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Em uma cela falsa na Geórgia, hóspede na TV causa impacto real

TBILISI – A nova estrela da oposição do presidente Mikheil Saakashvili está trancada em uma cela de prisão, onde ele faz críticas contra o governo, escreve slogans pelas paredes (“Saakashvili nos traiu!”) e provoca políticos que vão, como penitentes, pedir perdão por já ter apoiado o presidente.

NYT

Giorgi Gachechiladze em sua cela falsa

Vídeos e câmeras estão filmando cada minuto dessa prisão. A cela é uma farsa, o estúdio para o programa de televisão, que parece estar chamando a atenção da capital da Geórgia, de um canal pago de notícias e para o fato de se ele realmente está apenas fazendo um reality show que passa várias horas por dia em um canal da oposição.

O programa, “Cela nº5”, está tornando seu participante, Giorgi Gachechiladze, em uma figura de oposição influente, embora só o vejam na tela da TV. Ele prometeu não deixar a cela até que Saakashvili renuncie.

Políticos da oposição dizem que Gachechiladze, inesperadamente, se tornou uma arma significativa em suas tentativas de tirar os créditos do governo, e a popularidade do programa mostra como a insatisfação de Saakashvili se direcionou a uma parte importante da sociedade da Geórgia, oito meses depois da guerra com a Rússia.

A profundidade dessa oposição deve ficar evidente na quinta-feira, quando os opositores, que estão fragmentados, esperam dirigir uma grande quantidade de manifestações que levarão à retirada de Saakashvili.

“Isso será um tsunami impossível de parar”, disse Gachechiladze nesta semana, usando o programa para pedir às pessoas para participarem. “Saakashvili sujou os principais valores dos georgianos, e as pessoas nunca esquecerão que ele o fez”.

Questão política

Saakashvili foi eleito presidente após liderar a então chamada Revolução Rosa em 2003, que expulsou o governo ligado aos soviéticos. Ele prometeu modernizar a Geórgia e governar com uma orientação pró-ocidental, mas ainda assim ele é uma figura que cada vez mais causa desarmonia.

Além disso, é uma questão aberta se o público que deseja a estabilidade quer que Saakashvili saia do poder. Pesquisas recentes indicam que ele retém uma base de apoio.

Gachechiladze, 43, conhecido cantor cujo irmão é um importante política da oposição, é considerado pelos aliados de Saakashvili uma pessoa convencida cujo sucesso acabará quando as pessoas se cansarem dele.

Papel da televisão

Mesmo assim, organizadores da oposição pretendem transmitir “Cela nº5” em uma tela gigante em frente ao parlamento na manifestação de quinta-feira.

A televisão teve um papel provocativo na política da Geórgia. Em novembro de 2007, Saakashvili executou punições em opositores, que incluíam mandar policiais destruírem um posto diferente da oposição, Imedi.
 
Agora, o governo enfatiza que a decisão de permitir que “Cela nº5” possa concorrer e licenciar sua emissora de oposição, Maestro, é uma prova de que a Geórgia tem muito mais liberdade do que seus vizinhos, especialmente a Rússia. Maestro é amplamente eficaz em Tbilisi, limitando o impacto do programa em outros lugares.

Gachechiladze entrou em sua cela – um quarto na base da Maestro, do tamanho de um pequeno flat – em 20 de janeiro, e ele saiu apenas uma vez, para apresentar um concerto ao público em Tbilisi. Ele estava em uma gaiola para a performance, o que chamou a atenção de centenas de pessoas.

Ideia inovadora

O programa “Cela nº5” foi nomeado após o reconhecimento da eleição do partido político de Saakashvili, com o sentido de que o país é prisioneiro do presidente. Gachechiladze sustenta que Saakashvili é um ditador, é incompetente para governar e permite que a corrupção flua e envolveu a Geórgia em uma guerra sem sentido.

É tudo apresentado de uma forma teatralmente diferente, ao vivo e gravado.

Gachechiladze decorou a cela com poemas, ícones georgianos ortodoxos, bonecas, grafites e colagens de recortes de fotos de políticos de cargos elevados. Ele colocou um mapa para mostrar seu desgosto pela guerra, que levou a Geórgia a perder todo o controle sobre dois territórios disputados.

