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Líderes da América Latina querem redefinir relação com Estados Unidos

RIO DE JANEIRO – Há quatro anos, quando o presidente George W. Bush viajou à Argentina para se unir com líderes latino-americanos, manifestantes quebraram janelas, saquearam lojas e fizeram slogans anti-Bush.

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, convidou 25 mil pessoas a irem a um estádio de futebol para protestar contra as políticas de livre comércio dos Estados Unidos.

O auge do encontro foi apontado como um fiasco para Bush e um declínio nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina.

Agora, o presidente Barack Obama viaja a Trinidad e Tobago, para a 5ª Cúpula das Américas, que ocorre neste fim de semana. Ele tem a chance de acabar com as lembranças do último encontro e se reunir com a América Latina, uma região que se manteve distante do conflito no Iraque durante os anos de Bush.

Mas os líderes latino-americanos estão buscando mais do que se reunir. Eles querem redefinir a relação entre os países.

“Eu pedirei aos Estados Unidos para ter uma visão diferente da América Latina”, disse Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, no mês passado antes do encontro com Obama em Washington. “Somos democráticos, um continente pacífico e os Estados Unidos devem olhar para a região de uma maneira desenvolvida e produtiva, não pensar apenas no tráfico de drogas ou no crime organizado”.

Líderes de 34 países com governos eleitos democraticamente formam a Cúpula das Américas. Eles esperam pressionar Obama em questões que incluem a economia mundial e as políticas dos Estados Unidos sobre Cuba e as drogas.

 
Por ALEXEI BARRIONUEVO


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17/04/2009 06:11 PM

Estudo revela passado de super-secas na África

Durante pelo menos três mil anos, uma série de potentes secas, muito mais graves e duradouras do que as que são experienciadas hoje, atingiram o cinturão sub-Saariano da África que hoje abriga milhões das pessoas mais pobres do mundo, afirmaram pesquisadores climáticos.

NYT
África

Secas que atingem região de tempos em tempos é inevitável e imprevisível

A última de tais secas, que persistiu mais de três séculos, terminou por volta de 1750, a equipe de pesquisa revela na edição do dia 17 de abril do jornal Science.

Os cientistas alertaram que tais mega-secas são inevitáveis, apesar de não existir uma forma de prever quando a próxima acontecerá.

A assustadora descoberta surgiu do primeiro estudo ano a ano das condições climáticas na região ao longo de milênios, com base nas camadas de lama e árvores mortas em um lago de Gana. Apesar das evidências terem sido colhidas apenas em uma localidade, o lago Bosumtwi, os pesquisadores disseram ter provas de que os padrões de seca que marcaram o leito do lago atingiram toda a região do oeste da África.

O principal autor do estudo, Timothy M. Shanahan da Universidade do Texas e Jonathan T. Overpeck da Universidade do Arizona, alertaram que o aquecimento global deve exacerbar estas secas.

Kevin Watkins, diretor do gabinete de Relatórios de Desenvolvimento Humano da ONU, disse: "Muitas das 390 milhões de pessoas que vivem na África com menos de US$1,25 por dia são pequenos fazendeiros que dependem de duas coisas: terra e chuva. Qualquer mudança climática como o atraso nas chuvas, ou uma mudança no ciclo das secas, pode ter efeitos catastróficos".

Por causa da vulnerabilidade da região, as novas descobertas e a perspectiva de aquecimento global podem ser "sinais precoces de uma reversão sem precedentes e catastrófica no desenvolvimento humano", disse Watkins.

O estudo afirma que algumas das grandes secas do passado tiveram relação com padrões de aumento e redução da temperatura da superfície do Oceano Atlântico, algo que é conhecido como a oscilação multi-decanal do Atlântico.

Tipicamente, nos últimos três mil anos, uma mega-seca aconteceu a cada 30 e 65 anos, segundo os pesquisadores. Mas diversas as secas que duraram séculos e foram registradas no clima, a mais recente persistindo de 1400 até cerca de 1750, são mais difíceis de se explicar.

