CIDADE DO MÉXICO – A Cidade de Juarez fora da lei se tornou um símbolo influente do agravamento da guerra contra as drogas no México. Os cartéis de drogas se tornaram testemunhas atemorizantes de assassinatos diários de traficantes, oficiais da polícia e espectadores. Mas, perdido entre manchetes estão os assassinos de jovens mulheres que chamou atenção internacional há mais de uma década até os dias de hoje.
Agora, grupos de mulheres frustradas estão criando novas manchetes por contra própria, desafiando a nomeação do embaixador do México no Canadá, Francisco Barrio Terrazas. Eles dizem que eu fui negligente ao lidar com as mortes nos anos 90, quando era governador do Estado de Chihuahua, onde é localizada a Cidade de Juarez, na fronteira com El Paso, no Texas.
Os grupos, juntamente com outras organizações de direitos humanos, mandaram um protesto formal para o ministro das Relações Exteriores mexicano, neste mês. Eles também estão pedindo que a Comissão de Relações Exteriores do Senado mexicano reconsidere Barrio Terrazaz com outras organizações de direitos humanos.
“Ele não representa mexicanos”, disse Marisela Ortiz, fundadora do “May Our Daughters Return Home” (deixe nossas filhas voltarem para casa, em tradução livre), uma associação de famílias vítimas na Cidade de Juarez, que está dominando o desafio. “Por causa de características de misoginia (aversão às mulheres), nos opomos a qualquer posição que ele tome, e ainda mais em um país que é conhecido por promover a paz”.
Histórico
Grupos de direitos estimam que ao menos 500 mulheres tenham sido mortas desde 1993 na Cidade de Juarez, e outras cidades no Estado de Chihuaua. Muitos deles foram torturados antes de serem mortos, seus corpos frequentemente eram achados semanas depois, jogado no deserto.
Muitas das mortes continuam não solucionadas. Embora várias pessoas tenham sido condenadas por alguns assassinatos durantes esses anos, alguns logo foram soltos após evidências mostrarem que eles foram torturados para confessar o crime.
Grupos de mulheres insistem em dizer que a polícia não tentou resolver os casos, seja porque temem que o crime organizado esteja envolvido, seja porque eles mesmos estejam envolvidos, seja ambas as hipóteses.
Os grupos também argumentam que as autoridades simplesmente não se importam porque as vítimas são pobres. Muitas das mulheres assassinadas desafiavam a cultura machista do México ganhando seu próprio salário em áreas industriais.
Divergências
As declarações mais incendiárias dos grupos femininos contra Barrio Terrazaas – e que a mídia mexicana tem repetido inúmeras vezes – é a de que certa vez ele afirmou que as vítimas não deveriam vestir minissaias e andarem por ruas escuras. Mas não ficou claro se Barrio Terrazas, que foi governador por seis anos, iniciando em 1992, realmente fez esse comentário
Em resposta a uma pergunta, o embaixador mexicano em Ottava, Canadá, disse que o embaixador “rejeita a ideia de que foi indiferente ou insensível sobre o tópico ou de que tenha insinuado que as mulheres assassinadas na Cidade de Juarez, em Chihuahua, tenham alguma responsabilidade pro suas mortes”.
O relato do embaixador também disse que ele “incentivou firmemente a punição dos responsáveis pela morte ou desaparecimento das mulheres”.
Preocupação
Barrio Terrazas, membro do Partido da Ação Nacional do presidente Felipe Calderon, teve várias funções nacionais desde seus anos como governador, incluindo servir como vice no Congresso mexicano. Ele começou a trabalhar como embaixador em 26 de fevereiro, após a ratificação do Senado.
Enquanto a violência em Juarez aumentou no ano passado, também aumentaram os assassinatos de mulheres, disse Ortiz, da “May Our Daughters Return Home”. A declaração do governo disse que 98 mulheres foram mortas no ano passado em Juarez, contudo, Ortiz estima que o número real seja de 130.