Há uma cama, uma mesa e um banheiro de mentira. No chão há um grande pôster que mostra todas as promessas supostamente quebradas por você sabe quem. No outro dia, após o governo acusar alguns membros da oposição de tentar obter armas, ele ridicularizou as alegações, fingindo manejar armas de brinquedo e usando um telefone imaginário para conversar com oficiais georgianos e russos.


Por CLIFFORD J. LEVY

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09/04/2009 01:04 PM

Ansiedade da recessão atinge dia a dia de americanos

Anne Hubbard não perdeu seu emprego, sua casa ou suas economias. Ela e seu marido sempre foram cuidadosos quando o assunto é dinheiro. Mas há alguns meses, Hubbard, designer gráfica em Cambridge, Massachussets, começou a ter ataques de pânico por causa da economia, com dificuldade em respirar e visões claras nas quais "perdia tudo", ela disse.

NYT

Meditar se tornou uma solução para tentar conter ansiedade e preocupação com a crise

"Eu não conseguia parar de ler todos os relatos sobre a economia", estava "com o estômago tão enjoado que perdi 5kg" e "já não funcionava", disse Hubbard, 52, que começou, pela primeira vez, a tomar remédios receitados por um psiquiatra e a fazer terapia.

Em Miami, Victoria Villalba, 44, dormia rotineiramente oito horas por noite até que as história de clientes desesperados começaram a inundar seu escritório de colocação profissional e passaram a acordá-la às 2h da manhã. Sem sono, ela primeiro passou a responder emails, mas isso fazia com que os BlackBerries de colegas que dormiam os acordassem. Agora ela estuda livros de negócios e organiza meticulosamente seu armário.

"Eu fico envergonhada", ela disse. "As pessoas normais não fazem isso".

Com a previsão de que os danos econômicos durem meses ou anos, tais reações são comuns, afirmam os especialistas. Ansiedade, depressão e estresse perturbam as pessoas em todos os lugares, muitas das quais não sofreram perdas econômicas significativas, mas temem que irão ou simplesmente reagem às incertezas.

Algumas procuram aconselhamento ou medicação pela primeira vez - de terapistas, clínicas de sono, médicos familiares. Outras retomam ou aumentam o tratamento ou redirecionam a terapia de outras questões para a ansiedade sobre a economia.

NYT

A terapia é outra ajuda que muitos procuram para lidar com o momento atual

"A economia e o medo do que está acontecendo está tendo um grande efeito", disse Sarah Bullard Steck, terapeuta de Washington que também dirige um programa de assistência a funcionários de departamentos comerciais. "As pessoas agora têm uma ansiedade mais grave" ou "problemas no casamento, violência doméstica e até abuso de substâncias".

A ansiedade não é apenas assustadora para aqueles com algo a perder, como pessoas mais velhas e donos de imóveis.

Elizabeth Dewey-Vogt, 25, advogada cujas contas e menos horas extras forçaram a voltar para a casa dos pais em Alexandria, Virgínia, disse que começou a se "preocupar constantemente com as finanças" e a ter "ataques de pânico, com o coração disparado, uma sensação de sufocamento, arrepios e suor, amortecimento e uma sensação de formigamento nos dedos" e a se sentir "quase fora do próprio corpo".

Mesmo as crianças mostram sinais de stress.

Daniel A. Cohen, psiquiatra de Manhattan, disse que viu "mais famílias em crise", com crianças mostrando mais sinais de "ansiedade e depressão" e mais pesadelos.


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09/04/2009 09:25 AM

Jovens cambojanos desconhecem horrores do Khmer Vermelho

TRAPAENG SVA - Sum Touch parou de tentar contar a seus netos sobre a matança, a fome e o horror que viveu quando o regime comunista Khmer Vermelho reinou no Camboja há mais de 30 anos.

AP

Cambojanos rezam diante túmulos de vítimas do regime Khmer Vermelho

"Parece que mesmo quando eu conto eles não acreditam no que eu digo", disse Sum Touch, 71, que perdeu muitos membros de sua família. "Meu coração dói por eles não saberem o que aconteceu".

