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Editorial - Mulheres, extremismo e dois Estados-chave

Recentemente o mundo recebeu dois lembretes do custo do extremismo. No Afeganistão, o presidente Hamid Karzai assinou uma lei que aprova oficialmente o estupro marital. No Paquistão surgiu um vídeo do Taleban publicamente açoitando uma jovem mulher que gritava por ajuda no Vale de Swat. O governo do país aumentou a indignação na segunda-feira ao aceitar a exigência do grupo terrorista e formalmente impor leis Shariah na região.

 

Tal comportamento seria intolerável em qualquer lugar. Mas os Estados Unidos investem pesado em ambos os países, combatendo a Al-Qaeda e o Taleban e financiando programas militares e de desenvolvimento multimilionários.

Os casos representam uma brutalidade aprovada oficialmente que viola os valores americanos e as normas de direitos humanos internacionais. Eles também prejudicam as chances de construção de sociedades saudáveis e estáveis no Paquistão e Afeganistão.

No Afeganistão, veias políticas específicas estão em funcionamento. Karzai, cujo apoio popular despencou por causa de seu governo despreparado e corrupto, concorre à reeleição em agosto. A nova lei, que afeta assuntos familiares para a minoria xiita, parece ousada, particularmente repugnante e condescendente.

Segundo ela, a mulher xiita, a menos que esteja doentes, "é obrigada a cumprir os desejos sexuais de seu marido". Isto é coerção autorizada.

Se for permitida, tal regra (remanescência de decretos emitidos quando o Taleban governou o Afeganistão nos anos 1990) pode ter um impacto negativo nas leis que afetam a maioria sunita da população. Ao invés de defender a lei como fez, Karzai precisa garantir que ela seja reelaborada para refletir os princípios de liberdade e dignidade para as mulheres.

No Paquistão, o vídeo da jovem açoitada prova a natureza falida da estratégia do exército. Ao não conseguir derrotar o Taleban no campo de batalha, tentou apaziguar o grupo com um acordo de paz em fevereiro. Ele cedeu o controle de Swat, a 160km de Islamabade, e permitiu que seus métodos repressivos dominassem a região. A mulher foi castigada depois de recusar a proposta de casamento de um militante Taleban, afirmou o líder da Associação Peshawar.

Depois de resistir por semanas, o presidente Asif Ali Zardari se rendeu à pressão política e assinou uma lei que impõe a lei islâmica em Swat como parte de um acordo de paz. Nós duvidamos que isso irá trazer paz e certamente não irá melhorar a vida das mulheres paquistanesas.

É improvável que a mulher de Zardari (a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que foi assassinada) teria sequer considerado tal medida.
A lei encorajadora veio uma semana depois quando o Paquistão reinstaurou o juiz Iftikhar Muhammad Chaudhry, que publicamente rejeitou o promotor geral e outros oficiais em uma audiência judicial por não agirem no caso do açoitamento.

Esperamos que isso não seja apenas uma manobra e que seus partidários encontrem um jeito de denotar a necessidade de defender esta vítima como fizeram para que a volta de Chaudhry à Suprema Corte.

Muitos paquistaneses perderam tempo qualificando o vídeo como uma conspiração na tentativa de difamar o Islã e o Paquistão. Eles deveriam exigir que o exército (a mais forte instituição do país) os defenda contra uma insurgência que ameaça cada vez mais o Estado. Como seus líderes políticos e militares, o povo paquistanês vive um perigoso momento de negação sobre onde está o perigo real.

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15/04/2009 09:32 AM

Máquina de segurança em aeroportos vê imagem da pessoa nua

Uma coluna da semana passada no “The New York Times” sobre uma proposta da Administração da Segurança do Transporte foi seguida de milhares de e-mails. O texto apresentava um plano para colocar máquinas que projetam a imagem de todo o corpo em substituição aos detectores de metal nos aeroportos.

Poucos apoiaram a declaração da agência de que o “whole-body imager” (projetor de corpo inteiro, em tradução livre) – do tipo que fornece uma imagem do corpo nu – seria bem recebido pelo público.

Atualmente, a agência está testando suas máquinas em 19 aeroportos, e seus oficiais disseram que a aceitação dos passageiros foi alta. Eles também disseram que, em testes, passageiros passavam pelo controle com a mesma velocidade daqueles que passavam no detector de metais.