Embora os cuidados em assegurar as mulheres de Juarez tenham estremecido, os assassinatos têm atraído a atenção das celebridades. A mais recente em levantar a causa foi o cantor Peter Gabriel que, junto com representantes de grupos de direitos humanos, se encontrou com Calderón, no último mês, para entregar uma petição pedindo que ele trabalhe para acabar com a violência contra a mulher.
MUMBAI, Índia - Depois de tratar a política como um ritual irrelevante e primitivo por pelo menos uma geração, a elite urbana da Índia começa a reconsiderar seu papel.
A banqueira Meera Hiranandani Sanyal disse que a morte de um colega nos ataques terroristas a Mumbai em novembro do ano passado fez com que ela mergulhasse na política. Alarmada com o fracasso do governo em impedir o cerco por três dias, Sanyal decidiu concorrer a uma vaga no Parlamento de 543 membros da Índia.
Em Bangalore, o empresário que introduziu as companhias aéreas econômicas no país, G.R. Gopinath, disse que foi impulsionado a concorrer como um candidato independente por causa do fracasso de seu Estado em impedir o ataque de uma multidão a mulheres que bebiam em um bar no começo deste ano.
Em Hyderabad, a próspera cidade tecnológica, um novo partido chamado Loksatta se mostra como a voz da classe média urbana. Loksatta, ou Poder do Povo, terá mais de doze candidatos nas eleições parlamentares, que começam na quinta-feria e duram cinco semanas em todo o país.
Na Índia, ao contrário dos Estados Unidos, a participação eleitoral em bairros ricos tende a ser menor do que a média nacional. Dois em cada três indianos ainda vivem no interior, onde o comparecimento às urnas é muito maior.
A mudança distrital deste ano deu às cidades grandes da Índia maior representação no Parlamento e muitos dos novos políticos dizem que os novos resultados significam que o resultado de muitas eleições irão depender de menos votos. Ainda assim, o impacto dos novos candidatos serão conhecidos apenas quando os resultados serão anunciados em meados de maio.
Quem dúvida dos candidatos diz que ainda que eles possam trazer eleitores da classe média às urnas, independentes como Sanyal e Gopinath tem pouco ou nenhuma chance de vencer pela falta de experiência política e apoio partidário.
"É uma ousadia", disse Sidharth Bhatia, editor do The Daily News and Analysis, um jornal de Mumbai.
Muitos dos novos candidatos criticam sua própria indiferença em relação à política. Gopinath, 57, relembra seus próprios sentimentos quando assistiu imagens de televisão das jovens mulheres que foram atacadas em um bar por uma multidão em Mangalore, em seu próprio Estado de Karnataka, no começo do ano.
"Eu disse, 'Será que nós podemos nos dar o privilégio da indiferença?'", ele diz ter pensado. "A bolha na qual estamos é muito frágil'.
CABUL - Dentro do gabinete do ministro do interior afegão há um mapa que mostra que mais da metade do país é uma zona de perigo. Dez dos 364 distritos do Afeganistão foram pintados de preto, o que significa que estão sob controle do Taleban, e 156 destes têm indicações de alto risco.
O mapa gera uma difícil questão: Como, em tal ambiente, pode o Afeganistão realizar eleições em menos de cinco meses?
As eleições, que incluem votos para conselhos municipais, se tornou o foco central de debates, de acordo com Richard C. Holbrooke, enviado especial ao Afeganistão e Paquistão, e o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior americano.
Por enquanto, oficiais afegãos e seus aliados americanos e da Otan dizem que estão absolutamente determinados a ir adiante com as eleições, marcadas para o dia 20 de agosto. O cancelamento ou adiamento das eleições denotaria a que ponto chegou a situação no país e geraria uma crise política e constitucional.
Ao mesmo tempo a preocupação é crescente que mesmo se forças da Otan e afegãs consigam estabelecer uma certa segurança na maioria dos lugares, as eleições sejam prejudicadas de tal forma que sua credibilidade seja questionada e com isso a legitimidade do governo atual e futuro do país.
Insurgentes do Taleban têm tamanho controle da área (principalmente nas províncias do sul de Kandahar, Helmand, Oruzgan e Zabul) que mesmo com a antecipação da chegada de outros 30,000 soldados americanos este ano, as eleições podem não acontecer em algumas áreas. "A eleição será mais difícil em alguns distritos, especialmente em parte da província", disse Christopher Alexander, vice-coordenar da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão.