Há um antigo campo de execução por perto e um barracão cheio de caveiras e ossos de algumas das vítimas. Mas muitos dos jovens cambojanos, aparentemente, desconhecem porque ou como eles chegaram ali.

Ao lutar para deixar o passado para trás, o Camboja hoje sofre com um doloroso distanciamento entre gerações: entre aqueles que sobreviveram ao regime do Khmer Vermelho e seus filhos e netos, que sabem pouco sobre ele.

"Eu não gosto disso, mas o que posso fazer?", disse Ty Leap, 52, que vende macarrão e sucos. "É realmente inacreditável que isso esteja acontecendo".

Durante quase quatro anos, entre 1975 e 1979, o Khmer Vermelho causou a morte de 1,7 milhões de pessoas de fome, excesso de trabalho e doenças, bem como tortura e execução, conforme tentava construir uma dura utopia plebeia.

Quase todos os cambojanos de uma certa idade têm histórias para contar de  terror, abuso, fome e da perda de membros de suas famílias. Mas estas histórias geralmente não são ouvidas por uma geração que não consegue conceber a ideia de tamanha brutalidade ou parece indisposta a aprender sobre ela.

Cerca de 70% da população do Camboja tem menos de 30 anos e quatro em cinco membros desta geração sabem pouco ou nada sobre os anos do Khmer Vermelho, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Centro de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, Berkeley.

Uma ignorância similar (entre velhos e jovens) parece envolver os julgamentos dos cinco principais articuladores do Khmer Vermelho, que começou no mês passado, em parte para dar início a um processo de cura e fechamento.

Partes dos julgamentos são transmitidas na televisão e os jornais contam toda a história, mas mesmo nesta vila ao lado de um antigo campo de execução 40km ao sul da capital, Phnom Penh, muitas pessoas afirmaram que não sabiam que isso está acontecendo.


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09/04/2009 08:50 AM

Obama vai priorizar lei de imigração ainda este ano

Ainda que reconhecendo que a recessão dificulta qualquer batalha política, o presidente Barack Obama planeja começar a lidar com o sistema imigratório americano ainda este ano, inclusive procurando um caminho para que imigrantes ilegais regularizem sua situação, afirmou uma oficial da gestão na quarta-feira.

 

Obama irá se referir ao novo esforço (que deve gerar furor nos dois lados desta divisiva questão) como "política da reforma que controla a imigração de forma ordenada", disse Cecilia Muñoz, vice-assistente do presidente e diretora de assuntos intergovernamentais da Casa Branca.

O presidente planeja falar publicamente sobre a questão em maio, afirmam membros desta gestão, e durante o verão ele irá reunir grupos de trabalho, incluindo legisladores de ambos os partidos e uma ampla gama de organizações imigratórias, para discutir uma possível lei para o começo do outono.


Imigrantes protestam por legalização nos EUA / Getty Images

Obama disse durante sua campanha presidencial que uma lei imigratória ampla, que incluísse a possibilidade de legalização dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais do país, seria sua prioridade no primeiro ano de governo.

Mas com a economia em dificuldades, os partidários de ambos os lados do debate disseram que a imigração poderia se tornar uma questão difícil para Obama em um ano no qual tem muitas batalhas para travar.

Os oponentes, principalmente republicanos, dizem que irão tentar mobilizar a revolta popular contra qualquer esforço de legalizar trabalhadores imigrantes ilegais enquanto muitos americanos estão desempregados.

O debate acontece entre oficiais da gestão sobre o momento preciso e a estratégia correta. Ainda não está claro quem levará a iniciativa do presidente ao Congresso. Nenhuma conversa legislativa séria sobre a questão parece esperada até que outras prioridades de Obama sejam discutidas, afirmaram assistentes congressistas.

Os oficiais disseram que o plano de Obama não acrescentaria novos trabalhadores à força de trabalho, mas reconheceria milhões de ilegais que já trabalham nos Estados Unidos.

Os oponentes da legalização estão incrédulos com a possibilidade de Obama lidar com a imigração em um momento no qual a os problemas econômicos causam tanta dor aos americanos.