Ainda que esta seca tenha acontecido durante um período de frio no Hemisfério Norte conhecido como a "Pequena Idade do Gelo" outras apareceram quando o mundo estava relativamente quente, diz o estudo.


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17/04/2009 05:00 PM

Em nome da beleza, americanas adotam prática rápida, barata e mortal

NOVA YORK - Como quase toda mulher, Fiordaliza Pichardo queria apenas ficar bonita. Por isso, alguns anos atrás ela começou a receber injeções de silicone de uma mulher que conheceu através de uma amiga para enrijecer as coxas e o bumbum. Ela nunca esperava pagar um preço tão alto pela beleza.

Em março, um dia depois de receber uma injeção, Pichardo, 43, morreu do que os legistas determinaram ser uma embolia pulmonar de silicone.

O departamento de saúde da cidade teme que o uso ilegal de silicone como alternativa à cirurgia cosmética esteja em alta. O centro de controle de venenos já recebeu três ligações nos últimos 10 meses de médicos que trataram pacientes com silicone injetável. Nos dois últimos anos, a cidade registrou apenas dois casos.

Oficiais do Departamento de Saúde dizem que outros casos podem ter passado despercebidos, uma vez que os médicos não são obrigados a relatar o envenenamento ou morte por causa do silicone e a substância é difícil de ser detectada em aparelhos de raio-X ou tomografia.

Nacionalmente, os relatos do aumento do bumbum com silicone e outros líquidos similarmente grossos foram revelados do Noroeste a Miami. A agência de Administração de Alimentos e Drogas (ou FDA, na sigla em inglês) também planeja divulgar um alerta sobre os perigos da prática, afirmou sua porta-voz Siobhan DeLancey.

DeLancey disse que o silicone líquido não é aprovado para injeção em tecidos, apenas para o uso nos olhos e em certos implantes onde é contido e não pode vazar.

As americanas são vítimas de um mercado negro da beleza que usa injeções de silicone médico ou industrial como uma forma barata, rápida e facilmente acessível de aumentar os seios, bumbum, coxas e aliviar rugas.

As injeções são populares entre mulheres latinas e transexuais, que podem não conseguir pagar por cirurgias plásticas convencionais e que fazem isso com a ajuda de praticantes não autorizados, afirmam os oficiais.

Apesar do efeito colateral ser raro, o silicone pode migrar pela circulação, criando possíveis coágulos nos pulmões, como no caso de Pichardo, disse o Dr. Nathan M. Graber, diretor de epidemiologia ocupacional e ambiental do Departamento de Saúde e Higiene Mental da Cidade de Nova York. Ele também pode migrar através dos tecidos, causando saliências e dor crônica.

As injeções são administradas em casa, em consultórios improvisados ou em "festas do aumento", onde as convidadas injetam umas nas outras, revelam as autoridades.


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17/04/2009 04:35 PM

Governador de Nova York defende projeto para legalizar casamento gay

NOVA YORK - David A. Paterson apresentou na quinta-feira um projeto para legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, prometendo se envolver pessoalmente no debate legislativo de maneira incomum para um governador de Nova York.

Usando o peso de seu gabinete para apoiar a lei que ainda enfrenta inúmeros obstáculos na Assembleia Estadual em Albany, Paterson disse que irá usar os relacionamentos pessoais que desenvolveu ao longo de duas décadas no Estado para que o projeto seja votado (e aprovado). O voto deve deve ser disputado no Senado e alguns defensores da medida dizem que o envolvimento direto de Paterson pode ser a chave.

Em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, o democrata Paterson invocou o movimento abolicionista dos anos 1800, os textos de Harriet Beecher Stowe e a decisão de Dred Scott na Suprema Corte para argumentar que Nova York tem negligenciado os direitos civis de gays e lésbicas por tempo demais. "Eu irei parar com isso", ele disse. "Nós temos o dever de garantir que a igualdade realmente exista para todos".