Originalmente, o “whole-body imaging” foi proposto como uma alternativa para os relativamente poucos passageiros escolhidos para uma segunda checagem, permitindo-os a optar pela máquina que passa a imagem do corpo ao invés da revista física. Agora que a agência está propondo o uso da máquina no sistema de segurança primário, muito mais pessoas parecem estar dando atenção às implicações.

Invasão de privacidade

Laura Holmes Jost, de Miami Beach, é uma delas. Jost e seu marido são donos de uma empresa de investimentos de bens imobiliários e viajam ao menos uma vez por semana. Em uma entrevista na semana passada, ela disse saber que as máquinas estavam sendo testadas e jurou ficar longe delas.

No entanto, inconscientemente, ela acabou indo a uma delas em um aeroporto de Miami.

“Eu estava estressada e com pressa”, disse ela, sobre o momento em que uma segurança a direcionou para uma máquina que se parecia com uma cabine. Jost disse ter achado que era outro tipo de máquina, daquelas chamadas dispositivo peixe-bola, que busca por traços de explosivos.

“Quando descobri, me senti realmente violada e brava comigo mesma”, disse. “Eu venho tentando evitar essas máquinas e literalmente entrei em uma delas sem saber. Eu realmente não liguei os pontos até que estava sentada no avião e disse: meu Deus, aquela era uma daquelas máquinas de despir a pessoa”.

Foi assim que ela descreveu o processo:

“Eles me pediram para entrar na cabine e apontaram os pontos no chão onde eu deveria colocar os pés. Fizeram-me levantar os braços, e então o homem saiu da máquina, fechou a porta e algo começou a girar em volta de mim como se estivesse fazendo um raio-x. Então, a porta se abriu.

“O homem me pediu para virar de lado e havia outro par de marcas no chão para eu pisar. A porta se fechou novamente, algo girou em volta de mim de novo, a porta se abriu. Fiquei esperando lá fora enquanto o homem pegava as informações de uma luz na frente da máquina, o que eu acho que era uma pessoa em outro local dizendo, ‘OK, ela está limpa’.”

Uso abusivo das imagens

Como Jost, muitas pessoas que protestam contra a natureza invasiva dessas máquinas insistem que não são puritanos. Na Europa, por exemplo, a oposição furiosa está fazendo de tudo para evitar que as máquinas sejam colocadas nos aeroportos.

Esses projetores receberão uma atenção mais detalhada e intensa do público com o crescimento da tecnologia de segurança do “brave new world” (livro de Aldous Huxley que fala sobre uma sociedade altamente controlada). Mas a avaliação pessoal de Jost, que reflete as opiniões ouvidas de outros viajantes, merece uma consideração séria.

“Quando eu descobri o que aconteceu, me senti violada”, disse ela. “Eu não quero um estranho olhando uma imagem minha, nua, na sala ao lado. É uma invasão do meu direito de privacidade”.

Ela disse ter ficado incrédula com a declaração da agência de segurança de que os passageiros que participaram dos testes se moveram na mesma velocidade que aqueles que passaram nos detectores de metais – isto é, em poucos segundos. “Demorou cerca de dois minutos”, disse.

A agência também alega que a capacidade da máquina de armazenar as imagens dos passageiros será desativada. Porém, muitas pessoas que ouvi disseram que mesmo assim se preocupam com a possibilidade de imagens de pessoas nuas serem armazenadas e usadas com abuso.

“Você realmente acha que se a Angelina Jolie ou a Britney Spears passarem nessa máquina, não haverá pessoas tentando descobrir como pegar essas fotos?”, questionou Jost.

Depois da coluna da semana passada, também falei com supostos investidores que queriam saber quais empresas estariam dispostas a contratar o fornecimento dessas máquinas. Mas eu vou oferecer esse pequeno conselho de investimento: peguem, rápido, o domínio starsstrippedattheairport.com na internet (estrelasdespidasnoaeroporto.com).


Por JOE SHARKEY


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14/04/2009 08:17 PM

Grupos trabalhistas procuram um acordo sobre imigração

As duas maiores federações trabalhistas do país concordaram pela primeira vez em unir forças para buscar uma revisão geral do sistema de imigração, disseram líderes de ambas as organizações nesta segunda-feira.

NYT

John Sweeney apresentará a posição acordada pelos grupos trabalhistas

O acordo poderia fornecer ao presidente Barack Obama um apoio significativo dos sindicatos em um momento em que ele revisa o assunto em plena recessão.

