branca ter anunciado, apenas alguns dias antes do encontro, o relaxamento de algumas restrições a viagens e envio de remessas a Cuba que haviam sido implementadas durante do governo Bush.
Críticas
Mesmo assim, antes mesmo do início da reunião em Trinidad e Tobago, Chávez anunciou que "vetaria" a declaração final da Cúpula, que termina no próximo domingo.
Entre as principais críticas de Chávez está o fato de Cuba não estar representada na Cúpula das Américas. A ilha caribenha foi suspensa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962.
Também nesta sexta-feira, os líderes da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), um bloco formado por países latino-americanos com governos de tendência esquerdista - entre os quais estão Venezuela e Cuba - divulgaram um documento onde classificam a declaração final da Cúpula das Américas como "inaceitável".
Segundo os países da Alba, o rascunho da declaração final - que já foi divulgado - "exclui injustificadamente" o debate sobre o fim do bloqueio americano a Cuba e "não dá respostas" à crise econômica internacional.
Os presidentes da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) afirmaram nesta sexta-feira que "não há consenso" entre os países da região para aprovar a declaração final da 5 Cúpula das Américas, porque ela "exclui injustificadamente" o debate sobre o fim do bloqueio americano a Cuba e por "não dar respostas" à crise econômica internacional. O encontro da Alba, entidade que reúne Venezuela, Bolívia, Paraguai, Nicarágua, Honduras, Dominica e São Vicente e Granadinas, aconteceu na Venezuela na última quinta-feira.Em um documento dirigido à cúpula que começa nesta sexta-feira, em Trinidad e Tobago, os presidentes da Alba propõem realizar um "debate profundo" por considerarem que a declaração final do encontro é "insuficiente" e "inaceitável".
Como já era esperado, os presidentes da Alba pedem ao governo dos Estados Unidos que cumpra com a disposição da Assembleia Geral das Nações Unidas, que por 17 vezes consecutivas "determinou o fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro que mantêm contra Cuba", diz o documento, que foi lido pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pouco antes de ele embarcar para Trinidad e Tobago, nesta sexta-feira.
Isolamento O documento da Alba também pede a reincorporação de Cuba ao sistema interamericano.
"Consideramos que fracassaram as tentativas de impor o isolamento a Cuba, que hoje é parte integrante dos mecanismos regionais de cooperação (...) portanto, não existe razão nenhuma que justifique sua exclusão do mecanismo da Cúpula das Américas", acrescenta.
Os presidentes da Alba afirmaram que "rechaçam da forma mais enérgica" e pediram o fim da aplicação da lei Helms-Burton, que estabelece represálias a qualquer companhia norte-americana que mantenha relações comerciais com a ilha.
No primeiro encontro do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com a região, a tentativa da Casa Branca é a de não permitir que o assunto cubano centralize o debate na Cúpula das Américas.
"Crise capitalista" Os presidentes da Alba também afirmam no documento que a declaração da Cúpula das Américas "não dá resposta" à crise financeira internacional, "apesar de ela constituir o maior desafio que a humanidade enfrenta em décadas".
"A crise econômica global, as mudanças climáticas e as crises alimentar e energética são produto da decadência do capitalismo que ameaça acabar com a própria existência da vida e do planeta", diz o documento.
"É necessário desenvolver um modelo alternativo ao sistema capitalista", acrescenta a declaração.
Além da Venezuela, assinaram o documento os presidentes da Bolívia, Evo Morales; de Cuba, Raúl Castro; do Paraguai, Fernando Lugo; da Nicarágua, Daniel Ortega; de Honduras, Manuel Zelaya, e os premiês de Dominica, Roosevelt Skerrit, e de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além do chanceler do Equador, representando o presidente Rafael Correa.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, diz que a resolução que retirou Cuba da organização "deve ser abolida" e que só assim o processo de reintegração poderá continuar.
"Em minha opinião, a OEA deveria abolir essa resolução, que é um resquício da Guerra Fria", disse Insulza, nesta sexta-feira, a um grupo de jornalistas em Port of Spain, antes da abertura da 5a Cúpula das Américas.
O assunto se transformou no principal tema da cúpula, que começou nesta sexta-feira em Trinidad e Tobago. Insulza disse ainda que o texto da resolução contém referências históricas "ultrapassadas", como o trecho que menciona um "bloco de países sino-soviéticos".
Segundo o secretário, antes de se debater a volta de Cuba ao grupo "é preciso suspender a resolução". A suspensão não significa a volta automática da ilha à OEA, mas é vista como um primeiro passo.
"O retorno de Cuba à OEA é uma decisão cubana e que precisa ser discutida por todos os membros da organização", disse. "Se for para Cuba ficar de fora da OEA, essa é uma decisão que deve ser tomada com base em razões válidas, e não em razões do passado", disse.
A próxima assembleia da Organização está marcada para junho, em Honduras.
Posição americana
Para que Cuba possa retornar como membro integral à OEA, é necessário que todos os países do grupo sejam favoráveis. Por isso a posição americana é de extrema importância. Segundo um diplomata brasileiro, "é preciso saber ainda se Cuba quer voltar".
"O artigo 3 da carta da OEA fala explicitamente em eleições democráticas e pluripartidarismo. Esse é um dos grandes obstáculos à reintegração da ilha", disse o diplomata à BBC Brasil.
Uma das possibilidades "prováveis", segundo ele, seria iniciar um processo de reintegração "gradual", com a participação do governo cubano em comissões de caráter mais técnico. "Pode-se abrir uma exceção, em função do peso simbólico que a questão tem para a região", diz a fonte.
Para um outro funcionário do governo brasileiro, o encontro dos líderes das Américas (Calc), na Bahia, em dezembro passado, teria "selado" a opinião geral de que Cuba deve ser reintegrada à OEA.
No entanto, diz a fonte, "não seria o momento" de se levar a questão ao Congresso americano, ainda envolvido com a crise. A aprovação do fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba abriria espaço para que os americanos defendam a volta da ilha à OEA.
A aprovação do fim da suspensão também daria "novo fôlego" à OEA, que para alguns estaria perdendo espaço político com a multiplicação de iniciativas regionais na América Latina, entre elas o conselho de segurança da Unasul.
"De qualquer forma, é preciso que se entenda que isso é um processo. Não vai acontecer da noite para o dia", diz o funcionário brasileiro.