"Mas a grande maioria dos distritos, com exceção de 8 ou 10, tomaram parte na registração de eleitores e devem participar das eleições", ele acrescentou.
Em entrevistas, alguns afegãos parecem mais inseguros. Eles preveem que as pessoas foram atingidas de tal maneira pela guerra (e pela insegurança e falta de progresso do governo) que muitas não irão votar.
Os candidatos de oposição, por outro lado, demonstram preocupações com a possibilidade de fraude e irregularidades no sistema de registro de eleitores.
PARIS - O acesso à internet é um direito humano fundamental? Ou é um privilégio, que traz consigo a responsabilidade de um bom comportamento?
Esta é a questão que os legisladores enfrentam ao tentar levar o acesso à internet às massas enquanto tentam impedir a cópia ilegal de músicas digitais, filmes e videogames.
O Congresso americano realizou audiências na semana passada a respeito do crescente problema da pirataria, que segundo o setor de entretenimento do país é responsável por US$ 20 bilhões em prejuízos nas vendas anuais.
Mas se eventos em Paris na semana passada podem servir de indicação, a solução não será simples. Legisladores franceses rejeitam o plano antipirataria defendido pelo presidente Nicolas Sarkozy, no qual a conexão de pessoas que ignoram os alertas para que parem de usar serviços não autorizados de compartilhamento de arquivos seria desligada.
No mês passado, em uma ação preventiva, o Parlamento Europeu adotou uma resolução não definitiva que determina que o acesso à internet é uma liberdade fundamental que não pode ser restringida a não ser por uma corte judicial.
A Nova Zelândia recentemente suspendeu uma lei sob a qual os fornecedores de serviços de internet teriam que lidar com a cópia ilegal. Na Grã-Bretanha, anos de debates entre os proprietários de conteúdo, provedores de internet e o governo fracassaram em gerar um plano eficaz de combate à pirataria.
Os proprietários de conteúdo tiveram muitas vezes mais sorte nas cortes, em ações contra supostos piratas. Na sexta-feira, um juiz de Estocolmo, Suécia, deve decidir se quatro pessoas ligadas a um popular serviço de compartilhamento de arquivos, o Pirate Bay, são culpados de violação criminosa de leis de direitos autorais. Eles podem pegar até dois anos de prisão.
Mas ambos os lados indicaram que irão apelar de qualquer decisão contra eles e o Pirate Bay afirma que pode manter os serviços operando de outro país.
A gestão Bush (que desdenhou das Nações Unidas mais apenas do que o trabalho duro da diplomacia) optou por boicotar o deficiente Conselho de Direitos Humanos da organização. A gestão Obama decidiu concorrer a uma cadeira no órgão. Essa pode ser a melhor chance de remodelar essa vergonha internacional, mas não será fácil.
O conselho condena com frequência e profusão os atos de Israel, mas quando o assunto é o genocídio do Sudão em Darfur ou os crimes de Robert Mugabe no Zimbábue, cinicamente fica de lado.
No mês passado, o órgão apoiou uma resolução paquistanesa pouco sensata contra a difamação religiosa que pode facilmente ser usada para justificar a censura e a perseguição oficial de não fiéis.
As fraquezas do conselho fazem parte de um problema maior dentro das Nações Unidas. Ao invés de se arriscarem a receber críticas por suas políticas, seus membros estão dispostos demais a conceder excessos uns aos outros (e chamam isso de respeito à soberania). Além disso, como muitos órgãos da ONU, o conselho concede participação com base em blocos políticos regionais, não por mérito ou atuação.
Como resultado disso, países como Arábia Saudita, Egito e Cuba (todos membros atuais) julgam a aplicação dos direitos humanos dos outros, ainda que rotineiramente abusem dos direitos de seu próprio povo.
Tornar o conselho confiável exigiria que os países que estão realmente comprometidos com os direitos humanos se ergam contra um pequeno grupo de violadores e o grupo muito maior que os acoberta. Isso nem sempre será fácil para Washington, uma vez que alguns abusadores crônicos (Egito e Paquistão veem à mente) são aliados ou parceiros estratégicos dos Estados Unidos.