"Não parece racional que qualquer líder político diga, 'vamos dar a milhões de trabalhadores estrangeiros um acesso permanente aos empregos americanos' quando temos milhões de americanos procurando por trabalho", disse Roy Beck, diretor executivo do NumbersUSA, um grupo que favorece a redução da imigração.

Beck previu que Obama enfrentará uma "explosão" caso faça isso este ano. "Vai ser algo como, 'Você deixou que eles ficassem com seus empregos enquanto nós poderíamos ter pego estas vagas'", ele disse.


Imigrantes participam de cerimônia em que ganham cidadania / Getty Images

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09/04/2009 08:26 AM

Editorial: Columbine completa 10 anos em Binghamton

É impossível ver a morte de 13 pessoas em Binghamton, Nova York, na semana passada como um fato isolado. Em breve o massacre da escola de ensino médio Columbine completará 10 anos e o tiroteio na universidade de Virgínia Tech dois. Enquanto isso, no último mês o disparo aleatório de armas de fogo tirou a vida de 50 americanos.

 

Neste contexto histórico, Binghamton é mais um lembrete do terrível problema da América e um alerta para que os legisladores insistam em leis de bom-senso para as armas. Ainda assim o Congresso parece responder com um dar de ombros coletivo.

Houve um momento, depois de Columbine, no qual o país engatou um promissor debate sobre a violência das armas e por um breve período parecia que o Congresso poderia ir além dos extremistas e da Associação Nacional de Rifle (NRA, na sigla em inglês).

Em maio de 1999, a NRA perdeu um confronto no Senado a respeito de uma brecha na lei que permite que qualquer comprador desqualificado compre armas em exposições sem a necessidade de verificar de seus antepassados criminais.

A vitória não passou de uma ilusão. A medida nas exposições de armas morreu em uma conferência da Câmara e a necessidade pós-Columbine de se fazer algo significativo a respeito do assunto evaporou. O massacre de Virgínia Tech oito anos depois reavivou o interesse do Congresso. Mesmo a NRA teve que apoiar uma medida que dificultou que alguém com histórico de doença mental grave pudesse comprar uma arma.

Ainda assim, o Congresso meramente tocou no problema e hoje a ideia de fechar a brecha nas exposições de armas e tomar outras medidas para ajudar a evitar que vidas sejam encerradas sem violar a Segunda Emenda não estão seriamente na mesa de debates.

Dentro da bolha de Washington, é como se os tiros de Binghamton e de outros lugares nunca tivessem sido disparados. A capacidade da NRA de intimidar homens e mulheres crescidos na Câmara e no Senado continua grande, apesar de seu fraco desempenho nos ciclos eleitorais de 2006 e 2008.

Até agora, a Casa Branca de Obama também não demonstrou grande coragem. Testemunhas relatam a recepção fria que os pedidos do procurador-geral Eric Holder e da secretária de Estado Hillary Rodham Clinton para a reimposição da proibição às armas de fogo para dificultar que traficantes de armas americanos vendam aos cartéis mexicanos recebeu.

Na verdade, o Congresso parece retroceder. No mês passado, a NRA persuadiu o Senado a anexar uma emenda que irá mudar a lei contra armas do Distrito de Colúmbia transformando-a em um projeto que dará ao distrito um voto no Congresso. Essa emenda permitirá que armas de atiradores a longa distância, que podem perfurar veículos blindados há mais de um quilômetro, possam ser compradas em quantidade ilimitada na capital nacional.

A atual representante do distrito, Eleanor Holmes Norton, luta para que a Câmara aprove uma versão mais enxuta do projeto, sem a emenda, mas as perspectivas são sombrias. Se a oradora da Câmara Nancy Pelosi e o líder da maioria Steny Hoyer não conseguirem os votos, o presidente Barack Obama deve intervir. Ele também deveria rescindir uma perigosa regulação dos anos Bush que permite que armas carregadas sejam portadas escondidas em parques nacionais.

Mais amplamente, ele deve usar os imensos poderes de persuasão de seu gabinete para dar início a um debate, atrasado, pelo controle inteligente das armas.

