O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, voltou a afirmar nesta terça-feira que está disposto a negociar um acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) se o grupo guerrilheiro interromper suas atividades de violência durante quatro meses. "Para que a paz não se converta em um engano, deve ser construída em bases firmes.Aqueles que querem a paz, que cessem suas atividades criminais por quatro meses", afirmou Uribe em entrevista coletiva em Caracas, onde se reuniu com seu colega venezuelano, Hugo Chávez.
"Queremos a paz de verdade, mas tememos que essa proposta de paz possa ser uma fraude, como no passado", disse.O presidente colombiano argumenta que as Farc utilizaram os processos de paz durante o governo de Andrés Pastrana, em 1999, para ampliar sua influência militar e não para acordar o fim do conflito armado.Uribe explicou que o abandono da luta armada é o fim, e não o ponto de partida de sua proposta. "Não exigimos que se comece com o desarmamento e a desmobilização, esses são os portos de chegada", acrescentou.
O presidente colombiano, no entanto, não deu de detalhes de como verificaria tal procedimento para acordar ou não um diálogo com a guerrilha.
O grupo rebelde ainda não respondeu à proposta de Uribe, lançada no início do mês. As Farc reivindicam a realização de uma "troca de prisioneiros" que prevê a libertação de 22 militares em troca da soltura de 500 guerrilheiros presos."Nem amigo, nem inimigo" Chávez recebeu Uribe no Palácio de Governo venezuelano com o livro do líder cubano Fidel Castro intitulado "A paz na Colômbia" nas mãos.
Ele comentou aos jornalistas que o livro traz algumas idéias que podem ser usadas pelo vizinho colombiano.
Na entrevista coletiva, porém, Chávez se limitou a apoiar as idéias de Uribe ao afirmar que elas podem ser uma "rota para a paz" para a Colômbia.
No ano passado, os dois líderes se envolveram em uma crise diplomática sem precedentes depois da decisão de Uribe de colocar fim à mediação de Chávez em um diálogo com a guerrilha para a libertação de reféns e após um bombardeio colombiano em um acampamento das Farc no Equador A crise levou a uma ruptura de relações diplomáticas entre os dois países.Nesta terça-feira, o presidente venezuelano disse que "apesar dos pesares" está pronto para ajudar a Colômbia em um diálogo para o processo de paz e afirmou que "não apoia nem apoiaria" qualquer movimento armado.
"Não sou aliado das Farc, mas não sou inimigo das Farc, portanto, acredito que o que digo tem algum valor moral", afirmou.
Em janeiro, Chávez foi acusado presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de apoiar as Farc.Acordos Chávez e Uribe realizaram nesta terça-feira sua segunda reunião neste ano.
Durante o encontro, os dois presidentes assinaram cinco acordos comerciais, entre eles, um que prevê a criação de um fundo binacional de US$ 200 milhões para estimular a cooperação econômica entre os dois países.De acordo com a Câmara de Comércio Colômbia-Venezuela, a balança comercial entre os dois países em 2008 foi de US$ 7,2 bilhões, com superávit de mais de US$ 6 bilhões para a Colômbia.Uribe viaja ainda esta noite para o Rio de Janeiro, onde participará, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da sessão inaugural da edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial.
O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou, em um artigo publicado nesta terça-feira, que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de suspender algumas restrições às viagens de cubano-americanos à ilha "é positiva", mas "mínima". Horas antes, em outro artigo, Fidel havia dito que seu país não pede "esmolas" e defendeu o fim do embargo norte-americano a Cuba."A medida de aliviar as restrições às viagens em si é positiva, embora mínima. Ficam faltando muitas outras, incluindo a eliminação da assassina Lei de Ajuste Cubano, que é aplicada exclusivamente a nosso país no mundo", afirmou o líder cubano em um artigo publicado no site Cuba Debate.
Fidel se refere à lei que dá privilégios de imigração a cidadãos cubanos que entrem no território dos Estados Unidos.
No novo texto, Fidel ainda questiona se o governo dos Estados Unidos ampliaria aos demais países latino-americanos "os privilégios migratórios utilizados para combater a Revolução Cubana".
Este é o segundo artigo que Fidel escreve para comentar o anúncio da Casa Branca, feito na última segunda-feira, de que o governo dos Estados Unidos colocará fim às restrições a viagens e ao envio de remessas a Cuba por parte de cubano-americanos.As novas medidas foram anunciadas pelos EUA às vésperas da Cúpula das Américas, que começa na sexta-feira em Trinidad e Tobago.