Washington definitivamente conseguirá uma cadeira no conselho no mês que vem, uma vez que concorre a uma vaga do bloco ocidental não disputada. A mera participação não será suficiente.
A diplomacia bem-sucedida está na criação de compromissos e de um consenso. Mas quando a diplomacia silenciosa falha, como geralmente acontece, os Estados Unidos precisam erguer sua própria voz, sem engano, em nome das vítimas sem voz da repressão.
TBILISI – A nova estrela da oposição do presidente Mikheil Saakashvili está trancada em uma cela de prisão, onde ele faz críticas contra o governo, escreve slogans pelas paredes (“Saakashvili nos traiu!”) e provoca políticos que vão, como penitentes, pedir perdão por já ter apoiado o presidente.
NYT
Giorgi Gachechiladze em sua cela falsa
Vídeos e câmeras estão filmando cada minuto dessa prisão. A cela é uma farsa, o estúdio para o programa de televisão, que parece estar chamando a atenção da capital da Geórgia, de um canal pago de notícias e para o fato de se ele realmente está apenas fazendo um reality show que passa várias horas por dia em um canal da oposição.
O programa, “Cela nº5”, está tornando seu participante, Giorgi Gachechiladze, em uma figura de oposição influente, embora só o vejam na tela da TV. Ele prometeu não deixar a cela até que Saakashvili renuncie.
Políticos da oposição dizem que Gachechiladze, inesperadamente, se tornou uma arma significativa em suas tentativas de tirar os créditos do governo, e a popularidade do programa mostra como a insatisfação de Saakashvili se direcionou a uma parte importante da sociedade da Geórgia, oito meses depois da guerra com a Rússia.
A profundidade dessa oposição deve ficar evidente na quinta-feira, quando os opositores, que estão fragmentados, esperam dirigir uma grande quantidade de manifestações que levarão à retirada de Saakashvili.
“Isso será um tsunami impossível de parar”, disse Gachechiladze nesta semana, usando o programa para pedir às pessoas para participarem. “Saakashvili sujou os principais valores dos georgianos, e as pessoas nunca esquecerão que ele o fez”.
Questão política
Saakashvili foi eleito presidente após liderar a então chamada Revolução Rosa em 2003, que expulsou o governo ligado aos soviéticos. Ele prometeu modernizar a Geórgia e governar com uma orientação pró-ocidental, mas ainda assim ele é uma figura que cada vez mais causa desarmonia.
Além disso, é uma questão aberta se o público que deseja a estabilidade quer que Saakashvili saia do poder. Pesquisas recentes indicam que ele retém uma base de apoio.
Gachechiladze, 43, conhecido cantor cujo irmão é um importante política da oposição, é considerado pelos aliados de Saakashvili uma pessoa convencida cujo sucesso acabará quando as pessoas se cansarem dele.
Papel da televisão
Mesmo assim, organizadores da oposição pretendem transmitir “Cela nº5” em uma tela gigante em frente ao parlamento na manifestação de quinta-feira.
A televisão teve um papel provocativo na política da Geórgia. Em novembro de 2007, Saakashvili executou punições em opositores, que incluíam mandar policiais destruírem um posto diferente da oposição, Imedi.
Agora, o governo enfatiza que a decisão de permitir que “Cela nº5” possa concorrer e licenciar sua emissora de oposição, Maestro, é uma prova de que a Geórgia tem muito mais liberdade do que seus vizinhos, especialmente a Rússia. Maestro é amplamente eficaz em Tbilisi, limitando o impacto do programa em outros lugares.
Gachechiladze entrou em sua cela – um quarto na base da Maestro, do tamanho de um pequeno flat – em 20 de janeiro, e ele saiu apenas uma vez, para apresentar um concerto ao público em Tbilisi. Ele estava em uma gaiola para a performance, o que chamou a atenção de centenas de pessoas.