A Assembleia Estadual aprovou o projeto de casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2007 com votação de 85 a 61, uma margem que deve ser ampliada quando a medida for considerada nesta primavera. Mas o caminho no Senado é menos claro: 32 votos serão necessários e, segundo os democratas, cerca de 25 de seus 32 membros atualmente apoiam a medida. Então o resultado pode depender de Paterson e outros defensores da lei persuadirem senadores republicanos relutantes em romper com seus líderes e apoiar o projeto.

Defensores dos direitos dos homossexuais expressaram confiança no envolvimento pessoal de Paterson, apesar de seu ínfimo índice de aprovação e desafios em avançar outros aspectos de sua agenda. Eles dizem que os legisladores muitas vezes se sentem menos pressionados por questões partidárias em assuntos de liberdade civil como o casamento gay.

Paterson frequentemente atribui sua defesa dos direitos homossexuais em parte à amizade que manteve com um casal gay que era amigo de seus pais no Harlem. Ele ainda fala sobre os dois, agora falecidos, com carinho e os chama de tio Stanley e tio Ronald.

Seu investimento emocional foi percebido na quinta-feira em um discurso que comparou o casamento gay com a escravidão, a desqualificação das mulheres e o abandono dos deficientes.

"Nós conhecemos a ira da discriminação", disse Paterson, o primeiro governador negro de Nova York. "Todos nós sentimos a dor e o insulto da raiva. Por isso estamos aqui hoje".


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17/04/2009 04:23 PM

Do México, Obama busca impedir tráfico ilegal de armas nos EUA

CIDADE DO MÉXICO - O presidente Barack Obama, prometendo confrontar os cartéis do tráfico que estão "semeando caos nas nossas comunidades", pediu ao Senado na quinta-feira que aprove um há muito adiado tratado que almeja impedir o tráfico ilegal de armas na região. Mas Obama também sugeriu que não irá pressionar os legisladores para que reinstaurem a proibição contra armas de defesa.

No primeiro dia de sua passagem pela América Latina, Obama chegou aqui na quinta-feira à tarde para uma visita que buscava demonstrar o que ele chamou de "uma nova era" nas relações entre Estados Unidos e México e mostrar apoio ao presidente mexicano Felipe Calderon.

Mas ainda que os dois tenham prometido agir com "responsabilidade compartilhada" em relação à guerra das drogas, eles pareceram divergir na questão da proibição de armas de defesa, que expirou em 2004. Calderon disse que 90% das armas apreendidas no México veem dos Estados Unidos, acrescentando que o fluxo de armas aumentou depois que a proibição chegou ao fim.

Obama fez campanha pela renovação do projeto, mas sugeriu na quinta-feira que sua reinstauração seria politicamente impossível por causa da oposição dos entusiastas de armas.

"Nenhum de nós acredita que reinstaurar a proibição seria fácil", disse Obama, enquanto insistia que "não retroceder" de sua convicção de que a renovação faz sentido.

Ao invés disso, o presidente disse que irá adotar outras medidas, como enviar mais agentes à fronteira com o México e mais helicópteros ao país. Ele também disse que está pressionando o Senado para que aprove o tratado de armas interamericano, no qual os Estados Unidos tiveram enorme papel em negociar através da Organização de Estados Americanos.

No Capitólio, um oficial democrata sênior disse que apesar da urgência do presidente, seria difícil avançar o tratado agora porque a agenda do Senado está lotada, bem como por causa da contínua relutância democrata em entrar no debate sobre armas.

Desde que assumiu o cargo, Obama e seus assistentes têm trabalhado arduamente para conseguir uma política em relação ao México que fale de "responsabilidade compartilhada" no combate ao problema das drogas.

Na quarta-feira, a gestão Obama anunciou sanções financeiras aos membros de outros três cartéis mexicanos, designando-os como "líderes do tráfico" o que sob a lei permite que o governo apreenda seus bens.