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09/04/2009 08:24 AM

Comentário: Lutando contra a pobreza

JAMESTOWN – Eu não tinha certeza se esta coluna seria concluída. Mas minhas economias e meu salário estão encolhendo, então me pareceu valer a pena tentar. Bom, o quão difícil isso pode ser? Eu vi “O Tesouro de Sierra Madre”, clássico de 1948, com a atuação de Humphrey Bogart e dirigido por John Huston (“Crachá?... não tenho que mostrar nenhuma porcaria de crachá para você!”). Esse filme foi a melhor reflexão sobre a esperança do ouro e o roubo por ambição, já feito – até a história de Bernie Madoff.

Além disso, com a hesitação do sonho americano e o brilho da Estátua Dourada apagado, o filme pareceu ser um regresso às colinas dos Mananciais de Sierra Nevada, onde o sonho de, audaciosamente, ficar rico da noite para o dia nasceu há 160 anos, a Corrida do Ouro que estimulou a economia mundial.

O 49er (embarcação com espaço para duas pessoas) – o qual Mark Twain descreveu como “uma sociedade selvagem, livre, bagunçada e grotesca” de um homem “indescritivelmente feliz” – parou em São Francisco, duas horas e meia a oeste daqui, para comprar suprimentos como balas para armas, carne salgada e calças Levis. Meus suprimentos de São Francisco eram mais modernos: jeans rasgado, leite desnatado, um GPS, um celular e um notebook para me atualizar sobre o preço do ouro. Com o dólar em baixa e as instituições financeiras em decadência, uma dura pepita de ouro parece uma aposta mais segura do que um derivativo efêmero (o ouro está sendo comercializado a cerca de US$ 880 por 29 gramas).

As informações na mídia estão anunciando uma nova Corrida do Ouro de Modesto ao Deserto de Mojave, um renascimento das esperanças nas correntezas da Califórnia, estimulado pelo discurso da economia nacional, uma taxa de desemprego de 10,5% deixando muitos com tempo livre e o pensamento no preço do ouro.

Os Panners têm encontrado “o suor do sol”, como os Incas chamavam o ouro. Declarações de mineradores, sociedade em grupos de prospecto e as vendas em lojas de equipamentos para mineração estão aumentando em todo o Estado. Um homem da costa leste se gabou para a emissora de TV “NBC” por ter encontrado US$ 10 mil em ouro em apenas um dia.

Minha aventura realmente pareceu como uma viagem no tempo, ao passado, especialmente quando o GPS começou a piscar perto de Yosemite, avisando que estávamos “entrando em uma área onde coordenadas não podem ser fornecidas”. Como em o “Conto do Perdoador”, de Chaucer, com sua moral de que “radix malorum est cupiditas”, que significa, “a ambição é a raiz de todos os males”, eu e meus dois amigos rapidamente começamos a argumentar sobre se iríamos guardar o que encontrássemos para nós ou dividir em três, com suspeitas florescendo.

Enquanto andávamos em direção à loja Brent Shock, que vendia equipamentos para a busca do ouro, na Main Street daqui, ouvimos alguém cantando aquele velho refrão de Burl Ives “Jimmy crack corn, and I don´t care” (Jimmy mói milho e eu não me importo, em tradução livre). Pagamos US$ 200 por nosso “equipamento para barrar a água e a peneira” e foram para o campo de mineração ressuscitado de Shock, no Riacho Woods, onde cerca de 15 pessoas, incluindo algumas famílias, cavavam com dificuldade.

John Fonseca, 27, brasileiro de Salt Lake City, estava com seu tio, Jorge de Jesus, que ouviu sobre Jamestown no Travel Channel (canal televisivo sobre viagens). Fonseca, que trabalhava com produtos de madeira para lojas como Chanel e Armani, disse que o trabalho diminuiu, então ele decidiu ir a procura de ouro. Ele tinha um pequeno frasco cheio de flocos de ouro após três horas de exploração naquele dia, o que ele disse, com sofrimento, que “não é o suficiente para vender” ou “pagar as contas”.