Ideia inovadora
O programa “Cela nº5” foi nomeado após o reconhecimento da eleição do partido político de Saakashvili, com o sentido de que o país é prisioneiro do presidente. Gachechiladze sustenta que Saakashvili é um ditador, é incompetente para governar e permite que a corrupção flua e envolveu a Geórgia em uma guerra sem sentido.
É tudo apresentado de uma forma teatralmente diferente, ao vivo e gravado.
Gachechiladze decorou a cela com poemas, ícones georgianos ortodoxos, bonecas, grafites e colagens de recortes de fotos de políticos de cargos elevados. Ele colocou um mapa para mostrar seu desgosto pela guerra, que levou a Geórgia a perder todo o controle sobre dois territórios disputados.
Há uma cama, uma mesa e um banheiro de mentira. No chão há um grande pôster que mostra todas as promessas supostamente quebradas por você sabe quem. No outro dia, após o governo acusar alguns membros da oposição de tentar obter armas, ele ridicularizou as alegações, fingindo manejar armas de brinquedo e usando um telefone imaginário para conversar com oficiais georgianos e russos.
Anne Hubbard não perdeu seu emprego, sua casa ou suas economias. Ela e seu marido sempre foram cuidadosos quando o assunto é dinheiro. Mas há alguns meses, Hubbard, designer gráfica em Cambridge, Massachussets, começou a ter ataques de pânico por causa da economia, com dificuldade em respirar e visões claras nas quais "perdia tudo", ela disse.
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Meditar se tornou uma solução para tentar conter ansiedade e preocupação com a crise
"Eu não conseguia parar de ler todos os relatos sobre a economia", estava "com o estômago tão enjoado que perdi 5kg" e "já não funcionava", disse Hubbard, 52, que começou, pela primeira vez, a tomar remédios receitados por um psiquiatra e a fazer terapia.
Em Miami, Victoria Villalba, 44, dormia rotineiramente oito horas por noite até que as história de clientes desesperados começaram a inundar seu escritório de colocação profissional e passaram a acordá-la às 2h da manhã. Sem sono, ela primeiro passou a responder emails, mas isso fazia com que os BlackBerries de colegas que dormiam os acordassem. Agora ela estuda livros de negócios e organiza meticulosamente seu armário.
"Eu fico envergonhada", ela disse. "As pessoas normais não fazem isso".
Com a previsão de que os danos econômicos durem meses ou anos, tais reações são comuns, afirmam os especialistas. Ansiedade, depressão e estresse perturbam as pessoas em todos os lugares, muitas das quais não sofreram perdas econômicas significativas, mas temem que irão ou simplesmente reagem às incertezas.
Algumas procuram aconselhamento ou medicação pela primeira vez - de terapistas, clínicas de sono, médicos familiares. Outras retomam ou aumentam o tratamento ou redirecionam a terapia de outras questões para a ansiedade sobre a economia.
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A terapia é outra ajuda que muitos procuram para lidar com o momento atual
"A economia e o medo do que está acontecendo está tendo um grande efeito", disse Sarah Bullard Steck, terapeuta de Washington que também dirige um programa de assistência a funcionários de departamentos comerciais. "As pessoas agora têm uma ansiedade mais grave" ou "problemas no casamento, violência doméstica e até abuso de substâncias".
A ansiedade não é apenas assustadora para aqueles com algo a perder, como pessoas mais velhas e donos de imóveis.
Elizabeth Dewey-Vogt, 25, advogada cujas contas e menos horas extras forçaram a voltar para a casa dos pais em Alexandria, Virgínia, disse que começou a se "preocupar constantemente com as finanças" e a ter "ataques de pânico, com o coração disparado, uma sensação de sufocamento, arrepios e suor, amortecimento e uma sensação de formigamento nos dedos" e a se sentir "quase fora do próprio corpo".
Mesmo as crianças mostram sinais de stress.
Daniel A. Cohen, psiquiatra de Manhattan, disse que viu "mais famílias em crise", com crianças mostrando mais sinais de "ansiedade e depressão" e mais pesadelos.
TRAPAENG SVA - Sum Touch parou de tentar contar a seus netos sobre a matança, a fome e o horror que viveu quando o regime comunista Khmer Vermelho reinou no Camboja há mais de 30 anos.