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17/04/2009 12:27 PM

Editorial: Julgamento de Roxana Saberi não passa de estratégia do Irã

Não há nenhuma justiça no julgamento de Roxana Saberi no Irã. As acusações do governo local contra Saberi, uma jornalista com dupla cidadania americana-iraniana, mudam rapidamente (e culminaram na semana passada com a denúncia de que ela agia como espiã do governo dos Estados Unidos). Seu julgamento de um dia esta semana foi realizado em sigilo e oficiais estatais não apresentaram qualquer evidência concreta contra ela.

O governo iraniano precisa libertar Saberi e terminar com essa perigosa farsa.

Saberi, cujo pai nasceu no Irã, cresceu em Dacota do Norte. Ela se mudou para o Irã há seis anos e trabalhou como repórter freelance, inclusive para a Rádio Pública Nacional (ou NPR, na sigla em inglês) e para a BBC, enquanto fazia um mestrado em estudos iranianos.

Quando foi presa em janeiro, Saberi foi primeiro acusada de comprar vinho (algo que é ilegal no Irã, mas dificilmente motivo para encarceramento) e, depois, de trabalhar sem credenciais de imprensa. Ainda que o governo tenha revogado estas credenciais há três anos, tolerava o fato dela fazer reportagens meses depois disso, de acordo com a NPR.

No dia 6 de março, em comentários que pareciam sugerir que o caso havia se resolvido, um promotor iraniano disse à Agência de Notícias Estudante Iraniana que Saberi seria libertada "nos próximos dias".
No entanto, na última semana, o governo subitamente acusou Saberi de espionagem.

O Irã já jogou este absurdo jogo anteriormente. Nos últimos anos, outros americanos, incluindo dois estudiosos, um correspondente da Radio Free Europe/Radio Liberty e um ativista, foram detidos injustamente. Felizmente, todos foram libertados, mas apenas depois de passarem meses de privações em prisão domiciliar ou na cadeia.

Em 2003, Zahra Kazemi, uma fotojornalista iraniana-canadense foi acusada de espionagem e teve um destino ainda pior: de acordo com o médico iraniano que cuidou dela, ela morreu depois de apanhar e ser torturada na prisão de Evin, o famoso centro de detenção onde Saberi está presa. Um ex-agente do FBI que desapareceu em 2007 em uma viagem de negócios ao país, Robert Levinson, também pode estar preso no local.

Não sabemos por que o governo decidiu ir atrás de Saberi. Uma teoria é a de que Teerã possa querer "negociar" sua liberdade pela de três diplomatas do país presos no Iraque por tropas americanas em 2007 e acusados de laços com ataques realizados na região. Outra é a de que oficiais linha-dura do governo estejam tentando sabotar os esforços do presidente Barack Obama em negociar com Teerã depois de 30 anos de isolamento mútuo.

Os dois países têm muito a negociar, como seu interesse mútuo em controlar o setor de narcóticos do Afeganistão e garantir que a guerra civil iraquiana não saia de controle novamente depois que as tropas americanas deixem o país.

Eles também têm muitas áreas de difícil discordância, a começar com as ambições nucleares iranianas. Teerã geralmente exige que Washington não interfira em seus assuntos internos. Ao usar Saberi e muitos de seus próprios cidadãos como peões, o Irã garante que sua postura em relação aos direitos humanos continue a ser um problema entre os dois países e dificulte ainda mais uma reaproximação.

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17/04/2009 12:24 PM

Comentário: Como aumentar o QI

Pessoas pobres têm o Quociente de Inteligência (QI) significativamente menor do que pessoas ricas, e o bom senso estranho e convencional nos leva a crer que isso se deve principalmente às funções genéticas.

Afinal, uma série de estudos parece indicar que o QI é majoritariamente adquirido geneticamente. Gêmeos idênticos criados separadamente, por exemplo, têm QI’s consideravelmente similares. E, em média, são mais próximos ainda do que gêmeos fraternos que são criados juntos.