John Sweeney, presidente da AFL-CIO, e Joe T. Hansen, líder da federação rival Change to Win (Mudar para vencer, em tradução livre), irão apresentar um esboço da nova posição dos grupos nesta terça-feira, em Washington. Em 2007, na última vez em que o Congresso considerou uma legislação de imigração mais abrangente, os dois grupos não conseguiram concordar sobre uma abordagem em comum. A legislação foi um fracasso.

O acordo endossa a legalização do status de imigrantes ilegais que já estão nos Estados Unidos e se opõe a qualquer novo grande programa para empregadores trazerem trabalhadores imigrantes temporários, disseram oficiais de ambas as federações.

“O movimento trabalhista trabalhará unido para garantir que a Casa Branca, assim como o Congresso, entenda que nós falamos sobre a reforma da imigração em uma só voz”, disse Sweeney em uma declaração ao “The New York Times”.

Divergências

Mas enquanto o acordo repara uma fissura na coalizão que favorece uma legislação mais ampla da imigração, ela também parece abrir outro problema. Um oficial da Câmara do Comércio dos Estados Unidos disse nesta segunda-feira que a comunidade empresarial permanece comprometida a um programa significativo de trabalhadores estrangeiros.

“Se os sindicatos pensam que vão conseguir impulsionar o projeto sem o apoio da comunidade empresarial, eles estão loucos”, disse Randel Johnson, vice-presidente de trabalho, imigração e benefícios dos funcionários da Câmara. “Será apenas um tiro na reforma da imigração. Como parte do acordo para a legalização, precisamos expandir o programa de trabalhadores temporários.

A posição trabalhista dos grupos também não é razoável para convencer os oponentes de que a revisão da imigração não iria prejudicar trabalhadores americanos.

Oficiais da administração de Obama disseram na semana passada que o presidente pretende, ainda neste ano, pressionar o Congresso para promover um acordo sobre a imigração, que incluiria uma forma para legalizar o status dos imigrantes ilegais do país, estimados em 12 milhões. Os oponentes criticaram a abordagem dizendo ser uma anistia para infratores da lei.

“Na nossa crise econômica atual, os americanos não podem se permitir perder mais empregos para trabalhadores ilegais”, disse o deputado Steve King, republicano de Iowa, que preside o subcomitê de imigração da Câmara Judiciária. “Trabalhadores americanos dependem do presidente Obama para proteger seus empregos daqueles que estão ilegalmente no país”.

Desacordos do passado

As duas federações trabalhistas concordaram no passado em propostas que dariam status legal aos imigrantes ilegais. Mas em 2007, a AFL-CIO se separou do serviço de trabalhadores e diversas outros sindicatos, quando não apoiou a legislação desenvolvida pela administração Bush, porque continha provisões para um programa de expansão para trabalhadores estrangeiros.

No novo acordo, a AFL-CIO e a Change to Win pediram um controle dos trabalhadores imigrantes futuros, por meio de uma comissão nacional. Esta iria determinar como muitos trabalhadores estrangeiros permanentes e temporários seriam admitidos a cada ano, com base na demanda do mercado de trabalho americano. Oficiais da sindicato estão confiantes de que o resultado seria reduzir o número de trabalhadores imigrantes durante épocas de alto índice de desemprego como no momento atual.

Hansen, presidente do Sindicato de Trabalhadores de Comércio e Alimentos, disse em uma entrevista que a proposta em comum foi “a construção de um bloco para seguir adiante com uma reforma de imigração na agenda do Congresso”, ainda neste ano.

NYT
Joe Hansen busca uma reforma na situação dos trabalhadores imigrantes

Oposição

Centenas de trabalhadores rurais imigrantes e outros operários com baixo salário vêm para os Estados Unidos por meio de programas sazonais de trabalhadores estrangeiros. Eles são submetidos a limites numéricos em seu visto e são chamados pelos empregadores de limitados e ineficientes.

Muitos sindicatos se opõem aos programas porque os imigrantes estão presos a um empregador e não podem mudar de emprego, não importa o quão abusivas sejam suas condições, por isso oficiais do sindicato dizem que as medidas reduzem as condições dos trabalhadores americanos. Engenheiros de tecnologia estrangeiros altamente qualificados e especialistas médicos também entram no país com vistos temporários.

Advogados dos imigrantes disseram que um movimento trabalhista unificado poderia reforçar substancialmente sua posição para impulsionar a reestruturação do problemático sistema de imigração.

“Isso mostra o quão importante o tema é para os representantes dos trabalhadores americanos”, disse Frank Sharry, diretor executivo do America’s Voice, um grupo de advocacia.