Gary Speed, 58, que trabalha na McClatchy's, na unidade de Cars.com, dirigiu meia hora até Groveland, na Califórnia, com sua mulher, Margaret, para comemorar o aniversário desta. Ele está pensando em explorar ouro “como outra fonte de renda porque eu me aposentarei em breve”. Ele pretendia não perder flocos de ouro em seu equipamento. “Com isso dá para comprar uma lata de ração de gato”, disse ele.

Com uma barba grisalha, uma boca sem alguns dentes, olhos de um azul intenso e um Marlboro vermelho entre os lábios, o homem de 57 anos é um regresso às possibilidades de outrora. “O ouro deixou as pessoas loucas por anos”, disse. “O homem é o homem”.

Para crianças, Shock ajuda a mãe natureza algumas vezes, salgando o rio com ouro de bobom, pirita, para que eles tenham certeza de que encontrarão algum tesouro. Eu achei uma pepita brilhante, mas Shock me advertiu. “Chamamos isso de ‘leverite’ da Califórnia”, disse ele, “como em, ‘leave ‘er’ (deixe-o, em inglês) aqui mesmo”.

Ele nos ensinou a fazer um redemoinho com a peneira, apenas com o pulso e “sem mexer o corpo”, e a separar a lama dos grãos.

Aaron, 33, gerente da FedEx de São José, disse que foi um trabalho tão duro para um retorno tão pequeno que se ele precisasse juntar dinheiro, ele preferirira “conseguir um segundo emprego entregando pizzas”.

No fim, Shock nos ensinou a recolher alguns flocos, que seria digno de um “achei!” e se parecia mais com ração para peixe do que um bilhete fora do temor da economia. “Vale US$ 1 mil de conversa”, Shock garantiu. E também um lembrete de que esquemas para enriquecer rapidamente são frequentemente um caminho para esvaziar os bolsos.

De volta ao bar do Hotel Nacional, na Main Street, onde exploradores comercializavam ouro por uísque, tentamos vender nosso frasco de flocos de ouro por um copo de gin efervescente e um Martini com limão.

“Claro, eu aceito”, disse o garçom, “junto com um cartão de crédito”.


Por MAUREEN DOWD

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08/04/2009 06:08 PM

Redes sociais online impulsionam devolução de "achados e perdidos"

Rhonda Surman e seu marido caminhavam pelas ruínas da Idade de Bronze na Escócia no ano passado quando viram um reflexo metálico. Era uma câmera digital Olympus caída no chão.

NYT

Casal de bons samaritanos virtuais

O casal entregou a câmera à polícia local, mas oito meses depois receberam ela de volta por não ter sido procurada por ninguém.

Surman, que vive no norte na Escócia, não desistiu. O cartão de memória da câmera continha mais de 600 fotos, inclusive algumas de um casamento e as viagens de um casal pela Europa. Surman publicou diversas fotos deles na internet e, nos meses seguintes, organizou um grupo de detetives amadores que rastrearam pistas nas fotos, levando-os ao maravilhado dono da câmera.

"Eu não acho que sou mais boazinha do que ninguém", ela disse, "eu pensei que as fotos eram da lua de mel deles. Por isso fiz tudo que pude para encontrá-los".

Muitas pessoas como Surman agem da mesma forma ultimamente e adotam um novo papel: o bom samaritano digital. A internet pode permitir que muitas pessoas ruins persigam os outros ou roubem identidades, mas também permite que seja mais fácil agir com bondade, porque os sites e ferramentas podem ajudar que as pessoas devolvam itens de valor como carteiras, celulares e câmeras a seus donos.

Companhias também agem para explorar o fato de milhões de pessoas publicarem informações sobre si mesmas na internet. Os tradicionais "achados e perdidos" estão migrando para a internet e inúmeras companhias e websites surgiram para ajudar os impulsos altruístas das pessoas em devolver itens perdidos.

"Geralmente quanto as pessoas têm a oportunidade de fazer algo bom pelos outros, elas o fazem", disse Matt Preprost, estudante universitário do Canadá que criou o blog, Found Cameras and Orphan Pictures (Câmeras Achadas e Fotos Órfãs, em tradução livre), para devolver câmeras a seus donos.