Se a inteligência estivesse profundamente codificada em nossos genes, isso poderia levar a uma conclusão deprimente de que nem educação, nem programas contra a pobreza podem fazer muito pelas pessoas. Embora a ideia de que o QI é preponderantemente herdado seja bem aceita, a evidência crescente é de que essa afirmação, em um nível prático, está profundamente enganada.

Richard Nisbett, professor de psicologia da Universidade de Michigan recentemente acabou com essa visão em seu novo e excelente livro, “Intelligence and How to Get It” (Inteligência e como consegui-la, em tradução livre). O exemplar também possui ótimos avisos quanto à pobreza e a desigualdade nos Estados Unidos.

Nisbett apresenta sugestões para transformar seus próprios filhotes em gênios – elogia o esforço mais do que o sucesso, ensina a recompensa em longo prazo, limita as reprimendas e usa o prêmio como forma de estimular a curiosidade – mas foca em como aumentar o QI coletivo dos Estados Unidos. Isso é importante, porque mesmo que esse fator não meça o intelecto puro – não temos total certeza do que o mede – diferenças importam sim, e um QI mais alto é relacionado a um maior sucesso na vida.

A inteligência parece ser majoritariamente herdada em famílias de classe média e essa é a razão da descoberta dos estudos com os gêmeos: poucas crianças pobres são incluídas nessas pesquisas. Mas o professor Eric Turkheimer da Universidade de Virginia conduziu uma pesquisa mais aprofundada demonstrando que em pobres e famílias problemáticas o QI é minimamente um resultado da genética – porque todos mantêm relação restrita.

“Ambientes ruins suprimem o QI das crianças”, disse Turkheimer.

Um medidor disso é que quando crianças pobres são adotadas por famílias de classe média alta, o QI delas cresce de 12 a 18 pontos, dependendo do estudo em questão. Por exemplo, um estudo francês mostrou que crianças de famílias pobres adotadas por lares de classe média alta tiveram uma medida de QI de 107 pontos em um teste e 111 em outro. Os irmãos que não são adotados tiveram uma média de 95 pontos em ambos os testes.

Outra indicação de maleabilidade é que o QI aumentou muito ao longo da história da humanidade. Na verdade, O QI médio de uma pessoa em 1917 chegava a apenas 73 pontos em um teste de QI atual. Metade da população de 1917 seria considerada mentalmente retardada de acordo com o teste atual, disse Nisbett.
 
Uma boa educação é bem relacionada particularmente a QI´s altos. Uma indicação da importância da escola é que o QI das crianças diminui ou estagna durante os meses de verão, quando elas estão em férias (particularmente crianças cujos pais não incentivam a ler ou a participar de programas de verão).

Nisbett defendeu intensamente a educação infantil o quanto antes, por causa da capacidade provada do aumento do QI e do desenvolvimento de resultados no longo prazo. O Projeto de Milwaukee, por exemplo, pegou crianças afro-americanas consideradas com risco de retardamento mental e os inscreveu aleatoriamente em um grupo de controle que recebe ajuda ou em um programa em que passavam o dia em uma escolinha infantil recebendo educação desde os seis meses de idade até o dia em que deveriam entrar na primeira série.

Aos cinco anos, as crianças no programa tiveram uma média de QI de 110 pontos, comparado aos 83 das crianças no grupo de controle. Mesmo anos depois, na adolescência, aquelas crianças ainda tinham 10 pontos.

Nisbett sugere menos investimento no programa Head Start - que oferece a crianças americanas e suas famílias com baixa renda: educação, saúde, nutrição e serviços que incentivam o envolvimento dos pais - e mais investimento em programas infantis intensivos. Ele também aponta que escolas dentro do “Programa saber é poder” obtiveram resultados excepcionalmente bons e experiências prazerosas para observar se eles podem ser colocados em um patamar ainda mais alto.