Obama Fidel ainda afirmou que "não desejamos machucar Obama em nada, mas ele será presidente durante um ou dois mandatos".O ex-presidente cubano disse, no entanto, que Obama "não tem responsabilidade" pelas políticas norte-americanas para a ilha e afirmou ter certeza de que ele "não cometeria as atrocidades de (George W.) Bush"."Depois dele, no entanto, pode vir outro igual ou pior que o seu antecessor", acrescentou o líder cubano.No primeiro artigo, publicado logo após o anúncio da Casa Branca, na segunda-feira, Fidel criticou o fato de que "nenhuma palavra foi dita sobre o embargo, que é a mais cruel de todas as ações".
Leia também na BBC Brasil: Fidel defende fim de bloqueio e diz que Cuba não precisa de 'esmolas' "As condições são tais que Obama poderia usar seu talento na direção de uma política construtiva que possa encerrar o que já fracassou por quase meio século", afirmou o ex-presidente cubano, que desde 2006 não faz aparições públicas devido a problemas de saúde.
O irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro, assumiu formalmente a Presidência do país caribenho em fevereiro do ano passado.
Baía dos Porcos O artigo publicado nesta terça-feira lembra os 48 anos da invasão da Baía dos Porcos, quando, em 17 de abril de 1961, um exército de cerca de 1,4 mil exilados cubanos desembarcou na ilha, com apoio de forças aéreas e navais dos EUA, para tentar derrubar o regime de Castro.
"Esta data não pode ser esquecida. A grande potência do norte pode aplicar a mesma receita a qualquer país latino-americano", escreveu Fidel.
Ele ainda cobrou um pedido de desculpas por parte do governo dos EUA pelo episódio.
"O ataque nos custou mais de 150 vidas e centenas de feridos graves. Gostaríamos de escutar alguma autocrítica do poderoso país e a garantia de que isto nunca voltará a acontecer em nosso hemisfério".
O líder cubano também recordou o sétimo aniversário da tentativa de golpe de Estado na Venezuela, em abril de 2002, ao afirmar que "pelo bem da democracia e dos direitos humanos, é preciso uma voz que, de Washington, nos diga que a Escola das Américas, especializada em golpes de Estado e torturas, será fechada para sempre".
"Por acaso ofendo ao lembrar isto, ou também é proibido, em nome da decência, da ingenuidade e da cumplicidade, mencionar o tema?", questiona Fidel.
O brasileiro Josafá de Moura Pereira, membro da Legião Estrangeira francesa acusado de matar quatro pessoas no Chade na semana passada, foi entregue nesta terça-feira à força europeia que atua no país africano, a Eufor, informou à BBC Brasil o serviço de comunicação do Estado-Maior das Forças Armadas da França.
Autoridades militares do Chade haviam afirmado no final de semana à BBC Brasil que o soldado brasileiro seria entregue à Eufor "assim que a França assumisse o compromisso de indenizar a família do camponês chadiano morto".
O Estado-Maior confirmou que "o princípio da indenização foi garantido", mas não esclareceu se ela será feita pelo governo francês ou pela União Europeia, já que o soldado da Legião Estrangeira atuava na força de intervenção rápida do bloco.
O serviço de comunicação também não informou se o montante da indenização à família do camponês já foi fixado.
Extradição
A data para a transferência do brasileiro à França e os procedimentos da extradição também ainda não foram definidos, segundo o serviço do porta-voz.
Um acordo firmado entre a União Europeia e o Chade sobre o estatuto dos soldados da Eufor prevê que os tribunais do país da nacionalidade do soldado têm prioridade para julgar ações na Justiça.
O Exército francês afirma que o brasileiro estava servindo sob a bandeira da França e, por isso, é considerado francês.
Pereira deve ser julgado pelo Tribunal das Forças Armadas de Paris, que tem competência para julgar os crimes e delitos cometidos por militares franceses em operações no exterior.
Além do camponês chadiano, Pereira é acusado de matar, na terça-feira da semana passada, dois outros legionários e um soldado togolês da missão da ONU que atua no país, a Minucart.
Desde meados de março, a Eufor está sendo substituída no Chade pelas forças da Minucart. Os crimes foram cometidos em Abéché, no leste do país, onde o legionário brasileiro foi detido na quinta-feira passada enquanto tentava beber água em um poço.