Alguns veem a internet para a devolução de itens perdidos como um bom negócio. Alguns negócios permitem que as pessoas registrem os itens com códigos e caso sejam perdidos, a pessoa que o encontrar poderá localizá-lo através do número.

Os envolvidos dizem ter notado que mais de dois terços das pessoas que encontram algum item fazem a coisa certa e o devolvem.


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08/04/2009 12:08 PM

Em visita ao Iraque, Obama reitera promessa de acabar com guerra no país

CAMP VICTORY - O presidente Barack Obama fez uma visita surpresa ao Iraque na terça-feira, sua primeira como comandante da nação ao lugar de uma das duas guerras que herdou e agora precisa encerrar.

Reiterando sua promessa de terminar com uma guerra à qual se opôs desde o início, ele disse a uma plateia de soldados americanos que é chegada a hora dos iraquianos "assumirem a responsabilidade por seu país e sua soberania". Mais tarde, com sinais de impaciência em sua voz, ele pediu que os líderes iraquianos unam este país dividido por facções étnicas e sectárias e incorporem tudo sob um mesmo governo e forças de segurança.

"Este é um momento de transição de nós aos iraquianos", disse Obama a centenas de soldados americanos reunidos no palácio Al Faw, um prédio suntuoso de arenito que fica em um lago artificial e pertenceu a Saddam Hussein. A multidão uniformizada aclamou a declaração com aplausos entusiasmados.

Desde que se tornou presidente a menos de três meses, Obama agiu rapidamente para remodelar a guerra no Iraque. Ele anunciou planos de retirada de todas as forças de combate até agosto de 2010, conforme busca mudar o foco militar para a problemática guerra no Afeganistão.

No entanto, ele escolheu visitar o Iraque. O secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que o presidente fez isso por causa da proximidade do Iraque com a Turquia, onde começou seu dia, da necessidade de pedir que os iraquianos busquem uma reconciliação política e do desejo de apoiar "nossos homens e mulheres que estão em perigo, seja no Iraque ou no Afeganistão".

A visita de Obama marcou a viagem de uma semana que o levou de uma cúpula econômica em Londres a uma reunião da Otan e foi concluída na Turquia.

Obama chegou a bordo do Força Aérea Um às 16h42 depois de um voo realizado em sigilo e com segurança máxima, que incluiu o fechamento da principal estrada ao Aeroporto Internacional de Bagdá. Sua visita não foi uma surpresa completa, uma vez que foi amplamente discutida desde que ele chegou à Turquia no domingo.

Obama, aparecendo brevemente ao lado do primeiro-ministro Nouri Kamal Al-Maliki na noite de terça-feira, disse: "Eu continuo convencido que nossa determinação e compromisso conjuntos de progredir é maior do que os obstáculos que temos em nosso caminho".



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08/04/2009 11:53 AM

Companhia chinesa é acusada de vender material proibido ao Irã

NOVA YORK - Promotores de Nova York indiciaram um empresário chinês e sua companhia por conspiração relacionada à venda de materiais sensíveis ao Irã em transações sigilosas que, segundo as autoridades, violam sanções da ONU que buscam impedir as ambições nucleares de Teerã.

 

De acordo com o processo aberto em Manhattan na terça-feira, a companhia chinesa vendeu tungstênio, ferro de alta resistência e metais exóticos à Organização de Indústrias de Defesa, um braço das forças militares iranianas, entre 2006 e 2008, geralmente usando companhias de fachada para esconder as transações.

Tanto as Indústrias de Defesa quanto a sede da companhia chinesa, Limmt Economic and Trade Co., são proibidas de realizar negócios nos Estados Unidos.

Os materiais têm muitos usos na construção de mísseis de longo alcance e armas nucleares, inclusive na fabricação de um motor que aguente altas temperaturas e centrífugas que podem enriquecer o urânio e transformá-lo em combustível atômico. Os materiais podem ser usados para armas bem como para fins civis.

A venda ao Irã de muitos destes materiais foi proibida pelas Nações Unidas e o comprador iraniano é um líder reconhecido dos esforços militares em dar continuidade à fabricação de armas avançadas. A diversidade e quantidade de vendas é significativa, envolvendo milhares de toneladas de alguns dos materiais mais sensíveis do mundo.