Outra intervenção comprovada é dizer aos estudantes do ginásio que o QI é expandível e que podem ajudar a formar suas inteligências. Alunos expostos a essa ideia se esforçam mais e tiram notas melhores. Isso é particularmente real quanto a garotas e matemática, aparentemente porque algumas delas supõem que possuem desvantagens genéticas em relação a números. Ao se retirar essa desculpa para o fracasso, elas se sobressaem.
 
“Alguns dos métodos que funcionam são bem baratos”, apontou Nisbett. “Convencer crianças do ginásio de que a inteligência está sob o controle deles mesmos – você pode argumentar que isso deveria ser colocado no currículo do ginásio, imediatamente”.

A implicação dessa nova pesquisa sobre inteligência é que o pacote de estímulo econômico também pode ser um programa de estímulo intelectual. Pelos meus cálculos, se incentivarmos a educação na infância o quanto antes e reforçar as escolas em vizinhanças pobres, o QI coletivo dos Estados Unidos pode ser aumentado em até um bilhão de pontos.

Não deveria haver tanto esforço para pensar nisso.

Por NICHOLAS D. KRISTOF


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16/04/2009 07:32 PM

Jovens japoneses recorrem ao trabalho no campo

YOKOSHIBAHIKARI – Em um domingo recente, um grupo diversificado de fazendeiros duvidáveis foram para o campo, com toalhas molhadas em volta do pescoço e botas polidas nos pés.

“Isso é mais difícil do que parece”, disse Tatsunori Kobayashi, um zelador da Disney Resort em Tóquio com cabelos espetados. Enquanto falava, ele vagava por um caminho de folhas de espinafre espalhando sementes e atrás de si um equipamento arando a terra irregularmente.

Ele é um dos 2.400 que fazem parte do Esquadrão de Trabalho Rural do Japão. São recrutas da cidade mandados para o campo sob um programa piloto que leva a juventude japonesa desempregada para cultivar terras em fazendas.

A medida começou no mês passado como parte do plano de estímulo do primeiro-ministro Taro Aso. O programa se origina da preocupação com o desenvolvimento tanto do empenho de jovens trabalhadores quanto das condições precárias das fazendas. Em um jogo de palavras, o nome do esquadrão em japonês – Inaka-de-hatarakitai – é também um pedido animado: “Nós queremos trabalhar no campo!”.

A situação grave dos japoneses entre 20 e 30 anos data da década perdida dos anos 90, quando muitos fracassaram em encontrar trabalhos bons e estáveis. Atualmente, um número desproporcional permanece em trabalhos com baixos salários – um presságio em potencial para os estudantes americanos e candidatos novatos a procura de empregos mergulhando em um raso mercado de trabalho nos Estados Unidos.

Com a piora da recessão japonesa, jovens trabalhadores foram quem sofreram o peso do corte nos salários e demissões, especialmente na manufatura. Agora, o governo vê a depressão – as exportações japonesas caíram quase 50% no período de fevereiro em comparação com 2008 – como uma chance para incentivar trabalhadores ociosos a partirem para setores que sofreram por muito tempo com falta de candidatos, como a agricultura.

Muitos jovens japoneses mostraram por si mesmo interesse crescente na agricultura, enquanto a desilusão cresce em relação à escassez de empregos na cidade e as demissões. As feiras de trabalho rural estão se enchendo de centenas de candidatos. Uma exposição em Osaka atraiu 1.400 pessoas.
Pessoas jovens querem empregos e fazendeiros precisam de mão-de-obra extra”, disse Isao Muneta, oficial do Ministério da Agricultura que coordena o programa de 1,3 milhões de yens (US$ 13 milhões), que é parte de um grande pacote de estímulo. “É o par perfeito”.

Se essa medida salvará a deterioração da economia japonesa é outro assunto. “As comunidades rurais poderiam se beneficiar com o influxo de jovens”, disse Masashi Umemoto no Centro Nacional de Pesquisa em Agricultura. “Mas não é realista pensar que a agricultura é uma solução para os problemas de desemprego do país”.