Proteção aos trabalhadores

Oficiais da AFL-CIO disseram que concordam com os líderes do Change to Win de que legalizar o status dos sete milhões de imigrantes não autorizados que trabalham por todo o país seria a forma mais eficiente de proteger os padrões de trabalho de todos os trabalhadores.

“Nós desenvolvemos uma estratégia de união com a abordagem construída a partir dos direitos dos trabalhadores”, disse Ana Avendano, advogada geral associada da AFL-CIO.

Líderes trabalhistas disseram que conversariam com outros grupos nas próximas semanas para fechar os detalhes de uma posição comum, e que, então, iriam trabalhar com o Congresso e com a administração de Obama para tentar garantir que a proposta seja parte de qualquer projeto a ser discutido.

Propostas

Eliseo Medina, vice-presidente executivo do Sindicato Internacional de Trabalhadores de Serviços, um braço da Change to Win que tem centenas de membros que são imigrantes, também apoia o acordo. A federação Change to Win foi formada em 2005 com sete sindicatos após se desligar da AFL-CIO.

O plano da comissão trabalhista de monitorar e controlar o nível de trabalhadores imigrantes foi desenvolvido com a ajuda de Ray Marshall, que foi secretário trabalhista sob a presidência de Jimmy Carter. Durante o ano passado, Marshall, a pedido da AFL-CIO, fez consultas com as duas federações, com uma variedade de organizações hispânicas e grupos de advogados para imigrantes.

“Todos esses grupos entendem que uma das principais razões por terem tido perdas anteriormente, foi por não estarem unidos”, disse Marshall.

De acordo com uma lista de princípios que os líderes trabalhistas apresentarão nesta terça-feira, eles irão propor uma comissão “despolitizada” e independente que “poderá estimar as necessidades do mercado de trabalho em uma base avançada e – baseada em uma metodologia a ser aprovada pelo Congresso – determinar o número de trabalhadores estrangeiros a serem admitidos por propósitos de trabalho”.

Dúvidas e esperanças

Johnson, oficial da Câmara do Comércio, disse que “a comissão não nos leva a isso”.

Tamar Jacoby, presidente da ImmigrationWorks USA, grupo que organiza negócios para apoiar uma legislação de imigração mais abrangente, concordou que os trabalhadores teriam muitas dúvidas sobre a abordagem.

 “A questão é: será que a comissão funcionará?, disse Jacoby. “Será que ela estará adequadamente sintonizada e será ativada pelo mercado de trabalho?”, acrescentou.

“Um sistema que pode – ou não – suprir os trabalhadores que as empresas precisarão no futuro após a recessão será a causa da grande preocupação dos empregadores”, declarou Jacoby.

Por JULIA PRESTON e STEVEN GREENHOUSE

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14/04/2009 06:49 PM

China divulga plano de ação por direitos humanos

HONG KONG - A China divulgou na segunda-feira o que chamou de plano de ação pelos direitos humanos, um longo documento que promete melhorar a proteção às liberdades civis, que geralmente são negligenciadas e continuamente violadas no país.

Em um plano que deve se desenrolar em dois anos, a China promete proteger os direitos com um julgamento justo, permitindo a participação nas decisões governamentais e a ensinar as políticas do governo, como também qustioná-las. O plano pede medidas que desencorajem a tortura, como exigir que as salas de interrogatório sejam criadas de forma que separe fisicamente o acusado da autoridade.

As liberdades civis mencionadas no plano de ação já são garantidas nas leis chinesas e na constituição do país. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que ainda assim muitos são ignorados ou suprimidos pelas autoridades por determinação delas, sem qualquer fundamento prático para apelação através do sistema judicial controlado pelo Partido Comunista.

O documento não propõe nenhuma reforma fundamental  ao sistema unipartidário do país, como tornar as cortes independentes do controle do partido ou permitir que outros partidos ou grupos políticos assumam o poder. Ao invés disso, se concentra em tentar avançar o respeito pelos direitos humanos dentro do atual governo, polícia e burocracias judiciais.

O novo documento, o último em uma série de medidas e pronunciamentos que buscam demonstrar que as autoridades do país levam os direitos humanos a sério, acontece menos de dois meses antes do 20º aniversário do 4 de junho de 1989, quando houve o controle violento de protestos pró-democracia em Pequim. Líderes chineses estão ansiosos para impedir qualquer comemoração da data e esperam fazer isso ao mostrar o progresso que fizeram em relação aos direitos humanos nas últimas duas décadas.