A Legião Estrangeira francesa é uma força militar formada por voluntários pagos, sob comando da França, que atua em diversas regiões do mundo. A força diz em seu site em português que conta com 7.699 integrantes.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, descreveu nesta terça-feira como "um pequeno passo na direção certa" as medidas anunciadas pelo governo americano em relação a Cuba. "O importante é que isso não seja apenas um primeiro passo e que não fique se esperando gestos de Cuba para poder continuar", disse o chanceler brasileiro.
A Casa Branca anunciou nesta segunda-feira o fim de certas restrições nas relações do país com Cuba - entre elas, os limites impostos a cubano-americanos interessados em viajar à ilha e ao envio de dinheiro aos seus parentes no país caribenho.
Segundo Amorim, as medidas são um passo "pequeno", pois em muitos aspectos "apenas restauram uma situação que existia antes das restrições criadas pelo (ex-presidente americano, George W.) Bush".
"Os Estados Unidos são um país soberano que decide o que vai fazer em relação a Cuba, mas a situação não é boa para nenhum dos lados", disse.
Cúpula
Apesar da expectativa de que não seja citada na declaração da Cúpula das Américas, a questão cubana promete ser um dos principais temas do evento, que começa nesta sexta-feira em Trinidad e Tobago.
"É preciso que o presidente Obama entenda que a região quer ver o fim do embargo", disse o chanceler brasileiro. "Mas também não nos interessa criar um clima negativo. As pessoas são maduras. E o presidente Obama é um presidente novo, com boas intenções de interlocução com diversos países."
Na avaliação de Amorim, "a sabedoria vai ser mostrar, com firmeza, quais são as posições da região, e ao mesmo tempo fazer isso de uma maneira não-agressiva, não-confrontacionista, que tem sido sempre nossa maneira de agir. Isso é o que eu acho e o que o presidente Lula acha", disse Amorim.
O ministro Carlos Duarte, chefe do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, disse que a questão cubana não deve ser incluída na declaração da cúpula porque esta "não tem uma conotação política". "O assunto será, sim, discutido, mas no âmbito dos chefes de Estado", disse o diplomata.
Medidas de Obama agradam cubanos; assista ao vídeo
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira que há "sinais de progresso econômico" no país, mas destacou que os tempos continuam difíceis para os americanos. Em um discurso na Universidade de Georgetown, em Washington, Obama disse que "2009 continuará a ser um ano difícil para a economia americana"."A gravidade desta recessão vai causar mais perdas de emprego, mais fechamentos (de empresas) e mais dor antes de seu fim. O mercado vai continuar a subir e cair. O crédito não está fluindo facilmente, da maneira que deveria", disse.
"O processo de reestruturação da (seguradora) AIG e das montadoras vai envolver escolhas difíceis e, em algumas ocasiões, impopulares - não acabamos ainda nesta frente. Tudo isso significa que ainda há muito trabalho a ser feito." "Mas tudo isso também significa que vocês podem esperar uma esforço incansável, dia após dia, deste governo para lutar pela recuperação econômica em todas as frentes", acrescentou.
Obama afirmou que, pela primeira vez, é possível enxergar "vislumbres de esperança".
"E, além disso, podemos ter uma visão do futuro dos Estados Unidos que é bem diferente de nosso problemático passado econômico. Um Estados Unidos transbordando com nova indústria e comércio, com novas energias e descobertas que iluminarão o mundo mais uma vez." Bernanke Obama foi aplaudido quando falou que a primeira tarefa é garantir que uma crise como a atual não se repita.
O presidente afirmou que não é possível manter a prosperidade no longo prazo com um pequeno número de pessoas com salários maiores enquanto as famílias americanas sentem a queda em suas rendas.
"Não é sustentável ter uma economia na qual, em um ano, 40% de nosso lucro corporativo veio de um setor financeiro que era baseado em preços inflacionados no mercado imobiliário, (...) ou uma economia onde as rendas de 1% (da população) aumentaram muito enquanto a residência típica de trabalhadores viu sua renda diminuir em cerca de US$ 2 mil", afirmou.
Também nesta terça-feira, o presidente do Fed (o Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke, em um discurso na Universidade Moorehouse, de Atlanta, falou sobre "sinais" de que a contração econômica estaria se estabilizando e também destacou os tempos difíceis que os americanos enfrentarão antes que a economia se recupere.
"Um nivelamento da atividade econômica é o primeiro passo na direção da recuperação", disse.
Mas, para Bernanke, "não teremos uma recuperação sustentável sem estabilização de nosso sistema financeiro e mercado de crédito".