“Não há trabalhos rurais suficiente para todos”, acrescentou.

Por HIROKO TABUCHI


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16/04/2009 05:13 PM

Comentário: Na era dos piratas

Ultimamente, eu venho pensando em começar uma nova escola de serviço estrangeiro para treinar diplomatas. No entanto, minha escola seria muito simples. Consistiria em apenas uma sala com uma mesa e uma cadeira. A mesa seria usada por um professor, fingindo ser um líder estrangeiro.

O estudante chegaria e tentaria persuadi-lo a fazer algo – pegar este ou aquele objeto. Em certo momento, o líder estrangeiro balançar vigorosamente a cabeça concordando e então alcançando o objeto atrás de si. Ou, ele iria balançar a cabeça vigorosamente e dizer, “Sim, sim, claro, eu farei isso”, mas então iria apenas fingir que o fez. O aluno teria então que descobrir o que fazer a seguir. 

Fico imaginando se o presidente Barack Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton não são esses alunos, tentando lidar com líderes do Paquistão, Afeganistão, Irã e Coreia do Norte. Eu digo isso, não para criticar, mas para apresentar condolências. “Mães, não deixem seus filhos crescerem para serem diplomatas”.

Essa não é a melhor época da diplomacia. 

Uma secretária de Estado pode intermediar acordos apenas quando outros Estados ou partidos estão prontos ou dispostos a cumpri-los. Na Guerra Fria, uma era de grandes potências, grandes barganhas e clientes do Estado razoavelmente concretos.

Havia oportunidades amplas para isso – seja no controle de armas da União Soviética ou um tratato de paz entre os respectivos Estados do mundo. Mas esta é progressivamente uma era de piratas, Estados falidos, agentes não estatais e nações em desenvolvimento – cheia de franco atiradores, confusões e generais, mas não diplomatas. 

Hence teve um outro “deja vu” sobre a qualidade da política externa dos EUA neste momento – isso quando se trata dos nossos maiores problemas (Afeganistão, Paquistão, Coreia do Norte e Irã). Nós apenas damos voltas e voltas, comprando os mesmos carpetes, das mesmas pessoas, de novo e de novo, mas nada muda.

“Estamos lidando com Estados e líderes que, ou não podem não podem dar o braço a torcer ou não querem”, apontou professor de política externa da Universidade Johns Hopkins, Michael Mandelbaum. “As questões que temos com eles parece menos um problema que pode ser resolvido do que condições com as quais temos que lidar”.

Aqueles que não podem se entregar – líderes do Afeganistão e Paquistão – são quem promete fazer todos os tipos de coisas boas, resolver todos os problemas, mas no fim os problemas não são resolvidos, porque os governos nesses países têm poder limitado. Aqueles que não querem se entregar – Irã e Coreia do Norte – vez ou outra nos diz: “Sim, precisamos dialogar.” Mas no final, suas relações hostis com os Estados Unidos ou com o ocidente são tão importantes para a sobrevivência estratégica de seus regimes, tão essenciais para o discurso que os mantém no poder, que não há interesse real em uma reconciliação, mas sim em fingir uma possibilidade.

A única coisa que poderia mudar isso seria uma grande ação dos Estados Unidos e de seus aliados. No caso do Afeganistão e do Paquistão, o poder poderia ser usado para reconstruir de fato esses Estados. Iríamos, literalmente, ter que construir instituições – os freios e as rodas – para que quando os líderes desses países tomassem uma posição, algo realmente fosse feito, e então o problema não iria explodir nas mãos deles.

No caso dos Estados fortes – Irã e Coreia do Norte – teríamos que gerar uma ação muito mais efetiva do lado externo para mudar seus comportamentos de acordo com as linhas que buscamos. Contudo, em ambos os casos, o sucesso com certeza necessitaria investimentos mais longos e maiores de poder e dinheiro, sem levar em conta os aliados.