A China realmente progrediu em melhorar as proteções sociais e legais nos últimos 20 anos, afirmam especialistas chineses e ocidentais. Grupos de defesa de direita também aclamaram oficiais de Pequim por mostrar interesse na questão com o plano de ação.

Mas eles alertaram que colocar isso em prática pode exigir alguns anos de trabalho das agências locais, provinciais e nacionais, muitas das quais mostram pouco interesse em iniciativas que possam limitar seu poder.

Críticos também afirmam que o documento não lida com alguns abusos cometidos contra pessoas que desafiam as autoridades na China. Não há proposta de desativar o sistema administrativo de detenção, que dá amplo poder aos oficiais locais, inclusive a habilidade de enviar pessoas a campos de prisioneiros para "reeducação através do trabalho" sem julgamento.

Também não existe uma promessa de fechamento de prisões não registradas que governos municipais criaram em Pequim e outras cidades para deter cidadãos que querem levar suas petições a instâncias governamentais superiores.


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14/04/2009 03:34 PM

Egito acusa Hezbollah de planejar ataques em Sinai e contrabandear armas em Gaza

CAIRO - O Egito divulgou na segunda-feira novos detalhes sobre o que disse ser um plano do Hezbollah para contrabandear armas para a Faixa de Gaza, atacar pontos turísticos na península do Sinai e disparar contra navios no Canal de Suez. As autoridades disseram que a polícia procura por 10 suspeitos libaneses que se esconderam na região montanhosa do Sinai central.

O caso recebeu ampla atenção depois que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, reconheceu na sexta-feira que havia enviado um agente ao Egito para organizar ajuda aos palestinos em seu conflito com Israel e rapidamente obteve implicações regionais.

O Hezbollah é uma organização militar, política e social libanesa com fortes elos com o o Irã, um bloco no Parlamento do Líbano e ministros no gabinete do país.

O caso complicou as tentativas de reconciliar as diferenças entre Estados árabes sobre como lidar com a ascensão do Irã como influência regional e o problema palestino. Além disso, ressaltou a crescente ansiedade entre alguns líderes da região, especialmente os tradicionais aliados de Washington, Egito, Jordânia e Arábia Saudita, sobre a postura ocidental em tentar negociar com o Irã e o Hezbollah.

"Eu acho que a liderança egípcia quer relembrar o público e seus outros parceiros que há algo grave em andamento aqui", disse Gamal Abdel Gawad, líder de relações internacionais da organização governamental Centro de Estudos Políticos e Estratégicos Ahram, no Cairo. "Não se trata apenas de uma guerra de palavras. Houve uma tentativa de desestabilizar o Egito".

Quando o Egito anunciou no final da semana passada que havia descoberto uma célula do Hezbollah, a notícia foi recebida com incredulidade na região. Em dezembro, o líder da organização pediu que os egípcios se levantassem contra o governo de seu país por não fazer nada para ajudar o Hamas a combater Israel em Gaza. Então, o anúncio egípcio foi recebido amplamente como uma revanche.

"Estas acusações parecem fabricadas do começo ao fim", disse um editorial do jornal palestino "Al Quds al Arabi".

Um dia depois, Nasrallah confirmou que as autoridades egípcias haviam prendido um membro do Hezbollah, um homem que chamou de Sami Shihab. Ele negou que haja qualquer plano para ataques em solo egípcio, mas não rejeitou as acusações feitas pelo país.

A imprensa local partiu para o ataque, rotulando Nasrallah de "criminoso de guerra" e "macaco" ao pedir sua prisão e julgamento. Nasrallah acusou as autoridades egípcias de ser um agente de Israel e dos Estados Unidos. "Se ajudar os palestinos é um crime, então eu sou culpado e tenho orgulho disso", declarou.


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14/04/2009 03:24 PM

EUA podem abandonar antigas condições para negociar com Irã

WASHINGTON - A gestão Obama e seus aliados europeus preparam uma proposta que irá mudar sua estratégia em relação ao Irã ao abandonar uma antiga insistência americana de que Teerã encerre rapidamente suas atividades nucleares durante as fases iniciais de negociações sobre seu programa atômico, de acordo com os envolvidos na questão.

 

As propostas, trocadas em sessões confidenciais com aliados europeus, pressionariam Teerã a abrir seu programa nuclear gradualmente para maior inspeção. Mas também permitiriam que o país continuasse a enriquecer urânio por algum tempo durante as negociações. Esta seria uma mudança perceptível da postura adotada pela gestão Bush, que exigia que o Irã parasse todas as atividades relacionadas ao enriquecimento, ainda que brevemente, para só então dar início às negociações.