No ano passado, o Banco Central dos Estados Unidos reduziu a taxa básica de juros para perto do zero, a fim de diminuir o custo dos empréstimos e estimular a economia do país.
Mas os problemas no mercado de crédito continuam e os empréstimos para pessoas e empresas ainda estão caros.
As observações de Obama e Bernanke foram feitas no momento em que os últimos dados econômicos mostram queda nas vendas no varejo no mês de março nos Estados Unidos depois de dois meses de aumento, um sinal de que os consumidores americanos estão cautelosos.
Um navio cargueiro libanês é a quarta embarcação a ser sequestrada por piratas somalis em um período de 48 horas. O MV Sea Horse, de 5 mil toneladas e bandeira de Togo, foi tomado por homens armados que estavam a bordo de quatro barcos pequenos, informaram oficiais da Aliança Militar Ocidental, a Otan.
Um pouco antes, o navio grego MV Irene foi sequestrado no Golfo de Aden. Na segunda-feira, piratas sequestraram dois navios pesqueiros egípcios.
Segundo analistas, as gangues claramente não se intimidaram com os resgates recentes de reféns americanos e franceses, que deixaram vários piratas mortos.
Na segunda-feira, os líderes dos piratas - que de maneira geral tendem a tratar bem os reféns, na esperança de ganhar polpudos resgates - juraram se vingar pelas mortes.
Mais ataques
Segundo a Otan, outro navio, o Safmarine Asia, com bandeira da Libéria, escapou de um sequestro na terça-feira, após ser alvo de tiros de piratas a bordo de vários barcos pequenos.
Após uma pausa no início do ano, as gangues intensificaram seus ataques nas águas costeiras da Somália.
Segundo relatos, a tripulação filipina do MV Irene, que navegava do Oriente Médio para o sul da Ásia, estaria bem.
Um helicóptero da Otan teria decolado de um navio de guerra canadense para investigar o que está acontecendo com a embarcação, que tem bandeira de São Vicente e Granadinas. O ataque teria acontecido durante a noite e teria sido muito rápido.
Horas mais tarde, oficiais da Otan a bordo de um navio de guerra português anunciaram que o MV Sea Horse também havia sido tomado.
Uma adolescente japonesa cujos pais foram deportados para as Filipinas decidiu ficar em Tóquio com a tia. Após seus pais perderem uma batalha legal de três anos para ficar no país, Noriko Calderon, de 13 anos, teve de escolher entre ficar no Japão ou ir viver com os pais em uma comunidade rural nas Filipinas. Ela foi ao aeroporto principal de Tóquio dizer um adeus emocionado aos dois.
O casal de filipinos Arlan e Sarah Calderon usou passaportes falsos para entrar no Japão no início da década de 1990, e a filha nasceu e foi criada no país.
A polícia da imigração prendeu Sarah Calderon em 2006. Desde então, a família vem brigando para ficar unida.
Drama
Os Calderon argumentavam que deviam permanecer no Japão porque o pai de Noriko tinha um emprego estável no país e a filha falava apenas japonês. O pedido da família foi negado pelo tribunal em fevereiro, e Noriko teve de fazer sua escolha.
"O Japão é minha terra-mãe", disse a adolescente à rede de televisão CNN, quando questionada sobre por que decidiu ficar para trás enquanto os pais eram deportados.
Os pais, por sua vez, dizem que a filha terá uma vida melhor no Japão do que na comunidade rural onde vão viver nas Filipinas.
"Não poderemos estar lá quando ela mais precisar de nós", disse Arlan Calderon à CNN. "Ela terá de se proteger por conta própria. Eu sinto muito por isso."
Ativistas dizem que as rígidas leis de imigração no Japão infringem os direitos humanos.
De acordo com a lei japonesa, os Calderon não terão permissão de voltar ao país durante cinco anos.
O Congresso da Bolívia aprovou nesta terça-feira a nova lei eleitoral que permitirá a realização de eleições presidenciais antecipadas no dia 6 de dezembro.
Quinze minutos após a aprovação, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou no Palácio presidencial o fim da greve de fome que iniciou na quinta-feira, quando governo e oposição não se entendiam sobre a legislação.
A nova lei eleitoral, que deve ser sancionada ainda nesta terça-feira, abre caminho para que o presidente seja eleito em dezembro próximo para um segundo mandato, relativo ao período entre 2010 e 2015.
"O povo não deve esquecer esse processo revolucionário", disse Morales, após encerrar o protesto. "Somente com a força do povo podemos limitar os pequenos grupos que atuam a partir do Congresso."