Ao invés disso, eu temo que estamos adotando uma estratégia de meio campo – fazendo apenas o suficiente para evitar um colapso, mas não o bastante para resolver os problemas. Se nosso objetivo no Afeganistão e no Paquistão é a construção de nações, então eles terão que ter um governo moderado auto-sustentável.

Com certeza não temos tropas e recursos próprios suficientes para devotar a eles. Se nosso objetivo é mudar o comportamento do regime do Irã e da Coreia do Norte, obviamente não geramos medidas externas suficientes. O lançamento de míssil desafiante da Coreia e a continuação do programa nuclear iraniano demonstra isso.

Em suma, temos quarto países problemáticos no centro da política externa norte-americana atual. Problemas os quais não temos o poder ou a capacidade de ignorar, mas parece prejudicar a mudança decisiva dos aliados ou das medidas. A carta principal do jogo – uma massa crescente de pessoas críticas que dividam aspirações dentro desses países, que buscam lutar, o que tem causado melhoras para o Iraque – eu não vejo.

Também temo que estejamos nos comprometendo com o Afeganistão e o Paquistão sem um verdadeiro debate nacional sobre os fins ou meios ou sentidos. Essa é a receita para ter problemas.

Com todos esses fatores, não se pode culpar Obama por procurar um meio-campo – sem querer abandonar os progressistas e mulheres afegãos, mas sem ir muito a fundo no problema. Mas a história ensina que o meio-campo pode ser um lugar arriscado. Pense na relação dos Estados Unidos com o  Iraque antes da insurgência – sem o suficiente para ganhar ou perder, mas o bastante para ficar preso no problema.


Por THOMAS L. FRIEDMAN


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16/04/2009 03:35 PM

Fuligem do terceiro mundo é novo alvo no combate à mudança climática

KOHLUA, Índia - "É difícil de acreditar que isso tenha culpa no derretimento das geleiras", disse Veerabhadran Ramanathan, um dos principais cientistas climáticos do mundo, conforme passava entre cabanas com fogões de barro que lançam fuligem na atmosfera.

NYT

Fuligem cobre região da Índia formando nuvens sobre moradias

Enquanto mulheres em coloridos saris cozinham pão e ensopados no começo da noite, sobre fogos alimentados por galhos e esterco, crianças tossem com a densa fumaça que toma conta de suas casas. Negras camadas de fuligem cobrem os tetos. No alvorecer, uma nuvem é vista sobre a região como um cobertor sujo.

Em Kohlua, na região central da Índia, onde há pouca eletricidade e nenhum carro, as emissões de dióxido de carbono, o principal gás ligado ao aquecimento global, é quase zero. Mas a fuligem (também conhecida como carbono negro) de milhares de vilas como esta, se mostra uma das principais fontes da mudança climática.

Ainda que o dióxido de carbono possa ser o principal responsável pelo aumento da temperatura global, segundo os cientistas, o carbono negro está em segundo lugar, com estudos recentes estimando que seja responsável por 18% do aquecimento do planeta, em comparação a 40% do dióxido de carbono.

Diminuir a emissão de carbono negro seria uma forma relativamente barata de lidar com o aquecimento global (especialmente a curto prazo). Substituir fogões primitivos com versões mais modernas que emitem muito menos fuligem aliviaria a situação, enquanto os países lutam com tarefas mais difíceis de estabelecer programas e desenvolver tecnologias para lidar com as emissões de dióxido de carbono de combustíveis fósseis.

"Está claro para qualquer pessoal que se preocupa com a mudança climática que ela terá um grande impacto no meio-ambiente mundial", disse Ramanathan, professor de ciência climática no Instituto de Oceanografia Scripps, que trabalha com o Instituto de Recursos e Energia de Nova Déli em um projeto para ajudar famílias pobres a conseguir novos fogões.

"Em termos de mudança climática, nos dirigimos a um abismo e isso pelo menos nos daria algum tempo", disse Ramanathan.

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16/04/2009 12:52 PM

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