O programa nuclear e de mísseis do Irã é uma preocupação mundial. Teerã corre contra o tempo para enriquecer urânio contrariando a oposição do Conselho de Segurança da ONU e recentemente lançou um satélite, passo que os analistas veem como importante para o uso de mísseis de longo alcance que podem carregar armas nucleares.

O processo acusa o empresário chinês Li Fang Wei,  executivo da Limmt, e a companhia  de conspirarem para esconder suas transações e de apresentarem informações falsas sobre transações bancárias que aconteceram em Manhattan. O promotor do distrito de Manhattan, Robert M. Morgenthau, anunciou a acusação em uma coletiva de imprensa na terça-feira.

Todos os registros falsos envolveram vendas entre a Limmt e clientes não afiliados às forças militares iranianas. Estas transações não foram realizadas em dólares americanos.

As vendas às Indústrias de Defesa são mencionadas sob acusação de conspiração. Apesar das transações terem sido realizadas em euro e não envolverem bancos americanos, elas foram usadas para ilustrar os esforços de Li em esconder suas atividades.

Apesar das acusações terem penas relativamente leves (até um ano de prisão por conspiração em quinto grau e no máximo quatro pela falsificação de documentos empresariais) Morgenthau disse que o propósito central do processo é expor as tentativas de proliferação nuclear do Irã.

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08/04/2009 10:40 AM

Recessão alimenta demanda escapista por romances

Em uma recessão, o que as pessoas mais precisam é de um final feliz. Em um momento no qual as livrarias fazem o possível para atrair leitores, as vendas de romances ultrapassam a maioria das categorias de livros e dão alguma esperança a um mercado em dificuldade.

A Harlequin Enterprises, principal editora de romances dos Estados Unidos, relatou lucros no primeiro quadrimestre de até 32% em relação ao mesmo período do ano passado, e sua chefe executiva Donna Hayes afirmou que as vendas no começo deste ano continuam sólidas.

Enquanto a venda de ficção para adultos permaneceu constante no ano passado, de acordo com a Nielsen Bookscan, que acompanha a venda de cerca de 70% dos livros do país, os romances venderam 7% a mais depois de anos de estabilidade.

Na livraria Barnes & Noble, cujo chefe financeiro, Joe Lombardi, recentemente alertou que as vendas de 2009 devem cair entre 4% e 6%, as vendas de romances estão em alta. E, pela primeira vez em três meses, este ano a Nielsen Bookscan ratreou um aumento de 2,4% na venda de romances em comparação com um pequeno declínio nas vendas de ficção para adultos em geral no mesmo período.

Como os leitores da era da Depressão, que alimentavam a venda de livros como "E o Vento Levou", de Margaret Mitchell, os leitores de hoje buscam um escape da sombria realidade de desemprego, desapropriação e lucros menores.

"Por causa da atual situação", disse Jennifer Lampe, advogada de Des Moines e leitora ávida de romances que tem um blog sobre livros sob o pseudônimo Jane Litte no dearauthor.com, "ler algo como um romance com um final feliz é uma espécie de alívio".

Tais necessidades escapistas também alimentam a venda de ficção científica e fantasia, disse Bob Wietrak, vice-presidente de mercadoria da Barnes & Noble. Wietrak disse que as vendas de livros com vampiros, lobisomens e outras criaturas paranormais "explodiram".

Os leitores de romance são considerados os mais fiéis, se mantendo em uma série ou autor depois que se apegam a ele.

O gênero romance também pode ser especialmente atraente aos consumidores durante tempos de dificuldade econômica porque muitos livros são vendidos em formato específico para o mercado de massa, menores e com capa mole geralmente encontrados em supermercados e lojas de aeroportos. Estes livros são vendidos por menos de US$ 7,99 ou menos, em comparação com US$ 12 a US$ 15 dos livros mais bem acabados.

Os romances geralmente também são vendidos em redes de desconto como Wal-Mart ou Kmart, nas quais os compradores costumam consumir por impulso.

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08/04/2009 10:21 AM

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