AP
Cambojanos rezam diante túmulos de vítimas do regime Khmer Vermelho
"Parece que mesmo quando eu conto eles não acreditam no que eu digo", disse Sum Touch, 71, que perdeu muitos membros de sua família. "Meu coração dói por eles não saberem o que aconteceu".
Há um antigo campo de execução por perto e um barracão cheio de caveiras e ossos de algumas das vítimas. Mas muitos dos jovens cambojanos, aparentemente, desconhecem porque ou como eles chegaram ali.
Ao lutar para deixar o passado para trás, o Camboja hoje sofre com um doloroso distanciamento entre gerações: entre aqueles que sobreviveram ao regime do Khmer Vermelho e seus filhos e netos, que sabem pouco sobre ele.
"Eu não gosto disso, mas o que posso fazer?", disse Ty Leap, 52, que vende macarrão e sucos. "É realmente inacreditável que isso esteja acontecendo".
Durante quase quatro anos, entre 1975 e 1979, o Khmer Vermelho causou a morte de 1,7 milhões de pessoas de fome, excesso de trabalho e doenças, bem como tortura e execução, conforme tentava construir uma dura utopia plebeia.
Quase todos os cambojanos de uma certa idade têm histórias para contar de terror, abuso, fome e da perda de membros de suas famílias. Mas estas histórias geralmente não são ouvidas por uma geração que não consegue conceber a ideia de tamanha brutalidade ou parece indisposta a aprender sobre ela.
Cerca de 70% da população do Camboja tem menos de 30 anos e quatro em cinco membros desta geração sabem pouco ou nada sobre os anos do Khmer Vermelho, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, Berkeley.
Uma ignorância similar (entre velhos e jovens) parece envolver os julgamentos dos cinco principais articuladores do Khmer Vermelho, que começou no mês passado, em parte para dar início a um processo de cura e fechamento.
Partes dos julgamentos são transmitidas na televisão e os jornais contam toda a história, mas mesmo nesta vila ao lado de um antigo campo de execução 40km ao sul da capital, Phnom Penh, muitas pessoas afirmaram que não sabiam que isso está acontecendo.
Ainda que reconhecendo que a recessão dificulta qualquer batalha política, o presidente Barack Obama planeja começar a lidar com o sistema imigratório americano ainda este ano, inclusive procurando um caminho para que imigrantes ilegais regularizem sua situação, afirmou uma oficial da gestão na quarta-feira.
Obama irá se referir ao novo esforço (que deve gerar furor nos dois lados desta divisiva questão) como "política da reforma que controla a imigração de forma ordenada", disse Cecilia Muñoz, vice-assistente do presidente e diretora de assuntos intergovernamentais da Casa Branca.
O presidente planeja falar publicamente sobre a questão em maio, afirmam membros desta gestão, e durante o verão ele irá reunir grupos de trabalho, incluindo legisladores de ambos os partidos e uma ampla gama de organizações imigratórias, para discutir uma possível lei para o começo do outono.
Imigrantes protestam por legalização nos EUA / Getty Images
Obama disse durante sua campanha presidencial que uma lei imigratória ampla, que incluísse a possibilidade de legalização dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais do país, seria sua prioridade no primeiro ano de governo.
Mas com a economia em dificuldades, os partidários de ambos os lados do debate disseram que a imigração poderia se tornar uma questão difícil para Obama em um ano no qual tem muitas batalhas para travar.
Os oponentes, principalmente republicanos, dizem que irão tentar mobilizar a revolta popular contra qualquer esforço de legalizar trabalhadores imigrantes ilegais enquanto muitos americanos estão desempregados.
O debate acontece entre oficiais da gestão sobre o momento preciso e a estratégia correta. Ainda não está claro quem levará a iniciativa do presidente ao Congresso. Nenhuma conversa legislativa séria sobre a questão parece esperada até que outras prioridades de Obama sejam discutidas, afirmaram assistentes congressistas.
Os oficiais disseram que o plano de Obama não acrescentaria novos trabalhadores à força de trabalho, mas reconheceria milhões de ilegais que já trabalham nos Estados Unidos.