As propostas sob consideração iriam além da promessa de campanha do presidente Barack Obama de abrir negociações com o Irã "sem pré-condições". Os oficiais envolvidos na questão disseram que as determinações serão criadas para atrair o Irã a negociações às quais até então o país se recusou.

Uma revisão da política iraniana que Obama solicitou depois de assumir o cargo ainda está em andamento e, segundo seus assistentes, não se sabe por quanto tempo ele está disposto a permitir que o Irã continue a enriquecer urânio e a que ritmo. Mas oficiais europeus disseram que em conversa com Obama e seus assistentes durante sua viagem à Europa, houve acordo que o Irã não aceitará o tipo de fechamento imediato que a gestão Bush exigia.

"Nós concordamos que isso simplesmente não iria funcionar e a experiência nos diz que os iranianos não vão aceitar isso", disse um oficial europeu sênior envolvido nas sessões de debates estratégicos. "Por isso, iremos começar com passos pequenos e conquistar alguma confiança".

Oficiais da gestão se recusaram a discutir detalhes de suas deliberações confidenciais, mas disseram que qualquer política americana iria exigir que o Irã parasse de enriquecer urânio, como exigido por inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

"Nosso objetivo permanece exatamente o mesmo das resoluções da ONU: suspensão", disse um oficial americano. Outro oficial alertou que "ainda estamos gerando ideias" e disse que os termos de uma proposta de abertura ao Irã ainda estão em debate.

Se os Estados Unidos e seus aliados permitirem que o Irã continue a enriquecer urânio por alguns meses, ou mais, a postura deve enfrentar objeções, tanto dos conservadores nos Estados Unidos quanto do novo governo israelense liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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14/04/2009 12:06 PM

Editorial: O que a queda de Fujimori nos ensina

Cincinnatus, o romano que foi convocado a servir como ditador e voltou para sua fazenda depois de cumprir o trabalho, é uma exceção nos anais do poder. Mais comum é o líder que exerce grande influência em um momento de crise e rapidamente se esquece da diferença entre fins e meios e nunca paga por isso.

Assim, achamos encorajadora a decisão da semana passada na qual um painel de três juízes da Suprema Corte do Peru decidiu que o ex-presidente do país, Alberto Fujimori, é culpado de abusos contra os direitos humanos e o sentenciou a 25 anos de prisão.

Pode-se dizer que Fujimori tenha tido um pouco de Cincinnatus. Ele era um obscuro professor de agronomia em 1990 quando foi eleito presidente e fez maravilhas: acabou com a superinflação, restaurou a estabilidade econômica e acabou com a organização terrorista Sendero Luminoso.

Mas ele também abusou de seu poder. Entre a lista de seus horríveis crimes, a corte o culpou pelo assassinato de 25 pessoas, incluindo um menino de oito anos, por um batalhão de morte militar. Em 2000, sob acusações de corrupção, Fujimori fugiu para o Japão. Convencido de ser um eterno herói, ele voou para o Chile em 2005 com plano de um retorno. Ao invés disso, ele foi extraditado para o Peru.

Em seu julgamento, Fujimori atacou seus promotores por não conseguirem distinguir entre "ódio e evidências". A corte, no entanto, entendeu que Fujimori é que não conseguiu distinguir entre excessos autoritários e a aplicação da lei.

Pode ser, como os partidários do ex-presidente afirmam, que o atual presidente do Peru, Alan Garcia (que também foi o predecessor de Fujimori), não seja grande melhoria. Mas se este é o caso, ele agora sabe que os cidadãos peruanos e seu sistema legal estão de olho.

Por isso este julgamento é tão importante. Tribunais internacionais, como aqueles que lidam com os crimes em Ruanda, Iugoslávia ou Serra Leoa são essenciais na batalha contra a tirania. Eles não tem o poder de limpar ou educar o próprio sistema judicial de um país afirmando a supremacia da lei.

Não importa quão popular Fujimori possa ter sido no Peru, no final de seu julgamento, as pesquisas de opinião pública descobriram que a maioria dos peruanos concorda que ele foi corretamente punido.

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14/04/2009 12:03 PM

Grupos pedem solução contra assassinatos ao embaixador mexicano

CIDADE DO MÉXICO – A Cidade de Juarez fora da lei se tornou um símbolo influente do agravamento da guerra contra as drogas no México. Os cartéis de drogas se tornaram testemunhas atemorizantes de assassinatos diários de traficantes, oficiais da polícia e espectadores. Mas, perdido entre manchetes estão os assassinos de jovens mulheres que chamou atenção internacional há mais de uma década até os dias de hoje.