O presidente do Congresso Nacional e vice-presidente do país, Álvaro García Linera, disse que o consenso entre governo e oposição foi decisivo para aprovação da lei.
"Essa é uma lei que demoramos muito em produzir, mas é uma lei construída por todos. Ela confirma o consenso dos bolivianos e do jeito que sabemos fazê-lo. Quer dizer, brigamos, mas no fim produzimos história", afirmou García Linera.
Novas eleições
Antes da votação, os parlamentares da situação e da oposição chegaram a um acordo que acabou ratificado na nova lei.
Cedendo a um pedido da oposição, o presidente concordou em mudar o sistema eleitoral, adotando novidades tecnológicas para evitar fraudes no pleito.
As autoridades eleitorais farão a coleta das digitais dos eleitores, que também serão fotografados e terão suas assinaturas digitalizadas.
A Corte Nacional Eleitoral (CNE) garantiu que será possível implementar o sistema antes da votação. Ao mesmo tempo, o governo concordou em reduzir de quinze para sete - e não oito como se esperava - o total de cadeiras destinadas às minorias dos grupos indígenas das áreas rurais do país.
O último item do entendimento foi em relação ao voto no exterior. Pela primeira vez, os eleitores que não moram na Bolívia poderão votar numa eleição do país.
Estima-se que sejam pelo menos trezentos mil pessoas sejam beneficiadas pela medida.
Disputa
Morales chegou à Presidência em janeiro de 2006 e seu atual mandato termina no ano que vem. Pesquisas de opinião indicam que ele seria reeleito caso as eleições fossem hoje.
Pela antiga lei eleitoral, Morales não poderia ter dois mandatos consecutivos.
Em dezembro, além da eleição para presidente, os quatro milhões de eleitores bolivianos vão eleger legisladores para a Assembleia Plurinacional, que substituirá o Congresso Nacional.
Ao mesmo tempo, os eleitores de cinco departamentos (Estados) - La Paz, Chuquisaca, Cochabamba, Potosí e Oruro - votarão também pela autonomia regional.
Os demais Estados já realizaram essa votação, gerando na ocasião forte disputa política com o governo central.
Médicos nos Estados Unidos anunciaram o nascimento de uma menina concebida por meio de fertilização in vitro (FIV) usando sêmen que ficou congelado durante 21 anos. O pai do bebê, Chris Biblis, hoje com 38 anos de idade, recebeu tratamento para leucemia entre os 13 e os 18 anos.
Aos 16, antes de ser submetido a sessões de radioterapia, Biblis foi aconselhado a congelar seu sêmen, uma prática pouco comum na época.
Os especialistas responsáveis, de uma clínica em Charlotte, na Carolina do Norte, acreditam que o intervalo de 22 anos entre o congelamento do sêmen, em 1986, e a concepção, em 2008, seja o mais longo já registrado.
Apenas 35% dos espermatozoides do pai eram saudáveis, o que significa que o método de FIV convencional - em que o esperma e os óvulos são misturados no laboratório para que a fertilização ocorra espontaneamente - oferecia menos chances de sucesso.
A técnica usada para fertilizar o óvulo extraído da esposa de Biblis, a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (intracytoplasmic sperm injection, ou ICSI, na sigla em inglês), foi usada pela pela primeira vez em 1992.
Nela, os especialistas selecionam um espermatozoide saudável e o injetam no óvulo, aumentando a probabilidade de concepção. Após a fecundação, o ovo é colocado no útero da mãe.
Chris Biblis, clinicamente livre da leucemia há 20 anos, e sua mulher Melodie, de 33, decidiram fazer o tratamento em maio de 2008.
O médico responsável, Richard L.Wing, do grupo Reproductive Endocrinology Associates of Charlotte (REACH), disse: "Eles alcançaram a gravidez no primeiro ciclo de injeção intracitoplasmática de espermatozóides, usada em conjunção com a FIV".
"Hoje, esse é um procedimento de rotina para (o tratamento da) infertilidade masculina, usando os óvulos dela e o sêmen congelado".
Stella Biblis nasceu com ótima saúde no dia 4 de março.
Uma proposta de lei que descriminaliza e regulariza a indústria do sexo na África do Sul deve chegar ao Parlamento no segundo semestre deste ano. Se adotada, a nova lei poderia entrar em vigor antes da Copa do Mundo, em junho do próximo ano. A ideia é polêmica já que o país é o líder no número de casos de Aids no mundo. Segundo dados de 2007, cerca de 5,7 milhões de sul-africanos, mais de 10% da população, tem o vírus HIV.