Os oponentes da legalização estão incrédulos com a possibilidade de Obama lidar com a imigração em um momento no qual a os problemas econômicos causam tanta dor aos americanos.
"Não parece racional que qualquer líder político diga, 'vamos dar a milhões de trabalhadores estrangeiros um acesso permanente aos empregos americanos' quando temos milhões de americanos procurando por trabalho", disse Roy Beck, diretor executivo do NumbersUSA, um grupo que favorece a redução da imigração.
Beck previu que Obama enfrentará uma "explosão" caso faça isso este ano. "Vai ser algo como, 'Você deixou que eles ficassem com seus empregos enquanto nós poderíamos ter pego estas vagas'", ele disse.
Imigrantes participam de cerimônia em que ganham cidadania / Getty Images
É impossível ver a morte de 13 pessoas em Binghamton, Nova York, na semana passada como um fato isolado. Em breve o massacre da escola de ensino médio Columbine completará 10 anos e o tiroteio na universidade de Virgínia Tech dois. Enquanto isso, no último mês o disparo aleatório de armas de fogo tirou a vida de 50 americanos.
Neste contexto histórico, Binghamton é mais um lembrete do terrível problema da América e um alerta para que os legisladores insistam em leis de bom-senso para as armas. Ainda assim o Congresso parece responder com um dar de ombros coletivo.
Houve um momento, depois de Columbine, no qual o país engatou um promissor debate sobre a violência das armas e por um breve período parecia que o Congresso poderia ir além dos extremistas e da Associação Nacional de Rifle (NRA, na sigla em inglês).
Em maio de 1999, a NRA perdeu um confronto no Senado a respeito de uma brecha na lei que permite que qualquer comprador desqualificado compre armas em exposições sem a necessidade de verificar de seus antepassados criminais.
A vitória não passou de uma ilusão. A medida nas exposições de armas morreu em uma conferência da Câmara e a necessidade pós-Columbine de se fazer algo significativo a respeito do assunto evaporou. O massacre de Virgínia Tech oito anos depois reavivou o interesse do Congresso. Mesmo a NRA teve que apoiar uma medida que dificultou que alguém com histórico de doença mental grave pudesse comprar uma arma.
Ainda assim, o Congresso meramente tocou no problema e hoje a ideia de fechar a brecha nas exposições de armas e tomar outras medidas para ajudar a evitar que vidas sejam encerradas sem violar a Segunda Emenda não estão seriamente na mesa de debates.
Dentro da bolha de Washington, é como se os tiros de Binghamton e de outros lugares nunca tivessem sido disparados. A capacidade da NRA de intimidar homens e mulheres crescidos na Câmara e no Senado continua grande, apesar de seu fraco desempenho nos ciclos eleitorais de 2006 e 2008.
Até agora, a Casa Branca de Obama também não demonstrou grande coragem. Testemunhas relatam a recepção fria que os pedidos do procurador-geral Eric Holder e da secretária de Estado Hillary Rodham Clinton para a reimposição da proibição às armas de fogo para dificultar que traficantes de armas americanos vendam aos cartéis mexicanos recebeu.
Na verdade, o Congresso parece retroceder. No mês passado, a NRA persuadiu o Senado a anexar uma emenda que irá mudar a lei contra armas do Distrito de Colúmbia transformando-a em um projeto que dará ao distrito um voto no Congresso. Essa emenda permitirá que armas de atiradores a longa distância, que podem perfurar veículos blindados há mais de um quilômetro, possam ser compradas em quantidade ilimitada na capital nacional.
A atual representante do distrito, Eleanor Holmes Norton, luta para que a Câmara aprove uma versão mais enxuta do projeto, sem a emenda, mas as perspectivas são sombrias. Se a oradora da Câmara Nancy Pelosi e o líder da maioria Steny Hoyer não conseguirem os votos, o presidente Barack Obama deve intervir. Ele também deveria rescindir uma perigosa regulação dos anos Bush que permite que armas carregadas sejam portadas escondidas em parques nacionais.
Mais amplamente, ele deve usar os imensos poderes de persuasão de seu gabinete para dar início a um debate, atrasado, pelo controle inteligente das armas.