AP

Cruz representa mulher morta ou desaparecida em Juarez

Agora, grupos de mulheres frustradas estão criando novas manchetes por contra própria, desafiando a nomeação do embaixador do México no Canadá, Francisco Barrio Terrazas. Eles dizem que eu fui negligente ao lidar com as mortes nos anos 90, quando era governador do Estado de Chihuahua, onde é localizada a Cidade de Juarez, na fronteira com El Paso, no Texas.

Os grupos, juntamente com outras organizações de direitos humanos, mandaram um protesto formal para o ministro das Relações Exteriores mexicano, neste mês. Eles também estão pedindo que a Comissão de Relações Exteriores do Senado mexicano reconsidere Barrio Terrazaz com outras organizações de direitos humanos.

“Ele não representa mexicanos”, disse Marisela Ortiz, fundadora do “May Our Daughters Return Home” (deixe nossas filhas voltarem para casa, em tradução livre), uma associação de famílias vítimas na Cidade de Juarez, que está dominando o desafio. “Por causa de características de misoginia (aversão às mulheres), nos opomos a qualquer posição que ele tome, e ainda mais em um país que é conhecido por promover a paz”.

Histórico

Grupos de direitos estimam que ao menos 500 mulheres tenham sido mortas desde 1993 na Cidade de Juarez, e outras cidades no Estado de Chihuaua. Muitos deles foram torturados antes de serem mortos, seus corpos frequentemente eram achados semanas depois, jogado no deserto.

Muitas das mortes continuam não solucionadas. Embora várias pessoas tenham sido condenadas por alguns assassinatos durantes esses anos, alguns logo foram soltos após evidências mostrarem que eles foram torturados para confessar o crime.

Grupos de mulheres insistem em dizer que a polícia não tentou resolver os casos, seja porque temem que o crime organizado esteja envolvido, seja porque eles mesmos estejam envolvidos, seja ambas as hipóteses.

Os grupos também argumentam que as autoridades simplesmente não se importam porque as vítimas são pobres. Muitas das mulheres assassinadas desafiavam a cultura machista do México ganhando seu próprio salário em áreas industriais.

Divergências

As declarações mais incendiárias dos grupos femininos contra Barrio Terrazaas – e que a mídia mexicana tem repetido inúmeras vezes – é a de que certa vez ele afirmou que as vítimas não deveriam vestir minissaias e andarem por ruas escuras. Mas não ficou claro se Barrio Terrazas, que foi governador por seis anos, iniciando em 1992, realmente fez esse comentário
 
Em resposta a uma pergunta, o embaixador mexicano em Ottava, Canadá, disse que o embaixador “rejeita a ideia de que foi indiferente ou insensível sobre o tópico ou de que tenha insinuado que as mulheres assassinadas na Cidade de Juarez, em Chihuahua, tenham alguma responsabilidade pro suas mortes”.

O relato do embaixador também disse que ele “incentivou firmemente a punição dos responsáveis pela morte ou desaparecimento das mulheres”.

Preocupação

Barrio Terrazas, membro do Partido da Ação Nacional do presidente Felipe Calderon, teve várias funções nacionais desde seus anos como governador, incluindo servir como vice no Congresso mexicano. Ele começou a trabalhar como embaixador em 26 de fevereiro, após a ratificação do Senado.

Enquanto a violência em Juarez aumentou no ano passado, também aumentaram os assassinatos de mulheres, disse Ortiz, da “May Our Daughters Return Home”. A declaração do governo disse que 98 mulheres foram mortas no ano passado em Juarez, contudo, Ortiz estima que o número real seja de 130.
 
Embora os cuidados em assegurar as mulheres de Juarez tenham estremecido, os assassinatos têm atraído a atenção das celebridades. A mais recente em levantar a causa foi o cantor Peter Gabriel que, junto com representantes de grupos de direitos humanos, se encontrou com Calderón, no último mês, para entregar uma petição pedindo que ele trabalhe para acabar com a violência contra a mulher.

Por ELISABETH MALKIN

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13/04/2009 08:07 PM

Elite urbana da Índia entra para a política após ataques terroristas

MUMBAI, Índia - Depois de tratar a política como um ritual irrelevante e primitivo por pelo menos uma geração, a elite urbana da Índia começa a reconsiderar seu papel.