A proposta de legalização do trabalho sexual está sendo analisada pela Comissão de Reformas Legislativas da África do Sul, que deve enviar um parecer ao Parlamento em junho ou julho deste ano.
Na prática, a lei é uma forma de permitir o trabalho em determinadas áreas e fiscalizá-lo. Se a conclusão for favorável, o Parlamento vai iniciar as discussões para aprovação ou não de uma nova lei.
Experiência alemã
Desde 1994, quando a África do Sul realizou as primeiras eleições livres de sua história, a possibilidade de legalização da prostituição vem sendo discutida e apoiada por grupos de defesa dos direitos dos profissionais do sexo, como a organização não-governamental SWEAT.
O diretor da ONG, Eric Harper, acredita que o fato de a próxima Copa do Mundo ser na África do Sul pode contribuir para a aprovação da lei.
Ele cita a Alemanha, sede do Mundial de 2006, como exemplo. Lá, a indústria sexual é legalizada desde 2002, os profissionais têm direitos trabalhistas como férias e seguro-saúde e não houve um aumento significativo na prostituição durante o evento. Eric defende que o mesmo deva ser feito para 2010 por questões de segurança.
"As pessoas que vem pra cá, normalmente torcedores homens, vão usar os serviços dos profissionais do sexo. Quando o trabalho sexual não é regulamentado, você dá oportunidade de criminosos tirarem proveito desta situação e coloca em risco tanto os trabalhadores como os torcedores. Se você quiser prevenir desastres durante o evento, o melhor caminho é a legalização."
Para Aneeke Meerkotter, advogada especialista em combate à violência contra a mulher, a regularização da indústria do sexo poderia até contribuir para combater a Aids na África do Sul.
"Nós queremos ter certeza de que todos aqui têm os mesmos direitos de acesso ao sistema de saúde", disse Aneeke Meerkotter à BBC Brasil.
"Se você é um profissional do sexo, e sua profissão não é regulamentada, é muito difícil ser atendido porque você sofre discriminação e é julgado por todos."
No entanto, a proposta é rechaçada por grupos conservadores e também pela Organização Internacional de Migração (IOM em inglês), que teme que ela estimule o tráfico de pessoas de países vizinhos para a África do Sul durante a Copa do Mundo.
Segundo a entidade, legalizar a prostituição facilitaria o trabalho dos traficantes principalmente porque a África do Sul, ao contrário da Alemanha, ainda não teria estrutura suficiente para se adequar à nova lei.
"Nós somos contra a legalização porque nem a polícia nem o Departamento de Migração têm condições de controlar esta situação. A África do Sul simplesmente não tem capacidade para isso", diz Bongiwe Mlatsha, que dirige o escritório da IOM na província de Kwazulu-Natal.
Partidos políticos
Até agora, nenhum dos principais partidos do país se posicionou claramente a favor da questão. A Aliança Democrática e o Partido da Liberdade Inkhata condenaram a legalização em outras oportunidades.
O Congresso Nacional Africano, que hoje ocupa 70% das cadeiras do Parlamento, já se mostrou simpático à ideia, mas nunca colocou em prática uma reforma na constituição.
"Para o CNA, ainda é mais fácil apenas sustentar programas de assistência aos profissionais do sexo do que tentar legalizar a profissão. Se eles fizerem isso, podem perder o apoio dos eleitores mais conservadores", analisa Aneeke.
Não há estatísticas precisas sobre a indústria sexual na África do Sul, mas um estudo feito no bairro de Hillbrown, um dos pontos de maior prostituição de Johanesburgo, revelou que lá trabalham entre 5 mil e 10 mil pessoas - 98% são negros, a grande maioria mulheres, e cerca de 5% são menores de idade.
"Não há trabalho para nós, a maioria tem filhos e essa é a forma que temos de nos sustentar. Não estamos prejudicando ninguém, só trabalhando como qualquer pessoa. A polícia se aproveita da gente, tira nosso dinheiro e ameaça nos levar para a cadeira se não dormirmos com eles", denuncia uma prostituta que não quis se identificar.
Chandre Gould, autora do livro Vendendo sexo na Cidade do Cabo, acredita que a regulamentação é a forma de acabar com o medo dos profissionais do sexo.
"Se a indústria sexual for legalizada e descriminalizada, esses trabalhadores vão poder se manifestar e não ficarão tão vulneráveis aos abusos e extorsões que sofrem de policiais", defende a autora.