A banqueira Meera Hiranandani Sanyal disse que a morte de um colega nos ataques terroristas a Mumbai em novembro do ano passado fez com que ela mergulhasse na política. Alarmada com o fracasso do governo em impedir o cerco por três dias, Sanyal decidiu concorrer a uma vaga no Parlamento de 543 membros da Índia.

Em Bangalore, o empresário que introduziu as companhias aéreas econômicas no país, G.R. Gopinath, disse que foi impulsionado a concorrer como um candidato independente por causa do fracasso de seu Estado em impedir o ataque de uma multidão a mulheres que bebiam em um bar no começo deste ano.

Em Hyderabad, a próspera cidade tecnológica, um novo partido chamado Loksatta se mostra como a voz da classe média urbana. Loksatta, ou Poder do Povo, terá mais de doze candidatos nas eleições parlamentares, que começam na quinta-feria e duram cinco semanas em todo o país.

Na Índia, ao contrário dos Estados Unidos, a participação eleitoral em bairros ricos tende a ser menor do que a média nacional. Dois em cada três indianos ainda vivem no interior, onde o comparecimento às urnas é muito maior.

A mudança distrital deste ano deu às cidades grandes da Índia maior representação no Parlamento e muitos dos novos políticos dizem que os novos resultados significam que o resultado de muitas eleições irão depender de menos votos. Ainda assim, o impacto dos novos candidatos serão conhecidos apenas quando os resultados serão anunciados em meados de maio.

Quem dúvida dos candidatos diz que ainda que eles possam trazer eleitores da classe média às urnas, independentes como Sanyal e Gopinath tem pouco ou nenhuma chance de vencer pela falta de experiência política e apoio partidário.

"É uma ousadia", disse Sidharth Bhatia, editor do The Daily News and Analysis, um jornal de Mumbai.

Muitos dos novos candidatos criticam sua própria indiferença em relação à política. Gopinath, 57, relembra seus próprios sentimentos quando assistiu imagens de televisão das jovens mulheres que foram atacadas em um bar por uma multidão em Mangalore, em seu próprio Estado de Karnataka, no começo do ano.

"Eu disse, 'Será que nós podemos nos dar o privilégio da indiferença?'", ele diz ter pensado. "A bolha na qual estamos é muito frágil'.

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13/04/2009 10:05 AM

Aliados debatem planejamento de eleições no Afeganistão

CABUL - Dentro do gabinete do ministro do interior afegão há um mapa que mostra que mais da metade do país é uma zona de perigo. Dez dos 364 distritos do Afeganistão foram pintados de preto, o que significa que estão sob controle do Taleban, e 156 destes têm indicações de alto risco.

 

O mapa gera uma difícil questão: Como, em tal ambiente, pode o Afeganistão realizar eleições em menos de cinco meses?

As eleições, que incluem votos para conselhos municipais, se tornou o foco central de debates, de acordo com Richard C. Holbrooke, enviado especial ao Afeganistão e Paquistão, e o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior americano.

Por enquanto, oficiais afegãos e seus aliados americanos e da Otan dizem que estão absolutamente determinados a ir adiante com as eleições, marcadas para o dia 20 de agosto. O cancelamento ou adiamento das eleições denotaria a que ponto chegou a situação no país e geraria uma crise política e constitucional.

Ao mesmo tempo a preocupação é crescente que mesmo se forças da Otan e afegãs consigam estabelecer uma certa segurança na maioria dos lugares, as eleições sejam prejudicadas de tal forma que sua credibilidade seja questionada e com isso a legitimidade do governo atual e futuro do país.

Insurgentes do Taleban têm tamanho controle da área (principalmente nas províncias do sul de Kandahar, Helmand, Oruzgan e Zabul) que mesmo com a antecipação da chegada de outros 30,000 soldados americanos este ano, as eleições podem não acontecer em algumas áreas.
"A eleição será mais difícil em alguns distritos, especialmente em parte da província", disse Christopher Alexander, vice-coordenar da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão.

"Mas a grande maioria dos distritos, com exceção de 8 ou 10, tomaram parte na registração de eleitores e devem participar das eleições", ele acrescentou.

Em entrevistas, alguns afegãos parecem mais inseguros. Eles preveem que as pessoas foram atingidas de tal maneira pela guerra (e pela insegurança e falta de progresso do governo) que muitas não irão votar.

Os candidatos de oposição, por outro lado, demonstram preocupações com a possibilidade de fraude e irregularidades no sistema de registro de eleitores.

- CARLOTTA GALL

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13/04/2009 10:01 AM

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